O segredo de Fulda

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Durante a sua viagem pastoral à Alemanha, de 17 a 18 de novembro de 1980, o Papa João Paulo II terá conversado com um grupo de católicos locais. Esse diálogo seria reproduzido na publicação de outubro do ano seguinte da revista alemã Stimme des Glaubens. De acordo com o texto da revista alemã, entretanto traduzido, o Santo Padre terá respondido a duas questões que lhe foram colocadas sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

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Bênção papal de João Paulo II em Fulda, Alemanha, em novembro de 1980 – Bispado de Fulda

O Terceiro Segredo de Fátima não devia já ter sido publicado por volta de 1960?

Dada a gravidade do seu conteúdo, os meus antecessores na cadeira de Pedro preferiram diplomaticamente adiar a publicação, para não encorajar o poder mundial do Comunismo a  tomar certas atitudes. Por outro lado, é suficiente todos os Cristãos saberem isto: se há uma mensagem em que está escrito que os oceanos inundarão vastas áreas da Terra, e que, de um momento para outro, milhões de pessoas morrerão, certamente a publicação de uma tal mensagem já não é algo muito desejável. Muita gente quer saber apenas por curiosidade e por gosto do sensacional, mas esquecem-se de que o conhecimento também implica responsabilidade. Só procuram satisfazer a sua curiosidade, e isso é perigoso se, ao mesmo tempo, não estão dispostos a fazer alguma coisa, e se estão convencidos de que é impossível fazer qualquer coisa contra o mal. Aqui [mostrando o terço que segurava na mão] está o remédio contra esse mal. Rezem, rezem e não peçam mais nada. Deixem tudo o resto à Mãe de Deus.
(João Paulo II em novembro de 1980 in The Fatima Center)

O que irá acontecer à Igreja?

Devemos preparar-nos para sofrer grandes provações dentro de não muito tempo, provações tais que exigirão de nós uma disposição para dar até as nossas vidas, e uma dedicação total a Cristo e por Cristo… Com as vossas e as minhas orações, é possível mitigar esta tribulação, mas já não é possível evitá-la, porque só assim pode a Igreja ser efetivamente renovada. Quantas vezes a renovação da Igreja proveio do sangue! Desta vez, também não será de outra maneira. Devemos ser fortes e estar preparados, e confiar em Cristo e na Sua Mãe, e rezar o Rosário com muita, muita assiduidade.
(João Paulo II em novembro de 1980 in The Fatima Center)

O conteúdo deste diálogo, se for verdadeiro, converge com outras referências conhecidas ao mesmo segredo proferidas por diferentes pessoas que, comprovadamente, também tiveram acesso ao documento. O diálogo terá acontecido vários meses antes do atentado sofrido por João Paulo II em maio de 1981 e vários anos antes do colapso da União Soviética. Alguns pormenores importantes deste diálogo põem em causa a tese oficial de que o Segredo de Fátima fora integralmente publicado no ano 2000.

Hoje, 36 anos depois, o Segredo de Fátima é um mero acontecimento do passado, sobre a qual devemos festejar, ou continua ainda em aberto, constituindo motivo de receio e reflexão? Para respondermos a esta questão temos de comparar o estado da Igreja e do mundo de hoje com o de 1960, ano em que o envelope – ou os envelopes – do Segredo, “por ordem expressa de Nossa Senhora”, deveria ser aberto e o seu conteúdo conhecido.

Basto 11/2016

“Por fim” – a última página do calendário de Fátima

1917

Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes nos disse, tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim, que várias nações desaparecerão da face da terra. Disse que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação.

(Ir. Lúcia ao Pe. Agustín Fuentes, 1957)

1960

Chegados a este ano, ao contrário da revelação esperada do 3º Segredo de Fátima, o Vaticano emite, no dia 8 de fevereiro, um comunicado de imprensa não assinado, anunciando que o famoso 3º Segredo de Fátima não seria revelado, conforme se esperava, e que provavelmente iria permanecer em segredo para sempre.

 

2013, 2014

Ucrânia:

  • Mais de 6 000 mortos;
  • Mais de 12 000 feridos;
  • Mais de 300 000 desalojados;
  • Mais de 1 000 000 de refugiados;
  • A Península da Crimeia foi anexada pela Rússia;
  • O Leste do país está num caos social e político;
  • O líder Católico Ucraniano, Arcebispo Maior Sviatoslav Shvechuk, rejeita a ideia de guerra civil, não partilha da posição equidistante do Vaticano face ao conflito e deseja que o Papa condene, de forma clara, a “agressão russa” no seu país.

 

2015

A maior parada militar de sempre na Praça Vermelha:

O maior exercício militar da NATO desde a Guerra Fria:

2016, 2017…

“…por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Nª. Sª. de Fátima aos pastorinhos em 1917)

A maior prova de que nós ainda não chegámos lá foi-nos dada pelo próprio Santo Padre durante a última visita ao Santuário de Fátima.

Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.”

(Bento XVI, 13 de maio de 2010)

“Por fim”, e quando é que isso será? É uma questão de tempo, ou de sofrimento, talvez…

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Basto 4/2016

Bispos portugueses disseram “não” ao Papa

Esta notícia do semanário Sol não é nova, já é do verão do ano passado, mas convém relembrá-la agora, dado que a Igreja ainda não apagou o incêndio que teima em queimar a família. Se tudo correr bem, o incêndio ficará extinto com a exortação apostólica do Papa Francisco, que deverá ser publicada a 8 de abril, com o título de Amoris Laetitia. Esperemos que, com este documento, o Santo Padre, com uma linguagem clara e objetiva, apague definitivamente a fogueira que ele próprio acendeu ao apontar a spotlight sobre o herético Cardeal Kasper.

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Notícia de capa do Semanário Sol de 31 de julho de 2015

Relativamente a Portugal, apesar de não ter sido uma questão fácil, o problema estava resolvido já no ano passado. O Cardeal Patriarca de Lisboa levou ao Sínodo da Família a posição da Igreja Portuguesa favorável à defesa do tradicional conceito de matrimónio cristão e da necessidade de proteção à família. Esperemos que a cúria romana não reacenda o incêndio.

O jornal refere que os representantes da Igreja portuguesa estavam divididos, o que de resto não surpreende quando nem mesmo Roma tem mostrado muita certeza. Uma grande parte dos bispos, maioritariamente da Região Centro, liderados curiosamente pelo bispo de Leiria-Fátima, pretendiam introduzir as heréticas inovações kasperianas na pastoral familiar. Um solução inviável pois, com muitos teólogos têm explicado, a pastoral da Igreja não pode ser contrária à sua doutrina, mas antes o reflexo da mesma.

Na hora de decidir qual o parecer que a Igreja portuguesa ia enviar para o Vaticano sobre este assunto, o bispo António Marto apresentou um documento que subscrevia a polémica visão do cardeal Walter Kasper sobre o acesso dos divorciados recasados à comunhão. Segundo esta proposta, os recasados poderiam voltar a comungar na missa após um percurso penitencial. Haveria uma análise caso a caso e uma decisão final que caberia ao bispo da diocese.

O bispo de Leiria-Fátima, que é também o vice-presidente da CEP,apresentou esta proposta detalhadamente, recebendo olhares de entusiasmo de uns e sinais de reprovação de outros. “Demorámos muito tempo com este assunto. Havia muitos a abanar a cabeça”, contou ao SOL um dos bispos presentes na reunião.

[…]

Para o cardeal [Patriarca, D. Manuel Clemente], e ao contrário do colega de Leiria-Fátima, não deve alterar-se a doutrina católica, que defende queo casamento é indissolúvel e que os divorciados que voltam a casar vivem uma situação de adultério, estando por isso impedidos de comungar a hóstia na missa. Manuel Clemente defendeu então um caminho alternativo: o da simplificação dos processos de nulidade do matrimónio. Um procedimento que já está previsto na Igreja e consiste na avaliação das condições em que foi realizado o casamento. Se ele for considerado inválido, os casais ficam livres para uma segunda união, podendo nesse caso comungar.

(in Sol, 31/07/2015)

Felizmente, a Verdade acabaria por prevalecer naquela reunião da Conferência Episcopal do verão passado. O Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, esteve à altura do cargo que desempenha, defendendo a santidade e a indissolubilidade do Matrimónio.

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Recorte da versão impressa do jornal Sol de 31 de julho de 2015 (D. Manuel Clemente na foto)

Quando saiu, no ano passado, esta notícia trouxe à memória de muita gente aquela meia frase enigmática que já fez correr muita tinta e não deixa que o Segredo de Fátima seja definitivamente enterrado, como muitos desejam.

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Meia frase adicionada pela Ir. Lúcia, na sua 4ª Memória, de 1941, à já então conhecida mensagem de Fátima (início do 3º Segredo)

Existe ainda uma outra informação recente que deve ser considerada. Numa entrevista concedida a La voce di Padre Pio em março de 2015, o cardeal Carlo Caffarra explicou que um dia escrevera uma carta à Ir. Lúcia para lhe pedir orações. O Papa João Paulo II tinha-lhe confiado a importante tarefa de fundar o Instituto Pontifício para os Estudos sobre Matrimónio e Família. Lúcia respondeu-lhe e, nessa carta, fez algumas revelações muito esclarecedoras e interessantes que ajudam a interpretar o momento que vivemos atualmente.

O confronto final entre Deus e Satanás será sobre a família e a vida.”

“Não tenha medo, acrescentava, porque quem trabalha pela santidade do casamento e da família será sempre combatido e odiado de todas as formas, porque este é o ponto decisivo.”

“Advertia-se também, falando com João Paulo II, que este era o ponto central, porque se tocava a coluna que sustenta a Criação, a verdade sobre a relação entre o homem e a mulher, e entre as gerações. Quando se toca a coluna central, todo o edifício cai, e é isso que estamos a ver agora, neste momento, e já sabemos.”

(Revelações da Ir. Lúcia ao Cardeal Caffarra in Aleteia, 18/06/2015)

Fazendo um triangulação destes três dados, nomeadamente, a recente posição do clero português, a meia frase enigmática de Fátima e a carta do Cardeal Caffarra, podemos deduzir parte do que poderá estar encerrado dentro do famoso “etc”. Mas há-de haver, com certeza, muito mais. Esperemos que o Santo Padre se tenha deixado também inspirar por estes três detalhes antes de redigir a importante exortação apostólica.

Basto 4/2016

Onde poderá estar o resto do Segredo de Fátima?

Se existe de facto um documento referente ao Segredo de Fátima que ainda não foi tornado público – e parece que existe mesmo – onde poderá estar?

São vários os autores que investigaram a fundo este assunto, entre os quais se destacam Christopher Ferrara e Antonio Socci, tendo chegado a uma conclusão comum: falta publicar um documento, provavelmente o mais importante, o mais incómodo. Um manuscrito da Ir. Lúcia, em formato de carta dirigida ao Bispo de Leiria,  numa pequena folha de caderno com cerca de 25 linhas, onde se transcreviam as palavras de Nossa Senhora, dando seguimento à frase: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc”. Este manuscrito permitiria compreender melhor as imagens descritas no 3º Segredo de Fátima publicado pelo Vaticano no ano 2000.

Mas se existe de facto outro documento, onde poderá estar?

Algumas hipóteses:

a) Foi destruído;

b) Está guardado nos Arquivos Secretos da Santa Sé;

c) Encontra-se na posse do Papa Francisco;

d) Encontra-se na posse do Papa Emérito Bento XVI;

e) Regressou a Portugal?

f) A sua guarda foi confiada a alguém ou a alguma instituição religiosa;

É bastante improvável que o documento tivesse sido destruído, dada a sua importância. É também pouco provável que se encontre nos Arquivos Secretos do Vaticano porque, de acordo com os autores que investigaram o assunto, não era ali que, anteriormente, ele era guardado. De acordo com algumas indicações, ele era mantido nos Apartamentos Papais.

A possibilidade de se encontrar nas mãos de algum dos atuais Papas é uma forte hipótese e não invalida eventualidade vir ainda a ser confiado a alguém. Caso exista alguma cópia do documento, para além do original, isso viabiliza que mais do que uma das hipóteses acima sugeridas possam ser colocadas em simultâneo. Convém contudo lembrar que, em relação a este assunto, para já, não podemos fazer mais do que simplesmente especular…

Quando foi publicado o 3º Segredo de Fátima, no ano 2000, a Congregação para a Doutrina da Fé adicionou-lhe uma interpretação que o remetia para acontecimentos passados, dando-lhe o sentido desejado de uma profecia concretizada, onde o Papa Wojtyla seria a sua figura central. Portanto, o caso devia ficar encerrado naquele ano em que João Paulo II veio a Fátima.

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Contudo, se existe mesmo um outro documento, por uma questão de segurança, devemos considerar que seria prudente confiar a sua guarda a alguém, sob sigilo, para poder ser reaberto e publicado mais tarde, na eventualidade de determinadas condições se confirmarem. Condições como, por exemplo, o futuro martírio de algum Papa, violentamente assassinado, conforme mostra o Segredo publicado pelo Vaticano em 2000.

Basto 3/2016

A natureza dos castigos previstos no 3º Segredo de Fátima

Malachi Martin
Malachi Martin (1921-1999)

O Pe. Malachi Martin foi um padre de origem irlandesa, inicialmente Jesuíta, com uma formação académica notável em vários domínios. Conheceu o Vaticano por dentro, como poucas pessoas, por ter sido um colaborador próximo do Cardeal Agustin Bea. Foi nessa qualidade que – alegadamente – teve a oportunidade de ler o texto do 3º Segredo de Fátima, sob voto de sigilo, no momento em que o Papa João XXIII o abrira na presença de alguns dos seus cardeais mais próximos.

Após ter abandonado a Companhia de Jesus, por discordar do seu crescente modernismo teológico, seguiu uma vida sacerdotal secular, exerceu funções de exorcista e foi autor de vários livros sobre a Igreja Católica, campeões de vendas nos EUA e traduzidos em várias línguas. Alguns dos seus livros eram factuais, enquanto outros, de acordo com o autor, eram baseados em factos verídicos, com os nomes das personagens e dos lugares modificados,  todavia ligados por uma trama ficcionada. Participou também em várias entrevistas televisivas e radiofónicas, muitas das quais estão disponíveis na internet, revelando-se uma personalidade verdadeiramente fascinante, embora bastante controversa.

No seu livro “The Kyes of this Blood” [As Chaves deste Sangue], de 1990, ele faz várias referências ao 3º Segredo de Fátima, entre as quais aborda a natureza do castigos aí previstos, bem como a sua origem.

A página de papel onde a Lúcia escreveu o 3º Segredo abrange três tópicos principais:
  • Um castigo físico das nações, envolvendo catástrofes, de origem humana ou natural, na terra, na água e na atmosfera do planeta.
  • Um castigo espiritual, muito mais assustador e angustiante do que a punição física – especialmente para os católicos romanos – que consiste no desaparecimento da crença religiosa, um período de descrença generalizada em muitos países.
  • A função central da Rússia na sucessão dos eventos anteriormente descritos. Os castigos físicos e espirituais, de acordo com a carta de Lúcia, seguirão uma ordem cronológica fatídica onde a Rússia é a alavanca de engrenagem.

O Pe. William Jenkins comenta este livro a partir do minuto 12′:30” (em inglês):

Basto 3/2016

3º Segredo de Fátima ou o resto do 2º?

A ideia de que o Segredo de Fátima foi completamente revelado pelo Vaticano no ano 2000 já não convence, neste momento, muita gente, por várias razões.

Primeiro, porque o Segredo revelado não tinha nada de excecional para não poder ser publicado antes.

Depois, porque as referências anteriormente conhecidas ao conteúdo do referido texto, por parte daqueles que tinham tido acesso ao documento (Papas incluídos), não se confirmaram no Segredo publicado (excetuando algum eventual sentido simbólico da visão descrita, difícil de interpretar).

Finalmente, porque existem detalhes técnicos e factuais que fazem transparecer uma ideia de “gato escondido com o rabo de fora”.

Uma investigação atenta sobre esses detalhes, confrontada com algumas das informações anteriormente reveladas sobre o Segredo, bem como com factos documentados, pode suscitar mais dúvidas ou então aumentar certezas. Nesta linha de pensamento e seguindo metodologia mais própria da investigação forense, o Dr. John Salza acabou por concluir – à semelhança de outros investigadores – que existem dois documentos separados que fazem parte daquilo que é normalmente referido como o 3º Segredo de Fátima.

John Salza é um advogado norte-americano, Católico, estudioso do fenómeno de Fátima, e autor de vários livros versados sobre questões relacionadas com o Catolicismo. Encontra-se também ligado ao Fatima Center, apostolado dedicado à mensagem de Fátima, fundado pelo Pe. Nicholas Gruner.

Na Conferência da Paz, que teve lugar em Washington em 2015, Salza apresentou os resultados da sua investigação, devidamente documentados, de onde se podem destacar as seguintes conclusões:

  • Existem dois documentos diferentes referentes ao 3º Segredo de Fátima, um com a descrição da visão do Segredo, publicado no ano 2000, e outro que deverá ser uma carta com a transcrição das palavras ditas por Nossa Senhora para explicar a conhecida visão.
  • As palavras de Nossa Senhora foram escritas numa carta dirigida ao Bispo de Leiria, dando continuação ao “Em Portugal será conservado o dogma da Fé etc.”. O Segredo publicado no ano 2000 é uma texto descritivo, apontado numa folha de caderno não dirigida especificamente a alguém, não é uma carta.
  • É, desde há muito tempo, do conhecimento público que o Segredo ocupa uma página de 20 a 25 linhas, no entanto, o Segredo publicado tem 62 linhas.
  • A carta foi escrita a 9 de janeiro de 1944, ou imediatamente antes, enquanto a descrição do Segredo data de 3 de janeiro de 1944.
  • Ambos documentos foram colocados em envelopes separados e selados.
  • Ambos envelopes tinham indicações expressas de Nossa Senhora para serem abertos em 1960.
  • Um dos envelopes foi enviado para Roma a 16 de abril de 1957 e o outro foi a 4 de abril do mesmo ano.
  • Ambos documentos foram lidos em momentos diferentes, quando acedidos por vários Papas.
  • Um dos envelopes foi guardado nos Apartamentos Papais e o outro foi guardado no Arquivo Secreto do Santo Ofício.
  • O conteúdo da carta com as palavras de Nossa Senhora deve ser avassalador, revelando provavelmente castigos espirituais e materiais sobre a Igreja Católica e a humanidade em geral.

Estas conclusões vão ao encontro das últimas revelações sobre o Segredo de Fátima que surgiram com a publicação da obra biográfica “Um caminho sob o olhar de Maria”, da autoria das Irmãs Carmelitas de Coimbra, em 2013. Parece que no momento em que Lúcia, por obediência, escreveu o 3º Segredo de Fátima, não redigiu a respetiva interpretação, ou não o terá feito no mesmo documento. Mais, essa interpretação, de uma forma ou de outra, foi-lhe dada a conhecer, não podia ser subjetiva.

Não temas, quis Deus provar a tua obediência, Fé e humildade, está em paz e escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado. (Carmelo de Coimbra, 2013)

Os resultados da investigação apresentada batem também certo com outra revelação, esta ainda mais evidente, [que resultou de um descuido?] do Cardeal Tarcisio Bertone, quando em 2010, apareceu num programa da televisão para falar do Segredo de Fátima. Este proeminente cardeal, entre outras funções, já foi Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Secretário de Estado do Vaticano  e Camerlengo. O seu nome está incontornavelmente ligado a toda a controvérsia existente em torno do Segredo de Fátima, uma vez que os seus depoimentos, altamente contestados, são tidos como oficiais.

No popular programa “Porta a Porta”, da RaiUno, Bertone mostrou dois envelopes lacados, aparentemente idênticos, onde se podia ler, em português e na conhecida caligrafia da Irmã Lúcia, o seguinte:

Por ordem expressa de Nossa Senhora, este envelope só pode ser aberto em 1960, por Sua Ex.cia Rev. ma o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa ou por Sua Ex.cia Rev. ma o Senhor Bispo de Leiria.

Mas por que razão havia necessidade de dois envelopes lacados, um dentro do outro, para enviar um único documento?

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Envelope 1

 

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Envelope 2 (quase igual ao anterior)

Depois de tudo, será que o 3º Segredo publicado pelo Vaticano é verosímil? Claro que sim, no entanto, a interpretação que o Vaticano lhe atribuiu é que parece ser mais a de um profecia pretendida do que de uma profecia cumprida.  Se quisermos ser muito precisos na abordagem, verificamos que a meia frase truncada com as palavras de Nossa Senhora – “Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.” –  foi de facto adicionada à segunda parte do segredo. Neste sentido, não é necessário mentir, se calhar o que falta  mesmo publicar, nem é o 3º Segredo de Fátima, mas antes o resto do 2º, dependendo da perspetiva de quem trata do assunto.

De qualquer modo, à medida que o tempo passa, as pessoas começam a perceber onde é que o dogma da Fé se perde fora de Portugal, e de que maneira… Possivelmente, a coisa ainda poderá piorar muito mais. Depois disso,  daquele segredo, só faltará mesmo conhecer o remédio de Deus para toda esta calamidade, o qual tem ser muito duro, com certeza, mas nunca falha.

Basto 3/2016

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