Bispo de Aveiro aprova a prática de Amoris Laetitia na sua diocese

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Agora também na diocese de Aveiro, o adultério deixa de ser um impedimento para a Sagrada Comunhão. O bispo D. António Moiteiro acaba de publicar as orientações locais para aplicação do capítulo VIII da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, acompanhadas de uma carta pastoral firmada com a data de 26 de novembro de 2017.

Entre outros avanços radicais, os pastores da diocese de Aveiro passarão a valorizar a “estabilidade conjugal da nova união” adúltera…

12. A estabilidade conjugal da nova união e o bem dos filhos também estão entre os critérios que orientam o discernimento pessoal e pastoral relativamente à admissão à reconciliação e à comunhão eucarística.

(in sítio oficial da diocese de Aveiro, 26/11/2017)

As orientações da diocese de Aveiro para a admissão de adúlteros à Sagrada Comunhão são assumidamente inspiradas noutros documentos não menos radicais e exóticos como o “dos bispos da região pastoral de Buenos Aires, aprovado pelo Papa, bem como o dos bispos de Malta e da Alemanha”. Enquadram-se, portanto, dentro da nova ideia de misericórdia introduzida pelo Papa Francisco, que prescinde do arrependimento e mudança de vida.

A conclusão a tirar é simples: as diretivas consagradas no capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia e que integram o processo de discernimento pessoal e pastoral dos católicos divorciados e constituídos em nova união com vista a serem admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia e, porventura a outras atividades eclesiais, é um aprofundamento e não inovação que vem proporcionar uma maior dimensão equitativa à Disciplina Canónica.

Resta aguardar que o processo pessoal e pastoral proposto na Exortação Apostólica seja bem compreendido, assimilado e aprofundado para, na sua aplicação, não se desvirtuar por um rigorismo que o prive de ser resposta da misericórdia divina à fragilidade humana pecadora, ou por um laxismo que entorpeça e vulgarize o ser carácter de ser verdadeira caminhada de conversão da culpa para a reconciliação com a Igreja, Sacramento de Salvação.

(in sítio oficial da diocese de Aveiro, 26/11/2017)

Após alguma resistência inicial, parece que todos os bispos portugueses, uns atrás dos outros, decidiram revogar os ensinamentos de São João Paulo II e de Bento XVI, assim como de dois milénios de tradição cristã em relação ao Matrimónio, para fazerem a vontade ao Papa Francisco.

Já o dissemos aqui por diversas vezes, mas nunca será demais voltar a dizê-lo porque, no meio de tanto lirismo e deslumbramento, ainda há quem não consiga ou não queira entender o que hoje está verdadeiramente em causa em relação a este assunto. A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. Esta prática, chamada “pastoral”, apesar de ser incansavelmente defendida pelo Papa Francisco desde o início do seu sinistro pontificado, está em profunda contradição com a verdade cristã sobre os sacramentos da Reconciliação e do Matrimónio, ao mesmo tempo que leva à prática de sacrilégios contra a Sagrada Eucaristia.

Basto 2/2018

O Patriarca de Lisboa e as hienas

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Se há coisa de que ninguém pode acusar D. Manuel Clemente é de não ser diplomático, de não procurar consensos. Mas até onde pode ir a diplomacia? Será realmente possível conciliar o constante e infalível ensinamento da Igreja com esta nova “misericórdia” do Papa Francisco que prescinde de arrependimento e mudança de vida?

Há dias, D. Manuel Clemente surpreendeu toda a gente quando disse ao mundo que aplicaria, “com certeza, as indicações que os bispos de Buenos Aires elaboraram e que o Papa autenticou”, e que permitem, à luz do novo ensinamento da Amoris Laetitia, a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério prolongado. As suas palavras surgiram pouco tempo depois de, o mesmo Patriarca, ter afirmado que estaria disposto “a caminhar com o Papa nesse sentido mas, claro está, dentro da nossa tradição evangélica e daquilo que Jesus Cristo diz tão, tão, tão taxativamente acerca do matrimónio”.

Poucos dias depois, o Patriarcado de Lisboa publicava as suas próprias orientações, no entanto, a primeira coisa que propõe no processo de integração dos divorciados “recasados” que pretendem aceder aos sacramentos é “um compromisso em viver em continência [sexual]”. Um caminho à luz do magistério da Igreja, conforme tinha sido proposto pelos Papas São João Paulo II e Bento XVI. Um enorme balde de água fria em cima dos partidários da nova “misericórdia”, que pensavam que o cardeal português tinha anunciado a aprovação “pastoral” do adultério, à semelhança do que tem acontecido em outras partes do mundo católico.

As reações foram muitas e duras, principalmente da parte do clero português mais radical, sempre preocupado em agradar ao mundo. Entre outras:

“D. Manuel é bispo de Lisboa e as suas orientações não são para a Igreja em Portugal nem vinculam as outras dioceses.”

(Pe. Mário Tavares de Oliveira, assistente diocesano do departamento da pastoral da Família de Évora, in Público, 09/02/2018)

 

“Provavelmente essa proposta é um bocadinho irreal […].”

(Manuel Queirós da Costa, do secretariado diocesano da pastoral da família de Vila Real, in Público, 09/02/2018)

 

“Pessoalmente nunca proporia uma coisa dessas a alguém que vive em casal.”

(Cónego Miguel Abreu, in Público, 09/02/2018)

 

“Não competirá ao confessor nem ao guia espiritual, e creio que muito menos aos bispos, imiscuir-se nessa questão.”

(Pe. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, in Público, 09/02/2018)

 

“Não tenho o direito de proibir nada a ninguém. Tenho é de ajudar a refletir”

(Pe. Feytor Pinto, in Visão, 08/02/2018)

 

“[O documento é] exagerado e inoportuno.”

(Pe. Vítor Melícias, in Visão, 08/02/2018)

 

“É um ato da teologia das palavras cruzadas. Um delírio.”

(Frei Bento Domingues, in Expresso, 11/02/2018)

Na Ilha da Madeira, não chegaram a chamar “cubano” ao Patriarca de Lisboa, é verdade, mas um pouco mais piedade e de perseverança não ficaria mal ao sr. Pe. Rodrigues.

Para o teólogo Pe. Anselmo Borges, em oposição às orientações de D. Manuel Clemente, o caminho de integração deve passar pela prática sexual, apesar do adultério, “porque, se estão [re]casados, não é propriamente para viverem como irmãos”.

Tal como Nossa Senhora previra em Fátima, em 1917, muitos dos mais altos representantes da Igreja Católica pregam agora doutrinas verdadeiramente diabólicas com as quais hão de conduzir muitas almas à perdição. A Igreja Portuguesa não é exceção.

À reação do clero português mais radical e amigo do mundo, junta-se, como era de esperar, a hostilidade do próprio mundo, insatisfeito por não conseguir ainda mandar completamente na Igreja. E lá no seu azedume natural, os líderes de opinião perguntam-se, ainda que de forma inconsciente, para quando é que a Igreja de Cristo se submeterá completamente aos preceitos morais da Nova Ordem Mundial? Uma moralidade onde nada é intrinsecamente mau e quase tudo é permitido, à exceção de urinar no portão do vizinho e lançar carbono para a atmosfera.

A notícia da publicação das orientações do Patriarcado de Lisboa abre os telejornais e faz capa na imprensa. Mas que horror! Como é que ainda há bispos e padres tão atrasados em Portugal? Que gente tão fundamentalista, rigorista e anacrónica! Mas como é que alguém ainda acredita na verdadeira doutrina de Cristo e não permite a sua adaptação à época, à moda da estação e aos desejos pessoais?

É por isso que, entre tantos outros inteligentes, João Miguel Tavares tem agora pesadelos surrealistas, sinal de que ainda consegue dormir. David Dinis preocupa-se em demasia com os pecados, não dos adúlteros, mas do próprio Patriarca. Vítor Rainho teme o impacte que o caminho de continência sexual dos adúlteros possa vir a ter nas taxas de natalidade. E Joaquim Jorge, “perplexo“, arranjou mais um tema para pensar lá no clube. Mas há mais, muito mais!

Vivemos na verdade tempos absolutamente extraordinários e fascinantes. Isto, partindo de uma perspetiva meramente empírica…

Basto 2/2018

Reconhecido especialista em direito canónico corrige arcebispo de Braga

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“Por vezes um lado está simplesmente certo e o outro simplesmente errado.”

Este foi o título dado por Edward Peters ao artigo publicado no seu blogue para corrigir D. Jorge Ortiga relativamente ao recente projeto da Arquidiocese de Braga que possibilita a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério habitual e prolongado.

“Não importa quais as razões que possam ser oferecidas pela ilustre Arquidiocese de Braga para o seu plano de autorizar a administração da Sagrada Comunhão a católicos simplesmente divorciados e recasados. Se esse é […] o seu plano, estão errados. Manifesta e gravemente errados. Tal como os de Malta. E tal como os Alemanha. Assim como alguns outros […].

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Peters confessa que não espera, com o seu artigo, “convencer os lusitanos sobre esta matéria”, mas ainda assim, sem se preocupar em expor novamente todos os argumentos já apresentados sobre este assunto, assegura que “eles estão errados”, enquanto os que defendem o tradicional ensinamento da Igreja “estão certos”.

Segundo o Cânon 915 (lei de emissão papal, baseada em fundamentos de direito divino e, até a crise atual, incontestada pela tradição pastoral e canónica a este respeito), os ministros da Sagrada Comunhão não podem administrar esse Sacramento (surgem problemas semelhantes em relação à administração da absolvição na confissão, mas tratemos uma crise de cada vez) a católicos (que geralmente são os únicos elegíveis para a Sagrada Comunhão, em primeiro lugar, pelo C.844) que, tendo contraído um casamento que goza da presunção de validade (C.1060), depois civilmente divorciados (ou, por outras palavras, estão divorciados, independentemente de quem seja a “culpa” do divórcio) e, não tendo obtido (porque nunca solicitaram ou porque lhes fora recusada) uma declaração eclesiástica de nulidade (ou uma variante das dissoluções de casamento incomuns, como se discute principalmente aqui e aqui), pretendem contrair um novo casamento (civil, ou por algum outro mecanismo, mesmo um que parece religioso, mas que, enquanto o primeiro esposo estiver vivo, obviamente não é um casamento, mas chamamos-lhe de conveniência, e sim isso aplica-se também aos católicos solteiros que pretendem contrair casamentos com pessoas divorciadas nos termos acima descritos), mas recusam-se a viver como irmão e irmã (como se aplica a todas as pessoas que não são casadas, o que é necessário para se aproximarem da Sagrada Comunhão, de acordo com o Cânon 916) e, mesmo que vivam em abstinência (que Deus os abençoe), são, ainda assim, conhecidos (sempre se “na verdade” e habitualmente, ainda que “legalmente”) por estar divorciados e recasados fora da Igreja e portanto (não obstante a sua elegibilidade discutível para o sacramento em consciência) ocasionam escândalo objetivo à comunidade de fé (mesmo que ninguém se surpreenda com o divórcio e o recasamento nos dias de hoje e, por vezes, nem com escândalo produzido pelos ministros eclesiásticos que assim são tentados a desconsiderar certas obrigações suas no âmbito do Cânon 915).

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Edward Peters é professor de direito canónico no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, sendo também um conselheiro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, do Vaticano.

Basto 2/2018

Agora é oficial: a Arquidiocese de Braga é a primeira a permitir a prática de Amoris Laetitia em Portugal

Isto na Arquidiocese de Braga faz lembrar as palavras do escritor Fernando Pessoa, em 1927, para se referir ao refresco americano…

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Quando, em 2015, o “refresco” chegou finalmente à Conferência Episcopal Portuguesa, ainda sem marca definida mas com a receita já bem conhecida do público, D. Jorge Ortiga foi um dos bispos que valentemente se opuseram à implementação desta prática sacrílega em Portugal.

Três anos depois, são já poucos os que ainda estranham de algum modo esta nova doutrina da misericórdia que prescinde de arrependimento e mudança de vida. Parece que quase toda a gente aderiu já à heresia kasperiana.

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JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018, página 7.

A controversa exortação apostólica do Papa Francisco tem cerca de 200 páginas de discurso lírico e citações muito bonitas e floreadas, mas em que consiste realmente a prática de Amoris Laetitia?

aqui o dissemos e voltamos a dizê-lo, em nome de Deus:

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Esta prática contradiz o Catecismo da Igreja Católica, em particular no que está estabelecido nos números 1650 e 1651, contrariando também o que todos os Papas anteriores a Francisco sempre defenderam (um dos quais é ainda vivo). Aliás, foi precisamente em Braga que o Papa João Paulo II relembrou o ensinamento constante da Igreja Católica em relação a esta matéria:

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

Chegamos a 2018, a Arquidiocese de Braga, possuindo agora um novo ensinamento, será a primeira diocese portuguesa a autorizar a prática de Amoris Laetitia no sentido pretendido por Francisco. Os casais interessados deverão agora dirigir-se ao Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família para fazerem um despiste em relação à possibilidade de nulidade matrimonial, após o qual, confirmando-se o adultério de facto, dar-se-à início ao tal “discernimento” que poderá confirmar os fiéis na relação adúltera e permitir que recebam a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal.

Se alguém for parar ao inferno por causa desta novidade doutrinal, ou pastoral como lhe chamam, o Sr. Bispo prestará contas diante de Deus.

Veremos que outros bispos e sacerdotes portugueses se deixarão seduzir também por esta doutrina diabólica de conciliação entre o adultério e a Sagrada Comunhão.

Basto 1/2018

Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

João Batista abriu a boca para falar

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Pierre Puvis de Chavannes, 1869

 

Como os tempos atuais são de pura confusão, “confusão diabólica”, se quisermos recorrer aos termos utilizados pela Ir. Lúcia, ninguém ficará surpreendido quando ler as palavras do Arcebispo de Braga publicadas há pouco mais de quatro meses no sítio oficial da arquidiocese, depois de ler a exótica e surpreendente informação aí publicada durante a semana passada. Relembremos que D. Jorge Ortiga foi um dos bispos portugueses que, em 2015, perseveraram na Fé, resistindo às fortes pressões ideológicas do momento.

Excertos da homilia de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, por ocasião da celebração da Solenidade do Nascimento de São João Batista:

(A homilia é muito bela e poderosa, merecendo ser lida na sua totalidade e divulgada.)

Abri a boca para falar

[…]

Alguns impõem as suas ideologias e critérios de vida. Os cristãos assistem passivamente e deixam que a sociedade se desenvolva sem alma nem sentido.

João Baptista dá o exemplo. Herodíades pensava que seria capaz de calar para sempre aquele que expressava a voz da Verdade e da consciência humana. Quis silenciar João Baptista porque ele falou e não se calou. O seu martírio suscitou, naquele tempo, horror mas aumentou a fama de João, tornando-o conhecido dentro da comunidade cristã, bem como no mundo pagão. Flávio José, um escritor pagão, dizia que ele era um “homem bom que levava os judeus ao exercício das virtudes”.

Poderia contemporizar ou até deixar correr sem erguer a sua voz para proclamar a verdade e denunciar os erros daquela época. Nada o detinha! Só se apaixonava pela verdade.

Era este exemplo que gostaria de deixar, este ano, na festa de São João. Zacarias perdeu a voz mas recuperou-a para falar da verdade no templo. João não se intimidou e proclamou a doutrina, correndo risco de vida. Dois exemplos a alertar a Igreja de hoje para a necessidade de perder o medo de vir para a praça pública. A sociedade vai evoluindo em muitos aspectos positivos mas ninguém ignora como as ideias contra a nossa cultura e um verdadeiro humanismo se impõem e crescem. Há uma estratégia com objectivos bem delineados e sempre apoiados por grupos de pequenas dimensões que não desistem e vão impondo os seus critérios e modos de edificar a sociedade.

Respeito pessoalmente a liberdade e não condeno quem tem projectos e luta por eles. Só que me impressiona a passividade e a inércia da multidão que murmura em silêncio mas não ousa levantar a voz. É necessário soltar a língua dos católicos para que falem, escrevam e se sirvam dos meios de comunicação social. Com frequência pede-se aos bispos que intervenham. É o seu papel e não sei se, de facto, estamos a ser a voz crítica que as circunstâncias exigem. Só que a Igreja não é apenas os bispos. Há muitos cristãos que deveriam falar no âmbito restrito dos círculos de amigos mas também procurar as praças públicas da comunicação social que, talvez com um espírito temerário, não deixarão de dar espaço e oportunidade.

[…]

Gosto da figura de São João Baptista. Foi um percursor porque ensinou e baptizou. Mas a grandiosidade da sua vida residiu em não ter medo de se confrontar com os comportamentos imorais e de erguer a voz contra eles. Custou-lhe caro. Mas a sua vida passou para além dele mesmo. Poderia ter sido um profeta como tantos outros que existiam na época. A coragem de falar e de mostrar a verdade das suas convicções ultrapassou-o e é por isso que estamos aqui hoje, não só para o recordar mas também para o imitar. Levemos para a vida esta coragem de falar em nome da Igreja a que pertencemos e mostremos a verdade, ainda que não seja fácil. Descubramos caminhos novos para estar na sociedade, talvez na vida política, mas ousemos ser o que a fé nos exige: testemunhas com o silêncio da vida e apóstolos que se fazem ouvir, a propósito e a despropósito, em todas as ocasiões e momentos.

(D. Jorge Ortiga, Homilia na Solenidade do Nascimento de São João Batista, 24/06/2017 – o sublinhado é nosso)

Dito isto, cabe-nos perguntar:

  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “proclamar a verdade” e a “doutrina”, referia-se mais precisamente a quê?
  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “denunciar os erros daquela época”, condenava exatamente o quê?
  • Em que é que os erros da nossa época diferem dos da época de João Batista?
  • Se naquela altura “João não se intimidou e proclamou a doutrina”, o que faz temer hoje os pastores da Igreja? Porque não “abrem a boca para falar”?

 

Basto 11/2017

Arquidiocese de Braga em risco de cisma

O Norte poderá vir a ser a primeira região portuguesa a aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco para as situações de adultério. De acordo com a informação publicada ontem no sítio oficial da Arquidiocese de Braga, o Minho prepara-se para experimentar a Alegria do Amor.

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in Correio da Manhã, 08/11/2017

 

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual. A resolução foi aprovada ontem, por unanimidade, no Conselho Presbiteral, onde foram definidas orientações para a renovação da Pastoral Familiar.

O grupo que irá acompanhar os divorciados que vivem em nova união será composto por leigos e sacerdotes. Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas.

(in sítio oficial da Arquidiocese de Braga, 08/11/2017)

 

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página facebook da Arquidiocese de Braga

É uma pastoral herética que se afasta dos ensinamentos constantes da Igreja estabelecidos nos documentos magisteriais e que põe em causa as palavras proferidas pelo próprio Deus a este respeito. Esta informação, embora ainda vaga, posiciona a Arquidiocese de Braga em risco de cisma.

1650. Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

1651. Com respeito a cristãos que vivem nesta situação e que muitas vezes conservam a fé e desejam educar cristãmente os seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar provas duma solicitude atenta, para que eles não se sintam separados da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como baptizados que são:

«Serão convidados a ouvir a Palavra de Deus, a assistir ao sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a prestar o seu contributo às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em prol da justiça, a educar os seus filhos na fé cristã, a cultivar o espírito de penitência e a cumprir os actos respectivos, a fim de implorarem, dia após dia, a graça de Deus» (174).

(Catecismo da Igreja Católica in sítio oficial da Santa Sé)

Escusado será referir que a imutável doutrina da Igreja é bem “mais velha que a Sé de Braga”, assim como a sua práxis que jamais poderá ser contraditória. Ainda assim, para os casos de falta de memória, convém lembrar as palavras que São João Paulo II pronunciou precisamente em Braga.

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

 

Basto 11/2017

Magistério do Papa Francisco sobrepõe-se gradualmente ao Magistério da Igreja

O Vaticano tem reagido positivamente ao silêncio comprometedor e outorgante da maioria dos católicos espalhados pelo mundo, continuando, assim, a promover a nova pastoral do adultério nos órgãos de comunicação semioficiais da Santa Sé.

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in Radio Vaticano, 28/08/2017

Depois de um curto período de estranheza inicial face ao exotismo da nova doutrina da misericórdia, altura em que se exigia uma certa subtileza de linguagem para não chocar os fiéis, hoje, os novos ensinamentos de Francisco I são já pregados de forma aberta nos meios de comunicação social da Igreja Católica, sem qualquer tipo de rodeios ou inibições. É o novo “magistério do Papa Francisco” sobre a “comunhão eucarística por parte dos divorciados que se encontram em uma nova união”, um magistério que “implica uma mudança da disciplina vigente” ao sabor das “decisões dos sujeitos”…

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in Radio Vaticano, 28/08/2017

Assim prega o arcebispo argentino Víctor Manuel Fernández, homem muito próximo do Santo Padre Francisco, com quem partilha a crença na nova misericórdia, e alegado “escritor fantasma” da Amoris Laetitia.

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Livro: “CURA-ME COM A TUA BOCA: A ARTE DE BEIJAR” do teólogo Víctor Manuel Fernández – “Nestas páginas, o autor enfatiza a importância do beijo como o suporte nas relações tanto amorosas como afetivas, enquanto ensina o leitor a beijar melhor.” (in página da editora LUMEN – tradução)

O “magistério do Papa Francisco”, pregado pelo Mons. Víctor Manuel Fernández, propõe-se assim a substituir, ainda que de forma não assumida, o ensinamento de sempre da Igreja. Algo que não preocupa minimamente uma grande maioria de católicos, que, posicionados num espectro que pode ir desde uma histeria papolátrica invulgar até a um indiferente silêncio comprometedor, já aprovaram a nova religião que se pretende implantar sobre as estruturas da antiga. Estaremos a entrar numa nova era pós-cristianismo?

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São João Batista e Mons.Victor Manuel Fernández, dois pregadores com orientações pastorais completamente diferentes.

Quando dois profetas ensinam doutrinas contraditórias, um deles tem de ser falso.

Basto 8/2017

Sítio oficial do Vaticano publica carta de Francisco aos bispos de Buenos Aires

Como reparou a publicação espanhola InfoCatólica, o sítio oficial da Santa Sé passou a disponibilizar online, a partir deste mês de agosto, a carta através da qual o Papa Francisco I autorizou explicitamente os bispos de Buenos Aires a abrir a Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos da Argentina. Deste forma, e tal como acontece com outros documentos papais, as indicações dadas pelo Santo Padre nesta carta, que já era oficial, veem o seu âmbito alargado à escala universal.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Neste momento, são já poucas as pessoas que ainda não ultrapassaram completamente a fase de negação da realidade, ao mesmo tempo que aumenta gradualmente o grupo dos aderiram à nova doutrina. Mas como um dia haveremos de prestar contas diante de Deus, não só pelos nossos atos mas também pelo nosso silêncio, convém lembrar que, nessa carta, o Santo Padre disse claramente aos bispos da Argentina que “não há outras interpretações” possíveis do “Capítulo VIII da Amoris Laetitia, elogiando a sua proposta pastoral que prevê a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas decididas a permanecer em situação de adultério.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Deste modo, a aprovação e o apreço manifestados pelo Papa são, mais uma vez, divulgados para todo o mundo e de modo oficial. É uma resposta clara, embora enviesada, aos famosos dubia. Algo que já tinha sido feito no ano passado, ainda que de forma não tão oficial, através do L’Osservatore Romano e da Radio Vaticano.

Nessa altura, a maior parte da Igreja Católica não viu ou não quis ver.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Um ano depois, a opção por não ver continua naturalmente ao dispor de cada um, dentro da liberdade que Deus nos deu.

Basto 8/2017

Primeiro encontro de casais adúlteros na diocese de Goya, Argentina

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in Corrientes Hoy, 22/08/2007

Os bispos da Argentina têm sido dos mais avançados do mundo na aplicação da nova pastoral do discernimento e integração do adultério proposta pelo Papa Francisco. Na verdade, foram eles os que levaram menos tempo a compreender o que se pretendia realmente com a Amoris Laetitia, no fundo, aquilo que o Santo Padre tem vindo a pedir, de forma subtil mas insistente, logo desde o início do seu pontificado.

Na verdade – e só não vê que não quer mesmo ver – os critérios dos bispos argentinos foram aprovados e elogiados por Francisco e, posteriormente, divulgados pelos órgãos de informação do Vaticano para servirem de exemplo para outras comunidades católicas.

Depois da celebração de uma missa solene, na arquidiocese de Santa Fé, para dar a Comunhão a pessoas que vivem relações adúlteras já aprovadas por “discernimento”, chegou agora vez da diocese de Goya oferecer as estas pessoas um caminho alternativo ao tradicional arrependimento e contrição.

“é uma questão de integrar todos, é preciso ajudar cada um a encontrar o seu próprio modo de participar na comunidade eclesial, para que ele se sinta objeto de uma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita»” 

“ninguém pode ser condenado para sempre”, porque “não é a lógica de Evangelho. Não me refiro somente aos divorciados em uma nova união, mas a todos, em qualquer situação em que se encontrem, é sempre o caminho de Jesus, o da misericórdia e da integração. O caminho da Igreja não é o de condenar ninguém”

(Mons. Adolfo Canecin, bispo coadjutor da diocese de Goya, in Corrientes Hoy, 22/08/2007 – tradução)

Basto 8/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Paglia para os adúlteros públicos: Sigam em frente e recebam a Sagrada Comunhão

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Por Christopher A. Ferrara

Ninguém, nem mesmo um Papa, pode alterar o constante ensinamento da Igreja e a sua disciplina integralmente relacionada sobre a “impossibilidade intrínseca” da absolvição e da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos em “segundos casamentos” que tencionam manter as suas relações adúlteras.

Recorde-se o que disse o Papa Bento XVI, a respeito da função do papado, no seu primeiro sermão enquanto Pontífice Romano recém-eleito:

O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

Considere-se a palavra de Deus a respeito do divórcio: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.” (Lc 16, 18)

Baseados na Palavra de Deus, bem como no ensinamento constante e na disciplina da Igreja em sua obediência durante 2000 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI – agindo como um Papa deve agir – reafirmaram o ensino bimilenar da Igreja de que adúlteros públicos, precisamente devido ao facto do seu estado de vida, não podem participar no Santíssimo Sacramento.

Contudo agora, graças exclusivamente à Amoris Laetitia (AL), é-nos dito, pelo próprio prelado que o Papa Francisco colocou à frente do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, que este ensinamento foi, na prática, derrubado. O Arcebispo Vincenzo Paglia (da obscena infâmia mural) declara abertamente, numa entrevista recente, que aqueles que vivem em uniõesirregulares” podem agora ser “integrados” na vida eclesial, tal como estão, sem antes mudarem de vida:

Aqueles que vivem em situações irregulares, se eles aceitarem ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã (especialmente se o processo for promovido e conduzido pelo bispo), terão possibilidade de encontrar várias e graduais formas de integração, não excluindo integração sacramental.

O palavreado vazio de significado – “ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã… graduais formas de integração” – é simplesmente uma folha de figueira que esconde uma permissão nua para aqueles que vivem em vários estados de adultério habitual e público receberem a Sagrada Comunhão sem antes mudarem de vida. Isso é exatamente o que os bispos da Alemanha, Sicília, Malta e outros lugares têm autorizado, enquanto os bispos de outros países, como a Polónia, continuam a defender o ensino e a disciplina bimilenar da Igreja, tal como fizeram os dois antecessores imediatos de Francisco na Cátedra de Pedro.

A manchete do LifeSiteNews diz tudo: “Arcebispo do Vaticano: Papa Francisco abriu Comunhão a adúlteros”. E este é o prelado que foi nomeado chefe do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família!

Somos testemunhas de uma catástrofe crescente. Cegueira voluntária perante os factos não é aqui uma opção. Tudo o que podemos fazer diante desta realidade é precisamente o que Nossa Senhora de Fátima pediu a todos os católicos, que inclui orar pelo Papa. Orar também pela resolução divina que certamente irá seguir-se à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima intercedei por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 31 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 8/2017