Donald Trump responde a Pyongyang com termos semelhantes aos de Truman aquando de Hiroshima

Depois de mais uma ameaça histérica dos norte-coreanos aos EUA, o presidente dos Trump respondeu com termos que fazem lembrar a declaração proferida pelo presidente Harry Truman quando a força aérea americana tinha acabado de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima.

Se eles [os japoneses] não aceitarem os nossos termos [de rendição] agora, podem esperar uma chuva de ruína vinda do ar como nunca se viu nesta Terra.

(Harry Truman, em 6 de agosto de 1945, in Footage Farm – tradução)

A diferença nas duas declarações, conforme reparou o Washington Examiner, é que, enquanto Truman contextualizou a ameaça num discurso elaborado que se estendeu por mais de 1100 palavras, Trump disse-o em menos de 100 palavras. Uma declaração curta e seca, feita de improviso, ao estilo imprevisível de Donald Trump. Mas em ambos os casos a mensagem foi clara, a persistência na mesma atitude encontrará uma resposta militar dos EUA de escala inédita.

Basto 8/2017

Casal gay pede bênção ao Papa para os seus filhos

Já aqui tínhamos reportado anteriormente a notícia do casal gay que, em abril deste ano, batizara os filhos na catedral de Curitiba, no Brasil. Um acontecimento verdadeiramente impressionante, embora não impressione tanto quanto o silêncio geral da hierarquia católica e a indiferença do povo perante o sucedido.

Esta semana, Toni Reis, um dos dois pais (varões) adotivos das crianças visadas nesse batizado, resolveu partilhar, através do facebook, a sua recente troca de correspondência com a Santa Sé.

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in Massa News, 08/08/2017 (Foto do dia do batizado: Toni Reis acompanhado do seu marido David Harrad, juntamente com os três filhos adotivos e ainda o sacerdote que realizou a cerimónia)

No dia 4 de junho, o sr. Reis dirigiu uma carta ao Santo Padre, assinada por si e pelo seu marido e filhos, onde pedia uma bênção papal que mostrasse, de algum modo, a sua aprovação em relação ao caminho de integração religiosa que estavam a proporcionar aos seus filhos.

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Carta de Toni Reis dirigida ao Santo Padre

O Papa Francisco respondeu no dia 10 de julho, através de um dos seus assessores, manifestando desejos de “felicidades” e invocando “graças divinas” dirigidas a “toda a família” do conhecido ativista gay brasileiro.

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Carta de resposta do Santo Padre a Toni Reis (remetida pelo seu assessor Mons. Paulo Borgia)

Entretanto, sabemos pela ACI, a subdiretora do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, García Ovejero, prestou-se a corrigir a interpretação que tem sido dada à bênção invocada na carta enviada em nome do Papa Francisco. Segundo ela, “em português esta expressão tem um sentido genérico e amplo”, não se podendo portanto depreender daí uma aprovação do relacionamento homossexual de três décadas de Toni Reis com o inglês David Harrad. Uma observação pertinente de alguém que fala espanhol…

Não obstante o prestável esclarecimento da porta-voz do Vaticano, a verdade é que, nessa carta, é ainda mais difícil depreender algum tipo de desaprovação da prática homossexual do sr. Tony com seu companheiro ou tirar qualquer tipo de ilação a respeito dos riscos de deformação espiritual aos quais expõem os adolescentes por eles perfilhados.

Basto 8/2017

Igrejas do Leste, um espinho no flanco do Papa

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Por Sandro Magister

ROMA, 3 de agosto, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – A Europa do Leste é um espinho no flanco do pontificado de Francisco e são muitos e variados os elementos que o comprovam.

No duplo sínodo da família, os bispos da Europa Oriental estiveram entre os mais decididos defensores da tradição, começando pelo relator geral da primeira sessão, o cardeal húngaro Péter Erdõ, autor de, entre outras coisas, uma clamorosa condenação pública das violações cometidas pela fação reformista, que era claramente apoiada pelo Papa.

Depois do sínodo, a Europa do Leste voltou a ser, mais uma vez, a fonte das interpretações mais restritivas do documento papal Amoris Laetitia. Os bispos da Polónia foram particularmente unânimes em pedir uma aplicação do documento em perfeita continuidade com o antigo ensinamento que a Igreja desde a sua origem até João Paulo II e Bento XVI.

Os bispos da Ucrânia – onde 10 por cento da população são católicos – também estão entre os mais dedicados na oposição a ruturas no que concerne à tradição nas áreas do casamento, penitência e Eucaristia. Mas, para além disso, não se abstiveram de criticar fortemente as posições pró-russas do Papa Francisco e da Santa Sé em relação à guerra em curso no seu país, uma guerra que eles sentem como a agressão de mais ninguém a não ser a da Rússia de Vladimir Putin.

O abraço entre o Papa e o patriarca Kirill de Moscovo, no aeroporto de Havana, em 12 de fevereiro de 2016, com o documento associado assinado por ambos, foi também um poderoso elemento de fricção entre Jorge Mario Bergoglio e a Igreja Católica Ucraniana, que se vê injustamente sacrificada no altar desta reconciliação entre Roma e Moscovo.

A morte, no passado dia 31 de maio, do cardeal Lubomyr Husar, o anterior arcebispo-maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, voltou a dirigir a atenção para esta personalidade de elevadíssimo perfil, capaz de reconstruir espiritualmente uma Igreja que emergiu de décadas de perseguição sem qualquer tipo de concessão perante os cálculos diplomáticos – em função de Moscovo e do seu patriarcado – que, ao invés, durante o pontificado de Francisco voltaram a prevalecer.

O sucessor de Husar, o jovem Sviatoslav Shevchuck, é bem conhecido de Bergoglio pela sua anterior atividade pastoral na Argentina. Mas ele também é uma dos críticos mais diretos às tendências do atual pontificado, tanto no campo político como no doutrinal e pastoral.

E “certamente não foi por acaso”, escreveu há três semanas o Papa Emérito Bento XVI aquando da morte do seu amigo o cardeal Joachim Meisner, o indomável arcebispo de Berlim durante o regime comunista, “que a última visita da sua vida foi a um confessor da fé”, o bispo da Lituânia cuja beatificação estava a ser celebrada, um dos inúmeros mártires do comunismo na Europa do Leste que hoje corre o risco de cair no esquecimento.

*

Neste contexto emerge naturalmente a questão: nesta região da Europa, qual é o estado de saúde do catolicismo que se sabe estar em sério declínio em outras partes do mundo e particularmente na vizinha Europa Ocidental?

Esta questão recebeu uma resposta exaustiva – ainda que em termos puramente sociológicos – numa pesquisa abrangente realizada pelo Pew Research Center em Washington, que é talvez o barómetro mais confiável do mundo no que diz respeito à presença de religião na cena pública:

> Crença Religiosa e Pertença Nacional na Europa Central e do Leste:

O estudo incidiu precisamente sobre os países da Europa Oriental, quase todos submetidos no passado a regimes comunistas ateístas. E o primeiro facto impressionante neles constatado é o renascimento, em quase todos os lugares, de um sentimento forte e generalizado de pertença religiosa, que para os ortodoxos – uma reconhecida maioria em toda a área – coexiste com uma rara participação nas liturgias dominicais, enquanto que para os católicos é acompanhada de uma participação semanal bastante significativa na Missa: enquanto, por exemplo, na Polónia, 45% dos batizados e, na Ucrânia, 43% marcam presença na liturgia dominical, na Rússia, apenas comparecem 6% dos fiéis da confissão ortodoxa.

A República Checa suportou o peso do ateísmo de Estado, que adicionado a uma hostilidade anti-católica antiga que remonta ao protestantismo “hussita” e a uma posterior recatolicização imposta pelos Habsburgos, fez com que, neste país, 72% da população declare não ser afiliada em qualquer tipo de fé religiosa. Mas também aqui, entre os católicos que representam um quinto da população, a frequência dominical é, mesmo assim, de 22%, mais ou menos tanto como na Itália e muito mais do que na Alemanha, na França ou na Espanha, sem mencionar a Bélgica e a Holanda.

E o mesmo vale para a Bósnia, onde há poucos católicos, apenas 8%, mas o seu comparecimento dominical atinge um robusto valor de 54%.

Vale a pena ler todo o estudo do Pew Research Center  pela riqueza da informação que fornece. Mas aqui basta destacar que os católicos da Europa do Leste se distinguem dos ortodoxos, não apenas pelos seus muito mais elevados índices de prática religiosa, mas também por uma visão geopolítica antagónica.

Enquanto a Rússia ortodoxa é vista como o bastião natural contra o Ocidente, recebendo a aprovação de grandes maiorias, entre os católicos existe uma muito maior frieza para com a Rússia, em especial na Ucrânia e na Polónia, que se inclinam muito mais para uma aliança com os Estados Unidos e o Ocidente.

Uma divergência adicional pode ser ainda encontrada no campo ortodoxo entre aqueles que, como na Rússia, reconhecem o patriarca de Moscovo como a mais alta autoridade hierárquica da ortodoxia e aqueles que optam mais pelo patriarca de Constantinopla do que pelo de Moscovo, como acontece na Ucrânia, com 46% dos ortodoxos pelo primeiro e apenas 17% pelo segundo.

Sobre o casamento, a família, a homossexualidade e temas afins, pelo menos metade dos católicos apoiam as posições tradicionais da Igreja. E uma grande maioria da população total – com a única exceção na República Checa – é contra o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Mas, agrupando os dados por faixas etárias, é fácil constatar que os jovens adotam cada vez mais a mentalidade permissiva que, na Europa Ocidental – incluindo na Igreja Católica – é já desenfreada.

Uma mentalidade que certamente não encontra qualquer resistência no pontificado de Francisco.

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 3 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

As “revelações surpreendentes” da Irmã Lúcia na reportagem da SIC

Muitos de nós ainda se lembram de, na década de noventa do século passado, a então recém-criada estação portuguesa de televisão privada SIC ter aberto um telejornal com a notícia de alegadas “revelações surpreendentes” da Ir. Lúcia a respeito da mensagem de Fátima. Desde então, várias gravações editadas dessa reportagem têm corrido o mundo para justificar diversas interpretações da mensagem de Fátima, umas mais otimistas do que outras.

Uma observação mais atenta da referida reportagem suscita alguma prudência na sua utilização como prova material de algumas das alegadas “revelações surpreendentes” da vidente de Fátima.

Todos nós desejamos que as “revelações” anunciadas na referida reportagem estejam completamente corretas e que as fontes aí citadas não tenham, de forma involuntária,  interpretado mal a vidente de Fátima, uma vez que elas são bem mais favoráveis do que a realidade parece evidenciar… Mas a verdade é que, se tais “revelações” eram de facto “surpreendentes” na altura da sua publicação, principalmente quando confrontadas com outras declarações da mesma vidente, elas tornam-se ainda mais surpreendentes à medida que o tempo passa e avaliamos, à luz da mensagem de Fátima, o estado a que chegou o mundo (Rússia incluída) e principalmente a Igreja. Não deve ser por acaso que esta reportagem é hoje utilizada para justificar a normalidade do momento insólito que a Igreja vive desde 2013 para cá…

Esperemos que, num futuro próximo, publiquem os vídeos integrais da entrevista e, de preferência, com algum tipo de correção técnica, dada a má qualidade das gravações apresentadas, para que não restem a mínima dúvida em relação à informação em causa.

Basto 8/2017

Bispo brasileiro ensina que homossexualidade é “um dom de Deus”

D. Antônio Carlos Cruz Santos é o bispo da diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, Brasil. No último domingo de julho, na homilia da missa de encerramento da festividade de Santana, o bispo condenou os “preconceitos contra os nossos irmãos homoafetivos”.

Em plena homilia, o bispo referiu-se à sodomia nestes termos:

Se não é escolha, se não é doença, na perspetiva da fé é dom, é dado por Deus.

(D. Antônio Santos, 30/07/2017)

Ao ouvirmos esta pregação, não podemos deixar de concluir que, se o bispo não sofre de alguma doença mental e se esta nunca foi a nossa Fé, isto só pode ser apostasia pura. E como já nos vamos habituando, lá tinha de vir a referência à nova misericórdia do Papa Francisco e, em particular, à sua famosa frase: “Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” Mas, sem sairmos da mesma linha de interpretação, quem é D. Antônio Santos para julgar a doutrina constante da Igreja revelada pelo próprio Deus?

Nesta homilia, o bispo elogiou ainda a atitude pastoral do Santo Padre para com a transexual espanhola a quem o Papa telefonou no dia da Solenidade da Imaculada Conceição, em 2014, e convidou para uma visita a Roma (acompanhada da sua namorada homossexual) com as despesas a cargo da Santa Sé.

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Santo Padre acolhe calorosamente as duas senhoras homossexuais no Vaticano. A transexual Diego Lejárraga foi mulher até aos 40 anos, altura em que optou por se submeter a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar em homem. À esquerda encontra-se a sua namorada.

Após o encontro do casal lésbico com o Santo Padre, a transexual assumiu publicamente que saiu de cabeça erguida, vai à missa e comunga, sentido-se agora um verdadeiro homem. Aliás, o próprio Papa diz que ela agora é “homem” e “casado”, apesar de ter sido “rapariga”. E ela, que agora “é ele”, agradece.

Basto 8/2017

Clero é o “principal obstáculo” à agenda do Papa Francisco: jornal do Vaticano

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Por Pete Baklinski

ROMA, 27 de julho, 2017 (LifeSiteNews) – O “principal obstáculo” que o Papa Francisco encontra na implementação da sua agenda para a Igreja vem da “falta de abertura, se não mesmo hostilidade” de “uma boa parte do clero, tanto nos altos níveis como nos baixos”, dizia um artigo do jornal semi-oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, no fim de semana.

Giulio Cirignano, um padre italiano e especialista em Escritura, da Faculdade Teológica da Itália Central, acusou todos os níveis do clero – padres, bispos e cardeais – de se oporem à agenda do Papa porque estão ligados a formas tradicionais de pensamento e de práticas.

“O principal obstáculo que se coloca no caminho de conversão que o Papa Francisco quer trazer para a Igreja é constituído, até certo ponto, pela atitude de uma boa parte do clero, nos altos e nos baixos níveis… uma atitude, por vezes, de não abertura se não hostilidade”, afirmou.

Cirignano defende que, em geral, são os fiéis, e não o clero, os únicos que reconhecem que agora é o “momento favorável” para a “conversão” da Igreja defendida pelo Papa Francisco.

“A maioria dos fiéis tem compreendido, apesar de tudo, o momento favorável, o Kairos, que o Senhor está a oferecer à sua comunidade. A maior parte está a comemorar”, afirmou.

“Mesmo assim, a parte [da comunidade] mais próxima de pastores pouco iluminados mantém-se atrás de um velho horizonte, o horizonte das práticas habituais, da linguagem fora de moda, do pensamento repetitivo vazio de vitalidade”, acrescentou.

Cirignano apontou vários fatores para explicar porque é que grande parte do clero não apoia a agenda do Papa para a Igreja. Isso inclui, explicou, o facto de muitos possuírem um “modesto nível cultural”, uma imagem inaceitável do que significa ser sacerdote e ainda confusão teológica a respeito de Deus e da religião.

Muitos clérigos que se opõem ao Papa Francisco, continuou, atuam a partir de uma velha teologia, associada à Contra-Reforma. Tal teologia, disse ele, é “sem alma.” Ela é responsável por transformar a “apaixonante e misteriosa aventura de acreditar” em “religião” que não atinge o nível de uma “fé” verdadeira.

Cirignano explicou que tal “religião” produz um “deus hipotético” que é, “para a maior parte, projeção humana da sua mente.”

“A religião surge a partir do medo e das necessidades humanas… Tem no entanto esta grande limitação: o Deus da religião é, para a maior parte, a projeção humana da sua mente, dos seus medos, das suas necessidades. É um deus hipotético.”

“Quando o sacerdote é muito marcado por uma mentalidade religiosa e muito pouco por uma fé límpida, então tudo se torna mais complicado”, disse ele, acrescentando: “Arrisca-se a ser a vítima de muitas coisas inventadas pelo homem a respeito de Deus e da Sua vontade.

A palavra “religião” vem de uma palavra latina que significa “vincular”. Através da religião, os católicos vinculam-se às verdades da fé, principalmente como foi expresso pelos primeiros credos da Igreja (o dos Apóstolos e o de Niceia) que ainda hoje são recitados. O Catecismo da Igreja Católica ensina a necessidade de tais declarações formais na religião católica, uma vez que elas ajudam quem as professa a “alcançar e aprofundar a fé de todos os tempos.”

Desde a sua eleição em 2013, o Papa Francisco tem impulsionado uma visão da Igreja onde as práticas pastorais entram por vezes em conflito com o constante ensinamento católico e onde casos complicados se tornam a exceção à regra.

Os seus ensinamentos ambíguos, especialmente os da sua controversa exortação Amoris Laetitia, de 2016, levaram bispos e cardeais a interpretar as suas palavras de formas que conduziram a práticas pastorais contraditórias.

Aqueles que têm pedido clarificação ao Papa, como os quatro cardeais (um dos quais já faleceu), bem como numerosos teólogos católicos e académicos, têm sido ignorados.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 27 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Santo Padre retoma as audiências gerais com uma palavra forte: contaminação!

Talvez não seja tão forte quanto a “história do fracasso de Deus” ou o Cristo “que se fez diabo“, mas ainda assim, e como o próprio Papa avisou, é “uma palavra um pouco forte” para caracterizar a vida da Igreja.

E nessa mesma linha catequética, o Santo Padre exorta-nos a recordar a data em que cada um de nós foi “contaminado” pelo Batismo.

A tarefa de hoje é aprender a recordar a data do Batismo, que é a data do renascimento, é a data da luz, é a data em que – se eu me puder permitir usar a palavra – a data em que fomos contaminados pela luz de Cristo.

(Papa Francisco I in Audiência Geral de 02/08/2017 – tradução)

O Santo Padre tem razão, “contaminação” e “contaminados” são palavras “fortes”; “um pouco” é favor…

Contaminação: substantivo feminino 1. Acto de contaminar; 2. Mancha, impureza; 3. Infecção.

Contaminar: verbo transitivo 1. Sujar, manchar (o que é puro ou respeitável) por contacto vil ou pestilento; 2. Alterar para um estado ética ou moralmente negativo (=CORROMPER, PERVERTER); 3. Infeccionar; 4. Comunicar alguma doença, mal ou vício.

(in Dicionário Priberam, 03/08/2017)

O vídeo completo da Audiência Geral dobrado para português pela Redação Brasileira do Vaticano pode ser visto aqui.

Basto 8/2017

A cruz caiu sobre eles…

No passado dia 10 de julho, em Espanha, várias pessoas acabaram feridas quando se juntaram para assistir à demolição de um monumento cristão alegadamente construído durante o regime franquista. Era a cruz do monte de Gaztelumendi, localizada na província da Biscaia, no País Basco.

Ainda bem que filmaram este lamentável momento porque as imagens são de um simbolismo extraordinário.

Basto 8/2017

Paglia para os adúlteros públicos: Sigam em frente e recebam a Sagrada Comunhão

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Por Christopher A. Ferrara

Ninguém, nem mesmo um Papa, pode alterar o constante ensinamento da Igreja e a sua disciplina integralmente relacionada sobre a “impossibilidade intrínseca” da absolvição e da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos em “segundos casamentos” que tencionam manter as suas relações adúlteras.

Recorde-se o que disse o Papa Bento XVI, a respeito da função do papado, no seu primeiro sermão enquanto Pontífice Romano recém-eleito:

O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

Considere-se a palavra de Deus a respeito do divórcio: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.” (Lc 16, 18)

Baseados na Palavra de Deus, bem como no ensinamento constante e na disciplina da Igreja em sua obediência durante 2000 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI – agindo como um Papa deve agir – reafirmaram o ensino bimilenar da Igreja de que adúlteros públicos, precisamente devido ao facto do seu estado de vida, não podem participar no Santíssimo Sacramento.

Contudo agora, graças exclusivamente à Amoris Laetitia (AL), é-nos dito, pelo próprio prelado que o Papa Francisco colocou à frente do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, que este ensinamento foi, na prática, derrubado. O Arcebispo Vincenzo Paglia (da obscena infâmia mural) declara abertamente, numa entrevista recente, que aqueles que vivem em uniõesirregulares” podem agora ser “integrados” na vida eclesial, tal como estão, sem antes mudarem de vida:

Aqueles que vivem em situações irregulares, se eles aceitarem ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã (especialmente se o processo for promovido e conduzido pelo bispo), terão possibilidade de encontrar várias e graduais formas de integração, não excluindo integração sacramental.

O palavreado vazio de significado – “ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã… graduais formas de integração” – é simplesmente uma folha de figueira que esconde uma permissão nua para aqueles que vivem em vários estados de adultério habitual e público receberem a Sagrada Comunhão sem antes mudarem de vida. Isso é exatamente o que os bispos da Alemanha, Sicília, Malta e outros lugares têm autorizado, enquanto os bispos de outros países, como a Polónia, continuam a defender o ensino e a disciplina bimilenar da Igreja, tal como fizeram os dois antecessores imediatos de Francisco na Cátedra de Pedro.

A manchete do LifeSiteNews diz tudo: “Arcebispo do Vaticano: Papa Francisco abriu Comunhão a adúlteros”. E este é o prelado que foi nomeado chefe do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família!

Somos testemunhas de uma catástrofe crescente. Cegueira voluntária perante os factos não é aqui uma opção. Tudo o que podemos fazer diante desta realidade é precisamente o que Nossa Senhora de Fátima pediu a todos os católicos, que inclui orar pelo Papa. Orar também pela resolução divina que certamente irá seguir-se à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima intercedei por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 31 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 8/2017

Poroshenko pede a Constantinopla para reconhecer a autocefalia da Igreja Ucraniana

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Poroshenko in RISU, 28/07/2017

No dia 28 de julho, data em que se assinalava o batismo de São Vladimir o Grande e dos Rus de Kiev (início da cristianização daquilo que é hoje a Ucrânia, a Rússia e outras nações do Leste Europeu), o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, publicou uma mensagem na sua conta facebook onde exorta o Patriarca de Constantinopla a reconhecer a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana face a Moscovo.

Há 1029 anos atrás, Vladimir o Grande tomou uma grande decisão ao batizar os Rus da Ucrânia e aceitou a fé cristã da Igreja de Constantinopla, que para nós é ainda a Igreja Mãe, e é esta Igreja que esperamos que reconheça a autocefalia da Igreja Ucraniana – equivalente a outras Igrejas ortodoxas nacionais e, claro, espiritual e administrativamente independente de Moscovo, o estado agressor.

(Petro Poroshenko in RISU, 28/07/2017 – tradução)

A mensagem aparece junto a um curto vídeo da estátua de São Vladimir existente na capital ucraniana.

A mensagem do presidente ucraniano é uma dupla provocação contra Rússia, nesta região europeia onde o nacionalismo se confunde com a religião. Por um lado, rejeita a autoridade religiosa do Patriarcado de Moscovo sobre a Ucrânia e, por outro, reconhece Constantinopla como a sede legítima da ortodoxia (estatuto contestado pela Igreja Ortodoxa Russa).

Basto 7/2017

Portugal e o depósito da Fé

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Por Pedro Sinde

Os portugueses têm uma imagem de si próprios, espiritualmente, muito menorizada; não é demais, no entanto, insistir que eles têm uma missão; uma missão que os uniu durante séculos e que foram cumprindo quase sem pensar nisso. É verdade que no “interregno”, entre 1580 e 1640, os portugueses pareciam pensar já ter perdido a razão de existir como País, pois, na verdade, a primeira parte da sua missão universal se cumprira já: levar a todo o mundo o cristianismo. Esse período de sessenta anos equivaleu à manifestação exterior de uma mudança de ciclo no interior da alma portuguesa – como o pousio para um campo, assim foi a sua breve reintegração peninsular. A Restauração viria a ser o sinal de que ainda havia sentido para a sua existência.

Em 1646, quando D. João IV entrega Portugal, com a coroa, à Imaculada, semeia uma semente do mundo espiritual nesta nossa terra; semente que permaneceu debaixo da terra, da terra da alma portuguesa, até 1917, altura em que veio a florescer em Fátima. O santuário do Sameiro (1890), dedicado também à Imaculada, foi um primeiro rebento, que veio preparar aquela eclosão de Fátima, situada, curiosamente, em termos geográficos, entre os dois prestigiados santuários à Imaculada que o precederam: Sameiro e Vila Viçosa; e também praticamente coincidindo, de modo bastante significativo, com o centro geográfico de Portugal.

Em 1917, a Virgem veio, pois, dizer aos portugueses que a sua missão se transformara, se subtilizara, mas que iria continuar. Deus quis assim ensinar a três crianças humildes, aquilo que aos doutores quis esconder. E esses mesmos doutores ainda hoje riem pirronicamente das três crianças, ignorando que a sabedoria de Deus é loucura para os homens

No contexto deste artigo, interessa-nos destacar dois aspectos da mensagem de Fátima, ligados à missão de Portugal:

1. A Virgem diz, em 13 de julho, que em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, e isso apesar dos tempos de generalizada apostasia em que temos vivido. Este ponto é o centro a partir do qual tudo o resto se ordenará: a fidelidade dos portugueses ao depósito da fé (se pudermos identificar “dogma da fé” com “depósito da fé”). A ideia de que haverá uma apostasia generalizada está, de resto, perfeitamente de acordo com o que diz o próprio Catecismo sobre o fim dos tempos (§ 675, onde se fala de uma “impostura religiosa” e de uma prova que “abalará a fé de numerosos crentes”) e, naturalmente, o Evangelho, nas tremendas palavras do Filho de Deus: “Quando, porém, voltar o Filho do Homem encontrará fé sobre a terra?” (Lc XVIII, 8). Se se conservará sempre, então, podemos pensar num papel espiritual análogo ao de um barco, uma barca, uma arca – uma arca de Noé –, enquanto durar o dilúvio espiritual da apostasia; foi em barcos que noutros tempos Portugal levou ao mundo inteiro a boa nova de Cristo, seria agora num barco, mas de outra natureza, que ajudaria a conservação do depósito da fé.

2. A Virgem veio também dizer que é vontade do seu Filho que o culto ao Coração Imaculado de Maria se difunda em todo o mundo: “para salvar as almas, Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração”; estas são as palavras da Virgem logo depois de ter mostrado às três crianças a terrífica visão do Inferno. Ora, é muito evidente que isso não aconteceu ainda e que o culto ao Coração Imaculado não tem dentro da Igreja o lugar digno que corresponda ao desejo de Deus: o de o estabelecer no mundo! O que têm feito os portugueses para este fim? A Igreja portuguesa tem aqui uma função essencial, pedida expressamente pela Santa Virgem. Não seria pequeno o seu contributo se ajudasse a estabelecer no mundo esta devoção, que, na verdade, se vai estabelecendo, muitas vezes apesar da hierarquia. Mesmo em Fátima, esta devoção (penso por exemplo na prática dos Cinco Primeiros Sábados) está muito longe de ter o papel central que devia ter. E aqui se vê que o povo, que acorre a Fátima nos primeiros sábados, fá-lo normalmente por sua própria iniciativa; e esta é a nossa grande esperança, na verdade, a de que no seu sensus fidei, no seu sentido da fé, saiba sempre o povo reconhecer onde está a verdade, mantendo-se fiel; vox populi, vox Dei, voz do povo, voz de Deus.

Temos de nos recordar que a Virgem não pode ter dito em vão aquelas importantes palavras sobre o papel de Portugal na conservação do dogma; seguramente, quis que os portugueses tomassem consciência do que lhes estava reservado, para se prepararem. Lembremo-nos que as seis aparições da Virgem em 1917, foram precedidas pelas três aparições do anjo; este anjo identificou-se dizendo ser o Anjo de Portugal. Isto é absolutamente inusitado nas aparições marianas de todo o mundo e, por isso, devemos ver aí um sinal claro de que estas aparições se ligam intrinsecamente ao ser mais íntimo da identidade portuguesa. O essencial desta missão, ensinaram o Anjo e a Virgem, cumpri-la-á Portugal colaborando com os Céus pela intenção de reparação que deve presidir à sua oração e aos seus sacrifícios, segundo a amorosa doutrina do corpo místico.

Dir-se-ia, no entanto, que Portugal parece tanto à deriva como qualquer outro País para aparecer com uma missão tão grandiosa; também à deriva parecia estar a Arca no dilúvio, no entanto, como antes à Arca, também agora a Divina Providência o conduz, pelas mãos da Virgem: lembremos de novo que desde 1646 é ela quem tem a coroa e, por isso, o poder de reinar. O leme deste barco não está nas mãos dos homens, embora Deus se possa servir circunstancialmente deles. E é aqui que o primeiro ponto se cruza com o segundo, pois onde encontrará refúgio a doutrina, para se conservar, senão no Coração da Mãe? “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc II, 19)… Não é ela, afinal, a Sede da Sabedoria? Não é ela, afinal, a verdadeira Arca da Aliança? E não foi esta senão a prefiguração sua? A consagração de Portugal à Imaculada tem, certamente, relação com a manifestação do Coração Imaculado em Fátima e Balasar (sobre que esperamos escrever noutra ocasião); é no Coração da Mãe que encontraremos, sempre preservadas, as palavras do Filho. Se nos lembrarmos que o depósito da fé se conservará no Coração Imaculado, então será mais fácil de entender porque é que em Portugal, mais do que noutros lugares, se conservará, pois o nosso povo, desde a origem da nacionalidade, praticamente, é de uma fidelidade impressionante à Imaculada. E o povo que permanecer católico, vai perseverar nessa fé. E será dentro da nova Arca de Noé – agora Arca de Maria – que encontrará preservada a Palavra do Senhor: a doutrina, o dogma da fé, o depósito da fé. Porque ali, ainda hoje, a Imaculada medita o profundo mistério do seu Filho na imensidão amorável da Trindade. Assim, será a Imaculada, ela mesma, quem conservará, de novo, a palavra sagrada. Talvez a esta luz já não nos pareça tão inusitada a afirmação da Virgem em torno da conservação do dogma da fé em Portugal, porque aos portugueses caberá manter a fidelidade à Imaculada; e será à Imaculada que caberá a conservação do dogma, coisa que faz, como sua função, vencedora de todas as heresias, desde que meditava, no seu coração, como vimos, os eventos e as palavras do Filho.

Fátima é de uma coerência espantosa, não me canso de o constatar e sempre fico perplexo.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 15 de fevereiro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho. A imagem foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 7/2017