Papa Francisco e arcebispo Paglia não acreditam na existência do Inferno?

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Na nossa reportagem de 9 de outubro sobre os recentes comentários feitos pelo confidente papal Pe. Antonio Spadaro acerca da lei moral, adicionamos uma atualização pós-publicação sobre uma nova conversa entre o Papa Francisco e Eugenio Scalfari. Scalfari, que se tornou um entrevistador favorito do Papa Francisco, é o fundador ateu do jornal italiano La Repubblica, conhecido pelo seu método não convencional de reconstruir entrevistas a partir da memória, em vez de usar citações diretas. (Embora o relato de Scalfari sobre as palavras mais polémicas do Papa tenha sido frequentemente descredibilizado por membros da imprensa católica como pouco fiável, a insistência do Papa em continuar a procurar Scalfari para entrevistas abertas e conversas para publicação deve por de parte qualquer reivindicação de que ele foi desinterpretado.)

Na última ocasião, ao rever o novo livro do arcebispo Vincenzo Paglia, Scalfari cita o Papa dizendo que entre os bispos da Igreja Católica há muito relativismo. Scalfari cita Francisco assim*:

Nós, os crentes e, claro, sobretudo sacerdotes e bispos, acreditamos no Absoluto, mas cada um à sua própria maneira porque cada um tem a sua própria cabeça e pensamento. Portanto, a nossa verdade absoluta, compartilhada por todos nós, é diferente de pessoa para pessoa. Não evitamos discussões nos casos em que os nossos diferentes pensamentos entram em conflito. Portanto, também existe um tipo de relativismo entre nós. [ênfase adicionada]

Scalfari acrescenta então os seus próprios pensamentos à ideia do Papa e do Arcebispo Paglia de que o inferno está vazio:

O Papa Francisco, precedido nisto [nesta ideia] por João XXIII e Paulo VI, mas com uma força mais revolucionária em relação à teologia eclesial, aboliu os lugares para onde as almas devem ir depois da morte: Inferno, Purgatório, Paraíso. Dois mil anos de teologia basearam-se nesse tipo de vida futura que até mesmo os Evangelhos confirmam. Dando atenção, contudo, ao tema da Graça – em parte, devido às cartas de São Paulo (aos Coríntios e aos Romanos) e, ainda mais, a Agostinho de Hipona. Todas as almas são dotadas de Graça, portanto nascem perfeitamente inocentes e assim permanecem, a menos que sigam o caminho do mal. Se elas estiverem conscientes disso e não se arrependerem, ainda que seja no momento da morte, serão condenadas. O Papa Francisco – repito – aboliu os lugares da habitação eterna na vida futura das almas. A tese que ele defende é que as almas dominadas pelo mal e que não se arrependem deixarão de existir, enquanto aquelas que são redimidas do mal serão assumidas no êxtase da contemplação de Deus. Esta é a tese de Francisco e também de Paglia. [ênfase adicionada]

Como já havia reportado o vaticanista Sandro Magister, Scalfari citou anteriormente o Papa Francisco deste modo: “Dentro de um milénio ou mais, a nossa espécie humana será extinta e as almas se fundir-se-ão com Deus”.

E em 2015, o Papa Francisco foi outra vez citado por Scalfari: “O que acontece a essa alma perdida? Será punida? E como? A resposta de Francisco é clara e inequívoca: não haverá punição, mas aniquilação dessa alma.”

Estas declarações bastante heréticas atribuídas ao próprio Papa Francisco – e que ele ainda não negou publicamente – são também atribuídas ao novo chefe da Pontifícia Academia para a Vida e grão-chanceler do reestruturado  Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família. O seu novo livro, portanto, deve ser cuidadosamente estudado e analisado.

Neste contexto – sob a premissa de que não mais haverá castigos eternos para o pecado – esta nova era bergogliana passou agora a fazer muito mais sentido. Se não devemos ter medo do Inferno, que impedimento haverá que nos faça evitar seguir na direção do relativismo moral e do relaxamento doutrinal?

Torna-se assim mais importante para os católicos fiéis, determinados a permanecer leais ao ensino tradicional da Igreja Católica, que continuem a resistir, nas suas próprias organizações e publicações, a tais violações da verdade de Deus que estão a produzir já graves efeitos no comportamento moral dos Católicos ao nível da contraceção, do aborto e do adultério. O professor Josef Seifert colocou o dedo na ferida do ensinamento do Papa Francisco, nomeadamente: que agora parece não haver nenhum ato intrinsecamente mau.

* Traduzido para do Italiano para Inglês por Andrew Guernsey.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 11 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2017