Bragança: “A tristeza e a rigidez do adultério no matrimónio e na família”

Chegou a vez da diocese do Nordeste Transmontano fazer a vontade ao Papa Francisco na aprovação pastoral dos relacionamentos amorosos extra-conjugais, nos termos do controverso documento papal Amoris Laetitia.

2.3. Há que evitar dar a entender que se trata de uma “autorização administrativa” geral para aceder aos sacramentos. De facto, trata-se de um discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja.

(In «A Alegria e a fragilidade do Amor no Matrimónio e na Família», de D. José Manuel Garcia Cordeiro, Mogadouro, 1 de dezembro de 2018)

No que concerne à claridade dos ensinamentos de Francisco, o bispo de Bragança-Miranda parece estar quase de acordo com os cardeais dos dubia

d.jose.cordeiro“Francisco não cai no esquema demasiado simples da classificação entre regular e irregular.”

 

(D. José Cordeiro, in Ecclesia, 01/12/2018)

De facto, a linguagem de Francisco é ambígua na distinção entre o que é “regular e irregular”, ao contrário do que acontecia com os papas anteriores e com o próprio Cristo. O novo “esquema demasiado” complicado e confuso inaugurado por Francisco é, contudo, amplamente apreciado pelo mundo, particularmente por quem deseja continuar nas trevas e ser confirmado no pecado.

Ironicamente, este documento de D. José Cordeiro, que permite a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas obstinadas num pecado grave, foi lançado em simultâneo com outra nota pastoral, «Mendigos da Luz de Cristo», que marca o início do novo ano litúrgico diocesano dedicado ao Sacramento da Confirmação.

Basto 12/2018

A “Amoris Laetitia” é pregada em Fátima

D. José Ornelas, bispo de Setúbal, pregou a “Alegria do Amor” a escassos metros do preciso lugar onde Nossa Senhora, há 99 anos, mostrou o inferno às crianças, pediu a reparação dos pecados e ofereceu a proteção do seu Coração Imaculado. Durante as homilias das Eucaristias a que presidiu em Fátima, por ocasião da Peregrinação Aniversária de 12 e 13 de setembro, o bispo de Setúbal apresentou Nossa Senhora como a “mulher da novidade, da mudança”.

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D. José Ornelas no Santuário de Fátima (13 de setembro de 2016)

Fátima, 12 de setembro de 2016:

[…]

Maria é a mulher que se deixa constantemente surpreender, guiar e proteger por Deus. É a mulher da novidade, da mudança, que, apesar de todas as dificuldades, mantém acesa a confiança e a esperança. Ela é a mãe e modelo precisamente para a nossa Igreja. Uma igreja que não fica agarrada ao passado. Uma Igreja que recebe com gratidão a herança da fé dos antepassados, mas que acolhe com alegria a novidade constante que o Evangelho propõe para cada época da humanidade. Uma Igreja “em saída”, como Diz o Papa Francisco, da comodidade do “sempre foi assim”, para fazer-se ao caminho da busca sincera da vontade de Deus, perante os novos desafios do mundo.

Este é o terceiro apelo que hoje Maria, Mãe da Igreja, nos sugere: Não tenham medo do mundo que muda tão radical e rapidamente. Deus e o seu Espírito estão constantemente a recriar a sua Igreja para que ela seja, não apenas capaz de acompanhar, mas de ser promotora de novidade e de vida em cada época da  história. Não vivam apenas com saudades do passado, como se Deus fosse uma peça dos vossos museus.

[…]

Fátima, 13 de setembro de 2016:

[…]

Maria convida-nos a olhar para as pessoas e para os casais nestas situações dramáticas de ruptura, de violência ou de manipulação, não em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude solidária e fraterna para compreender, colocar-se ao lado e ajudar a encontrar caminhos novos de vida, de misericórdia e renovação, para o casal, com especial atenção e carinho, para com os filhos.

Este é o caminho que a Igreja está a percorrer e que, nestes últimos anos, o papa Francisco nos vem recomendando, no seguimento da reflexão do último sínodo. Ele afirma muito claramente, a propósito destas pessoas que por via de tais dramas, chegam mesmo à decisão da separação e do divórcio: “é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que «não estão excomungadas» nem são tratadas como tais, porque continuam a integrar a comunhão eclesial. Estas situações exigem atento discernimento e acompanhamento com grande respeito, evitando qualquer linguagem e atitude que as faça sentir discriminadas e promovendo a sua participação na vida da comunidade” (A alegria do amor, 243).
[…]
Mas para quem considera esta homilia tão ambígua e confusa quanto as do Santo Padre na abordagem destas novas questões da “misericórdia”, se calhar é melhor ler o que dizia D. Ornelas, há dois anos atrás, quando o processo sinodal ainda estava no seu início.
[O acesso dos divorciados ‘recasados’ à Sagrada Comunhão é uma] “realidade muito possível e desejável”.
[…]
O problema é realmente um acompanhamento destas pessoas e a inserção na comunhão e na vida da comunidade eclesial e, para isso, também a participação na Eucaristia, que faz parte desse caminho.
[…]
Tem de haver um caminho a fazer na comunidade onde a comunhão também pode e deve ser inserida neste contexto.
[…]
Poderemos nós ir contra as palavras do próprio Cristo a respeito da indissolubilidade do matrimónio? Poderá algum bispo, ou mesmo papa, abolir a gravidade do pecado do adultério? Não! Logo, quem se encontra nessa condição objetiva de pecado deve abster-se de comungar, sob pena de poder condenar eternamente a sua alma. E já que falávamos de Fátima, convém sempre relembrar a verdadeira mensagem.
 
Os pecados que levam mais almas para o inferno, são os pecados da carne.
 
Hão-de vir umas modas que hão-de ofender muito a Nosso Senhor.
As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo.
 
Os pecados do mundo são muito grandes. Se os Homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida. Os Homens perdem-se, porque não pensam na morte de Nosso Senhor e não fazem penitência.
 
Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.
 
 
(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa; in Era Uma Senhora Mais Brilhante Que O Sol, de Pe. João M. de Marchi)

Há 99 anos, Nossa Senhora reafirmou em Fátima o mesmo modo de viver a Fé de sempre, não trouxe “novidade” alguma nesse campo. As únicas “mudanças” anunciadas foram os castigos que a Igreja iria sofrer no tempo em que aderir às “novidades”.

Basto 10/2016

Caso “Sabetta” revisitado

Neste período pós-escândalo da troca de correspondência entre o Papa Francisco e os bispos argentinos, outras situações anteriores do dossiê ‘papa-francisco-comunhões-sacrílegas’ merecem ser revisitadas e interpretadas à luz das novas revelações atuais.

Em 2014, Julio Sabetta, o treinador de futebol do Colón de San Lorenzo, na Argentina, divorciado, afirmou aos jornalistas que recebera uma chamada telefónica do Papa Francisco.

O telefonema papal seria uma resposta à carta enviada por Jaqueline Lisboa ao Santo Padre, a mulher com quem Sabetta partilhava uma relação adúltera e duas filhas. De acordo com várias versões da notícia, Jaqueline ter-se-ia queixado ao Papa da sua frustração por não ser autorizada pela Igreja a comungar, em virtude da situação irregular em que se encontrava. A resposta chegaria alguns meses depois, por telefone, pela voz do próprio Santo Padre, informando-a de que “podia comungar tranquilamente”.

O caso ganhou uma dimensão mediática de escala mundial, tendo levado o gabinete de imprensa da Santa Sé a emitir um desmentido que, não desmentindo o telefonema do Santo Padre, se limitou simplesmente a reafirmar a doutrina da Igreja, escusando-se a justificar o alegado teor do telefonema.

Estaria Julio Sabetta a contar a verdade sobre o conteúdo daquela conversa telefónica? Quem pode negá-lo?

Apesar dos constantes esforços do Pe. Lombardi em desmentir esta e outras situações, o Santo Padre insiste numa linha “pastoral” que diverge claramente dos seus desmentidos. Terá sido por isso que acabou sendo substituído no Gabinete de Imprensa da Santa Sé? Não sabemos.

Por exemplo, quando um jornalista questionou o Santo Padre, na sua viagem de regresso de Lesbos, se “existem ou não novas possibilidades concretas para os divorciados ‘recasados’ acederem aos sacramentos, subentendendo-se “Sagrada Comunhão”, Francisco respondeu de forma categórica assim (minuto 1′:42″):

 “Posso dizer que sim, ponto final.”

(Papa Francisco, in Agência Ecclesia, 16/04/2016)

Uma resposta semelhante àquela que enviou por escrito aos bispos argentinos:

“Não há outras interpretações.”

(in Carta do Papa Francisco aos bispos de Buenos Aires, 05/09/2016)

Ambas as repostas estão em linha com a herética “teologia serena” kasperiana, abertamente apoiada e promovida por Francisco, apesar de ser completamente contrária ao Evangelho e ao estabelecido no Catecismo da Igreja Católica.

Entre outras citações bíblicas:

«Ora, é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só acento da Lei. Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.» (Lc 16, 17-18)

31«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. 32Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – exceto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.» (Mt 5, 31-32)

Não venham com as tretas exóticas de diferenciar a “pastoral” da “doutrina” porque estas são indissociáveis, uma deriva diretamente da outra. Tentar anular a “doutrina” com uma suposta “nova pastoral” pseudomisericordiosa, para além de colocar em sério risco muitas almas que necessitam do auxílio da Igreja, constitui um grave pecado contra o Espírito Santo. E sabemos que este é o único pecado para o qual não haverá perdão.

A Santa Igreja de Cristo está a ser cobardemente minada na Sagrada Eucaristia e na Verdade sobre o matrimónio e a família. Isto são estruturas fundamentais que garantiram a solidez da nossa Igreja durante 20 séculos, não podemos simplesmente assistir a este triste espetáculo até ao seu colapso total. Não temos esse direito!

Se cair, cairá sobre nós!

Basto 9/2016

Schonborn no “Life Ball” 2016

O eminentíssimo Cardeal Schonborn, o intérprete (mais ou menos) oficial da exortação apostólica Amoris Letitia, conhecido promotor das novas doutrinas diabólicas pro-gay e pro-adultério, foi o convidado de honra no Life Ball em Viena, na Áustria, na passada sexta-feira.

O que andaria a fazer um cardeal por aquelas bandas? A pregar a “nova pastoral” da misericórdia talvez?

O que representam esses laços vermelhos?

O Life Ball é um grande evento gay que se realiza todos os anos para angariar de fundos para supostamente combater a SIDA.

Basto 6/2016

A Alegria do Amor a bordo do avião papal

wright brothers
Irmãos Wright, 1903

Como o tema da abertura da sagrada comunhão eucarística a pessoas em situação de adultério está ainda longe de ser encerrado, os fieis continuam a levantar questões ao Santo Padre. Desta vez, foi a bordo do avião papal, na viagem de regresso de Lesbos, que Sua Santidade foi abordada por um jornalista.

Frank Rocca (jornalista do Wall Street Journal): Gostaria de fazer uma pergunta sobre a exortaçãoAmoris Laetitia”. Como sabe, tem havido muitas discussões sobre um dos pontos: alguns argumentam que nada mudou para o acesso aos sacramentos aos divorciados novamente casados, outros argumentam que muita coisa mudou e que há tantas novas aberturas. Existem novas possibilidades concretas ou não?

Papa Francisco: Posso dizer que sim. Mas seria uma resposta muito curta. Eu recomendo a leitura da apresentação do documento feita pelo Cardeal Schonborn, um grande teólogo que trabalhou na Congregação para a Doutrina da Fé.

(Entrevista a bordo do Avião, dia 16 de abril de 2016)

O autor da notícia da Agência Ecclesia a respeito desta questão até é mais preciso, ao referir que a resposta do Papa foi: “Posso dizer que sim, ponto final.”, traduzido de “punto” (minuto 21′:42″).

Sua Santidade, admitindo que o “sim” era “uma resposta muito curta”, pelo que nos remeteu para as explicações do Cardeal Schonborn, o conhecido defensor da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão, ou o mesmo que defende que a Igreja deve valorizar os “elementos positivos” das “uniões homossexuais”.

Valha-nos Deus!

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor nas Filipinas

A Conferência de Bispos Católicos das Filipinas, tendo feito a sua própria interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, deu um passo em frente, ordenando a distribuição da sagrada comunhão a pessoas que se encontram divorciadas e com relações irregulares. Não esperaram, portanto, pelas orientações pastorais da Santa Sé e avançaram, desde já, com esta nova ideia de misericórdia da moda, que passa por dar comunhão eucarística a quem se encontra objetivamente em situação de pecado grave, como é o adultério.

“…há sempre um lugar à mesa dos pecadores, na qual o Senhor se oferece a si mesmo como comida para os miseráveis.”

“Esta é uma disposição de misericórdia, uma abertura de coração e de espírito que não precisa de lei, nem espera nenhuma diretriz, nem espera para avançar. Ela pode e deve acontecer imediatamente.”

Arcebispo Socrates Villegas, Presidente da CBCF (9 de abril de 2016)

Convém lembrar que o Magistério da Igreja não mudou neste domínio, nem pode mudar. Deste modo, dar a comunhão pode significar oferecer a condenação.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Roma


CaravaggioSalomeLondon
Caravaggio, 1607

A partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”

Um pouco por todo mundo, os católicos ainda tentam interpretar as ambíguas palavras da exortação apostólica, Amoris Laetitia, mas a partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”. Enquanto isso acontece, a maior parte dos católicos continuam a fazer como a Salomé, virando a cara para o lado…

O Pe. Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta aprovada pela Santa Sé, explica claramente, na última edição desta revista, as inovações doutrinais/pastorais previstas na exortação apostólica “A Alegria do Amor”. Para comprovar que não se trata de um mal-entendido, ou de um abuso editorial do Pe. Spadaro, as suas explicações são posteriormente reproduzidas, também pela Radio Vaticano, em diversas línguas.

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Rádio Vaticano, 12/04/2016

ENTREVISTADOR: Isto não significa que exista uma verdade, mas depois, na prática se pode fazer rasgos na regra?

SPADARO: “Uma vez o Papa disse, escandalizando um pouco, que a verdade é relativa. O que ele quis dizer? Não que a verdade não seja absoluta, mas que é relativa às pessoas, ou seja, se não existe o ser humano, a verdade evangélica permanece sozinha, isolada, inútil. Portanto, o discernimento consiste em compreender, como a verdade evangélica se encarna concretamente na minha existência, na minha pessoa”.

ENTREVISTADOR: Sobre a situação das famílias feridas, aquelas situações consideradas “irregulares”, como diz o Papa Francisco, o documento sublinha a importância de não colocar limites à integração….

SPADARO: “O Papa sempre insistiu sobre a necessidade de integrar também aqueles que não estão em grau de viver na plenitude da vida cristã. E a Igreja mãe, a Igreja misericordiosa, é exatamente isto: uma Igreja que acolhe os seus filhos. Isto significa que uma norma canónica não pode ser aplicada sempre, contudo, em todos os casos, em qualquer situação, precisamente porque existe a consciência. Portanto, às vezes se está em uma situação de pecado objetivo – diríamos – onde, porém, não existe uma consciência objetiva. Assim, um juízo objetivo sobre uma situação subjetiva, não implica um juízo sobre a consciência da pessoa envolvida. Esta é uma passagem muito importante porque salienta a consciência e porque não coloca mais um limite à integração, nem mesmo à sacramental”.

(in Radio Vaticano, 12/04/2016)

Ou seja, a Verdade é relativa. Existe uma Verdade, que nos foi revelada através da Sagrada Escritura e da Tradição, mas o mais importante é mesmo a consciência individual… O que cada um pensa ou deixa de pensar, num determinado momento da sua vida, sobrepõe-se à Verdade de Deus.

É caso para dizer que alguém perdeu a cabeça…

Basto 4/2016

Exortação apostólica – a incerteza continua…

google news
Alguns resultados apresentados no Google Notícias a meio da tarde de dia 8 de abril, em Portugal.

Por que razão os diferentes jornais conseguem ver coisas tão diferentes e até opostas no discurso do Santo Padre?

Um texto de 200 páginas, para quem já o leu, deveria chegar para esclarecer todas as dúvidas morais, doutrinárias e pastorais que se levantaram desde o início dos trabalhos sinodais. Todos conhecemos bons padres que o fariam bem em menos de uma página, e tenho a certeza de que, mais ou menos satisfeitos, todos sairiam esclarecidos. Aliás, relativamente às perguntas mais controversas que circulam nos jornais, um “sim” ou um “não” seriam suficientes, podendo acrescentar-se algumas referências ao catecismo ou à Sagrada Escritura, nas páginas seguintes.

À primeira vista, parece-nos que, mais do que encerrar o debate entre a Verdade e as doutrinas diabólicas que se foram introduzindo nos trabalhos sinodais, o dia de hoje deixou várias questões em aberto e a certeza de mais angústia para os próximos tempos. Por um lado, a angústia daqueles que temem a destruição da Igreja através da introdução de exotismos anti-cristãos na doutrina e na pastoral e, por outro, a angústia daqueles que, encontrando-se em situações gravemente pecaminosas, continuarão a alimentar uma vã esperança de aprovação (ou pelo menos aceitação) da sua condição irregular, sem necessitarem de mudar de vida. No caso concreto do acesso à comunhão por parte dos divorciados, não foi ainda dada uma resposta suficientemente esclarecedora e definitiva.

D. Manuel Clemente, em conferência de imprensa no Patriarcado de Lisboa, declarou que “o Papa, em termos de decisão, não quer expressamente adiantar novidades”.

Sublinhou ainda que o documento “vai exigir muita aplicação pastoral”, repetindo que “o papa não quer adiantar novidades”. Com efeito, todas as angústias daqueles que anseiam ou temem o pior terão mesmo continuar futuramente, sendo agora transferidas para o plano pastoral.

Resumindo, a exortação foi publicada, apresentada e explicada, mas o calvário da incerteza irá continuar enquanto Deus o permitir.

Ainda bem que o líder da Igreja Portuguesa, ao fim de “quatro ou cinco horas” a estudar o documento (!), compreendeu-o como uma reafirmação da doutrina de sempre, e de certeza que não terá sido o único, graças a Deus. Mas será que todos os outros bispos do mundo o entenderam dessa forma? Amanhã ou depois veremos…

 

Basto 4/2016

 

Dia 8 de abril de 2016: a bomba-relógio foi acionada

O grito
Munch, 1893 – vista parcial da obra “O Grito”

O mundo inteiro espera ansiosamente a publicação da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, como se de um engenho explosivo se tratasse. A linguagem do Santo Padre, por vezes ambígua, associada a algumas das suas atitudes mais surpreendentes e confusas, ao longo dos últimos três anos, criou falsas expectativas a algumas pessoas e receios a outras, que antevêem a possibilidade de uma rutura no tradicional magistério da Igreja relativamente a algumas questões morais, particularmente em relação ao Matrimónio.

O documento já está concluído desde o dia 19 de março, intitula-se “A Alegria do Amor” e a sua publicação foi agendada para o dia 8 de abril. A ser uma bomba, esperemos que acerte no alvo em cheio e o aniquile de vez, nomeadamente as doutrinas diabólicas que, nos últimos tempos, têm tenazmente tentado contaminar a doutrina católica com imoralidades.

O Matrimónio é um sacramento cristão e é indissolúvel. Isto é uma Verdade inquestionável. O adultério é um pecado mortal, logo conduz à condenação eterna. Quem se encontra em situação de pecado grave não deve aceder à comunhão eucarística a não ser que se tenha arrependido profundamente e se proponha a corrigir a situação pecaminosa em que se encontra. Caso contrário, a administração da comunhão a quem se encontra em situação objetiva de pecado grave é uma ajuda à sua condenação.

 “O Papa vai dizer o que a Igreja sempre disse porque o Evangelho é bem claro neste aspecto. Tudo o resto é anular a palavra de Jesus, implica rasgar páginas da Bíblia”,  a teoria de Kasper uma “heresia”.

(Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

A Verdade Cristã é sublime e imutável porque é de Deus. Ninguém a pode alterar, nem mesmo o Papa.

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

(Bento XVI, a 7 de maio de 2005)

Com efeito, dos três cenários possíveis para a próxima sexta-feira, veiculados pelos órgãos de comunicação social, só devemos esperar o primeiro:

  1. A exortação apostólica reafirma os valores morais tradicionais sobre o casamento, o amor conjugal e a família, convidando à conversão daqueles que se encontram em situação objetiva de pecado grave.
  2. O Santo Padre propõe diretamente alterações à pastoral e à doutrina da Igreja, o que é impensável.
  3. O Santo Padre inibe-se de pronunciar-se diretamente sobre essas questões morais, através utilização de uma linguagem ambígua que deixa lugar a interpretações subjetivas, ou remetendo a avaliação dessas questões para escalas regionais ou locais, o que também é impensável.

O primeiro cenário seria uma lufada de ar fresco para limpar a fumaça de Satanás que paira na atmosfera da Igreja. O segundo cenário pressupõe uma falsificação da doutrina e seria fraturante, conduzindo de imediato a uma separação entre a verdadeira Igreja de Cristo e a falsa. Muito provavelmente originaria um cisma. O terceiro cenário, porventura o mais temível, levaria à confusão total, à multiplicidade doutrinária dentro da própria Igreja através da abolição do dogma por parte da Igreja Institucional, embora de forma não assumida. Seria uma contaminação viral que, de forma cínica e subtil, levaria à desagregação da Instituição Católica desde os seus alicerces.

Os piores cenários, apesar de inaceitáveis e improváveis, são bastante temidos por uns e ansiosamente esperados por outros. Esperemos que o Santo Padre esteja à altura das suas responsabilidades.

Ao “dar o microfone” a Walter Kasper para falar aos cardeais sobre a família, o Papa cometeu uma “imprudência” e “ateou um fogo” difícil de apagar.

 (Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Para piorar o receios, os órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano continuam a dar muita relevância ao herético Cardeal Kasper, ao seu conceito errado de misericórdia e às suas expectativas revolucionárias. São notícias que parecem tambores de guerra dentro da Igreja, já bastante audíveis ainda antes de se conhecer o teor da exortação apostólica. O pior pode ainda estar por vir.

[…] “já não vai ser possível solucionar esta questão de forma pacífica. Qualquer que seja a posição do Papa haverá sempre vencedores e perdedores”.

(Pe. Portocarrero de Almada, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Nós estamos, agora mesmo, debaixo de centro barométrico da tempestade de “desorientação diabólica” prevista em Fátima, em 1917, é necessário ter os pés bem assentes em terra para não sermos levados pela corrente. A porta é estreita e o caminho é único, o mesmo de sempre.

O mau agouro que paira no ar, desde há alguns meses, não ficou agora melhor quando sabemos que os dois cardeais escolhidos para dirigirem a conferência de imprensa da apresentação da exortação apostólica serão dois conhecidos progressistas, que contribuíram fortemente, com as suas ideias heterodoxas, para a crise moral e doutrinária que se vive hoje dentro da Igreja Católica. O Cardeal Baldisseri, Secretário do Sínodo da Família, é mundialmente conhecido por acreditar no evolucionismo dos dogmas católicos e por ter ideias exóticas sobre o Matrimónio. O Cardeal Schoenborn, Arcebispo de Viena, é famoso pelas suas ideias loucas acerca da homossexualidade.

O engenho explosivo – se assim quisermos entender – foi acionado, a conferência de imprensa terá lugar às 11:30′, hora de Roma. Que seja como que Deus quiser.

Basto 4/2016