George Weigel (!) denuncia o vandalismo romano

paglia

Por Christopher A. Ferrara

Na noite em que o Cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa, eu encontrava-me com o Pe. Gruner a gravar um programa de televisão num estúdio da periferia de Roma, durante o qual não tinha mais do que elogios para oferecer ao novo Pontífice. Tão pouco que eu sabia. Nesse momento, eu não podia prever que este pontificado iria revelar-se muito pior do que esta terrível previsão antecipada, publicada no próprio dia da eleição de Bergoglio.

Tão mau é o atual pontificado que, por comparação, até faz o pontificado de João Paulo II, marcado pela novidade, parecer firmemente tradicional. De facto, o legado de João Paulo II de um corpo sólido (por mais prolixo que possa ser) de teologia moral está sendo agora sistematicamente desmembrado pelos colaboradores do atual Papa ou, mais propriamente, pelos seus capangas.

Se a palavra capangas parece muito forte, consideremos esta reportagem do LifeSiteNews, que descreve como precisamente o biógrafo de João Paulo II, George Weigel – que não é um tradicionalista – denunciou a “violência e força bruta” com que o grão-chanceler do Instituto João Paulo II para o Matrimónio e Família, o Arcebispo D. Vincenzo Paglia, escolhido a dedo por Francisco, está a destruir o Instituto.

O LifeSiteNews baseia-se num “duro artigo” que Weigel escreveu para o The Catholic World Report no qual denuncia como o “grosseiro vandalismo intelectual” com que Paglia “perentória e sistematicamente despe [o Instituto] da sua principal faculdade” ao mesmo tempo que “os seus principais cursos de teologia moral fundamental foram encerrados”.

Pior ainda, “os académicos conhecidos por se oporem aos ensinamentos da Humanae Vitae sobre os meios legítimos de regulação da fertilidade e aos ensinamentos da Veritatis Splendor a respeito dos atos intrinsecamente maus estão a ser nomeados para ensinar no reconfigurado Instituto…”.

A avaliação de Weigel relativamente aos resultados até agora obtidos é clara : “Dezasseis séculos depois do primeiro saque vândalo de Roma, eles estão de volta, mas desta vez o cabecilha dos vândalos usa um barrete de arcebispo”.

E quem é afinal o Arcebispo Vincenzo Paglia? Como observa Weigel, ele não apresenta “qualificações evidentes” para o cargo. De facto, a sua única reivindicação de fama – ou melhor, infâmia – é que ele “encomendou um fresco homoerótico para a abside da catedral de Terni-Narni-Amelia”, no qual ele próprio aparece retratado seminu. Tal como acontece com os outros capangas que Francisco elevou ao poder para realizar os seus desejos, Paglia – afirma Weigel – “está a agir precisamente como aqueles que manipularam os Sínodos de 2014, 2015 e 2018, ou seja, outra cabala de clérigos ambiciosos (e, francamente, pouco brilhantes) que viram os seus argumentos sucessivamente derrotados e depois tentaram compensar com brutalidade e ameaças”.

Nunca se esperaria que um “normalista” como Weigel emitisse uma avaliação de Roma como sede de corrupção diabólica, mas aqui está: “Assim é a atmosfera romana neste momento: sulfurosa, febril e extremamente sórdido, com mais do que um sopro de pânico. Não é assim que se comportam as pessoas que acreditam estar firmemente no comando e que provavelmente continuarão”. Por outras palavras, o atual pontificado está a ser administrado por bandidos eclesiásticos que acreditam que somente a força bruta pode manter o seu domínio do poder. Portanto: capangas, de facto.

Ainda sim, como observa esperançosamente Weigel: “como João Paulo II sabia, a verdade vencerá sempre, por mais tempo que demore, porque o erro não tem vida e é estupidificante”. É precisamente assim. Entretanto, porém, como o Pe. Gruner nunca deixou de avisar os fiéis, o bem de inúmeras almas está a ser ameaçado pelos “lobos vorazes” de que o próprio Nosso Senhor nos avisou, esses “falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes” (Mateus 7, 15).

Nestas circunstâncias verdadeiramente sem paralelo na história da Igreja, humanamente falando, a verdade não prevalecerá pelos seus próprios méritos (essa é a assunção ingénua da modernidade denunciada como loucura pelos grandes Papas pré-conciliares). Pelo contrário, o triunfo da verdade numa Igreja em crise exigirá a mais extraordinária ajuda do alto, em que o Senhor da História, agindo por intercessão de Sua Mãe Santíssima, porá um fim a esta loucura. Na Igreja, como no mundo, o triunfo da verdade envolverá o Triunfo do Coração Imaculado de Maria.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 1 de agosto de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original.

Basto 08/2019

Anatomia de um “schmoozer”

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Por Christopher A. Ferrara

Um dos meus coloquialismos favoritos é o schmoozer [1], derivado do termo ídiche shmuesn, que significa “conversar casualmente, especificamente para obter uma vantagem ou fazer uma conexão social”. O schmoozer diz o que tem a dizer para obter a vantagem que procura. O que ele realmente acredita é uma outra questão.

E assim acontece com o atual ocupante da Cadeira de Pedro. Recordemos o rescaldo da Declaração Conjunta com o “Grão Imame de Al-Azhar”, Ahmed Al-Tayeb, na qual encontramos a seguinte heresia objetiva: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.”

Perante o escândalo mundial que a afirmação desta heresia provocou, Francisco – como conto aqui – disse em privado a D. Athanasius Schneider que poderia dizer “que a diversidade de religiões é a vontade permissiva de Deus”, porém Francisco não faria o mínimo esforço para corrigir publicamente a sua própria afirmação contrária à Fé. A vontade “permissiva” de Deus é uma mera tolerância do mal. Ninguém diria, portanto, que Deus “quer” assassínios em massa ou os pecados de todos os homens. Do mesmo modo, Deus não quer, de forma alguma, a existência de falsas religiões, como afirma a Declaração Conjunta.

O bom bispo foi sujeito à ação de um schmoozer consumado, que lhe disse o que ele queria ouvir, mas apenas quando o bispo o encostou à parede. Eu suspeito, no entanto, que o Bispo Schneider sabia muito bem que aquilo não passava da uma ação de schmoozer mas, ainda assim, explorou a capacidade deste Papa de a produzir para, desse modo, obter algum tipo de correção, pelo menos oralmente.

Aquilo foi todavia uma atitude de schmoozer. É evidente que Francisco não acreditou numa única palavra do que disse ao Bispo Schneider. Pois, como informa o LifeSiteNews, apenas alguns dias depois do encontro de D. Athanasius Schneider com o Papa a 1 de março (em ou por volta de 18 de março), “o gabinete do Vaticano para a promoção do diálogo inter-religioso pediu aos professores universitários católicos que fizessem a «mais ampla disseminação possível»” da Declaração Conjunta, sem a correção da sua afirmação flagrantemente herética de que Deus quer a diversidade de religiões que contradizem a Sua revelação e até mesmo os preceitos mais básicos da lei natural.

Pior ainda, a carta do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso foi enviada aos professores universitários católicos em Roma com a dita Declaração Conjunta em anexo. O bispo D. Miguel Ayuso Guixot, secretário do Pontifício Conselho, pediu especificamente “aos professores, sacerdotes e irmãs das universidades que «facilitem a distribuição, o estudo e o acolhimento» do documento, acrescentando que o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso «agradece desde já qualquer possível iniciativa, no âmbito desta instituição, que vise a difusão deste Documento»”.

Isto é, o Papa Francisco não só reforçou a sua declaração herética como também ordenou que ela se tornasse parte de um verdadeiro programa educativo que incorpore a ideia de que Deus quer a – isto é, não permite apenas o mal da – existência de inúmeras religiões falsas.

A propósito, a mentira de que Deus quer a diversidade de religiões não é a única heresia objetiva da Declaração Conjunta. Um teólogo dominicano, escrevendo sob anonimato por medo de represálias, chamou a atenção para esta afirmação do documento: “Da fé em Deus […] o crente é chamado a expressar esta fraternidade humana, salvaguardando a criação e todo o universo e apoiando todas as pessoas, especialmente as mais necessitadas e pobres.” Como observa o teólogo:

“É contrária ao modo de falar da Igreja usar a frase «fé em Deus» para significar «afirmar que Deus existe», ou «acreditar em qualquer tipo de alegada revelação, mesmo não cristã»… A fé é a virtude (sobrenatural) através da qual Deus nos leva a concordar com o que Ele revelou através dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos do Novo Testamento, e principalmente através de Seu Filho.”

“Deste modo, as pessoas que creem em religiões não-cristãs, não o fazem pela fé, como afirma a declaração Dominus Iesus 7, mas por algum tipo de opinião humana.”

Opinião humana é precisamente aquilo que Francisco expressou na Declaração Conjunta. Uma opinião à qual, obviamente, continua a agarrar-se, apesar da sua atitude de schmoozer para com o Bispo Schneider.

O bispo não merece nada mais do que elogios pelo seu esforço em obter, junto do autor, uma correção da heresia de Francisco, mas seria demais esperar que Francisco se agarrasse ao que disse em privado e muito mais que o declarasse em público. O schmoozer serve para “obter uma vantagem” e não para afirmar a verdade. Com a vantagem obtida, Francisco rapidamente passou a promover o que realmente pensa e o que realmente quer que todos acreditem.

Entretanto, como o LifeSiteNews reporta no artigo acima referido, o  professor de filosofia austríaco Joseph Seifert protesta com razão ao afirmar que a declaração, que Francisco não só se recusa a corrigir como agora promove agressivamente, é uma “heresia de todas as heresias sem precedentes…”. E depois esta declaração explosiva:

“Pois, como poderia Deus querer contradições com as mais importantes verdades reveladas que são simultaneamente também queridas por Ele? Esta suposição faria de Deus ou um lunático que viola o fundamento de toda a razão – o princípio da não-contradição – e que é um relativista monumental, ou um Deus confuso que é indiferente à questão de saber se as pessoas testemunham a verdade ou não. O Professor Seifert disse que os Católicos têm o dever de defender a verdade católica. De acordo com a lei natural, todos os sacerdotes, cardeais, bispos e leigos têm o dever de pedir ao Papa que rejeite esta frase (sobre a diversidade de religiões querida por Deus) ou que se demita do cargo de Papa.”

Nos últimos cinquenta anos, a Igreja tem sido afligida por uma série de decisões papais que tentam improvidentemente implementar um imaginário conciliar de “abertura ao mundo”. O resultado tem sido um histórico desastre eclesial que já ultrapassa, na sua amplitude, até a crise ariana. Mas nunca se viu nada parecido com o Papa Francisco. Perguntamo-nos se há alguém no Vaticano, mesmo no círculo próximo de Francisco, que ainda não reconheça, ainda que apenas interiormente, que “a atual liderança do Papa se tornou um perigo para a fé…”.

[1] A palavra “schmoozer”, na língua inglesa, é normalmente utilizada para caracterizar uma pessoa ou atitude bajuladora.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 28 de março de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original. A imagem apresentada não faz parte da edição original.

Basto 04/2019

Heresia pública, não-correção privada

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Por Christopher A. Ferrara

Na sua Declaração Conjunta com o “Grão Imame de Al-Azhar”, Ahmed Al-Tayeb, no passado mês, em Abu Dhabi, o Papa Francisco e o “Grão Imame” declararam juntos: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.”

O significado ultrapassa qualquer discussão: a diversidade de religiões, que Deus não quer, mas apenas tolera como um mal, é colocada em paridade com as diferenças de raça, sexo e linguagem, que Deus realmente quer. A existência de religiões repletas de erros condenáveis contra a revelação divina é deste modo apresentada, sem a mínima ambiguidade, como um bem positivo – ou seja, “a liberdade de ser diferente”. Seria improvável que Al-Tayeb concordasse com uma afirmação que pudesse, de algum modo, ser lida com querendo dizer que a sua religião islâmica, criada pelo homem, é simplesmente um mal tolerado.

Como reporta o LifeSiteNews, “os bispos do Cazaquistão e Ásia Central, durante uma visita ad limina a Roma, levantaram uma série de preocupações, amplamente partilhadas pela Igreja nos últimos anos, relativamente às ambiguidades percebidas no magistério do Papa Francisco”.

D. Athanasius Schneider, em particular, Bispo Auxiliar de Astana, pressionou delicadamente Francisco em relação à sua afirmação descaradamente herética de que Deus quer a diversidade de religiões da mesma forma quer a diversidade de raças. Entrevistado pelo LifeSiteNews, o Bispo Schneider contou que Francisco “disse-nos: podem também dizer isso, que a diversidade de religiões é a vontade permissiva de Deus”.

Então Francisco diz agora em privado que outras pessoas podem dizer que ele quis apenas dizer que a diversidade de religiões é meramente tolerada por Deus. Mas quanto a ele, a sua declaração pública, assinada, manifestando o contrário, permanecerá sem qualquer correção pública.

Compreensivelmente insatisfeito, o Bispo Schneider diz o seguinte:

Tentei aprofundar a questão, pelo menos citando a frase que se lê no documento. A frase diz que tal como Deus quer a diversidade de sexos, cor, raça e língua, Deus também quer a diversidade de religiões. Há uma comparação evidente entre a diversidade de religiões e a diversidade de sexos.

Mencionei este ponto ao Santo Padre e ele reconheceu que, com esta comparação direta, a frase pode ser entendida erroneamente. Na minha resposta, sublinhei perante ele que a diversidade de sexos não é a vontade permissiva de Deus, mas é querida positivamente por Deus. E o Santo Padre reconheceu isso e concordou comigo em que a diversidade de sexos não é uma questão da vontade permissiva de Deus.

Porém, quando referimos ambas as proposições na mesma frase, então a diversidade de religiões é interpretada como positivamente querida por Deus, como a diversidade de sexos.

A frase, portanto, conduz a dúvidas e a interpretações erróneas e daí o meu desejo e o meu pedido para que o Santo Padre retificasse isso. Mas ele disse, a nós bispos: podem dizer que a frase em questão sobre a diversidade das religiões significa a vontade permissiva de Deus.

Em suma, Francisco emitiu uma declaração pública expressando uma heresia flagrante. Confrontado com o seu erro e com o escândalo que causou, e mesmo admitindo o seu erro, informa o Bispo Schneider que o bispo pode retificá-lo se quiser, ao mesmo tempo que não dirá nada em público para corrigir a sua própria heresia promulgada publicamente.

Por outras palavras, Francisco disse a Al-Tayeb o que aquele queria ouvir e depois disse ao Bispo Schneider o que este queria ouvir. Deu assim espaço para a negação plausível a ambas as partes. Este é um comportamento próprio de um político, não do Vigário de Cristo, encarregado de confirmar os seus irmãos na Fé. Mas depois de seis anos neste tipo de coisas podemos esperar outra coisa?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 8 de março de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original.

Basto 03/2019

Ícone de um desastroso pontificado

logo.pope.moroccoPor Christopher A. Ferrara

Eis o logótipo da próxima viagem inútil do Papa a Marrocos: a lua crescente, simbolizando a religião inventada por Maomé, envolve quase por completo uma cruz distorcida. Como este Papa promove obsessivamente a migração em massa de homens muçulmanos para as capitais da Europa Ocidental, incluindo até mesmo Roma, a imagem sugere que o corpo de fiéis cristãos, supostamente representados pela Cruz, não tem agora quase nenhuma possibilidade de escapar àquilo que o Papa Pio XI, numa época mais sã, chamou “a escuridão do Islão”, numa oração que os Católicos Romanos tradicionais ainda hoje recitam na tradicional Festa de Cristo Rei. Como essa oração do Ato de Consagração da Raça Humana ao Sagrado Coração de Jesus declara: “Sede o Rei de todos os que ainda estão envolvidos pela escuridão da idolatria ou do Islamismo e não deixeis de os atrair a todos para a Luz e Reino de Deus.”

Este logótipo absurdo e ofensivo tem camadas mais profundas de significado maligno. Como explica o Zenit, um obediente órgão de comunicação da linha partidária do Vaticano, a “cruz e um crescente […] representam o diálogo inter-religioso entre cristãos e muçulmanos”. Porém, o que é retratado não é um dia-logo, do grego dialogesthai, que significa uma conversa entre duas ou mais partes, mas sim dia – “através de” ou “entre” – uma distância que as separa, uma distância que nenhum diálogo entre a religião fundada por Deus e outra fundada por Maomé jamais eliminará. O que vemos então é uma das partes do “diálogo”, o Islão, cercando visualmente a outra: ou seja, o catolicismo, representado por uma cruz distorcida que, por sua vez, representa uma Igreja distorcida no meio da pior crise da sua história.

Mas há mais. Citando novamente o Zenit, o logótipo ostenta “as cores dos dois países: verde e vermelho de Marrocos, amarelo e branco (o fundo) do Vaticano”. Note-se que o verde de Marrocos é representado no traço horizontal da Cruz, enquanto que o vermelho de Marrocos é visto na lua crescente que a circunda quase por completo, formando um cerco em torno da Cruz.

No total, 99% dos marroquinos são muçulmanos, enquanto os poucos cristãos existentes naquele país são quase todos estrangeiros. Além disso, em Marrocos “é um crime possuir uma Bíblia cristã escrita em língua árabe, parte de uma lei mais ampla que proíbe proselitismo de muçulmanos para qualquer outra crença”, enquanto a Constituição Marroquina estabelece que o Islão é a única religião do Estado de Marrocos. Não há “diálogo” entre Cristianismo e Islão em Marrocos, apenas um monólogo que favorece o Islão com a força da lei. Se a colocação das cores no logótipo significa alguma coisa, então só pode ser o cerco do Cristianismo pelo Islão, até ao ponto de se tornar um elemento de uma cruz distorcida que representa a sujeição de Cristo a Maomé.

Finalmente, citando novamente o Zenit, o logótipo declara que o Papa Francisco é o “Servo da Esperança” – mais um contributo para a nuvem de slogans vazios que têm assolado a Igreja desde o Concílio Vaticano II, e tão significativo como “Servo do Otimismo” ou “Servo da Alegria”. Qual é exatamente a “esperança” que Francisco serve? Não fazemos a menor ideia. Sabemos bem, no entanto, qual é a esperança que Francisco não serve. A esperança expressa pela Mãe de Deus em Fátima: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo um tempo de paz.”

E por paz, Nossa Senhora queria dizer a coisa mais distante do programa que Francisco segue nesta fase final da crise pós-conciliar da Igreja. Citando Pio XI numa monumental encíclica que acabou enterrada e esquecida sob uma montanha tóxica de ruinosas novidades pós-conciliares: “Os homens devem procurar a paz de Cristo no Reino de Cristo”, cujo império “se estende não só sobre os povos católicos e sobre aqueles que, tendo recebido o batismo, pertencem por direito à Igreja, ainda que o erro os tenha extraviado ou o cisma os separe da caridade, mas também compreende a todos quantos não participam da fé cristã, de sorte que sob a potestade de Jesus se encontra todo o género humano”.

Só quando essa verdade da revelação tiver sido redescoberta e novamente proclamada pelo elemento humano desobediente da Igreja, sobretudo o homem que detém o cargo de Romano Pontífice, é que esta crise acabará finalmente.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 10 de janeiro de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 01/2019

Francisco no Natal: A salvação vem através do amor e do respeito pela humanidade?

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Por Christopher A. Ferrara

Na sua Mensagem de Natal “Urbi et Orbi”, o Papa Francisco propõe uma concepção da Encarnação que reduz Cristo a um mero facilitador passivo de uma fraternidade humanista entre homens de qualquer crença ou persuasão, incluindo aqueles que rejeitam o Seu Evangelho e a Sua Igreja. As palavras proferidas por Francisco não deixam dúvidas a este respeito:

E que nos diz aquele Menino, nascido, para nós, da Virgem Maria? Qual é a mensagem universal do Natal? Diz-nos que Deus é um Pai bom, e nós somos todos irmãos.

Esta verdade está na base da visão cristã da humanidade. Sem a fraternidade que Jesus Cristo nos concedeu, os nossos esforços por um mundo mais justo ficam sem fôlego, e mesmo os melhores projetos correm o risco de se tornar estruturas sem alma.

Por isso, as minhas boas-festas natalícias são votos de fraternidade.

Fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas.

Fraternidade entre pessoas de ideias diferentes, mas capazes de se respeitar e ouvir umas às outras.

Fraternidade entre pessoas de distintas religiões. Jesus veio revelar o rosto de Deus a todos aqueles que o procuram.

E o rosto de Deus manifestou-se num rosto humano concreto. Apareceu, não sob a forma dum anjo, mas dum homem, nascido num tempo e lugar concretos. E assim, com a sua encarnação, o Filho de Deus indica-nos que a salvação passa através do amor, da hospitalidade, do respeito por esta nossa pobre humanidade que todos compartilhamos numa grande variedade de etnias, línguas, culturas… mas todos irmãos em humanidade!

Então, as nossas diferenças não constituem um dano nem um perigo; são uma riqueza. Como no caso dum artista que queira fazer um mosaico: é melhor ter à sua disposição ladrilhos de muitas cores, que de poucas.

Resumindo esta espantosa mensagem: de acordo com Francisco, Cristo “concedeu” a fraternidade a todos os homens indiferentemente, sem ter em conta as suas “ideias diferentes” e “distintas religiões”, e a salvação vem, não da conversão a Ele, da aceitação da verdade do Seu Evangelho e da autoridade da Igreja que Ele fundou como Arca da Salvação, mas sim “através do amor, da hospitalidade, do respeito por esta nossa pobre humanidade que todos compartilhamos”.

Note-se bem: a salvação, segundo Francisco, vem através do amor, da hospitalidade, do respeito pela humanidade, e não por amor, aceitação e respeito a Cristo e obediência à Lei de seu Evangelho.

Pior ainda, de acordo com Francisco, as diferenças entre os homens – ou seja, as suas diferenças em relação à verdade revelada pelo Verbo Encarnado – “não constituem um dano nem um perigo; são uma riqueza”, são parte de um maravilhoso “mosaico” feito de “ladrilhos de muitas cores…” Isto não é mais do que uma ressonância do mantra liberal que diz que “a diversidade é a nossa força”. Mas não há força numa “diversidade” de ideias relativamente ao que é certo e errado, ou no que concerne aos deveres para com Deus. Pelo contrário, apenas há conflito e caos, assim como risco de perdição de almas.

Como diz a Bíblia num versículo que o Pe. Gruner citava frequentemente a propósito da crise civilizacional e eclesiástica mencionada por Nossa Senhora de Fátima: “O meu povo perde-se por falta de conhecimento; porque rejeitaste a instrução, excluir-te-ei do meu sacerdócio. Já que esqueceste a Lei do teu Deus, também Eu me esquecerei dos teus filhos.” (Os 4:6)

Em nenhuma parte da mensagem de Francisco à Igreja e ao mundo pelo Natal existe qualquer referência, ainda que disfarçada, às palavras do próprio Cristo à Igreja que Ele fundou: “«Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado.” (Mc 16:15-16) O mandato divino desapareceu sem deixar rasto e o que temos agora é precisamente a falsificação humanista da fraternidade dos homens promovida pelo movimento francês Sillon, outrora condenado pelo Papa São Pio X como falsa fraternidade “que não será nem católica, nem protestante, nem judia”. Será uma religião… mais universal do que a Igreja Católica, que une todos os homens para se tornarem finalmente irmãos e camaradas no «Reino de Deus»”.

Os organizadores do movimento Sillon vangloriavam-se deste modo: “Nós não trabalhamos para a Igreja, nós trabalhamos para a humanidade” – como se trabalhar para a humanidade não exigisse precisamente trabalhar para a Igreja como meio para o florescimento humano neste mundo e para a salvação eterna no próximo. Tal pensamento, advertiu São Pio X, é apenas “um miserável afluente do grande movimento de apostasia que está a ser organizado em todos os países com vista ao estabelecimento de uma Igreja Mundial Única que não terá dogmas, nem hierarquia, nem disciplina para a mente, nem restrição para as paixões…”. Uma “igreja” na qual as diferenças entre os homens, significando diferenças entre verdade e erro, são celebradas como “uma riqueza”, em vez de motivo de lamento, como um mal a ser vencido pela graça de Deus e pela unidade de um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo para a remissão dos pecados. E um evangelho que, para citar Pio X, não apresenta o Cristo Rei, mas “um Cristo diminuído e distorcido”, que apenas preside a uma fraternidade panreligiosa na qual a verdade já não importa para a salvação.

Esta é, certamente, a situação que a Mãe de Deus antevia quando apareceu aos três pastorinhos em Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 26 de dezembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original. As citações do documento papal em análise neste artigo estão aqui apresentadas na versão oficial em português publicada pelo Vaticano.

Basto 12/2018

A “proibição de viajar” do Papa Francisco – Dica: Não se aplica a muçulmanos

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Por Christopher A. Ferrara

Marco Tosatti narra a notícia perturbadora, mas não surpreendente, de que tanto o cardeal D. Raymond Burke como o bispo D. Athanasius Schneider foram submetidos pelo Vaticano a proibições que limitam a sua capacidade de atender e fortalecer os fiéis, no meio daquilo a que um destes – nomeadamente o Dr. Douglas Farrow, tema do meu último artigo – apelida de “o problemático pontificado de Bergoglio”.

Como observa Tosatti, o Vaticano obrigou o Bispo Schneider a “reduzir a frequência das suas viagens ao exterior”. Não obstante, não existe uma ordem escrita ou qualquer outra diretriz escrita “com base na qual o bispo poderia tomar alguma iniciativa legal junto da Congregação para os Bispos ou do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica…” Em vez disso, Schneider recebeu apenas uma espécie de ordem sotto voce, desprovida de qualquer papel embaraçoso que pudesse servir de prova documental daquilo que é obviamente um plano para silenciar um dos principais motivos de aborrecimento para “O Papa Ditador”.

Ninguém me livrará desse bispo inconveniente?

Quanto ao Cardeal Burke, cuja liberdade de movimento não pode ser legitimamente restringida sem nenhum motivo definido para a punição, a ação do Vaticano é ainda mais perniciosa. Tosatti refere-se ao “conselho dado aos bispos americanos – sempre por via oral e através de um núncio – de não convidar para as suas dioceses pessoas como o Cardeal Burke e, se não for possível evitar a sua presença, não ir ao evento…”

Por outras palavras, o Vaticano “sugere”, num sussurro de bastidores, que a Igreja da América evite um Príncipe da Igreja que não cometeu qualquer ofensa a não ser incomodar o atual ocupante da Cadeira de Pedro ao observar verdades tão inconvenientes como esta: “O poder [do Papa] está a serviço da doutrina da fé. E portanto o Papa não tem o poder de mudar os ensinamentos, a doutrina”.

Ninguém me livrará desse cardeal inconveniente?

No entanto, como observa Tosatti, o ex-cardeal D. Theodore McCarrick, cuja inteira carreira eclesiástica foi marcada pela devassidão homossexual e pela predação de jovens em série, não só foi aliviado das restrições de viagem impostas sobre este criminoso durante o reinado de Bento XVI, como, ainda por cima, foi “enviado pelo Pontífice [Francisco] às Filipinas, à Arménia e atuou como elo de ligação a Cuba para preparar a visita do Papa”. Isso sem mencionar várias missões a Pequim, durante as quais, evidentemente, McCarrick ajudou na negociação da traição total de Francisco à Igreja Clandestina, que, como o Cardeal Zen adverte agora – uma advertência que Francisco naturalmente ignorará -, está em vias de extinção sob uma perseguição final. Uma perseguição na qual o próprio Francisco, efetivamente, emitiu o mandato quando reconheceu oficialmente a legitimidade da pseudoigreja do governo comunista chinês, a Associação Católica Patriótica.

Não admira que um clérigo tão importante como Mons. Nicola Bux, ex-consultor da Congregação para a Doutrina da Fé sob o Papa Bento XVI, tenha sido levado a declarar, durante uma entrevista, o seguinte: “Mais útil que uma correção fraternal [a Francisco] seria examinar a ‘validade jurídica’ da renúncia do Papa Bento XVI e ‘se é total ou parcial'”. Esta notícia aparece no blogue de Edward Pentin – curiosamente, sinalizado como “perigoso” e bloqueado pelo Google Chrome com uma banda vermelha de alerta. A reportagem de Pentin inclui a visão de Bux de que “esse estudo ‘aprofundado’ da renúncia […] poderia ajudar a ‘superar problemas que hoje parecem para nós insuperáveis’”. Querendo dizer, problemas decorrentes de um pontificado cujo programa parece ser, quase literalmente, atacar a Igreja.

Não faço comentários sobre a surpreendente sugestão de Bux exceto para notar que somente num pontificado como este – algo que a Igreja jamais conhecera – poderia um clérigo desta importância sentir-se compelido a publicar tais opiniões.

Só Deus sabe como a agudização da atual crise da Igreja representada pelo “problemático pontificado de Bergoglio” será resolvida. Uma coisa, contudo, podemos saber já com certeza: o que este Papa forjou em prejuízo da Igreja não prevalecerá. Será desfeito juntamente com todos os outros catastróficos afastamentos da Tradição a que o Cardeal D. Mario Luigi Ciappi referiu, à luz do Terceiro Segredo de Fátima, como uma apostasia que “parte do topo”.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de novembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2018

O negócio secreto torna-se evidente

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Por Christopher A. Ferrara

Sandro Magister fez uma análise devastadora dos sinais emergentes da profundidade da traição da Igreja Subterrânea na China no mês seguinte ao acordo secreto entre o Vaticano e os ditadores comunistas de Pequim.

Os pontos principais são estes:

  • Pequim enviou dois bispos da “Igreja oficial” da China ao Sínodo dos Jovens e do Blá, Blá, Blá, que todos sabem não passar de uma elaborada farsa que disfarça uma intenção preconcebida de injetar na Igreja a noção venenosa de que existe uma tal coisa chamada “católico LGBT”, que subverteria todo o ensinamento da Igreja sobre o mal da depravação sexual.
  • Se os dois bispos foram escolhidos por Pequim, isso significa que Roma dobra-se agora perante os senhores comunistas, mas se foi Francisco quem os escolheu, isso significa, ainda pior, que ele deliberadamente validou a falsa Igreja criada por Pequim na Associação Católica Patriótica (ACP).
  • O primeiro bispo fantoche de Pequim enviado ao Sínodo, João Batista Yang Xiaoting, o chamado “bispo de Yan’an-Yulin”, é membro da Assembleia Popular da província de Shanxi, um braço do Partido Comunista Chinês.
  • O segundo, José Guo Jincai, o chamado “bispo de Chengde”, é membro da Assembleia Nacional do Povo, que é o órgão parlamentar central do partido.
  • Ambos os ditos bispos são também oficiais do falso Conselho Episcopal criado por Pequim, o “Conselho dos Bispos Chineses”, do qual Yang Xiaoting é vice-presidente e Guo Jincai vice-presidente e secretário-geral.
  • Pior ainda, Francisco levantou a excomunhão de Guo Jincai por ter sido consagrado sem um mandato papal, um dos sete bispos fantoches chineses tão favorecidos. Como “bispo de Chengde”, ele agora administra uma “diocese” que Pequim criou por decreto mas que Francisco agora, evidentemente, reconhece como legítima.
  • Pequim nomeou ainda como “bispo de Lanzhou” o ex-bispo “subterrâneo” José Han Zhihai, que, tendo cedido à pressão do governo, é agora um funcionário local da ACP.
  • Enquanto isso, o ex-bispo “subterrâneo” Thaddeus Ma Daqin, que revogou a sua participação na ACP apenas para anular a sua revogação e voltar para o “rebanho” da ACP, continua preso por “apostatar” de uma pseudo-igreja comunista.
  • O padre missionário francês e especialista em assuntos da China Jean Charbonnier admite que sob o acordo secreto cujos contornos agora vêm à luz, “o Papa Francisco aceitou o processo ‘democrático’ que os chineses já implementaram repetidamente” sob o qual a ACP designa quem será o próximo bispo, enquanto Francisco nada poderá fazer mais do que vetar a sua escolha. Mas “no dia em que o acordo foi assinado, o Papa não exerceu esse direito de veto de modo algum, pelo contrário, ele praticamente o rejeitou. Porque ele disse ‘sim’ a sete bispos que haviam sido anteriormente impostos pelo regime sem o consentimento do Papa e até mesmo, no caso de alguns, apesar da sua rejeição explícita por parte de Roma.”
  • O que agora está à vista é a morte iminente da verdadeira Igreja Católica na China, cujos verdadeiros bispos não são membros da ACP ou do Conselho dos Bispos Chineses, “aquela falsa conferência episcopal que até recentemente não tinha sido reconhecida por Roma, mas que agora recebeu legitimação, visto que o Papa terá que levar em consideração os candidatos ao episcopado que ela lhe apresentará”.
  • Por incrível que pareça, como observa Charbonnier, isso significa que os bispos “clandestinos” tornaram-se “duplamente clandestinos, em relação a [ambos] ao Estado e à Igreja”. E dado que 7 dos 17 restantes bispos verdadeiros têm mais de 75 anos de idade, é apenas uma questão de tempo até que os únicos restantes “bispos” na China sejam os da ACP.
  • Enquanto isso, para completar o desastre, enquanto o anuário papal mostra 144 dioceses católicas na China, Pequim decretou, por meio da ACP, que haverá apenas 96 sob um plano de reorganização, incluindo a recém-inventada “diocese de Chengde”, e “Papa Francisco parece ter dado sinal verde para a operação.

Resumindo, Francisco autorizou secretamente uma sentença de morte para a Igreja Católica na China. Como afirma o Cardeal Burke, o que Francisco fez é “absolutamente inconcebível” e “uma traição a tantos confessores e mártires que sofreram durante anos e anos e foram condenados à morte”. É também mais um sinal de uma situação quase apocalíptica na Igreja cuja resolução terá de envolver a intervenção direta e mais dramática do Céu – uma em que Nossa Senhora de Fátima irá desempenhar o papel principal, como o Terceiro Segredo sem dúvida anuncia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 23 de outubro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2018

Magistério reversível não é magistério

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Por Christopher A. Ferrara

O Papa Francisco evidentemente decidiu que pode “reverter” o ensinamento constante da Igreja a respeito da admissibilidade da pena capital, um ensinamento enraizado nas palavras do próprio Cristo a Pilatos, no ensinamento de São Paulo e nos pronunciamentos dos Papas e concílios em toda a história da Igreja, conforme eu discuti num artigo que escrevi para a revista Crisis.

Hoje, dia 2 de agosto, o Vaticano anunciou que “O Sumo Pontífice Francisco” (observe-se como o humilde “Bispo de Roma” se torna no “Sumo Pontífice” sempre que há necessidade) aprovou “a seguinte nova redação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica, ordenando a sua tradução nas várias línguas e inserção em todas as edições do referido Catecismo.”

Pena de morte

2267. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum.

Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir.

Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa»[1], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.

[in Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, 02/08/2018]

Esta pretensa “reversão” de todos os ensinamentos anteriores da Igreja é obviamente absurda.

Em primeiro lugar, reduz o ensinamento constante do Magistério de que a pena de morte é admissível para as ofensas mais graves, sobretudo o assassinato, à expressão “durante muito tempo, considerou-se […] como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos”.

Durante muito tempo considerou-se? Quem considerou, mais precisamente? O homem da rua? A Enciclopédia Britânica? Os resultados de um estudo de opinião da [empresa de sondagens] Gallup? Não há referência alguma ao ensino bimilenar da Igreja, que é tratado como se nunca tivesse existido. Existe apenas uma única nota de rodapé que remete para uma comunicação isolada de Francisco no “Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização”…

Em segundo lugar, o texto não oferece nenhuma fundamentação para a “reversão” além de meras afirmações de factos circunstanciais em oposição a princípios morais universais:

  • “vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde…”
  • “uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado…”
  • “sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos…”

É suposto acreditarmos que o Magistério não tinha plena consciência da dignidade humana dos criminosos antes da chegada de Jorge Bergoglio de Buenos Aires?

E desde quando a dignidade humana é incompatível com uma punição condigna (adequada) por um crime como o assassinato? Pelo contrário, uma defesa da dignidade humana pode exigir a pena de morte. Como o Catecismo do Concílio de Trento ensina, aludindo à verdade revelada no ensinamento de São Paulo: “O uso da espada civil, quando empunhada pela mão da justiça, longe de envolver crime de assassinato, é um ato de obediência primordial a este mandamento que proíbe o assassinato”.

Quatro séculos depois, o venerável Papa Pio XII repetiu esse ensinamento constante: “Mesmo quando se coloca a questão da condenação de alguém à morte, o Estado não descarta o direito de um individuo à vida. É então tarefa da autoridade pública privar o condenado do bem da vida, em expiação da sua culpa, depois de este já se ter privado do direito à vida pelo seu crime.” (AAS, 1952, p. 779 e p. seq).

Que entende Francisco por “uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado”? Absolutamente nada. Isto é palavreado vazio a camuflar a sua opinião pessoal.

Quanto à alegação de “sistemas de detenção mais eficazes”, que tem isso a ver com a legitimidade moral da pena capital para crimes capitais, que envolve apenas retribuição e expiação da culpa, não um mero confinamento por segurança pública? Além disso, muitas nações têm “sistemas de detenção” completamente inadequados, de modo que o pretexto não se enquadra.

E quanto aos prisioneiros que matam companheiros de prisão ou guardas prisionais, mesmo nos mais modernos “sistemas de detenção”? Essa lacuna, num raciocínio já frágil, nem sequer é abordada.

Baseando-se literalmente em nada além do que Francisco pensa, conclui o novo texto: “Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa»[1], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.”

Não, “a Igreja” não pode de repente ensinar o oposto do que sempre ensinou a respeito da pena capital. Francisco, e somente Francisco, o faz.

Aqui vemos mais uma vez a sabedoria da observação do Padre Gruner, baseada na razão e no senso comum, de que o Magistério não pode contradizer-se e que qualquer contradição efetiva do que o Magistério ensina não pode, por isso mesmo, pertencer ao Magistério.

Se assim não fosse não haveria Magistério mas somente um Oráculo de Roma que anunciaria periodicamente “novos ensinamentos que contradizem completamente os ensinamentos que o Magistério ensinou desde os tempos apostólicos”…

E a propósito, quando anunciará Francisco a absoluta inadmissibilidade do aborto – uma pena de morte em massa para os inocentes – de acordo com o infalível ensinamento moral da Igreja, declarando assim no Catecismo que a Igreja “empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo”?

Conhecemos a resposta a essa pergunta. O mesmo Papa que pede a abolição mundial da pena capital para os culpados nunca exigiu a abolição mundial do assassinato de inocentes no útero, nem mesmo quando está este prestes a ser legalizado na Irlanda outrora católica.

Francisco ultrapassou claramente a sua autoridade de um modo que a Igreja nunca viu antes e fê-lo durante a pior corrupção moral que a hierarquia católica alguma vez mostrou.

Tal é a crise, cada vez pior, da fé e da disciplina que agora parece que só o Céu poderá resolver com a mais dramática das intervenções.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 2 de agosto de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2018

Gaudete et Exsultate: Mesmo o que esperávamos

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Por Christopher A. Ferrara

A esta altura do pontificado do homem da Argentina, não é mesmo necessário ler a Gaudete et Exsultate para se saber o que contém: uma mistura de elementos de devoção, ataques a católicos ortodoxos e as novidades que este Papa tem avançado implacavelmente desde o momento da sua eleição. Isto é o que já vimos com a Evangelii Gaudium, com a Laudato si’ e, claro, com a desastrosa Amoris Laetitia que, inacreditavelmente, pretende abolir na prática o caráter sem exceções dos preceitos negativos da lei divina e natural, começando pelo Sexto Mandamento.

Ainda assim, só para ter a certeza, vi o documento. Relativamente curto, com um total de 20.000 palavras, corresponde precisamente ao que era expectável: algumas afirmações piedosas amarradas a apelos às mudanças radicais que Francisco exige em contradição com o ensinamento de todos os seus predecessores, juntamente com as denúncias do costume, apontadas ao clero e aos leigos ortodoxos que ousam opor-se às suas novidades.

Aqui está uma passagem chave que capta a essência daquilo a que Antonio Socci chamou, de forma tão apropriada, Bergoglianismo:

“A habituação seduz-nos e diz-nos que não tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situação, que sempre foi assim e todavia sobrevivemos. Pela habituação, já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas «continuem como estão» ou como alguns decidiram que estejam. Deixemos então que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.”

Repare-se na confusão enganosa entre o concordar com o mal, que envolve pecado, e o não “mudar as coisas” ou aceitar “o sempre foi assim” ou “como alguns decidiram que estejam”, e a confusão igualmente enganosa entre fazer o bem e “desafi[ar] a habituação […] para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.

Gaudete et Exsultate é, assim, uma tentativa velada de impor o enfraquecimento do Sexto Mandamento, inerente à Amoris Laetitia, sobre a Igreja, sob o disfarce de “discernimento” do que o Espírito Santo supostamente nos pede: a novidade. E sem deixar dúvidas sobre a sua intenção, o Papa Francisco deixa depois claro que exige adesão às suas novidades como sendo a voz de Deus através de si:

“Como é possível saber se algo vem do Espírito Santo ou se deriva do espírito do mundo e do espírito maligno? A única forma é o discernimento. Este não requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, é também um dom que é preciso pedir. Se o pedirmos com confiança ao Espírito Santo e, ao mesmo tempo, nos esforçarmos por cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual […].”

Até aqui, tudo bem. Mas a cápsula de veneno é administrada de imediato:

“Isto revela-se particularmente importante, quando aparece uma novidade na própria vida, sendo necessário então discernir se é o vinho novo que vem de Deus ou uma novidade enganadora do espírito do mundo ou do espírito maligno. Noutras ocasiões, sucede o contrário, porque as forças do mal induzem-nos a não mudar, a deixar as coisas como estão, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Espírito Santo […].”

Não há outra palavra para este texto par além de desonesto: o mal manifesta-se pelo “imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”, “mudar” no sentido que Francisco – sozinho entre todos os Papas até Pedro – exige em consonância com os “sinais dos tempos”.

Em sítio nenhum do grande Depósito da Fé encontramos qualquer ensinamento sobre o mal imaginário da imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”. Muito pelo contrário, a resistência à mudança é precisamente o que é exigido por uma defesa do ensino imutável do Evangelho, que é o Palavra Eterna:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. (Mt 5, 17-19)

Dando cumprimento à Lei de Deus, Nosso Senhor declarou que quem se divorcia e finge “casar-se de novo” comete adultério. Recorde-se a Sua repreensão aos fariseus, que recorreram a Moisés para defenderem a aprovação do divórcio: “Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim.” (Mt 19, 8)

No entanto, a Igreja é agora atormentada por um pontificado cujo tema é a tolerância do divórcio e do “recasamento” na Igreja e a admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão, ainda que mantenham as suas relações adúlteras, o que reverteria 2 000 anos de ensinamento da Igreja, arrastando-a toda de volta ao tempo de Moisés.

Com incomparável audácia, Francisco cita o Oitavo Mandamento quando invoca o inferno (cuja existência ele nega em conversas com Scalfari, de quem não nega os seus relatos) para demonizar os católicos que defendem os “outros mandamentos” – ou seja, o Sexto Mandamento que ele tem tentado subverter na prática ao longo dos últimos cinco anos:

“Mesmo nos meios de comunicação social católicos, os limites podem ser ultrapassados, a difamação e a calúnia podem tornar-se comuns e todos os padrões éticos e o respeito pelo bom nome dos outros podem ser abandonados… É surpreendente que, às vezes, ao afirmar defender os outros mandamentos, ignoram completamente o oitavo, que proíbe dar falso testemunho ou mentir, e vilificar implacavelmente os outros. Aqui vemos como a língua desprotegida, incendiada pelo inferno, incendeia todas as coisas (cf. Tg 3, 6)”.

Aparentemente, o Papa Francisco não vê “falso testemunho ou mentir” no seu discurso mais ou menos constante contra os católicos ortodoxos, nem percebe que “vilific[a] implacavelmente os outros” quando os denuncia, quase diariamente, como hipócritas rígidos. Como aconteceu com a flagrante adulteração feita pelo Vaticano da, agora infame, carta falsamente apresentada como o apoio de Bento XVI à “teologia do Papa Francisco”, Francisco evidentemente não se apercebe da trave à frente do seu próprio olho.

Podemos, no entanto, encontrar esperança no facto de que esta dura polémica papal não está a enganar ninguém que não queira ser enganado e que o número de fiéis que estão a despertar relativamente ao engano aumenta de dia para dia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 11 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 4/2018

Estado de Emergência: Terá o Papa negado (outra vez) a existência do Inferno?

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Inferno das Galinhas; in Fr. Z’s blog, 29/03/2018 (adaptado)

 

Por Christopher A. Ferrara

Em mais uma entrevista (a quinta) ao La Repubblica, com o amigo papal Eugenio Scalfari, fundador daquele jornal e um notório propagador ateísta da extrema esquerda em Itália, as seguintes palavras são atribuídas a Francisco:

[Scalfari:] Sua Santidade, no nosso encontro anterior, disse-me que a nossa espécie irá desaparecer num determinado momento e que Deus, sempre com a sua força criativa, irá criar novas espécies. Nunca me falou sobre as almas que morreram em pecado e irão para o Inferno sofrer por toda a eternidade. Falou-me, no entanto, das almas boas, admitidas na contemplação de Deus. Mas e as almas más? Onde são punidas?

[Francisco:] “Não são punidas, aquelas que se arrependem obtêm o perdão de Deus e entram no grupo das almas que o contemplam, mas aquelas que não se arrependem e não podem, portanto, ser perdoadas, desaparecem. Não há Inferno, há o desaparecimento das almas pecadoras.”

[Santità, nel nostro precedente incontro lei mi disse che la nostra specie ad un certo punto scomparirà e Dio sempre dal suo seme creativo creerà altre specie. Lei non mi ha mai parlato di anime che sono morte nel peccato e vanno all’inferno per scontarlo in eterno. Lei mi ha parlato invece di anime buone e ammesse alla contemplazione di Dio. Ma le anime cattive? Dove vengono punite?

“Non vengono punite, quelle che si pentono ottengono il perdono di Dio e vanno tra le fila delle anime che lo contemplano, ma quelle che non si pentono e non possono quindi essere perdonate scompaiono. Non esiste un inferno, esiste la scomparsa delle anime peccatrici”.]

(tradução livre a partir da versão em inglês publicada no Rorate Caeli)

Esta é a segunda vez que o Papa Francisco, segundo Scalfari, professa a heresia “aniquilacionista”, a primeira tinha sido na entrevista de 2015. Mesmo considerando a tendência de Scalfari, admitida pelo próprio, de publicar entrevistas com o Papa que são reconstruções e não transcrições ipsis verbis das suas palavras, a questão permanece: Será isto, em substância, o que o Papa disse?

A esta altura, apenas um tipo de negação será suficiente: uma afirmação inequívoca de que Francisco deseja que se saiba que as palavras que lhe foram atribuídas pelo seu amigo são uma completa invenção e que, de modo algum, Francisco professou que não existe Inferno e que as almas dos condenados são meramente aniquiladas depois da morte.

Mas essa é exatamente a negação que não recebemos. O porta-voz do Vaticano para a comunicação social, Greg Burke, em vez disso, ofereceu esta escorregadia ambiguidade (tradução nossa):

“O Santo Padre recebeu recentemente o fundador do jornal La Repubblica numa reunião privada por ocasião da Páscoa, sem, contudo, lhe conceder uma entrevista. O que é referido pelo autor do artigo de hoje é o fruto da sua reconstrução em que as palavras exatas proferidas pelo Papa não são citadas. Nenhuma citação no artigo mencionado deve, portanto, ser considerada como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre.”

Esta “negação” é essencialmente uma confirmação de que o Papa terá dito algo do género – a segunda vez que o fez – mesmo que a citação não seja exatamente textual. Não há uma negação cabal de que o Papa acredita no aniquilacionismo. Quanto à alegação de que Francisco não concedera uma entrevista a um jornalista que estava a fazer uma série de perguntas pela quinta vez, o que é pouco credível, isso é, no mínimo, uma admissão implícita de que Francisco terá dito algo em privado que não desejava que se tornasse público.

Do próprio Francisco, nem uma palavra de contradição em relação ao seu amigo Scalfari. Regressaremos a esta revelação impressionante depois do Tríduo Pascal. Nessa altura, teremos já visto se o Papa Francisco nega realmente a opinião herética que lhe fora atribuída.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 29 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 3/2018

Cá vamos nós outra vez: O próximo Sínodo da “Juventude”, em outubro, será um fórum para ainda mais subversão eclesial

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Jovem “profética” diz à Igreja o que ela tem de fazer – in Vatican News, 19/03/2018

 

Por Christopher A. Ferrara

A reunião “pré-sinodal” de “jovens”, que incluiu não-crentes e vários tipos de críticos da Igreja, presidida pelo Papa e pela mesma equipa de manipuladores sinodais que manobrou os Sínodos de 2014-2015, é uma amostra prévia do avanço na subversão eclesial que terá lugar na sala sinodal no próximo mês de outubro.

No seu discurso aos presentes, o Papa Francisco declarou que “os jovens” são a voz de Deus a falar à Igreja de hoje, confundindo a generalidade da juventude de hoje com verdadeiros profetas bíblicos como David, Samuel e Daniel, os quais, segundo Francisco, guiaram um “povo desorientado” em tempos de confusão. Por outras palavras, de acordo com Francisco, a Igreja “desorientada” deve ser guiada pela sabedoria profética dos jovens, em vez de serem os jovens guiados pelo ensinamento constante da Igreja. De acordo com esta inversão absurda da realidade, prosseguiu Francisco, “toda agente tem o direito de ser escutada”, incluindo os não-crentes convidados a participar neste encontro e no próprio Sínodo que se aproxima.

Os procedimentos incluíam uma sessão de perguntas e respostas durante a qual uma mulher nigeriana indignada, que havia sido forçada à prostituição, teve direito ao pódio para ler um texto em italiano, que mal conseguia pronunciar, em que exigia ao Papa que explicasse como uma Igreja que é “ainda muito chauvinista” (maschilista, que também significa “sexista”) pode, com credibilidade, “propor aos jovens formas de relação entre homens e mulheres que sejam livres e libertadoras” – como se a Igreja estivesse de algum modo implicada no tráfico sexual ao qual ela tinha sido submetida.

A questão era, ainda por cima, bastante manhosa, uma vez que o Papa Francisco dera já luz verde para que a Sagrada Comunhão seja administrada a adúlteros públicos que estão divorciados e fingem estar “recasados”, consentindo assim o que o Papa Leão XIII havia denunciado como “concubinato legalizado em vez do casamento”. O divórcio é pouco mais do que um arranjo libertador para as mulheres, para aquelas que são abandonadas pelos maridos ou as que são exploradas por homens que se propõem a “casar “com elas em cerimónias civis prontamente revogáveis ​​que resultam em nada para além de adultério público .

A questão seria melhor colocada desta forma: Como pode Francisco credivelmente propor relações livres e libertadoras entre homens e mulheres quando ele próprio subverteu o respeito pela indissolubilidade do Santo Matrimónio, no qual o casal vive a verdade sobre o casamento que os torna livres [?] – livres da escravidão do pecado que resulta de uma vida baseada no mal intrínseco das relações sexuais fora do casamento.

Depois de abraçar a mulher sobre o estrado, o Papa elogiou a sua provocação arrogante que considerandou “uma pergunta sem anestesia”, arrancando risos da plateia de jovens e confirmando assim a impressão de que a exploração das mulheres pelos homens é, de algum modo, culpa da Igreja “sexista”. Depois prosseguiu observando que parece que a maioria dos clientes de prostitutas em Itália são católicos – como se isso fosse culpa da Igreja e não culpa dos católicos que desobedecem ao seu ensinamento sobre a natureza mortalmente pecaminosa das relações sexuais exteriores ao casamento, ensinamento este que o próprio Papa Francisco está a subverter. Citando o infame ¶ 301 da Amoris Laetitia:

Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada «irregular» vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante. Os limites não dependem simplesmente dum eventual desconhecimento da norma. Uma pessoa, mesmo conhecendo bem a norma, pode ter grande dificuldade em compreender «os valores inerentes à norma» ou pode encontrar-se em condições concretas que não lhe permitem agir de maneira diferente e tomar outras decisões sem uma nova culpa.”

– como se alguém não tivesse escolha a não ser continuar a cometer o pecado do adultério para evitar algum outro pecado! Nunca na história da Igreja um Papa propôs tal absurdo moral.

Durante uma divagação, uma discussão informal sobre os males do tráfico sexual e da prostituição, Francisco, à sua maneira habitual, colocou uma questão a si próprio: “«Mas, padre, não se pode fazer amor?» Isso não é fazer amor, isso é torturar uma mulher. Não confundamos os termos. Isso é crime.” O que implica que relações sexuais fora do casamento sob o disfarce de “amor” possam ​​ser consideradas positivas, em comparação com o recurso a prostitutas, quando se sabe que ambas as situações são mortalmente pecaminosas e absolutamente proibidas em qualquer circunstância.

Francisco concluiu afirmando: “Quero aproveitar este momento, uma vez que falou sobre os cristãos batizados, e pedir-lhe perdão pela sociedade e por todos os católicos que praticam este ato criminoso”. Mais uma sugestão de que a Igreja é de algum modo culpada pelos pecados daqueles que se recusam a seguir o que ela ensina a respeito do mal intrínseco das relações sexuais extraconjugais. E no entanto, é precisamente esse ensinamento que, incrivelmente, o próprio Papa Francisco descreve como uma mera “regra” nem sempre vinculante.

O Sínodo da “juventude” é mais uma iminente catástrofe para a Igreja e isso tornou-se bastante claro, durante este desastre, quando uma tal Angela Markas, da Autrália, que também teve direito ao pódio, “disse a Francisco que os jovens querem discussão na Igreja sobre sexualidade, atração homossexual e o papel das mulheres”.

Loucura é a única palavra que descreve o rumo, cada vez pior, deste pontificado. Com uma boa razão, o Pe. John Hunwicke questiona, aludindo à sugestão do conceituado teólogo Pe. Aidan Nichols, se existem “justificações para a situação em que o homem que foi anteriormente Papa promoveu heresia [referindo-se à anatematização póstuma de Honório I por promover a heresia monotelista], então, porque não para um Papa que, prima facie, está a propagar heresia?” A Igreja militante, diz o Padre, “precisa de seguir esse conselho. A sua sobrevivência está, na verdade, divinamente garantida, mas toda a economia da fé assenta no conceito de um Deus que trabalha com e através da sinergia humana”.

Quando uma proposta como esta é sugerida por sacerdotes tão lúcidos quanto o Pe. Hunwicke e o Pe. Nichols, isso deve ser sinal da incomparável gravidade da nossa situação.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 21 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2018

A face da nova Igreja da “Misericórdia”

Bode

Por Christopher A. Ferrara

Como mostra o LifeSiteNews, o bispo Franz-Josef Bode (na foto acima), que não é menos que o vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, pediu “um debate sobre a possibilidade de se abençoar os relacionamentos homossexuais. Ele acredita que há «muito [de] positivo» em tais relacionamentos”.

Isto era, obviamente, inevitável como resultado do manipulado Falso Sínodo da Família, cujo “relatório intermédio”, inventado sem a participação real dos Padres Sinodais e publicado para o mundo antes mesmo que estes o tivessem lido, pediu a “aceitação e valorização da orientação sexual [dos homossexuais]”, declarou que “as uniões homossexuais” oferecem “um precioso apoio aos parceiros” e enfatizou os “aspetos positivos” do “recasamento” civil após o divórcio e da simples coabitação, admitindo os divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão “caso a caso”. Mesmo depois da rejeição dessas ultrajantes proposições, que não conseguiram receber a maioria necessária de 2/3 dos Padres Sinodais, Francisco ordenou que fossem incluídos nos atos do Falso Sínodo para sua segunda sessão em outubro de 2015.

E agora, este prelado no auge da loucura – não há outra palavra para tal – propõe seriamente que a Igreja dê as suas bênçãos a pessoas que costumam envolver-se em sodomia. Basta olhar para o homem para depois recordar a referência repetida da Irmã Lúcia em relação à “desorientação diabólica” entre os membros da hierarquia, que é, sem dúvida, um foco do integral Terceiro Segredo de Fátima.

A desorientação diabólica é contudo a explicação mais caridosa para o facto de Bode defender um mal tão abominável. Na verdade, como é que alguém, de forma razoável, evita concluir que ele é um conhecido agente de destruição eclesial determinado a eliminar qualquer vestígio da autêntica fé católica? Com uma boa razão, Mathias von Gersdorff, proeminente ativista pró-vida alemão e autor citado pelo LifeSiteNews, observa no seu blogue que “O progressismo alemão não deseja mudar algumas coisas aqui e ali, mas deseja eliminar a totalidade do ensinamento católico e criar uma religião fundamentalmente nova”. A sugestão de Bode, de que as uniões sodomíticas recebam a bênção da Igreja, sinaliza uma tentativa de “iniciar uma nova fase de destruição”. Seria a vingança de Lutero, apesar de que até mesmo Lutero acharia isso horripilante.

Deveria agora ser perfeitamente claro, mesmo para os “normalistas” mais determinados, que estamos a testemunhar uma erupção à superfície das mais profundas formas de corrupção eclesial, sendo que essa erupção foi desencadeada pela cratera do vulcão que é “este desastroso papado” e pela crescente fissura no elemento humano da Igreja que é Amoris Laetitia. Quando altos prelados da Igreja exigem a bênção da sodomia e o Papa nada faz para os corrigir, pelo contrário, abriu o caminho para promoverem audazmente o mal mais radical, quanto tempo mais poderá Deus aguentar?

Lembro mais uma vez as palavras de Nossa Senhora de Akita, cuja mensagem o Cardeal Ratzinger descreveu como essencialmente a mesma que a Mensagem de Fátima:

O demónio infiltrar-se-á na Igreja de tal maneira que se verão Cardeais contra Cardeais, Bispos contra Bispos. Os sacerdotes que me venerarem serão troçados e hostilizados pelos seus irmãos no sacerdócio […] as igrejas e os altares serão saqueados; a Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demónio levará muitos padres e almas consagradas a abandonar o serviço do Senhor.

Como te disse, se os homens não se arrependerem e melhorarem o seu comportamento, o Pai infligirá em toda a humanidade um terrível castigo. Será um castigo maior do que o dilúvio, um que ninguém viu antes. Cairá fogo do céu e destruirá grande parte da humanidade, tanto os bons como os maus, e nem padres nem fiéis serão poupados. Os sobreviventes sentir-se-ão tão desolados que terão inveja dos mortos. As únicas armas que vos restarão serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho. Rezai as orações do Rosário todos os dias. Com o Rosário, rezai pelo Papa, pelos Bispos e pelos sacerdotes.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Porquê o silêncio da maioria silenciosa?

São João Fisher

Por Christopher A. Ferrara

À medida que o desastre deste pontificado continua, tornou-se comum, mesmo na imprensa católica “convencional”, reconhecer que o Papa Francisco é um grande problema para a Fé, em relação ao qual algo deve ser feito.

Assim, como agora se juntaram mais dois arcebispos aos três bispos do Cazaquistão para declarar que a tentativa de Francisco autorizar a Sagrada Comunhão aos adúlteros públicos é “ilícita” e “estranha a toda a Tradição da fé católica e apostólica”, até o Pe. Alexander Lucie-Smith, ao escrever no moderado Catholic Herald, afirmou que “a notícia de que cinco bispos fizeram uma declaração que sustenta os ensinamentos da Igreja sobre o casamento e os seus ensinamentos sobre o divórcio são notícias inéditas”.

Considerem-se as implicações: devemos considerar como “notícias inéditas” a intervenção de apenas cinco bispos contra a tentativa do Papa de deixar a falsa impressão de que a sua posição lhe permite revogar o constante ensinamento e disciplina da Igreja enraizados na própria lei divina.

O Pe. Lucie-Smith observa que “é deprimente que apenas cinco [até ao momento] tenham subscrito [a declaração]”, visto que “[o]s bispos não estão a dizer nada de novo, mas apenas a reafirmar o que a Igreja, sempre e em todos os lugares, acreditou”. Mas Francisco não está a reafirmar o que a Igreja sempre e em todos os lugares acreditou, razão pela qual ele está errado e deve ser oposto por todos os sucessores dos Apóstolos. No entanto, apenas cinco assumiram o desafio. Isto é, no mínimo, “desolador”.

Então, onde estão os restantes 5 100 bispos do mundo inteiro? Pe. Lucie-Smith escreve:

“Haverá muitos que não assinam mas que apoiarão de coração o que é dito, podendo eu pensar em vários. Basta recordar como poucos aprovaram as diretrizes dos bispos de Malta, por exemplo, e como a grande maioria dos bispos do mundo não disse abolutamente nada sobre o assunto. «Mas notaram que a maioria dos bispos em todo o mundo estão notavelmente silenciosos?», como perguntou o Pe. Thomas Weinandy. Esses bispos constituem a maioria silenciosa: seria ótimo se todos falassem, mas talvez se possa apreciar as suas razões para manter o silêncio”.

Mesmo? Porque se deveria “apreciar” as razões pelas quais a maioria silenciosa dos bispos mantém silêncio sobre um ataque direto aos fundamentos do edifício moral da Igreja e aos seus ensinamentos sobre a indissolubilidade do casamento e a infinita dignidade do Santíssimo Sacramento? Posso pensar apenas em uma das razões: medo de represálias de “O Papa Ditador”.

O Pe. Lucie-Smith observa, no entanto, que não teve medo de assinar “a carta dos quinhentos ou mais sacerdotes” de Inglaterra, durante o falso Sínodo, para declarar a sua “fidelidade inabalável às doutrinas tradicionais sobre o casamento e o verdadeiro significado da sexualidade humana, fundada na Palavra de Deus e ensinada pelo Magistério da Igreja durante dois milénios”.

Então, qual é a desculpa dos bispos? E – novamente – onde estão os cardeais Burke e Brandmuller, que há muito tempo prometeram uma correção formal do erro que o Papa Francisco está a tentar agora impor como “autêntico Magistério”? Parece que o medo de um homem pôde superar o temor de Deus e o Seu julgamento, deixando apenas, no mundo inteiro, cinco bispos, alguns sacerdotes e leigos corajosos para defender a verdade de Cristo.

Algo semelhante à situação criada em Inglaterra pelo rei Henrique VIII, em que apenas um bispo, São João Fisher, resistiu à exigência de divórcio, está agora incrivelmente a repetir-se por toda a componente humana da Igreja. Mais um sinal de que uma intervenção divina, como nenhuma outra na história da Igreja, será necessária para corrigir as coisas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 4 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte portanto da publicação original.

Basto 1/2018

A intervenção de Weinandy: o que significa

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Por Christopher A. Ferrara

Os críticos daqueles que tornaram públicas as suas objeções ao caos que este pontificado está a engendrar afirmam que só as “petições privadas” a um Papa rebelde é que são permitidas e que qualquer recurso à publicação é “escandaloso”.

Absurdo. Como o direito canónico reconhece, os fiéis “têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores…” Não há nenhuma exceção que isente os Papas das críticas públicas. Pelo contrário, ninguém está mais sujeito às necessidades e preocupações dos fiéis do que ele.

Além disso, este Papa demonstrou que é imune a súplicas privadas, e que nem sequer irá ter a cortesia de manifestar a sua receção. Francisco simplesmente ignorou as petições privadas de 800 mil fiéis, de 45 teólogos, dos quatro “cardeais dos dubia” e os 60 assinantes da Correctio filialis, para não mencionar numerosas outras petições privadas, todas elas implorando para reafirmar o ensinamento constante da Igreja sobre a inadmissibilidade de pessoas divorciadas “recasadas” aos sacramentos e o carácter sem exceção dos preceitos negativos da lei natural – ensinamentos que Francisco está evidentemente empenhado em subverter através de ambiguidades e piscadelas de olho e acenos de cabeça subministeriais.

Agora, o teólogo talvez mais relevante até à data sentiu-se na obrigação de divulgar a sua própria súplica privada ao Papa que se recusa a responder. Sandro Magister publicou uma carta privada, enviada ao Papa no verão passado, por Thomas G. Weinandy, que foi nomeado membro da Comissão Teológica Internacional pelo próprio Papa Francisco. Ele foi também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA e ensinou em Oxford e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É portanto uma figura inequivocamente “convencional”[*].

Seguindo um sinal claro do Céu, aqui descrito, o Pe. Weinandy decidiu divulgar o conteúdo da sua carta ao Papa Francisco, onde lemos esta acusação a um Pontífice Romano assinada por um sujeito cuja lealdade ao ofício petrino é incontestável:

Sua Santidade, uma confusão crónica parece marcar o seu pontificado. A luz da fé, da esperança e do amor não está ausente, mas muitas vezes é obscurecida pela ambiguidade das suas palavras e ações. Isso promove entre os fiéis um crescente desconforto…

Em Amoris Laetitia, as suas indicações parecem às vezes intencionalmente ambíguas, convidando tanto a uma interpretação tradicional do ensinamento católico sobre o matrimónio e o divórcio, como também a uma interpretação que pode implicar uma mudança nesse ensinamento… Ensinar com uma tal falta de clareza aparentemente intencional incorre inevitavelmente no risco de pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da verdade. O Espírito Santo é dado à Igreja, e particularmente a si mesmo, para dissipar o erro e não para promovê-lo.

[Sua Santidade] parece censurar e até mesmo zombar daqueles que interpretam o Capítulo 8 da Amoris Laetitia de acordo com a tradição da Igreja, como se fossem fariseus que atiram pedras e que encarnam um rigorismo vazio de misericórdia. Esse tipo de calúnia é estranho à natureza do ministério petrino… Esse comportamento dá a impressão de que os seus pontos de vista não podem sobreviver ao escrutínio teológico e, portanto, devem ser sustentados pelos argumentos ad hominem.

[M]uitas vezes a suas formas parecem menosprezar a importância da doutrina da Igreja. Uma e outra vez, retrata a doutrina como uma coisa morta e livresca, longe das preocupações pastorais da vida quotidiana. Os seus críticos foram acusados – utilizando as suas próprias palavras – de fazer da doutrina uma ideologia. Mas é precisamente a doutrina cristã… que liberta as pessoas das ideologias mundanas e assegura que eles estão efetivamente a pregar e a ensinar o Evangelho autêntico e vivo. Aqueles que desvalorizam as doutrinas da Igreja separam-se de Jesus, o autor da verdade… O que eles possuem, sendo que só isso podem possuir, é uma ideologia – que se conforma com o mundo do pecado e da morte.

Os fiéis católicos só podem estar desconcertados pela sua escolha de alguns bispos, homens que parecem não apenas abertos a quem tem opiniões contrárias à fé cristã, mas que até os apoiam e defendem. O que escandaliza os crentes e até alguns bispos não é apenas que designe tais homens para serem pastores da Igreja, mas que permaneça em silêncio perante o seu ensinamento e pratica pastoral… Como resultado, muitos dos fiéis que incorporam o sensus fidelium estão a perder confiança no seu Pastor Supremo.

[A] Igreja é um corpo, o corpo místico de Cristo, e o Senhor encarregou-lhe a si a missão de promover e fortalecer a sua unidade. Mas as suas ações e palavras muitas vezes parecem motivadas a fazer o contrário….

O senhor fala muitas vezes da necessidade de transparência dentro da Igreja. Encorajou frequentemente… todas as pessoas, especialmente os bispos, a falarem abertamente e sem medo do que o Papa possa pensar. Mas… o que muitos [bispos] aprenderam durante o seu pontificado não é que o senhor está aberto a críticas, mas que fica ressentido… Muitos temem que se falarem abertamente serão marginalizados ou pior.

Muitas vezes me perguntei: “Porque deixou Jesus tudo isto acontecer?” A única resposta que vem à mente é que Jesus quer manifestar quão fraca é a fé de muitos dentro da Igreja, mesmo entre muitos dos seus bispos. Ironicamente, o seu pontificado deu a liberdade e a confiança àqueles que detêm visões teológicas e pastorais prejudiciais para que viessem à luz e mostrassem a sua escuridão anteriormente escondida…

Quando um teólogo “convencional” com esta relevância autoriza a publicação de acusações tão graves contra um Romano Pontífice, isso deve afastar, pelo menos para o observador razoável, a alegação de que a oposição ao que o Papa Francisco diz e faz está confinada a uma parte marginal da Igreja de mentalidade “cismática”. A intervenção de Weinandy, motivada por um sinal do céu, é nada menos que um marco na história da Igreja. Representa uma confirmação objetiva, se ainda fosse necessária, de que este pontificado representa um perigo claro e presente para a Fé e que os fiéis têm o dever de se opor às suas tendências absolutamente inéditas.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

ATUALIZAÇÃO: Imediatamente depois da publicação da carta, o Pe. Weinandy foi convidado a renunciar à sua atual posição como consultor para a Conferência de Bispos dos EUA [USCCB]. Ele assim o fez. Como o Catholic World Report, outra voz convencional de preocupação em relação a este pontificado, observou: “Ao fazer tal pedido, a USCCB, como parece, reforça precisamente o argumento de Weinandy sobre o medo e a falta de transparência.” Parece que, para o Papa Francisco, “misericórdia” significa a supressão imediata e implacável de qualquer relevante crítico ao seu assalto ao ensinamento dos seus predecessores, incluindo o próprio Papa que ele canonizou.

*O termo “convencional” foi traduzido de “mainstream”, que foi utilizado pelo autor deste artigo para exprimir a ideia de não associado a qualquer grupo ou tendência na Igreja.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 2 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A tradução integral da carta do Pe. ThomasWeinandy pode ser lida no blogue Fratres in Unum.

Basto 11/2017

Cá vamos nós outra vez: Atualização sobre o falso sínodo III

Por Christopher A. Ferrara

À medida que o Sínodo de 2018 da “Juventude, Fé e Discernimento Vocacional” se aproxima, todos os sinais indicam outro desastre iminente para a Igreja. Na sua “Carta aos Jovens” ligada ao Sínodo, o Papa Francisco declara: “Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores.”

Precisamente o que a Igreja precisa no meio da tempestade que o Papa Francisco já desencadeou: um fórum no qual os “jovens” levantam as suas dúvidas e críticas sobre a Fé e a Igreja escuta atentamente os inteiros disparates das suas queixas. O contexto perfeito para o próximo “desenvolvimento revolucionário” – ou seja, a total reversão – do ensinamento católico, provavelmente na área da moral sexual, incluindo a coabitação e a “orientação sexual”. Isso estaria em linha com os falsos Sínodos I e II, que foram meros veículos para o lançamento da Amoris Laetitia, que fraturou a bimilenar disciplina eucarística da Igreja que protege a indissolubilidade do casamento e a santidade do Santíssimo Sacramento.

Outro sinal de desastre iminente é o “Fórum da Juventude” recentemente realizado no Canadá (que será transmitido na televisão em 22 de outubro), onde o Papa Francisco interveio à distância. Os presidentes não eram outros senão estes dois –

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– O padre Thomas Rosica e o bispo Kevin Farrell, ambos “simpatizantes pro-gay” defensores de uma emergente “Igreja Gay, incluindo “paróquias gay” e “sacerdotes gay“.

Na sua mensagem dirigida ao fórum, o Papa Francisco pediu aos “jovens” de todo o Canadá para que sejam “tecedores de relacionamentos marcados pela confiança, pela partilha, pela abertura até aos confins do mundo. Não levantem paredes de divisão: não levantem paredes de divisão! Construam pontes, como esta extraordinária que estão a atravessar em espírito e que liga as margens de dois oceanos. Vós estais a experimentar um momento de intensa preparação para o próximo Sínodo – o Sínodo dos Bispos – que vos diz respeito de um modo particular, assim como envolve toda a comunidade cristã.”

Abertura! Sem paredes de divisão! Construir pontes! Como a “ponte” que o Padre James Martin SJ propõe construir para a “comunidade LGBT”, talvez? Não houve referência, é claro, à castidade entre os “jovens” não casados ​​ou à fidelidade aos ensinamentos da Igreja sobre casamento, procriação e moral sexual em geral. Houve, no entanto, uma referência a “um momento de intensa preparação para o próximo Sínodo”, o que implica o mesmo tipo de semi-gnóstico pseudo-misticismo que acompanhou os dois primeiros falsos sínodos em direção a um resultado predeterminado, que passou por uma inspiração pelo “Espírito” e uma aparência de “surpresas de Deus”.

O que quer que seja que os manipuladores do próximo falso sínodo tenham em mente – a mesma equipa que manipulou os dois primeiros -, podemos ter certeza disto: não será bom para a Igreja, mas será antes a próxima fase da “batalha final” sobre o casamento e a família, a respeito da qual Irmã Lúcia advertiu o falecido Cardeal Caffarra à luz do Terceiro Segredo de Fátima.

Lembrem-se, no entanto, de que há esperança nesses desenvolvimentos, pois eles indicam que nos aproximamos do ponto em que uma inversão dramática terá de ocorrer, mesmo que seja acompanhada por graves consequências para um mundo em rebelião contra o Cristo Rei e a Lei do Evangelho.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 20 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2017

O gangue do sínodo prepara outro assalto à Igreja – Falso sínodo III: perguntemos aos jovens o que Jesus quer!

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Página do questionário preparatório do Sínodo de 2018 “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” (disponível online até dia 30 de novembro de 2017)

 

Por Christopher A. Ferrara

Nunca houve dúvidas, é claro, de que o próximo falso sínodo, intitulado “Jovens, fé e discernimento vocacional”, será outro ataque ao ensinamento moral católico. O falso sínodo de 2018 seguirá a linha do último show pomposo que dissimulou, num palco cuidadosamente manuseado, uma intenção preconcebida de acomodar o divórcio e o “recasamento” na Igreja, derrubando, na prática, a bimilenar proibição da Igreja da Sagrada Comunhão a adúlteros públicos que vivem em “segundos casamentos”.

O falso sínodo de 2018 será liderado pelo cardeal Lorenzo (“o ladrão de livros”) Baldisseri, cuja rude manipulação dos procedimentos do “Sínodo sobre a Família” (incluindo a confiscação do “Livro dos Cinco Cardeais” que defende o ensino tradicional da Igreja sobre o casamento) desencadeou uma rebelião aberta liderada pelo cardeal Pell. (Apesar de tudo, no final, o Papa Francisco obteve o resultado que queria desde o início, publicando Amoris Laetitia.)

Apenas duas frases do documento preparatório para o falso sínodo de 2018 são suficientes para nos avisar de que a Igreja está à beira de outro assalto:

Assim como outrora Samuel (cf. 1 Sm 3, 1-21) e Jeremias (cf. Jr 1, 4-10), existem jovens que sabem vislumbrar aqueles sinais do nosso tempo, apontados pelo Espírito. Ouvindo as suas aspirações, podemos entrever o mundo de amanhã que vem ao nosso encontro e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer. (Introdução) “

Sim, é verdade, Baldisseri e o gangue vão “ouvir os jovens” a instruir os mais velhos sobre o que a Igreja deveria fazer. Pelo menos essa é a história da capa. Na verdade, porém, eles vão pretender “ouvir os jovens” enquanto se preparam para executar o plano que, sem dúvida, já puseram em ação para a próximo comprometimento do ensinamento católico. Certamente, eles não ouvirão os jovens que se reúnem nas tradicionais missas latinas e procuram a fé autêntica dos seus pais. Esses jovens, diz Francisco, são “rígidos” e têm algum tipo de transtorno emocional pelo qual se deve “cavar, cavar” para entender o que esses jovens rígidos estão a “esconder”.

O falso sínodo de 2018 está a utilizar o anterior modus operandi de um tendencioso “questionário preparatório” online, respondido por um qualquer Tom, Dick ou Harry que queira entrar. Esta falsa pesquisa está a ser usada para nos informar que “os jovens” querem mudanças, grandes mudanças, na Igreja. Como informa a página espanhola Religión Digital:

“Muitos dos jovens fiéis ainda veem a Igreja como um «lugar de proibições». Essa é uma das conclusões de uma primeira amostra das respostas ao questionário preparatório para o Sínodo dos Bispos de 2018 sobre «os jovens, a fé e o discernimento vocacional», de acordo com seu secretário geral, o cardeal Lorenzo Baldisseri”.

Baldisseri é citado da seguinte forma: “Precisamos de olhar para os jovens não só para nos ajudarem a entender como proclamar o Evangelho, mas também para entender melhor o que Jesus quer para a sua Igreja, o que Ele espera, o que deve ser extirpado [removido] para tal missão”.

Então, de acordo com Ladrão de Livros, os “jovens” anónimos (sabemos realmente quantos anos têm?) que preencheram um inquérito online, não gostam de todas essas “proibições” na Igreja e estão a dizer-nos o que Jesus quer que seja feito – especialmente do que “Ele” quer que a Igreja se livre.

Cá vamos outra vez, enquanto a apostasia na Igreja atinge o máximo num confronto final com o diabo sobre o casamento e a família, tal como a Irmã Lúcia advertira ao falecido Cardeal Caffarra, à luz do Terceiro Segredo de Fátima.

No entanto, há esperança neste desenvolvimento: neste exato momento da história da Igreja, o diabo está a superar, provocando assim uma crescente reação entre os fiéis que veem a fraude sinodal em curso pelo que ela é. Mas a Virgem, como lembrou a Irmã Lúcia, já esmagou a cabeça da serpente. Todos os acontecimentos estão a alinhar-se para o final Triunfo do Imaculado Coração que se seguirá à Consagração da Rússia, embora isso possa ter que vir no meio de acontecimentos muito dramáticos para a Igreja e para toda a humanidade.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 23 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 10/2017

Os “frutos” do ecumenismo = protestantismo

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Estátua do herege Martinho Lutero homenageada no Vaticano no dia 13 de outubro de 2016

 

Por Christopher A. Ferrara

O importante blogue de Sandro Magister fornece-nos algumas informações relevantes acerca dos efeitos inteiramente previsíveis dos cinquenta anos de “ecumenismo” e “diálogo ecuménico”: os católicos tornaram-se protestantes de facto, enquanto os protestantes não só permaneceram exatamente onde estavam como até estão mais liberais do que nunca.

Como conta Magister: “Está a acontecer cada vez mais que as crianças protestantes do norte da Europa que visitam Roma são levadas pelos seus professores a participar numa Missa católica para verem como é e para receberem tranquilamente a comunhão”. E ninguém está disposto a detê-los porque isso não seria “ecuménico”.

Magister observa que a crescente prática de intercomunhão sacrílega é “o efeito de uma corrida crescente entre as duas religiões em direção ao fundo na mentalidade de muitos protestantes e católicos da Europa e da América…” Ele cita os dados fornecidos pelo Pew Research Center da Universidade de Georgetown, os quais fornecem confirmação empírica da protestantização virtual de católicos que, como como protestantes liberais que efetivamente se tornaram – pelo menos nas suas atitudes -, já não aceitam qualquer ensinamento da Igreja que não vá ao encontro da sua aprovação pessoal.

Assim, o Pew Center relata: “Nos Estados Unidos, 65% dos católicos e 57% dos protestantes dizem que estão convencidos de que as semelhanças superam as diferenças entre as respetivas religiões”. Esse é um estado de coisas absurdo, dado o afastamento radical da moral, mesmo básica, nas principais denominações protestantes, que toleram não só o divórcio e a contraceção, mas também o aborto, o “casamento gay” e a “ordenação” de mulheres.

Do mesmo modo, “na Europa ocidental também, mais de metade dos protestantes e católicos pensam da mesma maneira. Com picos de 78% entre os protestantes da Alemanha, de 67% entre os católicos da Holanda e de 64% entre os católicos da Áustria. Mas mesmo entre os católicos da Itália, são mais aqueles para quem as semelhanças prevalecem: 47% contra 41%.”

O que está a acontecer pode ser comparado à tendência para o equilíbrio térmico que ocorre quando um espaço quente e protegido se abre ao frio exterior. O espaço protegido assume gradualmente a temperatura externa ou, pelo menos, aproxima-se. Assim, a venerada “abertura ao mundo” no Concílio Vaticano II produziu um arrefecimento do zelo apostólico entre os fiéis, a maioria dos quais, é seguro dizê-lo, agora acredita que não há nada fortemente errado com o protestantismo nem nada fortemente urgente em ser um membro da Igreja Católica.

Curiosamente, no entanto, os dados mostram também uma espécie de mistura de efeitos “térmicos” numa bolsa atitudinal dos espaços católico e protestante. Como observa Magister, “naquilo que foi durante séculos um dos fatores mais fortes da divisão, a convicção protestante de que a salvação é obtida sola fide [somente pela fé], enquanto que para a fé católica deve ser acompanhada de obras, o pêndulo balançou a favor da última. Quase em todo o lado, ou seja, mesmo entre os protestantes, a maioria pensa que a fé e as obras são ambas necessárias”.

Então, escreve Magister, depois de meio século de diálogo “ecuménico”, “o sola fide luterano encontra também um significativo número de apoiantes entre os católicos: na Itália e na Alemanha, um quarto dos católicos defendem-no, enquanto no Reino Unido, na França e na Suíça são um terço.” Por outras palavras, se os dados são precisos, um número substancial de católicos são agora mais protestantes na sua crença quanto à necessidade de boas obras para a salvação do que a maioria dos protestantes.

Este desenvolvimento foi certamente encorajado pelo Papa Francisco que, durante uma das suas descomprometidas conferências de imprensa aeronáuticas, opinou que “hoje luteranos e católicos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação. Sobre este ponto, que é muito importante, ele [Lutero] não errou.” Mas é claro que Lutero errou e sua heresia sola fide foi anatematizada pelo Concílio de Trento. E é claro que a Igreja Católica não “concorda” com Lutero sobre a justificação apenas pela fé, mesmo que muitas pessoas católicas o façam graças aos efeitos negativos do “ecumenismo”.

Mais uma vez, vemos precisamente porque Pio XI proibiu qualquer participação católica no “movimento ecuménico” que surgiu das seitas protestantes na década de 1920. Ele previu, naquela altura, o que hoje vemos diante de nós: que o “ecumenismo” é apenas um “afago” enganoso que esconde um plano segundo o qual a Igreja Católica seria induzida a aceitar os protestantes, tal como são, ao mesmo tempo que suaviza e até suprime a sua própria doutrina durante o “diálogo ecuménico” para não ofender os “parceiros de diálogo” protestantes, incluindo os apatetados anglicanos que agora ordenam mulheres “sacerdotisas” e “bispas” e celebram “casamentos gay”.

Tal é o estado de coisas do qual Nossa Senhora de Fátima irá inevitavelmente livrar a Igreja, logo que os seus líderes obedeçam aos seus pedidos, desencadeando um milagre de graça divina pelo qual a Igreja será restaurada, tal como foi restaurada depois de cada uma das crises na sua história.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 6 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 10/2017

O resultado do ecumenismo: apostasia

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Bispos e bispas no serviço religioso luterano-católico de homenagem ao herege excomungado Martinho Lutero, em Lund (Suécia) a 31 de outubro de 2016, in ELCA, 31/10/2016

 

Por Christopher A. Ferrara

Como foi noticiado pela Gloria TV (citando a orf.at), o arquimodernista cardeal Walter Kasper, cuja falsa noção de “misericórdia” animou todo o projeto da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos, acaba de declarar que “hoje em dia não há mais diferenças significativas entre cristãos protestantes e católicos…”

Compreensivelmente, essa observação provocou indignação entre os católicos ortodoxos, porém, após uma reflexão, reconhecer-se-á que é meramente uma afirmação do óbvio. Ou seja, hoje em dia, como mostram consistentemente os estudos de opinião, a generalidade dos católicos são efetivamente protestantes em termos de adesão ao ensino da Igreja sobre fé e moral, particularmente em questões relativas à moral sexual, incluindo a aceitação do aborto em “alguns casos“. Pior ainda, no que diz respeito ao casamento e à homossexualidade, hoje, o católico comum é ainda mais liberal do que os protestantes evangélicos mais conservadores, cuja Declaração de Nashville, que discuti no meu último artigo, certamente não receberia aprovação da maioria dos católicos. Por exemplo, como o Life Site News informa, “dois em cada três católicos – uns extraordinários 67% – responderam à Pew Poll Surveyors que agora apoiam o “casamento gay”.

Essa “conversão” de católicos, na prática, ao protestantismo liberal era eminentemente previsível. Foi, de facto, predita pelo Papa Pio XI na sua condenação ao “movimento ecuménico” de origem protestante na década de 1920. Ao proibir qualquer participação católica nesse movimento subversivo, Pio XI lançou este aviso na sua histórica encíclica Mortalium animos (1928):

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grémio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

O erro em questão é o de reduzir as diferenças entre católicos e protestantes a questões meramente discutíveis, que são postas de lado em favor do “diálogo ecuménico” baseado em verdades supostamente mais fundamentais. Como Pio XI explicou:

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conheçam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progressos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Por outras palavras, o “movimento ecuménico” levaria inexoravelmente à aceitação católica de uma forma de cristianismo de menor denominador comum, sendo o denominador determinado pelo implacável declínio moral e espiritual das seitas protestantes cujos adeptos não estão minimamente interessados em submeter-se à autoridade do Papa e do Magistério.

No entanto, ignorando o alerta previdente de Pio XI, as forças progressistas no Concílio Vaticano II conseguiram obter o aval do Concílio precisamente em relação ao “movimento ecuménico” por meio do documento conciliar Unitatis redintegratio, que aprova abruptamente a participação católica no próprio movimento que Pio XI tinha condenado apenas 25 anos antes. O que se seguiu foi a pletora de encontros “ecuménicos”, liturgias e outros gestos que colocaram a Igreja Católica em pé de igualdade com as seitas protestantes que surgiram para negar não só verdades reveladas mas até mesmo os preceitos da lei natural a respeito do casamento, da procriação e da santidade da vida humana em todas as suas fases.

E agora vemos o resultado final desse desastroso erro de julgamento prudencial, tal como foi previsto por Pio XI:

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

Ironia das ironias, hoje, os protestantes mais conservadores (como os do Sínodo Luterano do Missouri) não querem nada com a busca louca do “ecumenismo católico” do Vaticano com denominações protestantes de orientações completamente degeneradas, incluindo os apatetados anglicanos, precisamente porque esses protestantes mais conservadores rejeitam o indiferentismo religioso que o “ecumenismo” implica.

O resultado final do “ecumenismo” – e de facto toda a “abertura ao mundo” que se seguiu ao Vaticano II – foi descrita por João Paulo II na sua exortação apostólica sobre o estado da Fé na Europa, ainda ele nunca tenha admitido a culpa da própria liderança da Igreja na ruinosa adoção daquilo que Pio XI havia condenado. Citando João Paulo II: “A cultura europeia dá a impressão de uma «apostasia silenciosa» por parte do homem saciado, que vive como se Deus não existisse.” Mas poderia João Paulo II não ter conseguido reparar no papel dos próprios líderes da Igreja na renúncia programática à função divinamente designada da Igreja como única arca da salvação, encorajando os membros do seu próprio bando a abandonar o navio?

Quando é que os líderes da Igreja irão admitir que o último meio século de experimentação na novidade tem sido um desastre total, produzindo a pior crise na história da Igreja? Apenas quando o Imaculado Coração de Maria triunfar depois da Consagração da Rússia em obediência à ordem divina.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. As citações incluídas neste artigo estão apresentadas na tradução oficial do Vaticano. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 9/2017

Cardeal Burke Repete: Rússia deve ser explicitamente consagrada ao Imaculado Coração

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Por Christopher A. Ferrara

Numa entrevista exclusiva ao The Wanderer, o Cardeal Raymond Burke apelou uma vez mais à consagração explícita da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo nome, como Nossa Senhora de Fátima pediu quase há um século atrás (1929) depois de prometer à Irmã Lucia de Fátima, há exatamente um século (1917), que voltaria para fazer esse pedido quando “chegou o momento.”

No decorrer da entrevista, na qual o cardeal também discutiu a “batalha final” sobre o casamento e a família agora em curso no seio da Igreja (graças ao falso sínodo), bem como na sociedade civil, o cardeal deparou-se com a seguinte questão sobre a alegação de que a Irmã Lúcia confirmou que a cerimónia realizada por João Paulo II em 25 de Março de 1984, na qual qualquer menção à Rússia fora deliberadamente omitida, satisfez de algum modo o pedido de consagração dessa mesma nação não mencionada:

Questão: De acordo com documentos de Fátima… A Ir. Lúcia escreveu, em 29 de agosto de 1989, que a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria feita pelo Papa São João Paulo II em 25 de março de 1984 cumpriu o pedido de Nossa Senhora. No Fórum da Vida em Roma, há cerca de três meses atrás, você exortou os fiéis católicos a “trabalharem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”. O que é que a consagração a que você apela implica; é mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita?

Primeiro que tudo, para a alegação de que a Lucia “escreveu” em 1989, que a cerimónia de 1984, que deliberadamente não mencionou a Rússia, era uma consagração da Rússia, o artigo “Cronologia de um encobrimento” de um encobrimento publicado pelo The Fatima Center, explica:

Em Setembro de 1985, numa entrevista à revista Sol de Fátima (publicada em Espanha pelo Exército Azul), a Irmã Lúcia confirmou que a consagração ainda não tinha sido feita porque a cerimónia de 1984 não mencionara a Rússia e os Bispos Católicos de todo o mundo não tinham participado. Ainda no mesmo ano, o Cardeal Édouard Gagnon reconheceu noutra entrevista que a consagração ainda não tinha sido feita conforme fora pedida. Mais tarde, protestou pelo facto de as suas observações terem sido publicadas, embora não desmentisse tê-las feito.

Durante muitos anos, uma prima da Irmã Lúcia, Maria do Fetal, referiu-se publicamente ao facto de a Irmã Lúcia dizer que a consagração não tinha sido feita. Maria do Fetal continuou a manter esta posição até meados de 1989, altura em que a alterou, de repente, de acordo com as “instruções” do Vaticano reveladas pelo Pe. Coelho.

Além disso, ninguém contesta que a Irmã Lúcia insistiu que a cerimónia conduzida por João Paulo II em 1982, que também acabou por não mencionar a Rússia nem envolver os bispos de todo o mundo, não cumprira o pedido de Nossa Senhora. Na verdade, nada menos que o L’Osservatore Romano publicou o seguinte testemunho do sacerdote amigo e confidente de Lúcia, Pe. Umberto Maria Pasquale, S.D.B., a 12 de maio de 1982, cerca de dois meses depois da cerimónia de 1982:

Eu queria esclarecer a questão da Consagração da Rússia, recorrendo à fonte. Em 5 de agosto de 1978, no Carmelo de Coimbra, tive uma longa entrevista com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia. A determinado momento disse-lhe: “Irmã, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Se você não puder responder-me, que assim seja! Mas se puder responder a isto, eu ficaria muito agradecido por me esclarecer um assunto que para muitas pessoas não parece claro… Alguma vez Nossa Senhora falou consigo sobre a consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração?” -“Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria, em 1917, Nossa Senhora prometeu: virei pedir a consagração da Rússia… para evitar a propagação de seus erros pelo mundo, guerras entre várias nações e perseguições contra a Igreja... Em 1929, em Tuy, tal como tinha prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que tinha chegado o momento de pedir ao Santo Padre pela consagração desse país (Rússia)”…

Então, o que mudou entre o momento da primeira cerimónia fracassada em 1982 e a segunda em 1984? Nada, exceto a abrupta e duvidosa mudança de posição atribuída à Irmã Lúcia, que nunca, nem uma única vez, foi autorizada a falar diretamente ao público sobre o assunto.

De qualquer forma, em resposta à pergunta do The Wanderer sobre se a consagração implica “mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita“, o Cardeal Burke deu esta esclarecedora explicação:

É exatamente isso; é tão simples como isso, ou seja, cumprir explicitamente o pedido de Nossa Senhora exatamente como ela o solicitou. Não há dúvidas de que o Papa São João Paulo II estava bem ciente da gravidade da situação, da necessidade de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Ele tencionou precisamente fazer isso em 25 de Março de 1984. Pela minha parte, eu acredito que ele tê-la-ia feito explicitamente, exceto que naquela ocasião alegou-se que, a fim de promover uma relação mais amigável com os países do Bloco do Leste, o nome da Rússia não deveria ser mencionado em particular.

Eu acredito que era intenção do Santo Padre – que ele fez, de facto – consagrar a Rússia. No entanto, também é minha convicção de que, dada a situação em que nos encontramos hoje, a consagração da Rússia deve ser feita explicitamente, exatamente como Nossa Senhora pediu (sem negar, de nenhum modo, a intenção de João Paulo II incluir a Rússia quando consagrou o mundo ao Seu Imaculado Coração). A minha intenção não é lançar acusações contra ninguém, mas antes responder ao tempo presente que é tão grave que impele a necessidade de realizar o que Nossa Senhora pediu exatamente conforme ela o pediu.

A repetição que eu peço desta consagração não é, de modo algum, para pôr em causa o que disse a Ir. Lúcia sobre o cumprimento de João Paulo II do que Nossa Senhora pediu. É simplesmente para responder mais uma vez a esse pedido e consagrar a Rússia de forma explícita. Ao mesmo tempo, é direito e dever dos fiéis pedir ao Papa Francisco para fazer essa consagração…

Com todo o respeito pelo cardeal, que confirma o que é óbvio – que a Consagração da Rússia precisa de mencionar a Rússia ao invés de não a mencionar deliberadamente – ele parece estar a tentar ter as duas coisas: que a intenção de João Pulo II de consagrar a Rússia bastou, concordando com a alegada observação da Irmã Lúcia (contrariada pelo seu próprio testemunho publicado), mas que a Rússia deverá, contudo, ser consagrada pelo nome. Isto é semelhante a declarar que a remoção de uma vesícula biliar é suficiente numa apendicectomia de emergência, porque a enfermeira disse que sim, mas, ainda assim, é melhor remover também o apêndice.

Pense-se na consagração da Rússia como o equivalente eclesial a uma apendicectomia de emergência, urgentemente necessária para prevenir e envenenamento fatal de todo o corpo da Igreja, que nenhum razoável observador do cenário eclesial pode negar que está sob ameaça neste exato momento. Que a Consagração vai finalmente ter lugar é certo, pois a Igreja é indestrutível e a vontade divina não pode ser frustrada, mas apenas (por vontade permissiva de Deus) impedida por um tempo pela perversidade humana. O que não é certo é quanta agonia a Igreja terá que sofrer antes que o remédio divino seja, finalmente, aplicado.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A petição dirigida ao Santo Padre pela consagração da Rússia pode ser assinada aqui.

Basto 8/2017

Paglia para os adúlteros públicos: Sigam em frente e recebam a Sagrada Comunhão

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Por Christopher A. Ferrara

Ninguém, nem mesmo um Papa, pode alterar o constante ensinamento da Igreja e a sua disciplina integralmente relacionada sobre a “impossibilidade intrínseca” da absolvição e da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos em “segundos casamentos” que tencionam manter as suas relações adúlteras.

Recorde-se o que disse o Papa Bento XVI, a respeito da função do papado, no seu primeiro sermão enquanto Pontífice Romano recém-eleito:

O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

Considere-se a palavra de Deus a respeito do divórcio: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.” (Lc 16, 18)

Baseados na Palavra de Deus, bem como no ensinamento constante e na disciplina da Igreja em sua obediência durante 2000 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI – agindo como um Papa deve agir – reafirmaram o ensino bimilenar da Igreja de que adúlteros públicos, precisamente devido ao facto do seu estado de vida, não podem participar no Santíssimo Sacramento.

Contudo agora, graças exclusivamente à Amoris Laetitia (AL), é-nos dito, pelo próprio prelado que o Papa Francisco colocou à frente do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, que este ensinamento foi, na prática, derrubado. O Arcebispo Vincenzo Paglia (da obscena infâmia mural) declara abertamente, numa entrevista recente, que aqueles que vivem em uniõesirregulares” podem agora ser “integrados” na vida eclesial, tal como estão, sem antes mudarem de vida:

Aqueles que vivem em situações irregulares, se eles aceitarem ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã (especialmente se o processo for promovido e conduzido pelo bispo), terão possibilidade de encontrar várias e graduais formas de integração, não excluindo integração sacramental.

O palavreado vazio de significado – “ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã… graduais formas de integração” – é simplesmente uma folha de figueira que esconde uma permissão nua para aqueles que vivem em vários estados de adultério habitual e público receberem a Sagrada Comunhão sem antes mudarem de vida. Isso é exatamente o que os bispos da Alemanha, Sicília, Malta e outros lugares têm autorizado, enquanto os bispos de outros países, como a Polónia, continuam a defender o ensino e a disciplina bimilenar da Igreja, tal como fizeram os dois antecessores imediatos de Francisco na Cátedra de Pedro.

A manchete do LifeSiteNews diz tudo: “Arcebispo do Vaticano: Papa Francisco abriu Comunhão a adúlteros”. E este é o prelado que foi nomeado chefe do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família!

Somos testemunhas de uma catástrofe crescente. Cegueira voluntária perante os factos não é aqui uma opção. Tudo o que podemos fazer diante desta realidade é precisamente o que Nossa Senhora de Fátima pediu a todos os católicos, que inclui orar pelo Papa. Orar também pela resolução divina que certamente irá seguir-se à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima intercedei por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 31 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 8/2017

Isso é uma piada? O Papa terá perguntado ao Cardeal pró-“gay” (“Missa de Balões”) Schönborn: A “Amoris Laetitia” é ortodoxa? Ignoradas as correções do Cardeal Müller.

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Oh sim, Sua Santidade! Perfeitamente ortodoxa.

Por Christopher A. Ferrara

O biógrafo liberal do Papa Bergoglio, Austin Ivereigh, refere que, durante uma sessão de perguntas e respostas sobre a Amoris Laetitia (AL), na Irlanda Ocidental, o Cardeal Christoph Schönborn fez a revelação assombrosa de que o Papa Bergoglio perguntou se a AL é ortodoxa e que Schönborn respondeu exatamente ao seu chefe aquilo que ele queria ouvir:

[Q]uando ele [Schönborn] encontrou o Papa logo após a apresentação da Amoris, Francisco agradeceu-lhe e perguntou-lhe se o documento era ortodoxo.

“Eu respondi, «Santo Padre, é totalmente ortodoxo»”, Schönborn disse-nos que tinha dito ao Papa, acrescentando que, alguns dias mais tarde, recebeu de Francisco uma pequena nota que dizia: «Obrigado por essa palavra. Isso deu-me conforto.»

Então, se este episódio for verdadeiro, temos um Papa que questiona a ortodoxia do seu próprio ensinamento depois de o publicar! Mas o mesmo Papa ignorou simplesmente a recomendação pré-publicação, com cerca de 20 páginas de correções à AL, do próprio prelado cuja função é examinar documentos papais na sua ortodoxia: o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), a quem o Papa Bergoglio despediu brutalmente através de uma curta nota. Como Edward Pentin informou, nenhuma dessas correções foi aceite.

Confiar em Schönborn para confirmar se um documento que trata de moral sexual é ortodoxo é como confiar num ladrão para confirmar a segurança dos objetos de valor no cofre do quarto. Não foi outro senão Schönborn que, ignorando o ensinamento perentório da Igreja sobre o dever dos católicos de se oporem e recusarem a implementação de qualquer forma de reconhecimento legal das “uniões homossexuais”, declarou alegremente que elas são perfeitamente aceitáveis, desde que não sejam formalmente denominadas casamento: “Pode e deve respeitar-se a decisão de criar uma união com uma pessoa do mesmo sexo, para encontrar instrumentos legais que protejam a sua vida em conjunto e a sua situação com leis que garantam essa proteção.”

A confiança do Papa Bergoglio em Schönborn para dizer o que ele queria ouvir sobre AL data desde o momento em que a desastrosa exortação foi promulgada. Durante uma das suas conferências de imprensa aéreas, o Papa designou Schönborn como intérprete oficial da AL. Referindo-se a ele como “um grande teólogo”, citou a apresentação de Schönborn sobre a AL em resposta à questão de saber se os divorciados “recasados” poderiam ser admitidos à Sagrada Comunhão sem cessar o adultério – a resposta obviamente queria dizer “Sim”, como os eventos subsequentes tornaram claro. Mas Schönborn, nessa apresentação, apenas remeteu para o Papa Bergoglio, citando a AL:

«Ao pensar que tudo é preto e branco, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento, e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus» (AL 205). Ele [Francisco] também nos lembra uma frase importante da Evangelii gaudium, 44: «Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correcta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades»(AL 304).

No sentido desta «via caritatis» (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada «em certos casos». Mas para esse propósito, ele não nos oferece casos de estudos ou receitas, mas simplesmente faz-nos lembrar duas das suas famosas frases: «Quero lembrar aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas sim um encontro com a misericórdia do Senhor» (EG 44), e a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um poderoso remédio e alimento para os fracos» (EG 47) “.

Então, o Papa Bergoglio consulta Schönborn, que por sua vez consulta o Papa Bergoglio, e assegura ao outro que não há nada mal com a AL. No entanto, 20 páginas de correções da CDF são lançadas no lixo e o autor dessas correções é sumariamente destituído do cargo.

Isto é uma piada. Mas a piada é muito instrutiva. Que melhor exemplo poderíamos ter para os estritos limites da infalibilidade papal tal como foi definida – infalivelmente – pelo Concílio Vaticano I? Se não for mais nada, o pontificado bergogliano serviu para quebrar o mito de que o Papa é uma espécie de oráculo divino, cujas expressões são ortodoxas pelo simples facto de um papa as ter proferido.

Como o concílio deixou claro, o Papa ensina infalivelmente somente quando define formalmente como dogma aquilo que a Igreja sempre ensinou em questões de fé e moral; o mesmo ensino constante que também é infalível devido à sua imutabilidade, e não devido ao simples facto de um papa ter feito alguma declaração de doutrina em determinado momento. Fora dessa esfera limitada, o erro papal não é apenas possível, mas, como vemos aqui, é inevitável se um Papa atua imprudentemente e só ouve o que quer ouvir de pessoas de ortodoxia questionável.

À medida que esta farsa caminha para a sua inevitável conclusão, devemos ter em atenção um documento de 1986, especificamente aprovado pelo Papa João Paulo II, onde a mesma CDF, rejeitada pelo Papa Bergoglio porque não lhe diz o que ele quer ouvir, alertou “aos Bispos que sejam particularmente vigilantes em relação aos programas que, de facto, tentam exercer pressão sobre a Igreja a fim de que ela mude a sua doutrina, embora, às vezes, verbalmente neguem que seja assim. Um estudo atento das declarações públicas neles contidas e das atividades que promovem revela uma calculada ambiguidade, através da qual procuram desviar pastores e fiéis.”

Quem poderia ter previsto que o mesmo aviso se aplicaria algum dia a um Papa e aos seus colaboradores? Resposta: a Mãe de Deus, cuja profecia no Terceiro Segredo de Fátima está agora a concretizar-se.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

E depois passaram a três, e agora?

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Por Christopher A. Ferrara

Com a súbita morte do cardeal Joachim Meisner, os quatro “cardeais dos dubia” ficaram reduzidos a três, sem que nenhum deles tenha realizado alguma ação para corrigir os erros da Amoris Laetitia, que se espalharam por toda a Igreja de forma inédita e verdadeiramente apocalíptica, fraturando uma disciplina eucarística universal e bimilenar enraizada na verdade revelada sobre a indissolubilidade do matrimónio e a santidade infinita do Santíssimo Sacramento.

Dadas as idades dos três restantes (Cardeal Brandmüller, 88, Cardeal Caffarra, 79 e Cardeal Burke, 69), uma diminuição adicional do seu número no curto prazo é uma possibilidade real. Perguntamo-nos se todos eles simplesmente passarão desta terra sem nunca terem emitido a prometida “correção formal”. Qual foi então o propósito da sua intervenção pública inicial quando solicitaram respostas aos cinco dubia que esbarraram no intransigente silêncio do Papa Bergoglio durante já quase um ano (como se não conhecêssemos já as respostas)? E qual era o objetivo de solicitar publicamente uma audiência com o Papa quando, como os cardeais ainda vivos certamente sabem, ele não tem intenção de alguma vez se deixar confrontar com seus erros, mas sim todas as intenções de promovê-los com piscadelas de olho, acenos de cabeça, declarações particulares e nomeações estratégicas para o episcopado e para o Colégio de Cardeais?

Entretanto, Bento XVI, o único “Papa Emérito” da história da Igreja – uma novidade que ele próprio inventou – ainda acrescentou mais àquilo que deve ser chamado de dimensão burlesca desta situação incomparável. Numa carta lida no funeral do Cardeal Meisner, ele diz:

Sabemos que este apaixonado pastor teve dificuldade em deixar o seu cargo, especialmente num momento em que a Igreja necessita particularmente de pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época e que vivem e pensam a fé com determinação. No entanto, o que mais me impressionou foi que, neste último período da sua vida, ele aprendeu a deixar passar e a viver de uma profunda convicção de que o Senhor não abandona a Sua Igreja, mesmo se a barca meteu tanta água a ponto de estar à beira de virar.

Considere-se a enorme implicação deste breve texto:

  • Bento XVI abandonou o seu posto, embora soubesse que a Barca de Pedro estava “à beira de virar”.
  • Bento elogia Meisner como um dos “os pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época”, sabendo muito bem que Meisner e os outros três cardeais dos dubia confrontaram nada menos que o Pastor Universal com erros morais de consequências catastróficas, que representam precisamente uma entrega à ditadura do espírito da época, erros sobre os quais Bento nada dirá.
  • Bento diz que “o Senhor não abandona a Sua Igreja” precisamente no momento em que o comportamento do atual ocupante da cadeira de Pedro faz temer que a Igreja tenha, como é impossível, sido abandonada pelo Senhor. Ele escreve como se não tivéssemos um Papa cuja governação é a fonte desse medo.
  • Bento elogia Meisner porque ele “aprendeu a deixar passar” e presume que Cristo protegerá a Igreja, mesmo que os cardeais e os outros membros da hierarquia não façam nada para cumprir o seu dever de defensores da Fé contra um Papa claramente inclinado a impor desastrosas “reformas” que nenhum Papa anterior teria ousado sequer considerar. Meisner, com quem Bento XVI havia falado pouco antes da sua morte, abandonou qualquer intenção de procurar a mais do que razoável “correção formal”?

Na mesma linha, no mês passado, Bento XVI pronunciou esta enigmática observação durante a visita, à sua residência no Vaticano, do Papa Bergoglio acompanhado dos seus cinco novos cardeais que adicionou ao seu corpo crescente de tropas de choque reformistas: “O Senhor vence no final.” É um estranho comentário para se fazer a um grupo de recém-criados cardeais. Estará Bento XVI a sugerir – é difícil evitar a implicação – que o Senhor irá derrotá-los, assim como ao Papa que os criou?

Nessa ocasião – diga-se de passagem – o “Papa Emérito”, que abdicou da cadeira de Pedro porque supostamente não podia continuar a desempenhar os deveres do papado, falou sem esforço com os novos cardeais e fluentemente nas suas várias línguas nativas. Administrou depois uma bênção em conjunto com o Papa Bergoglio, pronunciando as palavras da bênção enquanto Bergoglio permanecia em silêncio, reforçando assim a impressão de que agora existem dois Papas que se posicionam acima dos cardeais e lhes podem dar uma bênção apostólica.

A situação torna-se cada vez mais estranha. A partir de uma perspetiva puramente histórica, seria fascinante. Mas, da perspetiva de Fátima, é a concretização de uma profecia terrível para o nosso tempo. Os fiéis questionam-se: “E agora?”, enquanto esperam a resposta dramática que o Céu certamente providenciará.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 17 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Bergoglio para Bento XVI: aprenda a dizer adeus

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Por Christopher A. Ferrara

Ao longo dos últimos quatro anos, os fiéis católicos habituaram-se a um espetáculo contínuo e sem precedentes na história da Igreja: um Papa que, quase todos os dias, usa o seu púlpito para lançar um manancial, aparentemente inesgotável, de epítetos sobre os católicos ortodoxos que estão justamente perturbados com a orientação do seu pontificado: “rigoristas”, “rígidos”, “legalistas”, “fariseus”, “hipócritas”, “auto-absorvidos prometeanos neo-pelagianos” e assim por diante. Dia após dia, ano após ano, Papa Bergoglio não mostra sinais de cansaço na repetição do mesmo tema, continua como uma agulha de fonógrafo presa no mesmo sulco do mesmo velho disco.

Porém, em março, como observa Antonio Socci num artigo que não recebeu a devida atenção, o Papa Bergoglio apresentou um novo vilão du jour a partir do púlpito de Santa Marta: o pastor “que não sabe dizer adeus e pensa que é o centro da história, “o pastor que não sabe que “deve sair completamente, não a meio caminho… e sem se apropriar das ovelhas para si mesmo”.

A quem precisamente poderia o Papa Bergoglio estar aqui a referir-se? Temos uma boa ideia de quem possa ser, mas o Vatican Insider, ao qual Socci apelida de “o site ultrabergogliano”, não deixou qualquer espaço à imaginação. A sua reportagem sobre este sermão incluiu uma fotografia do Papa Bento XVI a sair do Vaticano de helicóptero, em direção a Castel Gandolfo, no dia em que a sua misteriosa “renúncia” ao “ministério de Bispo de Roma” entrou em vigor.

É óbvio que o Papa Bergoglio visava Bento XVI, uma vez que esta denúncia seguiu-se quase imediatamente à publicação do livro do Cardeal Sarah sobre o estado da liturgia, intitulado “O Poder do Silêncio: Contra a Ditadura do Ruído”, para o qual Bento XVI, como ” Papa Emérito “, escreveu um pós-escrito bastante devastador. Bento XVI declara que com Sarah à frente da Congregação para o Culto Divino, “a liturgia está em boas mãos”. No entanto, como sabemos, o Papa Bergoglio despediu todos os membros da Congregação exceto Sarah, substituindo-os por progressistas litúrgicos à sua volta, precisamente para deixar Sarah isolado e sem poder, de modo a que a incessante decadência da liturgia Novus Ordo possa continuar sem cessar.

Como mostra Socci, a aparição do pós-escrito de Bento XVI levou o líder da claque bergogliana, Andrea Grillo, a declarar que Bento “renunciou à sua renúncia” e estava agora a intrometer-se “nas decisões do seu sucessor” – referindo-se à decisão de neutralizar o Cardeal Sarah sem o demitir. Consequentemente, o Papa Bergoglio introduziu uma nova categoria de vilão voraz no caminho da sua “reforma irreversível” da Igreja que inclui a Sagrada Comunhão para adúlteros públicos: o pastor que não diz adeus.

Aqui, como de costume, temos a torção bergogliana das Escrituras para atender às necessidades retóricas do momento. No seu polémico sermão, o Papa Bergoglio cita o episódio de São Paulo quando parte de Éfeso, como um exemplo do pastor que sabe dizer adeus e não tenta levar as ovelhas com ele.

Mas ao citar o exemplo de São Paulo em Éfeso, observa Socci, o Papa Bergoglio marcou um golo espetacular na sua própria baliza, uma vez que São Paulo foi conduzido de Éfeso por um tumulto “orquestrado pelos ourives que lucravam com a manufatura de ídolos”, e São Paulo advertiu que, após a sua partida, “lobos raivosos” entrariam no seu rebanho, introduzindo “doutrinas perversas para atrair discípulos para si mesmos”.

É um convite à risada que o Papa Bergoglio, mais uma vez, aponte o dedo para si mesmo enquanto lança acusações sobre outros – desta vez sobre o seu próprio antecessor no cargo. Porém isso não é motivo de riso, mas sim outro sinal de que o pontificado bergogliano é provavelmente a fase terminal de uma crise eclesiástica cuja resolução terá de envolver uma intervenção divina do tipo mais dramático.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 6/2017

Francisco diz que ele é o “Bispo Vestido de Branco”

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Por Christopher A. Ferrara

Amanhã, em Fátima, o Papa Francisco canonizará a Jacinta e o Francisco, valorizando ainda mais o evento de Fátima na vida da Igreja ao elevar dois dos três videntes aos altares. Sem embargo, em ainda mais uma volta contorcida para o mistério labiríntico do Terceiro Segredo, a oração que ele recitará no santuário de Fátima contém esta declaração surpreendente:

Salve Mãe de Misericórdia, Senhora da veste branca! Neste lugar onde há cem anos a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus, olho a tua veste de luz e, como bispo vestido de branco, lembro todos os que, vestidos da alvura batismal, querem viver em Deus e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.

A auto-descrição do Papa Bergoglio como um “bispo vestido de branco” evoca claramente a visão do Terceiro Segredo, publicada em 26 de junho de 2000, cuja descrição textual, registada pela Irmã Lúcia, inclui o seguinte: «E vimos numa luz imensa que é Deus “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.»

Certamente isto não é coincidência, mas antes uma alusão propositada. A referência do Papa Bergoglio às vestes brancas batismais não é particularmente relevante para a ocasião de amanhã. Pelo contrário, parece projetada para estabelecer uma referência a si mesmo como um bispo vestido de branco.

Isto levanta uma curiosa questão sobre o que a Irmã Lúcia registou. Porque terá escrito ela sobre o misterioso “bispo vestido de branco” que “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”? Porquê apenas um “pressentimento”? Não terá Nossa Senhora informado os videntes com exatidão sobre quem era o bispo vestido de branco? Afinal, Ela foi perfeitamente clara sobre todos os outros detalhes da Mensagem de Fátima, incluindo o próprio nome do Papa (Pio XI) que reinaria no início da II Guerra Mundial. Porque razão identificaria, Nossa Senhora, pelo nome o Papa que reinaria no início da II Guerra Mundial mas não identificou o bispo vestido de branco, executado por um grupo de soldados fora da cidade devastada, deixando os videntes apenas com um “pressentimento” de que é o Santo Padre?

Ou é o Santo Padre? O bispo branco e o Santo Padre são a mesma pessoa ou são duas pessoas diferentes? Convém não esquecer que, pela primeira vez na história da Igreja, existem de facto dois “bispos vestidos de branco” a viver no enclave do Vaticano, ambos conhecidos por nomes papais, um dos quais se refere a si mesmo, sendo também referido pelo Papa Bergoglio, como “Papa Emérito”.

Como devemos entender o facto de o Papa Bergoglio aparentemente se ter colocado no cenário pós-apocalíptico retratado na visão, não havendo nenhuma outra explicação plausível para o porquê de, precisamente em Fátima, ele se descrever com a frase exata utilizada na visão do Terceiro Segredo? Além disso, se o Papa Bergoglio se vê a si mesmo como o “bispo vestido de branco”, será que, contrariamente ao Papa Bento XVI, ele descarta a ridícula “interpretação” do Cardeal Sodano de que o bispo vestido de branco executado por soldados é João Paulo II a não ser executado por um assassino solitário? Será que ele tem razão para acreditar que é ele o bispo vestido de branco que encontra a morte numa das colinas fora da devastada cidade de Roma?

Mais uma vez vemos por que tem de haver um texto no qual a própria Virgem explica o sentido e o significado de cada detalhe da visão enigmática, tal como o fez com o resto da Mensagem de Fátima. Entre outras coisas, Ela teria naturalmente esclarecido o “pressentimento” de que o bispo executado na visão é o Papa.

No estado a que as coisas chegaram, o “Terceiro Segredo” que o Vaticano apresentou ao mundo – a visão por si só – não produziu mais do que interpretações contraditórias, em vez da orientação certa que a Mãe de Deus seguramente queria fornecer à Igreja e ao mundo. Não, alguma coisa falta. E mais cedo ou mais tarde será revelada.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 12 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2017

O “Papa Emérito” sobre a Amoris Laetitia: um devastador “sem comentários”

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Por Christopher A. Ferrara

Desde a misteriosa abdicação de Bento XVI do trono papal – para a qual os fiéis receberam explicações momentâneas e insatisfatórias – ouvimos, por diversas vezes, do secretário pessoal de Bento XVI, D. Georg Gänswein, o quão “sereno” e “em paz” Bento XVI se mostra em relação à sua inédita decisão. Tão sereno e em paz, de acordo com Gänswein, que nem poderia preocupar-se menos com o tumulto bergogliano que dividiu a Igreja como nunca anteriormente – em relação a uma questão da lei moral tão básica como o Sexto Mandamento.

Como relata o impressionante Edward Pentin, em entrevista ao La Repubblica – a enésima tentativa de assegurar-nos de que não havia nada de errado com a abdicação de Bento XVI – Gänswein revela que Bento “recebeu pessoalmente de Francisco uma cópia da Amoris Laetitia [AL], branca e autografada” e que “Ele leu-a cuidadosamente, mas não comentou de forma alguma o conteúdo”.

Sem comentários? Essa resposta não poderia ser mais reveladora. Se o único Papa Emérito da história da Igreja – uma novidade que o próprio Bento inventou – não vai defender a ortodoxia da AL, a sua falta de vontade para o fazer não pode ser vista como outra coisa senão como um reconhecimento implícito de que o seu conteúdo, em particular o Capítulo 8, é indefensável. Caso contrário, porque não declararia simplesmente, o “Papa Emérito”, que o ensinamento do seu próprio sucessor é doutrinariamente correto? Resposta: ele não o declarará porque sabe que isso não seria honesto.

Em vez disso, como Bento XVI se retirou da cadeira de Pedro, retirou-se também do caos que se seguiu à sua abdicação. Como refere Pentin, Gänswein “disse que o ex-Papa está bem ciente dos contrastes [!] gerados entre ele e o Papa Francisco, mas não se deixa provocar por eles” e “não tem intenção de entrar em controvérsias que se sentem longe dele”.

Longe dele? Mas Bento XVI vive no que ele mesmo chamou o “recinto de São Pedro”, na sua última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, dia anterior à sua renúncia ao “ministério de Bispo de Roma”. Assim, pelo menos de acordo com Gänswein, Bento não só renunciou ao papado, mas também renunciou a qualquer preocupação sobre o estado da Igreja dirigida por Francisco! Em vez disso, Gänswein tem o prazer de reportar (como Pentin sumarizou) que “o Papa Emérito continua a ver os noticiários televisivos às 20h, recebe o L’Osservatore Romano e o Avvenire, jornal dos bispos italianos, assim como os comunicados do Vaticano”.

Então, se acreditarmos em Gänswein, Bento XVI está mais interessado nos noticiários da noite do que no caos eclesial que o Papa Bergoglio provocou, que está “muito longe” dele, ainda que ele viva no Vaticano como vizinho de Bergoglio, que o usa para exibição pública em determinadas ocasiões.

Quanto a esse caos, Gänswein dirá apenas que “Certamente ele [Bento XVI] está atento à discussão e às diferentes formas em que tem sido implementada.” Diferentes formas? Temos agora uma situação em que o acesso à Sagrada Comunhão por pessoas envolvidas em relações sexuais adúlteras a que eles chamam “segundos casamentos” ainda é considerado um pecado mortal em algumas dioceses, no entanto é agora caracterizado como “misericórdia” em outras, inteiramente graças à AL . Mas como Gänswein diria, este desastre está “muito longe” do Papa Emérito, que no entanto permanece atento aos “noticiários noturnos às 20 horas”.

Eu não compro isso. Há algo muito suspeito nestas repetidas declarações sobre o que Bento XVI pensa e sente, enquanto o próprio Bento nunca fala diretamente ao público. Sinto o mesmo cheiro a esturro que envolve todo o evento da abdicação de Bento XVI. Ou melhor, cheira a enxofre.

Creio que não nos foi contada metade da história sobre o porquê de termos um Papa Emérito que abruptamente abandonou o seu gabinete apenas para ser sucedido por um Papa para quem o termo “Vigário de Cristo” parece – sejamos honestos – espetacularmente inadequado. Suspeito que a história completa seja encontrada na explicação da Virgem sobre a visão apocalíptica do “Bispo vestido de Branco”, uma explicação que existe de certeza e foi suprimida pelos mesmos cuja conduta o Terceiro Segredo provavelmente acusa.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 13 de abril de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2017

Papa canonizará a Jacinta e o Francisco. Mas, e a Lúcia?

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Por Christopher A. Ferrara

O Vaticano anunciou que os videntes de Fátima, Jacinta e Francisco, já beatificados por João Paulo II, vão ser canonizados pelo Papa Bergoglio, depois da recente aprovação de um segundo milagre atribuído à sua intercessão. A cerimónia terá lugar provavelmente em Maio, durante a peregrinação do Papa a Fátima.

São realmente boas notícias e há muito esperadas. Mas há algo mais a respeito do acontecimento de Fátima também muito esperado: a canonização da Irmã Lúcia. Ela é claramente a principal vidente, a quem foi concedida uma vida longa neste mundo com o propósito de registar e dar a conhecer as revelações da Virgem. A Jacinta e o Francisco faleceram no espaço de três anos após as aparições. Na verdade, a Virgem profetizou perante a Lúcia que os seus dois primos iriam deixar brevemente este mundo, mas que ela teria de permanecer “mais algum tempo”. Como Nossa Senhora explicou à Lúcia: “Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar.”

Foi Lúcia a quem Nossa Senhora ordenou que aprendesse a ler e a escrever para cumprir sua missão terrena, uma ordem que ela obedeceria, abandonando a sua infância em 1921 para ingressar no internato de um convento.

Foi a Lúcia que escreveu as quatro Memórias e a volumosa correspondência que preservaram o acontecimento de Fátima em todos os seus detalhes e com todas as suas implicações – sobretudo o Grande Segredo revelado a 13 de julho de 1917, incluindo sua terceira parte, vulgarmente conhecida como o Terceiro Segredo de Fátima.

Foi Lúcia quem se tornou uma freira de clausura em Espanha e foi informada por Nossa Senhora em 1929, em Tuy, que “chegou o momento” para a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Foi Lúcia quem, ao longo de toda uma vida de testemunho, contradisse a afirmação absurda de que a Rússia poderia ser consagrada sem a referência específica à Rússia (pois os habilidosos membros do aparelho do Vaticano consideraram inoportuno seguir as instruções explícitas de Nossa Senhora, de modo a não ofender os russos com tamanha obscenidade não-ecuménica).

Foi Lúcia quem, na sua Quarta Memória, gravou as linhas iniciais do Terceiro Segredo fazendo antever uma profecia mariana relativa a uma grande crise de fé e de disciplina na Igreja: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.” – palavras da Virgem evitadas pelo Vaticano como se fossem uma praga e cuja omissão flagrante na narrativa “oficial” de Fátima recusa a explicar.

E foi Lúcia quem, no final dos anos 90, advertiu o cardeal Caffarra sobre a batalha que estamos a assistir desde o “Sínodo sobre a Família” e da publicação da desastrosa Amoris Laetitia: “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o Matrimónio e a Família”.

Tudo isto devemos à Irmã Lúcia dos Santos e só a ela. Ainda assim, apesar de a sua causa de beatificação ter sido acelerada durante o reinado de Bento XVI (que prescindiu do normal de período de espera de cinco anos), ela ainda não foi beatificada, enquanto os seus dois primos serão brevemente elevados aos altares.

Porquê? Por que razão concreta o Papa Bergoglio não exerceu a sua suprema autoridade apostólica para acelerar o processo de canonização de Lúcia, dado que o seu processo de beatificação se encontrava, em fevereiro, finalmente concluído ao nível diocesano? Ele não mostrou qualquer hesitação em prescindir dos comuns trâmites processuais em outros casos. Sendo o mais conhecido, aquele em que dispensou a habitual necessidade de dois milagres para canonizar João XXIII, baseando-se apenas num relato pouco substancial de uma cura milagrosa (de uma hemorragia gastro-intestinal reportada a 1966, sem nada desde então).

Como observa ironicamente o jornal Washington Post: “Em três casos, Francisco elevou santos que não possuiam um único milagre satisfatoriamente confirmado”. O método empregado denomina-se canonização “por equipolência”, que a Rádio Vaticano explicou da seguinte forma, depois de Francisco o ter empregado para canonizar dois canadianos na ausência de milagres verificados: “Quando há uma devoção forte entre os fiéis relativamente a homens e mulheres santos que não foram canonizados, o Papa pode optar por autorizar sua veneração como santos sem passar por todo esse processo.”

A impressão que fica é a de um lento arrastar do reconhecimento da inegável santidade e virtude heroica da vidente de Fátima a quem o Céu atribuiu a missão de dar a conhecer a Mensagem de Fátima e preservar o seu conteúdo para a posteridade. Talvez este estado de coisas tenha algo a ver com o facto de a Irmã Lúcia ser portadora de más notícias para o aparelho do Vaticano que presidiu ao colapso da fé e da disciplina que a Igreja sofreu desde o Vaticano II. Precisamente, a crise que, sem dúvida, foi anunciada naquela parte do Terceiro Segredo que o Vaticano considerou inadmissível porque acusa uma grande parte da atual liderança da Igreja – desde topo.

A Jacinta e o Francisco, por outro lado, podem ser canonizados sem qualquer referência ao conteúdo explosivo da Mensagem que Irmã Lúcia fielmente registou e defendeu incansavelmente contra um revisionismo de Fátima que reduziu todo o acontecimento de Fátima a uma mera prescrição de oração pessoal e penitência, eliminando as suas inconvenientes profecias admoestadoras, incluindo aquela que se refere a uma hierarquia infiel.

O leitor que decida qual é o motivo para esta aparentemente inexplicável disparidade de tratamento para com uma dos três videntes de Fátima. Para mim, no entanto, a conclusão parece óbvia: a Irmã Lúcia é uma indesejada mensageira cuja mensagem indesejada seria certificada com a sua canonização.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 24 de março de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Bento XVI foi afastado do ofício pelos “lobos” que referiu? Uma “carta fatídica”? O mistério aprofunda-se.

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Por Christopher A. Ferrara

A história gravará para sempre as chocantes palavras do recém-eleito Papa Bento XVI na Missa de inauguração do seu pontificado: “Rezem por mim, para que eu não fuja por medo dos lobos.” Tais palavras tornaram-se numa profecia.

Os “normalistas” que insistem que não há nada de errado com o atual pontificado – um grupo cujo número de membros tem diminuindo rapidamente – apresentam-se imperturbáveis pelo modo absolutamente sem precedentes pelo qual Bento XVI deixou a Cadeira de Pedro: mantendo o nome papal, as vestes papais, a insígnia papal, a residência papal no Vaticano e, como Bento XVI afirma, o aspeto “passivo” do ofício petrino (oração e contemplação) como o primeiro “Papa Emérito da história da Igreja.

Se um bispo emérito ainda é bispo, não será um Papa Emérito ainda Papa? Se assim não for, será o título de “Papa Emérito” nada mais que um disparate vazio? Mas se ele ainda se considera de alguma forma um Papa, como se explica dois Papas a viver no Vaticano? Como poderia um Papa que renuncia a seu cargo ser ainda de algum modo Papa, se a eleição para o papado não produz qualquer mudança ontológica no homem – tal como uma marca indelével na alma, como acontece com a ordenação sacerdotal ou com a consagração episcopal – mas apenas lhe confere o ofício papal que, neste caso, foi supostamente renunciado?

Eu não proponho respostas definitivas a estas questões. O que é todavia mais provável é que Bento XVI tenha fugido do papado assumidamente por causa da incapacidade para suportar as suas exigências, devido à sua idade avançada. Mas terá ele fugido por medo dos lobos que claramente viu no início do seu curto pontificado? E quem são esses lobos?

O mistério não só continua como se aprofunda mais a cada dia que passa do tumulto bergogliano. Agora aparece um Mons. Luigi Negri, amigo de Bento XVI, que declara em entrevista ao Rimini2.0 que a abdicação de Bento XVI é “um gesto inaudito” tomado quando estava “sob enorme pressão”. Mas que tipo de pressão e por quem foi aplicada? Negri classifica corretamente o caso como “um mistério muito sério” e promete que, quando o seu “fim do mundo pessoal” chegar , a “primeira pergunta que eu farei a São Pedro será precisamente sobre este assunto”.

Curiosamente, após a entrevista de Negri, o antigo porta-voz do Serviço de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, proferiu uma negação pró-forma, citando a declaração de Bento XVI, proferida numa entrevista com Peter Seewald, em que afirmava que havia renunciado ao “exercício” do ofício petrino “em plena liberdade e responsabilidade”. Não houve, ainda assim, qualquer declaração de Bento XVI em resposta ao seu amigo Mons. Negri.

Agora, a frase “plena liberdade e responsabilidade” não é inconsistente com uma renúncia sob pressão. Ninguém está a sugerir que alguém tenha colocado uma arma na cabeça de Bento XVI ou negado de outra forma a sua livre vontade. Não, a questão é se a resignação seria, ainda assim, motivada até certo ponto pelo medo de algo que possa ter influenciado indevidamente a sua vontade: o “medo dos lobos” que o próprio Bento XVI mencionara. Se esse medo cresceu ou não ao ponto de invalidar a resignação e se “os lobos” foram quem aplicou a pressão, cabe a cada católico exigir saber quem são eles e estar de guarda perante os seus próximos movimentos e esquemas que estiverem a tramar.

Neste sentido, o mistério aprofunda-se. O aparentemente muito bem relacionado bloguista italiano de pseudónimo “Fra Cristoforo”, cujo blogue Anonimo della croce afirma ter fontes dentro Casa Santa Marta, respondeu à negação do Pe. Lombardi com uma reivindicação explosiva: “Dentro de um mês, Anonimo della croce terá a capacidade de publicar o conteúdo da carta fatídica que Bento recebeu antes de decidir a demissão”.

“Fra Cristoforo” continua:

“Além disso, o padre Lombardi, como tantos outros jornalistas, deve permanecer em silêncio sobre este assunto. Porque as razões para a renúncia do Papa Ratzinger não são banalidades. São razões sérias. E não foi por causa da saúde débil ou de outras razões teológicas. Mas por razões sérias, muito sérias… Sobre este assunto, publicaremos daqui a um mês.”

Talvez dentro de um mês alguma luz seja finalmente derramada sobre a misteriosa, sem precedentes e estranhamente qualificada renúncia do Papa Bento XVI, um evento que deve figurar na profecia do Terceiro Segredo de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 10 de março de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Para 2017, mais do mesmo: política de esquerda embrulhada em linguagem de piedade católica

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Por Christopher A. Ferrara

Enquanto católicos do mundo inteiro, desde cardeais até aos simples fiéis nos bancos das igrejas, olham para este pontificado com crescente alarme e consternação, não há sinal algum de que Francisco vire uma nova página com o início do novo ano.

Como parte do seu programa de tentar refazer a Igreja à sua própria imagem, Francisco nunca perde uma oportunidade de condenar os católicos ortodoxos nas suas declarações, sermões e observações casuais, os quais, incansavelmente, promovem itens da agenda política e social que nenhum democrata consideraria ofensiva. Tais itens são geralmente transmitidos no contexto de piedosas referências a Nosso Senhor e Sua Mãe.

A véspera de Ano Novo de 2016 não foi exceção. A homilia de Francisco nas Vésperas e Te Deum começa de forma promissora, num tom de boa piedade católica, com uma citação da Sagrada Escritura: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl 4, 4-5).

Mas já sabemos o que vem a seguir, depois de quase quatro anos de experiência nessa mistura latino-americana de piedade populista e política de esquerda conhecida como Bergoglianismo: o Evangelho será transformado num manifesto de justiça social e os fiéis católicos que defendem a ortodoxia serão novamente caricaturados. Pois o homem é incansável na busca da sua “visão” da Igreja. Deste modo, lemos nos seguintes parágrafos:

“Em Cristo, Deus não Se mascarou de homem, fez-Se homem e partilhou em tudo a nossa condição. Longe de se encerrar num estado de ideia ou essência abstrata, quis estar perto de todos aqueles que se sentem perdidos, mortificados, feridos, desanimados, abatidos e amedrontados; perto de todos aqueles que, na sua carne, carregam o peso do afastamento e da solidão, para que o pecado, a vergonha, as feridas, o desconforto, a exclusão não tenham a última palavra na vida dos seus filhos.

O presépio convida-nos a assumir esta lógica divina: não uma lógica centrada no privilégio, em favores, no compadrio; mas a lógica do encontro, da aproximação e da proximidade. O presépio convida-nos a abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros. O próprio Deus veio quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão, que faz resplandecer em cada pessoa a dignidade para que foi criada. Um menino envolto em panos mostra-nos a força de Deus que interpela como dom, como oferta, como fermento e oportunidade para criar uma cultura do encontro.”

Observe-se a transformação subtil do Cristo Redentor, que se tornou homem para libertar a humanidade caída pelo peso do pecado, da vergonha e do desespero, como lemos no primeiro parágrafo, no Cristo ativista social do segundo parágrafo, que veio para “abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros“, para “quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão” e para criar “uma cultura do encontro”.

Não, Cristo não veio para abolir privilégios, condenar a “exclusão” ou promover a “inclusão” e uma “cultura do encontro”. A sua missão não envolveu nenhum desses slogans de esquerda. Esse é o falso cristo da Teologia da Libertação. O Cristo verdadeiro recusou tal missão de justiça social em favor da Sua vocação divina: redimir, através do Seu sacrifício de valor infinito, o homem caído. Com esse sacrifício, Ele conquistou para os homens a graça de obedecer aos Seus mandamentos para que, conforme São Paulo alertou aos Filipenses, eles pudessem “com temor e tremor trabalhar pela [sua] salvação.” (Fl 2, 12)

Conforme o próprio Nosso Senhor disse aos discípulos que murmuravam contra a mulher que havia gasto um caro perfume nos Seus pés sagrados em vez de vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres: “Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura (Mt 26, 10-13).”

É claro que os cristãos têm o dever de ajudar os pobres e aliviar o seu sofrimento; e a Igreja sempre ensinou que os bens desta terra têm um destino universal e não pertencem exclusiva e absolutamente a seus possuidores imediatos. Mas Cristo não veio para extinguir a pobreza – que é inextinguível – para redistribuir a riqueza, ou para promover a “inclusão” – tal como as fronteiras abertas e a sociedade plurirreligiosa que Francisco exige para sua “cultura do encontro”.

Depois, inevitavelmente, vem uma condenação dos católicos ortodoxos, que Francisco agora parece incluir em praticamente todas as declarações sobre qualquer assunto – as quais, de alguma forma, sempre regressam ao mesmo assunto. Diz Francisco:

“Quando chega ao fim mais um ano, paremos diante do presépio para agradecer todos os sinais da generosidade divina na nossa vida e na nossa história, que se manifestou de inúmeras maneiras no testemunho de tantos rostos que anonimamente souberam arriscar. Agradecimento esse, que não quer ser nostalgia estéril nem vã recordação do passado idealizado e desencarnado, mas memória viva que ajude a suscitar a criatividade pessoal e comunitária, pois sabemos que Deus está connosco. Deus está connosco!”

Nostalgia estéril e recordações vazias de um passado idealizado e desencarnado – é assim que Francisco caracteriza incessantemente os defensores da ortodoxia católica e a tradicional disciplina que protege a verdade salvadora de Cristo perante os compromissos que condenam almas. E quem serão aqueles que “anonimamente souberam arriscar” para promover a “criatividade comunitária”, os quais, segundo Francisco, são aqueles cujo “testemunho” é verdadeiramente cristão? Como se nós não soubéssemos: são aqueles que, com ele, aceitam que adúlteros públicos em “segundos casamentos” recebam a Sagrada Comunhão – a grande obsessão deste bizarro pontificado.

Virando-se para os jovens, Francisco conclui com mais do “Evangelho social” que ignora o bem-estar eterno das almas:

“Criamos uma cultura que por um lado idolatra a juventude procurando torná-la eterna, mas por outro, paradoxalmente, condenamos os nossos jovens a não possuir um espaço de real inserção, porque lentamente os fomos marginalizando da vida pública, obrigando-os a emigrar ou a mendigar ocupação que não existe ou que não lhes permite projetar o amanhã. Privilegiamos a especulação em vez de trabalhos dignos e genuínos que lhes permitam ser protagonistas ativos na vida da nossa sociedade. Esperamos deles e exigimos que sejam fermento de futuro, mas discriminamo-los e «condenamo-los» a bater a portas que, na maioria delas, permanecem fechadas.”

Esta é então  a esperança de Francisco para os jovens durante o próximo ano: não que sejam libertados, pela graça de Deus, de uma cultura corrompida e voltem as costas ao pecado, olhando para o seu destino eterno, mas antes que encontrem bons empregos. Cristo não estabeleceu a Sua Igreja sob a liderança terrena do Vigário de Cristo para que o Papa pudesse exigir o pleno emprego dos jovens, a “inclusão” e a “cultura do encontro”. O ofício petrino é a pedra sobre a qual a fé e a moral assentam e através da qual são preservados – como tem sido transmitido através dos séculos – para a salvação das almas. Mas Francisco – e isto deve ser dito – não parece muito interessado nos atributos desse ofício.

E parece que podemos esperar mais da mesma propaganda vazia de justiça social em 2017. A não ser que aconteça uma milagrosa mudança de coração, Francisco continuará a empregar a linguagem da piedade católica e os nomes de Cristo e de Sua Santíssima Mãe para promover os mesmos objetivos sociopolíticos que seriam agradáveis a Hillary Clinton, enquanto condena os católicos que procuram perseverar na fé integral dos seus antepassados.

É arriscado fazer previsões, contudo, mesmo a partir de uma perspetiva humana falível, este absurdo não pode continuar por muito mais tempo sem uma correção dramática proveniente do alto. O Ano de Nosso Senhor 2017 promete ser preenchido com esse tipo de drama.

Nossa Senhora de Fátima, defendei a Vossa Igreja!

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 3 de janeiro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com (citações na tradução oficial do Vaticano)

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 1/2017

“Papa Emérito” Bento XVI administra Bênção Conjunta dos novos cardeais criados por Francisco – O que se passa aqui?

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Por Christopher A. Ferrara

Mais outro estranho espetáculo no reinado do Papa Bergoglio. Após a elevação dos seus dezassete novos cardeais, confiáveis e progressistas, Francisco carregou-os em dois mini-autocarros para a pequena volta até ao convento onde o Papa Emérito Bento reside. Ali, Bento XVI administrou com Francisco uma bênção conjunta aos dezassete, dando assim mais crédito à absoluta novidade de dois Papas vivendo ao mesmo tempo: um Papa ativo e o outro, uma espécie de Papa auxiliar passivo para ser exibido em ocasiões especiais. Incluindo os dois consistórios anteriores conduzidos por Francisco.

Neste sentido, Antonio Socci chamou recentemente a atenção para uma entrevista do cardeal Gerhard Müller, nada menos que o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a respeito de um pequeno livro seu que acaba de ser publicado com o estranho título de «Bento XVI e Francisco, sucessores de Pedro, ao serviço da Igreja». Durante a entrevista, Müller deixou claro que ele pensa que, de facto, existem – de alguma forma, em algum sentido – dois Papas residindo atualmente no Vaticano:

«Na verdade, vivemos uma fase muito especial na história da Igreja: temos o Papa, mas também o Papa Emérito… Bento e Francisco são dois homens de Deus, não pensam na sua própria vantagem, nos seus próprios interesses, mas estão plenamente dedicados à missão dos sucessores de Pedro, e isto é uma grande riqueza para a Igreja.»

Estão dedicados? Como exatamente Bento está atualmente dedicado à «missão dos sucessores de Pedro» se, de facto, ele renunciou completamente ao papado? E se não renunciou completamente a esse ministério, como poderia ele simplesmente ter renunciado? Porquê exatamente é uma «grande riqueza» para a Igreja termos um Papa que abdicou do papado, mas decidiu que se chamaria «Papa Emérito», algo inaudito na Igreja durante os 2000 anos anteriores? Estará Müller a sugerir que essa “riqueza” consiste em ter mais do que um Papa ao mesmo tempo? Mas como pode haver dois papas simultaneamente vivos?

Socci observa com razão: «…a agora tem sido dito que o papado não pode ser um “ministério partilhado” por dois Papas, nem o papa Bergoglio aceitou essa “partilha”… O enredo aumenta porque [Müller] volta a focar a estranha “renúncia” de Bento XVI. Que renúncia se ele permanece como Papa, um Papa que continua a desempenhar “plenamente” o ministério petrino.» Socci já lidou o suficiente com este absurdo, e eu junto-me a ele no desgosto. Como diz o título do seu artigo acerca dos comentários de Müller: «Quanto tempo poderá ele fingir que não entende? E por que não esclarece como as coisas são?»

Em quase quatro anos do pontificado Bergogliano tudo é confusão, e a confusão aprofunda-se a cada semana que passa. Tem-se a sensação de que a Igreja e o mundo precipitam-se em direção a esse cenário apocalíptico retratado na visão referente ao Terceiro Segredo de Fátima, onde é visto “um Bispo vestido de Branco”, mas os videntes apenas “tiveram a impressão de que era o Santo Padre? “Porquê apenas uma impressão? Porquê a incerteza? Como terá Nossa Senhora de Fátima esclarecido a impressão, eliminando assim a incerteza? Quem é o bispo vestido de branco, visto que agora existem dois deles vivendo no Vaticano?

Somente o texto do Terceiro Segredo que está ainda por ver contém as respostas a essas perguntas. Na sua ausência, podemos apenas especular: O que se passa aqui?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 24 de novembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 11/2016

“São” Martinho Lutero aparece no Vaticano

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Por Christopher A. Ferrara

A Irmã Lúcia de Fátima não estava a ser melodramática quando falou de “desorientação diabólica” na Igreja, à luz do Terceiro Segredo. Se essa frase não descreve os quase quatro anos do atual pontificado até agora, então as palavras perderam o seu significado.

Na sua totalidade, o mundo católico sabe agora que no dia 13 de outubro de 2016, no aniversário do Milagre do Sol em Fátima, o Papa Francisco ignorou Nossa Senhora e, em alternativa, comemorou Martinho Lutero perante uma audiência de luteranos numa “peregrinação ecuménica” na Sala de Audiências Paulo VI.

O grupo luterano, oriundo da Alemanha, era liderado por falsos clérigos luteranos, incluindo uma mulher de luterana em vestes clericais que parecia pensar que era uma bispa. Francisco parece pensar assim também, ao cumprimenta-la calorosamente com os outros falsos bispos luteranos, a quem ele se referiu explicitamente como bispos. Durante o evento, uma estátua do arco-herege partilhou o palco com Francisco – acrescentando mais um escândalo sem precedentes aos anais da tumultuada época pós-conciliar.

A audiência com luteranos fazia parte da preparação para a espantosa viagem de Francisco à Suécia, de 30 a 31 de outubro, onde irá “comemorar” a “Reforma” que destruiu a unidade da cristandade. Francisco vai participar num “serviço de oração” ecuménico com alguns dos falsos clérigos luteranos que aparentemente presidem a “Igrejas Luteranas” dentro da Federação Luterana Mundial. Estes órgãos, como é claro, são as organizações meramente humanas que devem a sua origem a um maníaco inimigo da Igreja e do papado que violou os seus votos sacerdotais, casou-se com uma freira, era um bêbado insolente, e foi excomungado depois de despejar uma corrente de erros infalivelmente anatematizados pelo Concílio de Trento.

É inconcebível que um Pontífice Romano pudesse, de algum modo, honrar a memória e o “legado” ruinoso daquele que foi o maior herege na história da Igreja Católica. Pior ainda, no entanto, é a aparente indiferença de Francisco perante a condição espiritual dos luteranos, que se encontram sem sacerdócio válido e, portanto, sem o sacramento da confissão ou a Sagrada Eucaristia.

A esse respeito, a audiência de 13 de outubro, sobre a qual escrevi extensivamente noutro sítio, é notável por esta declaração de Francisco à sua audiência luterana, referindo-se à correta abordagem perante as pessoas que não professam qualquer religião:

O que devemos dizer para convencê-los? Ouçam! A última coisa que devemos fazer é dizer: Você deve viver como um cristão – escolhido, perdoado e crescendo em virtude [in cammino, fig.]. Não é correto [lecito] convencer alguém com a sua fé. Proselitismo é o grande veneno contra o caminho do ecumenismo [aplausos].

A denúncia do “proselitismo” que, no claro entendimento de Francisco, significa qualquer tentativa de persuadir os outros com as verdades do cristianismo, significaria, na prática, o abandono da atividade missionária da Igreja em favor de um vago “testemunho” sob a forma de boas obras. Se os Apóstolos, bem como os grandes santos e corajosos missionários que os seguiram geração após geração, tivessem adotado a visão de Francisco sobre a missão da Igreja, a Igreja nunca teria convertido o mundo e talvez tivesse morrido em Jerusalém.

Pois, como ensina São Paulo: “Portanto, a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo (Rm 10:17).” Neste sentido, no seu Juramento contra o Modernismo – abandonado após o Concílio Vaticano II – o Papa São Pio X exigia a todos os clérigos católicos e teólogos que afirmassem que a fé é o verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora ex auditum [pela pregação], pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente verdadeira, nós cremos em tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

É portanto um absurdo exigir aos católicos que se abstenham de qualquer esforço para convencer os outros na Fé. Mas deixando de lado esse disparate, como podemos compreender a noção de que os luteranos sentados diante de Francisco na sala de audiências, privados dos sacramentos da Confissão e da Santa Comunhão, são todavia “escolhidos, perdoados e crescendo em virtude”? Como podem eles ser escolhidos, perdoados e crescendo em virtude sobrenatural sem os sacramentos que Cristo instituiu para a salvação das almas? E se eles podem ser, então que utilidade terão os sacramentos para alguém? Eles seriam simplesmente supérfluos.

Como o Concílio de Trento declarou infalivelmente:

CÂNONE IV – Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça da justificação — ainda que nem todos [os sacramentos] sejam necessários para cada um — seja anátema.

Mas parece que, para Francisco, os sacramentos são supérfluos e que os luteranos estão corretos na sua crença herética “uma vez salvo, salvo para sempre” – apenas pela fé. Ou então Francisco pensa que os luteranos, de alguma forma, possuem os sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão sem um sacerdócio válido para os ministrar.

Em qualquer dos casos, temos um Papa que parece pensar que a adesão à Santa Igreja Católica não é verdadeiramente importante para a salvação das almas e que os luteranos são salvos em “igrejas” que toleram, não só o divórcio, a contraceção e o aborto em casos “complicados”, mas também a “ordenação” de mulheres e o “casamento” de homossexuais.

O que se pode dizer de um Papa que homenageia Lutero em vez de Nossa Senhora precisamente no aniversário do Milagre do Sol, e que diz a uma audiência de luteranos que eles podem ser “escolhidos” e “perdoados” sem a ajuda da mesma Igreja da qual Lutero foi assumidamente um inimigo? Podemos dizer que testemunhamos agora aquela crise que Nossa Senhora profetizou no Terceiro Segredo de Fátima, aquela preciosa mensagem-advertência ao mundo, a qual foi por Ela autenticada, de forma inquestionável, através do Milagre do Sol. Agora é o tempo que Ela previu.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 19 de outubro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2016

Francisco proclama novo pecado: o “pecado contra o ecumenismo”

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Por Christopher A. Ferrara

Durante a sua viagem à Geórgia, um seminarista perguntou ao Papa Francisco “como podem católicos da Geórgia promover melhores relações com os ortodoxos.” A sua resposta ilustra como a novidade do “ecumenismo” tem debilitado, quase totalmente, a Igreja Militante:

Deixemos as coisas que são abstratas para os teólogos estudarem. O que devo eu fazer com um amigo que é ortodoxo?… Esteja aberto, seja um amigo… Nunca deve fazer proselitismo aos ortodoxos. Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo, porém situações históricas complexas fizeram-nos assim… Amizade. Caminhar juntos, orar uns pelos outros, e fazer obras de caridade juntos quando se pode. Isto é o ecumenismo.

Portanto, o ecumenismo significa “ser amigo” e fazer boas obras juntamente com não-católicos, incluindo os ortodoxos cismáticos. Tudo o resto é apenas doutrina “abstrata” que os teólogos podem contornar enquanto o “ecumenismo” continua a sua marcha inexorável para lugar nenhum.

Contudo, a primazia do Papa como chefe da Igreja universal, que os ortodoxos rejeitam, não é uma abstração. É a vontade do próprio Deus que fundou a Igreja sobre a rocha de Pedro.

O dogma católico da absoluta indissolubilidade do casamento, para o qual os ortodoxos criaram exceções farisaicas convenientes, permitindo segundos e até terceiros “casamentos”, não é uma abstração. É a vontade de Cristo sobre uma realidade ontológica resultante de uma união sacramental.

A doutrina católica sobre o Purgatório, que os ortodoxos rejeitam, não é uma abstração. É uma verdade revelada sobre uma etapa da existência após a morte, que a Igreja Católica tem ensinado infalivelmente ao longo dos séculos.

O dogma católico do pecado original como consequência da culpa herdada de Adão, que os ortodoxos rejeitam, sustentando que somente a pena de morte é herdada, não é uma abstração. É uma verdade sobre a condição de queda do homem e sua necessidade de redenção.

O dogma católico da Imaculada Conceição, que os ortodoxos rejeitam porque também rejeitam a doutrina católica sobre o pecado original, não é uma abstração. É uma verdade revelada sobre a condição única da Virgem Maria entre toda a humanidade.

Finalmente, o mal do cisma e a necessidade, para a salvação, de “retorno à única e verdadeira Igreja de Cristo dos que dela estão separados” não é uma abstração. É uma verdade de Fé da qual depende o destino eterno das almas.

O próprio Nosso Senhor declarou: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” É a verdade que nos salva. Não o ecumenismo, a amizade ou mesmo as boas obras. Pois é por ouvir a verdade e pelo assentimento a essa mesma verdade que alguém recebe a graça da justificação. Assim fez o Papa São Pio X ao exigir dos seminaristas católicos, padres e teólogos o Juramento contra o Modernismo, que declara:

Estou absolutamente convicto e declaro sinceramente que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas o verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora “ex auditum” [pela pregação], pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente verdadeira, nós cremos em tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

 

Mas o Juramento contra o Modernismo foi abandonado após o Concílio Vaticano II, juntamente com a oposição da Igreja ao próprio modernismo.

Hoje, em nome do ecumenismo – um neologismo desprovido de significado concreto – as verdades da nossa religião foram substituídas por sentimentos enquanto a doutrina é posta de lado, até mesmo pelo Papa, como uma mera abstração para os teólogos para debaterem no seu lazer.

Como Francisco declarou na Geórgia: “Existe um pecado muito grave contra o ecumenismo: o proselitismo. Nunca devemos fazer proselitismo aos ortodoxos! “Um pecado contra o “ecumenismo“? Como pode uma novidade completamente desconhecida na vida da Igreja, antes de 1962, que emergiu de um movimento protestante condenado por Pio XI em 1928, ser tratado agora como se fosse um princípio de fé divina e católica? Tal é a crise que a Igreja agora enfrenta, nunca testemunhou nada semelhante anteriormente.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 5 de outubro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2016

O Cardeal Parolin vende para Pequim

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Por Christopher A. Ferrara

Já há muito tempo que a figura do Secretário de Estado do Vaticano, elevada a uma proeminência sem precedentes através das reformas pós-Vaticano II conduzidas pelo Cardeal Villot, tem colocado em perigo a integridade da Fé, a fim de servir as regras mundanas da diplomacia do Vaticano. Assim aconteceu com a Mensagem de Fátima e o Terceiro Segredo em particular, que ninguém menos que o Secretário de Estado do Vaticano (Cardeal Sodano e seu sucessor Cardeal Bertone) reduziu a uma genérica prescrição para oração e penitência, amputando a Consagração da Rússia e reduzindo o segredo a uma mera descrição de eventos do séc. XX.

E assim acontece com o destino dos católicos da Igreja clandestina na China, que recusam aliar-se à “Associação Patriótica Católica (APC),” a pseudoigreja criada pelo regime vermelho chinês na década de 1950 em Pequim, como a Igreja Católica “oficial”, a fim de impor o controlo governamental sobre a seleção e consagração de bispos chineses, iniciando, deste modo, uma hierarquia chinesa descaradamente cismática.

Agora ouvimos o atual Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, afirmar que não existe realmente diferença entre os bispos clandestinos e fiéis que recusam aderir à cismática APC, sofrendo por causa disso uma perseguição implacável, e os militantes da APC, clérigos e leigos, que obedecem a homens e não a Deus pois professam um culto religioso condicionado às diretrizes de um regime comunista ateu que obriga as mulheres a abortar seus próprios filhos.

Como o Cardeal Parolin declarou numa recente entrevista ao Avvenire, o jornal da conferência episcopal italiana: “A alegação de que existem duas Igrejas diferentes na China não corresponde à realidade histórica, nem vida de fé dos católicos chineses. Existem, de facto, duas comunidades, ambas ansiosas por viverem em plena comunhão com o Sucessor de Pedro. Cada uma delas acarreta a bagagem histórica de momentos de grande testemunho e sofrimento, que nos dizem algo sobre a complexidade e as contradições que existem dentro deste vasto país.”

Lixo, absolutamente, e, ao mesmo tempo, uma traição total à Igreja Católica Chinesa Clandestina. Em primeiro lugar, os fiéis católicos que se recusam a submeter à APC não estão “ansiosos por viver em plena comunhão com o Sucessor de Pedro”, pelo contrário, estão em plena comunhão com ele, como sempre estiveram desde o momento em que recusaram submeter-se a Pequim, obedecendo a Deus e não a homens.

Em segundo lugar, a APC não é “uma comunidade… ansiosa para viver em plena comunhão com o Sucessor de Pedro”, mas antes uma criação maléfica dos ditadores comunistas que feriu o Corpo Místico de Cristo com uma hedionda invenção humana que pretende ser a “Igreja oficial “.

Em terceiro lugar, não há qualquer equivalência moral entre a Igreja subterrânea em união com Roma e a maléfica e cismática APC. Sugerir que estas “duas comunidades” deve ser “reconciliados, abraçando-se mutuamente, é algo de monstruoso…” Os fiéis católicos perseguidos na China jamais poderão “abraçar” uma organização que jura fidelidade a uma ditadura comunista.

A situação na China só tem uma solução: a APC tem ser abolida e todos os católicos chineses devem ser autorizados a professar a religião abertamente, em união com Roma e sem interferência governamental.

Mas agora os rumores abundam, e Sandro Magister confirma que Roma está prestes a concordar em permitir que o regime comunista chinês em Pequim selecione bispos para a aprovação do Vaticano – um grotesco regresso ao mal do Cesaropapismo, segundo a qual, o soberano civil é o chefe da Igreja no seu território e pode designar bispos. Mas, infinitamente pior, neste caso, é que o soberano civil não seria um rei católico mas antes um ditador comunista.

A cada dia que passa, a crise da Igreja, que perdura há meio século, acelera em direção ao que só pode ser uma conclusão calamitosa. O Terceiro Segredo de Fátima desenrola-se diante dos nossos olhos, enquanto os guias cegos da hierarquia superior da Igreja se encaminham rapidamente para caírem numa vala. Não podemos segui-los. Podemos apenas rezar pela intervenção final do Céu e o fim desta crise com o triunfo do Imaculado Coração de Maria – seguindo, finalmente, a Consagração da Rússia que, como se pode ver, continua no centro de acontecimentos mundiais potencialmente explosivos.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 29 de agosto de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 8/2016

Mais sobre a limpeza do Vaticano no Casamento e na Família

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Por Christopher A. Ferrara

Quando a Irmã Lúcia alertou o Cardeal Caffarra, na década de 1990, que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o casamento e a família”, ela não particularizou a realidade que agora se revela: uma condução implacável dos líderes eclesiásticos no sentido da perda do ensinamento constante da Igreja, no que concerne à impossibilidade da Sagrada Comunhão para os adúlteros públicos (os divorciados “recasados”) e pessoas vivendo em concubinato que se recusam a abandonar as suas relações sexuais ilícitas, comandados por um Papa que tem uma irmã divorciada “recasada” e um sobrinho em situação de concubinato.

A recém-anunciada reorganização do Vaticano nos departamentos do casamento e família, o assunto do meu último artigo, é claramente uma tática nesta “batalha final.” O meu último artigo referiu que o arcebispo italiano Vincenzo Paglia, que agora é o presidente do para-ser-brevemente-abolido Pontifício Conselho para a Família, virou presidente da Pontifícia Academia para a Vida, enquanto o novo dicastério para os Leigos, Família e Vida será dirigido pelo bispo de Dallas, Kevin Farrell. Como foi referido no meu último artigo, os dois prelados são “pró-gay” e Paglia defende abertamente a Sagrada Comunhão para adúlteros públicos não arrependidos.

Outros factos relativos a esta “limpeza no casamento e na família”, no Vaticano, confirmam a realidade de um ataque absolutamente espantoso contra a moral sexual, que procede precisamente dos vértices da Igreja. Foi Paglia que, como chefe do Pontifício Conselho para a Família, aprovou o primeiro programa de Educação Sexual publicado pelo Vaticano em toda a história da Igreja. Um programa repleto de imagens impróprias e até recomendações aos jovens para assistirem a filmes com cenas de sexo explícito. O Life Site News disponibiliza o resumo prático deste horroroso programa que transgride, de modo flagrante, os ensinamentos constantes da Igreja contra qualquer tipo de “educação sexual” escolar explícita:

  • Entregando a educação sexual de crianças aos educadores, deixando os pais fora da equação.
  • Abstendo-se de nomear e condenar comportamentos sexuais, tais como prostituição, adultério, contraceção sexual, atividade homossexual e masturbação, ações objetivamente pecaminosas que destroem a caridade no coração e nos afastam de Deus.
  • Não alertando os jovens sobre a possibilidade de separação eterna de Deus (condenação) por cometerem pecados sexuais graves. O inferno não é mencionado uma única vez.
  • Não fazendo a distinção entre pecado mortal e pecado venial.
  • Não falando sobre os 6º e 9º mandamentos, ou qualquer outro mandamento.
  • Não ensinando que o sacramento da confissão é uma forma de restaurar a relação com Deus depois de se ter cometido um pecado grave.
  • Não mencionando um saudável sentido de vergonha quando se trata do corpo e da sexualidade.
  • Ensinando rapazes e raparigas em conjunto.
  • Tendo rapazes e raparigas juntos a partilhar o seu entendimento de frases como: “O que é que a palavra sexo te sugere?”
  • Pedindo a uma turma mista para “apontar onde a sexualidade se localiza nos rapazes e nas raparigas.”
  • Falando sobre o “processo de excitação.”
  • Usando imagens sexualmente explícitas e sugestivas nos livros de atividades (aqui, aqui e aqui).
  • Recomendando vários filmes sexualmente explícitos como pontos de partida para discussão (ver ligações abaixo).
  • Não referindo o aborto como algo gravemente errado, mas que apenas provoca “fortes danos psicológicos.”
  • Confundindo os jovens através de frases como “relacionamento sexual” não para indicar o ato sexual, mas antes uma relação focada na pessoa na sua totalidade.
  • Referindo a “heterossexualidade” como algo para “descobrir [ser descoberto].”
  • Utilizando o ícone gay Elton John (sem mencionar o seu ativismo) como exemplo de uma pessoa talentosa e famosa.
  • Abordando o paradigma “sair com alguém” como um passo para o casamento.
  • Não tratando o celibato como forma suprema de doação que constitui o próprio sentido da sexualidade humana.
  • Abstendo-se de mencionar o ensinamento de Cristo sobre o casamento.
  • Tratando a sexualidade como um assunto separado e não como algo integrado nos ensinamentos doutrinários e morais da Igreja. De facto, como o Life Site observa, este programa “viola normas anteriormente promulgadas pelo mesmo Pontifício Conselho”.

Mas é ainda pior. Francisco não só (como o meu artigo anterior referia) fez de Paglia o Grand Chancellor do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e a Família, mas também removeu o Monsenhor Livio Melina, de 64 anos, do cargo de Presidente, substituindo-o pelo liberal Monsenhor Pierangelo Sequeri. Foi Melina, conforme o Life Site refere, que “defendeu a constante doutrina da Igreja, segundo a qual, divorciados ‘recasados’ que não vivem como irmão e irmã” não podem ser admitidos à Sagrada Comunhão.” Melina também argumentou corajosamente que a desastrosa Amoris Laetitia “não altera a disciplina da Igreja” e que, “depois da Amoris Laetitia, a admissão de divorciados ‘recasados’ à comunhão continua (excetuando-se as situações previstas pela Familiaris Consortio 84 e Sacramentum Caritatis 29) a ser contrária à disciplina da Igreja.”

Não é propriamente uma surpresa que a cabeça de Melina tenha rolado na limpeza que Francisco está obviamente a realizar na área do casamento e da família. Não adianta negar a realidade: Nós estamos a meio de uma viragem apocalíptica nos acontecimentos da Igreja. Depois de cinquenta anos de inovação imprudente em nome do Vaticano II, agora até mesmo os preceitos fundamentais da lei natural em relação ao casamento e à moralidade sexual são atacados a partir de dentro.

Diante desta realidade devemos, como sempre, olhar para Nossa Senhora, no meio das tempestades que assolaram a Igreja desde o seu início, sendo esta a maior de todas. Como a Irmã Lúcia escreveu ao Cardeal Caffarra (um membro da oposição conservadora no “Sínodo da Família”), tendo em conta o Terceiro Segredo cujas profecias estão agora a cumprir-se: Não tenham medo, acrescentou, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimónio e da Família será sempre combatida e enfrentada de todas as formas, porque este é o ponto decisivo. Depois concluiu: de qualquer forma, Nossa Senhora já esmagou a sua cabeça [da Serpente]”.

De Deus não se zomba. Mais cedo ou mais tarde Ele porá termo a esta loucura, indubitavelmente através da mediação extraordinária de Sua santíssima Mãe, de acordo com a Mensagem de Fátima, a profecia para o nosso tempo. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 22 de agosto de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2016

Francisco coloca todas as estruturas do Vaticano relacionadas com o Casamento e a Família sob dois prelados subversivos nestas temáticas

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Por Christopher A. Ferrara

Hoje (17 de agosto) o Vaticano anunciou que Francisco criou formalmente, por motu proprio (sua própria iniciativa), o novo “super-dicastério” do Pontifício Conselho para os Leigos, a Família e a Vida (PCLFV), que entrará em funcionamento a partir do dia 1 de setembro. O novo dicastério absorverá (abolindo, portanto) o Pontifício Conselho para a Família e o Pontifício Conselho para os Leigos. Terá também de sobrepor-se às funções da ainda existente Pontifícia Academia para a Vida, e a este respeito, um dos seus membros, o filósofo alemão Josef Siefert, publicou uma devastadora crítica à desastrosa Amoris Laetitia, incitando Francisco a corrigir os respetivos erros contra a Fé.

Para liderar o PCLFV, Francisco nomeou o bispo Kevin Joseph Farrel, do Texas, um prelado “pró-gay” amplamente contestado por ter indigitado um sacerdote homossexual para uma paróquia do Texas. Um padre que participara num site explicitamente “gay” destinado a clérigos e religiosos homossexuais. (O padre foi removido somente depois dos protestos públicos contra a sua nomeação.)

Farrel aceita claramente, como uma certeza, que haverá padres homossexuais no ministério pastoral. Citando afirmações de Francisco relativas ao “respeito” pelas “pessoas homossexuais”, Farrel declarou aqui que «A Igreja ainda tem a expectativa de que os sacerdotes devem comprometer-se numa vida de castidade celibatária, quer sejam eles homossexuais ou heterossexuais.» “Ainda”? A “expectativa”? Quer sejam eles “homossexuais” ou “heterossexuais”?

Em benefício do constante magistério da Igreja e da sua prática, Bento XVI estabeleceu que os homens que se consideram gay não podem ser admitidos nos seminários, uma vez que a sua condição, intrinsecamente desordenada, faz deles inadequados para o sacerdócio, o qual é configurado pela pessoa de Cristo, o varão por excelência.

Quanto à ainda existente Pontifícia Academia para a Vida, essa foi entregue ao arcebispo “pró-gay” Dom Vincenzo Paglia, que substituirá o bispo espanhol Ignacio Carrasco de Paula no cargo de Presidente. Paglia vai ainda tomar conta do Instituto Pontifício João Paulo II para o Estudo do Matrimónio e da Família, substituindo o Vigário Geral de Roma, o cardeal Agostino Vallini como Grãochanceler. Vallini denunciou a distribuição de preservativos nas escolas públicas italianas como «uma iniciativa [que] só pode ser combatida pela Igreja de Roma e as famílias cristãs seriamente afetadas pela educação de seus filhos.»

Paglia elogiou infamemente a série televisiva de propaganda gay “Modern Family” e, precisamente ele, «foi também responsável por convidar casais homossexuais para o Encontro Mundial das Famílias do ano passado.»: «Estamos seguindo à letra o Instrumentum Laboris do Sínodo. Todos podem vir, ninguém é excluído.»

Não surpreende, Paglia também apoia a causa de estimação de Francisco, a de encontrar uma maneira de admitir adúlteros públicos em “segundo casamento” à Sagrada Comunhão, tendo publicado, entre as sessões do ridiculamente mal denominado “Sínodo sobre a Família”, um livro promovendo a destruição do magistério e da disciplina da Igreja na defesa da indissolubilidade do matrimónio, afirmada por João Paulo II, principalmente na Familiaris Consortio. De facto, como Edward Pentin relatou, membros do Instituto João Paulo II, conhecidos por defenderem os seus ensinamentos neste domínio, foram sistematicamente excluídos de qualquer participação nas duas sessões do Sínodo.

Com a criação do novo “super-dicastério” e mais estas duas nomeações, Francisco colocou efetivamente todas as estruturas do Vaticano relacionadas com o casamento e a família sob o controlo de dois prelados que são manifestamente subversivos nestas duas temáticas.

A cada dia que passa, Francisco confirma ainda mais o terrível aviso da Irmã Lúcia em Fátima quando referiu que «a confrontação final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o matrimónio e a família… [Seja quem for] quem trabalha pela santidade do casamento e da família será sempre combatido e odiado de todas as formas, porque este é o ponto decisivo.» Mas quem poderia imaginar que a oposição seria ajudada e instigada pela própria pessoa que ocupa o Cadeira de Pedro?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de agosto de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2016

Um Papa Anticatólico?

Ferrara02

Por Christopher A. Ferrara

Por esta altura, já estamos habituados aos resultados chocantes da insistência de Francisco em dizer coisas sem sentido aos jornalistas durante os voos de e para os destinos das inúteis viagens papais, que se tornaram uma atividade essencial do papado pós-Vaticano II. No meio de todas essas coisas absurdas, há também, todavia, observações, inadvertidamente reveladoras, que mostram a amplitude da crise-dentro-a-crise que é o pontificado bergogliano.

O exemplo mais recente foi a conferência de imprensa a bordo, no regresso a Roma, da viagem papal à Arménia. Uma observação muito esclarecedora surgiu no contexto da pergunta de um repórter sobre a recente declaração do importante assessor papal, o Cardeal Reinhard Marx, de que a Igreja deveria pedir desculpa aos “gays” pela forma como os tratou. Os “gays” foram adicionadas à lista daqueles a quem a Igreja deve pedir desculpas e “suplicar perdão” – o mea culpa sem fim que João Paulo II iniciou e agora parece ser perpétuo; estamos ainda longe de ouvir um único pedido de desculpas dos poderes deste mundo pelas suas ofensas contra os cristãos, incluindo pelas perseguições de estado e pelo genocídio de dezenas de milhões.

Francisco implicou-se por responder que a Igreja “não só deve pedir desculpas… a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir perdão aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho”. Pelo menos, e apesar de tudo, esclareceu que quando disse “a Igreja” queria dizer “cristãos. A igreja é santa. Nós somos os pecadores.”

Contudo, logo a seguir, fez outra observação muito reveladora: “Lembro-me, quando criança, da cultura católica fechada em Buenos Aires: não se podia entrar em casa de um casal divorciado. Estou a falar de há 80 anos atrás. A cultura mudou, graças a Deus.”

Em apenas uma frase elucidativa, Francisco revelou a profundidade da ameaça que o seu pontificado representa para a Igreja: “cultura católica fechada”. Francisco agradece a Deus porque “a cultura mudou”, no sentido de que divórcio e “recasamento” não é mais visto como uma forma de adultério que os católicos não toleravam através socialização nas casas de pessoas que coabitam em situação de adultério. Ele agradece a Deus por essa “cultura católica fechada” ter dado lugar a uma cultura onde divórcio e “recasamento” é aceite, na verdade, amplamente praticada pelos católicos.

No entanto, este é o mesmo Papa que organizou o “Sínodo da Família” destinado a refletir sobre “uma crise na família” resultante da mudança cultural pela qual Francisco agradece a Deus. Sendo assim, o Falso Sínodo foi, portanto, a tentativa de intimidar a Igreja a aceitar institucionalmente – ao que Francisco chama “integração” – do que o próprio Nosso Senhor denunciou como adultério.

Temos então um Papa que, levianamente, acumula desprezo por uma cultura na qual existe aversão instintiva pelo pecado público entre os simples fiéis, a qual condiciona a confraternização com as pessoas que ignoram os seus votos de casamento e se envolvem com outros parceiros para viver em pecado. Francisco dá graças a Deus por a cultura, no fundo, não ser mais católica.

Este é o Vigário de Cristo? Nunca em 2000 anos, nunca, mesmo durante os pontificados de Papas pessoalmente corruptos, vimos um homem como este na Cátedra de Pedro. Isto não é sequer uma questão de falsidade ou astúcia. Temos claramente, em Francisco, um Papa que, por incrível que pareça, não dá grande valor ao catolicismo, não se inibe de o dizer e parece alegremente inconsciente do paradoxo bem apocalíptico de um Papa anticatólico. Um Papa que, na sua profunda confusão, chama santa à Igreja, mas agradece a Deus por os católicos aceitarem agora uniões sexuais imorais.

Mais informações sobre esta perturbadora conferência de imprensa bergogliana (uma redundância, eu sei) na próxima coluna.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 30 de junho de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2016

Outro mau sinal: um Papa que não se ajoelha perante o Senhor Eucarístico

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Por Christopher A. Ferrara

No dia 26 de maio, teve lugar uma procissão eucarística, presidida por Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Diante do Santíssimo Sacramento exposto no altar, havia um genuflexório de veludo para uso papal. Francisco recusou ajoelhar-se sobre ele. Manteve-se de pé, à frente do Santíssimo Sacramento exposto, enquanto padres e acólitos à sua volta se ajoelharam em reverência.

De facto, Francisco tem recusado, de forma consistente, ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento – o Senhor Jesus Eucarístico – em qualquer contexto. Até quando é ele próprio quem preside à consagração eucarística no altar; até mesmo durante a sua primeira missa enquanto Papa na Capela Sistina. No entanto, ajoelha-se prontamente para receber a “bênção” dos carismáticos enquanto balbuciam, ou para lavar e beijar os pés de não católicos, incluindo mulheres muçulmanas, durante o ridículo ritual do lava-pés com o qual substituiu o tradicional mandatum da Quinta-feira Santa.

Citando o predecessor de Francisco, num dos seus escritos de quando era o então cardeal Ratzinger, o corajoso Antonio Socci coloca abertamente a pergunta para a qual os católicos de todo o mundo gostariam de obter uma resposta honesta: “Padre Bergoglio [como Francisco se chama a si mesmo], tem algum problema com a Sagrada Eucaristia? Não sabe que, na espiritualidade cristã, «a incapacidade de ajoelhar-se é vista como a real essência do diabólico»?” (A este respeito, Ratzinger observou um detalhe curioso em todas as representações do diabo: a ausência de joelhos para se prostrar.)

Socci lembra, a este respeito, “as afirmações inquietantes em relação à Eucaristia na sua visita [de Francisco] aos luteranos em Roma.” Nessa ocasião, Francisco sugeriu a uma mulher luterana que o dogma católico da transubstanciação seria uma mera “interpretação ou explicação” distinta da visão luterana, e que ela devia “falar com o Senhor” para saber se podia receber a Sagrada Comunhão numa igreja católica juntamente com o seu marido católico.

Depois ainda, como Socci repara, existe o ataque direto à integridade do Santíssimo Sacramento, sob o disfarce de “misericórdia”, através da sugestão prevista na Amoris Laetitia de, em “certos casos”, os divorciados “recasados”, vivendo em condição de adultério, condenada por Nosso Senhor, poderem ser admitidos à Santa Comunhão, autorizando, assim, um sacrilégio flagrante em escala maciça.

A este respeito, importa lembrar a resposta que Francisco deu a uma argentina “casada” com um homem divorciado, segundo a qual, ela devia ignorar o conselho do seu pároco e deslocar-se a outra paróquia para receber a Sagrada Comunhão, porque “um pouco de pão e vinho não faz mal” – uma informação que nem Francisco nem o Vaticano negaram. (A “resposta” ambígua e evasiva do Pe. Lombardi, apresentada como se fosse uma negação – uma técnica na qual o Gabinete de Imprensa do Vaticano se especializou – foi efetivamente uma confirmação.)

Como podemos nós agir perante um Papa que simplesmente se recusa a fazer aquilo que qualquer crente católico faz instintivamente: ajoelhar-se em humilde submissão diante do Senhor Jesus Eucarístico? Estamos aqui confrontados com mais um sinal de um papado como nenhum outro anterior, o que significa uma nova etapa, e talvez terminal na crise da Igreja, precedendo a sua dramática resolução – um drama que não deixará de ter consequências calamitosas na Igreja e no mundo.

Devemos então, juntamente com Socci, expressar a urgência de “intensificação de orações pelo Papa Bergoglio: para que ele decida finalmente ajoelhar-se, com os joelhos e com o coração, diante do Senhor. Para o bem da sua alma e para o bem da Igreja”.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 21 de maio de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 06/2016

 

Em memória do Pe. Nicholas Gruner – o Padre de Fátima

The Fatima Priest

Ou o Padre de Fátima, em português. É assim que ele era e será sempre conhecido. Faleceu há um ano, no dia 29 de abril de 2016, após um colapso cardíaco.

Um verdadeiro santo entre nós, fervoroso devoto ao Imaculado Coração de Maria e incansável defensor da Fé Católica e da integral mensagem de Fátima. O seu nome ficará para sempre associado a Fátima, devido ao apostolado realizado pelo Fatima Center, que ele mesmo fundou e dirigiu desde 1978.

Que o Pe. Gruner peça por nós a Nossa Senhora de Fátima neste perigoso momento da história da Igreja e do mundo.


Basto 4/2016

Memorando para a brigada de limpeza da “Amoris Laetitia”. Agora já podem parar.

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Por Christopher A. Ferrara

Será que a Amoris Laetitia alcança aquele que foi, obviamente, o objetivo do Papa Francisco durante este tempo todo: a admissão de reconhecidos adúlteros – divorciados e “recasados” – à Sagrada Comunhão em “certos casos” (que significa, em última instância, todos os casos)? É claro que sim.

Como revelou a alegria manifestada, em conferência de imprensa, pelo co-apresentador escolhido a dedo por Francisco para apresentar este documento “catastrófico” ao mundo, o Cardeal Christoph Schönborn, conhecido pela sua orientação “pró-gay” e pró-divórcio: “A minha grande alegria, resultante deste documento, reside no facto de que ele coerentemente supera aquela clara divisão artificial, superficial, entre ‘regular’ e ‘irregular'” – ou seja, “superficial” distinção entre as uniões sexuais lícitas e as imorais, entre o casamento cristão e as relações que envolvem adultério e fornicação.

Especificamente na questão da Sagrada Comunhão para adúlteros, Schönborn disse aquilo que já era evidente a partir da linguagem da fatídica nota de rodapé 351:

E o Papa Francisco recorda a necessidade de discernir bem as situações, seguindo a linha da Familiaris consortio (n. 84) de São João Paulo II (AL 298). “O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus” (AL 305)…

No sentido desta via caritatis (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351), que se pode dar também a ajuda dos sacramentos “em certos casos”. Mas para este propósito ele não nos oferece uma casuística de receitas, mas simplesmente nos recorda duas de suas famosas frases: “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (EG 44) e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos” (EG 44).

Observe-se a frase “de acordo com a Familiaris Consortio (84) de São João Paulo II.” Então, a velha fraude continua, pois Francisco e Schönborn escondem o facto de, na referida secção da exortação apostólica de João Paulo II, se rejeitar especificamente qualquer possibilidade de um “discernimento” que permita a reconhecidos adúlteros receber o Santíssimo Sacramento – em “certos casos” ou em qualquer caso. Mas isso foi quando as coisas eram “preto no branco”, agora, com Francisco, elas tornaram-se acinzentadas.

E agora ficámos a conhecer, pelo próprio Papa, que Francisco contradiz categoricamente o seu antecessor e toda a Tradição. Durante a conferência de imprensa a bordo do seu voo de regresso da Grécia, ele foi questionado se, ao contrário daqueles que dizem que “nada mudou”, a Amoris Laetitia autoriza “novas possibilidades concretas para os divorciados que voltaram a casar, que não existiam antes da publicação esta exortação”. Com a mão apontada e acenando com a cabeça para dar ênfase, Francisco respondera: “Eu posso dizer que sim, ponto final.” (” Io posso dire sì. Punto.”).

Por incrível que pareça, ele recomendou ainda a leitura da apresentação de Schönborn, na qual “essa questão encontra a resposta”. Eu digo incrível porque a resposta de Schönborn foi: “O Papa afirma, de forma humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada “em certos casos”.” Ou seja, Francisco – ao jeito de um político astuto – fez-nos um finta, enquanto passava a bola: leia o que o meu assistente Schönborn disse, a fim de saber o que eu disse no meu próprio documento!

Será isto real? Na verdade, é. E agora um pequeno conselho, não solicitado, para todos os “normalistas” que ainda tentam desesperadamente limpar este documento catastrófico (sobre o qual muito mais será escrito, mais tarde, nestas páginas): Guardem as vossas vassouras. Isto não dá para limpar. Francisco está a fazer-vos passar por idiotas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de abril de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2016