Vaticano prepara visita do Papa Francisco à Rússia

A poucos dias da visita do cardeal Pietro Parolin a Moscovo, o Secretário de Estado do Vaticano admite o seu empenho na preparação de uma possível visita do Papa Francisco à Rússia. O número dois da hierarquia do Vaticano estará na Rússia de 20 a 24 de agosto, tendo agendado encontros com o presidente Vladimir Putin e com o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa.

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in The Local, 09/08/2017

Numa recente entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, Pietro Parolin foi questionado se será possível uma visita de Francisco à Rússia e se esta sua viagem se relaciona de algum modo com a sua preparação.

O cardeal respondeu nestes termos:

Os propósitos da minha visita estão além da preparação de uma eventual viagem do Santo Padre Francisco à Rússia. Espero, no entanto, que ela, com a ajuda de Deus, possa oferecer alguma contribuição também nessa direção.

(Cardeal Pietro Parolin, in Corriere Della Sera, 08/08/2017 – tradução)

Do lado russo, nunca antes houve tanta abertura e benevolência para com a Igreja Católica e o Sumo Pontífice. Ainda há poucos dias, o patriarca de Moscovo voltou a confirmar a recente aproximação entre as duas igrejas.

Devo dizer que, desde aquela a reunião [cimeira cubana, de 12 de fevereiro de 2016], as nossas relações bilaterais tornaram-se mais intensas.

Não estamos inclinados a minimizar as diferenças existentes, mas também entendemos que os cristãos, especialmente na América Latina, têm o potencial para uma cooperação que seja capaz de galvanizar as forças cristãs para enfrentar as muitas questões que preocupam a humanidade hoje.

(Patriarca Kirill, in Interfax, 08/06/2017 – tradução)

Será isto uma evidência do “triunfo” do Imaculado Coração de Maria? Porque é que Vladimir Putin e o patriarca Kirill não vêm até Fátima, durante este centenário, para celebrar a conversão da Rússia por intermédio do Imaculado Coração do Maria.

Na verdade, apesar de as relações entre a Federação Russa e o Vaticano estarem normalizadas desde há vários anos, o relacionamento entre as duas Igrejas continuou muito difícil até à eleição de Francisco I. Havia várias razões para isso, das quais já aqui tínhamos destacado três principais.

Este é um assunto que suscita o maior interesse, sobretudo neste ano em que se celebra o centenário das aparições da Cova da Iria, dada a centralidade da palavra “Rússia” na mensagem de Fátima. A Santíssima Virgem prometera, precisamente há 100 anos, a conversão da Rússia através do Seu Imaculado Coração, que a levará “por fim” a aceitar a Fé Católica. Não obstante todo o otimismo reinante no catolicismo ocidental no que concerne aos resultados obtidos na “conversão da Rússia”, por vezes parece mais que foi a Igreja Católica quem se converteu naquilo que a Rússia sempre quis.

Mas já que estamos numa onda de otimismo, caso o Santo Padre realize mesmo essa viagem, pode ser que alguma “surpresa do Espírito Santo” faça com que ele leve consigo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e lhe consagre a Rússia a partir de Moscovo. Um ato solene que certamente atrairia todas as graças necessárias para a plena conversão da Rússia à Fé Católica. Mas será alguém põe as mãos no fogo por essa possibilidade? Não, não, não…

Basto 8/2017

Fátima e Rússia: entrevista a José Milhazes

As opiniões são suas e não temos de concordar com elas, nem é certamente isso que José Milhazes pretende. O seu vasto trabalho enquanto investigador, jornalista e tradutor, assim como os muitos anos de residência na Rússia, fazem dele um dos maiores especialistas em assuntos da Europa de Leste em todo universo da lusofonia e no Ocidente em geral.

O livro que escreveu sobre Fátima e a Rússia é uma leitura imprescindível neste ano em que se celebra o centenário das aparições.

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Não é um livro religioso, é de história. Apresenta-nos factos, acontecimentos, contextos, enlaces, muita informação desconhecida e surpreendente, a respeito da Rússia, relevante para o aprofundamento dos conhecimentos sobre a Fátima. É bastante conciso, objetivo e de agradável leitura.

Basto 7/2017

Bispo Scheneider: a consagração da Rússia conduzirá “à plenitude da conversão”

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Por John-Henry Westen

ROMA, 30 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – Depois de o cardeal Raymond Burke ter feito o seu apelo histórico à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, no Fórum da Vida, em Roma, na semana passada, um dos seus apoiantes mais entusiastas foi o Bispo Athanasius Schneider, que também esteve presente no Fórum.

O bispo Schneider foi um dos primeiros signatários do apelo à consagração e explicou ao LifeSiteNews os seus pensamentos a esse respeito.

O bispo Schneider diz que considera que a iniciativa do cardeal Burke de pedir ao Santo Padre para “consagrar” explicitamente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria “é muito importante”. Será, segundo ele, “o cumprimento mais completo e perfeito do desejo de Nossa Senhora de Fátima.

A noção de consagração surge da mais famosa e aceite aparição da Mãe de Jesus, que foi declarada autêntica pela Igreja Católica e citada por numerosos Papas nos últimos 100 anos. Foi também autenticada pelo mais maravilhoso e documentado milagre de todos os tempos – a “dança do sol”, testemunhada por 70 mil pessoas e registada pela imprensa secular.

Nossa Senhora disse em Fátima que Cristo desejava que o Papa, em união com os bispos do mundo, consagrasse a Rússia ao seu Imaculado Coração. Ela prometeu que, quando isso acontecesse, a Rússia converter-se-ia e um período de paz seria dado ao mundo. Caso contrário, advertiu Nossa Senhora de Fátima, a Rússia “espalhará seus erros pelo mundo, causando guerras e perseguições à Igreja”. E acrescentou: “Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

O Papa São João Paulo II confiou o mundo ao Imaculado Coração em 1984, mas, por ter sido aconselhado, optou por não mencionar a Rússia, mesmo que quisesse fazê-lo. Os seus conselheiros disseram-lhe que isso seria demasiado ofensivo para a Igreja Ortodoxa Russa e ele cedeu às suas exigências, de acordo com o testemunho recentemente revelado pelo cardeal Paul Josef Cordes.

O bispo Schneider disse que acredita que uma consagração explícita da Rússia pelo Papa em união com os bispos “nos trará abundantes graças para Igreja” e também para a “Rússia e para a Igreja Russa”.

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”, prometeu Nossa Senhora de Fátima. “O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e um período de paz será concedido ao mundo”.

O bispo Schneider explicou que a Rússia ainda não chegou “à plenitude da conversão, que é tornarem-se católicos, unidos à Santa Sé”. Isto, disse ele, “trará muitas graças” que “Nossa Senhora prometeu para o nosso tempo, para o triunfo de Seu Imaculado Coração”.

Até agora, a conversão da Rússia e a paz continuam a ser ilusórias. Houve mais guerras, massacres, mártires e abortos no último meio século do que nunca na história. A Rússia, onde o aborto foi legalizado pela primeira vez em 1920, possui ainda a maior taxa de aborto per capita do mundo. Com uma população de 143 milhões, tem 1,2 milhões de abortos por ano.

A Ir. Lucia, a mais velha dos videntes de Fátima, e também a que viveu mais tempo, escreveu ao cardeal Carlo Caffarra, há mais de trinta anos, dizendo-lhe que “chegará um momento em que a batalha decisiva entre o reino de Cristo e Satanás será sobre o casamento e a família”. No seu discurso no Fórum da Vida, em Roma, o Cardeal Caffarra disse que chegou o tempo que ela lhe anunciou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 30 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

D. Athanasius Scheneider estará em Fátima no dia 14 de julho.

Programa do encontro:

  • Santa Missa às 10:00h na Capela da Ressurreição do Santuário de Fátima.
  • Às 11:30h, palestra intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima” no Hotel de Santo Amaro.
  • Almoço às 13:00h no Hotel de Santo Amaro; o preço do prato são 15€, pagos no local, sendo necessário reservar lugar através do envio de um email para fatima@adelantelafe.com com o nome e o número de acompanhantes.

Basto 7/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017

Os estandartes do comunismo soviético são ainda os mais evidentes em Moscovo

Mais uma parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo, no Dia da Vitória. Neste dia 9 de maio de 2017, a Rússia assinala o 72.º aniversário da vitória militar sobre a Alemanha Nazi na II Guerra Mundial, mas celebra isolada face aos seus aliados de então. No centenário das Aparições de Fátima e da Revolução Russa, os símbolos comunistas soviéticos continuam a ser os que mais se destacam no colorido festivo, independentemente do que isso possa significar.

Basto 5/2018

A CIA terá confirmado o envolvimento da Rússia no atentado contra João Paulo II

Uma recente investigação atribui a responsabilidade da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, a 13 de maio de 1981, à União Soviética. Esta tese foi apresentada no novo livro de Paul Kengor, um católico, professor de ciência política do Grove City College, na Pensilvânia (EUA), e biógrafo do ex-presidente americano Ronald Reagan.

O atentado realizado pelo turco Mehmet Ali Agca foi orquestrado pelo KGB e pelo GRU (agência de inteligência militar da União Soviética no estrangeiro). Esta teria sido a conclusão da investigação encetada pela CIA à época dos acontecimentos, segundo Kengor.

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“Um Papa e um Presidente: João Paulo II, Ronald Reagan e a Extraordinária História Não Contada do Séc. XX” – capa do livro de Paul Kengor

De acordo com o Daily Signal, que obteve uma entrevista exclusiva do autor do livro, ambos Ronald Reagan e João Paulo II optaram por manter esta informação fora do domínio público com receio de uma III Guerra Mundial. Ronald Reagan, das várias vezes que fora questionado sobre o envolvimento da União Soviética no atentado contra o Papa, foi sempre “cuidadoso para não dizer o que lhe passava pela cabeça“, afirma Kengor que viu nisso um “impressionante ato de diplomacia de Reagan“.

Basto 5/2017

Testemunhas de Jeová banidas da Rússia

A liberdade religiosa é cada vez mais limitada na Rússia. O Supremo Tribunal Russo proibiu as práticas religiosas das Testemunhas de Jeová naquele país.

No regime atual, em que a Igreja Ortodoxa Russa tem uma forte influência política, outros grupos ou confissões religiosas poderão acabar por ser hostilizados pelas autoridades governativas e judiciais.

Basto 4/2017

Mais cinco perturbadores regressos ao passado soviético na Rússia de Putin

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A placa sobre a vedação russa diz: “A Sociedade Livre” (Political Cartoon: social media)

Por Paul Globe

Mesmo que Vladimir Putin afirme que a Rússia está destinada a ter um grande futuro, o líder do Kremlin tem feito pouco para acabar com o empobrecimento e a repressão dos russos de hoje e cada vez mais para restaurar muitas das piores características do negro passado soviético. Esta semana trouxe mais cinco exemplos dessa tendência retrógrada.

1. “Novilíngua” orwelliana na prática jurídica russa

A novilíngua orwelliana está a voltar à prática jurídica russa, a níveis alarmantes. Questionado pelo portal de notícias regionais 7 × 7 sobre a crescente utilização de termos pelos magistrados como “pseudo-religiosos”, “organizações destrutivas” e “grupos antissociais”, o diretor do Centro SOVA, Aleksandr Verkhovsky, afirmou que isso é extremamente perigoso.

“Não nenhuma definição legal” de tais termos e, consequentemente, eles representam uma tentativa de expansão por analogia uma tática privilegiada da prática soviética com termos que existem tais como “organizações extremistas.” E isso significa – afirma o ativista dos direitos – que “o magistrado pode escolher” como alvo “qualquer um que não encaixa no seu gosto.”

“Isso é a novilíngua“, diz Verkhovsky, usando o termo introduzido por George Orwell no seu romance “1984” sobre sistemas totalitários. E embora, ao nível das discussões informais, esses termos possam ter utilidade para apontar as áreas problemáticas, a sua utilização como categoria jurídica é “má e muitas vezes perigosa.”

2. As filas regressaram

Filas, a desgraça da existência dos russos na era soviética, estão de regresso à Rússia de Putin, mesmo que ninguém deva falar sobre isso. O bloguista russo Nikolay Yurenev afirma que “toda a gente diz que sob Putin não existem filas nas lojas”, mas todos sabem que não é verdade.

Não regressaram as filas como também aquilo que poderia ser chamado a cultura política das filas, com pessoas horas à espera, lamentando sua existência, mas que depois vão para casa e, ao assistirem à televisão de Moscovo, concluem que as coisas, mesmo se estão tão más, elas estão muito piores no odiado Ocidente, em relação ao qual lhes é dito para culparem pelos seus problemas.

Yurenev o seguinte exemplo: “Numa determinada cidade X com perto de um milhão de habitantes, uma fila numa loja de carne todas as segundas, quartas e sextas-feiras, quando a carne sai a menos de metade do preço habitual, e a fila diz eleestende-se em torno do quarteirão, desde o momento da abertura da loja até ao seu encerramento.

Mesmo antes da abertura da loja, a fila começa a formar-se com “patriotas desempregados e pensionistas que compõem uma boa metade da população dessa cidade X”, sendo o seu elemento predominante. E a fila inteira, apesar da espera e do frio, “apoia fraternalmente a sábia política do destacado líder político e governamental, o flamejante batalhador pela paz no mundo inteiro, Vladimir Vladimirovich Putin”.

Aqueles que estão na fila “expressam confiança ilimitada e profunda gratidão pela sua incessante preocupação com o bem-estar das pessoas e o florescimento da Grande Pátria” – prossegue Yurenev. Aqueles que conseguem chegar à dianteira da fila, de seguida, regressam a casa para prepararem o jantar e assistirem à televisão de Moscovo.

É então que sua participação na “grande política” se torna clara – continua o bloguista russo. Eles aprendem como a Ucrânia e o Ocidente são os culpados pelas suas baixas pensões e “como, nos EUA, os inimigos de Trump tentam desencaminhar a sua política amigável para com a Rússia e Putin”.

“Como é horrível viver nesse mundo estrangeiro louco, louco e louco”, dizem eles “nos seus corações”, e “como são belas as coisas na nossa Pátria”. Naquele mundo, as filas para carne barata não são problema algum: elas são apenas um indicador de como os bons russos as aceitam sob a sábia liderança de Putin.

3. Apoio fictício da população às ações governamentais

As autoridades russas justificam aquilo que querem fazer dizendo que a população exige tais ações, quer isso seja ou não verdade. A TASS, agência de notícias russa, é novamente chamada, como se fosse na era soviética, e relata que o ministério da cultura congratula-se com os apelos dos ativistas russos para criar um Dia do Patriotismo.

Na URSS, os altos funcionários declaravam frequentemente que tomavam esta ou aquela atitude porque “os trabalhadores e os camponeses” a exigiam. Agora, Moscovo usa a mesma tática, dizendo que a população deseja esse feriado, o qual estará cronometrado para coincidir com a imposição de sanções ou talvez contra-sanções, mesmo que estas impeçam os alimentos de chegar até eles.

4. Documentos públicos com assinaturas falsificadas

As autoridades russas têm afirmado que determinados documentos foram assinados por pessoas que nunca os assinaram ou sequer os viram, desde que seja o documento que o regime deseja. No início desta semana, os partidários da entrega da Catedral de Santo Isaac à Igreja Ortodoxa Russa entregaram o que eles classificaram como um apelo de 26 reitores de instituições de ensino superior que apoiam essa ação.

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Catedral de Santo Isaac em São Petersburgo, Rússia, 2017 (Imagem: Wikimedia)

Mas agora constatou-se que essa informação é uma “notícia falsa”, ou talvez  “um facto alternativo”, porque dois dos reitores cujas assinaturas constam do documento afirmam que não o assinaram e um deles disse que nem sequer tinha ouvido falar disso.

Na era soviética, os funcionários do partido comunista colocavam frequentemente os nomes das pessoas sem pedirem a respetiva permissão ou acordo, a fim de apoiar a linha oficial. A grande diferença, agora, é que alguns daqueles que são vítimas dessa prática queixam-se, ainda que isso possa ser demonstração de vontade de progressão nas suas carreiras.

5. O assassínio de importantes testemunhas dos crimes de guerra de Putin na Ucrânia

Quanto ao quinto e mais sinistro, Putin está a livrar-se das testemunhas dos seus próprios crimes na Ucrânia. Zoryan Shkiryak, conselheiro do ministro ucraniano do interior, afirma que o assassinato do líder miliciano pró-Moscovo, com o nome de guerra Givi, é apenas o último exemplo de algo que Kiev vem alertando desde há dois anos.

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A explosão que matou Givi destruiu completamente o quarto onde ele se encontrava (Imagem: captura de vídeo)

Ele acusa “Putin” de “estar constantemente a destruir testemunhas importantes dos seus próprios crimes militares” na Ucrânia, um programa que lançou após o derrube do avião de passageiros MH-17 da Malásia, mas que afetou os que participam nas suas ações “terroristas” em Mariupol, Volnovakha e também Debaltseve. No caso da “liquidação de Givi” – continua Shkiryak – é claro que Moscovo controla todos os participantes nesta ação e, com efeito, ninguém teria agido sem a bênção ou, mais provavelmente, sem a ordem direta das autoridades da capital russa. Essas coisas não são estranhas nem inovadoras – afirma. Elas “fazem parte das melhores tradições dos serviços especiais russos” e são efetivamente “todos os elos de uma única cadeia”.

A edição original deste artigo foi publicada pela Euromaiden Press no dia 10/02/2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do testo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Bênção dos mísseis na Crimeia

A Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo benzeu o novo sistema de mísseis de defesa antiaérea ‘S-400 Triunfo’ e os militares das Forças Armadas da Federação Russa presentes na anexada Península da Crimeia. A cerimónia de bênção dos mísseis realizou-se no passado dia 14 de janeiro e foi presidida pelo Metropolita Platon (Udovenko) de Kerch e Feodosia. Pelo que se sabe, este equipamento militar terá chegado à Crimeia no final de 2016.

Este tipo de acontecimento não é uma novidade. Em 2014, por exemplo, os mísseis intercontinentais que seguiam para a parada militar das celebrações do Dia da Vitória também receberam a bênção de padres ortodoxos.

 

Basto 1/2017

Papa poderá visitar Moscovo, é uma questão de tempo

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Como tínhamos já aqui referido e analisado, uma eventual visita papal à Rússia parece cada vez mais possível e até bastante provável. Existe mesmo a possibilidade de tal viagem estar já a ser planeada à porta fecha, uma vez que este é um assunto em relação ao qual o Papa Francisco prefere manter descrição. Assim aconteceu também quando preparou o inédito encontro com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, em Havana, em Fevereiro do ano transato.

Em maio do ano passado, o proeminente cardeal francês Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso e camerlengo da Câmara Apostólica, afirmava que Francisco poderia vir a ser o primeiro pontífice romano a visitar a Rússia e a China.

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Crux Now em 28/05/2016

“Sim… talvez, mas há várias nuances a considerar.”

(Cardeal Jean-Louis Tauran in Crux Now, 28/05/2016)

A principal “nuance” é reconhecidamente o “problema” dos Greco-Católicos da Ucrânia…

Praticamente um ano depois da cimeira cubana, quem nos dá agora razão é o arcebispo de Moscovo, D. Paolo Pezzi, que é também o presidente da Conferência de Bispos Católicos da Federação Russa. Este arcebispo italiano, em entrevista à agência noticiosa católica italiana SIR, considera que a viagem papal é agora possível devido ao encontro de Havana e às suas consequências no relacionamento entre as duas igrejas, embora não se sinta capaz de arriscar uma data.

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Servizio Informazione Religiosa em 11/01/2017

“Eu não posso dizer quanto tempo levará. Mas isso não é mais visto como uma questão problemática.”

“Eu penso que depois de Cuba, nomeadamente das suas consequências, que tiveram um impacto na Igreja Ortodoxa da Rússia, hoje é possível dizer que a visita do Papa à Rússia deixou de ser um problema.”

(Declarações do Mons. Paolo Pezzi ao SIR em 11/01/2017)

As relações entre o Vaticano e as autoridades políticas e religiosas russas nunca estiveram tão boas. Através dos vários encontros realizados em Roma ou nas Caraíbas, as cartas enviadas, os presentes trocados ou as permutas de arte, Francisco é de facto um Papa que parece agradar às autoridades do gigante eslavo.

Talvez Francisco consiga fazer aquilo que os papas anteriores desejaram e não conseguiram. Contudo, se um Papa acabar mesmo por visitar a Rússia, este ou outro, nessa altura teremos inevitavelmente de avaliar as razões que tornaram isso possível. Será esse evento a derradeira e esperada evidência da anunciada “conversão da Rússia” profetizada em Fátima? Ou, em alternativa, estaremos perante o apogeu das consequências negativas resultantes da não consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria dentro do prazo indicado por Nossa Senhora?

O Papa Francisco rejeita categoricamente a necessidade de conversão à Religião Católica e, em vez disso, promove incansavelmente a sua “cultura do encontro”, reservando a necessidade de conversão para a Cúria Romana e para os fiéis católicos em geral, mas em especial para aqueles que resistem… Basicamente, a conversão consiste na adesão à Fé Católica, enquanto a “cultura do encontro” pressupõe uma desvalorização da Fé Católica em favor de um consenso mais alargado, ou mesmo universal, onde há lugar para todas as crenças e não crenças… A conversão ocorre naquele que adere à Fé, enquanto a tal “cultura do encontro” implica algum grau de afastamento da Fé por parte daquele que a possui…

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Qual seria o resultado final a esperar de toda esta “cultura do encontro” se algum dia conseguisse uma aceitação universal? Um mundo onde todas as religiões são iguais? Um mundo sem religião? Que paraíso é esse que esta doutrina nos quer vender? Onde é que esse paraíso se encontra, neste mundo ou no Outro? É uma ideologia que não faz o mínimo de sentido à luz da Fé Católica!

Se algum dia um Papa for bem-vindo na Rússia, esperemos que isso seja sinal de conversão generalizada dessa nação, da sua reunião verdadeira à Igreja de Roma e nunca o resultado da conversão da própria Igreja Católica naquilo que a Rússia desejava que Ela fosse. Isso seria o desprezo total da Igreja pela mensagem de Fátima e talvez a gota necessária para fazer transbordar a copo da Paciência Divina.

 

Basto 1/2017

Kirill: “Rússia jamais reconhecerá a independência religiosa da Igreja Ucraniana”

Na Ucrânia, berço da cristianização da Rússia, os cristãos repartem-se hoje por várias denominações religiosas, na sua esmagadora maioria, cristãs de tradição ortodoxa. As divisões entre os maiores grupos de obediência ortodoxa existentes na Ucrânia devem-se essencialmente à história recente daquele país, nomeadamente ao período pós-colapso da União Soviética e consequente independência nacional, mas também à longa coabitação de dois grandes grupos étnicos, os ucranianos (78%) e os russos (17%), naquele grande país do Leste Europeu.

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Fonte: Macro Economy Meter

O processo de independência da Ucrânia conduziu à emancipação da Igreja Ortodoxa Ucraniana, ou pelo menos parte dela, em relação ao Patriarcado de Moscovo. Atualmente, num momento em que se ouve falar bastante de unificação, a Igreja Ortodoxa Ucraniana ainda se encontra dividida em três grandes grupos: o mais representativo é a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kiev (50%), segue-se depois a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo (26%) e, por último, aparece a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala (7%). Para além dos referidos, merece também destaque o grupo dos ortodoxos em comunhão com Roma, a Igreja Uniata, oficialmente denominada Igreja Greco-católica Ucraniana (8%). Estes são a maior Igreja Católica Oriental e encontram-se em franca expansão dentro e fora do país, manifestando um dinamismo notável.

Os católicos de rito latino, naquele país, são um grupo pouco expressivo, representando apenas cerca de 2% dos crentes ucranianos.

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Fonte: Macro Economy Meter

O presente conflito entre Kiev e Moscovo é também – embora muita gente não queira ver – um conflito religioso. Se, por um lado, o sr. Vladimir Putin não aceita que a Ucrânia se afaste da esfera de influência política de Moscovo para se juntar à União Europeia e à Nato, por outro, o Patriarca Kirill não quer perder a influência religiosa sobre a Ucrânia que, desde a independência daquele país, tem vindo a tornar-se praticamente nula.

No dia 20 de novembro, na celebração do seu 70º aniversário, na catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, o Patriarca Kirill terá declarado que a Igreja Ortodoxa Russa jamais concordará com a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo.

Agradeço a Sua Beatitude Onufriy [líder local da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo] pela sua coragem e firmeza na defesa da santa ortodoxia e pela preservação da unidade canónica da Igreja. A nossa igreja jamais deixará os irmãos ucranianos em dificuldades e não os abandonará. Nunca concordaremos em mudar as sagradas fronteiras canónicas da Igreja, porque Kiev é o berço espiritual da Santa Rus, como Mtskheta para a Geórgia e Kosovo ou para a Sérvia. [aplausos]

[…]

A dolorosa ferida da divisão ucraniana inflige sofrimento em todo o corpo da igreja, e a sua dor pode ser sentida não só na Ucrânia, mas no território canónico de outras igrejas locais. O perigo de divisão na Igreja é claro para todos nós.

(Patriarca Kirill a 20/11/2016 in Religious Information Service of Ukraine)

A Igreja Ortodoxa Russa já mostrou por diversas vezes – como constatámos aqui, por exemplo – que tem uma agenda própria, independente das suas congéneres, que converge, de forma clara e assumida, com os desígnios programáticos e geopolíticos de Vladimir Putin. Existe uma parceria muito forte entre as atuais lideranças política e religiosa da Rússia.

Logo veremos até onde esta parceria nos levará!

 

Basto 11/2016

Regresso rápido da Rússia ao passado soviético – datas-chave sob Vladimir Putin

Военный парад на Красной площади 7 ноября 1990 года
Parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo, na celebração do aniversário da Revolução Comunista de Outubro, 07/11/1990 (Imagem: TASS)

Por Paul Globe

A recuperação de muitos aspetos da vida soviética levada a cabo por Vladimir Putin não é apenas óbvia mas cada vez mais rápida, como é claramente demonstrado no jornal “Perfil”, quando publicou uma tabela cronológica com algumas, mas longe de serem todas, das suas mais importantes decisões que restauraram símbolos soviéticos.

  • 25 de julho de 2000 – Restauração do hino soviético como hino nacional.
  • 4 de julho de 2003 – As estrelas vermelhas regressam aos estandartes das Forças Armadas Russas.
  • 19 de junho de 2007 – As bandeiras vermelhas de com a foice e o martelo são restabelecidas para presenças nas paradas históricas.
  • 9 de maio de 2008 – Paradas militares com tanques e artilharia pesada regressam à Praça Vermelha.
  • 25 de janeiro de 2012 – As estrelas vermelhas são novamente colocadas nos aviões militares.
  • 31 de janeiro de 2013 – A cidade de Volgogrado passa a chamar-se novamente “Stalinegrado” durante os feriados.
  • 29 de janeiro de 2013 – A condecoração “Herói do Trabalho” é restabelecida.
  • 24 de março de 2014 – A Organização Pronto para o Trabalho e para a Defesa (“GTO”) é restaurada.
  • 14 de maio de 2014 – O Centro Panrusso de Exposições recupera o seu antigo nome da era soviética (VDNKh)
  • 4 de junho de 2014 – São reintroduzidos os uniformes escolares.
  • 29 de outubro de 2015 – É criado o Movimento de Estudantes Russos como uma versão atualizada do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin.
19 мая - День пионерии, 1981 год
Marcha de um ramo local do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin numa das escolas de Moscovo (Imagem: TASS)
A edição original deste texto foi publicada pela Euromaiden Press no dia 14/11/2015. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2016