Católicos ucranianos celebram Divina Liturgia nos abrigos subterrâneos

Enquanto continua a sangrenta agressão putinista à Ucrânia, os católicos locais, unidos ao seu líder D. Sviatoslav Shecvhuk na resitência pela independência do país, celebram a Divina Liturgia (equivalente à Santa Missa, no rito bizantino) nos refúgios subterrâneos.

Imagens: Gloria TV e Catholic News-UGCC.

Saudações da Kiev ucraniana! Hoje é domingo, 27 de fevereiro de 2022. Tivemos outra noite terrível. Mas depois da noite vem o dia, vem a manhã, depois da escuridão vem a luz. Da mesma forma, depois da morte vem a ressurreição, que todos nós celebramos hoje.

No entanto, hoje, os cidadãos de Kiev não poderão ir à igreja porque o toque de recolher foi declarado e todos devem estar em casa devido à ameaça às vidas humanas. Mas então a Igreja virá ao povo. Os nossos padres irão para o subterrâneo, para os abrigos antiaéreos e realizarão as Divinas Liturgias.

D. Sviatoslav Shevchuk, domingo 27 de fevereiro de 2022 in news.ugcc.ua (tradução livre).

Basto 03/2022

Estamos com a Ucrânia.

Não a Putin, não à guerra!

Neste momento difícil em que a Ucrânia está a ser alvo de uma severa agressão externa, estamos solidários com o povo ucraniano, em particular com os católicos locais.

Por fim, o Imaculado Coração de Maria triunfará e haverá paz.

Foto: Agência Eccleisa, 24/02/2022.

Basto 02/2022

Ditador russo proclama a independência das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk

Oito anos depois da anexação da Crimeia, a nostalgia do imperialismo soviético leva Vladimir Putin a reconhecer a independência de duas regiões controladas por rebeldes e mercenários putinistas no Leste da Ucrânia.

Basto 02/2022

Malachi Martin: o Segredo de Fátima está relacionado com a Ucrânia

Que sentido fazia uma referência à Ucrânia e a Kiev no contexto geopolítico do final dos anos 90 do século passado? Praticamente nenhum.

Basto 02/2022

Um interessante rumor sobre a conversão da Rússia

Em Maio de 1946, uma rapariga russa (Natacha Derfelden) no exílio em Paris, foi ao Congresso Mariano Internacional em Fátima e levou o solo russo para Santuário. Trinta e cinco mil delegados juvenis de todos os cinco continentes juntaram-se a ela num ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração [de Maria]. Há rumores de que Natacha foi informada pela Irmã Lúcia (a vidente de Fátima) que a conversão da Rússia seria completada através da Igreja Ortodoxa e do Rito Oriental.

Haffert, John M. (1956), Russia will be converted, p. 204 (tradução livre).

Basto 01/2022

Papa Eslavo: a verdadeira conversão da Rússia terá origem na Ucrânia

No seu livro Windswept House (ou “A Casa Varrida pelos Ventos”), o autor Malachi Martin recorreu à personagem “Papa Eslavo” para personificar a figura do Papa João Paulo II. De acordo com a narrativa, o Papa Eslavo tinha indicações de Nossa Senhora de que a “verdadeira conversão da Rússia” teria início na Ucrânia durante uma viagem papal ao Leste Europeu.

Fonte: oiipdf.com

Se temos alguma indicação do Céu, é que a verdadeira conversão da Rússia, como lhe chamou a Santíssima Mãe, terá origem na Ucrânia e ocorrerá por ocasião da minha peregrinação ao Leste.

Tradução do trecho acima destacado do livro Windswept House, de Malachi Martin, 1996.

O livro narra essencialmente a história de uma conspiração montada por altos clérigos da Igreja Católica, em conjunto com importantes personalidades seculares, para forçar o papa reinante a resignar, de modo a poder ser substituído por outro mais flexível em termos de fé e moral católicas. Este livro teve recentemente uma nova edição em língua espanhola com o título El Último Papa.

Basto 01/2022

Papa Francisco pronto para ir a Moscovo

Foi no final da sua viagem apostólica ao Chipre e à Grécia, realizada no passado mês de dezembro, que o Santo Padre revelou estar disponível para ir à Rússia, dando a entender que tudo está a ser tratado para que essa viagem se possa concretizar dentro de pouco tempo. Francisco referiu-se mais precisamente a uma deslocação à cidade de Moscovo, que é simultaneamente a capital política da Federação Russa e sede da Igreja Ortodoxa Russa (IOR).

Esta informação, que embora não surpreenda, coloca a humanidade perante a iminência de um acontecimento histórico absolutamente extraordinário, por isso tem agitado bastante as redes sociais ao longo das últimas semanas, criando enormes expectativas em todos os cristãos que se interessam pelas aparições marianas e respectivas profecias.

A Rússia, nação tradicionalmente hostil ao catolicismo, ocupa um papel central na mensagem de Fátima, cujas profecias, de acordo com o Bento XVI e tantos outros católicos, ainda não se cumpriram na sua plenitude. Neste sentido, a antevisão de uma visita papal a Moscovo suscita, logo à partida, uma profunda reflexão à luz da mensagem de Fátima.

Não obstante a forte alusão a Fátima que esta notícia possa suscitar, a principal razão pela qual se tem replicado múltiplas vezes nas redes sociais é, porém, a sua associação a uma alegada “profecia” de Garabandal. De acordo com a referida “profecia” (mal documentada), pouco tempo antes do chamado “Aviso” de Garabandal, um Papa fará uma viagem a Moscovo, depois da qual rebentarão hostilidades em diversas partes da Europa, logo após o seu regresso…

No passado dia 22 de dezembro, o metropolita Hilarion (Alfeyev, no seu nome secular), responsável pelo Departamento de Relações Externas da IOR, reuniu-se com o Papa, na Santa Sé, onde terão acertado pormenores relativos a um novo encontro entre o Francisco e o patriarca Kirill (ou Cirilo), líder da IOR.

Basto 01/2022

Ucrânia lança “Museu Virtual da Agressão Russa”

A Ucrânia lançou, no passado mês, o Museu Virtual da Agressão Russa, um projeto conjunto de várias agências estatais e ONGs. Esta plataforma online reúne uma coleção de factos relativos à violação russa da integridade territorial da Ucrânia, organizados de forma cronológica e cartográfica. Entre as informações apresentadas, incluem-se crimes ambientais, de guerra e outros crimes da Rússia nos territórios ocupados, revelando ainda dados sobre sequestros e outras violações dos direitos humanos registados desde o início da ocupação ilegal em 2014.

Nesta fase inicial, o projeto retrata apenas os factos ocorridos na Península da Crimeia, deixando de fora, por enquanto, as regiões de Luhansk e Donetsk, no Leste da Ucrânia, que também estão nos planos de desenvolvimento do Museu.

Esta iniciativa visa denunciar as agressões russas à integridade territorial da Ucrânia e manter viva a memória de factos recentes, numa altura em que começa a verificar-se alguma habituação internacional ao novo mapa ilegal da Rússia.

Basto 11/2021

Vladimir Putin compara o culto da múmia do ditador comunista Lenin à veneração das relíquias dos santos cristãos

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Vladimir Putin recebe a comunhão das mãos de um sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa no Mosteiro de Valaam; in Youtube, 11/07/2016

Vladimir Putin, falando para um documentário sobre o Mosteiro de Valaam, produzido para o canal de televisão Rossiya 1, voltou a comparar a ideologia comunista à doutrina cristã, apontando semelhanças entre as duas forças antagónicas não só ao nível das crenças, mas também nas formas de culto. Segundo Vladimir Putin, os comunistas não inventaram a sua própria ideologia, mas adaptaram a ortodoxia cristã às suas necessidades.

“[O corpo de] Lenin foi colocado dentro do Mausoléu. Como é isso diferente de qualquer relíquia dos santos para os cristãos ortodoxos ou cristãos em geral? Têm-me dito: «Não, não existe tal tradição no mundo cristão». Como não? E então [o Monte] Atos? Vão lá e vejam. Há lá relíquias de santos. E aqui também, há as relíquias sagradas de [São] Sérgio e [São] Herman. Por outras palavras, as autoridades de então não sonharam nada de novo. Elas apenas adaptaram aquilo que a humanidade inventou há muito tempo à sua própria ideologia.”

(Vladimir Putin in Interfax, 15/01/2018 – tradução livre)

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Cadáver mumificado do revolucionário e ditador sanguinário Vladimir Lenin em exposição no mausoléu da Praça Vermelha, em Moscovo.

Tal como em 2015, Putin voltou a defender que o “Código Moral do Construtor do Comunismo“, o “catecismo” da propaganda comunista soviética da década de 1960, é semelhante à Sagrada Escritura.

“Havia aqueles anos de ateísmo militante em que os sacerdotes foram erradicados, as igrejas destruídas, mas, ao mesmo tempo, uma nova religião estava a ser criada. A ideologia comunista é muito semelhante ao cristianismo, na verdade: liberdade, igualdade, fraternidade, justiça – tudo está presente na Sagrada Escritura, está tudo ali. E o Código [Moral] do Construtor do Comunismo? Isso é elevação, é apenas um excerto ancestral da Bíblia, nada de novo foi inventado”.

(Vladimir Putin in Interfax, 15/01/2018 – tradução livre)

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Postais alusivos aos 12 “mandamentos” do Código Moral do Construtor do Comunismo difundidos pela propaganda do regime soviético.

Depois destes sinais que continuam a vir da Rússia, e tendo em conta a centralidade desta nação nas profecias de Fátima, voltamos a perguntar: mas, afinal, a Rússia converteu-se a quê?

Basto 1/2018

A Imaculada Conceição, os erros e a conversão da Rússia

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Nossa Senhora de Ollignies – Coração Doloroso e Imaculado de Maria

 

Por Pedro Sinde

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Rússia e os erros

Os erros da Rússia, referidos pela Virgem em Fátima, na frase citada em epígrafe, são, tradicionalmente, identificados com o Comunismo. No entanto, mais importante do que a referência ao comunismo, em particular, seria referirmo-nos ao materialismo ateu, à recusa do sobrenatural e à anti-religiosidade (concretamente, o anticatolicismo), mesmo que oculta sob a forma de um diferente regime político (que pode ser capitalista ou outro); esta distinção é essencial para que se perceba que os “erros da Rússia” não terminaram com a queda do comunismo, mas que se continuam a disseminar, hoje mais ainda do que antes, porque camufladamente. No entanto, se pensarmos no contexto da mensagem de Fátima, isto não nos deve bastar. Temos de enfrentar esta revelação da Virgem e reconhecer que ela não se refere apenas aos erros da Rússia, mas também à conversão da Rússia.

Rússia e a conversão

Atentemos na sequência dos eventos referidos pela Virgem: (1) se respondermos aos seus pedidos, (2) seguir-se-á a conversão da Rússia (3) e teremos um período de paz no mundo. Devemos ter reparado que o termo médio, colocado entre a nossa resposta aos pedidos da  Virgem e a prevenção de que os erros da Rússia se espalhem, é a conversão da Rússia. Se esta condição não fosse considerada necessária pela economia divina, não seria mencionada. Devemos entender que a consagração da Rússia implicará a sua conversão, mas que é a conversão que será a causa imediata da libertação do jugo dos erros da Rússia. A conversão da Rússia é, pois, uma condição sine qua non. Dito de outro modo, a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria é a causa da sua conversão e sem esta última não haveria libertação do ateísmo, do materialismo, dos erros da Rússia que se espalharam pelo mundo.  Aqui, temos de pensar que, como os erros da Rússia se espalharam pelo mundo, esta conversão diz respeito a todo o mundo e muito particularmente à Igreja Católica tão devastadoramente infiltrada1. Nós também somos “Rússia”.

Lembremos que os ortodoxos estão em estado de cisma, separados de Roma, rejeitaram o papado e com isso, o dogma posterior da Imaculada Conceição; se é verdade que aos olhos de Roma mantêm a sucessão apostólica e a Missa é válida, isso não diminui a gravidade da questão da rejeição do papado. A sua posição de separação com Roma, quando perderam a cabeça, fez ainda com que se dividissem numa multiplicidade de igrejas nacionais, tantas vezes em conflito entre si.2

Portugal e a Imaculada Conceição

A importância do dogma da Imaculada Conceição para os portugueses, creio ser a chave para percebermos uma das razões mais fundas para que tenha sido Portugal o País escolhido para espalhar esta mensagem ao mundo. E não deixa de ser significativo que Portugal e Rússia se encontrem em extremos opostos geograficamente. Pensemos que Portugal é consagrado não apenas a Nossa Senhora, como outros países, mas, desde 1646, à Imaculada, sua Rainha; os nossos reis, desde esta consagração, deixaram de usar coroa; os três estados, nas Cortes, fizeram um juramento em defesa da prerrogativa da Imaculada Conceição, mesmo a custo da sua própria vida se fosse caso disso; as portas de todas as cidades, vilas e aldeias deveriam ter, segundo ordem do rei em 1654 (justamente dois séculos antes do decreto dogma), uma placa com um voto de fidelidade à Imaculada. Isto é bastante impressionante!… E o contexto para se entender Fátima, deve passar necessariamente por aqui: o nosso amor à Imaculada. Espanha deveria assumir Fátima como uma missão sua, a este propósito, tanto pelo seu fundo amor à Imaculada (recordemos, como sinal disso, a fundação da Ordem da Imaculada Conceição em Espanha pela portuguesa Santa Beatriz da Silva), como pelo facto de parte da mensagem de Fátima ter acontecido em Espanha e ainda porque a Ir. Lúcia recebeu várias mensagens que visavam este País. Teremos ainda de pensar que, apesar da superficial rivalidade, na verdade, Portugal e Espanha partilharam espantosamente a missão incrível da evangelização de todo o mundo. Ora, esta amor à Imaculada, de todo um povo, não fará contraponto à rejeição dos cristãos ortodoxo sobretudo desde a proclamação do dogma? Muitos dos teólogos orientais defendiam intensamente a Imaculada3; desde 1854, por contrastante tristeza, começaram a procurar, para mais se separarem de Roma, atacar este dogma. É uma triste, muito triste situação, até porque o povo tem uma magnífica espiritualidade, uma fé ígnea e nobre, dotado de uma tremenda devoção pela Virgem, mas vê-se, assim, impedido de crescer nessa fé, isto é, de chegar à plenitude da revelação.

Reparando o erro da Rússia

A Virgem pediu em Fátima a devoção dos Cinco Primeiros Sábados para reparar o coração ofendido da Virgem; quando a Irmã Lúcia perguntou a razão de serem em número de cinco os sábados, foi-lhe explicado que se trata de desagravar o Coração Imaculado de Maria em cinco aspectos: as ofensas à Maternidade divina, à sua Virgindade perpétua, à sua Imaculada Conceição, a educação das crianças contra a Virgem e as ofensas às suas santas imagens – o das ofensas à sua Maternidade divina e à sua Virgindade perpétua não abrangem os ortodoxos (mas sim directamente os protestantes) – , já a referência às ofensas dirigidas à sua Imaculada Conceição, claramente os inclui… O pobre povo russo, o nobre povo russo, saberá que a Virgem, que tanto amam, pede aos católicos que desagravem estas ofensas que eles mesmos (e tantos católicos, naturalmente…) provocam? Este é o erro dos erros, por assim dizer e, por essa razão, como vimos, é que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria trará, antes de tudo, o seu regresso à plenitude da revelação – quem sabe se a partir, justamente, do dogma da Imaculada Conceição, dado o profundo amor que esse povo tem à Theotokos? Só este regresso, como sua condição, é que terá como consequência natural a recusa dos erros materialistas.

Irmã Lúcia e a conversão da Rússia

O facto de este aspecto da mensagem de Fátima estar esquecido, por assim dizer, não nos deve condicionar. De resto, a própria Ir. Lúcia sempre pensou que a conversão da Rússia não é para entender como sendo limitada ao regresso do povo Russo à religião Cristã Ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista dos Sovietes, mas antes como uma total e perfeita conversão à única, verdadeira Igreja Romana Católica.” (Joaquín María Alonso, The Secret of Fatima: fact and legend. Cambridge: The Ravengate Press, 1982, p. 84). Para podermos medir todo o alcance destas palavras, devemos lembrar-nos que o Pe. Joaquín Alonso foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis, tendo sido convidado pelo Bispo de Leiria, Dom  Venâncio, em 1966, para preparar a edição crítica e definitiva sobre Fátima e a sua Mensagem; coisa que zelosamente fez, resultando em 24 (!) volumes intitulados: Fátima, textos e estudos críticos (quando se preparava para começar a publicar os volumes resultantes da sua investigação, já no prelo, o novo Bispo, Dom Alberto Cosme do Amaral, deu ordem para parar). Se, ainda assim, tivéssemos dúvidas sobre o tema da conversão da Rússia, bastaria que recordássemos as muito impressionantes palavras da Irmã Lúcia em Um Caminho sob o olhar de Maria (p. 267); pouco antes de registar a terceira parte do segredo, escreve (3.I.1944):

“E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi (…) «No tempo, uma só Fé, um só Baptismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica.»”

A conversão da Rússia será, Deo volente!, um acontecimento de uma força inimaginável e nós, católicos, muito precisamos do retorno dos cristãos do Oriente à catolicidade, para se reunirem ao remanescente que conservará o dogma da fé: na nova Arca de Noé, o Coração Imaculado de Maria!

Notas:

1. Bella Dodd, a conhecida agente comunista que, nos anos trinta e quarenta, ajudou a infiltrar cerca de mil jovens nos seminários americanos e que acabou por se converter pelo Bispo Fulton Sheen, afirma que o Catolicismo é considerado pelos comunistas como o seu único verdadeiro inimigo. Um outro testemunho da mesma época, confirmando a infiltração friamente calculada, é o de Douglas Hyde.

2. Embora em situação completamente diferente, a situação dos protestantes tem algo de semelhante, pois depois de se separarem de Roma tiveram o mesmo resultado, mas exponenciado (são vários milhares de denominações diferentes resultantes da cisão protestante…). Cada cabeça sua sentença.

3. Alguns exemplos: Proclo, secretário de S. João Cisóstomo, diz que a Virgem é formada de “barro limpo” (ou seja, barro, como todos os seres humanos, mas não sujo do pecado original, ao contrário de todos os seres humanos); diz S. João Damasceno que “em Maria não entrou a serpente”. A Igreja Oriental celebrava a festa da Imaculada Conceição já no século VII; na carta a Sérgio, aprovada pelo VI Concílio Ecuménico, diz Sofrónio sobre Maria: “Santa, imaculada de alma e corpo, livre de todo o contágio”.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 20 de setembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho.

Basto 10/2017

Vaticano prepara visita do Papa Francisco à Rússia

A poucos dias da visita do cardeal Pietro Parolin a Moscovo, o Secretário de Estado do Vaticano admite o seu empenho na preparação de uma possível visita do Papa Francisco à Rússia. O número dois da hierarquia do Vaticano estará na Rússia de 20 a 24 de agosto, tendo agendado encontros com o presidente Vladimir Putin e com o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa.

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in The Local, 09/08/2017

Numa recente entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, Pietro Parolin foi questionado se será possível uma visita de Francisco à Rússia e se esta sua viagem se relaciona de algum modo com a sua preparação.

O cardeal respondeu nestes termos:

Os propósitos da minha visita estão além da preparação de uma eventual viagem do Santo Padre Francisco à Rússia. Espero, no entanto, que ela, com a ajuda de Deus, possa oferecer alguma contribuição também nessa direção.

(Cardeal Pietro Parolin, in Corriere Della Sera, 08/08/2017 – tradução)

Do lado russo, nunca antes houve tanta abertura e benevolência para com a Igreja Católica e o Sumo Pontífice. Ainda há poucos dias, o patriarca de Moscovo voltou a confirmar a recente aproximação entre as duas igrejas.

Devo dizer que, desde aquela a reunião [cimeira cubana, de 12 de fevereiro de 2016], as nossas relações bilaterais tornaram-se mais intensas.

Não estamos inclinados a minimizar as diferenças existentes, mas também entendemos que os cristãos, especialmente na América Latina, têm o potencial para uma cooperação que seja capaz de galvanizar as forças cristãs para enfrentar as muitas questões que preocupam a humanidade hoje.

(Patriarca Kirill, in Interfax, 08/06/2017 – tradução)

Será isto uma evidência do “triunfo” do Imaculado Coração de Maria? Porque é que Vladimir Putin e o patriarca Kirill não vêm até Fátima, durante este centenário, para celebrar a conversão da Rússia por intermédio do Imaculado Coração do Maria.

Na verdade, apesar de as relações entre a Federação Russa e o Vaticano estarem normalizadas desde há vários anos, o relacionamento entre as duas Igrejas continuou muito difícil até à eleição de Francisco I. Havia várias razões para isso, das quais já aqui tínhamos destacado três principais.

Este é um assunto que suscita o maior interesse, sobretudo neste ano em que se celebra o centenário das aparições da Cova da Iria, dada a centralidade da palavra “Rússia” na mensagem de Fátima. A Santíssima Virgem prometera, precisamente há 100 anos, a conversão da Rússia através do Seu Imaculado Coração, que a levará “por fim” a aceitar a Fé Católica. Não obstante todo o otimismo reinante no catolicismo ocidental no que concerne aos resultados obtidos na “conversão da Rússia”, por vezes parece mais que foi a Igreja Católica quem se converteu naquilo que a Rússia sempre quis.

Mas já que estamos numa onda de otimismo, caso o Santo Padre realize mesmo essa viagem, pode ser que alguma “surpresa do Espírito Santo” faça com que ele leve consigo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e lhe consagre a Rússia a partir de Moscovo. Um ato solene que certamente atrairia todas as graças necessárias para a plena conversão da Rússia à Fé Católica. Mas será alguém põe as mãos no fogo por essa possibilidade? Não, não, não…

Basto 8/2017

Fátima e Rússia: entrevista a José Milhazes

As opiniões são suas e não temos de concordar com elas, nem é certamente isso que José Milhazes pretende. O seu vasto trabalho enquanto investigador, jornalista e tradutor, assim como os muitos anos de residência na Rússia, fazem dele um dos maiores especialistas em assuntos da Europa de Leste em todo universo da lusofonia e no Ocidente em geral.

O livro que escreveu sobre Fátima e a Rússia é uma leitura imprescindível neste ano em que se celebra o centenário das aparições.

milhazes

Não é um livro religioso, é de história. Apresenta-nos factos, acontecimentos, contextos, enlaces, muita informação desconhecida e surpreendente, a respeito da Rússia, relevante para o aprofundamento dos conhecimentos sobre a Fátima. É bastante conciso, objetivo e de agradável leitura.

Basto 7/2017

Bispo Schneider: a consagração da Rússia conduzirá “à plenitude da conversão”

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Por John-Henry Westen

ROMA, 30 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – Depois de o cardeal Raymond Burke ter feito o seu apelo histórico à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, no Fórum da Vida, em Roma, na semana passada, um dos seus apoiantes mais entusiastas foi o Bispo Athanasius Schneider, que também esteve presente no Fórum.

O bispo Schneider foi um dos primeiros signatários do apelo à consagração e explicou ao LifeSiteNews os seus pensamentos a esse respeito.

O bispo Schneider diz que considera que a iniciativa do cardeal Burke de pedir ao Santo Padre para “consagrar” explicitamente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria “é muito importante”. Será, segundo ele, “o cumprimento mais completo e perfeito do desejo de Nossa Senhora de Fátima.

A noção de consagração surge da mais famosa e aceite aparição da Mãe de Jesus, que foi declarada autêntica pela Igreja Católica e citada por numerosos Papas nos últimos 100 anos. Foi também autenticada pelo mais maravilhoso e documentado milagre de todos os tempos – a “dança do sol”, testemunhada por 70 mil pessoas e registada pela imprensa secular.

Nossa Senhora disse em Fátima que Cristo desejava que o Papa, em união com os bispos do mundo, consagrasse a Rússia ao seu Imaculado Coração. Ela prometeu que, quando isso acontecesse, a Rússia converter-se-ia e um período de paz seria dado ao mundo. Caso contrário, advertiu Nossa Senhora de Fátima, a Rússia “espalhará seus erros pelo mundo, causando guerras e perseguições à Igreja”. E acrescentou: “Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

O Papa São João Paulo II confiou o mundo ao Imaculado Coração em 1984, mas, por ter sido aconselhado, optou por não mencionar a Rússia, mesmo que quisesse fazê-lo. Os seus conselheiros disseram-lhe que isso seria demasiado ofensivo para a Igreja Ortodoxa Russa e ele cedeu às suas exigências, de acordo com o testemunho recentemente revelado pelo cardeal Paul Josef Cordes.

O bispo Schneider disse que acredita que uma consagração explícita da Rússia pelo Papa em união com os bispos “nos trará abundantes graças para Igreja” e também para a “Rússia e para a Igreja Russa”.

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”, prometeu Nossa Senhora de Fátima. “O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e um período de paz será concedido ao mundo”.

O bispo Schneider explicou que a Rússia ainda não chegou “à plenitude da conversão, que é tornarem-se católicos, unidos à Santa Sé”. Isto, disse ele, “trará muitas graças” que “Nossa Senhora prometeu para o nosso tempo, para o triunfo de Seu Imaculado Coração”.

Até agora, a conversão da Rússia e a paz continuam a ser ilusórias. Houve mais guerras, massacres, mártires e abortos no último meio século do que nunca na história. A Rússia, onde o aborto foi legalizado pela primeira vez em 1920, possui ainda a maior taxa de aborto per capita do mundo. Com uma população de 143 milhões, tem 1,2 milhões de abortos por ano.

A Ir. Lucia, a mais velha dos videntes de Fátima, e também a que viveu mais tempo, escreveu ao cardeal Carlo Caffarra, há mais de trinta anos, dizendo-lhe que “chegará um momento em que a batalha decisiva entre o reino de Cristo e Satanás será sobre o casamento e a família”. No seu discurso no Fórum da Vida, em Roma, o Cardeal Caffarra disse que chegou o tempo que ela lhe anunciou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 30 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

D. Athanasius Scheneider estará em Fátima no dia 14 de julho.

Programa do encontro:

  • Santa Missa às 10:00h na Capela da Ressurreição do Santuário de Fátima.
  • Às 11:30h, palestra intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima” no Hotel de Santo Amaro.
  • Almoço às 13:00h no Hotel de Santo Amaro; o preço do prato são 15€, pagos no local, sendo necessário reservar lugar através do envio de um email para fatima@adelantelafe.com com o nome e o número de acompanhantes.

Basto 07/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017

A CIA terá confirmado o envolvimento da Rússia no atentado contra João Paulo II

Uma recente investigação atribui a responsabilidade da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, a 13 de maio de 1981, à União Soviética. Esta tese foi apresentada no novo livro de Paul Kengor, um católico, professor de ciência política do Grove City College, na Pensilvânia (EUA), e biógrafo do ex-presidente americano Ronald Reagan.

O atentado realizado pelo turco Mehmet Ali Agca foi orquestrado pelo KGB e pelo GRU (agência de inteligência militar da União Soviética no estrangeiro). Esta teria sido a conclusão da investigação encetada pela CIA à época dos acontecimentos, segundo Kengor.

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“Um Papa e um Presidente: João Paulo II, Ronald Reagan e a Extraordinária História Não Contada do Séc. XX” – capa do livro de Paul Kengor

De acordo com o Daily Signal, que obteve uma entrevista exclusiva do autor do livro, ambos Ronald Reagan e João Paulo II optaram por manter esta informação fora do domínio público com receio de uma III Guerra Mundial. Ronald Reagan, das várias vezes que fora questionado sobre o envolvimento da União Soviética no atentado contra o Papa, foi sempre “cuidadoso para não dizer o que lhe passava pela cabeça“, afirma Kengor que viu nisso um “impressionante ato de diplomacia de Reagan“.

Basto 5/2017

Testemunhas de Jeová banidas da Rússia

A liberdade religiosa é cada vez mais limitada na Rússia. O Supremo Tribunal Russo proibiu as práticas religiosas das Testemunhas de Jeová naquele país.

No regime atual, em que a Igreja Ortodoxa Russa tem uma forte influência política, outros grupos ou confissões religiosas poderão acabar por ser hostilizados pelas autoridades governativas e judiciais.

Basto 4/2017

Mais cinco perturbadores regressos ao passado soviético na Rússia de Putin

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A placa sobre a vedação russa diz: “A Sociedade Livre” (Political Cartoon: social media)

Por Paul Globe

Mesmo que Vladimir Putin afirme que a Rússia está destinada a ter um grande futuro, o líder do Kremlin tem feito pouco para acabar com o empobrecimento e a repressão dos russos de hoje e cada vez mais para restaurar muitas das piores características do negro passado soviético. Esta semana trouxe mais cinco exemplos dessa tendência retrógrada.

1. “Novilíngua” orwelliana na prática jurídica russa

A novilíngua orwelliana está a voltar à prática jurídica russa, a níveis alarmantes. Questionado pelo portal de notícias regionais 7 × 7 sobre a crescente utilização de termos pelos magistrados como “pseudo-religiosos”, “organizações destrutivas” e “grupos antissociais”, o diretor do Centro SOVA, Aleksandr Verkhovsky, afirmou que isso é extremamente perigoso.

“Não nenhuma definição legal” de tais termos e, consequentemente, eles representam uma tentativa de expansão por analogia uma tática privilegiada da prática soviética com termos que existem tais como “organizações extremistas.” E isso significa – afirma o ativista dos direitos – que “o magistrado pode escolher” como alvo “qualquer um que não encaixa no seu gosto.”

“Isso é a novilíngua“, diz Verkhovsky, usando o termo introduzido por George Orwell no seu romance “1984” sobre sistemas totalitários. E embora, ao nível das discussões informais, esses termos possam ter utilidade para apontar as áreas problemáticas, a sua utilização como categoria jurídica é “má e muitas vezes perigosa.”

2. As filas regressaram

Filas, a desgraça da existência dos russos na era soviética, estão de regresso à Rússia de Putin, mesmo que ninguém deva falar sobre isso. O bloguista russo Nikolay Yurenev afirma que “toda a gente diz que sob Putin não existem filas nas lojas”, mas todos sabem que não é verdade.

Não regressaram as filas como também aquilo que poderia ser chamado a cultura política das filas, com pessoas horas à espera, lamentando sua existência, mas que depois vão para casa e, ao assistirem à televisão de Moscovo, concluem que as coisas, mesmo se estão tão más, elas estão muito piores no odiado Ocidente, em relação ao qual lhes é dito para culparem pelos seus problemas.

Yurenev o seguinte exemplo: “Numa determinada cidade X com perto de um milhão de habitantes, uma fila numa loja de carne todas as segundas, quartas e sextas-feiras, quando a carne sai a menos de metade do preço habitual, e a fila diz eleestende-se em torno do quarteirão, desde o momento da abertura da loja até ao seu encerramento.

Mesmo antes da abertura da loja, a fila começa a formar-se com “patriotas desempregados e pensionistas que compõem uma boa metade da população dessa cidade X”, sendo o seu elemento predominante. E a fila inteira, apesar da espera e do frio, “apoia fraternalmente a sábia política do destacado líder político e governamental, o flamejante batalhador pela paz no mundo inteiro, Vladimir Vladimirovich Putin”.

Aqueles que estão na fila “expressam confiança ilimitada e profunda gratidão pela sua incessante preocupação com o bem-estar das pessoas e o florescimento da Grande Pátria” – prossegue Yurenev. Aqueles que conseguem chegar à dianteira da fila, de seguida, regressam a casa para prepararem o jantar e assistirem à televisão de Moscovo.

É então que sua participação na “grande política” se torna clara – continua o bloguista russo. Eles aprendem como a Ucrânia e o Ocidente são os culpados pelas suas baixas pensões e “como, nos EUA, os inimigos de Trump tentam desencaminhar a sua política amigável para com a Rússia e Putin”.

“Como é horrível viver nesse mundo estrangeiro louco, louco e louco”, dizem eles “nos seus corações”, e “como são belas as coisas na nossa Pátria”. Naquele mundo, as filas para carne barata não são problema algum: elas são apenas um indicador de como os bons russos as aceitam sob a sábia liderança de Putin.

3. Apoio fictício da população às ações governamentais

As autoridades russas justificam aquilo que querem fazer dizendo que a população exige tais ações, quer isso seja ou não verdade. A TASS, agência de notícias russa, é novamente chamada, como se fosse na era soviética, e relata que o ministério da cultura congratula-se com os apelos dos ativistas russos para criar um Dia do Patriotismo.

Na URSS, os altos funcionários declaravam frequentemente que tomavam esta ou aquela atitude porque “os trabalhadores e os camponeses” a exigiam. Agora, Moscovo usa a mesma tática, dizendo que a população deseja esse feriado, o qual estará cronometrado para coincidir com a imposição de sanções ou talvez contra-sanções, mesmo que estas impeçam os alimentos de chegar até eles.

4. Documentos públicos com assinaturas falsificadas

As autoridades russas têm afirmado que determinados documentos foram assinados por pessoas que nunca os assinaram ou sequer os viram, desde que seja o documento que o regime deseja. No início desta semana, os partidários da entrega da Catedral de Santo Isaac à Igreja Ortodoxa Russa entregaram o que eles classificaram como um apelo de 26 reitores de instituições de ensino superior que apoiam essa ação.

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Catedral de Santo Isaac em São Petersburgo, Rússia, 2017 (Imagem: Wikimedia)

Mas agora constatou-se que essa informação é uma “notícia falsa”, ou talvez  “um facto alternativo”, porque dois dos reitores cujas assinaturas constam do documento afirmam que não o assinaram e um deles disse que nem sequer tinha ouvido falar disso.

Na era soviética, os funcionários do partido comunista colocavam frequentemente os nomes das pessoas sem pedirem a respetiva permissão ou acordo, a fim de apoiar a linha oficial. A grande diferença, agora, é que alguns daqueles que são vítimas dessa prática queixam-se, ainda que isso possa ser demonstração de vontade de progressão nas suas carreiras.

5. O assassínio de importantes testemunhas dos crimes de guerra de Putin na Ucrânia

Quanto ao quinto e mais sinistro, Putin está a livrar-se das testemunhas dos seus próprios crimes na Ucrânia. Zoryan Shkiryak, conselheiro do ministro ucraniano do interior, afirma que o assassinato do líder miliciano pró-Moscovo, com o nome de guerra Givi, é apenas o último exemplo de algo que Kiev vem alertando desde há dois anos.

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A explosão que matou Givi destruiu completamente o quarto onde ele se encontrava (Imagem: captura de vídeo)

Ele acusa “Putin” de “estar constantemente a destruir testemunhas importantes dos seus próprios crimes militares” na Ucrânia, um programa que lançou após o derrube do avião de passageiros MH-17 da Malásia, mas que afetou os que participam nas suas ações “terroristas” em Mariupol, Volnovakha e também Debaltseve. No caso da “liquidação de Givi” – continua Shkiryak – é claro que Moscovo controla todos os participantes nesta ação e, com efeito, ninguém teria agido sem a bênção ou, mais provavelmente, sem a ordem direta das autoridades da capital russa. Essas coisas não são estranhas nem inovadoras – afirma. Elas “fazem parte das melhores tradições dos serviços especiais russos” e são efetivamente “todos os elos de uma única cadeia”.

A edição original deste artigo foi publicada pela Euromaiden Press no dia 10/02/2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do testo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Bênção dos mísseis na Crimeia

A Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo benzeu o novo sistema de mísseis de defesa antiaérea ‘S-400 Triunfo’ e os militares das Forças Armadas da Federação Russa presentes na anexada Península da Crimeia. A cerimónia de bênção dos mísseis realizou-se no passado dia 14 de janeiro e foi presidida pelo Metropolita Platon (Udovenko) de Kerch e Feodosia. Pelo que se sabe, este equipamento militar terá chegado à Crimeia no final de 2016.

Este tipo de acontecimento não é uma novidade. Em 2014, por exemplo, os mísseis intercontinentais que seguiam para a parada militar das celebrações do Dia da Vitória também receberam a bênção de padres ortodoxos.

 

Basto 1/2017

Papa poderá visitar Moscovo, é uma questão de tempo

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Como tínhamos já aqui referido e analisado, uma eventual visita papal à Rússia parece cada vez mais possível e até bastante provável. Existe mesmo a possibilidade de tal viagem estar já a ser planeada à porta fecha, uma vez que este é um assunto em relação ao qual o Papa Francisco prefere manter descrição. Assim aconteceu também quando preparou o inédito encontro com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, em Havana, em Fevereiro do ano transato.

Em maio do ano passado, o proeminente cardeal francês Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso e camerlengo da Câmara Apostólica, afirmava que Francisco poderia vir a ser o primeiro pontífice romano a visitar a Rússia e a China.

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Crux Now em 28/05/2016

“Sim… talvez, mas há várias nuances a considerar.”

(Cardeal Jean-Louis Tauran in Crux Now, 28/05/2016)

A principal “nuance” é reconhecidamente o “problema” dos Greco-Católicos da Ucrânia…

Praticamente um ano depois da cimeira cubana, quem nos dá agora razão é o arcebispo de Moscovo, D. Paolo Pezzi, que é também o presidente da Conferência de Bispos Católicos da Federação Russa. Este arcebispo italiano, em entrevista à agência noticiosa católica italiana SIR, considera que a viagem papal é agora possível devido ao encontro de Havana e às suas consequências no relacionamento entre as duas igrejas, embora não se sinta capaz de arriscar uma data.

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Servizio Informazione Religiosa em 11/01/2017

“Eu não posso dizer quanto tempo levará. Mas isso não é mais visto como uma questão problemática.”

“Eu penso que depois de Cuba, nomeadamente das suas consequências, que tiveram um impacto na Igreja Ortodoxa da Rússia, hoje é possível dizer que a visita do Papa à Rússia deixou de ser um problema.”

(Declarações do Mons. Paolo Pezzi ao SIR em 11/01/2017)

As relações entre o Vaticano e as autoridades políticas e religiosas russas nunca estiveram tão boas. Através dos vários encontros realizados em Roma ou nas Caraíbas, as cartas enviadas, os presentes trocados ou as permutas de arte, Francisco é de facto um Papa que parece agradar às autoridades do gigante eslavo.

Talvez Francisco consiga fazer aquilo que os papas anteriores desejaram e não conseguiram. Contudo, se um Papa acabar mesmo por visitar a Rússia, este ou outro, nessa altura teremos inevitavelmente de avaliar as razões que tornaram isso possível. Será esse evento a derradeira e esperada evidência da anunciada “conversão da Rússia” profetizada em Fátima? Ou, em alternativa, estaremos perante o apogeu das consequências negativas resultantes da não consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria dentro do prazo indicado por Nossa Senhora?

O Papa Francisco rejeita categoricamente a necessidade de conversão à Religião Católica e, em vez disso, promove incansavelmente a sua “cultura do encontro”, reservando a necessidade de conversão para a Cúria Romana e para os fiéis católicos em geral, mas em especial para aqueles que resistem… Basicamente, a conversão consiste na adesão à Fé Católica, enquanto a “cultura do encontro” pressupõe uma desvalorização da Fé Católica em favor de um consenso mais alargado, ou mesmo universal, onde há lugar para todas as crenças e não crenças… A conversão ocorre naquele que adere à Fé, enquanto a tal “cultura do encontro” implica algum grau de afastamento da Fé por parte daquele que a possui…

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Qual seria o resultado final a esperar de toda esta “cultura do encontro” se algum dia conseguisse uma aceitação universal? Um mundo onde todas as religiões são iguais? Um mundo sem religião? Que paraíso é esse que esta doutrina nos quer vender? Onde é que esse paraíso se encontra, neste mundo ou no Outro? É uma ideologia que não faz o mínimo de sentido à luz da Fé Católica!

Se algum dia um Papa for bem-vindo na Rússia, esperemos que isso seja sinal de conversão generalizada dessa nação, da sua reunião verdadeira à Igreja de Roma e nunca o resultado da conversão da própria Igreja Católica naquilo que a Rússia desejava que Ela fosse. Isso seria o desprezo total da Igreja pela mensagem de Fátima e talvez a gota necessária para fazer transbordar a copo da Paciência Divina.

 

Basto 1/2017

Kirill: “Rússia jamais reconhecerá a independência religiosa da Igreja Ucraniana”

Na Ucrânia, berço da cristianização da Rússia, os cristãos repartem-se hoje por várias denominações religiosas, na sua esmagadora maioria, cristãs de tradição ortodoxa. As divisões entre os maiores grupos de obediência ortodoxa existentes na Ucrânia devem-se essencialmente à história recente daquele país, nomeadamente ao período pós-colapso da União Soviética e consequente independência nacional, mas também à longa coabitação de dois grandes grupos étnicos, os ucranianos (78%) e os russos (17%), naquele grande país do Leste Europeu.

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Fonte: Macro Economy Meter

O processo de independência da Ucrânia conduziu à emancipação da Igreja Ortodoxa Ucraniana, ou pelo menos parte dela, em relação ao Patriarcado de Moscovo. Atualmente, num momento em que se ouve falar bastante de unificação, a Igreja Ortodoxa Ucraniana ainda se encontra dividida em três grandes grupos: o mais representativo é a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kiev (50%), segue-se depois a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo (26%) e, por último, aparece a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala (7%). Para além dos referidos, merece também destaque o grupo dos ortodoxos em comunhão com Roma, a Igreja Uniata, oficialmente denominada Igreja Greco-católica Ucraniana (8%). Estes são a maior Igreja Católica Oriental e encontram-se em franca expansão dentro e fora do país, manifestando um dinamismo notável.

Os católicos de rito latino, naquele país, são um grupo pouco expressivo, representando apenas cerca de 2% dos crentes ucranianos.

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Fonte: Macro Economy Meter

O presente conflito entre Kiev e Moscovo é também – embora muita gente não queira ver – um conflito religioso. Se, por um lado, o sr. Vladimir Putin não aceita que a Ucrânia se afaste da esfera de influência política de Moscovo para se juntar à União Europeia e à Nato, por outro, o Patriarca Kirill não quer perder a influência religiosa sobre a Ucrânia que, desde a independência daquele país, tem vindo a tornar-se praticamente nula.

No dia 20 de novembro, na celebração do seu 70º aniversário, na catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, o Patriarca Kirill terá declarado que a Igreja Ortodoxa Russa jamais concordará com a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo.

Agradeço a Sua Beatitude Onufriy [líder local da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo] pela sua coragem e firmeza na defesa da santa ortodoxia e pela preservação da unidade canónica da Igreja. A nossa igreja jamais deixará os irmãos ucranianos em dificuldades e não os abandonará. Nunca concordaremos em mudar as sagradas fronteiras canónicas da Igreja, porque Kiev é o berço espiritual da Santa Rus, como Mtskheta para a Geórgia e Kosovo ou para a Sérvia. [aplausos]

[…]

A dolorosa ferida da divisão ucraniana inflige sofrimento em todo o corpo da igreja, e a sua dor pode ser sentida não só na Ucrânia, mas no território canónico de outras igrejas locais. O perigo de divisão na Igreja é claro para todos nós.

(Patriarca Kirill a 20/11/2016 in Religious Information Service of Ukraine)

A Igreja Ortodoxa Russa já mostrou por diversas vezes – como constatámos aqui, por exemplo – que tem uma agenda própria, independente das suas congéneres, que converge, de forma clara e assumida, com os desígnios programáticos e geopolíticos de Vladimir Putin. Existe uma parceria muito forte entre as atuais lideranças política e religiosa da Rússia.

Logo veremos até onde esta parceria nos levará!

Basto 11/2016

Regresso rápido da Rússia ao passado soviético – datas-chave sob Vladimir Putin

Военный парад на Красной площади 7 ноября 1990 года
Parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo, na celebração do aniversário da Revolução Comunista de Outubro, 07/11/1990 (Imagem: TASS)

Por Paul Globe

A recuperação de muitos aspetos da vida soviética levada a cabo por Vladimir Putin não é apenas óbvia mas cada vez mais rápida, como é claramente demonstrado no jornal “Perfil”, quando publicou uma tabela cronológica com algumas, mas longe de serem todas, das suas mais importantes decisões que restauraram símbolos soviéticos.

  • 25 de julho de 2000 – Restauração do hino soviético como hino nacional.
  • 4 de julho de 2003 – As estrelas vermelhas regressam aos estandartes das Forças Armadas Russas.
  • 19 de junho de 2007 – As bandeiras vermelhas de com a foice e o martelo são restabelecidas para presenças nas paradas históricas.
  • 9 de maio de 2008 – Paradas militares com tanques e artilharia pesada regressam à Praça Vermelha.
  • 25 de janeiro de 2012 – As estrelas vermelhas são novamente colocadas nos aviões militares.
  • 31 de janeiro de 2013 – A cidade de Volgogrado passa a chamar-se novamente “Stalinegrado” durante os feriados.
  • 29 de janeiro de 2013 – A condecoração “Herói do Trabalho” é restabelecida.
  • 24 de março de 2014 – A Organização Pronto para o Trabalho e para a Defesa (“GTO”) é restaurada.
  • 14 de maio de 2014 – O Centro Panrusso de Exposições recupera o seu antigo nome da era soviética (VDNKh)
  • 4 de junho de 2014 – São reintroduzidos os uniformes escolares.
  • 29 de outubro de 2015 – É criado o Movimento de Estudantes Russos como uma versão atualizada do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin.

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Marcha de um ramo local do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin numa das escolas de Moscovo (Imagem: TASS)

A edição original deste texto foi publicada pela Euromaiden Press no dia 14/11/2015. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2016

Regresso do KGB?

O jornal russo Kommersant prevê a ressurreição do KGB antes da eleição presidencial de 2018. As reformas previstas na área da segurança e inteligência da Federação Russa levarão, a curto prazo, à criação de um novo “Ministério da Segurança do Estado” a partir das bases do atual FSB (Serviço Federal de Segurança) que acumulará novas e importantes funções.

A criação do novo superministério atribuirá à agência de segurança uma posição de poder equivalente à que possuía durante a União Soviética, quando era conhecida como KGB.

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O que era o KGB e porque era tão temido?

Uma recente investigação britânica à morte suspeita do ex-agente do KGB, Alexander Litvinenko, concluiu que o presidente russo Vladimir Putin parece ter autorizado o seu assassinato. Estas acusações podem não ser muito claras, mas o silenciamento da oposição não era rejeitado pela ex-agência de segurança soviética.

Então, o que era exatamente o KGB e porque era tão temido no seu tempo? Bem, o KGB ou o Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti era a agência de segurança e inteligência estrangeira da União Soviética. Operou entre 1954 e 1991. Quando a União Soviética colapsou, foi substituída pelo FSK e depois pelo FSB, na nova Federação Russa; ambas desempenharam funções de segurança similares às do KGB.

Durante a sua existência, ao contrário das agências de segurança de outros países, o KGB era efetivamente uma estrutura de governação independente, com pouca fiscalização dos líderes russos. A organização desempenhou uma combinação de funções, incluindo recolha de informações, segurança fronteiriça e ações de propaganda. Contudo, a mais controversa, foi ter funcionado como polícia secreta russa e unidade de vigilância doméstica.

Mais de meio milhão de pessoas trabalhavam para o KGB, com milhares de espiões internacionais. Era, nessa altura, a maior instituição dessa natureza. Por todo o mundo, o KGB recolhia informações recorrendo a “espiões residentes legais espiões” que eram cidadãos soviéticos com permanência autorizada noutros países porque trabalhavam em embaixadas ou noutros espaços internacionais. Podiam alegar imunidade diplomática quando eram apanhados. A Rússia dispunha também de espiões ilegais sem imunidade, e embora isso fosse mais arriscado, eles podiam integrar-se mais facilmente e sem suspeição imediata.

Domesticamente, o KGB era temido como a polícia secreta do país. Procuravam aqueles que eram suspeitos de ser anti-comunistas ou anti-governo, vasculhando frequentemente as suas casas  e prendendo os dissidentes.

Estabeleceu departamentos individuais para controlar a atividade religiosa, nacionalismo subversivo, influência estrangeira, média não autorizada, e especificamente os judeus. O KGB atuou mesmo contra os próprios chefes de estado que ameaçaram a estabilidade da ideologia soviética. Em 1964, agentes e ex-agentes do KGB organizaram aquilo que foi considerado um pacífico golpe de estado que substituiu Nikita Krushchev por Leonid Brezhnev. No entanto, a tentativa posterior de golpe do KGB não foi bem sucedida. Em 1991, quando o presidente russo Mikhail Gorbachev começou a implementar reformas, foi preso pelo KGB, que temia a perda de poder. Apesar de o golpe ter falhado ao fim de dois dias, foi apontado como um grande contributo para a rápida desestabilização da União Soviética e o seu colapso no mesmo ano.

O KGB foi durante muito tempo uma organização temida e grande fonte de tensão para os Estado Unidos durante a Guerra Fria. Apesar de ter sido dissolvida juntamente com a União Soviética, o atual presidente Vladimir Putin foi, ele próprio, um agente do KGB entre 1975 e 1991. Talvez por isso, muitos questionam se a influência e os métodos do KGB desapareceram mesmo do governo russo, sendo esta uma questão controversa na esfera política.

A morte de  Alexander Litvinenko foi certamente suspeita.

Para ver o cronograma do seu alegado envenenamento, visualize o nosso vídeo de cima. Para uma leitura mais aprofundada dos problemas da Rússia com a corrupção, veja o vídeo de baixo. Obrigado por verem Test Tube News, não se esqueçam de pressionar “like” e subscrever para novos vídeos todos os dias.

(Jules Suzdaltsev in Test Tube News)

Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima transcrito é da inteira responsabilidade do seu autor ou locutor, salvo algum eventual erro de tradução.

Esta notícia surge mesmo no centenário da Revolução Russa, ou no centenário das aparições de Fátima, depende da perspetiva…

Basto 9/2016

Poderá o Papa Francisco ir à Rússia?

Vários analistas, quer da esfera religiosa, quer da secular, têm avaliado a possibilidade de uma visita papal à Rússia com algum otimismo. A própria Igreja Ortodoxa Russa (IOR) não rejeita, à partida, essa eventualidade, apesar de considerá-la fora da agenda imediata. O Arcebispo Paolo Pezzi, líder dos católicos de rito latino em Moscovo, acredita que essa viagem será possível após um encontro prévio entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill, que entretanto já aconteceu.

A cimeira cubana foi organizada em segredo e ninguém sabe se uma visita papal à Rússia não estará também a ser preparada da mesma maneira ou até talvez já agendada.

Outros papas desejaram ir à Rússia, com particular destaque para João Paulo II, o papa eslavo. Também é do conhecimento público que, nesta era pós-Concílio Vaticano II, esse desejo recebeu a reciprocidade da parte de chefes de estado russos, contudo, por não ter sido aprovada pela IOR, essa viagem apostólica acabou por nunca acontecer.

Os Papas Bento XVI e João Paulo II tinham convites permanentes do governo russo, mas não puderam ir porque não obtiveram um convite correspondente da parte da Igreja Ortodoxa. Francisco teria necessidade de passar pelo mesmo para ir à Rússia. 

(in Reuters, 07/11/2013)

O grande obstáculo à entrada do Sumo Pontífice na Rússia, nestas últimas décadas, não foi portanto o poder político mas sim a hierarquia da IOR.

A Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Russa não tinham relações de qualquer natureza antes do Concílio Vaticano II de 1962-1965. O falecido Papa João Paulo II foi o primeiro a expressar seu desejo de visitar a Rússia. Ele foi convidado pela primeira vez pelo presidente soviético Mikhail Gorbachev, em seguida, pelo presidente russo Vladimir Putin, mas nunca pelo Primaz da Igreja Ortodoxa Russa.

(in Kommersant, 28/03/2006)

Pela parte do poder político, essa viagem teria sido já realizada há muito tempo, mesmo ainda antes do colapso da União Soviética.

Excerto da conversa entre Mikhail Gorbachev e João Paulo II que teve lugar no dia 1 de dezembro de 1989 na Cidade do Vaticano:

M. Gorbachev: “Espero que depois desta reunião as nossas relações vão ganhar um novo impulso e suponho que em algum momento no futuro possa visitar a URSS. […]”

João Paulo II:Se isso for permitido, eu ficaria muito feliz. […] Estou profundamente grato pelo seu convite. Ficaria feliz com a oportunidade de visitar a União Soviética, a Rússia, para me encontrar com os católicos e não apenas os católicos, para visitar locais sagrados que são para nós, cristãos, uma fonte de inspiração. Obrigado pelo convite.”

(in The National Security Archive, GWU)

Apesar da atitude de grande abertura demonstrada pelos papas pós-conciliares, estes continuavam a não reunir as condições objetivas necessárias para serem bem-vindos na Rússia. Contudo, como o Papa Francisco apresenta um perfil bastante diferente dos anteriores, muita gente acredita que essa viagem poderá finalmente acontecer, o que não quer dizer que isso seja necessariamente um bom sinal.

Admitindo que a eventualidade de uma viagem papal à Rússia possa mesmo vir a concretizar-se durante o atual pontificado, que características aprazíveis encontra então a IOR em Francisco, que não encontrou nos dois papas anteriores? Esta é uma questão complexa que, ainda por cima, parte de um pressuposto meramente especulativo, pois essa hipotética viagem pode acabar por nunca se concretizar. Mas mesmo para os mais incrédulos, que consideram tal viajem impossível no curto ou no médio prazo, podemos apenas tentar interpretar a inédita disponibilidade do líder da IOR, em quase mil anos, para se reunir cordialmente com o Santo Padre e para publicar uma declaração conjunta, conforme aconteceu na cimeira cubana de fevereiro, algo considerado bastante improvável apenas há pouco mais de três anos atrás.

Os maiores entraves à entrada do Santo Padre na Rússia

As maiores questões que opõem a IOR à Igreja Católica Romana, da qual se encontra separada desde o grande cisma de 1054, podem resumir-se a três principais. Que respostas tem o Santo Padre para cada uma delas?

1. A Supremacia Petrina

É inaceitável, do ponto de vista da IOR, que o Pontífice Romano se assuma como o único e verdadeiro vigário de Cristo na Terra legitimado pela sucessão apostólica desde São Pedro até à atualidade. Deste modo, na perspetiva da IOR, a autoridade papal, a sua infalibilidade e outras características da cátedra petrina são apenas presunções inadmissíveis, enquanto para os católicos são uma certeza justificada pela Fé e pela história.

2. O proselitismo católico

Pregar a necessidade de conversão dos cristãos ortodoxos cismáticos ao catolicismo é considerado uma afronta aos olhos da IOR. Nessa perspetiva, as missões católicas em território canónico ortodoxo são vistas como ações insultuosas, do mesmo modo que o crescimento e a proliferação das comunidades católicas nesse espaço – principalmente os católicos orientais, de rito bizantino – são entendidos com perigosos para a religião e cultura locais.

Nós, os católicos, acreditamos na verdade dogmática de que fora da Igreja Católica Romana, una e santa, não há salvação. Não é apenas uma questão de pertença e de obediência, mas também de Fé. Existem diferenças teológicas e doutrinais profundas entre aquilo em que os Católicos e os ortodoxos acreditam, por exemplo, ao nível dos últimos dogmas definidos pela Igreja Católica como o da Imaculada Conceição de Maria.

3. Os uniatas, principalmente a Igreja Greco-Católica Ucraniana

Os católicos orientais são porventura o problema mais quente, o qual se inflamou ainda mais com o conflito ucraniano iniciado em 2014. Os Greco-Católicos Ucranianos, a maior e mais proeminente comunidade católica depois da Igreja Católica Latina, acusam frequentemente a Rússia de Vladimir Putin de ingerência política e militar na Ucrânia. Os uniatas (termo utilizado com conotação negativa), como são ortodoxos que obedecem a Roma e partilham a Fé Católica, são indesejados pela Rússia, principalmente quando se trata de uma comunidade tão viva, ativa e promissora como é a Igreja Uniata Ucraniana.

O “método de uniatismo do passado” consiste na conversão dos ortodoxos cismáticos à Fé Católica, representando – no caso da Igreja Uniata – uma fidelidade de várias centenas de anos, por vezes paga com o sangue dos mártires católicos orientais. As igrejas orientais são tão legítimas e verdadeiras quanto a Igreja Católica Latina, sendo-lhe estatutariamente equivalentes dentro da unidade institucional da Igreja Católica. Estão em comunhão com os restantes católicos e com o Papa, merecendo todo o seu apoio. Não poderão, em circunstância alguma, ser usadas como moeda de troca no diálogo ecuménico com a IOR.

E se essa viagem vier mesmo a acontecer…

Se algum dia, nas próximas semanas ou meses, ouvirmos a Santa Sé anunciar uma viagem apostólica do Santo Padre à Rússia, de uma maneira ou de outra, aquela famosa aldeia da diocese de Santander despertará novamente um grande interesse popular.

A autenticidade e a relevância da mensagem de Garabandal dependem da necessidade de conversão da Rússia. Se aceitarmos que a conversão da Rússia, anunciada em Fátima, já teve lugar, em resultado de uma das consagrações realizadas pelos papas anteriores, então Garabandal não faz sentido, uma vez que o anunciado “milagre” destina-se a converter a Rússia e o mundo. Deste modo, a lógica de Garabandal só pode enquadrar-se num contexto de crise resultante do desvio da Igreja em relação à proposta de Fátima. É uma espécie de plano de emergência…

As aparições de Garabandal não foram contudo ainda aprovadas pela Igreja, portanto devem ser tratadas com alguma precaução. Sendo assim, e partindo simplesmente da mensagem de Fátima, se o Santo Padre visitar finalmente a Rússia, duas questões terão de ser levantadas:

  • Será que a tal “cultura del encuentro” corresponde à “conversão da Rússia” pedida e anunciada em Fátima? Fará essa “cultura” parte do triunfo do Imaculado Coração de Maria?
  • Em solo russo, quem irá beijar o anel de quem?

Logo veremos!

Basto 08/2016

Proibido evangelizar na Rússia

Nova lei de prevenção do “extremismo e terrorismo” condiciona a prática religiosa na Rússia. Ninguém poderá evangelizar fora das igrejas, sob pena de incorrer em pesadas multas ou ser expulso do país, neste caso, se se tratar de um cidadão estrangeiro. A revista Christanity Today informa que a nova lei proíbe qualquer cidadão de difundir mensagens religiosas fora dos lugares de culto aprovados pelo governo, incluindo dentro de residências particulares ou através da Internet.

A referida revista explica como esta lei constituirá mais um grande entrave ao trabalho dos missionários naquele país, altamente condicionado desde a aprovação da lei do “agente estrangeiro”, em vigor desde 2012, que colocou sob vigilância governamental qualquer atividade religiosa de origem externa.

Esta lei faz lembrar os horrores da ditadura comunista. Os estatutos aprovados por Josef Stalin, em 1929, serviram de base a um dos piores períodos de perseguição religiosa da era soviética. De facto, apesar de parecer um contrassenso, o direito à liberdade religiosa estava garantido já na Constituição Soviética de 1936, no seu artigo 124º, contudo não foi suficiente para evitar as longas listas de mártires cristãos nos anos e décadas que se seguiram.

Basto 7/2016

Renasce a ameaça nuclear

A crescente tensão entre a NATO e a Rússia, que se agudizou desde 2014 com o conflito ucraniano, reacende os temores de um conflito nuclear, mas apenas para alguns… A aceitação desta possibilidade, por parte da opinião pública ocidental, é hoje muito reduzida, face ao que acontecia no auge da Guerra Fria.

O longo período de paz, resultante da ordem estabelecida após a II Guerra Mundial, criou uma habituação psicológica geral que, de forma lógica e automática, rejeita qualquer ideia que inclua a possibilidade de um novo grande conflito internacional de grande escala. É como se tivéssemos já atingido a última fase da evolução civilizacional, a partir da qual só podemos aspirar à perfeição do paraíso terrestre, inerentemente pacífico.

Esta ideia de paz inquebrável, para além de ser extremamente ingénua, não nos atribui qualquer imunidade. Pelo contrário, conduziu-nos a uma situação de impreparação geral, quer dos estados, quer das pessoas, para poder reagir perante uma situação de crise, se ela algum dia acabar por acontecer

A possibilidade de um novo conflito internacional de larga escala não é de todo descabida e deve, portanto, estar na consciência das pessoas. É um cenário a evitar por todos os meios, incluindo o mais importante: a oração. É que, ao contrário do que aconteceu em outros grandes conflitos, o potencial do armamento hoje disponível poderia criar uma situação verdadeiramente apocalítica.

Em março de 2014, enquanto a grande multidão de gatos gordos ocidentais consumia lixo mediático, a televisão russa abria o telejornal com a ameaça de reduzir os EUA a cinzas radioativas. Uma manchete televisiva que seria depois transformada numa notícia redundante, desvalorizada pela população do lado de cá.

Quem tem a curiosidade de seguir as notícias nos principais órgãos noticiosos russos de projeção internacional, como a RT, a Interfax, a Sputnik ou a Tass, só pode ficar estupefacto face à excessiva cobertura jornalística dada a tudo o que se relaciona com armamento, manobras militares e geoestratégia. Estes órgãos de comunicação social – cuja obetividade é muitas vezes questionada – obedecem a critérios editoriais que convergem com a agenda do poder político russo e com a maioria da população que o suporta. Portanto, este desinteresse pelas questões de defesa e de segurança nacional é uma realidade meramente ocidental. Ainda assim, de vez em quando, por aqui, lá vai surgido uma ou outra abordagem mais a sério sobre o assunto.

Por exemplo, em fevereiro deste ano, a BBC realizou um excelente programa documental onde simulou um plausível cenário de guerra entre a Nato e a Rússia com recurso a armas nucleares. Colocou-se então a hipótese de surgir uma situação de instabilidade nas repúblicas do Báltico idêntica à que se criou recentemente na Ucrânia, onde o envolvimento da Rússia seria semelhante. As três repúblicas do Báltico (Estónia, Letónia e Lituânia) fizeram parte da União Soviética e hoje são estados-membro na NATO.

Este trabalho feito pela televisão britânica intitula-se “III Guerra Mundial: dentro do gabinete de guerra” pode ser visto integralmente aqui. O seu argumento foi elaborado com base no contributo de especialistas em defesa militar, os quais foram convidados a refletir sobre uma eventual decisão política, problemática, face à necessidade e inevitabilidade do recurso às armas nucleares no conflito.

Este documentário foi duramente criticado pelo Kremlin, de onde recebeu a classificação de “lixo”.

Para além dos esporádicos trabalhos dos jornalistas, hoje existe também uma ferramenta informática que permite avaliar as consequências de um eventual ataque nuclear sobre uma determinada localidade. Nesta aplicação, elaborada a partir da base cartográfica do Google Earth, o utilizador escolhe um alvo (uma localização), define a potência da bomba a detonar e, de seguida, obtém a simulação da explosão e o cálculo das baixas estimadas.

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Simulador de ataques nucleares

Enquanto andarmos apenas pelo domínio das simulações estaremos nós bem. Que Deus nos livre dos perigos reais.

 

Basto 7/2016

Cimeira da Nato em Varsóvia – Ousadia não lhes falta!

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Ursos polares investigam submarino dos EUA (Oceano Glacial Ártico)

Contudo falta-lhes o mais importante: a Fé! E nenhum escudo anti-míssil, nenhum poderio militar nos pode salvar do verdadeiro Inferno que é a ausência de Deus. A Europa e o mundo estão carentes de penitência porque é a penitência que nos aproxima de Deus.

Penitência! Penitência! Penitência!

(Palavras do Anjo com a espada flamejante na visão do 3º Segredo de Fátima)

Até parece que se ouvem tambores de guerra no horizonte…

– Por favor, parem esta loucura!

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO/OTAN) é uma aliança militar fundada em 1949 como resposta à ameaça de expansão dos regimes comunistas a partir da Rússia e da Europa do Leste. Seis anos mais tarde, a União Soviética patrocinava a criação de uma aliança militar antagónica, formada pelos países comunistas, formalizada na cidade de Varsóvia, na Polónia, em 1955. Estes dois grandes blocos alimentaram uma gigantesca corrida ao armamento e, durante décadas, fizeram o mundo temer um holocausto nuclear, naquilo que ficou conhecido como o período da Guerra Fria.

Nato vs Warsaw

Chegados a 1991, colapsa a URSS e extingue-se o Pacto de Varsóvia. Desde então, grande parte dos países que integravam a União Soviética ou eram seus aliados, assim como outros que eram neutros, foram-se integrando gradualmente na NATO. Esta Nova Ordem Mundial da qual a Nato faz parte, assim com a ONU ou a UE, está cheia de “solidariedade”, “fraternidade”, “liberdade”, “solidariedade” e outros valores humanos, mas tem uma grande lacuna: Deus! Portanto está condenada ao fracasso.

A Nato, um dos grandes braços da Nova Ordem Mundial, cresceu a um ritmo alucinante. A sua tendência integracionista parecia que só iria terminar depois de conquistar o mundo inteiro, mas encontrou uma poderosa força de bloqueio na Rússia de Putin.

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Cronologia da expansão geográfica da Nato – (Arz, 2007)

Vladimir Putin é o primeiro líder russo da era pós-soviética que, de forma pública e aberta, lamenta o colapso da União Soviética, para ele, a maior catástrofe geopolítica do séc. XX. Por outro lado, ameaça recorrer a “respostas militares adequadas” no caso de mais países vizinhos, como a Finlândia, a Ucrânia ou a Geórgia, formalizarem a adesão à Nato ou se verificar avanços no projeto do “escudo anti-míssil” da Aliança Atlântica.

A Rússia de hoje é um espaço debilitado, quer ao nível tecnológico, quer ao nível económico, contudo, continua a possuir o maior arsenal nuclear alguma vez produzido, um dos maiores exércitos do mundo, e continua a ser, de longe, o maior país à face da Terra (ultrapassa em mais de 180 vezes a dimensão de Portugal, por exemplo). Ao mesmo tempo, todo o seu poder está altamente concentrado num único homem, um ex-agente do KGB, que já mostrou que não irá pactuar com esta Nova Ordem Mundial centralizada a Oeste.

Do lado de cá, os líderes políticos dizem que não têm medo dele, querem mostrá-lo e desejam continuar as sua expansão territorial a Leste. Como sinal da sua determinação, marcaram, para hoje e amanhã, no mesmo mês de julho em que o Pacto de Varsóvia foi extinto, uma Cimeira da Nato, precisamente na capital da Polónia.

Temos de admitir que a ousadia é uma característica que não lhes falta.

Quando disserem: «Paz e segurança», então se abaterá repentinamente sobre eles a ruína, como as dores de parto sobre a mulher grávida, e não escaparão a isso. (1Ts 5, 3)

Será que alguém ainda se lembra de como se rezava antigamente pela conversão da Rússia e como se pedia a Nossa Senhora para nos livrar dos castigos anunciados em Fátima? Se essas intenções desapareceram das nossas orações, isso é porque talvez os perigos tenham desaparecido, ou pelo menos o receio….

Várias nações serão aniquiladas.

(Nª Sª de Fátima, 1917)

A uma escala de potencial bélico como aquela estamos a falar, entre os rivais Nato e Rússia, em caso de conflito, torna-se quase irrelevante saber quem seria o vencedor.  O resultado seria a destruição generalizada, a fome, a doença, a loucura, o caos… Desenganem-se aqueles que pensam que uma previsível vitória deste ou daquele lado, resolveria este diferendo num instante e depois voltaríamos rapidamente a tudo aquilo a que estamos habituados.

Quando se chega a este nível de tensão, um mero equívoco humano pode resultar numa situação irreversível. Que Nossa Senhora de Fátima, que nos observa lá em cima, nos acuda nesta hora negra. Ela é o único “escudo” que nos pode proteger do flagelo russo.

Basto 7/2016

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Rússia auto-excluída da pan-ortodoxia

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1º Concílio de Niceia em 325 – Fresco da Capela Sistina (Roma), 1590

Partindo de uma perspetiva fatimista, um outro sinal que nos faz crer que podemos estar à beira do despoletar de grandes transformações religiosas e geopolíticas a nível mundial foi a convocação do Concílio Pan-Ortodoxo, que teve lugar entre 20 e 26 de junho, na ilha grega de Creta. Este foi o primeiro grande concílio em mais de mil anos que exigiu cinco décadas de preparação, contando com a presença de 10 Primazes e mais de uma centena e meia de bispos.

Ao contrário do que aconteceu com a Igreja Católica, após o Grande Cisma do Oriente, a Igreja Ortodoxa não conseguiu manter a unidade orgânica enquanto instituição una e supranacional. Aliás, hoje prevalecem várias disputas assumidas ao nível de lideranças e jurisdições. As Igrejas Ortodoxas são autocéfalas, gozam de autonomia administrativa, no entanto, o Patriarca Ecuménico de Constantinopla (de Bizâncio/Nova Roma/Istambul), historicamente, é quem ostenta o título de primus inter pares (primeiro entre iguais). Contudo, devido à exiguidade da sua Igreja na Turquia, essa liderança é contestada, nomeadamente pela Rússia (“3ª Roma”, Moscovo ou São Petersburgo).

Das 14 Igrejas Ortodoxas oficialmente reconhecidas, quatro não marcaram presença no concílio, entre as quais, a Igreja Ortodoxa Russa. Dada a sua dimensão e importância, a sua ausência quase transforma o concílio num fracasso, pois representa cerca de 1/3 dos mais de 250 milhões de ortodoxos em todo mundo.

Para além de não ter participado, a Igreja Ortodoxa Russa manteve uma postura crítica em relação ao evento. Este distanciamento ocorre apenas alguns meses após a histórica aproximação ao Bispo de Roma, o que não deixa de ser curioso, se tivermos em conta que um dos principais temas tratados no concílio foi o relacionamento da Igreja Ortodoxa com as outras denominações cristãs.

A Rússia mostra, mais uma vez, ter a sua própria agenda geopolítica e religiosa, cujos objetivos globais permanecem ainda fora do alcance da nossa compreensão.

 

Basto 6/2016

Pax Romana – conversão vs encontro

A abordagem mediática dos acontecimentos é tão superficial que, se não formos atrás dos pormenores, corremos o risco de não perceber os fenómenos históricos contemporâneos.

A Bielorrússia atual, na sua aliança com Rússia de Putin, é uma remanescência contemporânea do Império Soviético. É um país europeu (embora pouca gente repare nisso) de dimensão considerável, que fica precisamente entre a insurreta Ucrânia – que tem andado a tomar “remédio para a tosse” desde 2013 – e as rebeldes repúblicas do Báltico – que sabem perfeitamente que, se começarem a tossir, não falta “remédio” na “farmácia” do lado.

Um pequeno grande detalhe

Este detalhe passou quase despercebido nas entrelinhas da imprensa mundial do dia 13 de março de 2015 – lá anda sempre o número “13” atrás de nós, como se fosse uma constante matemática na folha de cálculo escatológico.

Um presente, com ou sem cartão acompanhante, transporta sempre uma mensagem. É por isso que é tão difícil escolher o presente ideal. Quando se trata de um presente oficial, oferecido publicamente num encontro diplomático entre dois representantes de estados ou nações, o simbolismo da oferta ganha um estatuto público e, por vezes, representa um marco histórico. A esse nível, a oferta encerra sempre uma mensagem política, de maior ou menor profundidade, que se presta a interpretações.

Por ocasião da visita oficial do Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, à Bielorrússia, o Presidente Aleksandr Lukashenko ofereceu, à Santa Sé, um belo ícone do Imaculado Coração de Maria. Uma peça valiosa, feita na tradicional filigrana local, bem ao estilo ortodoxo, mas com uma particularidade: jamais foi visto um ícone semelhante àquele numa igreja ortodoxa bielorrussa, pois seria considerado uma heresia inconcebível.

O ícone, conforme estava destinado, seria posteriormente entregue ao Bispo de Roma, pelas mãos do Arcebispo Claudio Gugerotti, Núncio Apostólico da Igreja Católica na Bielorrússia.

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belta.by

Este acontecimento histórico pode ter várias leituras, mas há duas alternativas que se levantam de imediato.

A primeira, a mais otimista e ingénua, interpreta, neste gesto, uma vontade nacional de submissão religiosa à Sé Romana, traduzida num desejo de adesão ao credo católico, com os olhos postos na mensagem de Fátima. Por outras palavras, uma vontade de colaborar com o Santo Padre no “triunfo do Imaculado Coração de Maria” em território bielorrusso.

A segunda leitura, a mais realista, é a de que quem manda nos territórios sob influência russa – quer ao nível político, quer religioso – está muito satisfeito com os sinais oriundos do pontificado de Francisco, principalmente no que concerne à questão da necessidade de “conversão da Rússia” e arredores. É um sinal de que respeitam as crenças e devoções que devem continuar connosco…

De facto, no topo da hierarquia católica, a palavra “conversão” passou a ser utilizada apenas para consumo interno. Paralelamente, na relação com o mundo não católico, esse termo, que já era usado com alguma timidez, foi agora substituído pela palavra “encontro”. Porém, temos de reconhecer que não foi bem isso que se pediu em Fátima nem em qualquer outra das aparições marianas aprovadas pela Igreja.

O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

Nª Sª de Fátima, 1917

O “encontro”, mais do que não contribuir para a conversão, elimina essa possibilidade, através de uma equiparação das partes e mútua aceitação dos pontos de partida, evitando tocar nos aspetos de diferenciação. A pretexto de um determinado projeto de paz, que por sinal é duvidoso, a Igreja Católica aceita posicionar-se ao mesmo nível de outros credos, no mesmo patamar de substância e autoridade.

Elimina-se tudo aquilo que possa gerar conflitualidade para se proporcionar uma paz que, apesar de não ser a ideal, parece aceitável e mais fácil. As ideias de que existe uma única Fé verdadeira, uma única Igreja legítima, fora da qual não há salvação, e um único Vigário de Cristo na Terra são prejudiciais à paz imperial da Nova Ordem Mundial. São anacronismos, fundamentalismos que devem ser rejeitados para promover a paz. Um ideal de paz projetado com base em desígnios humanos que, portanto, não poderá ser bem sucedido.

Seja qual for a leitura que se faça do discreto episódio histórico apresentado em epígrafe, ninguém fica indiferente à evidência de um notável conhecimento da mensagem de Fátima nas esferas políticas e diplomáticas daquela zona do mundo. Bem superior ao das elites políticas da Europa Ocidental.

 

Basto 6/2016

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A lenda de São Putin…

…ou do todo-poderoso que pediu a consagração da Rússia a Imaculado Coração de Maria!

Este mito urbano, que correu a web, teve origem num pequeno vídeo amador do Pe. Paul Kramer, divulgado nas redes sociais.

Este padre, que esteve durante muitos anos ligado ao Fatima Center, é um dos grandes investigadores da integral mensagem de Fátima, pelo que foi autor de alguns livros importantes sobre o tema e orador em várias conferências. Em 2013, surpreendeu toda a gente ao rejeitar publicamente o papado de Francisco através da sua página do facebook. Desde então, deixou de ter atividade no apostolado fundado pelo Pe. Gruner, pelo menos de forma visível.

Neste vídeo, o Pe. Kramer afirma ter tido conhecimento, através de canais de informação privados, no Vaticano, que Vladimir Putin pedira, ao Papa Francisco, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria e, face a este pedido, o Santo Padre ter-lhe-á negado categoricamente nestes termos: “nós não discutiremos Fátima”. Este vídeo alega ainda que um dos cardeais mais próximos de Francisco prometera, junto à estátua da Senhora do Rosário, que iriam “destruir Fátima”. No resto do vídeo, o padre rasga-se em elogios à liderança de Putin…

É evidente que esta informação não passa de uma ‘história da carochinha’, incapaz de convencer sequer a audiência do Canal Panda. Não pela parte que toca a Francisco, de quem, infelizmente, já nos habituamos a ficar surpreendidos apenas quando pára momentaneamente de nos surpreender, mas antes, e principalmente, pela parte que se refere ao presidente russo.

É mais do que provável que o Presidente da Rússia tenha falado sobre Fátima com o Bispo de Roma. Um assunto que já deve ter estado em cima da mesa antes, durante outros encontros diplomáticos entre chefes de estado da Rússia e do Vaticano anteriores. O resto é fantasia…

Este conto não tem a mínima credibilidade. Se essa fosse mesmo a vontade de Vladimir Putin, Bento XVI ter-lhe-ia feito a vontade de imediato. E não foi por falta de oportunidade que não lhe pedira.

A devoção ao Imaculado Coração de Maria é intrinsecamente católica, constituindo um fator de diferenciação identitária e confessional face ao mundo ortodoxo. Um líder altivo como Putin, tão próximo da Igreja Ortodoxa, num país em que o nacionalismo russo se confunde tantas vezes com o proselitismo religioso, jamais aceitaria tal possibilidade e muito menos suplicaria por ela. Na prática, tal hipótese absurda significaria um requerimento ao Santo Padre, pedindo que aceite a subordinação da Rússia ao Bispo de Roma, ou seja, que aceite a conversão da Rússia ao catolicismo.

Um conto de fadas! E é uma pena que não passe disso mesmo porque seria ótimo ter o, cada vez mais poderoso, Vladimir Putin do nosso lado.

A Rússia nunca precisou de um Papa para poder realizar a sua consagração ao Imaculado Coração de Maria. Pode fazê-lo quando quiser, do mesmo modo que outras nações o fizeram sem a necessidade de qualquer favor papal. Portugal já o fez mais do que uma vez.

A lenda de São Putin tem outras variantes, umas mais infantis do que outras. Há quem diga que o pobre homem sofria de uma doença incurável e então obteve uma graça de Nª Sª de Fátima, a quem deseja agora agradecer. No entanto, como ninguém o viu internado ou convalescente, se calhar a doença era caspa! Mas o mais grave disto tudo é que a(s) lenda(s) de São Putin, em alguns meios tradicionalistas, está a alimentar o mito do “Grande Monarca” que virá salvar o Ocidente dos seus líderes infiéis… Aonde isto chegou!

O Ocidente secularizado pode estar muito mal – e está mesmo – mas mal de nós se estamos à espera que venha o São Putin, a cavalo, para salvar a nossa Fé. Mas se vier, que traga boas sardinhas como o São João. Na conjuntura atual, é como esperar que venha o Dr. Jivago trazer o remédio para a nossa própria caspa! Mais vale esperar pelos extra-terrestres, mas sentados.

Nota Final: Com este texto, não se pretende, de modo algum, diminuir o excelente contributo do Pe. Kramer para o entendimento global e integral da mensagem de Fátima. Pelo contrário, vários dos seus trabalhos escritos e apresentações gravadas em congressos ao longo das últimas décadas são imprescindíveis. Todos nós andamos algo confusos desde há três anos e tal para cá, uns mais do que outros.

Basto 06/2016

Fatalidade do Segredo de Fátima

 

Tui
Tui (Espanha) vista da fortaleza abaluartada de Valença (Portugal)

De toda a mensagem de Fátima oficialmente publicada até hoje, a profecia mais dramática e assustadora foi a que a Ir. Lúcia recebeu durante a sua permanência na Galiza, em Espanha. Foi-lhe comunicado que a Rússia não seria consagrada ao Imaculado Coração de Maria a tempo de travar a propagação dos seus erros pelo mundo e evitar os castigos anunciados sobre a Igreja e o Santo Padre.

A fatalidade desta profecia é tal que até tem cabimento nas teses mais otimistas, que defendem que a consagração da Rússia já foi realizada nos termos que Deus desejava. Se fizermos um esforço para tentar aceitar alguma dessas teses como um facto adquirido, apesar de todas as evidências em sentido contrário, ainda assim, tal consagração teria ocorrido muitos anos depois do prazo indicado pela Virgem de Fátima.

Por outras palavras, de uma maneira ou de outra, não obedecemos às ordens do Céu que exigiam uma condenação categórica dos erros da Rússia e a sua solene consagração ao Imaculado Coração de Maria, o mais tardar, em 1960. Com efeito, neste momento, já não é possível impedir os castigos anunciados em Fátima – aliás, grande parte deles já ocorreram ou estão a ocorrer, basta estar atento para perceber isso. As orações e os sacrifícios devem, portanto, ser destinados a mitigar esses castigos, uma vez que, na sua globalidade, eles já não podem ser evitados.

Nas palavras da Ir. Lúcia:

[Aparição de Tui, a 13/06/1929] Depois Nossa Senhora disse-me: «É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora».
Mais tarde, por meio de uma comunicação íntima, Nosso Senhor queixou-
se-me: «Não quiseram atender ao Meu pedido!… Como o rei da França, arrepender-se-ão e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à igreja: O Santo Padre terá muito que sofrer.»
( Apêndice II, in Memórias da Ir. Lúcia, 1976)
Noutra ocasião:

Intimamente, tenho falado ao Nosso Senhor do assunto; e há pouco perguntava-Lhe porque não convertia a Rússia sem que Sua Santidade fizesse essa consagração. «Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração». Mas, meu Deus, o Santo Padre não me há-de crer se Vós mesmo o não moveis com uma inspiração especial. «O Santo Padre! Ora muito pelo Santo Padre. Ele há-de fazê-la, mas será tarde! No entanto, o Imaculado Coração de Maria, há-de salvar a Rússia. Está-Lhe confiada».

(Carta da Ir. Lúcia ao Pe. Gonçalves em 18/05/1936 in Novos Documentos de Fátima, 1984)

Estas profecias, cruzadas com a análise da situação atual da Igreja, do mundo e da Rússia, remetem-nos para uma temível interpretação do Segredo de Fátima, bem mais enternecedora do que aquela que nos tem sido oferecida pelo Vaticano.
Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.
(Parte do 2º Segredo de Fátima, Quarta Memória da Ir. Lúcia, 1941)
De facto, na visão do 3º Segredo de Fátima descrita pela Ir. Lúcia, o Santo Padre foi executado e morreu, do mesmo modo que morreram muitos outros elementos da Igreja Católica, leigos e clérigos.

[O Santo Padre] prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições.

(Parte do 3º Segredo de Fátima publicado no ano 2000)

O exemplo da Monarquia Francesa

Luis-XVI
Georg Sieveking, 1793

A 17 de junho de 1689, Santa Margarida Maria Alacoque redigiu o pedido de Deus para que o rei de França consagrasse publicamente a sua nação ao Sagrado Coração de Jesus. Este desígnio divino foi recusado pelo monarca D. Luís XIV e, mais tarde, pelos seus filho e neto, D. Luís XV e D. Luís XVI, respetivamente. Se o monarca tivesse obedecido, a consagração da França, tê-la-ia salvo dos ataques revolucionários de índole protestante e liberal franco-maçónica.

A 17 de junho de 1789, dia da festa do Sagrado Coração, exatamente 100 anos depois, o Terceiro Estado revoltou-se e proclamou-se em Assembleia Nacional, retirando o poder legislativo ao monarca francês. A 21 de Janeiro de 1793, o rei católico D. Luís XVI, acabaria decapitado, como um criminoso, na praça pública.

Esta analogia faz-nos temer pela vida do Santo Padre – Dos dois? De algum deles? – e da Igreja em geral.

Se Cristo triunfou na cruz, não é muito lógico esperar que a vitória da Sua Igreja seja conquistada através da popularidade mediática ou de alguma nova ideia de misericórdia barata. Por muito que nos custe admitir e aceitar, aquilo que o 3º Segredo de Fátima mostrou aos pastorinhos de Aljustrel, no dia 13 de julho de 1917, foi o caminho do calvário da Igreja até à cruz.

Foi na cruz que Cristo renovou todas as coisas.

Para evitar cair na tentação de julgar um ou mais Papas, por não terem correspondido aos pedidos de Nª Sª de Fátima, o melhor será avaliar, acima de tudo, o nosso próprio estado de consagração individual ao Imaculado Coração de Maria. O pedido de consagração da Rússia era dirigido ao Santo Padre, é verdade. Porém, juntamente com esse pedido, feito em Tui, Nossa Senhora pediu também a prática da devoção dos Cinco Primeiros Sábados.

Talvez os católicos não tenham rezado o suficiente para obterem de Deus, através do Santo Padre, a Graça de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

 

Basto 6/2016

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Greco-Católicos Ucranianos: a peça fundamental

Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» (Jo 21, 6)

Quem são?

A Igreja Greco-Católica Ucraniana é uma igreja particular oriental, sui juris, em plena comunhão com Roma desde a União de Brest que ocorreu em 1595. Assumem-se ortodoxos, pois pertencem à tradição litúrgica bizantina, mas professam a Fé Católica e obedecem ao Papa. Por outras palavras, são ortodoxos católicos ou católicos orientais. No meio ortodoxo, são normalmente conhecidos como “uniatas” (ou Igreja Uniata), sendo este termo utilizado com conotação negativa.

Os católicos orientais são, infelizmente, bastante desconhecidos da maior parte dos católicos de Rito Latino e o seu papel é muitas vezes subvalorizado porque são menos numerosos e porque, enfim, parece que “não são carne nem são peixe” – um raciocínio que não podia estar mais errado. Apesar da tradição ortodoxa, eles são católicos de pleno direito, pelo que qualquer um dos seus bispos ou cardeais pode ser nomeado para o exercício de cargos de destaque dentro da Cúria Romana, podendo inclusivamente ser eleito Papa. Uma possibilidade que, de resto, já foi ficcionada na literatura e no cinema através do livro “As Sandálias do Pescador”, de Morris West, e posteriormente no filme homónimo.

Mais do que serem católicos de pleno direito histórico e institucional, eles são-no por direito de sangue. Os católicos orientais foram severamente perseguidos e levados quase à extinção, principalmente durante a era soviética, pela simples razão de se terem recusado a cooperar com o regime comunista, ao contrário do que acabaria por acontecer, por exemplo, com a Igreja Ortodoxa Russa. A igreja mártir da Ucrânia, os católicos ucranianos, em especial os de rito oriental, foram dos grupos religiosos mais fustigados em toda a era soviética. A sua valentia e heroísmo, a sua Fé e a sua obediência ao Bispo de Roma, produziram longas listas de mártires durante um dos períodos de maior hostilidade contra a Santa Igreja Católica Apostólica Romana em toda a sua história. O seu sangue derramado foi uma das maiores fontes de Graça Santificadora da Igreja durante o séc. XX.

Nós sentimos que somos o fruto do sangue dos mártires. A frase de Tertuliano “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” tornou-se verdade na nossa Igreja durante a minha própria história.

(D. Sviatoslav Shevchuk, in Salt and Light, 2013)

De todas as 23 igrejas católicas orientais, sui juris, a Igreja Greco-Católica Ucraniana, com uma população estimada que já deve ultrapassar largamente os oito milhões de fieis, é de longe a maior, continuando a crescer a um ritmo entusiasmante, não só dentro da Ucrânia, como também por toda a sua diáspora espalhada pelo mundo. Este crescimento e expansão geográfica provocam uma grande azia dentro da Rússia.

Enquanto a Igreja Católica Latina agoniza, com os seminários e conventos fechados, sem padres para as paróquias, profundamente descaracterizada devido à infiltração do modernismo teológico e de práticas cada vez mais heterodoxas e duvidosas, a Igreja Greco-Católica Ucraniana floresce, conservando a sua Fé Católica e toda a sua tradição bizantina, impermeável às tendências modernistas que devastaram os católicos ocidentais, de Rito Latino. Os seus seminários estão cheios e o número de padres, cerca de 300 no início dos anos 90, ultrapassa hoje os 3000, na sua maioria, jovens.

Todavia, mesmo sendo a segunda maior comunidade católica depois da Igreja Católica Latina e uma das mais promissoras, contrariamente às suas longas e justas expectativas, a Igreja Greco-Católica Ucraniana ainda não foi elevada pela Santa Sé à categoria de Igreja Patriarcal Autocéfala, o que a colocaria, em termos estatutários, ao nível de outras igrejas orientais incomparavelmente menos relevantes pela sua dimensão. E porquê? Para não prejudicar o diálogo ecuménico entre as Igrejas Católica e Ortodoxa Russa ou, com efeito, o relacionamento diplomático entre a Santa Sé e a Federação Russa.

Os católicos orientais da Ucrânia não têm ainda um Patriarca formalmente instituído, no fundo, pelas mesmas razões que levaram João XXIII, tal como os seus sucessores, a não realizar o solene ato de “consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria” nos termos em que fora pedido por Nossa Senhora de Fátima. Ou seja, pelas mesmas razões que fizeram João Paulo II, em 1982 e 1984, optar por consagrar a “humanidade” e o “mundo” ao Imaculado Coração de Maria, evitando sempre a palavra “Rússia” no derradeiro momento.

O líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, D. Sviatoslav Shevchuk, é o Arcebispo-mor (ou Arcebispo-Maior) de Kiev-Halic e toda a Rus. Imagine-se o que representaria, para a Igreja Ortodoxa Russa, a sua elevação à categoria de Patriarca (Católico) de toda uma região de tradição bizantina que é o berço da cristianização de grande parte dos povos eslavos , incluindo a própria nação russa. O líder da Igreja Ortodoxa Russa assume-se como Patriarca de Moscovo e de toda a Rus, o que também inclui a Ucrânia. A palavra “Rus”, referindo-se a uma antiga grande região da Europa do Leste, ou aos seus povos, está na origem etimológica da própria palavra “Rússia”.

Os católicos de rito oriental, em geral, e os Greco-Católicos Ucranianos, em particular, são indesejados, na sua natureza e na sua essência, pelas autoridades religiosas das igrejas ortodoxas separadas de Roma desde o Grande Cisma do Oriente  (1054). Esta hostilidade sente-se particularmente na Rússia, onde habita a maior comunidade ortodoxa a nível mundial e onde o forte nacionalismo passa também pela religião. Aí, os Greco-Católicos são vistos como uma fabricação ocidental, um instrumento subversivo utilizado pelos católicos para se infiltrarem no “território canónico” dos ortodoxos.

No chamado “território canónico” da ortodoxia, cuja liderança é reclamada – de forma mais ou menos assumida – por Moscovo (a “3.ª Roma”), a Ucrânia tem uma importância estratégica fundamental, por diversas razões:

  • É o maior estado europeu (depois da Rússia), tendo sido a segunda república mais importante no seio da União Soviética.
  • Com mais de oito milhões de russos, é o país onde se pode encontrar a maior comunidade de etnia russa fora da Rússia.
  • Os idiomas ucraniano e russo, sendo da mesma família linguística, são mutuamente percetíveis, o que reforça a proximidade étnica e cultural das duas nações.
  • Fez parte – e teoricamente, ainda faz – da área de influência do Patriarcado de Moscovo.
  • Em termos de predominância religiosa e cultural, a Ucrânia encontra-se na linha de charneira entre os “territórios canónicos” católico latino e ortodoxo. Sendo um país maioritariamente ortodoxo, faz fronteira com países onde predomina a tradição católica latina.
  • Kiev, atual capital ucraniana, foi onde ocorreu a conversão de São Vladimir o Grande ao cristianismo, no ano de 988, seguida da conversão em massa das tribos conhecidas como os Rus de Kiev. Ou seja, é o berço da cristianização da Rússia e arredores.

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Fresco da Catedral de Kiev alusivo ao batismo de São Vladimir o Grande (Viktor Vasnetsov, 1890)

Por que razão se sentiram os nossos irmãos Greco-Católicos Ucranianos profundamente desiludidos com a atitude do Santo Padre na Cimeira Cubana?

Durante o pontificado do Papa Francisco, os católicos ucranianos tinham já pedido ao Santo Padre para ser mais incisivo e condenar objetivamente as intromissões da Rússia no seu país, ainda assim, Sua Santidade optou sempre por uma posição equidistante em relação ao conflito ucraniano. Das vezes que se referiu ao assunto, fê-lo como se de uma guerra civil se tratasse, em que a Rússia não tinha nada a ver com aquilo. Este era o ponto de partida…

Depois, para uma comunidade católica cheia de traumas provocados pela ditadura comunista, o lugar escolhido para este encontro não lhes podia criar grandes expectativas. O Bispo de Roma e o Patriarca de Moscovo escolheram Cuba, um país que de “neutro” não tem nada, pois é ainda governado pela ditadura marxista e, historicamente, o principal aliado do URSS fora da Europa. Como se isso não bastasse, a Cimeira Cubana aconteceu praticamente no 70º aniversário do Pseudo-sínodo de Lviv, um esquema montado pelo regime comunista soviético, com a conivência da Igreja Ortodoxa Russa, que quase levou a Igreja Greco-Católica Ucraniana à extinção.

Havia, ainda assim, alguma esperança, todavia, esta transformou-se em pura desilusão e amargura no momento em que foi publicada a declaração conjunta, assinada pelos dois líderes religiosos, e se deram a conhecer os parágrafos que a eles diziam respeito.

25.       Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.

26.       Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade em uma grave crise económica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à atividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.

27.       Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canónicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.

28.       No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, “para que o mundo creia” (Jo 17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.

(Declaração Conjunta de Havana, in Radio Vaticano, 12/02/2016)

Este documento, para além de rejeitar completamente a necessidade de conversão da Rússia, desvalorizou a fidelidade de mais de 400 anos dos Greco-católicos Ucranianos ao Bispo de Roma, que se separaram da ramo ortodoxo cismático a que pertenciam para se reunirem à Igreja Católica Romana. De certo modo, desaconselhou mesmo o seu exemplo.

O “uniatismo do passado” era entendido como a conversão à Fé Católica e a reunião à única instituição fundada por Cristo que mantém intacta a linha de sucessão que remonta a apóstolo São Pedro, o primeiro Papa. É uma pena que o Santo Padre rejeite, desta forma, o “uniatismo do passado,” uma vez que ele custou muitas vidas na Ucrânia e noutros países da Europa do Leste. A fidelidade a Roma foi paga com o sangue de muitos fiéis na Ucrânia.

Mais curiosa ainda é a ideia obscura de que a Cimeira Cubana outorgou à Igreja Uniata o direito de existir, como se, algum dia, esse direito pudesse vir de Havana…

Não devemos pedir a ninguém o direito de existir, somente Deus estabelece isto e sobretudo faz mal à compreensão da verdade a escassa clareza sobre a questão do uniatismo e o uso genérico do termo “expressões eclesiais”, sem referências precisas à Igreja Greco-católica ucraniana: Porque na terminologia da teologia ecuménica moderna, este termo é usado para as comunidades cristãs que não conservaram a plenitude da sucessão apostólica. Ao invés disto, nós somos uma parte integrante da comunhão católica.

(D. Sviatoslav Shevchuk, in Radio Vaticano, 24/02/2016)

De facto D. Sviatoslav Shevchuk tem razão, se esta Igreja existe dentro da comunhão Católica e da sucessão Apostólica é porque Deus assim o quis. Mais até, conforme foi pedido através de Nª Sª de Fátima, chegou o momento em que Deus quer que também a Rússia retorne definitivamente a esta comunhão.

A mensagem de Fátima fala de “conversão” e não de “cultura del encuentro”. Conversão pressupõe adesão a algo, neste caso a Fé Católica. A “cultura do encontro” rejeita linearmente a necessidade de conversão de alguma das partes, rejeita a reunião e solidifica formalmente a separação em prole de uma mera convivência comum.

D. Sviatoslav Shevchuk, o líder dos católicos ucranianos, nasceu e cresceu sob a ditadura comunista soviética. Com apenas 46 anos de idade, este destemido arcebispo é um dos mais jovens bispos de toda a Igreja Católica. É doutorado em Teologia Moral, fluente em várias línguas e teve um passado pastoral contemporâneo do então Arcebispo Bergoglio na Argentina. Teve uma intervenção brilhante no Sínodo da Família em defesa dos valores morais tradicionais contra a agenda imoral que aí teimou impor-se.

Os cristãos Greco-Católicos da Europa do Leste são uma peça fundamental na compreensão da mensagem de Fátima porque sofreram e resistiram aos horrores do comunismo soviético e são uma pequena amostra daquilo que a conversão da Rússia deverá ser um dia, após a o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Basto 06/2016

Conversão da Rússia, a quê?

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Logotipo oficial das comemorações

A hermenêutica dominante – ou talvez imposta – na Igreja Católica acerca da mensagem de Fátima é a de que estamos perante um facto consumado que vale a pena recordar e celebrar.

Quase um século depois de Nossa Senhora ter profetizado a conversão da Rússia, na Cova da Iria, em Fátima, e dado o clima de festa que agora se vive em torno do centenário das aparições, talvez seja o momento para analisar o alcance dessa conversão.

A Rússia converteu-se a quê?

Já aqui se falou antes sobre este assunto, em particular sobre algumas consequências dessa anunciada conversão, ou da falta dela. Em síntese, o que nós podemos atualmente constatar é que as duas Igrejas, Católica e Ortodoxa Russa, continuam separadas, quer no campo institucional, quer no doutrinal. O paradoxo é tanto maior quanto mais reparamos que se alguma Igreja se converteu em algo radicalmente diferente daquilo que era em 1960 – data indicada por Nª Sª para a abertura do envelope do 3º Segredo de Fátima -, essa Igreja não foi a Ortodoxa Russa. Se a nação russa mudou alguma coisa ao nível religioso, as nações ocidentais, tradicionalmente católicas, parecem ter mudado muito mais…

Deixemos, por agora, a questão religiosa e centremo-nos na sucessão de paradigmas políticos e ideológicos nessa nação à qual se exigia a conversão.

Fátima, mesmo na hermenêutica oficial, visava derrotar o  comunismo, em especial na Rússia, tida como principal origem dessa onda revolucionária contrária à Fé. O comunismo, bem como outras ideologias que lhe eram associadas (socialismo, marxismo, ateísmo, materialismo, coletivismo, etc.), opunha-se à religião e à ordem social estabelecida, visando destruí-las, substituí-las.

Se fizermos uma análise social puramente dialética, os padrões da sociedade russa do início do séc. XX, intrinsecamente religiosa, seriam a tese que a revolução comunista, a antítese, visava destruir.

O comunismo na União Soviética foi, durante décadas, um regime hostil à religião, tentando aniquilá-la definitivamente. Proibiu o culto, fechou e destruiu igrejas, perseguiu os religiosos e promoveu o materialismo ateu. Durante as primeiras décadas da era Soviética, a culto religioso foi completamente interditado. No entanto, mais tarde, acabaria por ser legalizado, mas sempre fortemente condicionado e controlado pelo regime.

Toda a gente reconhece que, após o colapso da União Soviética, a religiosidade aumentou exponencialmente na Rússia. Abrem-se novas igrejas, reconstroem-se as que tinham sido devastadas pelo regime comunista e a religião vive novos dias naquele território. Mais do que isso, ao contrário das modernas democracias laicas ocidentais, na Rússia existe hoje uma ligação estreita entre o poder político e o clero. Chegou-se ao absurdo, impensável em 1960, de ser o líder político da Rússia quem dá lições de moral e religião aos líderes políticos ateístas dos países ocidentais…

Muitos cristãos tradicionais, no mundo ocidental, chegam mesmo a considerar Vladimir Putin como o último governante cristão, alimentando a crença num mítico “grande monarca” esperado para os últimos tempos bíblicos!

O que se sucedeu então? A Rússia abandonou o comunismo ateu e converteu-se ao cristianismo, enquanto que o Ocidente se converteu ao materialismo ateu? Talvez, mas algumas coisas continuam a não bater certo no meio disto tudo. Não seria de esperar, hoje, que uma Rússia convertida condenasse veemente o regime comunista sanguinário do passado soviético?

A Igreja Ortodoxa Russa elogia frequentemente o passado comunista

Por exemplo, a 22 de janeiro de 2015, época natalícia no calendário ortodoxo, o Patriarca Kirill, perante a Duma do Estado, afirmou o seguinte:

Quando se começa a falar dos tempos soviéticos, alguns idealizam-os, outros demonizam-os. Contudo, nessa época, havia algo que gerou esses tempos, e será que podemos aceitar isso claramente, incorporando-o na nossa filosofia de vida? Isso era: solidariedade.

E aqueles membros Komsomol (jovens comunistas) que uniram plantações, construíram a BAM (principal linha ferroviária Baikal – Amur) sem receberem qualquer recompensa ou privilégio em retorno? Isso é o sentido de trabalho em equipa, o sentido de  querer fazer algo de bom pelo país.

(Patriarca Kirill in RISU, 26/01/2015)

Apelou ainda, nesse mesmo discurso, a uma “cooperação entre as forças políticas” em prol de uma ideia de unidade e continuidade histórica, contra as tendenciosas desinterpretações do passado.

O líder da nação lamenta o colapso da URSS e reafirma-se comunista:

Por exemplo, no dia 25 de abril de 2005, perante a Assembleia Parlamentar Russa, no seu discurso anual dirigido à nação, transmitido em direto pela televisão, Vladimir Putin afirmou categoricamente o seguinte:

Deixem-me lembrá-los de como começou a história da Rússia moderna. Em primeiro lugar, deve ser reconhecido – e eu já disse isso antes – que o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século.

E, para o povo russo, isso tornou-se num verdadeiro drama. Dezenas de milhões de cidadãos nossos e companheiros russos viram-se fora da Federação Russa.

(Vladimir Putin in BBC Brasil, 25/01/2015)

Existem muitas outras intervenções sugestivas da parte dos atuais líderes políticos russos e, em particular, do presidente Putin. Entre outras, no dia 26 de janeiro de 2016, em Stavropol, o todo poderoso Vladimir Putin confessou descaradamente o seguinte:

Gostava e ainda gosto das ideias comunistas e socialistas. Se olharmos o “Código [Moral] do Construtor do Comunismo”, que circulou largamente pela União Soviética, ele é bastante similar à Bíblia.

Ao contrário de muitos funcionários – e eu não era um -, do ponto de vista do Partido, eu era um membro ativo, eu não deitei fora o meu cartão de membro partidário, não o queimei. O Partido Comunista da União Soviética colapsou, mas a minha identificação está lá em algum sítio.

(Vladimir Putin in Russia Beyond the Headlines, 25/01/2015)

O Código Moral do Construtor do Comunismo foi um compêndio de princípios morais aprovado pelo Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1961, amplamente difundido na propaganda do regime. Uma espécie de “catecismo” com os 12 “mandamentos” comunistas.

Para além de não ter nada de “bíblico” nem de cristão, este manual foi contemporâneo de uma das maiores campanhas de perseguição religiosa levadas a cabo em toda a era soviética, liderada por Nikita Khrushchev.

PRINCÍPIOS DO “CÓDIGO MORAL DO CONSTRUTOR DO COMUNISMO”

  1. Lealdade à causa comunista, amor à pátria socialista e aos países socialistas.
  2. Trabalho consciente para o benefício da sociedade. Quem não trabalha, não come.
  3. Todos têm o dever de se preocupar com a preservação e com o crescimento do domínio público.
  4. Elevado sentido de dever público, intolerância ao desinteresse público.
  5. Coletivismo e ajuda mútua. A camaradagem é: um por todos e todos por um.
  6. Respeito mútuo entre as pessoas: o homem é um amigo, companheiro e irmão para o homem.
  7. Honestidade, veracidade, pureza moral, simplicidade e modéstia na vida pública e privada.
  8. Respeito mútuo na família. Preocupação com a educação das crianças.
  9. Atitude intransigente perante a injustiça, o parasitismo, a desonestidade e a especulação.
  10. Amizade e irmandade entre todos os povos da URSS. Intolerância ao ódio nacional e racial.
  11. Intolerância com os inimigos do comunismo. Paz e liberdade das nações.
  12. Solidariedade fraterna com os trabalhadores de todos os países em todas as nações.

(in Wikipedia – tradução livre)

código moral do construtor do comunismo
Postais elucidativos de alguns dos princípios definidos no Código Moral do Construtor do Comunismo

Independentemente das opiniões que cada um possa ter, qualquer análise objetiva da evolução histórica e conjuntural da nação russa no último século deve ter sempre presente os princípios básicos que fundamentam o comunismo. Neste sentido, seria erróneo esperar que um eventual renascimento futuro do comunismo na Rússia, ou em qualquer outro lugar, viesse para hostilizar a religião. Numa ótica de entendimento dialético comunista, será mais lógico esperar que o eventual reaparecimento do comunismo resulte da síntese entre as duas teses antagónicas do passado. Um comunismo de cara lavada, de discurso aprazível, capaz de integrar a própria Igreja institucional na sua rede de influência, subjugando-a e servindo-se das suas enormes potencialidades.

A aproximação entre a doutrina cristã e o comunismo já foi experimentada anteriormente. No passado soviético mais tardio, muitos clérigos influentes da Igreja Ortodoxa, entretanto legalizada, eram membros do Partido Comunista. Na América Latina, a luta de classes é, desde há muito tempo, fomentada pelos padres e teólogos da Teologia da Libertação.

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Pérez Esquivel, 1992

Que esperar do comunismo moderno?

A cor vermelha foi muito estigmatizada no passado, se calhar é melhor optar por outra, ou por outras, quanto mais colorido melhor! Os arcos-íris estão na moda e o verde ecológico também.

Agora fala-se menos de luta armada, de ditadura do proletariado, de comités centrais, de Marx, de Lenin, ou de Mao, para se falar mais do ambiente, da Terra, dos agricultores, das mulheres, dos males do capitalismo e até de Jesus Cristo. A própria Igreja Católica, de forma mais ou menos inconsciente, acaba por entrar na onda e, quando nos damos conta, estamos todos a cantar a mesma música…

O comunismo, fortemente condenado por sucessivos Papas, é completamente incompatível com o cristianismo, qualquer tentativa de aproximação das duas coisas resulta na adulteração da Verdade cristã.

Basto 6/2016

Vitória do Exército Vermelho celebrada no Vaticano

comunistas vaticano
Sputnik News – Ria Novosti

O deputado comunista da Duma Federal Russa, Pavel Dorokhin, teve direito a um lugar VIP na audiência geral do Santo Padre, do dia 5 de maio, e conseguiu convencer o Papa Francisco a colocar ao peito uma fita que representa o heroísmo do Exército Vermelho.

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Georgievskaya Lenta

O departamento brasileiro da agência noticiosa russa Sputnik, conhecida pelo seu apoio editorial ao Presidente Putin, deu destaque a este acontecimento, classificando o Papa Francisco de “santíssimo”.

O deputado comunista viu “solidariedade” nesse gesto papal:

“Eles colocaram-me na primeira fila, na caixa de VIP. Eu disse ao Papa que, com o Dia da Vitória a cinco dias de distância, eu queria apresentá-lo com uma medalha comemorativa do 70º aniversário da nossa grande vitória sobre a Alemanha Nazi. Eu falei-lhe sobre os 26 milhões de vidas sacrificadas pelo nossa população durante a II Guerra Mundial e pedi-lhe para colocar em uma fita de São George, em sinal de solidariedade com nosso povo.

O deputado celebrou, deste modo, na Praça de São Pedro, em Roma, a libertação da Europa de Leste do nazismo e a imposição do comunismo.

Entre uma ditadura e a outra, venha o diabo e escolha. Ao nível das vidas sacrificadas, para além daquelas que referiu o político russo, estima-se que o comunismo tenha produzido cerca de uma centena de milhões em todo o mundo.

 

Basto 5/2016

“Por fim” – a última página do calendário de Fátima

1917

Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes nos disse, tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim, que várias nações desaparecerão da face da terra. Disse que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação.

(Ir. Lúcia ao Pe. Agustín Fuentes, 1957)

1960

Chegados a este ano, ao contrário da revelação esperada do 3º Segredo de Fátima, o Vaticano emite, no dia 8 de fevereiro, um comunicado de imprensa não assinado, anunciando que o famoso 3º Segredo de Fátima não seria revelado, conforme se esperava, e que provavelmente iria permanecer em segredo para sempre.

 

2013, 2014

Ucrânia:

  • Mais de 6 000 mortos;
  • Mais de 12 000 feridos;
  • Mais de 300 000 desalojados;
  • Mais de 1 000 000 de refugiados;
  • A Península da Crimeia foi anexada pela Rússia;
  • O Leste do país está num caos social e político;
  • O líder Católico Ucraniano, Arcebispo Maior Sviatoslav Shvechuk, rejeita a ideia de guerra civil, não partilha da posição equidistante do Vaticano face ao conflito e deseja que o Papa condene, de forma clara, a “agressão russa” no seu país.

 

2015

A maior parada militar de sempre na Praça Vermelha:

O maior exercício militar da NATO desde a Guerra Fria:

2016, 2017…

“…por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Nª. Sª. de Fátima aos pastorinhos em 1917)

A maior prova de que nós ainda não chegámos lá foi-nos dada pelo próprio Santo Padre durante a última visita ao Santuário de Fátima.

Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.”

(Bento XVI, 13 de maio de 2010)

“Por fim”, e quando é que isso será? É uma questão de tempo, ou de sofrimento, talvez…

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Basto 4/2016

A natureza dos castigos previstos no 3º Segredo de Fátima

Malachi Martin
Malachi Martin (1921-1999)

O Pe. Malachi Martin foi um padre de origem irlandesa, inicialmente Jesuíta, com uma formação académica notável em vários domínios. Conheceu o Vaticano por dentro, como poucas pessoas, por ter sido um colaborador próximo do Cardeal Agustin Bea. Foi nessa qualidade que – alegadamente – teve a oportunidade de ler o texto do 3º Segredo de Fátima, sob voto de sigilo, no momento em que o Papa João XXIII o abrira na presença de alguns dos seus cardeais mais próximos.

Após ter abandonado a Companhia de Jesus, por discordar do seu crescente modernismo teológico, seguiu uma vida sacerdotal secular, exerceu funções de exorcista e foi autor de vários livros sobre a Igreja Católica, campeões de vendas nos EUA e traduzidos em várias línguas. Alguns dos seus livros eram factuais, enquanto outros, de acordo com o autor, eram baseados em factos verídicos, com os nomes das personagens e dos lugares modificados,  todavia ligados por uma trama ficcionada. Participou também em várias entrevistas televisivas e radiofónicas, muitas das quais estão disponíveis na internet, revelando-se uma personalidade verdadeiramente fascinante, embora bastante controversa.

No seu livro “The Kyes of this Blood” [As Chaves deste Sangue], de 1990, ele faz várias referências ao 3º Segredo de Fátima, entre as quais aborda a natureza do castigos aí previstos, bem como a sua origem.

A página de papel onde a Lúcia escreveu o 3º Segredo abrange três tópicos principais:
  • Um castigo físico das nações, envolvendo catástrofes, de origem humana ou natural, na terra, na água e na atmosfera do planeta.
  • Um castigo espiritual, muito mais assustador e angustiante do que a punição física – especialmente para os católicos romanos – que consiste no desaparecimento da crença religiosa, um período de descrença generalizada em muitos países.
  • A função central da Rússia na sucessão dos eventos anteriormente descritos. Os castigos físicos e espirituais, de acordo com a carta de Lúcia, seguirão uma ordem cronológica fatídica onde a Rússia é a alavanca de engrenagem.

O Pe. William Jenkins comenta este livro a partir do minuto 12′:30” (em inglês):

Basto 3/2016