A Imaculada Conceição, os erros e a conversão da Rússia

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Nossa Senhora de Ollignies – Coração Doloroso e Imaculado de Maria

 

Por Pedro Sinde

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Rússia e os erros

Os erros da Rússia, referidos pela Virgem em Fátima, na frase citada em epígrafe, são, tradicionalmente, identificados com o Comunismo. No entanto, mais importante do que a referência ao comunismo, em particular, seria referirmo-nos ao materialismo ateu, à recusa do sobrenatural e à anti-religiosidade (concretamente, o anticatolicismo), mesmo que oculta sob a forma de um diferente regime político (que pode ser capitalista ou outro); esta distinção é essencial para que se perceba que os “erros da Rússia” não terminaram com a queda do comunismo, mas que se continuam a disseminar, hoje mais ainda do que antes, porque camufladamente. No entanto, se pensarmos no contexto da mensagem de Fátima, isto não nos deve bastar. Temos de enfrentar esta revelação da Virgem e reconhecer que ela não se refere apenas aos erros da Rússia, mas também à conversão da Rússia.

Rússia e a conversão

Atentemos na sequência dos eventos referidos pela Virgem: (1) se respondermos aos seus pedidos, (2) seguir-se-á a conversão da Rússia (3) e teremos um período de paz no mundo. Devemos ter reparado que o termo médio, colocado entre a nossa resposta aos pedidos da  Virgem e a prevenção de que os erros da Rússia se espalhem, é a conversão da Rússia. Se esta condição não fosse considerada necessária pela economia divina, não seria mencionada. Devemos entender que a consagração da Rússia implicará a sua conversão, mas que é a conversão que será a causa imediata da libertação do jugo dos erros da Rússia. A conversão da Rússia é, pois, uma condição sine qua non. Dito de outro modo, a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria é a causa da sua conversão e sem esta última não haveria libertação do ateísmo, do materialismo, dos erros da Rússia que se espalharam pelo mundo.  Aqui, temos de pensar que, como os erros da Rússia se espalharam pelo mundo, esta conversão diz respeito a todo o mundo e muito particularmente à Igreja Católica tão devastadoramente infiltrada1. Nós também somos “Rússia”.

Lembremos que os ortodoxos estão em estado de cisma, separados de Roma, rejeitaram o papado e com isso, o dogma posterior da Imaculada Conceição; se é verdade que aos olhos de Roma mantêm a sucessão apostólica e a Missa é válida, isso não diminui a gravidade da questão da rejeição do papado. A sua posição de separação com Roma, quando perderam a cabeça, fez ainda com que se dividissem numa multiplicidade de igrejas nacionais, tantas vezes em conflito entre si.2

Portugal e a Imaculada Conceição

A importância do dogma da Imaculada Conceição para os portugueses, creio ser a chave para percebermos uma das razões mais fundas para que tenha sido Portugal o País escolhido para espalhar esta mensagem ao mundo. E não deixa de ser significativo que Portugal e Rússia se encontrem em extremos opostos geograficamente. Pensemos que Portugal é consagrado não apenas a Nossa Senhora, como outros países, mas, desde 1646, à Imaculada, sua Rainha; os nossos reis, desde esta consagração, deixaram de usar coroa; os três estados, nas Cortes, fizeram um juramento em defesa da prerrogativa da Imaculada Conceição, mesmo a custo da sua própria vida se fosse caso disso; as portas de todas as cidades, vilas e aldeias deveriam ter, segundo ordem do rei em 1654 (justamente dois séculos antes do decreto dogma), uma placa com um voto de fidelidade à Imaculada. Isto é bastante impressionante!… E o contexto para se entender Fátima, deve passar necessariamente por aqui: o nosso amor à Imaculada. Espanha deveria assumir Fátima como uma missão sua, a este propósito, tanto pelo seu fundo amor à Imaculada (recordemos, como sinal disso, a fundação da Ordem da Imaculada Conceição em Espanha pela portuguesa Santa Beatriz da Silva), como pelo facto de parte da mensagem de Fátima ter acontecido em Espanha e ainda porque a Ir. Lúcia recebeu várias mensagens que visavam este País. Teremos ainda de pensar que, apesar da superficial rivalidade, na verdade, Portugal e Espanha partilharam espantosamente a missão incrível da evangelização de todo o mundo. Ora, esta amor à Imaculada, de todo um povo, não fará contraponto à rejeição dos cristãos ortodoxo sobretudo desde a proclamação do dogma? Muitos dos teólogos orientais defendiam intensamente a Imaculada3; desde 1854, por contrastante tristeza, começaram a procurar, para mais se separarem de Roma, atacar este dogma. É uma triste, muito triste situação, até porque o povo tem uma magnífica espiritualidade, uma fé ígnea e nobre, dotado de uma tremenda devoção pela Virgem, mas vê-se, assim, impedido de crescer nessa fé, isto é, de chegar à plenitude da revelação.

Reparando o erro da Rússia

A Virgem pediu em Fátima a devoção dos Cinco Primeiros Sábados para reparar o coração ofendido da Virgem; quando a Irmã Lúcia perguntou a razão de serem em número de cinco os sábados, foi-lhe explicado que se trata de desagravar o Coração Imaculado de Maria em cinco aspectos: as ofensas à Maternidade divina, à sua Virgindade perpétua, à sua Imaculada Conceição, a educação das crianças contra a Virgem e as ofensas às suas santas imagens – o das ofensas à sua Maternidade divina e à sua Virgindade perpétua não abrangem os ortodoxos (mas sim directamente os protestantes) – , já a referência às ofensas dirigidas à sua Imaculada Conceição, claramente os inclui… O pobre povo russo, o nobre povo russo, saberá que a Virgem, que tanto amam, pede aos católicos que desagravem estas ofensas que eles mesmos (e tantos católicos, naturalmente…) provocam? Este é o erro dos erros, por assim dizer e, por essa razão, como vimos, é que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria trará, antes de tudo, o seu regresso à plenitude da revelação – quem sabe se a partir, justamente, do dogma da Imaculada Conceição, dado o profundo amor que esse povo tem à Theotokos? Só este regresso, como sua condição, é que terá como consequência natural a recusa dos erros materialistas.

Irmã Lúcia e a conversão da Rússia

O facto de este aspecto da mensagem de Fátima estar esquecido, por assim dizer, não nos deve condicionar. De resto, a própria Ir. Lúcia sempre pensou que a conversão da Rússia não é para entender como sendo limitada ao regresso do povo Russo à religião Cristã Ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista dos Sovietes, mas antes como uma total e perfeita conversão à única, verdadeira Igreja Romana Católica.” (Joaquín María Alonso, The Secret of Fatima: fact and legend. Cambridge: The Ravengate Press, 1982, p. 84). Para podermos medir todo o alcance destas palavras, devemos lembrar-nos que o Pe. Joaquín Alonso foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis, tendo sido convidado pelo Bispo de Leiria, Dom  Venâncio, em 1966, para preparar a edição crítica e definitiva sobre Fátima e a sua Mensagem; coisa que zelosamente fez, resultando em 24 (!) volumes intitulados: Fátima, textos e estudos críticos (quando se preparava para começar a publicar os volumes resultantes da sua investigação, já no prelo, o novo Bispo, Dom Alberto Cosme do Amaral, deu ordem para parar). Se, ainda assim, tivéssemos dúvidas sobre o tema da conversão da Rússia, bastaria que recordássemos as muito impressionantes palavras da Irmã Lúcia em Um Caminho sob o olhar de Maria (p. 267); pouco antes de registar a terceira parte do segredo, escreve (3.I.1944):

“E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi (…) «No tempo, uma só Fé, um só Baptismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica.»”

A conversão da Rússia será, Deo volente!, um acontecimento de uma força inimaginável e nós, católicos, muito precisamos do retorno dos cristãos do Oriente à catolicidade, para se reunirem ao remanescente que conservará o dogma da fé: na nova Arca de Noé, o Coração Imaculado de Maria!

Notas:

1. Bella Dodd, a conhecida agente comunista que, nos anos trinta e quarenta, ajudou a infiltrar cerca de mil jovens nos seminários americanos e que acabou por se converter pelo Bispo Fulton Sheen, afirma que o Catolicismo é considerado pelos comunistas como o seu único verdadeiro inimigo. Um outro testemunho da mesma época, confirmando a infiltração friamente calculada, é o de Douglas Hyde.

2. Embora em situação completamente diferente, a situação dos protestantes tem algo de semelhante, pois depois de se separarem de Roma tiveram o mesmo resultado, mas exponenciado (são vários milhares de denominações diferentes resultantes da cisão protestante…). Cada cabeça sua sentença.

3. Alguns exemplos: Proclo, secretário de S. João Cisóstomo, diz que a Virgem é formada de “barro limpo” (ou seja, barro, como todos os seres humanos, mas não sujo do pecado original, ao contrário de todos os seres humanos); diz S. João Damasceno que “em Maria não entrou a serpente”. A Igreja Oriental celebrava a festa da Imaculada Conceição já no século VII; na carta a Sérgio, aprovada pelo VI Concílio Ecuménico, diz Sofrónio sobre Maria: “Santa, imaculada de alma e corpo, livre de todo o contágio”.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 20 de setembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho.

Basto 10/2017

Papa Francisco: Amoris Laetitia é a moral de São Tomás de Aquino

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Imagem de Catholic Conclave, via En.news

Durante um encontro com jesuítas na Colômbia, o Papa Francisco afirmou que a controversa exortação Amoris Laetitia é “a moral do grande [São] Tomás [de Aquino]”. As declarações de Francisco foram publicadas no Catholic Herald e reproduzidas na La Civiltà Cattolica, revista jesuíta dirigida pelo insuspeito Pe. Antonio Sapadaro.

Para aqueles que sustentam que a moral subjacente ao documento não é “uma moral católica” ou uma moral que pode ser certa ou segura: “Quero repetir claramente que a moral da Amoris Laetitia é tomista”, ou seja, construída a partir da filosofia moral de Santo Tomás de Aquino, afirmou.

[…]

“Eu quero dizer isto para que possam ajudar aqueles que acreditam que a moral é puramente casuística”, afirmou, referindo-se a uma moral que muda de acordo com casos e circunstâncias particulares, em vez de uma que determina uma abordagem geral que guie a atividade pastoral da igreja .

Um dos melhores e “mais maduros” teólogos de hoje que pode explicar o documento é o cardeal austríaco Christoph Schönborn de Viena, disse ele.

(Papa Francisco, in Catholic Herald, 29/09/2017 – tradução livre)

A Gloria TV News relembra que, desde 2016, ano em que foi publicada a controversa exortação apostólica, vários académicos, entre eles Michael Pakaluk da Universidade Católica da América, têm mostrado como Tomás de Aquino (1225 – 1274) é mal citado e desinterpretado no texto da Amoris Laetitia.

Um exemplo é o número 301. Insinua que [São] Tomás apoia a ideia de que as pessoas possam tornar-se santas e, ao mesmo tempo, contrariar algumas virtudes. Na realidade, Tomás fala sobre pessoas que se arrependeram dos pecados passados e mantêm a lei moral, mas fazem isso com alguma dificuldade.

(in Gloria TV News, 29/09/2017 – tradução livre)

Quando Francisco recomenda o cardeal Christoph Schönborn para explicar a moral da Amoris Laetitia, dá vontade de responder ao Santo Padre, à boa maneira portuguesa: quem não o conhecer que o compre! O relativista cardeal de Viena é mais conhecido pela sua pastoral pro-gay, pro-aceitação do adultério e pró-balões e hard rock na Missa do que propriamente por sólidas competências nos campo da moral cristã. É portanto alguém que o Santo Padre deveria recomendar como aprendiz e não como mestre.

Basto 9/2017

Francisco expande falso magistério

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Por Christopher A. Ferrara

Num livro-entrevista de 450 páginas, o Papa Bergoglio reduz o adultério e a fornicação a “pecados menores”, anuncia uma “batalha” contra a moral sexual via Amoris Laetitia, tolera “uniões civis” para homossexuais, declara todas as guerras injustas e diz que o estado secular é uma coisa saudável.

Se houvesse alguma dúvida de que o tumultuoso reinado do Papa Bergoglio é uma ameaça inigualável, mesmo apocalíptica, à integridade da Fé, essa dúvida não pode sobreviver à publicação de “Papa Francisco: Encontros com Dominique Wolton: Política e Sociedade”, um compêndio de 450 páginas de conversas privadas entre Bergoglio e Wolton, um sociólogo francês, durante uma extraordinária série de audiências privadas no Vaticano.

Como tem feito habitualmente nos últimos quatro anos e meio, nesta mega-coleção de reflexões bergoglianas, o homem da Argentina diz-nos o que pensa, em oposição ao que a Igreja constantemente ensinou com base no que Deus revelou, tendo já declarado noutra das suas infames entrevistas que tudo o que ele pensa é o Magistério: “Estou constantemente a fazer declarações, a dar homilias. Isso é magistério. Isso é o que eu penso, não o que os media dizem que eu penso. Confira; é muito claro.”

Na Política e na Sociedade encontramos estas joias do pensamento bergogliano, de acordo com os trechos publicados até o momento:

  • A moral não envolve preceitos de certo e errado

“Como é que nós, católicos, ensinamos moral? «Não podemos ensiná-la com preceitos como: Tu não podes fazer isso, tu tens de fazer isso, tens de, não podes, tens de, não podes.»

“A moral é uma consequência do encontro com Jesus Cristo. É uma consequência da fé, para nós católicos. E para os outros, a moral é a consequência de um encontro com um ideal, ou com Deus, ou consigo mesmo, mas com a melhor parte de si mesmo. A moral é sempre uma consequência…”

Isto aplica-se aos 10 Mandamentos mas também às advertências evangélicas sobre as consequências eternas da não obediência aos preceitos morais, inclusive aqueles relativos ao adultério, à fornicação e à sodomia, bem como a todas as catequeses da Igreja em questões morais. Bergoglio pensa o contrário e o Magistério é o que ele pensa!

A afirmação de que “a moral é uma consequência” e não um preceito é o obscurantismo modernista clássico. O próprio Deus enunciou expressamente preceitos morais específicos que compelem todos os homens a fazer o bem e abster-se do mal: “Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor (Jn 14:21).”

Os pecados mais pequenos são os pecados da carne… Os pecados mais perigosos são os da mente…”

“Mas os outros pecados são os mais sérios: ódio, inveja, orgulho, vaidade, matar outro, tira uma vida… esses não são realmente muito falados”.

Ou seja, de acordo com o Papa Bergoglio, invejar a riqueza de um vizinho é pior do que cometer adultério com a esposa de um vizinho. Mesmo que, segundo a advertência de Nosso Senhor e o ensinamento constante da Igreja, os pecados da carne possam ser cometidos precisamente como “pecados da mente”, por meio de pensamentos impuros.

  • Condenar a imoralidade sexual é “mediocridade”:

“Existe um grande perigo para os pregadores, o de cair na mediocridade. Condenam apenas a moral – perdoe-me a expressão – “abaixo da cintura”. Mas ninguém fala dos outros pecados como ódio, inveja, orgulho, vaidade, matar outro, tirar a vida. Entrar na máfia, fazer acordos ilegais… «Tu és um bom católico? Então passa-me a conta.»”

Um argumento típico dos espantalhos bergoglianos. Nenhum confessor condena “apenas” os pecados sexuais ignorando assassinatos e outros pecados graves. Não obstante, o contrário é quase verdade: os pecados sexuais são amplamente minimizados e desculpados no confessionário – tal como Bergoglio os minimiza e os desculpa – enquanto as ofensas incipientes contra a “justiça social” são condenadas eterna e ostensivamente pelos sacerdotes e prelados modernos rendidos à revolução sexual.

Como Nossa Senhora de Fátima advertiu os videntes de Fátima, mais almas são condenadas por causa dos pecados da carne do que por qualquer outro. Mas de acordo com Bergoglio, “fazer acordos ilegais” é pior do que o adultério e a fornicação.

  • As regras morais não são proibições uniformes como pensavam os fariseus:

“A tentação é sempre a uniformidade das regras… tome por exemplo a exortação apostólica Amoris Laetitia. Quando falo de famílias em dificuldade, digo: «Devemos acolher, acompanhar, discernir, integrar…» e então todos verão portas abertas. O que realmente está a acontecer é que as pessoas ouvem outros dizer: «Eles não podem receber comunhão», «Eles não podem fazê-lo:» Aí está a tentação da Igreja. Mas «não», «não», «não!» Este tipo de proibição é o mesmo que encontramos com Jesus e os fariseus…”.

A linguagem é tão infantil quanto demagógica: isso significa que a velha Igreja é sempre tentada a dizer não, não, não! Boo! Hiss! Assim como aqueles fariseus que Bergoglio parece nunca ter notado que toleravam o divórcio e que Senhor os condenava pela institucionalização do adultério. Mas Bergoglio conhece o significado da misericórdia, o qual inclui a Sagrada Comunhão para adúlteros públicos. Ele vencerá a “tentação” da Igreja de dizer não, não, não ao comportamento imoral. Hooray para Bergoglio!

Que afronta é este Papa altivo, vulgar e insultuoso à memória dos grandes pontífices romanos que defenderam as verdades da Fé perante um mundo hostil, colocando risco as suas próprias vidas. A manutenção da sua reputação de humildade representa uma das mais bem-sucedidas fantasias das relações públicas na história moderna, apenas possível graças à cooperação global do “Complexo Industrial das Notícias Falsas”.

  • Sacerdotes e jovens que insistem em preceitos morais uniformes sem exceções estão doentes:

“Sacerdotes rígidos, que têm medo de comunicar. É uma forma de fundamentalismo. Sempre que encontro uma pessoa rígida, particularmente se for jovem, eu digo para mim próprio que está doente “.

O que quer dizer Bergoglio com uma “pessoa rígida”? É claro, ele deixou isso bem definido com a sua corrente interminável de mesquinhos insultos: um católico perseverante que entende que os preceitos negativos da lei natural não admitem exceções.

Observe-se o repúdio particularmente pelos jovens “rígidos” que ameaçam a visão megalomaníaca bergogliana de uma Igreja “transformada”. Esses jovens insolentes – não “ouvindo os jovens” neste caso! – fazem temer uma restauração da ortodoxia e da ortopraxis após o desaparecimento de Bergoglio. Eles têm de ser marginalizados agora, declarados dementes, à boa maneira da propaganda soviética.

“Essa mentalidade fechada e fundamentalista como a que Jesus enfrentou é “a batalha que eu hoje travo com a exortação“.

Ora aí está, como se nós ainda não soubéssemos: Francisco está a travar a guerra do ensinamento constante da Igreja sobre o adultério e outras violações do Sexto Mandamento que ele considera simples pecadilhos, em comparação com pecados como “fazer acordos ilegais”.

  • As “uniões civis” para homossexuais são aceitáveis:

“O «casamento» é uma palavra histórica. Na humanidade e não apenas  Igreja, é sempre entre um homem e uma mulher… não podemos mudar isso. Esta é a natureza das coisas. É assim que elas são. Vamos chamar-lhes “união civil”.

Quem pensa que Bergoglio defendeu aqui o casamento tradicional acreditará em qualquer coisa. Este comentário deliciou a fábrica de propaganda pró-homossexual pseudo-católica New Ways Ministry, condenada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1999. Conforme exultou a sua página web:

No entanto, o que há aqui de novo é o seu apoio às uniões civis para casais do mesmo sexo…. O Papa Francisco nunca, como pontífice, declarou o seu apoio às uniões civis com tanta força. (Ele apoiou as uniões ​​como um compromisso na sua oposição à igualdade matrimonial quando era arcebispo na Argentina. Como pontífice, ele fez uma declaração ambígua sobre as uniões civis, o que inspirou mais perguntas do que a certeza sobre sua posição.) Esta nova declaração de apoio é um gigantesco passo em frente “.

Não há como negar a realidade: Bergoglio abriu as comportas ao “casamento gay”, rotulado de “união civil”, ao qual a Igreja, seguindo o seu exemplo, deixará de se opor enquanto ele for Papa. Isto apesar do ensinamento contrário, tanto de João Paulo II quanto de Bento XVI, sobre o dever de todos os católicos de se oporem e recusarem a implementar qualquer forma de reconhecimento legal de “uniões homossexuais” porque “o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimónio”.

  • Nenhuma guerra é justa:

“Não gosto de usar o termo «guerra justa». Ouvimos as pessoas dizer: «Eu faço a guerra porque não tenho outros meios para me defender.» Mas nenhuma guerra é justa. A única coisa justa é a paz. “

Como tem sido claro até agora, qualquer que seja o ensinamento da Igreja que Francisco não goste, ele simplesmente lança-o borda fora. Afinal, como ele nos assegurou, o Magistério é o que ele pensa. Isto apesar do ensinamento contrário de Santo Agostinho, dos padres e doutores da Igreja, de São Tomás de Aquino, do Magistério de 2000 anos e até mesmo do Catecismo de João Paulo II (§§ 2307-2317), que afirma a bimilenar doutrina da Guerra Justa da Igreja.

Observe-se que Bergoglio, contrariamente ao ensino bimilenar da Igreja de acordo com a verdade revelada das Escrituras, declarou que a imposição da pena capital é um “pecado mortal” que deve ser universalmente abolido e pediu, até mesmo, a abolição das sentenças vitalícias por serem uma “pena de morte escondida“. Ele nunca exigiu a abolição do aborto, mesmo que, nesta entrevista, ele admita que é o assassinato de inocentes, contrariamente ao que se passa com os criminosos condenados.

  • O estado secular é uma coisa boa:

“O estado laico é uma coisa saudável. Há um laicismo saudável. Jesus disse: Devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus “.

Que César deva também dar a Deus as coisas que são de Deus parece não ter ocorrido a Bergoglio. Dado que o ensinamento tradicional da Igreja sobre o Reinado Social de Cristo não é decididamente o que Bergoglio pensa, ele excluiu-o do seu falso “magistério” de entrevistas e conferências de imprensa aeronáuticas. No entanto, permite que:

“em certos países como a França, esse laicismo carrega demais o legado da iluminação, o que cria a crença comum onde as religiões são consideradas uma subcultura. Eu acredito que a França – esta é a minha opinião pessoal, e não a oficial da Igreja – deveria «elevar» um pouco o nível do laicismo, no sentido de que deve dizer que as religiões também fazem parte da cultura. Como expressar isso em termos laicos? Através de uma abertura à transcendência. Todos podem encontrar sua forma de abertura”.

Note-se que, apenas quando expressa uma crítica suave ao estado secular, Bergoglio tem de frisar que esta é apenas a sua opinião e não o ensinamento da Igreja – evidentemente sob o pressuposto de que o ensino oficial da Igreja aceita o estado secular sem a menor reserva! Quanto à “abertura à transcendência”, esta significa meramente que o estado secular deve admitir que todas e quaisquer religiões, independentemente do que ensinam, são “parte da cultura”.

Como os leitores certamente se questionam: o que é que um católico tem a ver com o infinito delírio deste homem, que admite, na mesma entrevista, que nos seus quarentas se submeteu a psicanálise “com uma psicanalista judia. Durante meses, fui a casa dela uma vez por semana para esclarecer algumas coisas”?

Em primeiro lugar, obviamente, devemos manter a Fé apesar dos implacáveis ​​ataques que Bergoglio lança sobre ela.

Em segundo lugar, nunca devemos aceitar, por um momento que seja, através do nosso silêncio, o falso ensinamento do homem, mas sim, de acordo com a nossa condição, expô-lo e condená-lo a cada oportunidade, como soldados de Cristo e membros da Igreja militante, para que ninguém – especialmente entre a nossa família e amigos – sejam embalados a aceitar os erros de Bergoglio. Ele deve ser confrontado, dia após dia, pelos católicos ortodoxos que ele despreza tão claramente e procura ostracizar através da sua demagogia barata, até ao ponto de ajudar efetivamente o estado secular que ele considera absurdamente “saudável” na, cada vez mais intensa, caça às bruxas do “discurso de ódio” e dos “grupos de ódio”.

Em terceiro lugar, devemos considerar a possibilidade real de, com este Papa, termos entrado em território inexplorado na história do papado: a Cadeira de Pedro é ocupada por um homem que parece ter sido validamente eleito para o Papado, é universalmente reconhecido como um sucessor de Pedro e, de fato, é uma espécie de Antipapa nas suas palavras e atos. Pior ainda, nem mesmo os antipapas de facto, do passado, proferiram as falsidades e disparates que fluem de Bergoglio como um rio da sua nascente.

Este espantoso espetáculo deve encher-nos de pavor pela ameaça que representa para a Igreja, para os nossos filhos, para inúmeras outras almas e para o mundo em geral. Isto deve impelir-nos a rezar pela libertação da Igreja deste pontificado, mas também a rezar pelo próprio Francisco, apesar da legítima indignação que ele ocasiona e da reação emocional que sentimos com as suas excentricidades. Não deve ser, contudo, um momento para um alegre regozijo ao modo dos comentaristas sedevacantistas, que se deleitam com o que veem como se fosse a última confirmação da sua tese de que não tivemos Papa legítimo desde Pio XII.

O que agora estamos a testemunhar é algo mais do que mero sedevacantismo. O que é exatamente, apenas a história o dirá. Mas é certamente algo que a Igreja nunca viu antes. Sabendo isso, estaríamos adequadamente avisados sobre aquilo que pareceria, neste momento, ser uma dramática resolução celestial para o absolutamente inédito desastre bergogliano.

A edição original deste texto foi publicada no The Remnant Newspaper no dia 6 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

Primeira Dama da Colômbia agradece bênção recebida

No último dia da viagem do Santo Padre à Colômbia, María Clemencia Rodríguez de Santos, há “30 anoscompanheira do presidente Juan Manuel Santos, publicou uma mensagem e um vídeo, através do Twitter, para agradecer uma alegada bênção do Papa ao seu “matrimónio”.

“Tanto Santos como a Primeira Dama da Colômbia são divorciados em segunda união.”

(in Aciprensa, 14/09/2017 – tradução livre)

Basto 9/2017

Cardeal Burke: “urgência” em resolver os dubia “pesa bastante no meu coração”

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Por Claire Chretien

PARRAMATTA, Austrália, 22 de setembro, 2017 (LifeSiteNews) – Morreram dois dos quatro cardeais dos dubia que buscavam clareza moral junto do Papa Francisco a respeito dos seus controversos ensinamentos sobre o casamento e a família. Isso, contudo, não impedirá os restantes dois cardeais de continuarem o “importante trabalho de resolução dos dubia“, afirmou o cardeal Raymond Burke, um dos signatários dos dubia, em nova entrevista.

Numa ampla entrevista ao Catholic Outlook da diocese católica de Parramatta, Burke disse que “a urgência de uma resposta aos dubia deriva do dano causado às almas pela confusão e pelo erro que se produz enquanto as questões fundamentais levantadas não são respondidas de acordo com o constante ensino e prática da Igreja”.

Essa urgência “pesa muito no meu coração”, afirmou.

A confusão acerca da Amoris Laetitia levou as pessoas a “sentir que a Igreja não é um ponto de referência seguro”, disse Burke.

“Não há clareza sobre esses assuntos”, disse ele. “Essas pessoas estão numa situação muito complicada. É demonstrável, é um facto que temos conferências episcopais que se contradizem a respeito da Amoris Laetitia, os Bispos contradizem-se; temos fiéis leigos que discutem uns com os outros sobre isso; e tantos sacerdotes sofrem particularmente porque os fiéis chegam até eles à espera de certas coisas que não são possíveis, isto porque receberam uma dessas interpretações erróneas da Amoris Laetitia. Como resultado, deixam de entender o ensinamento da Igreja”.

“Sabemos que na Igreja temos apenas um guia, o Magistério, o ensinamento da Igreja, mas agora parecemos estar divididos entre os chamados campos políticos”, explicou Burke. “Além disso, mesmo a linguagem utilizada é muito mundana e isso preocupa-me muito.”

Burke, um dos mais firmes defensores da ortodoxia católica, disse que a Igreja pode dar “rumo” e conduzir à transformação cultural “em termos de respeito pela vida humana, respeito pela integridade da família e respeito pela liberdade religiosa”.

Burke sente a perda dos irmãos cardeais

Ele expressou ainda a sua tristeza pela perda de dois dos quatro signatários dos dubia, nomeadamente os cardeais Joachim Meisner e Carlo Caffarra. Dos quatro, apenas ele e o cardeal Walter Brandmüller continuam vivos.

Contou que Caffarra “sofreu profundamente” porque “a confusão e o erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

“Ao longo dos anos fui abençoado pela amizade do cardeal Carlo Caffarra, um excelente sacerdote e um académico em teologia do casamento e da vida familiar altamente conceituado”, afirmou Burke. “Durante os últimos três anos, trabalhei muito de perto com ele na defesa do casamento e da vida familiar face a uma crescente confusão e até mesmo erro, os quais entraram também na Igreja”.

“Em todos os encontros com o cardeal Caffarra fiquei impressionado com sua pureza de coração e com seu caráter totalmente sacerdotal”, continuou Burke. “Ele amava Cristo e o Seu Corpo Místico, a Igreja, com todo o seu coração. Por essa razão, sofreu profundamente pelo facto de que a atual situação de “confusão e erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

No entanto, Caffarra “nunca questionou a presença de Nosso Senhor connosco, de acordo com a Sua promessa aos discípulos, e nunca questionou a intercessão maternal da Virgem Mãe de Nosso Senhor”.

“Enquanto estamos tristes por perder a colaboração terrena desses dois grandes pastores e prelados, estamos certos de que eles continuarão a ajudar-nos com as suas orações inspiradas na sua caridade pastoral duradoura”, assegurou Burke.

Os liberais da Igreja “fazem ataques pessoais” enquanto apelam ao “diálogo”

Burke explicou que é muitas vezes mal retratado pelos média que o apresentam fundamentalmente em oposição ao Papa.

“Retratam o Papa Francisco como uma pessoa maravilhosa e aberta e não há nada de errado com isso, mas descrevem-me como o oposto”, disse Burke. “Eu acredito que qualquer pessoa que tenha tido alguma experiência comigo enquanto sacerdote ou bispo diria que sou muito pastoral e, de facto, não vejo nenhuma contradição entre ser pastoral e ser fiel no anúncio dos ensinamentos da Igreja e no cumprimento das leis da Igreja.”

“Eles fazem uma caricatura de alguém que pede clareza sobre certos assuntos, dizem “bem, ele é o inimigo do Papa” e está a tentar construir uma oposição ao Papa, o que, de todo, não é o caso, como é evidente“, disse Burke.

Burke criticou a tendência dos progressistas da Igreja que atacam pessoalmente qualquer pessoa que discorde deles enquanto fingem que são a favor do “diálogo”.

“Aquilo que me apercebo constantemente é que os ditos liberais, as pessoas que incitam à revolução na Igreja e tudo o mais, são liberais e querem diálogo mas só enquanto concordamos com eles”, disse Burke. “A partir do momento em que colocamos uma questão, eles tornam-se muito arrogantes, fazem ataques pessoais, aquilo a que chamamos argumentos de ad hominem, entre outras coisas. Isso realmente não é útil. Estamos a falar de verdades, estamos a falar de factos e devemos evitar esses tipos de ataques”.

“É um modo muito mundano de tratar as coisas, o qual não deve existir na Igreja, mas é aí que estamos neste momento”, disse ele. “As pessoas até fazem comentários depreciativos sobre outras pessoas quando não concordam com elas”.

“Bem, refiro-me a: «O que é que eu dise que não é verdade?» E eu respondo a isso”, continuou o cardeal. “Se me acusarem simplesmente de estar «fora de tom», «fora de contacto», ou seja o que for, «medieval», ou iludido, não há resposta para isso”.

Burke disse que reza pelos cardeais e outros na Igreja que o atacam.

“Eles são cardeais da Igreja” e em “posições de enorme responsabilidade”, afirmou. “Tenho também uma certa fraternidade com eles como membros do mesmo Colégio, o Colégio dos Cardeais, portanto nem é preciso dizer” que rezo por eles.

Esperança em Nosso Senhor

Burke encorajou os católicos a nunca desistirem da esperança, “independentemente de qualquer confusão ou mesmo divisões que entrem na Igreja”.

“Devemo-nos agarrar de forma mais fiel ao que a Igreja sempre ensinou e praticou”, disse o cardeal. “E assim iremos realmente salvar as nossas próprias almas, com a ajuda da graça de Deus, da qual, obviamente, nos devemos sempre aproximar.”

“Nosso Senhor está sempre connosco na Igreja”, continuou ele. “Ele é o nosso principal sacerdote e guia, portanto devemos ter confiança em seguir uma vida cristã. Devemos ter esperança Nele”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

As 7 heresias do Papa Francisco segundo a “Correctio Filialis”

A “Correção Filial, publicada no dia 24 de setembro, aponta sete heresias ao Papa Francisco, as quais foram redigidas em latim, língua oficial da Igreja Católica. Na sua tradução para português, pode ler-se:

Através destas palavras, atos e omissões, bem como das passagens acima mencionadas do documento Amoris laetitia, Sua Santidade apoiou, direta ou indiretamente, e propagou dentro da Igreja, com um grau de consciência que não procuramos julgar, tanto por ofício público como por ato privado, as seguintes proposições falsas e heréticas:

1) “Uma pessoa justificada não tem a força, com a graça de Deus, para cumprir as exigências objetivas da lei divina, como se a observância de qualquer um dos mandamentos de Deus fosse impossível aos justificados; ou como significando que a graça de Deus, quando produz a justificação do indivíduo, não produz invariavelmente e por sua própria natureza, a conversão de todo pecado grave, ou não é suficiente para a conversão de todo pecado grave.”

2) “Os católicos que obtiveram um divórcio civil do cônjuge com o qual estão validamente casados e contraíram um matrimónio civil com alguma outra pessoa durante a vida de seu cônjuge, e que vivem more uxorecom seu parceiro civil, e que escolhem permanecer nesse estado com pleno conhecimento da natureza de seu ato e com pleno consentimento do ato pela vontade, não estão necessariamente em estado de pecado mortal e podem receber a graça santificante e crescer na caridade.”

3) “Um fiel católico pode ter pleno conhecimento de uma lei divina e voluntariamente escolher violá-la, mas não estar em estado de pecado mortal como resultado desse ato.”

4) “Uma pessoa que obedece uma proibição divina pode pecar contra Deus por causa desse ato de obediência.”

5) “A consciência pode reconhecer que atos sexuais entre pessoas que contraíram um casamento civil, mesmo que uma delas esteja casada sacramentalmente com outra pessoa, podem às vezes ser moralmente lícitos, ou sugeridos ou até mandados por Deus.”

6) “Os princípios e as verdades morais contidos na revelação divina e na lei natural não incluem proibições negativas que proscrevem absolutamente certos tipos de atos, na medida em que eles são gravemente ilícitos em razão de seu objeto.”

7) “Nosso Senhor Jesus Cristo quer que a Igreja abandone a sua disciplina perene de negar a Eucaristia aos divorciados recasados, e de negar a absolvição aos divorciados recasados que não expressem nenhuma contrição por seu estado de vida e o propósito firme de emenda nesse particular.”

(in correctiofilialis.org)

Oremos para que o Santo Padre confirme os seus irmãos na Fé, corrigindo todas as heresias que têm provocado tantos danos nas almas e fortes divisões dentro da Igreja Católica.

Basto 9/2017

Correção Filial: 62 personalidades corrigem o Papa Francisco por “propagação de heresias”

correção filial

 

Um grupo de 62 académicos, clérigos e leigos de vinte países, publicou, em várias línguas, um documento enviado ao Papa Francisco, onde o repreendem por “propagação de heresias”. O documento em forma de carta, à qual o Santo Padre ainda não respondeu, apresenta-se como uma “correção filial” e está disponível online em sítio próprio.

Resumo da Correctio filialis:

Uma carta de vinte e cinco páginas, assinada por 40 clérigos católicos e académicos leigos, foi enviada ao Papa Francisco no dia 11 de agosto último. Como até o momento o Santo Padre não deu qualquer resposta, o documento é tornado público hoje, 24 de setembro de 2017, Festa de Nossa Senhora das Mercês e da Virgem de Walsingham (Norfolk, Inglaterra, 1061).

Com o título latino“Correctio filialis de haeresibus propagagatis” (literalmente, “Uma correção filial em relação à propagação de heresias”), a carta ainda está aberta à adesão de novos signatários, já tendo sido firmada até o momento por 62 clérigos e académicos de 20 países, representando também outros que não carecem da liberdade de expressão necessária.

Nela se afirma que o Papa, através de sua Exortação apostólica Amoris laetitia, bem como de outras palavras, atos e omissões a ela relacionados, manteve sete posições heréticas referentes ao casamento, à vida moral e à receção dos sacramentos,resultando na difusão das mesmas no interior da Igreja Católica. Essas sete heresias são expostas pelos signatários em latim, a língua oficial da Igreja.

Esta carta de correção contém três partes principais. Na primeira, os signatários explicam a razão pela qual lhes assiste, como fiéis católicos praticantes, o direito e o dever de emitir tal correção ao Sumo Pontífice. – Porque a lei da Igreja exige das pessoas competentes que elas rompam o silêncio ao verem que os pastores estão desviando o seu rebanho. Isso não implica nenhum conflito com o dogma católico da infalibilidade papal, porquanto a Igreja ensina que, para que as declarações de um Papa possam ser consideradas infalíveis, ele deve antes observar critérios muito estritos.

O Papa Francisco não observou esses critérios. Não declarou que essas posições heréticas constituem ensinamentos definitivos da Igreja, nem afirmou que os católicos devem acreditar nelas com o assentimento próprio da fé. A Igreja ensina que nenhum Papa pode declarar que Deus lhe revelou qualquer nova verdade nas quais os católicos deveriam acreditar.

A segunda parte da carta é fundamental, uma vez que contém a própria “correção”. Nela se enumeram as passagens em que Amoris laetitia insinua ou encoraja posições heréticas, e depois as palavras, atos e omissões do Papa Francisco que mostram, além de qualquer dúvida razoável, que ele deseja que os católicos interpretem essas passagens de uma maneira que é, de facto, herética. Em particular, o Pontífice apoiou direta ou indiretamente a crença de que a obediência à Lei de Deus pode ser impossível ou indesejável e que a Igreja deve às vezes aceitar o adultério como um comportamento compatível com a vida de um católico praticante.

A última parte, chamada “Nota de Esclarecimento”, discute duas causas desta crise singular. Uma delas é o “Modernismo”. Teologicamente falando, o Modernismo é a crença de que Deus não dotou a Igreja com verdades definitivas, as quais Ela deve continuar a ensinar exatamente do mesmo modo até o fim dos tempos. Os modernistas afirmam que Deus se comunica apenas com as experiências humanas sobre as quais os homens podem refletir, de modo a fazerem asserções diferentes sobre Deus, a vida e a religião; mas essas declarações são apenas provisórias, e nunca dogmas imutáveis. O Modernismo foi condenado pelo Papa São Pio X no início do século XX, mas renasceu em meados desse século. A grande e contínua confusão causada pelo Modernismo na Igreja Católica obriga os signatários a descrever o verdadeiro significado de “fé”, “heresia”, “revelação” e “magistério”.

Uma segunda causa da crise é a aparente influência das ideias de Martinho Lutero sobre o Papa Francisco. A carta mostra como Lutero, fundador do protestantismo, teve ideias sobre o casamento, o divórcio, o perdão e a lei divina que correspondem às que o Papa promoveu através de suas palavras, atos e omissões. A Correctiofilialis também destaca os elogios explícitos e sem precedentes que o Papa Francisco fez do heresiarca alemão.

Os signatários não se aventuram a julgar o grau de consciência com que o Papa Francisco propagou as sete heresias que enumeram, mas insistem respeitosamente para que condene tais heresias, as quais ele sustentou direta ou indiretamente.

Os signatários professam sua lealdade à Santa Igreja Católica, assegurando ao Papa suas orações e solicitando-lhe a Bênção apostólica.

(in correctiofilialis.org)

O documento completo pode ser lido em português aqui.

Comunicado de imprensa sobre a “Correção Filial ao Papa Francisco”:

Num ato que marca uma época, clérigos católicos e académicos leigos do mundo inteiro emitiram aquilo a que chamam uma “Correção Filial” ao Papa Francisco.

Nenhuma ação similar foi tomada desde a Idade Média.

Então, o Papa João XXII foi admoestado em 1333 por erros que ele mais tarde repudiou no seu leito de morte. No caso presente, os filhos e filhas espirituais do Papa Francisco acusam-no de propagar heresias contrárias à fé católica.

A sua carta, entregue ao Pontífice Romano na sua residência de Santa Marta em 11 de agosto de 2017 e agora totalmente pública, afirma que o Romano Pontífice apoiou posições heréticas sobre o casamento, a vida moral e a Eucaristia.

A carta de correção tem três partes principais, assim:

1) Na primeira parte, os 62 signatários explicam porque, como católicos crentes e  praticantes, têm o direito e o dever de emitir tal correção ao Papa. Isso não contradiz a doutrina católica da infalibilidade papal porque o Papa Francisco não promulgou opiniões heréticas como ensinamentos dogmáticos da Igreja. Enquanto professam a sua obediência às suas ordens e ensinamentos legítimos, eles afirmam que Francisco sustentou e propagou opiniões heréticas por vários meios diretos ou indiretos.

2) A segunda parte da carta é a essencial. Contém a “Correção” propriamente dita, escrita em latim, a língua oficial da Igreja. Enumera as passagens da Amoris Laetitia, documento do Papa Francisco sobre casamento e vida familiar, no qual insinua ou encoraja posições heréticas. Como alguns comentadores argumentaram que esses textos podem ser interpretados de maneira ortodoxa, a Correção continua enumerando outras palavras, atos e omissões do Papa Francisco que deixam claro, sem qualquer dúvida, que ele deseja que os católicos interpretem essas passagens de um modo que é, de facto, herético. Em particular, o Papa defendeu a crença de que a obediência à lei moral de Deus pode ser impossível ou indesejável e que os católicos por vezes devem aceitar o adultério como compatível com ser um seguidor de Cristo.

3) A parte final, chamada “Elucidação”, discute duas causas desta crise única. Uma causa é o “modernismo”. Teologicamente falando, o Modernismo é a crença de que Deus não entregou verdades definitivas à Igreja que ela deva continuar a ensinar exatamente no mesmo sentido até o fim dos tempos. O modernismo, portanto, focaliza-se em experiências e sustenta que doutrinas sobre Deus, fé e moral são sempre provisórias e sujeitas a revisão. Significativamente, o Papa São Pio X condenou o Modernismo no início do século XX. Uma segunda causa da crise é a influência das ideias de Martinho Lutero no Papa Francisco. A carta mostra como Lutero teve ideias sobre o casamento, o divórcio, o perdão e a lei divina que correspondem às que o papa promoveu. Ela também observa o louvor explícito e sem precedentes dado pelo Papa Francisco ao heresiarca alemão.

Os signatários não fazem julgamento sobre a culpa do Papa Francisco na propagação das 7 heresias que eles enumeram, uma vez que não é sua função julgar se o pecado da heresia foi cometido (o pecado de heresia, ou seja, heresia formal, é cometido quando uma pessoa se afasta da fé, duvidando ou negando alguma verdade revelada com toda a escolha da vontade). No entanto, deve notar-se que outros que falaram em defesa da fé católica foram sujeitos a represálias. Assim, os signatários falam por um grande número de clérigos e fiéis leigos que não têm liberdade de expressão.

Será notado que o bispo Bernard Fellay assinou a correção. A sua assinatura surgiu depois de o documento ter sido entregue ao Papa, mas agora ele expressa a concordância da Fraternidade de São Pio X com seu conteúdo. O Papa Francisco estendeu recentemente a mão de boas-vindas à FSSPX para os integrar legalmente na Igreja Católica.

Os signatários insistem respeitosamente que o Papa Francisco condene as heresias que ele tem, direta ou indiretamente, sustentado e que ensine a verdade da fé católica na sua integridade.

(in correctiofilialis.org – tradução livre)

A lista de signatários é impressionante, dadas as personalidades de relevo aí presentes. Essa lista encontra-se agora aberta ao público e pode portanto ser assinada – aqui – por qualquer pessoa que ame a Verdade.

O momento atual na Igreja Católica é muito grave, mas o Papa Francisco ainda está a tempo de evitar o pior, basta que tenha a humildade necessária para aceitar o verdadeiro ofício ao qual foi chamado.

Basto 9/2017

Adeus Wojtyla e Caffarra. Com Francisco muda-se a família

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Por Sandro Magister

ROMA, 19 de setembro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – O terramoto que mudou o rosto da Pontifícia Academia para a Vida atingiu também o instituto para estudos sobre matrimónio e família criado por João Paulo II e inicialmente liderado pelo teólogo e depois cardeal Carlo Caffarra.

A partir de hoje, esse histórico instituto foi extinto e substituído por outro com um nome diferente.

Como se estabelece de facto no artigo 1 do motu proprio Summa Familiae Cura, publicado esta manhã, com o qual o Papa Francisco “colocou a sua assinatura” na transformação:

“Com o presente motu proprio crio o Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, que, associado com a Pontifícia Universidade Lateranense, sucede, substituindo-o, o Pontifício Instituto de Estudos sobre Casamento e Família estabelecido pela constituição apostólica Magnum Matrimonii Sacramentum, o qual cessa portanto as suas funções.”

E no artigo 4:

“O Pontifício Instituto Teológico, assim renovado, irá adaptar as suas estruturas e fornecer as ferramentas necessárias – cátedras, professores, programas, pessoal administrativo – para realizar a missão científica e eclesial que lhe é atribuída”.

Por consequência, todos os professores do extinto instituto foram dispensados, enquanto o atual grão-chanceler Vincenzo Paglia e o presidente Pierangelo Sequeri mantêm-se no cargo cuja nomeação, há um ano, pelo Papa Francisco, seria o prelúdio para o atual cataclismo.

Os dois acompanham a publicação do motu proprio com uma nota que realça o “envolvimento direto” do Papa, o qual – dizem eles – “confia a tarefa de modelar as regras, estruturas e operacionalidade do novo instituto teológico” às mesmas “autoridades académicas do histórico Instituto João Paulo II”, ou seja, precisamente a esses dois e mais ninguém.

Ao descreverem o “horizonte mais amplo” no qual o instituto terá agora de se mover, Paglia e Sequeri referem-se, naturalmente, à Amoris Laetitia, mas também à Laudato Si’ e ao “cuidado da criação”.

Falta agora conhecer quem serão os docentes do novo curso, quem será reconduzido e quem não será, tanto em Roma como nas outras dependências espalhadas pelo mundo.

Falta também conhecer o que será feito com as últimas publicações do extinto instituto, especialmente aquele “vademécum” sobre a interpretação correta da Amoris Laetitia, que é visto como a praga pelos paladinos da comunhão aos divorciados recasados, ​e do qual o motu proprio Summa Familiae Cura parece afastar-se quando escreve que não será permitido “que se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado”.

A edição original deste texto foi publicada no Settimo Cielo a 19 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

Instituto João Paulo II de defesa do matrimónio e da família dá lugar a organismo de promoção da Amoris Laetitia

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No dia em que se completava exatamente um ano desde o envio da carta dos dubia que pedia esclarecimentos ao Santo Padre sobre os ensinamentos ambíguos da Amoris Laetitia, Francisco I extinguiu oficialmente o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, substituindo-o por um organismo destinado à promoção da Alegria do Amor. O novo organismo fundado através da Carta Apostólica Summa familiae cura de Francisco denominar-se-á Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

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in Gabinete de Imprensa da Santa Sé, 19/09/2017

Por mais estranho que possa parecer, João Paulo II quis que o instituto fosse fundado precisamente para defender o matrimónio e a família de tendências ideológicas como as que têm sido introduzidas na Igreja através da exortação apostólica Amoris Laetitia, as quais que se materializam em práticas pastorais contrárias à doutrina cristã.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

(in Radio Vaticano, 19/09/2017)

À data da publicação deste motu proprio do Papa Francisco, ou seja ontem, não tinham passado sequer duas semanas depois que o corpo do cardeal D. Carlo Caffarra foi a enterrar. Caffarra, presidente-fundador do agora extinto Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, era um dos quatro signatários da carta dos dubia e o autor da segunda carta dirigida ao Santo Padre.

Basto 9/2017

Dubia: um ano, duas cartas e nenhuma resposta

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Completa-se hoje um ano, mais precisamente 366 dias, depois que os quatro zelosos cardeais enviaram a famosa carta dos dubia ao Santo Padre, no dia 19 de setembro de 2016, para pedir esclarecimentos a respeito da interpretação do documento Amoris Laetitia.

Sete meses depois, a ausência de respostas, assim como a proliferação dos danos provocados na Igreja pelas interpretações anticristãs da controversa exortação apostólica, levou a que nova carta tivesse sido dirigida ao Santo Padre, no dia 25 de abril de 2017, acompanhada de um pedido de audiência.

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Um ano depois da primeira carta, quase meio depois da segunda, dois dos quatro cardeais já faleceram e o Papa continua sem dar a necessária resposta às cinco questões colocadas.

Quando é que o Santo Padre se dignará a responder finalmente aos cardeais? Não representarão eles uma das “periferias” da Igreja que necessita de ser escutada? A periferia da defesa da Verdade Cristã talvez, que parece cada vez mais afastada do centro e arredores da Igreja.

Basto 9/2017

O resultado do ecumenismo: apostasia

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Bispos e bispas no serviço religioso luterano-católico de homenagem ao herege excomungado Martinho Lutero, em Lund (Suécia) a 31 de outubro de 2016, in ELCA, 31/10/2016

 

Por Christopher A. Ferrara

Como foi noticiado pela Gloria TV (citando a orf.at), o arquimodernista cardeal Walter Kasper, cuja falsa noção de “misericórdia” animou todo o projeto da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos, acaba de declarar que “hoje em dia não há mais diferenças significativas entre cristãos protestantes e católicos…”

Compreensivelmente, essa observação provocou indignação entre os católicos ortodoxos, porém, após uma reflexão, reconhecer-se-á que é meramente uma afirmação do óbvio. Ou seja, hoje em dia, como mostram consistentemente os estudos de opinião, a generalidade dos católicos são efetivamente protestantes em termos de adesão ao ensino da Igreja sobre fé e moral, particularmente em questões relativas à moral sexual, incluindo a aceitação do aborto em “alguns casos“. Pior ainda, no que diz respeito ao casamento e à homossexualidade, hoje, o católico comum é ainda mais liberal do que os protestantes evangélicos mais conservadores, cuja Declaração de Nashville, que discuti no meu último artigo, certamente não receberia aprovação da maioria dos católicos. Por exemplo, como o Life Site News informa, “dois em cada três católicos – uns extraordinários 67% – responderam à Pew Poll Surveyors que agora apoiam o “casamento gay”.

Essa “conversão” de católicos, na prática, ao protestantismo liberal era eminentemente previsível. Foi, de facto, predita pelo Papa Pio XI na sua condenação ao “movimento ecuménico” de origem protestante na década de 1920. Ao proibir qualquer participação católica nesse movimento subversivo, Pio XI lançou este aviso na sua histórica encíclica Mortalium animos (1928):

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grémio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

O erro em questão é o de reduzir as diferenças entre católicos e protestantes a questões meramente discutíveis, que são postas de lado em favor do “diálogo ecuménico” baseado em verdades supostamente mais fundamentais. Como Pio XI explicou:

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conheçam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progressos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Por outras palavras, o “movimento ecuménico” levaria inexoravelmente à aceitação católica de uma forma de cristianismo de menor denominador comum, sendo o denominador determinado pelo implacável declínio moral e espiritual das seitas protestantes cujos adeptos não estão minimamente interessados em submeter-se à autoridade do Papa e do Magistério.

No entanto, ignorando o alerta previdente de Pio XI, as forças progressistas no Concílio Vaticano II conseguiram obter o aval do Concílio precisamente em relação ao “movimento ecuménico” por meio do documento conciliar Unitatis redintegratio, que aprova abruptamente a participação católica no próprio movimento que Pio XI tinha condenado apenas 25 anos antes. O que se seguiu foi a pletora de encontros “ecuménicos”, liturgias e outros gestos que colocaram a Igreja Católica em pé de igualdade com as seitas protestantes que surgiram para negar não só verdades reveladas mas até mesmo os preceitos da lei natural a respeito do casamento, da procriação e da santidade da vida humana em todas as suas fases.

E agora vemos o resultado final desse desastroso erro de julgamento prudencial, tal como foi previsto por Pio XI:

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

Ironia das ironias, hoje, os protestantes mais conservadores (como os do Sínodo Luterano do Missouri) não querem nada com a busca louca do “ecumenismo católico” do Vaticano com denominações protestantes de orientações completamente degeneradas, incluindo os apatetados anglicanos, precisamente porque esses protestantes mais conservadores rejeitam o indiferentismo religioso que o “ecumenismo” implica.

O resultado final do “ecumenismo” – e de facto toda a “abertura ao mundo” que se seguiu ao Vaticano II – foi descrita por João Paulo II na sua exortação apostólica sobre o estado da Fé na Europa, ainda ele nunca tenha admitido a culpa da própria liderança da Igreja na ruinosa adoção daquilo que Pio XI havia condenado. Citando João Paulo II: “A cultura europeia dá a impressão de uma «apostasia silenciosa» por parte do homem saciado, que vive como se Deus não existisse.” Mas poderia João Paulo II não ter conseguido reparar no papel dos próprios líderes da Igreja na renúncia programática à função divinamente designada da Igreja como única arca da salvação, encorajando os membros do seu próprio bando a abandonar o navio?

Quando é que os líderes da Igreja irão admitir que o último meio século de experimentação na novidade tem sido um desastre total, produzindo a pior crise na história da Igreja? Apenas quando o Imaculado Coração de Maria triunfar depois da Consagração da Rússia em obediência à ordem divina.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. As citações incluídas neste artigo estão apresentadas na tradução oficial do Vaticano. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 9/2017