Um segundo bispo austríaco assinou a declaração que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

O vaticanista Edward Pentin informou no passado mês de fevereiro, através da sua conta Twitter, que D. Elmar Fischer, bispo emérito da diocese de Feldkirch, na Áustria, também assinou a “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental, depois de um outro bispo austríaco já o ter feito.

A declaração publicada pelos bispos do Cazaquistão afirma que a leitura que o Papa Francisco faz da sua própria exortação apostólica é “estranha” a toda a tradição e fé católicas, causa “crescente confusão” e fará alastrar a “chaga do divórcio”.

Com a subscrição de D. Elmar Fischer, subiu para dez o número de bispos signatários, sendo um deles cardeal.

Basto 3/2018

Bispo suíço assina a declaração que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

marian eleganti

Apenas três dias depois de D. Athanasius Schneider ter feito um apelo público a todos os prelados católicos para que subscrevam a Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental, surge a assinatura de mais um bispo, nomeadamente, D. Marian Eleganti OSB. Tem 62 anos de idade e é bispo auxiliar da diocese de Chur, na Suiça.

Além de reconhecido teólogo, D. Marian Elegantiu é um frade da abadia dos Missionários Beneditinos de St. Otmarsberg, em Uznach, no cantão suíço de St. Gallen, tendo sido ordenado sacerdote em junho de 1995. Em dezembro de 2009, foi apontado por Bento XVI para bispo titular de Lamdia e auxiliar de Chur, a sua ordenação episcopal aconteceria no mês seguinte.

Com a sua subscrição da “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental” publicada pelos bispos do Cazaquistão, são agora nove os bispos signatários, um dos quais é cardeal.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surgiu como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão. Nessa declaração, os bispos afirmam que a leitura em causa está a causar “crescente confusão”, fará alastrar a “chaga do divórcio” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

Basto 2/2018

Mais um bispo católico subscreve o documento que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

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Imagem do Youtube (entrevista com Michael Voris do Church Militant, 21/12/2015)

D. René Henry Garcida, bispo emérito da diocese de Corpus Christi, no Texas, subscreveu a “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental emitida a 31 de dezembro por três bispos do Cazaquistão. O bispo americano anunciou a sua posição, numa nota publicada em letras maiúsculas no seu próprio blogue, no dia 8 de janeiro de 2018, seguida do texto do referido documento.

Perguntaram-me se apoio integralmente, ou não, a declaração emitida, no dia 31 de dezembro de 2017, como uma profissão de fé em relação às verdades imutáveis sobre o matrimónio sacramental. Que não restem dúvidas, eu apoio-a e recomendo-a.

† René Henry Garcida

(in Abyssus Abyssum Invocat, 08/01/2018 – tradução livre)

Gracida foi ordenado sacerdote a 23 de maio de 1959, com 36 anos de idade. Em 1971, foi nomeado bispo auxiliar de Miami, em 1972, bispo auxiliar de Masuccaba e, em 1975, bispo de Pensacola-Tallahassee. Em 1981 seria indigitado, pelo Papa João Paulo II, para a diocese de Corpus Christi.

Em setembro de 2017, D. René Garcida tornou pública a sua assinatura na “Correção Filial” ao Papa Francisco “por propagação de heresias”.

Com a sua subscrição da “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental” publicada pelos bispos do Cazaquistão, são agora oito os bispos signatários.

Basto 1/2018

Bispo austríaco assina declaração que diz que a leitura feita pelo Papa à Amoris Laetitia é “estranha” à fé católica

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Por Diane Montagna

6 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O bispo D. Andreas Laun, auxiliar emérito de Salzburgo, na Áustria, assinou hoje a “Profissão de Verdades Imutáveis ​​em relação ao Matrimónio Sacramental”, elevando o número de signatários para seis bispos e um cardeal.

Na segunda-feira,os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

O bispo D. Laun é membro dos Oblatos de São Francisco de Sales. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1967 e nomeado bispo auxiliar de Salzburgo, Áustria, a 25 de março de 1995. Laun foi ainda professor de teologia moral na Faculdade de Filosofia e Teologia de Heiligenkreuz, na Áustria.

Em dezembro de 2016, o bispo Laun disse, numa entrevista, que compartilhava as preocupações dos quatro cardeais dos “dubia” relativamente a certas passagens da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, a Amoris Laetitia. “Eu li as preocupações dos quatro cardeais e concordo com eles”, afirmou. “Além disso, conheço pessoalmente os cardeais Meisner e Caffarra e sei como eles são competentes. Com eles, estou na melhor companhia.”

O bispo D. Laun completou 75 anos no dia 13 de outubro do ano passado. O Papa Francisco aceitou a sua resignação nesse mesmo dia devido à sua idade.

A sua adesão à profissão eleva para sete o número total de signatários. O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo metropolita emérito de Riga, Letónia, assinou o documento na passada sexta-feira. O ex-núncio apostólico dos Estados Unidos, D. Carlo Maria Viganò, e o arcebispo emérito D. Luigi Negri, juntaram-se à profissão de “verdades imutáveis ​​sobre o casamento sacramental” na passada quinta-feira.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 6 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Cardeal subscreve a declaração que afirma que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

Janis Pujats

Por Diane Montagna

ROMA, 5 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo emérito metropolita de Riga, na Letónia, juntou-se aos três bispos do Cazaquistão e aos dois arcebispos italianos, assinando a “Profissão de Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental”, confirmou o LifeSiteNews.

A adição da assinatura do cardeal Janis Pujats eleva para seis o número de signatários.

No início desta semana, os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

A adesão do cardeal letão à profissão segue-se à do ex-núncio dos EUA, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, e do arcebispo emérito D. Luigi Negri, de Ferrara-Comacchio, no Norte da Itália.

Pujats ingressou no Seminário Teológico de Riga, na Letónia, tendo aí permanecido até este ter sido encerrado pela União Soviética em 1951. Dois meses depois, numa cerimónia secreta, seria ordenado sacerdote pelo arcebispo Antonijs Springovičs. Em 1991, foi nomeado arcebispo de Riga. Em 21 de fevereiro de 1998, foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II. O seu cardinalato foi tornado público no consistório em 21 de fevereiro de 2001. O cardeal Pujats foi um dos cardeais eleitores que participaram no conclave de 2005 para eleger o Papa Bento XVI. Fala russo, polaco, lituano, alemão e latim, para além do seu letão nativo.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Porquê o silêncio da maioria silenciosa?

São João Fisher

Por Christopher A. Ferrara

À medida que o desastre deste pontificado continua, tornou-se comum, mesmo na imprensa católica “convencional”, reconhecer que o Papa Francisco é um grande problema para a Fé, em relação ao qual algo deve ser feito.

Assim, como agora se juntaram mais dois arcebispos aos três bispos do Cazaquistão para declarar que a tentativa de Francisco autorizar a Sagrada Comunhão aos adúlteros públicos é “ilícita” e “estranha a toda a Tradição da fé católica e apostólica”, até o Pe. Alexander Lucie-Smith, ao escrever no moderado Catholic Herald, afirmou que “a notícia de que cinco bispos fizeram uma declaração que sustenta os ensinamentos da Igreja sobre o casamento e os seus ensinamentos sobre o divórcio são notícias inéditas”.

Considerem-se as implicações: devemos considerar como “notícias inéditas” a intervenção de apenas cinco bispos contra a tentativa do Papa de deixar a falsa impressão de que a sua posição lhe permite revogar o constante ensinamento e disciplina da Igreja enraizados na própria lei divina.

O Pe. Lucie-Smith observa que “é deprimente que apenas cinco [até ao momento] tenham subscrito [a declaração]”, visto que “[o]s bispos não estão a dizer nada de novo, mas apenas a reafirmar o que a Igreja, sempre e em todos os lugares, acreditou”. Mas Francisco não está a reafirmar o que a Igreja sempre e em todos os lugares acreditou, razão pela qual ele está errado e deve ser oposto por todos os sucessores dos Apóstolos. No entanto, apenas cinco assumiram o desafio. Isto é, no mínimo, “desolador”.

Então, onde estão os restantes 5 100 bispos do mundo inteiro? Pe. Lucie-Smith escreve:

“Haverá muitos que não assinam mas que apoiarão de coração o que é dito, podendo eu pensar em vários. Basta recordar como poucos aprovaram as diretrizes dos bispos de Malta, por exemplo, e como a grande maioria dos bispos do mundo não disse abolutamente nada sobre o assunto. «Mas notaram que a maioria dos bispos em todo o mundo estão notavelmente silenciosos?», como perguntou o Pe. Thomas Weinandy. Esses bispos constituem a maioria silenciosa: seria ótimo se todos falassem, mas talvez se possa apreciar as suas razões para manter o silêncio”.

Mesmo? Porque se deveria “apreciar” as razões pelas quais a maioria silenciosa dos bispos mantém silêncio sobre um ataque direto aos fundamentos do edifício moral da Igreja e aos seus ensinamentos sobre a indissolubilidade do casamento e a infinita dignidade do Santíssimo Sacramento? Posso pensar apenas em uma das razões: medo de represálias de “O Papa Ditador”.

O Pe. Lucie-Smith observa, no entanto, que não teve medo de assinar “a carta dos quinhentos ou mais sacerdotes” de Inglaterra, durante o falso Sínodo, para declarar a sua “fidelidade inabalável às doutrinas tradicionais sobre o casamento e o verdadeiro significado da sexualidade humana, fundada na Palavra de Deus e ensinada pelo Magistério da Igreja durante dois milénios”.

Então, qual é a desculpa dos bispos? E – novamente – onde estão os cardeais Burke e Brandmuller, que há muito tempo prometeram uma correção formal do erro que o Papa Francisco está a tentar agora impor como “autêntico Magistério”? Parece que o medo de um homem pôde superar o temor de Deus e o Seu julgamento, deixando apenas, no mundo inteiro, cinco bispos, alguns sacerdotes e leigos corajosos para defender a verdade de Cristo.

Algo semelhante à situação criada em Inglaterra pelo rei Henrique VIII, em que apenas um bispo, São João Fisher, resistiu à exigência de divórcio, está agora incrivelmente a repetir-se por toda a componente humana da Igreja. Mais um sinal de que uma intervenção divina, como nenhuma outra na história da Igreja, será necessária para corrigir as coisas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 4 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte portanto da publicação original.

Basto 1/2018

Ex-núncio dos EUA junta-se aos bispos do Cazaquistão, considerando que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

montagna.lsn.jpgPor Diane Montagna

ROMA, 2 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) – Dois arcebispos italianos juntaram-se aos três bispos do Cazaquistão na profissão das “verdades imutáveis ​​sobre o matrimónio sacramental”.

Tal como os bispos do Cazaquistão, o Arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, e Sua Excelência Luigi Negri, arcebispo emérito de Ferrara-Comacchio, criticaram a interpretação oficial do Papa Francisco sobre a Amoris Laetitia, que permite a alguns divorciados “recasados” receberem a Sagrada Comunhão.

No mês passado, o Papa Francisco decidiu declarar formalmente a interpretação dos bispos de Buenos Aires da Amoris Laetitia “autêntico magistério”.

Na profissão publicada a 2 de janeiro, os bispos do Cazaquistão, incluindo D. Athanasius Schneider, de Astana, afirmam que a interpretação oficial do Papa, assim como as de outras conferências episcopais, como a da Alemanha ou de Malta, está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” para toda a Tradição e fé católicas.

Por causa da “crescente confusão” que se tem espalhado entre clérigos e leigos, os bispos reafirmam o ensinamento constante da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento e argumentam que a admissão de divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) aos sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão equivale a “uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja”.

Os bispos sublinham a sua “grave responsabilidade” e “dever diante dos fiéis”, que esperam deles uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio”.

“Por esta razão, não nos é possível calar”, acrescentam.

O arcebispo Carlo Maria Viganò foi ordenado sacerdote a 24 de março de 1968. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé em 1973 e trabalhou em missões diplomáticas papais no Iraque e na Grã-Bretanha. Foi nomeado Enviado Especial e Observador Permanente da Santa Sé no Conselho da Europa, em 1989, em Estrasburgo, e Núncio Apostólico na Nigéria, pelo Papa João Paulo II, em 1992. No final da sua missão na Nigéria, Viganò foi designado funcionário da Secretaria de Estado. Posteriormente, em 2009, foi nomeado Secretário-Geral do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, cargo que desempenhou até à sua nomeação, em 2011, como Núncio Apostólico para os Estados Unidos. O seu irmão Lorenzo é um sacerdote jesuíta.

O arcebispo Luigi Negri foi ordenado sacerdote a 28 de junho de 1972 e nomeado bispo de San Marino-Montefeltro, pelo Papa João Paulo II, a 17 de março de 2005. Em dezembro de 2012, tornou-se arcebispo de Ferrara-Commacchio, um ofício que realizou até 3 de fevereiro de 2017.

“O arcebispo Negri é conhecido como enérgico pastor, teólogo e filósofo; o bispo Viganò é considerado um diplomata e excelente administrador”, informou a agência de notícias italiana Corrispondenza Romana em comunicado divulgado no início desta noite em Roma.

Ambos os arcebispos participaram numa conferência no âmbito da aproximação do 50º aniversário da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. A conferência, intitulada Humanae Vitae aos 50: Estabelecendo do Contexto, teve lugar na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, em outubro passado, e contou com as palestras do cardeal alemão Walter Brandmüller, do historiador italiano Prof. Roberto de Mattei e do filósofo austríaco Prof. Joseph Seifert. Pretendia oferecer aos participantes a oportunidade de estudar a Humanae Vitae no contexto do seu tempo, bem como o seu lugar na continuidade do ensino perene da Igreja e na vida dos católicos de hoje.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 2 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Bispos do Cazaquistão publicam “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”

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Praticamente um ano depois de terem lançado um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio, os bispos do Cazaquistão publicam agora uma “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”. Em causa está, ainda, toda a confusão resultante da publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Os bispos signatários consideram que a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação “amoris laetitia” é “alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica”.

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.

As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “a confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

  • “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer”(Pio IX, Bula dogmática Ineffabilis Deus).
  • “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).
  • “A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou”(Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).
  • “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas”(Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 29).
  • “As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas”(João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).
  • “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade”(João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

  • As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.
  • Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).
  • A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.
  • Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).
  • A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.
  • As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).
  • O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: Senza Pagare, 02/01/2018.

Basto 1/2018