Papa Francisco condena “atitudes perversas”

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Casal lésbico espanhol na Santa Sé, em janeiro de 2015, depois receberem um convite telefónico do Santo Padre no dia da Solenidade da Imaculada Conceição de 2014.

Através de uma mensagem clara e categórica enviada, na passada quinta-feira, para Bona (Alemanha), onde decorria a conferência COP23, o Santo Padre Francisco I afirmou perante os líderes globais que devemos evitar “atitudes perversas”.

Quais são?

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in Deutsche Welle, 16/11/2017

A emissora alemã Deutsche Welle informa e a Radio Vaticano confirma:

Devemos evitar quatro atitudes perversas: negação, indiferença, acomodação e confiança em soluções inadequadas”.

Para o Papa, “soluções técnicas são necessárias, mas insuficientes: é essencial levar em consideração também os aspetos e impactos éticos e sociais do novo paradigma de desenvolvimento a breve, médio e longo prazo”.

Francisco invoca novamente educação e estilos de vida voltados para uma ecologia integral, uma ação sem demora e livre de pressões políticas e económicas, e uma consciência responsável em relação à nossa Casa Comum e a contribuição de todos.

(in Radio Vaticano, 16/11/2017)

E desta forma implacável, o Santo Padre condena a “perversidade” de todos aqueles que ainda questionam de algum modo as controversas teses científicas do “aquecimento global” e o fundamentalismo ideológico presente em algumas políticas globalistas a elas associadas. Um tema que, apesar de não ser irrelevante, tem mais a ver com as coisas deste mundo do que com a salvação das almas.

Basto 11/2017

Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Vaticano publica “remake” do vídeo sacrílego de janeiro de 2016

janeiro...

Em janeiro de 2016, o Vaticano chocou alguns católicos com a publicação de um vídeo sacrílego onde a imagem do Menino Jesus aparecia equiparada a símbolos de crenças não cristãs e onde o Santo Padre explicava que “muitos […] procuram ou encontram Deus de diversas maneiras“, inclusivamente através da confiança “em Buda”.

Este vídeo dava início a uma série catequética repleta de exotismo onde, logo no mês seguinte, o Santo Padre continuava que “precisamos de uma conversão que nos una a todos“. Conversão a quê?

fevereiro...

Uma conversão universal ao cristianismo ambientalismo?

Quase dois anos depois, o Vaticano resolveu agora, neste mês de novembro, lançar uma versão light do vídeo sacrílego de janeiro de 2016. Nesta nova versão, as partes graficamente mais abusivas e ultrajantes em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo foram retiradas e substituídas por beijinhos e abraços, mantendo-se contudo o mesmo guião pautado pela indiferença sincretista do versão anterior.

Vídeo do Papa Nº1 – 01/2016 – versão original

Vídeo do Papa Nº1 v2 – 11/2017 – nova versão light

Não se conhecem ainda as razões que terão levado a produtora a fazer uma nova versão deste vídeo. Talvez tenha sido por uma questão de respeito pelas pessoas mais sensíveis. Nesta necessidade de diálogo é necessário demonstrar algum respeito também por aqueles que ainda acreditam.

Basto 11/2017

Pe. Santiago Martín confessa dor pela confusão existente na Igreja

O fundador dos Franciscanos de Maria confessa publicamente dor pelo atual momento da Igreja, em particular pelo recente afastamento do teólogo americano Thomas Weinandy por ter este ter questionado o Santo Padre:

Aqueles que geram a confusão não lhes acontece nada, sendo inclusive recompensados, e aqueles que dizem que há confusão são castigados.

(Pe. Santiago Martín in Magnificat TV – tradução livre)

Basto 11/2017

Thomas Weinandy: “um teólogo para todas as estações”

O The Remnant Newspaper publicou mais um excelente cartoon alusivo ao drama da atual situação que se vive na Igreja Católica. Desta vez, fez um paralelismo entre o caso da recente resignação forçada do teólogo americano Thomas Weinandy e o martírio de São Tomás Moro (Thomas More).

Thomas Weinandy é um frade da ordem dos Capuchinhos, membro da Comissão Teológica Internacional, tendo sido também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA, cargo que teve de abandonar no momento em que questionou os estranhos ensinamentos e intenções do Papa Francisco.

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Título do cartoon: Um Teólogo para Todas as Estações – No balão de diálogo: “Morro como fiel servidor do Papa, mas Deus primeiro.” in The Remnant Newspaper, 08/11/2017

O cartunista fez uma alusão direta ao filme biográfico de 1966 sobre São Tomás Moro, A Man for All Seasons“, que quer dizer “Um Homem para Todas as Estações”, apesar de ter saído em Portugal e no Brasil com títulos que não correspondem à tradução literal do original.

A famosa frase de Tomás Moro “Morro como bom servo do rei, mas Deus primeiro.” terá sido pronunciada no seu próprio julgamento, em 1535. Sendo, à época, um homem influente e próximo do monarca inglês, Tomás Moro recusou, por razões de fé, reconhecer legitimidade à relação adúltera de Henrique VIII com Ana Bolena.

Não tendo obtido, do Papa Clemente VII, a pretendida anulação do seu casamento com Catarina de Aragão para se recasar com Ana Bolena, o rei Henrique VIII acabaria por fundar, em 1534, a Igreja Anglicana, que continua, até hoje, separada de Roma.

Basto 11/2017

Próximo passo dos restantes cardeais dos “dubia” em direção à correção formal

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Por Steve Skojec

Há um ano, neste dia, 14 de novembro de 2016, quatro cardeais deram o passo formal de publicar um conjunto de cinco dubia – perguntas sobre proposições teológicas duvidosas – que dirigiram diretamente ao Papa Francisco dois meses antes. Os dubia dizem respeito às diretrizes pastorais para os católicos divorciados “recasados ” que vivem more uxorio (envolvidos em relações sexuais), como delineado no magnum opus papal de 264 páginas e quase 60.000 palavras, a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia (AL). Hoje, depois de um ano de esforços sem uma única resposta ou audiência concedida – um ano em que dois dos quatro cardeais dos dubia morreram – o cardeal Burke referiu numa nova entrevista que o silêncio do Papa é uma resposta insuficiente à grave confusão e preocupação que a sua exortação causou.

Numa entrevista dada, a 14 de novembro, ao National Catholic Register, o Cardeal Burke fez um “último apelo” ao Papa Francisco, mencionando a “cada vez pior” situação que se seguiu posteriormente à exortação.

Burke diz que a preocupação dos cardeais dos dubia sempre foi a de “determinar com precisão o que o Papa queria ensinar como Sucessor de Pedro” e reiterou a sua análise inicial do documento, dizendo que “pela sua própria natureza, afirmações que não têm essa clareza não podem ser qualificadas como expressões do magistério”. Burke continua:

É evidente que algumas das indicações da Amoris Laetitia sobre aspetos essenciais da fé e da prática da vida cristã receberam várias interpretações divergentes e às vezes incompatíveis entre si. Este facto incontestável confirma que essas indicações são ambivalentes, permitindo uma variedade de leituras, muitas das quais estão em contradição com a doutrina católica. As questões que nós cardeais levantámos dizem respeito ao que o Santo Padre ensinou exatamente e como o seu ensino se harmoniza com o depósito da fé, dado que o magistério “não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado. “(Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, nº 10).

Referindo-se aparentemente à análise do professor Josef Seifert de que a consequência lógica da aplicação de certos princípios sugeridos na AL seria uma destruição de todo o edifício do ensinamento moral católico, Burke disse que “para entender o alcance dessas mudanças propostas, basta pensar no que aconteceria se esse raciocínio fosse aplicado a outros casos, como o de um médico que realizava abortos, de um político pertencente a uma rede de corrupção, de uma pessoa que sofre e decide pedir o suicídio assistido…”

Ao dizer que o “sentido da prática sacramental eclesial está cada vez mais em erosão na Igreja”, Burke admitiu que estava a fazer, como o entrevistador Edward Pentin lhe perguntou, um “apelo final” ao Papa, talvez dando a entender que o próximo passo não seria simplesmente outro aviso:

Sim, por estas graves razões, um ano depois de publicar os dubia, volto-me novamente para o Santo Padre e para toda a Igreja, enfatizando o quão urgente é que, no exercício do ministério que recebeu do Senhor, o Papa deva confirmar os seus irmãos na fé com uma expressão clara do ensinamento sobre a moral cristã e o significado da prática sacramental da Igreja.

Desde a sua publicação em abril de 2016, como uma reflexão dos dois sínodos sobre o casamento e a família realizados em 2014 e 2015, respetivamente, a AL provocou mais controvérsia entre teólogos, bispos e pastores do que qualquer outra ação papal existente na nossa memória.

Muitos marcos aconteceram desde que a AL se estreou publicamente no ano passado – são demais para contar. Entre os mais significativos, por ordem cronológica:

  • A 29 de junho de 2016, um grupo internacional de 45 teólogos, pastores e académicos católicos emitiu uma carta e uma análise teológica ao colégio de cardeais acerca da Amoris Laetitia. Os signatários descreveram 19 censuras teológicas – 11 das quais foram rotuladas como heréticas – com base numa “leitura natural” da AL. Em 26 de julho de 2016, o seu documento e a carta com suas assinaturas foram publicados depois de serem divulgados à imprensa, presumivelmente por um dos destinatários.
  • A 19 de setembro de 2016 – dez dias após a carta do Papa que apoiava a sacrílega interpretação da Amoris Laetitia dos bispos da região de Buenos Aires – quatro cardeais católicos – Walter Brandmüller, Raymond Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner – enviaram uma carta ao Papa referindo “a grave desorientação e a grande confusão de muitos fiéis em questões extremamente importantes para a vida da Igreja”. A carta incluiu cinco dubia – o procedimento formal pelo qual teólogos e prelados podem pedir a Roma esclarecimentos sobre questões relativas ao ensinamento da Igreja.
  • Em 14 de novembro de 2016, depois de não terem recebido resposta papal, os quatro “cardeais dos dubiapublicaram a sua carta, incluindo os cinco dubia referentes às várias proposições da Amoris Laetitia.
  • Em 7 de dezembro de 2016, o bispo Athanasius Schneider de Astana, Cazaquistão, – uma das vozes ortodoxas mais abertas na Igreja – afirmou numa entrevista a uma estação de televisão francesa que, se os dubia permanecessem sem resposta, haveria “não só um risco de cisma” mas que “existe já um certo tipo de cisma na Igreja”. “Estamos hoje a testemunhar”, afirmou o bispo Schneider, “uma forma bizarra de cisma. Externamente, numerosos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, às vezes pelo bem das suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria. Simultaneamente, quebraram laços com Cristo, a Verdade, e com Cristo, o verdadeiro Chefe da Igreja”.
  • Em 13 de dezembro de 2016, eu delineei as cinco respostas simples de uma palavra que poderiam pôr fim à controvérsia dos dubia de uma vez por todas.
  • Em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke – o cardeal dos dubia com maior destaque no mundo anglófono – disse numa entrevista com Lisa Bourne, do Life Site News, que os dubia “precisam de obter uma resposta porque têm a ver com os próprios fundamentos da vida moral e o ensinamento constante da Igreja em relação ao bem e ao mal”. Questionado sobre o calendário para uma eventual “correção formal” ao Papa na ausência de uma resposta aos dubia, Burke indicou que, se tal ação for necessária, provavelmente ocorreria algum tempo depois da Epifania, em 2017.
  • Também em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke explicou, numa entrevista ao Catholic World Report, que havia uma base bíblica para corrigir um Papa (Gal 2:11) e indicou que existiam mais prelados do que os quatro cardeais que apoiavam os dubia. Quando perguntado se era possível para o Papa “separar-se da comunhão com a Igreja” por “cisma ou heresia”, Burke respondeu: “Se um Papa professasse formalmente heresia, ele deixaria, por esse ato, de ser o Papa. É automático. Então isso poderia acontecer.”
  • Em 24 de dezembro de 2016, o importante jornal alemão Der Spiegel publicou um artigo em que se afirmava que, entre um “círculo muito pequeno” de pessoas próximas ao Papa, Francisco explicou que era possível ele “entrar na história como aquele que dividiu a Igreja Católica”.
  • Em 11 de janeiro de 2017, John F. Salza, coautor do livro “Verdadeiro ou Falso Papa”, delineou, num artigo para o The Remnant (mais tarde republicado no 1P5), o que poderia acontecer, juridicamente falando, se o Papa Francisco continuasse a recusar responder aos dubia.
  • Em 17 de janeiro de 2017, três dos bispos do Cazaqusitão – Tomash Peta, arcebispo metropolitano da arquidiocese de Santa Maria de Astana, Jan Pawel Lenga, arcebispo-bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana – emitiu uma declaração conjunta solicitando orações aos fiéis para que o Papa Francisco “confirmasse a práxis imutável da Igreja em relação à verdade sobre a indissolubilidade do casamento”. Os bispos deram exemplos específicos de como a Amoris Laetitia contém “diretrizes pastorais” que contradizem “na prática” certas “verdades e doutrinas que a Igreja Católica continuamente ensinou como sendo seguras”.
  • Em 25 de março de 2017, o Cardeal Burke deu uma palestra numa paróquia em Springfield, na Virgínia, na qual falou sobre a disseminação de uma “confusão muito prejudicial na Igreja” e a necessidade de resposta aos dubia. Questionado sobre o que aconteceria se o Papa não respondesse, o cardeal Burke respondeu: “simplesmente teremos que corrigir novamente a situação, de forma respeitosa […] traçar a resposta às questões [dubia] a partir dos ensinamentos constantes da Igreja e dá-las a conhecer para o bem das almas”.
  • Em 8 de junho de 2017, a Conferência Episcopal da Polónia completou a sua assembleia geral, depois da qual o seu porta-voz, Pawel Rytel-Andrianik, disse que “o ensinamento da Igreja em relação à Sagrada Comunhão para as pessoas que vivem em relações não sacramentais” não mudou “após o documento papal Amoris Laetitia“.
  • Em 19 de junho de 2017, o veterano vaticanista Sandro Magister publicou uma carta do cardeal dos dubia Carlo Caffarra, escrita em 25 de abril de 2017, na qual pedia “que fosse concedida uma audiência papal para que pudessem discutir os dubia que ainda não foram respondidos.” À data da publicação da carta já tinham passado dois meses sem, novamente, qualquer resposta do Papa ao pedido de audiência.
  • Em 5 de julho de 2017, o cardeal Joachim Meisner, um dos quatro cardeais dos dubia, faleceu durante as férias em Bad Füssing, na Alemanha, aos 83 anos. No momento da sua morte, ainda não havia resposta ao pedido de audiência solicitado. Numa mensagem lida no funeral de Meisner, o Papa Emérito Bento XVI lembrou aos que lamentavam o seu amigo que “O Senhor não abandona a Igreja”.
  • Em 31 de agosto de 2017, o eminente filósofo católico austríaco, o professor Josef Seifert, foi forçosamente “aposentado”, pelo seu arcebispo, da sua posição na cadeira de Dietrich von Hildebrand, da Academia Internacional de Filosofia de Granada, Espanha, em resposta à sua segunda crítica à Amoris Laetitia. Académicos católicos e até mesmo um bispo reagiram imediatamente à injustiça desta ação.
  • Em 6 de setembro de 2017, quase dois meses depois da morte do cardeal Meisner, o cardeal Carlo Caffarra, outro dos quatro cardeais dos dubia, faleceu aos 79 anos. Nenhuma mensagem do Papa Emérito foi lida no funeral de Caffarra.
  • Em 12 de setembro de 2017, Gabriel Ariza, da publicação de língua espanhola Infovaticana, revelou que o falecido Cardeal Caffarra havia confirmado, poucos meses antes de sua morte, que sabia que os cardeais dos dubia estavam a ser “vigiados” e que eles “tinham suas comunicações sob escuta” e que podiam “fazer pouco mais do que procurar alguma forma de comunicação mais segura”.
  • Em 27 de setembro de 2017, um grupo de clérigos católicos e académicos leigos tornaram pública uma “Correção Filial” que fora entregue primeiramente ao Papa no dia 11 de agosto, depois do que, também eles, não receberam resposta. A sua carta deu um passo sem precedentes ao usar a palavra “heresia” em referência não apenas a possíveis interpretações da exortação apostólica Amoris Laetitia, mas também a outras “palavras, ações e omissões” recentes do Papa. Desde a sua publicação, a lista de clérigos e académicos signatários cresceu para 250, enquanto duas petições (aqui e aqui) de apoio à Correção Filial obtiveram mais de 20 mil assinaturas adicionais de leigos.
  • Em 29 de setembro de 2017, o cardeal Gerhard Müller, antigo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou, numa entrevista com Edward Pentin, que “as pessoas que trabalham na Cúria vivem com grande medo: se eles proferem uma crítica pequena ou inofensiva, alguns espiões passarão os comentários diretamente ao Santo Padre e as pessoas, falsamente acusadas, não têm possibilidade de defesa.” Quando perguntado por Pentin sobre a expressão “reino de terror”, que havia sido usada por um respeitável elemento da Igreja, Müller respondeu: “Acontece o mesmo em algumas faculdades teológicas – se alguém tiver alguma observação ou pergunta sobre Amoris Laetitia, serão expulsos e outras coisas mais.”
  • No dia 1 de novembro, o Pe. Thomas Weinandy – um frade capuchinho que antes exercera como chefe de gabinete do Comité de Doutrina dos Bispos dos EUA, sendo também atualmente membro da Comissão Teológica Internacional no Vaticano, publicou uma carta que enviou ao Papa – que também não recebeu nenhuma resposta – descrevendo as preocupações que teve a respeito da “confusão crónica” que ele acredita que marca “este pontificado”. A primeira das suas cinco críticas foi dirigida à Amoris Laetitia, sobre a qual ele afirma que a orientação do Papa às vezes parece intencionalmente ambígua, convidando a uma interpretação tradicional do ensino católico sobre casamento e divórcio, bem como a uma que possa implicar uma mudança nesse ensinamento.” Ele falou mais tarde de um clima de medo na Igreja, dizendo que “muitos temem que se dizem o que pensam” no que concerne à preocupação sobre o que está a acontecer na Igreja, “eles serão marginalizados ou pior”. Após a publicação da sua carta,  ficou provado que o Pe. Weinandy estava correto quando foi convidado a renunciar à sua posição na Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos – um pedido com o qual ele cumpriu.

A ausência de uma correção formal em outubro – marcando o 100º aniversário da última aparição de Fátima – deixou muitos católicos a questionar se a ação será mesmo tomada. A revelação de hoje deixa, no entanto, claro que o esforço dos dubia – bem como a correção formal que necessariamente deverá dar-lhe seguimento – está no caminho e em andamento.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 14 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Católicos expulsos de igreja em Paris

Mais um grupo de fiéis foi forçado a sair de uma igreja católica. Desta vez foi em França, na Igreja de Nossa Senhora dos Mantos Brancos de Paris, no passado dia 31 de outubro. Os jovens interromperam um serviço dito ecuménico através da recitação de um rosário de reparação enquanto uma sacerdotisa protestante performizava ritos estranhos em frente ao altar principal.

Basto 11/2017

João Batista abriu a boca para falar

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Pierre Puvis de Chavannes, 1869

 

Como os tempos atuais são de pura confusão, “confusão diabólica”, se quisermos recorrer aos termos utilizados pela Ir. Lúcia, ninguém ficará surpreendido quando ler as palavras do Arcebispo de Braga publicadas há pouco mais de quatro meses no sítio oficial da arquidiocese, depois de ler a exótica e surpreendente informação aí publicada durante a semana passada. Relembremos que D. Jorge Ortiga foi um dos bispos portugueses que, em 2015, perseveraram na Fé, resistindo às fortes pressões ideológicas do momento.

Excertos da homilia de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, por ocasião da celebração da Solenidade do Nascimento de São João Batista:

(A homilia é muito bela e poderosa, merecendo ser lida na sua totalidade e divulgada.)

Abri a boca para falar

[…]

Alguns impõem as suas ideologias e critérios de vida. Os cristãos assistem passivamente e deixam que a sociedade se desenvolva sem alma nem sentido.

João Baptista dá o exemplo. Herodíades pensava que seria capaz de calar para sempre aquele que expressava a voz da Verdade e da consciência humana. Quis silenciar João Baptista porque ele falou e não se calou. O seu martírio suscitou, naquele tempo, horror mas aumentou a fama de João, tornando-o conhecido dentro da comunidade cristã, bem como no mundo pagão. Flávio José, um escritor pagão, dizia que ele era um “homem bom que levava os judeus ao exercício das virtudes”.

Poderia contemporizar ou até deixar correr sem erguer a sua voz para proclamar a verdade e denunciar os erros daquela época. Nada o detinha! Só se apaixonava pela verdade.

Era este exemplo que gostaria de deixar, este ano, na festa de São João. Zacarias perdeu a voz mas recuperou-a para falar da verdade no templo. João não se intimidou e proclamou a doutrina, correndo risco de vida. Dois exemplos a alertar a Igreja de hoje para a necessidade de perder o medo de vir para a praça pública. A sociedade vai evoluindo em muitos aspectos positivos mas ninguém ignora como as ideias contra a nossa cultura e um verdadeiro humanismo se impõem e crescem. Há uma estratégia com objectivos bem delineados e sempre apoiados por grupos de pequenas dimensões que não desistem e vão impondo os seus critérios e modos de edificar a sociedade.

Respeito pessoalmente a liberdade e não condeno quem tem projectos e luta por eles. Só que me impressiona a passividade e a inércia da multidão que murmura em silêncio mas não ousa levantar a voz. É necessário soltar a língua dos católicos para que falem, escrevam e se sirvam dos meios de comunicação social. Com frequência pede-se aos bispos que intervenham. É o seu papel e não sei se, de facto, estamos a ser a voz crítica que as circunstâncias exigem. Só que a Igreja não é apenas os bispos. Há muitos cristãos que deveriam falar no âmbito restrito dos círculos de amigos mas também procurar as praças públicas da comunicação social que, talvez com um espírito temerário, não deixarão de dar espaço e oportunidade.

[…]

Gosto da figura de São João Baptista. Foi um percursor porque ensinou e baptizou. Mas a grandiosidade da sua vida residiu em não ter medo de se confrontar com os comportamentos imorais e de erguer a voz contra eles. Custou-lhe caro. Mas a sua vida passou para além dele mesmo. Poderia ter sido um profeta como tantos outros que existiam na época. A coragem de falar e de mostrar a verdade das suas convicções ultrapassou-o e é por isso que estamos aqui hoje, não só para o recordar mas também para o imitar. Levemos para a vida esta coragem de falar em nome da Igreja a que pertencemos e mostremos a verdade, ainda que não seja fácil. Descubramos caminhos novos para estar na sociedade, talvez na vida política, mas ousemos ser o que a fé nos exige: testemunhas com o silêncio da vida e apóstolos que se fazem ouvir, a propósito e a despropósito, em todas as ocasiões e momentos.

(D. Jorge Ortiga, Homilia na Solenidade do Nascimento de São João Batista, 24/06/2017 – o sublinhado é nosso)

Dito isto, cabe-nos perguntar:

  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “proclamar a verdade” e a “doutrina”, referia-se mais precisamente a quê?
  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “denunciar os erros daquela época”, condenava exatamente o quê?
  • Em que é que os erros da nossa época diferem dos da época de João Batista?
  • Se naquela altura “João não se intimidou e proclamou a doutrina”, o que faz temer hoje os pastores da Igreja? Porque não “abrem a boca para falar”?

 

Basto 11/2017

Arquidiocese de Braga em risco de cisma

O Norte poderá vir a ser a primeira região portuguesa a aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco para as situações de adultério. De acordo com a informação publicada ontem no sítio oficial da Arquidiocese de Braga, o Minho prepara-se para experimentar a Alegria do Amor.

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in Correio da Manhã, 08/11/2017

 

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual. A resolução foi aprovada ontem, por unanimidade, no Conselho Presbiteral, onde foram definidas orientações para a renovação da Pastoral Familiar.

O grupo que irá acompanhar os divorciados que vivem em nova união será composto por leigos e sacerdotes. Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas.

(in sítio oficial da Arquidiocese de Braga, 08/11/2017)

 

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página facebook da Arquidiocese de Braga

É uma pastoral herética que se afasta dos ensinamentos constantes da Igreja estabelecidos nos documentos magisteriais e que põe em causa as palavras proferidas pelo próprio Deus a este respeito. Esta informação, embora ainda vaga, posiciona a Arquidiocese de Braga em risco de cisma.

1650. Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

1651. Com respeito a cristãos que vivem nesta situação e que muitas vezes conservam a fé e desejam educar cristãmente os seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar provas duma solicitude atenta, para que eles não se sintam separados da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como baptizados que são:

«Serão convidados a ouvir a Palavra de Deus, a assistir ao sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a prestar o seu contributo às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em prol da justiça, a educar os seus filhos na fé cristã, a cultivar o espírito de penitência e a cumprir os actos respectivos, a fim de implorarem, dia após dia, a graça de Deus» (174).

(Catecismo da Igreja Católica in sítio oficial da Santa Sé)

Escusado será referir que a imutável doutrina da Igreja é bem “mais velha que a Sé de Braga”, assim como a sua práxis que jamais poderá ser contraditória. Ainda assim, para os casos de falta de memória, convém lembrar as palavras que São João Paulo II pronunciou precisamente em Braga.

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

 

Basto 11/2017

Maria na Sagrada Escritura

Este excelente vídeo foi publicado há vários anos no canal True Faith TV com o título original A Verdade sobre Maria e as Escrituras. Agora existe, finalmente, uma edição legendada em português.

Mais uma vez, a nossa vénia ao Tradutor Católico.

Basto 11/2017

Cardeal Burke na cidade do Porto

O cardeal D. Raymond Burke terminou ontem a sua visita a Portugal na cidade do Porto, onde apresentou o seu mais recente livro “O Amor Divino Encarnado”.

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Cardeal D. Raymond Leo Burke no auditório do Hotel Ipanema Park, no Porto, 06/11/2017.

Independentemente das opiniões que cada um possa ter, este cardeal é uma figura da Igreja que dispensa qualquer tipo de apresentação, merecendo, portanto, todo o respeito fraternal e institucional. No entanto, a sua presença na segunda cidade mais importante do país parece que não conseguiu atrair um único representante do clero nortenho. A julgar pela indumentária dos presentes, o único sacerdote que ali se deslocara percorreu mais de uma centena de quilómetros para marcar presença.

A edição portuguesa deste livro encontra-se à venda na página da editora Caminhos Romanos.

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Neste livro, o Cardeal Raymond Burke analisa a beleza e o poder da Sagrada Eucaristia, à luz dos ensinamentos de São João Paulo II e Bento XVI.

(in contracapa do livro “O Amor Divino Encarnado”, do Cardeal Burke)

Por vezes parece que entramos num novo paradigma religioso.

Basto 11/2017