Um interessante rumor sobre a conversão da Rússia

Em Maio de 1946, uma rapariga russa (Natacha Derfelden) no exílio em Paris, foi ao Congresso Mariano Internacional em Fátima e levou o solo russo para Santuário. Trinta e cinco mil delegados juvenis de todos os cinco continentes juntaram-se a ela num ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração [de Maria]. Há rumores de que Natacha foi informada pela Irmã Lúcia (a vidente de Fátima) que a conversão da Rússia seria completada através da Igreja Ortodoxa e do Rito Oriental.

Haffert, John M. (1956), Russia will be converted, p. 204 (tradução livre).

Basto 01/2022

Papa Eslavo: a verdadeira conversão da Rússia terá origem na Ucrânia

No seu livro Windswept House (ou “A Casa Varrida pelos Ventos”), o autor Malachi Martin recorreu à personagem “Papa Eslavo” para personificar a figura do Papa João Paulo II. De acordo com a narrativa, o Papa Eslavo tinha indicações de Nossa Senhora de que a “verdadeira conversão da Rússia” teria início na Ucrânia durante uma viagem papal ao Leste Europeu.

Fonte: oiipdf.com

Se temos alguma indicação do Céu, é que a verdadeira conversão da Rússia, como lhe chamou a Santíssima Mãe, terá origem na Ucrânia e ocorrerá por ocasião da minha peregrinação ao Leste.

Tradução do trecho acima destacado do livro Windswept House, de Malachi Martin, 1996.

O livro narra essencialmente a história de uma conspiração montada por altos clérigos da Igreja Católica, em conjunto com importantes personalidades seculares, para forçar o papa reinante a resignar, de modo a poder ser substituído por outro mais flexível em termos de fé e moral católicas. Este livro teve recentemente uma nova edição em língua espanhola com o título El Último Papa.

Basto 01/2022

Papa Francisco pronto para ir a Moscovo

Foi no final da sua viagem apostólica ao Chipre e à Grécia, realizada no passado mês de dezembro, que o Santo Padre revelou estar disponível para ir à Rússia, dando a entender que tudo está a ser tratado para que essa viagem se possa concretizar dentro de pouco tempo. Francisco referiu-se mais precisamente a uma deslocação à cidade de Moscovo, que é simultaneamente a capital política da Federação Russa e sede da Igreja Ortodoxa Russa (IOR).

Esta informação, que embora não surpreenda, coloca a humanidade perante a iminência de um acontecimento histórico absolutamente extraordinário, por isso tem agitado bastante as redes sociais ao longo das últimas semanas, criando enormes expectativas em todos os cristãos que se interessam pelas aparições marianas e respectivas profecias.

A Rússia, nação tradicionalmente hostil ao catolicismo, ocupa um papel central na mensagem de Fátima, cujas profecias, de acordo com o Bento XVI e tantos outros católicos, ainda não se cumpriram na sua plenitude. Neste sentido, a antevisão de uma visita papal a Moscovo suscita, logo à partida, uma profunda reflexão à luz da mensagem de Fátima.

Não obstante a forte alusão a Fátima que esta notícia possa suscitar, a principal razão pela qual se tem replicado múltiplas vezes nas redes sociais é, porém, a sua associação a uma alegada “profecia” de Garabandal. De acordo com a referida “profecia” (mal documentada), pouco tempo antes do chamado “Aviso” de Garabandal, um Papa fará uma viagem a Moscovo, depois da qual rebentarão hostilidades em diversas partes da Europa, logo após o seu regresso…

No passado dia 22 de dezembro, o metropolita Hilarion (Alfeyev, no seu nome secular), responsável pelo Departamento de Relações Externas da IOR, reuniu-se com o Papa, na Santa Sé, onde terão acertado pormenores relativos a um novo encontro entre o Francisco e o patriarca Kirill (ou Cirilo), líder da IOR.

Basto 01/2022

Ucrânia lança “Museu Virtual da Agressão Russa”

A Ucrânia lançou, no passado mês, o Museu Virtual da Agressão Russa, um projeto conjunto de várias agências estatais e ONGs. Esta plataforma online reúne uma coleção de factos relativos à violação russa da integridade territorial da Ucrânia, organizados de forma cronológica e cartográfica. Entre as informações apresentadas, incluem-se crimes ambientais, de guerra e outros crimes da Rússia nos territórios ocupados, revelando ainda dados sobre sequestros e outras violações dos direitos humanos registados desde o início da ocupação ilegal em 2014.

Nesta fase inicial, o projeto retrata apenas os factos ocorridos na Península da Crimeia, deixando de fora, por enquanto, as regiões de Luhansk e Donetsk, no Leste da Ucrânia, que também estão nos planos de desenvolvimento do Museu.

Esta iniciativa visa denunciar as agressões russas à integridade territorial da Ucrânia e manter viva a memória de factos recentes, numa altura em que começa a verificar-se alguma habituação internacional ao novo mapa ilegal da Rússia.

Basto 11/2021

Vladimir Putin compara o culto da múmia do ditador comunista Lenin à veneração das relíquias dos santos cristãos

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Vladimir Putin recebe a comunhão das mãos de um sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa no Mosteiro de Valaam; in Youtube, 11/07/2016

Vladimir Putin, falando para um documentário sobre o Mosteiro de Valaam, produzido para o canal de televisão Rossiya 1, voltou a comparar a ideologia comunista à doutrina cristã, apontando semelhanças entre as duas forças antagónicas não só ao nível das crenças, mas também nas formas de culto. Segundo Vladimir Putin, os comunistas não inventaram a sua própria ideologia, mas adaptaram a ortodoxia cristã às suas necessidades.

“[O corpo de] Lenin foi colocado dentro do Mausoléu. Como é isso diferente de qualquer relíquia dos santos para os cristãos ortodoxos ou cristãos em geral? Têm-me dito: «Não, não existe tal tradição no mundo cristão». Como não? E então [o Monte] Atos? Vão lá e vejam. Há lá relíquias de santos. E aqui também, há as relíquias sagradas de [São] Sérgio e [São] Herman. Por outras palavras, as autoridades de então não sonharam nada de novo. Elas apenas adaptaram aquilo que a humanidade inventou há muito tempo à sua própria ideologia.”

(Vladimir Putin in Interfax, 15/01/2018 – tradução livre)

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Cadáver mumificado do revolucionário e ditador sanguinário Vladimir Lenin em exposição no mausoléu da Praça Vermelha, em Moscovo.

Tal como em 2015, Putin voltou a defender que o “Código Moral do Construtor do Comunismo“, o “catecismo” da propaganda comunista soviética da década de 1960, é semelhante à Sagrada Escritura.

“Havia aqueles anos de ateísmo militante em que os sacerdotes foram erradicados, as igrejas destruídas, mas, ao mesmo tempo, uma nova religião estava a ser criada. A ideologia comunista é muito semelhante ao cristianismo, na verdade: liberdade, igualdade, fraternidade, justiça – tudo está presente na Sagrada Escritura, está tudo ali. E o Código [Moral] do Construtor do Comunismo? Isso é elevação, é apenas um excerto ancestral da Bíblia, nada de novo foi inventado”.

(Vladimir Putin in Interfax, 15/01/2018 – tradução livre)

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Postais alusivos aos 12 “mandamentos” do Código Moral do Construtor do Comunismo difundidos pela propaganda do regime soviético.

Depois destes sinais que continuam a vir da Rússia, e tendo em conta a centralidade desta nação nas profecias de Fátima, voltamos a perguntar: mas, afinal, a Rússia converteu-se a quê?

Basto 1/2018

A Imaculada Conceição, os erros e a conversão da Rússia

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Nossa Senhora de Ollignies – Coração Doloroso e Imaculado de Maria

 

Por Pedro Sinde

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Rússia e os erros

Os erros da Rússia, referidos pela Virgem em Fátima, na frase citada em epígrafe, são, tradicionalmente, identificados com o Comunismo. No entanto, mais importante do que a referência ao comunismo, em particular, seria referirmo-nos ao materialismo ateu, à recusa do sobrenatural e à anti-religiosidade (concretamente, o anticatolicismo), mesmo que oculta sob a forma de um diferente regime político (que pode ser capitalista ou outro); esta distinção é essencial para que se perceba que os “erros da Rússia” não terminaram com a queda do comunismo, mas que se continuam a disseminar, hoje mais ainda do que antes, porque camufladamente. No entanto, se pensarmos no contexto da mensagem de Fátima, isto não nos deve bastar. Temos de enfrentar esta revelação da Virgem e reconhecer que ela não se refere apenas aos erros da Rússia, mas também à conversão da Rússia.

Rússia e a conversão

Atentemos na sequência dos eventos referidos pela Virgem: (1) se respondermos aos seus pedidos, (2) seguir-se-á a conversão da Rússia (3) e teremos um período de paz no mundo. Devemos ter reparado que o termo médio, colocado entre a nossa resposta aos pedidos da  Virgem e a prevenção de que os erros da Rússia se espalhem, é a conversão da Rússia. Se esta condição não fosse considerada necessária pela economia divina, não seria mencionada. Devemos entender que a consagração da Rússia implicará a sua conversão, mas que é a conversão que será a causa imediata da libertação do jugo dos erros da Rússia. A conversão da Rússia é, pois, uma condição sine qua non. Dito de outro modo, a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria é a causa da sua conversão e sem esta última não haveria libertação do ateísmo, do materialismo, dos erros da Rússia que se espalharam pelo mundo.  Aqui, temos de pensar que, como os erros da Rússia se espalharam pelo mundo, esta conversão diz respeito a todo o mundo e muito particularmente à Igreja Católica tão devastadoramente infiltrada1. Nós também somos “Rússia”.

Lembremos que os ortodoxos estão em estado de cisma, separados de Roma, rejeitaram o papado e com isso, o dogma posterior da Imaculada Conceição; se é verdade que aos olhos de Roma mantêm a sucessão apostólica e a Missa é válida, isso não diminui a gravidade da questão da rejeição do papado. A sua posição de separação com Roma, quando perderam a cabeça, fez ainda com que se dividissem numa multiplicidade de igrejas nacionais, tantas vezes em conflito entre si.2

Portugal e a Imaculada Conceição

A importância do dogma da Imaculada Conceição para os portugueses, creio ser a chave para percebermos uma das razões mais fundas para que tenha sido Portugal o País escolhido para espalhar esta mensagem ao mundo. E não deixa de ser significativo que Portugal e Rússia se encontrem em extremos opostos geograficamente. Pensemos que Portugal é consagrado não apenas a Nossa Senhora, como outros países, mas, desde 1646, à Imaculada, sua Rainha; os nossos reis, desde esta consagração, deixaram de usar coroa; os três estados, nas Cortes, fizeram um juramento em defesa da prerrogativa da Imaculada Conceição, mesmo a custo da sua própria vida se fosse caso disso; as portas de todas as cidades, vilas e aldeias deveriam ter, segundo ordem do rei em 1654 (justamente dois séculos antes do decreto dogma), uma placa com um voto de fidelidade à Imaculada. Isto é bastante impressionante!… E o contexto para se entender Fátima, deve passar necessariamente por aqui: o nosso amor à Imaculada. Espanha deveria assumir Fátima como uma missão sua, a este propósito, tanto pelo seu fundo amor à Imaculada (recordemos, como sinal disso, a fundação da Ordem da Imaculada Conceição em Espanha pela portuguesa Santa Beatriz da Silva), como pelo facto de parte da mensagem de Fátima ter acontecido em Espanha e ainda porque a Ir. Lúcia recebeu várias mensagens que visavam este País. Teremos ainda de pensar que, apesar da superficial rivalidade, na verdade, Portugal e Espanha partilharam espantosamente a missão incrível da evangelização de todo o mundo. Ora, esta amor à Imaculada, de todo um povo, não fará contraponto à rejeição dos cristãos ortodoxo sobretudo desde a proclamação do dogma? Muitos dos teólogos orientais defendiam intensamente a Imaculada3; desde 1854, por contrastante tristeza, começaram a procurar, para mais se separarem de Roma, atacar este dogma. É uma triste, muito triste situação, até porque o povo tem uma magnífica espiritualidade, uma fé ígnea e nobre, dotado de uma tremenda devoção pela Virgem, mas vê-se, assim, impedido de crescer nessa fé, isto é, de chegar à plenitude da revelação.

Reparando o erro da Rússia

A Virgem pediu em Fátima a devoção dos Cinco Primeiros Sábados para reparar o coração ofendido da Virgem; quando a Irmã Lúcia perguntou a razão de serem em número de cinco os sábados, foi-lhe explicado que se trata de desagravar o Coração Imaculado de Maria em cinco aspectos: as ofensas à Maternidade divina, à sua Virgindade perpétua, à sua Imaculada Conceição, a educação das crianças contra a Virgem e as ofensas às suas santas imagens – o das ofensas à sua Maternidade divina e à sua Virgindade perpétua não abrangem os ortodoxos (mas sim directamente os protestantes) – , já a referência às ofensas dirigidas à sua Imaculada Conceição, claramente os inclui… O pobre povo russo, o nobre povo russo, saberá que a Virgem, que tanto amam, pede aos católicos que desagravem estas ofensas que eles mesmos (e tantos católicos, naturalmente…) provocam? Este é o erro dos erros, por assim dizer e, por essa razão, como vimos, é que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria trará, antes de tudo, o seu regresso à plenitude da revelação – quem sabe se a partir, justamente, do dogma da Imaculada Conceição, dado o profundo amor que esse povo tem à Theotokos? Só este regresso, como sua condição, é que terá como consequência natural a recusa dos erros materialistas.

Irmã Lúcia e a conversão da Rússia

O facto de este aspecto da mensagem de Fátima estar esquecido, por assim dizer, não nos deve condicionar. De resto, a própria Ir. Lúcia sempre pensou que a conversão da Rússia não é para entender como sendo limitada ao regresso do povo Russo à religião Cristã Ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista dos Sovietes, mas antes como uma total e perfeita conversão à única, verdadeira Igreja Romana Católica.” (Joaquín María Alonso, The Secret of Fatima: fact and legend. Cambridge: The Ravengate Press, 1982, p. 84). Para podermos medir todo o alcance destas palavras, devemos lembrar-nos que o Pe. Joaquín Alonso foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis, tendo sido convidado pelo Bispo de Leiria, Dom  Venâncio, em 1966, para preparar a edição crítica e definitiva sobre Fátima e a sua Mensagem; coisa que zelosamente fez, resultando em 24 (!) volumes intitulados: Fátima, textos e estudos críticos (quando se preparava para começar a publicar os volumes resultantes da sua investigação, já no prelo, o novo Bispo, Dom Alberto Cosme do Amaral, deu ordem para parar). Se, ainda assim, tivéssemos dúvidas sobre o tema da conversão da Rússia, bastaria que recordássemos as muito impressionantes palavras da Irmã Lúcia em Um Caminho sob o olhar de Maria (p. 267); pouco antes de registar a terceira parte do segredo, escreve (3.I.1944):

“E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi (…) «No tempo, uma só Fé, um só Baptismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica.»”

A conversão da Rússia será, Deo volente!, um acontecimento de uma força inimaginável e nós, católicos, muito precisamos do retorno dos cristãos do Oriente à catolicidade, para se reunirem ao remanescente que conservará o dogma da fé: na nova Arca de Noé, o Coração Imaculado de Maria!

Notas:

1. Bella Dodd, a conhecida agente comunista que, nos anos trinta e quarenta, ajudou a infiltrar cerca de mil jovens nos seminários americanos e que acabou por se converter pelo Bispo Fulton Sheen, afirma que o Catolicismo é considerado pelos comunistas como o seu único verdadeiro inimigo. Um outro testemunho da mesma época, confirmando a infiltração friamente calculada, é o de Douglas Hyde.

2. Embora em situação completamente diferente, a situação dos protestantes tem algo de semelhante, pois depois de se separarem de Roma tiveram o mesmo resultado, mas exponenciado (são vários milhares de denominações diferentes resultantes da cisão protestante…). Cada cabeça sua sentença.

3. Alguns exemplos: Proclo, secretário de S. João Cisóstomo, diz que a Virgem é formada de “barro limpo” (ou seja, barro, como todos os seres humanos, mas não sujo do pecado original, ao contrário de todos os seres humanos); diz S. João Damasceno que “em Maria não entrou a serpente”. A Igreja Oriental celebrava a festa da Imaculada Conceição já no século VII; na carta a Sérgio, aprovada pelo VI Concílio Ecuménico, diz Sofrónio sobre Maria: “Santa, imaculada de alma e corpo, livre de todo o contágio”.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 20 de setembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho.

Basto 10/2017