Bispos da Sicília cumprem promessa e fazem a vontade ao Santo Padre

Como tinham prometido no início do ano, os bispos sicilianos abriram agora o acesso à Sagrada Comunhão aos divorciados recasados, apesar do que a Igreja sempre ensinou a respeito do matrimónio e do adultério.

Sicília.jpg
in la Repubblica, 15/06/2017

O recém-publicado documento da Conferência Episcopal Siciliana intitula-se “Orientações Pastorais, acompanhar – discernir – integrar a fragilidade segundo as indicações do cap. VIII da Amoris Laetitia. As novas orientações pastorais vão ao encontro dos desejos de Francisco I na promoção da sua “Alegria do Amor”, libertando assim, até certo ponto, os fiéis sicilianos do “problema” da “rigidez dos mandamentos” que, apesar de “seguros”, de acordo com o mesmo Santo Padre, não “nos dão alegria” porque nos retiram a liberdade.

orientamenti pastorali
Orientações pastorais dos bispos da Sicília

Seguindo as orientações pastorais disponibilizadas no sítio da Arquidiocese de Palermo, a partir de agora, os pastores sicilianos devem convidar os adúlteros a discernir pelas suas próprias consciências se preferem o arrependimento ou a continuidade no prática do adultério para então, depois, poderem receber o Corpo e o Sangue do Senhor, independentemente de terem optado por um ou pelo outro caminho.

Basto 6/2017

Misericórdia atípica ameaça a diocese de Portalegre-Castelo Branco

imaculada.conceição.c.vide.jpg
“Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal” de Francisco Xavier Lobo, 1753 – Igreja de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide

Chegou a hora de Portugal!

Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas. (Tg 1, 16-18)

Depois de quatro anos e tal de incubação da heresia da nova misericórdia que prescinde de arrependimento, e depois da submissão das massas a um processo gradual e planeado de reeducação que visa a substituição dos tradicionais conceitos cristãos de matrimónio e família por uma ideologia relativista e hedonista, a nação portuguesa é agora chamada a tomar posição. Chegamos ao auge desta assumida “revolução” cultural. Este é o derradeiro momento em que a hierarquia católica portuguesa se coloca perante a forte tentação populista de aderir ou não à nova corrente ideológica dominante. O povo tem de redobrar a oração e a penitência, mas antes de tudo, deve estar muito atento!

Até ao momento, ainda nenhuma diocese portuguesa promulgou qualquer documento com orientações no sentido da aprovação pastoral do adultério, como já aconteceu em vários países. No entanto, alguns bispos portugueses, apesar de não contestarem teoricamente a doutrina católica sobre o matrimónio, têm mostrado disponibilidade para fazer a vontade ao Papa, ou seja, dar absolvição sacramental e a Sagrada Eucaristia a “alguns” adúlteros que, após um processo de “discernimento”, optem por permanecer definitivamente em adultério. “Alguns”, numa perspetiva otimista, pode significar mesmo todos, dependendo do sucesso da aplicação desta nova prática pastoral e também da consciência de cada um.

A primeira diocese portuguesa a prometer a publicação de um documento orientador da prática de Amoris Laetitia foi a de Portalegre-Castelo Branco. O anúncio surgiu num comunicado do Conselho Diocesano de Pastoral que reuniu recentemente em Castelo de Vide.

Abordou-se por largo tempo, o capítulo VIII da Exortação Apostólica Post-sinodal “Amoris Laetitia”, conforme agendado divagou-se serenamente e com muito proveito, sobre o “acolher”, “discernir” e “integrar”, tarefa pastoral exigente e delicada mas com necessidade de ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério. O Bispo Diocesano informou estar a pensar, para breve, na publicação de algumas orientações já em preparação.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 03/06/2017)

Por um lado, a diocese diz que esta tarefa pastoral tem de “ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério“, mas por outro, também diz que “deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco“…

Mais uma vez, o Capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia forneceu o conteúdo para um alargado debate sobre a implementação pastoral do “acolher”, “discernir” e “integrar” os cristãos que, embora não estejam em conformidade com a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, sofrem por tal situação e desejam fazer um caminho de integração e discernimento em Igreja. É uma pastoral delicada, necessária e urgente, e que deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco no documento em causa.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, junho de 2017)

Em que é que ficamos afinal? Já toda a gente sabe neste momento, e sem qualquer margem para dúvidas, qual é a interpretação que o Papa Francisco pretende para o capítulo VIII da sua controversa exortação apostólica! Todos sabem também, desde sempre, que sua interpretação contradiz o magistério da Igreja, conforme atestou o próprio Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Se o adultério continua portanto a ser um pecado mortal que exclui o acesso à Sagrada Comunhão para o bem das almas, a diocese está agora perante um dilema complicado…

Sem querermos arriscar na direção para a qual tenderão “as orientações já em preparação”, convém lembrar que, de acordo com o jornal Sol, D. António Dias, bispo da diocese em análise, era um dos seis bispos portugueses que, já em 2015, queriam abrir o acesso à Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério.

Perante a urgência da situação atual, os portugueses devem dizer se aceitam ou não que este sacrilégio contra a Sagrada Eucaristia seja praticado no nosso país, antes que seja tarde de mais. O nosso silêncio é também uma resposta que tem consequências e pela qual prestaremos contas diante de Deus.

Basto 6/2017

Bispos belgas autorizam a prática de Amoris Laetitia no seu país

A partir de agora, também na Bélgica, as pessoas divorciadas recasadas poderão aceder à Sagrada Comunhão mesmo mantendo-se em situação de adultério. A Conferência Episcopal Belga emitiu uma carta pastoral que dá seguimento à controversa exortação apostólica Amoris Laetitia na mesma linha de interpretação pretendida pelo Santo Padre Francisco I.

igreja belga2
in CathoBel, 24/05/2017

A carta pastoral foi apresentada pelo cardeal D. Jozef De Kesel, na última quarta-feira, em Malinas, onde explicou que esta se destina a todos os sacerdotes, diáconos e agentes pastorais. D. Jozef De Kesel é conhecido pelo seu exotismo doutrinal, sendo cardeal apenas desde novembro do ano passado.

igreja belga
in La Libre, 26/05/2017

 

Basto 5/2017

O “Papa Emérito” sobre a Amoris Laetitia: um devastador “sem comentários”

Ferrara02

Por Christopher A. Ferrara

Desde a misteriosa abdicação de Bento XVI do trono papal – para a qual os fiéis receberam explicações momentâneas e insatisfatórias – ouvimos, por diversas vezes, do secretário pessoal de Bento XVI, D. Georg Gänswein, o quão “sereno” e “em paz” Bento XVI se mostra em relação à sua inédita decisão. Tão sereno e em paz, de acordo com Gänswein, que nem poderia preocupar-se menos com o tumulto bergogliano que dividiu a Igreja como nunca anteriormente – em relação a uma questão da lei moral tão básica como o Sexto Mandamento.

Como relata o impressionante Edward Pentin, em entrevista ao La Repubblica – a enésima tentativa de assegurar-nos de que não havia nada de errado com a abdicação de Bento XVI – Gänswein revela que Bento “recebeu pessoalmente de Francisco uma cópia da Amoris Laetitia [AL], branca e autografada” e que “Ele leu-a cuidadosamente, mas não comentou de forma alguma o conteúdo”.

Sem comentários? Essa resposta não poderia ser mais reveladora. Se o único Papa Emérito da história da Igreja – uma novidade que o próprio Bento inventou – não vai defender a ortodoxia da AL, a sua falta de vontade para o fazer não pode ser vista como outra coisa senão como um reconhecimento implícito de que o seu conteúdo, em particular o Capítulo 8, é indefensável. Caso contrário, porque não declararia simplesmente, o “Papa Emérito”, que o ensinamento do seu próprio sucessor é doutrinariamente correto? Resposta: ele não o declarará porque sabe que isso não seria honesto.

Em vez disso, como Bento XVI se retirou da cadeira de Pedro, retirou-se também do caos que se seguiu à sua abdicação. Como refere Pentin, Gänswein “disse que o ex-Papa está bem ciente dos contrastes [!] gerados entre ele e o Papa Francisco, mas não se deixa provocar por eles” e “não tem intenção de entrar em controvérsias que se sentem longe dele”.

Longe dele? Mas Bento XVI vive no que ele mesmo chamou o “recinto de São Pedro”, na sua última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, dia anterior à sua renúncia ao “ministério de Bispo de Roma”. Assim, pelo menos de acordo com Gänswein, Bento não só renunciou ao papado, mas também renunciou a qualquer preocupação sobre o estado da Igreja dirigida por Francisco! Em vez disso, Gänswein tem o prazer de reportar (como Pentin sumarizou) que “o Papa Emérito continua a ver os noticiários televisivos às 20h, recebe o L’Osservatore Romano e o Avvenire, jornal dos bispos italianos, assim como os comunicados do Vaticano”.

Então, se acreditarmos em Gänswein, Bento XVI está mais interessado nos noticiários da noite do que no caos eclesial que o Papa Bergoglio provocou, que está “muito longe” dele, ainda que ele viva no Vaticano como vizinho de Bergoglio, que o usa para exibição pública em determinadas ocasiões.

Quanto a esse caos, Gänswein dirá apenas que “Certamente ele [Bento XVI] está atento à discussão e às diferentes formas em que tem sido implementada.” Diferentes formas? Temos agora uma situação em que o acesso à Sagrada Comunhão por pessoas envolvidas em relações sexuais adúlteras a que eles chamam “segundos casamentos” ainda é considerado um pecado mortal em algumas dioceses, no entanto é agora caracterizado como “misericórdia” em outras, inteiramente graças à AL . Mas como Gänswein diria, este desastre está “muito longe” do Papa Emérito, que no entanto permanece atento aos “noticiários noturnos às 20 horas”.

Eu não compro isso. Há algo muito suspeito nestas repetidas declarações sobre o que Bento XVI pensa e sente, enquanto o próprio Bento nunca fala diretamente ao público. Sinto o mesmo cheiro a esturro que envolve todo o evento da abdicação de Bento XVI. Ou melhor, cheira a enxofre.

Creio que não nos foi contada metade da história sobre o porquê de termos um Papa Emérito que abruptamente abandonou o seu gabinete apenas para ser sucedido por um Papa para quem o termo “Vigário de Cristo” parece – sejamos honestos – espetacularmente inadequado. Suspeito que a história completa seja encontrada na explicação da Virgem sobre a visão apocalíptica do “Bispo vestido de Branco”, uma explicação que existe de certeza e foi suprimida pelos mesmos cuja conduta o Terceiro Segredo provavelmente acusa.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 13 de abril de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2017