Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Paglia para os adúlteros públicos: Sigam em frente e recebam a Sagrada Comunhão

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Por Christopher A. Ferrara

Ninguém, nem mesmo um Papa, pode alterar o constante ensinamento da Igreja e a sua disciplina integralmente relacionada sobre a “impossibilidade intrínseca” da absolvição e da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos em “segundos casamentos” que tencionam manter as suas relações adúlteras.

Recorde-se o que disse o Papa Bento XVI, a respeito da função do papado, no seu primeiro sermão enquanto Pontífice Romano recém-eleito:

O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

Considere-se a palavra de Deus a respeito do divórcio: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.” (Lc 16, 18)

Baseados na Palavra de Deus, bem como no ensinamento constante e na disciplina da Igreja em sua obediência durante 2000 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI – agindo como um Papa deve agir – reafirmaram o ensino bimilenar da Igreja de que adúlteros públicos, precisamente devido ao facto do seu estado de vida, não podem participar no Santíssimo Sacramento.

Contudo agora, graças exclusivamente à Amoris Laetitia (AL), é-nos dito, pelo próprio prelado que o Papa Francisco colocou à frente do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, que este ensinamento foi, na prática, derrubado. O Arcebispo Vincenzo Paglia (da obscena infâmia mural) declara abertamente, numa entrevista recente, que aqueles que vivem em uniõesirregulares” podem agora ser “integrados” na vida eclesial, tal como estão, sem antes mudarem de vida:

Aqueles que vivem em situações irregulares, se eles aceitarem ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã (especialmente se o processo for promovido e conduzido pelo bispo), terão possibilidade de encontrar várias e graduais formas de integração, não excluindo integração sacramental.

O palavreado vazio de significado – “ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã… graduais formas de integração” – é simplesmente uma folha de figueira que esconde uma permissão nua para aqueles que vivem em vários estados de adultério habitual e público receberem a Sagrada Comunhão sem antes mudarem de vida. Isso é exatamente o que os bispos da Alemanha, Sicília, Malta e outros lugares têm autorizado, enquanto os bispos de outros países, como a Polónia, continuam a defender o ensino e a disciplina bimilenar da Igreja, tal como fizeram os dois antecessores imediatos de Francisco na Cátedra de Pedro.

A manchete do LifeSiteNews diz tudo: “Arcebispo do Vaticano: Papa Francisco abriu Comunhão a adúlteros”. E este é o prelado que foi nomeado chefe do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família!

Somos testemunhas de uma catástrofe crescente. Cegueira voluntária perante os factos não é aqui uma opção. Tudo o que podemos fazer diante desta realidade é precisamente o que Nossa Senhora de Fátima pediu a todos os católicos, que inclui orar pelo Papa. Orar também pela resolução divina que certamente irá seguir-se à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima intercedei por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 31 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 8/2017

Os “dubia” portugueses…

A palavra dubia, plural de dubium, do latim, pode traduzir-se para “dúvidas”. Quando há dúvidas procura-se o esclarecimento junto de quem tem autoridade para o fazer. Em matéria de Fé e moral, essa autoridade pertence ao Papa, cuja função primordial é confirmar os seus irmãos na Fé.

De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos» no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.

(Papa Francisco, in Carta Encíclica Lumen Fidei, 29 de junho de 2013)

A conhecida carta dos dubia, datada de 19 de setembro de 2016, é um pedido formal de clarificação, dirigido ao Sumo Pontífice, relativo a algumas ambiguidades suscitadas pela leitura da exortação Amoris Laetitia. O objetivo desse zeloso e humilde pedido de esclarecimento seria a confirmação dos cristãos na Fé, travando a atual proliferação de interpretações erradas e anti-cristãs emanadas do referido documento papal. Seria…

Até hoje, o Santo Padre ainda não respondeu ao pedido de esclarecimento dos quatro cardeais, facto que os levou a enviar uma nova carta acompanhada de um pedido de audiência. Neste compasso de espera, um dos quatro cardeais signatários dos dubia acabou por falecer. E enquanto o Santo Padre não responde, multiplicam-se os sacrilégios cometidos contra a Sagrada Eucaristia, com o apoio ou a conivência silenciosa de uma grande parte da Igreja Católica. Só Deus sabe quando é que esta onda de apostasia poderá parar.

E Portugal, como é que fica no meio de todo este marasmo? Mais de um ano depois da publicação da controversa exortação apostólica, a comunicação social têm dado conta de alguma diversidade hermenêutica entre o clero lusitano, não obstante, a Igreja Portuguesa ainda não tomou uma posição oficial sobre a matéria. Estará à espera dos esclarecimentos do Santo Padre?

Estaremos perante um caso de dubia dos bispos portugueses?

Se assim for, um eventual desinteresse do Santo Padre pelos dubia poderá até nem ser necessariamente mau para Portugal!

Basto 7/2017

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlteros

Por Adelante la Fe

No domingo passado, na Igreja Paroquial de São Roque, em Reconquista, Santa Fé (Argentina), o bispo local, Mons. Macín, nomeado pelo Papa Francisco em 2013, protagonizou um monumental e sacrílego escândalo que revela claramente o que está por trás da Amoris Laetitia.

Organizou, na dita igreja, uma missa solene na qual informou publicamente que, de acordo com as regras enviadas pelo Papa Francisco numa carta há mais de seis meses e no âmbito da integração dos cristãos “marginalizados” por causa sua condição irregular de divorciados que voltaram a casar ou em situação irregular (divorciados que contraíram uma nova união), após a realização de um período de seis meses  de encontros semanais denominado ” período de discernimento”, foi determinado, de acordo com o que se expôs anteriormente (por ordem do Papa), INCLUÍ-LOS EM COMUNHÃO PLENA E SACRAMENTAL, o que aconteceria nessa cerimónia. Em nenhum momento se mencionou que essas pessoas tinham feito qualquer voto de castidade ou de viver “como irmãos”.

Na mesma cerimónia, foi dada a comunhão a todos esses casais (cerca de 30), acompanhados de seus familiares que tiraram fotos em clima festivo. Em nenhum momento se fez qualquer referência às escrituras que condenam o adultério, em alternativa, foram referidos os chavões da Amoris Laetitia onde se diz que os divorciados que voltaram a casar devem ser incluídos em plena comunhão.

Este bispo, assim como todos os que seguem essas indicações e ações, são simplesmente apóstatas, lobos vestidos de ovelhas que não só enviam almas para o inferno, como também profanam a Eucaristia, pelo que prestarão contas diante de Deus.

Esta notícia foi confirmada pelo Adelante la Fe e por testemunhas oculares, mas se ainda restarem dúvidas, pode ser confirmada nos meios de comunicação locais.

A edição original deste texto foi publicada pelo Adelante la Fe a 13 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

As palavras taxativas de Jesus Cristo

E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» (Mc 4, 9)

A humildade, a cordialidade e a obediência na vocação não são sinónimos de apostasia, antes pelo contrário. Isto é válido para todos, para aqueles que promovem a apostasia, mas também para aqueles que pretendem combatê-la.

Esta frase de D. Manuel Clemente, embora proferida num outro contexto, é muito feliz:

Seguir o Senhor é vocação de todos os batizados, tomando a cruz de cada dia. Só assim ganharemos a eternidade que é do tamanho da entrega, do tamanho da cruz.

(D. Manuel Clemente, in Rádio Renascença, 02/07/2017)

Basto 7/2017

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé vai ser despedido?

As notícias de hoje apontam para um – mais do que provável – afastamento do cardeal Gerhard Müller do cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

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O chefe do departamento do Vaticano responsável pela doutrina recusa-se apoiar a aprovação pastoral do adultério.

Muller não contesta a controversa exortação apostólica do Papa Francisco, mas recusa a interpretação que o seu autor lhe pretende dar. O cardeal, em sintonia com o tradicional ensino da Igreja, considera que a permanência numa situação objetiva de adultério é incompatível com a absolvição sacramental e com o acesso à Sagrada Comunhão. Lembra que a integração plena dessas pessoas deve culminar no acesso à Sagrada Comunhão apenas “depois de um processo de conversão e arrependimento se cumprirem com pré-requisitos geralmente válidos”.

 Uma sólida aproximação pastoral é o contrário da relativização das palavras de Cristo.

(Cardeal Gerhard Müller, in Acidigital, 02/03/2016)

Se a notícia se confirmar, provavelmente o Santo Padre irá escolher agora, para colocar à frente do cargo de guardião da doutrina, alguém que acredita nas vantagens espirituais da fidelidade a uma relação adúltera e em outras “surpresas do Espírito Santo”. Não será difícil encontrar, para além de serem tantos, já não se sentem minimamente inibidos de o assumir publicamente.

Basto 6/2017

Bispos da Sicília cumprem promessa e fazem a vontade ao Santo Padre

Como tinham prometido no início do ano, os bispos sicilianos abriram agora o acesso à Sagrada Comunhão aos divorciados recasados, apesar do que a Igreja sempre ensinou a respeito do matrimónio e do adultério.

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in la Repubblica, 15/06/2017

O recém-publicado documento da Conferência Episcopal Siciliana intitula-se “Orientações Pastorais, acompanhar – discernir – integrar a fragilidade segundo as indicações do cap. VIII da Amoris Laetitia. As novas orientações pastorais vão ao encontro dos desejos de Francisco I na promoção da sua “Alegria do Amor”, libertando assim, até certo ponto, os fiéis sicilianos do “problema” da “rigidez dos mandamentos” que, apesar de “seguros”, de acordo com o mesmo Santo Padre, não “nos dão alegria” porque nos retiram a liberdade.

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Orientações pastorais dos bispos da Sicília

Seguindo as orientações pastorais disponibilizadas no sítio da Arquidiocese de Palermo, a partir de agora, os pastores sicilianos devem convidar os adúlteros a discernir pelas suas próprias consciências se preferem o arrependimento ou a continuidade no prática do adultério para então, depois, poderem receber o Corpo e o Sangue do Senhor, independentemente de terem optado por um ou pelo outro caminho.

Basto 6/2017

Misericórdia atípica ameaça a diocese de Portalegre-Castelo Branco

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“Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal” de Francisco Xavier Lobo, 1753 – Igreja de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide

Chegou a hora de Portugal!

Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas. (Tg 1, 16-18)

Depois de quatro anos e tal de incubação da heresia da nova misericórdia que prescinde de arrependimento, e depois da submissão das massas a um processo gradual e planeado de reeducação que visa a substituição dos tradicionais conceitos cristãos de matrimónio e família por uma ideologia relativista e hedonista, a nação portuguesa é agora chamada a tomar posição. Chegamos ao auge desta assumida “revolução” cultural. Este é o derradeiro momento em que a hierarquia católica portuguesa se coloca perante a forte tentação populista de aderir ou não à nova corrente ideológica dominante. O povo tem de redobrar a oração e a penitência, mas antes de tudo, deve estar muito atento!

Até ao momento, ainda nenhuma diocese portuguesa promulgou qualquer documento com orientações no sentido da aprovação pastoral do adultério, como já aconteceu em vários países. No entanto, alguns bispos portugueses, apesar de não contestarem teoricamente a doutrina católica sobre o matrimónio, têm mostrado disponibilidade para fazer a vontade ao Papa, ou seja, dar absolvição sacramental e a Sagrada Eucaristia a “alguns” adúlteros que, após um processo de “discernimento”, optem por permanecer definitivamente em adultério. “Alguns”, numa perspetiva otimista, pode significar mesmo todos, dependendo do sucesso da aplicação desta nova prática pastoral e também da consciência de cada um.

A primeira diocese portuguesa a prometer a publicação de um documento orientador da prática de Amoris Laetitia foi a de Portalegre-Castelo Branco. O anúncio surgiu num comunicado do Conselho Diocesano de Pastoral que reuniu recentemente em Castelo de Vide.

Abordou-se por largo tempo, o capítulo VIII da Exortação Apostólica Post-sinodal “Amoris Laetitia”, conforme agendado divagou-se serenamente e com muito proveito, sobre o “acolher”, “discernir” e “integrar”, tarefa pastoral exigente e delicada mas com necessidade de ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério. O Bispo Diocesano informou estar a pensar, para breve, na publicação de algumas orientações já em preparação.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 03/06/2017)

Por um lado, a diocese diz que esta tarefa pastoral tem de “ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério“, mas por outro, também diz que “deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco“…

Mais uma vez, o Capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia forneceu o conteúdo para um alargado debate sobre a implementação pastoral do “acolher”, “discernir” e “integrar” os cristãos que, embora não estejam em conformidade com a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, sofrem por tal situação e desejam fazer um caminho de integração e discernimento em Igreja. É uma pastoral delicada, necessária e urgente, e que deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco no documento em causa.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, junho de 2017)

Em que é que ficamos afinal? Já toda a gente sabe neste momento, e sem qualquer margem para dúvidas, qual é a interpretação que o Papa Francisco pretende para o capítulo VIII da sua controversa exortação apostólica! Todos sabem também, desde sempre, que sua interpretação contradiz o magistério da Igreja, conforme atestou o próprio Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Se o adultério continua portanto a ser um pecado mortal que exclui o acesso à Sagrada Comunhão para o bem das almas, a diocese está agora perante um dilema complicado…

Sem querermos arriscar na direção para a qual tenderão “as orientações já em preparação”, convém lembrar que, de acordo com o jornal Sol, D. António Dias, bispo da diocese em análise, era um dos seis bispos portugueses que, já em 2015, queriam abrir o acesso à Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério.

Perante a urgência da situação atual, os portugueses devem dizer se aceitam ou não que este sacrilégio contra a Sagrada Eucaristia seja praticado no nosso país, antes que seja tarde de mais. O nosso silêncio é também uma resposta que tem consequências e pela qual prestaremos contas diante de Deus.

Basto 6/2017

Bispos belgas autorizam a prática de Amoris Laetitia no seu país

A partir de agora, também na Bélgica, as pessoas divorciadas recasadas poderão aceder à Sagrada Comunhão mesmo mantendo-se em situação de adultério. A Conferência Episcopal Belga emitiu uma carta pastoral que dá seguimento à controversa exortação apostólica Amoris Laetitia na mesma linha de interpretação pretendida pelo Santo Padre Francisco I.

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in CathoBel, 24/05/2017

A carta pastoral foi apresentada pelo cardeal D. Jozef De Kesel, na última quarta-feira, em Malinas, onde explicou que esta se destina a todos os sacerdotes, diáconos e agentes pastorais. D. Jozef De Kesel é conhecido pelo seu exotismo doutrinal, sendo cardeal apenas desde novembro do ano passado.

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in La Libre, 26/05/2017

 

Basto 5/2017

O “Papa Emérito” sobre a Amoris Laetitia: um devastador “sem comentários”

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Por Christopher A. Ferrara

Desde a misteriosa abdicação de Bento XVI do trono papal – para a qual os fiéis receberam explicações momentâneas e insatisfatórias – ouvimos, por diversas vezes, do secretário pessoal de Bento XVI, D. Georg Gänswein, o quão “sereno” e “em paz” Bento XVI se mostra em relação à sua inédita decisão. Tão sereno e em paz, de acordo com Gänswein, que nem poderia preocupar-se menos com o tumulto bergogliano que dividiu a Igreja como nunca anteriormente – em relação a uma questão da lei moral tão básica como o Sexto Mandamento.

Como relata o impressionante Edward Pentin, em entrevista ao La Repubblica – a enésima tentativa de assegurar-nos de que não havia nada de errado com a abdicação de Bento XVI – Gänswein revela que Bento “recebeu pessoalmente de Francisco uma cópia da Amoris Laetitia [AL], branca e autografada” e que “Ele leu-a cuidadosamente, mas não comentou de forma alguma o conteúdo”.

Sem comentários? Essa resposta não poderia ser mais reveladora. Se o único Papa Emérito da história da Igreja – uma novidade que o próprio Bento inventou – não vai defender a ortodoxia da AL, a sua falta de vontade para o fazer não pode ser vista como outra coisa senão como um reconhecimento implícito de que o seu conteúdo, em particular o Capítulo 8, é indefensável. Caso contrário, porque não declararia simplesmente, o “Papa Emérito”, que o ensinamento do seu próprio sucessor é doutrinariamente correto? Resposta: ele não o declarará porque sabe que isso não seria honesto.

Em vez disso, como Bento XVI se retirou da cadeira de Pedro, retirou-se também do caos que se seguiu à sua abdicação. Como refere Pentin, Gänswein “disse que o ex-Papa está bem ciente dos contrastes [!] gerados entre ele e o Papa Francisco, mas não se deixa provocar por eles” e “não tem intenção de entrar em controvérsias que se sentem longe dele”.

Longe dele? Mas Bento XVI vive no que ele mesmo chamou o “recinto de São Pedro”, na sua última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, dia anterior à sua renúncia ao “ministério de Bispo de Roma”. Assim, pelo menos de acordo com Gänswein, Bento não só renunciou ao papado, mas também renunciou a qualquer preocupação sobre o estado da Igreja dirigida por Francisco! Em vez disso, Gänswein tem o prazer de reportar (como Pentin sumarizou) que “o Papa Emérito continua a ver os noticiários televisivos às 20h, recebe o L’Osservatore Romano e o Avvenire, jornal dos bispos italianos, assim como os comunicados do Vaticano”.

Então, se acreditarmos em Gänswein, Bento XVI está mais interessado nos noticiários da noite do que no caos eclesial que o Papa Bergoglio provocou, que está “muito longe” dele, ainda que ele viva no Vaticano como vizinho de Bergoglio, que o usa para exibição pública em determinadas ocasiões.

Quanto a esse caos, Gänswein dirá apenas que “Certamente ele [Bento XVI] está atento à discussão e às diferentes formas em que tem sido implementada.” Diferentes formas? Temos agora uma situação em que o acesso à Sagrada Comunhão por pessoas envolvidas em relações sexuais adúlteras a que eles chamam “segundos casamentos” ainda é considerado um pecado mortal em algumas dioceses, no entanto é agora caracterizado como “misericórdia” em outras, inteiramente graças à AL . Mas como Gänswein diria, este desastre está “muito longe” do Papa Emérito, que no entanto permanece atento aos “noticiários noturnos às 20 horas”.

Eu não compro isso. Há algo muito suspeito nestas repetidas declarações sobre o que Bento XVI pensa e sente, enquanto o próprio Bento nunca fala diretamente ao público. Sinto o mesmo cheiro a esturro que envolve todo o evento da abdicação de Bento XVI. Ou melhor, cheira a enxofre.

Creio que não nos foi contada metade da história sobre o porquê de termos um Papa Emérito que abruptamente abandonou o seu gabinete apenas para ser sucedido por um Papa para quem o termo “Vigário de Cristo” parece – sejamos honestos – espetacularmente inadequado. Suspeito que a história completa seja encontrada na explicação da Virgem sobre a visão apocalíptica do “Bispo vestido de Branco”, uma explicação que existe de certeza e foi suprimida pelos mesmos cuja conduta o Terceiro Segredo provavelmente acusa.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 13 de abril de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2017