D. António Marto inaugura centro de misericórdia alternativa para adúlteros

Na nova Igreja Amoris Laetitia, a solução para as “fragilidades” do adultério não passa necessariamente pelo arrependimento e mudança de vida. A nova abordagem ultramisericordista introduzida pelo Papa Francisco leva as pessoas a sentirem-se bem com o seu próprio pecado, depois de um período mais ou menos curto de obstinação a que chamam “discernimento”…

Basto 02/2020

Casais divorciados já comungam em Fátima

Bispo de Fátima mostra como não é difícil chegar a cardeal na nova Igreja de Francisco. Basta promover ativamente a pratica de Amoris Laetitia*.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Pois, Jesus disse mas eles querem lá saber… E logo na diocese de Fátima!

Leiria-Fátima
In edição impressa do Correio da Manhã do dia 04/02/2029 (recorte obtido nas redes sociais).

Esta nova misericórdia inventada pelo Papa Francisco, para além de oposta à infalível doutrina da Igreja, parece demasiado fácil. Não implica arrependimento ou contrição, pelo contrário, confirma as pessoas no pecado como se este fosse uma virtude.

Estamos mesmo a viver os piores castigos anunciados em Fátima, em 1917. Que Deus nos ajude!

*A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, é um sacrilégio que consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar da obstinação no adultério.

Basto 02/2020

Santo Padre explica como a aprovação do adultério faz parte da “grande tradição moral da Igreja”

Num encontro que teve com um grupo de jesuítas asiáticos, durante a sua recente viagem apostólica à Tailândia e Japão, o Papa Francisco foi questionado sobre o procedimento a ter para com aqueles católicos que se casaram pela Igreja e posteriormente divorciaram-se e uniram-se civilmente as outras pessoas, ou seja, que se encontram em situação de adultério permanente. A resposta do Santo Padre foi clara, deve ser-lhes aplicada a solução prevista no Capítulo VIII da controversa exortação Amoris Laetitia.

tradição moral da Igreja1
In Vatican News, 05/12/2019.

De acordo com essa novíssima solução, inédita em 2000 anos de Civilização Cristã, após um processo de “discernimento”, os adúlteros que se encontrarem firmemente obstinados na sua atual situação de adultério poderão obter absolvição sacramental e receber a Sagrada Comunhão “segundo o Magistério da Igreja”, recorrendo às palavras do Santo Padre.

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María Clemencia Rodríguez de Santos agradece ao Santo Padre a bênção dada, em 2017, à sua relação adúltera com o Juan Manuel Santos, na altura, Presidente da Colômbia.

A prudência, de acordo com o Papa Francisco, pode ser uma coisa daqueles que têm “São Pilatos” como “padroeiro”.

Basto 01/2020

Inédito: bispo italiano dirige um pedido de desculpas por escrito aos adúlteros da sua diocese

adultery.jpgPartindo da novíssima doutrina do Papa Francisco a respeito do matrimónio, D. Renato Marangoni, bispo da diocese de Belluno-Feltre, em Itália, publica carta onde pede desculpa aos divorciados que resolveram “começar novas experiências de união”, pelo facto de a Igreja, no passado, ter condenado o adultério e impedido de comungar as pessoas que se encontravam em estado de pecado mortal.

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In página oficial da diocese de Belluno-Feltre, 22/11/2019.

E com esta carta de desculpas, convida todos os adúlteros da diocese a comparecerem no Centro [pastoral] Papa Luciani, no primeiro domingo de dezembro, onde uma equipa especializada os ajudará na iniciação da prática de Amoris Laetitia.

Basto 11/2019

Recasamentos comunitários na Arquidiocese de Maceió

Cerimónia de recasamento civil de divorciados realizada no âmbito da Pastoral Familiar Casais em Segunda União da Arquidiocese de Maceió, no estado de Alagoas, Brasil.

Basto 08/2019

Paróquia da diocese de Caicó prepara primeiro grupo de adúlteros para a Sagrada Comunhão

A Paróquia da Imaculada Conceição, em Currais Novos, no estado brasileiro do Rio Grande do Norte, prepara-se para legitimar pastoralmente os primeiros vinte casos locais de adultério. Como explica o Pe. Janilson, pároco local, o casamento cristão continua válido e é para toda a vida, mas o novo relacionamento adúltero também deve ser acolhido.

É a nova doutrina moral do Papa Francisco em ação.

Basto 07/2019

A nova Igreja Amoris Laetitia: adultério como fonte de graça e caminho de santificação pessoal

Sabemos agora que a Paróquia de Santa Isabel, no Patriarcado de Lisboa, pôs em prática a nova doutrina do Papa Francisco sobre o Matrimónio anteriormente à publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. A informação é da agência de notícias da Conferência Episcopal Portuguesa.

Conceitos-chave: nova união fora do Sacramento do Matrimónio, nova Igreja, Igreja inteligente, Igreja […] a mudar… E ainda, como não podia deixar de ser, discernimento, [nova] misericórdia e Papa Francisco.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Basto 04/2019

Bispo do Porto abre a Sagrada Comunhão a pessoas “recasadas” que continuam matrimonialmente unidas a outras

Em divergência total com a doutrina católica, sem causar no entanto a mínima surpresa, D. Manuel Linda, “fã do Papa Francisco a 200%“, acaba de publicar um documento com orientações pastorais que oficializam a abertura da Sagrada Comunhão a casais divorciados civilmente recasados, na diocese do Porto.

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(Nota Pastoral – Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto; in página oficial da Diocese do Porto, 06/03/2019)

Manuel Linda chega a citar abusivamente João Paulo II e Bento XVI para justificar a sua adesão precisamente ao ensinamento contrário do que estes papas defenderam na questão do acesso dos divorciados recasados à comunhão eucarística.

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Manchete da entrevista concedida por D. Manuel Linda ao Observador em 17 de março de 2018.

É o próprio D. Manuel Linda quem nos recomenda alguma prudência para com o disposto neste documento que considera “imperfeito” e “rudimentar”, alicerçado nos ensinamentos do Papa Francisco, que pede soluções, “mesmo sem vermos com toda a clareza”.

Este documento é imperfeito e chamado, pela sua própria natureza, a ser ultrapassado: nem pretende abarcar a imensidade dos aspetos da pastoral familiar, nem se concebe como aquisição dogmaticamente definitiva. Por isso, as suas características de rudimentar e provisório apenas pretendem vincar a complexidade da questão e a abertura a todas as Igrejas diocesanas e à Igreja universal, sabiamente conduzida pelo Papa Francisco, para que continuemos à procura de prevenções e soluções, ainda que sem vermos com toda a clareza.

(D. Manuel Linda, in Nota Pastoral – Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto, 6 de março de 2019)

Não obstante o seu forte cariz misericordista, o método discernimental da diocese do Porto apresenta-se bastante mais moroso do que o de Leiria-Fátima, onde três semanas de discernimento intensivo podem ser suficientes para colocar o adúltero em condições de comungar. A diocese do Porto exige um estágio não inferior a seis meses de discernimento até poder finalmente confirmar o adúltero no seu recasamento civil, oferecendo-lhe uma espécie de certificado formal. Não especifica, porém, a tramitação do processo no caso de uma eventual separação dos recasados e início de nova situação de fragilidade, numa nova união ilícita.

Da conclusão e decisão deste processo deve elaborar-se, em duplicado, um documento assinado pela pessoa e pelo sacerdote que a acompanhou. Este documento é entregue na secretaria episcopal, para obter a validação pelo Bispo Diocesano ou seu delegado. Depois disso, um exemplar é arquivado e o outro entregue à pessoa que fez a caminhada de discernimento.

(D. Manuel Linda, in Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto, 6 de março de 2019)

Merece ainda atenção a peculiaridade da escolha do “início desta quaresma” para a publicação das orientações pastorais desta nova doutrina do matrimónio para a diocese portuense. Com isto, o bispo do Porto expressa a sua intenção de uma verdadeira conversão interior – não dos pecadores mas – dos “pastores”, da sua “mentalidade” e da sua “pastoral”.

Entre nós, mais um forte candidato ao barrete cardinalício…

Basto 03/2019

Insólito: Papa Francisco convida-nos a meditar no martírio de João Batista

Depois de todo o empenho na despenalização do adultério de longa duração e na legitimação pastoral das relações ilícitas, o Santo Padre convida-nos a recordar a imagem do martírio de São João, preso e decapitado…

Recordemos então a razão pela qual o profeta foi preso e decapitado:

Agora é só transpor esta imagem para os nossos dias e tentar perceber quem condena hoje este “fanático” da doutrina.

Basto 02/2019

Bragança: “A tristeza e a rigidez do adultério no matrimónio e na família”

Chegou a vez da diocese do Nordeste Transmontano fazer a vontade ao Papa Francisco na aprovação pastoral dos relacionamentos amorosos extra-conjugais, nos termos do controverso documento papal Amoris Laetitia.

2.3. Há que evitar dar a entender que se trata de uma “autorização administrativa” geral para aceder aos sacramentos. De facto, trata-se de um discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja.

(In «A Alegria e a fragilidade do Amor no Matrimónio e na Família», de D. José Manuel Garcia Cordeiro, Mogadouro, 1 de dezembro de 2018)

No que concerne à claridade dos ensinamentos de Francisco, o bispo de Bragança-Miranda parece estar quase de acordo com os cardeais dos dubia

d.jose.cordeiro“Francisco não cai no esquema demasiado simples da classificação entre regular e irregular.”

 

(D. José Cordeiro, in Ecclesia, 01/12/2018)

De facto, a linguagem de Francisco é ambígua na distinção entre o que é “regular e irregular”, ao contrário do que acontecia com os papas anteriores e com o próprio Cristo. O novo “esquema demasiado” complicado e confuso inaugurado por Francisco é, contudo, amplamente apreciado pelo mundo, particularmente por quem deseja continuar nas trevas e ser confirmado no pecado.

Ironicamente, este documento de D. José Cordeiro, que permite a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas obstinadas num pecado grave, foi lançado em simultâneo com outra nota pastoral, «Mendigos da Luz de Cristo», que marca o início do novo ano litúrgico diocesano dedicado ao Sacramento da Confirmação.

Basto 12/2018

O Erro Crasso de D. Jorge Ortiga

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Por João Silveira

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, revelou publicamente, à TSF, que os “primeiros recasados vão poder comungar após processo de discernimento“.

Este processo de discernimento, cujas directivas se encontram na carta pastoral “Construir a casa sobre a rocha”, visa descobrir (?) se um casal “recasado” está ou não em condições de comungar. Para tal, o dito casal é acompanhado por um grupo de padres jesuítas, um casal de leigos e um psicólogo.

1. Não se percebe como é que algum processo de discernimento tem a capacidade de descobrir que alguém que vive em estado objectivo de pecado (Cân. 915) pode continuar a viver dessa forma sem estar em pecado. Parece que tudo acontece por artes mágicas.

2. Distribuir a Sagrada Comunhão a uma pessoa que não está em condições de a receber -porque a sua vida apresenta uma contradição grave com os ensinamentos morais de Cristo  e da Igreja – não lhe vai fazer bem nenhum, só lhe vai fazer mal, como explicou São Paulo em 1Cor 11, 27-29. Isto é verdade para qualquer pessoa que tenha cometido um pecado mortal e não se tenha arrependido e confessado desse pecado a um sacerdote, com propósito de não o tornar a cometer.

3. Aquelas duas pessoas vivem como se estivessem casadas, com tudo o que isso implica, mas não estão casadas. Diz o Catecismo da Igreja Católica, no §2390: «O acto sexual deve ter lugar exclusivamente no matrimónio; fora dele constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental». Com que autoridade pode D. Jorge Ortiga desrespeitar o Catecismo da Igreja Católica?

4. Na Igreja não existe o estado de “recasado”. Aquelas duas pessoas não só não estão casadas entre si como estão ambas (ou pelo menos uma delas) casadas sacramentalmente com outras pessoas, daí que não se possam casar novamente enquanto o seu cônjuge estiver vivo. Foi a própria pessoa que prometeu fidelidade até que a morte os separasse. Isto aconteceu de livre vontade, caso contrário o consentimento não seria válido. A partir daquele momento foi contraído um vínculo que não pode ser dissolvido, nem por vontade dos cônjuges nem por vontade de D. Jorge Ortiga. Ver um Bispo, Sucessor dos Apóstolos, a apoiar publicamente o adultério – um pecado tão grave que São Tomás disse que não se poderia cometer nem que fosse para salvar o mundo inteiro – é sinal que a Igreja está numa crise gravíssima.

5. Este processo está completamente errado e é contra os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, mais que não fosse por prudência (humana), deveria ser feito com a maior discrição possível. Vir para os meios de comunicação social fazer um anúncio destes é causar um grave escândalo nos fiéis.

O que se está a passar é grave demais para passar incólume. Membros da hierarquia da Igreja estão a fomentar as comunhões sacrílegas, a enganar as almas (fazendo com que julguem estar em estado de graça enquanto vivem em pecado objectivo), a destruir a Instituição do Matrimónio e a fazer pouco da Lei da Igreja e do Catecismo. Tudo isto em nome duma suposta misericórdia que vai contra as próprias palavras de Jesus Cristo (Mc 10, 1-12), como se fossemos mais misericordiosos do que Ele.

Este texto foi originalmente publicado no blogue Senza Pagare a 28 de setembro de 2018.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

Basto 9/2018

Arcebispo de Braga anuncia os primeiros casos de recasamento aprovados em processos de “discernimento”

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Jules-Arsène Garnier (1876)

Em declarações à TSF, D. Jorge Ortiga anunciou que dois casos de recasamento que se submeteram às provas de “acompanhamento e discernimento” da Arquidiocese de Braga já estão em condições de aceder à Sagrada Comunhão.

Equipa de discernimento da Arquidiocese de Braga:

  • Um grupo de padres jesuítas
  • Um casal de leigos
  • Um psicólogo

(de acordo com a informação apresentada pela TSF)

Sem revelar pormenores particulares relativos aos casos de recasamento em questão, o arcebispo explica que o processo de “discernimento” passa por avaliar a estabilidade da nova relação iniciada pelo divorciado e “o seu compromisso na fé”.

É um processo de longa caminhada para poder fazer um discernimento e ver até que ponto aquela nova relação, após uma outra que não tinha corrido bem, está orientada para uma vida estável, com a exigência cristã e com o seu compromisso de fé.

(D. Jorge Ortiga; in TSF, 26/09/2018)

Estes deverão ser os dois primeiros casos de recasamento pastoralmente aprovados pela Igreja em toda a história de Portugal, todavia, de acordo com a informação prestada pelo arcebispo à referida estação de rádio, não deverão ser os únicos.

Basto 9/2018

Diocese do Porto acusa D. Carlo Maria Viganò de apostasia por não aderir à nova doutrina do Papa Francisco

Num curto comunicado publicado recentemente na sua página oficial, a diocese do Porto acusa o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, de infidelidade e apostasia por não aceitar a novíssima doutrina sobre o casamento e a família introduzida pelo Papa Francisco através da sua controversa exortação Amoris Laetitia que admite o divórcio e o recasamento. O comunicado, sem data e sem assinatura, intitula-se “Com Pedro e sob Pedro” – um título forte para este tempo de dois Pedros.

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In sítio oficial da diocese do Porto, sem data (imagem capturada no dia 05/09/2018).

Falando de apostasia, recordemos que, ainda há pouco tempo, o novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, um “fã do Papa Francisco a 200%“, foi notícia internacional depois de se manifestar publicamente a favor da prática sexual entre os recasados que desejam ser uma verdadeira família. Não admira, portanto, que a diocese sediada na urbe invicta venha agora “demonstrar a plena adesão ao magistério e à pessoa do Papa Francisco”.

Basto 9/2018

Papa Francisco escreve ao Patriarca de Lisboa

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O Papa Francisco enviou uma carta ao Patriarca de Lisboa de agradecimento e encorajamento em relação à aplicação do polémico capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

carta

Amado Irmão Cardeal
D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente
Patriarca de Lisboa

 

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Esta sua aprofundada reflexão  encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério.

As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus.

Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas.

Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa. 

 

Vaticano, 26 de junho de 2018

Franciscus

 

(in sítio oficial do Patriarcado de Lisboa, 26/06/2018)

Esta carta causa alguma estranheza, tanta como a sua publicação na página oficial do Patriarcado de Lisboa, uma vez que parece um documento pessoal…

Nesta altura já ninguém tem dúvidas relativamente ao que o Santo Padre entende por “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. Resta saber como D. Manuel Clemente irá interpretar este encorajamento do Bispo de Roma, tendo em conta que o Patriarca de Lisboa, apesar de tudo, tem constituído a maior força visível de atrito no episcopado português relativamente à novíssima pastoral de abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”.

Basto 7/2018

A “Alegria do Amor” em Viseu

Como tínhamos aqui avançado anteriormente, o agora administrador apostólico da diocese de Viseu, D. Ilídio Leandro, acaba de publicar um “documento pastoral” que porá em prática os novos ensinamentos do Papa Francisco sobre o matrimónio e a família na sua diocese. O referido documento intitula-se “Acompanhar, discernir, integrar” e deverá contemplar a possibilidade de os divorciados “recasados” acederem aos sacramentos nos termos previstos pela controversa exortação Amoris Laetitia.

“Se a sua situação na comunidade cristã e a sua relação com todos os que foram importantes no seu primeiro casamento não mantém feridas por sarar”, então o caminho para a paz está a ser realizado com sucesso, lembrou D. Ilídio, como pressuposto para a possibilidade de uma integração tranquila na comunidade cristã, vivendo a plenitude dos sacramentos.

(in Página oficial da Diocese de Viseu, 28/06/2018)

Presume-se que seja um documento que irá ao encontro daqueles queparafraseando o Pe. Armando Esteves, Vigário Geral da Diocese de Viseu – foram levados a assumir um segundo matrimónio”.

Basto 7/2018

Abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos: “Cristo crucificado de novo?”

Pe. Santiago Martín põe em causa a intenção de alguns bispos alemães de abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos, sem deixar de mencionar a aprovação pessoal do Papa Francisco nesta questão. O famoso teólogo espanhol teme que este novo avanço pastoral produza um facilitismo semelhante ao que decorreu da aplicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

Basto 7/2018

Diocese de Leiria-Fátima abre Sagrada Comunhão aos adúlteros

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Como se esperava, chegou agora a vez de D. António Marto publicar o seu documento que lança a prática de Amoris Laetitia* na diocese de Leiria-Fátima nos termos desejados pelo Papa Francisco. Os adúlteros poderão agora aceder à Sagrada Comunhão também na diocese portuguesa onde a Mãe de Deus veio dizer-nos que “os pecados que levam mais almas para o Inferno são os da carne” e que “muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus”.

O método de “discernimento” proposto pelo futuro cardeal D. António Marto foi assumidamente inspirado na heresia bracarense, mas apresenta algumas nuances trágico-cómicas dignas de nota, particularmente no que se refere ao exercício experimental pelo qual deverá passar a pessoa adultera e que deverá produzir resultados ao fim de 15 dias!

A diocese propõe que o adúltero viva uma semana de acordo com o ensinamento constante da Igreja, sendo convidado a “não aceder aos sacramentos”, porém, a partir do oitavo dia, deverá “fazer o oposto” durante toda a semana para experimentar também a nova solução de misericórdia do Papa Francisco.

Numa fase posterior (3ª semana?), o adúltero terá de elaborar “uma lista de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos” (onde, eventualmente, ponderará determinados pormenores como o destino eterno da sua alma, entre outros aspetos)… Depois de observado esse procedimento, o adúltero estará então em condições de tomar uma decisão “racional”.

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Síntese dos “passos” necessários para os adúlteros poderem ter “acesso aos sacramentos” na diocese de Leiria-Fátima; baseado em “Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado” da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.

À semelhança do que prevê o método discernimental da diocese de Portalegre-Castelo Branco, para além das conclusões “sim” e “não”, disponibilizar-se-á ainda uma terceira via destinada a quem reconhecer que a sua relação adúltera ainda não atingiu suficiente maturidade espiritual.

No que diz respeito ao acesso aos sacramentos, propõem-se os dois passos seguintes:

1. Fazer um exercício de conclusão do discernimento, como se segue: durante uma semana, rezar e viver como se a decisão fosse não aceder aos sacramentos, tomar consciência do que se vai sentindo, dos sentimentos espirituais, do que há de paz ou inquietação; na semana seguinte, fazer o oposto… rezar e viver como se a decisão fosse aceder aos sacramentos, tomando nota dos movimentos espirituais sentidos. Assim, vai-se percebendo por onde Deus chama, o que dá mais paz, o que aproxima mais d’Ele, da vida cristã e dos outros.

2. Para confirmar, através de um processo racional e a partir de tudo o que se leu, rezou, partilhou e ouviu, faça-se uma lista, em duas colunas, de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos. Noutro tempo, faça-se o mesmo processo com a possibilidade de não aceder aos sacramentos. Depois de “selecionados” os ‘prós’ e os ‘contras’ de uma e de outra possibilidades, ver o que se revela mais evidente. Como afirmado no início, pode ser: 1) aceder aos sacramentos; 2) não aceder aos sacramentos; 3) para já não, há passos ainda a dar na nossa vida e o discernimento deve continuar.

(Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado; in Página Oficial da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.)

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Cartaz do musical “O Dia em que o Sol Bailou” encomendado pelo Santuário de Fátima para a celebração Centenário das Aparições; in página oficial do Santuário de Fátima.

* Voltamos aqui a repetir de forma clara para todos aqueles que ainda não puderam ou não quiseram compreender: A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério.

Que diriam os pastorinhos de todas estas modas loucas que chegaram a Fátima?

Basto 6/2018

Prática de Amoris Laetitia será implementada na diocese de Portalegre-Castelo Branco

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Sem surpreender, o bispo D. António Dias escreveu uma carta pastoral que lançará a prática de Amoris Laetitia na diocese de Portalegre-Castelo Branco. De acordo com a Rádio Renascença, através deste documento, D. António dá algumas orientações para ajudar os divorciados a viver em nova união…

O bispo da Diocese de Portalegre–Castelo Branco escreveu uma carta pastoral com o título “A Bem da Família”, na qual oferece algumas “orientações positivas” de ajuda aos divorciados a viver em nova união.

(in Renascença, 07/06/2018)

O método de “discernimento” proposto por D. António Dias, o qual poderá abrir a Sagrada Comunhão a um adúltero, se este assim o entender, passará por cinco fases, conforme se explica no jornal Reconquista. Chegando à fase 4, o adúltero deverá tomar uma decisão que pode ser “sim, não ou para já não” e na fase 5 será confirmado nessa decisão.

E assim, a nova misericórdia do Papa Francisco invade agora a Beira Baixa e o Alto Alentejo, encontrando menor resistência do que os espanhóis durante a Guerra das Laranjas…

Basto 6/2018

A imagem da “dimensão erótica do amor” em Florianópolis

A era da informação global tem destas coisas, sendo bastante provável que o clero local nem imagine que isto possa ter acontecido… Numa publicação do ano passado, a Arquidiocese de Florianópolis, do estado de Santa Catarina, Brasil, escolheu uma foto sugestiva para ilustrar um dos novíssimos ensinamentos da exortação apostólica Amoris Laetitia, porém essa imagem estava já associada a uma marca comercial.

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in Arquidiocese de Florianópolis, 01/08/2017

A marca em causa refere-se a um produto destinado a melhorar a performance sexual.

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FOREDI Gel, 13/08/2016

Este é um caso que tem mais de insólito do que de surpreendente, dada a conjuntura atual.

Basto 6/2018

Diocese de Viseu abrirá a Sagrada Comunhão a adúlteros já neste Verão

henriqueviii.jpgA “Alegria do Amor” chegou a Viseu. Sem qualquer surpresa, a Ecclesia acaba de informar que o bispo de Viseu anunciara a publicação, para o dia 1 de julho próximo, do tão desejado documento que regulamenta a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério, respondendo assim ao desejo do Papa Francisco. De acordo com a agência noticiosa da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Ilídio Leandro pede que “não se tenha uma atitude legalista” perante as (inovadoras) “propostas” do Santo Padre.

“O capítulo 8 (da Exortação Apostólica Amoris Laetitia) abriu às situações irregulares [*] a possibilidade dessas pessoas poderem reencontrar-se na Igreja mesmo em comunhão sacramental, no abeirar-se da reconciliação e na Eucaristia.”

(D. Ilídio Leandro in Ecclesia, 15/05/2018)

* Nota nossa: o termo “irregular” é um neologismo linguístico que corresponde, em termos objetivos, à tradicional noção católica de adultério na sua forma continuada.

Esta nova pastoral pode conduzir à erradicação do adultério (enquanto tal) em toda a região.

E lá se vai completando o mapa deste nosso triste fado

Basto 5/2018

Gaudete et Exsultate: Mesmo o que esperávamos

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Por Christopher A. Ferrara

A esta altura do pontificado do homem da Argentina, não é mesmo necessário ler a Gaudete et Exsultate para se saber o que contém: uma mistura de elementos de devoção, ataques a católicos ortodoxos e as novidades que este Papa tem avançado implacavelmente desde o momento da sua eleição. Isto é o que já vimos com a Evangelii Gaudium, com a Laudato si’ e, claro, com a desastrosa Amoris Laetitia que, inacreditavelmente, pretende abolir na prática o caráter sem exceções dos preceitos negativos da lei divina e natural, começando pelo Sexto Mandamento.

Ainda assim, só para ter a certeza, vi o documento. Relativamente curto, com um total de 20.000 palavras, corresponde precisamente ao que era expectável: algumas afirmações piedosas amarradas a apelos às mudanças radicais que Francisco exige em contradição com o ensinamento de todos os seus predecessores, juntamente com as denúncias do costume, apontadas ao clero e aos leigos ortodoxos que ousam opor-se às suas novidades.

Aqui está uma passagem chave que capta a essência daquilo a que Antonio Socci chamou, de forma tão apropriada, Bergoglianismo:

“A habituação seduz-nos e diz-nos que não tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situação, que sempre foi assim e todavia sobrevivemos. Pela habituação, já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas «continuem como estão» ou como alguns decidiram que estejam. Deixemos então que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.”

Repare-se na confusão enganosa entre o concordar com o mal, que envolve pecado, e o não “mudar as coisas” ou aceitar “o sempre foi assim” ou “como alguns decidiram que estejam”, e a confusão igualmente enganosa entre fazer o bem e “desafi[ar] a habituação […] para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.

Gaudete et Exsultate é, assim, uma tentativa velada de impor o enfraquecimento do Sexto Mandamento, inerente à Amoris Laetitia, sobre a Igreja, sob o disfarce de “discernimento” do que o Espírito Santo supostamente nos pede: a novidade. E sem deixar dúvidas sobre a sua intenção, o Papa Francisco deixa depois claro que exige adesão às suas novidades como sendo a voz de Deus através de si:

“Como é possível saber se algo vem do Espírito Santo ou se deriva do espírito do mundo e do espírito maligno? A única forma é o discernimento. Este não requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, é também um dom que é preciso pedir. Se o pedirmos com confiança ao Espírito Santo e, ao mesmo tempo, nos esforçarmos por cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual […].”

Até aqui, tudo bem. Mas a cápsula de veneno é administrada de imediato:

“Isto revela-se particularmente importante, quando aparece uma novidade na própria vida, sendo necessário então discernir se é o vinho novo que vem de Deus ou uma novidade enganadora do espírito do mundo ou do espírito maligno. Noutras ocasiões, sucede o contrário, porque as forças do mal induzem-nos a não mudar, a deixar as coisas como estão, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Espírito Santo […].”

Não há outra palavra para este texto par além de desonesto: o mal manifesta-se pelo “imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”, “mudar” no sentido que Francisco – sozinho entre todos os Papas até Pedro – exige em consonância com os “sinais dos tempos”.

Em sítio nenhum do grande Depósito da Fé encontramos qualquer ensinamento sobre o mal imaginário da imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”. Muito pelo contrário, a resistência à mudança é precisamente o que é exigido por uma defesa do ensino imutável do Evangelho, que é o Palavra Eterna:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. (Mt 5, 17-19)

Dando cumprimento à Lei de Deus, Nosso Senhor declarou que quem se divorcia e finge “casar-se de novo” comete adultério. Recorde-se a Sua repreensão aos fariseus, que recorreram a Moisés para defenderem a aprovação do divórcio: “Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim.” (Mt 19, 8)

No entanto, a Igreja é agora atormentada por um pontificado cujo tema é a tolerância do divórcio e do “recasamento” na Igreja e a admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão, ainda que mantenham as suas relações adúlteras, o que reverteria 2 000 anos de ensinamento da Igreja, arrastando-a toda de volta ao tempo de Moisés.

Com incomparável audácia, Francisco cita o Oitavo Mandamento quando invoca o inferno (cuja existência ele nega em conversas com Scalfari, de quem não nega os seus relatos) para demonizar os católicos que defendem os “outros mandamentos” – ou seja, o Sexto Mandamento que ele tem tentado subverter na prática ao longo dos últimos cinco anos:

“Mesmo nos meios de comunicação social católicos, os limites podem ser ultrapassados, a difamação e a calúnia podem tornar-se comuns e todos os padrões éticos e o respeito pelo bom nome dos outros podem ser abandonados… É surpreendente que, às vezes, ao afirmar defender os outros mandamentos, ignoram completamente o oitavo, que proíbe dar falso testemunho ou mentir, e vilificar implacavelmente os outros. Aqui vemos como a língua desprotegida, incendiada pelo inferno, incendeia todas as coisas (cf. Tg 3, 6)”.

Aparentemente, o Papa Francisco não vê “falso testemunho ou mentir” no seu discurso mais ou menos constante contra os católicos ortodoxos, nem percebe que “vilific[a] implacavelmente os outros” quando os denuncia, quase diariamente, como hipócritas rígidos. Como aconteceu com a flagrante adulteração feita pelo Vaticano da, agora infame, carta falsamente apresentada como o apoio de Bento XVI à “teologia do Papa Francisco”, Francisco evidentemente não se apercebe da trave à frente do seu próprio olho.

Podemos, no entanto, encontrar esperança no facto de que esta dura polémica papal não está a enganar ninguém que não queira ser enganado e que o número de fiéis que estão a despertar relativamente ao engano aumenta de dia para dia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 11 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 4/2018

Declaração Final da Conferência de Roma reafirma a doutrina católica e responde aos “dubia”

Roma.1P5

Por Maike Hickson

Hoje, dia 7 de abril, teve lugar em Roma a tão aguardada conferência “Igreja Católica, para onde vais?”. A conferência foi inspirada pelo falecido Cardeal Carlo Caffarra – um dos quatro cardeais dos dubia – que morreu em setembro passado. No final da conferência, foi emitida uma Declaração Final em nome dos participantes, clérigos e leigos, que reafirma a infalível doutrina da Igreja a respeito de questões morais como o casamento e atos intrinsecamente maus, respondendo, deste modo, aos cinco dubia iniciais que, 18 meses depois de terem sido submetidos pela primeira vez ao Papa Francisco, nunca obtiveram resposta.

A importância da Declaração Final está no facto de ter sido divulgada na presença e com o apoio dos quatro principais prelados que levantaram as suas fortes vozes de resistência católica contra a confusão e o erro propagados pelo Papa Francisco, a saber: o Cardeal Walter Brandmüller , o cardeal Raymond Burke, o cardeal Joseph Zen e o bispo Athanasius Schneider. Foi também ali apresentada uma breve mensagem em vídeo do cardeal Carlo Caffarra. Nos próximos dias publicaremos um relatório mais extenso sobre o conteúdo de toda a conferência. Por hoje, apenas apresentamos aos nossos leitores esta histórica Declaração Final intitulada “Portanto, damos testemunho e confessamos…”, que é sucinta e clara.

A Declaração Final começa com a referência à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia e ao seu efeito de confusão sobre os fiéis. Assinala que nem o Apelo Filial de quase um milhão de signatários, nem a Correção Filial de 250 académicos, nem os dubia dos quatro cardeais receberam uma resposta do Papa Francisco. Portanto, dizem os autores, “nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica”. Assinala também “a importância de os leigos darem testemunho da fé”. De seguida, os autores reafirmam, em seis pontos, o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento, o adultério, a questão de uma consciência subjetiva defeituosa, as normas morais absolutas, a necessidade de uma forte intenção de mudar o modo de vida para receber uma absolvição sacramental válida e ainda o facto de que os divorciados “recasados” que não pretendem viver em continência não podem receber a Sagrada Comunhão.

Eis o texto completo da declaração:

“Portanto, damos testemunho e confessamos…”

Declaração final da conferência “Igreja Católica, para onde vais?”

Roma, 7 de abril de 2018

Devido a interpretações contraditórias da Exortação Apostólica Amoris laetitia, tem alastrado o descontentamento e a confusão entre os fiéis do mundo inteiro.

O pedido urgente de esclarecimento apresentado ao Santo Padre por cerca de um milhão de fiéis, mais de 250 académicos e vários cardeais, não obteve resposta.

No meio do grave perigo que se levantou para a fé e para a unidade da Igreja, nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica.

O Concílio Vaticano II nos autoriza e encoraja a fazê-lo, afirmando em Lumen Gentium n. 33: “Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7)”.

O beato John Henry Newman também nos encoraja a fazê-lo. No seu ensaio profético “On consulting the faithful in matters of doctrine [Sobre a consulta aos fiéis em assuntos de doutrina]”, de 1859, falou da importância dos leigos darem testemunho da fé.

Portanto, de acordo com a tradição autêntica da Igreja, damos testemunho e confessamos que:


1) Um casamento ratificado e consumado entre duas pessoas batizadas só pode ser dissolvido pela morte.

2) Por consequência, os cristãos unidos por um casamento válido que se juntam a outra pessoa enquanto o seu cônjuge continua vivo cometem o grave pecado do adultério.

3) Estamos convictos de que este é um mandamento moral absoluto que obriga sempre e sem exceção.

4) Estamos também convictos de que nenhum julgamento de consciência subjetivo pode fazer bom e lícito um ato intrinsecamente mau.

5) Estamos convictos de que o julgamento sobre a possibilidade de administrar a absolvição sacramental não se baseia na imputabilidade do pecado cometido, mas na intenção do penitente de abandonar um modo de vida que é contrário aos mandamentos divinos.

6) Estamos convictos de que as pessoas divorciadas e civilmente recasadas, que não estão dispostas a viver em continência, estão a viver numa situação objetivamente contrária à lei de Deus e, portanto, não podem receber a Comunhão Eucarística.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» (Jo 8, 31-32).

Com esta confiança, confessamos a nossa fé diante do supremo pastor e mestre da Igreja juntamente com os bispos e lhes pedimos que nos confirmem na fé.

(tradução livre a partir do texto publicado em inglês no 1P5)

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Cardeal Carlo Caffarra, em Roma, a 19 de maio de 2017:

Basto 4/2018

Cardeal Kasper: as uniões homossexuais são “análogas” ao casamento cristão

marx.kasper

Por Matthew Cullinan Hoffman

14 de março, 2018 (LifeSiteNews) – O cardeal Walter Kasper, cuja teologia parece ser a principal inspiração da doutrina do Papa Francisco para a abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em estado de adultério em segundos casamentos, parece agora afirmar que as uniões homossexuais possuem “elementos” do casamento cristão, sendo até mesmo “análogas” àquelas, no sentido em que são semelhantes à relação entre a Igreja Católica e as comunidades cristãs não-católicas.

Mais até, o cardeal atribui as suas reivindicações à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia, apesar de o documento contradizê-lo explicitamente.

“O papa não deixa margem para dúvidas em relação ao facto de que casamentos civis, uniões de facto, novos casamentos depois de um divórcio (Amoris Laetitia 291) e uniões entre pessoas homossexuais (Amoris Laetitia 250s) não correspondem à conceção cristã de casamento“, escreve Kasper num livro recentemente lançado sobre Amoris Laetitia.

“Ele diz, no entanto, que alguns desses parceiros podem perceber de forma parcial e análoga alguns elementos do casamento cristão (Amoris Laetitia 292)”, continua Kasper.

Kasper compara essas relações com a relação entre a Igreja Católica e os grupos cristãos não-católicos relativamente aos quais o Concílio Vaticano II afirma que contêm “elementos de santificação e verdade” da Igreja.

“Tal como fora da Igreja Católica existem elementos da Igreja verdadeira, nas uniões acima mencionadas podem existir elementos presentes no casamento cristão, embora não realizem completamente, ou ainda não realizam completamente, o ideal”, acrescenta Kasper .

As declarações aparecem no pequeno livro de Kasper, “A Mensagem da Amoris Laetitia: Uma Discussão Fraternal”, recentemente publicado, simultaneamente, em alemão e italiano.

Na mesma obra, Kasper também insinua que a Amoris Laetitia abre o caminho para permitir o uso da contraceção, uma prática universalmente condenada pelas Escrituras, pelos Pais da Igreja e pelo Magistério Papal, mais recentemente pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.

Kasper observa que, na Amoris Laetitia, o Papa apenas “incentiva o uso do método de observar os ciclos de fertilidade natural” e “não diz nada sobre outros métodos de planeamento familiar, evitando todas as definições casuísticas”. No contexto das passagens do livro sobre a comunhão para aqueles que cometem adultério em segundos “casamentos”, que usa linguagem semelhante, Kasper parece reivindicar que o Papa permite exceções à condenação que a Igreja faz sobre o controlo artificial da natalidade.

Kasper contradiz João Paulo II – e até mesmo a Amoris Laetitia

As palavras de Kasper sobre as uniões homossexuais parecem contrariar diretamente não apenas os ensinamentos de João Paulo II, mas até mesmo a Amoris Laetitia, o documento que ele pretende explicar.

Sob o pontificado de João Paulo II e a administração do cardeal Josef Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), a Congregação para a Doutrina da Fé expressou repúdio perante a ideia de que as uniões homossexuais possam ser consideradas “análogas” ao casamento. O documento foi emitido em 2003 e recebeu a aprovação de João Paulo II.

“Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família”, declarou a Congregação. “O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais «fecham, de facto, o ato sexual ao dom da vida».” Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar.

Os parágrafos da Amoris Laetitia citados por Kasper para justificar o tratamento das uniões homossexuais como “análogas” ao casamento não possuem uma referência clara às uniões homossexuais, referindo-se meramente aos “elementos construtivos nessas situações que ainda ou já não correspondem ao ensinamento sobre casamento“.

No entanto, a Amoris Laetitia afirma no parágrafo 251: “No decurso dos debates sobre a dignidade e a missão da família, os Padres Sinodais anotaram, quanto aos projetos de equiparação ao matrimónio das uniões entre pessoas homossexuais, que não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família.” Francisco e os Padres Sinodais citam o mesmo documento de 2003 da Congregação para a Doutrina da Fé acima mencionado.

Bispos alemães procuram legitimar uniões homossexuais

O aparente desejo do cardeal Kasper de legitimar as uniões homossexuais reflete o pensamento de vários bispos influentes na hierarquia alemã.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, bispo Franz-Josef Bode, disse recentemente que as uniões homossexuais incluem aspetos “positivos e bons” e propôs bênçãos para estas. Fez também comentários semelhantes em 2015.

O cardeal Reinhard Marx, membro do Conselho de Consultivo de Cardeais do Papa, no início deste ano, aparentemente apoiou a possibilidade de se abençoar as uniões homossexuais, mas depois parece ter retrocedido, após uma pesada crítica, afirmando que apenas queria dar a esses casais “encorajamento espiritual”.

Em junho de 2015, o bispo Heiner Koch, de Dresden-Meissen (agora arcebispo de Berlim), foi citado pelo jornal alemão Die Tagespost deste modo: “Qualquer vínculo que fortaleça e mantenha as pessoas, a meu ver, está bem; isso aplica-se também às relações homossexuais”.

A página dos bispos alemães Katholisch.de publicou um artigo em 2015 defendendo a noção de bênção das uniões homossexuais e atacando o bispo alemão Stefan Oster, que supervisiona a diocese de Passau, pela defesa do tradicional ensinamento moral da Igreja a respeito da sexualidade.

O próprio cardeal Kasper apoiou publicamente a aprovação irlandesa da legalização do “casamento” homossexual em 2015, dizendo: “Um Estado democrático tem o dever de respeitar a vontade do povo; e parece claro que, se a maioria das pessoas quer essas uniões homossexuais, o Estado tem o dever de reconhecer esses direitos”.

Não obstante, em fevereiro, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, antigo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou tais bênçãos, da mesma forma que alguns outros bispos alemães e austríacos.

“Se um padre abençoa um casal homossexual, isso é uma atrocidade num lugar sagrado, na verdade, para aprovar algo que Deus não aprova”, afirmou Müller.

Kasper está preocupado com a palavra “heresia” usada contra as doutrinas do Papa

Ao anunciar a publicação do livro, Kasper queixou-se de que as pessoas têm usado a palavra “heresia” para descrever o ensinamento de que a Sagrada Comunhão pode ser dada a pessoas em estado habitual de adultério, que parece ser o que Papa Francisco ensina na sua exortação apostólica Amoris Laetitia.

“Há um debate muito azedado [sobre o ensinamento do Papa], muito forte, com acusações de heresia”, disse Kasper numa entrevista recente ao Vatican News, serviço noticioso oficial da Santa Sé, sobre [o livro] “A Mensagem da Amoris Laetitia“.

No seu livro, Kasper protesta contra os teólogos que acusaram Francisco de heresia, escrevendo em nota de rodapé: “Quem, para além do Magistério, tem o direito de fazer uma acusação desse tipo? Já não tem validade o princípio de que até que alguém seja legitimamente condenado deve ser considerado dentro da ortodoxia da Igreja? “

Kasper também afirmou em entrevistas que a Amoris Laetitia é fácil de compreender.

“A linguagem deste documento é tão clara que qualquer cristão pode compreendê-la. Não é uma teologia complexa, incompreensível para as pessoas”, disse Kasper. “O povo de Deus está muito contente e feliz com este documento porque dá espaço à liberdade, mas também interpreta a substância da mensagem cristã numa linguagem compreensível. Então, o povo de Deus entende! O Papa tem uma ótima ligação ao Povo de Deus”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 14 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2018

 

Frases que nos fazem pensar: D. Manuel Linda

bispo.do.porto.jpg “Sei que há alguns casais recasados, que já tinham vivido em matrimónio canónico e que depois refizeram a sua vida e estão noutro casamento já não canónico, que por motivos de fé e da sua convicção interior e de consciência, de facto vivem em abstinência sexual. Mas temos de nos perguntar: isso é mesmo família? Estou convencido de que não é bem família.”

(D. Manuel Linda, Bispo do Porto)

Contexto da frase:

Entrevista concedida ao jornalista João Francisco Gomes a 15 de março de 2018, dia em que foi nomeado bispo do Porto (durante a qual se confessou fã do Papa Francisco “a 200%”); in Observador, 17 de março de 2018.

Basto 3/2018

Anunciado ataque massivo à Fé Católica em Portugal a partir da Região Centro, a região de Fátima

De acordo com o semanário Expresso, seis bispos da Região Centro terão aprovado, no passado dia 26 de fevereiro, um documento conjunto para implementar a prática de Amoris Laetitia – ou seja, dar absolvição sacramental e dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério – nas suas dioceses. O documento conjunto, será depois publicado, com calendarizações diferentes, em cada uma das dioceses da Região Centro de Portugal.

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Esta iniciativa conjunta, a confirmar-se, permitirá, de uma forma inédita e a uma escala zonal, a revogação do ensinamento constante da Igreja no que concerne aos sacramentos do Matrimónio, da Reconciliação e da disciplina de acesso à Sagrada Comunhão em Portugal, substituindo-os pela nova misericórdia do Papa Francisco que prescinde de arrependimento e mudança de vida.

A notícia parece algo estranha, uma vez que D. António Moiteiro, bispo de Aveiro, publicou o seu documento que abre a Sagrada Comunhão a adúlteros alguns dias antes de 26 de fevereiro… Vale a pena, no entanto, tomar atenção perante o desenrolar dos acontecimentos nesta região do país onde se situa precisamente a localidade onde Nossa Senhora nos advertiu, com bastante tempo de antecedência, para a grande apostasia que temos vindo hoje incredulamente a assistir no seio da Igreja Católica.

Seguindo as mais recentes notícias referentes aos bispos nacionais, torna-se cada vez mais difícil perceber como é que “em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”… Mas se as outras profecias de Fátima não falharam, esta também não falhará! Tenhamos confiança e façamos aquilo que nos compete.

Basto 3/2018

Frases que nos fazem pensar: Pe. Sérgio Leal

Pe. Sérgio Leal“A exortação Amoris Laetitia «situa-se na novidade do mundo» onde a Igreja também está e traz o encontro com a novidade que «o Evangelho deve ter para cada tempo»”.

(Pe. Sérgio Leal, diocese do Porto, atualmente em Roma em missão de estudos de Teologia Pastoral)

Contexto da frase:

Declarações prestadas à margem do encontro/peregrinação da Federação Portuguesa dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM), que teve lugar em Fátima no passado fim-de-semana; in Ecclesia, 05/03/2018.

Basto 3/2018

Frases que nos fazem pensar: D. Blase Cupich

cupich “Tudo isto [novidades introduzidas pela Amoris Laetitia] representa uma mudança de paradigma holisticamente enraizada na Escritura, na tradição e na experiência humana.”

(D. Blase Joseph Cupich, Arcebispo de Chicago, EUA, e Cardeal-presbítero de São Bartolomeu na Ilha Tiberina)

Contexto da frase:

A Revolução da Misericórdia do Papa Francisco: Amoris Laetitia como um novo Paradigma do Catolicismo(tradução livre do título original em inglês), discurso proferido na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, no dia 9 de  fevereiro de 2018, in St. Edmund CollegeUniversity of Cambridge, 23/02/2018.

Basto 2/2018

Diocese austríaca oferece bênçãos a “casais” homossexuais no São Valentim

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A diocese de Linz, na Áustria, oferece bênçãos a “casais” homossexuais na celebração de São Valentim. O convite foi feito através de um artigo publicado no jornal diocesano Kirchen Zeitung, fazendo referência explícita aos ensinamentos da controversa exortação Amoris Laetitia.

São Valentim é conhecido como o santo da amizade e do amor. Em muitas paróquias e instituições eclesiais, é já tradição dar a bênção aos casais durante o tempo do seu dia de festa. As pessoas em relações homossexuais são bem-vindas às cerimónias de bênção nas [igrejas de] Wels-St. Franziskus e Ursulinenkirche.

in Kirchen Zeitung, 09/02/2018 – tradução livre

O autor do artigo, Paul Stütz, explica que a bênção dos casais “oferece uma ocasião para expressar amor”. No final do texto, existe ainda uma ligação para um outro artigo relativo à entrevista com o cardeal D. Reinhard Marx, na qual o presidente da Conferência Episcopal Alemã e assessor próximo do Papa Francisco defende que sejam dadas bênçãos “litúrgicas” às uniões homossexuais.

 

Basto 2/2018

O Patriarca de Lisboa e as hienas

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Se há coisa de que ninguém pode acusar D. Manuel Clemente é de não ser diplomático, de não procurar consensos. Mas até onde pode ir a diplomacia? Será realmente possível conciliar o constante e infalível ensinamento da Igreja com esta nova “misericórdia” do Papa Francisco que prescinde de arrependimento e mudança de vida?

Há dias, D. Manuel Clemente surpreendeu toda a gente quando disse ao mundo que aplicaria, “com certeza, as indicações que os bispos de Buenos Aires elaboraram e que o Papa autenticou”, e que permitem, à luz do novo ensinamento da Amoris Laetitia, a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério prolongado. As suas palavras surgiram pouco tempo depois de, o mesmo Patriarca, ter afirmado que estaria disposto “a caminhar com o Papa nesse sentido mas, claro está, dentro da nossa tradição evangélica e daquilo que Jesus Cristo diz tão, tão, tão taxativamente acerca do matrimónio”.

Poucos dias depois, o Patriarcado de Lisboa publicava as suas próprias orientações, no entanto, a primeira coisa que propõe no processo de integração dos divorciados “recasados” que pretendem aceder aos sacramentos é “um compromisso em viver em continência [sexual]”. Um caminho à luz do magistério da Igreja, conforme tinha sido proposto pelos Papas São João Paulo II e Bento XVI. Um enorme balde de água fria em cima dos partidários da nova “misericórdia”, que pensavam que o cardeal português tinha anunciado a aprovação “pastoral” do adultério, à semelhança do que tem acontecido em outras partes do mundo católico.

As reações foram muitas e duras, principalmente da parte do clero português mais radical, sempre preocupado em agradar ao mundo. Entre outras:

“D. Manuel é bispo de Lisboa e as suas orientações não são para a Igreja em Portugal nem vinculam as outras dioceses.”

(Pe. Mário Tavares de Oliveira, assistente diocesano do departamento da pastoral da Família de Évora, in Público, 09/02/2018)

 

“Provavelmente essa proposta é um bocadinho irreal […].”

(Manuel Queirós da Costa, do secretariado diocesano da pastoral da família de Vila Real, in Público, 09/02/2018)

 

“Pessoalmente nunca proporia uma coisa dessas a alguém que vive em casal.”

(Cónego Miguel Abreu, in Público, 09/02/2018)

 

“Não competirá ao confessor nem ao guia espiritual, e creio que muito menos aos bispos, imiscuir-se nessa questão.”

(Pe. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, in Público, 09/02/2018)

 

“Não tenho o direito de proibir nada a ninguém. Tenho é de ajudar a refletir”

(Pe. Feytor Pinto, in Visão, 08/02/2018)

 

“[O documento é] exagerado e inoportuno.”

(Pe. Vítor Melícias, in Visão, 08/02/2018)

 

“É um ato da teologia das palavras cruzadas. Um delírio.”

(Frei Bento Domingues, in Expresso, 11/02/2018)

Na Ilha da Madeira, não chegaram a chamar “cubano” ao Patriarca de Lisboa, é verdade, mas um pouco mais piedade e de perseverança não ficaria mal ao sr. Pe. Rodrigues.

Para o teólogo Pe. Anselmo Borges, em oposição às orientações de D. Manuel Clemente, o caminho de integração deve passar pela prática sexual, apesar do adultério, “porque, se estão [re]casados, não é propriamente para viverem como irmãos”.

Tal como Nossa Senhora previra em Fátima, em 1917, muitos dos mais altos representantes da Igreja Católica pregam agora doutrinas verdadeiramente diabólicas com as quais hão de conduzir muitas almas à perdição. A Igreja Portuguesa não é exceção.

À reação do clero português mais radical e amigo do mundo, junta-se, como era de esperar, a hostilidade do próprio mundo, insatisfeito por não conseguir ainda mandar completamente na Igreja. E lá no seu azedume natural, os líderes de opinião perguntam-se, ainda que de forma inconsciente, para quando é que a Igreja de Cristo se submeterá completamente aos preceitos morais da Nova Ordem Mundial? Uma moralidade onde nada é intrinsecamente mau e quase tudo é permitido, à exceção de urinar no portão do vizinho e lançar carbono para a atmosfera.

A notícia da publicação das orientações do Patriarcado de Lisboa abre os telejornais e faz capa na imprensa. Mas que horror! Como é que ainda há bispos e padres tão atrasados em Portugal? Que gente tão fundamentalista, rigorista e anacrónica! Mas como é que alguém ainda acredita na verdadeira doutrina de Cristo e não permite a sua adaptação à época, à moda da estação e aos desejos pessoais?

É por isso que, entre tantos outros inteligentes, João Miguel Tavares tem agora pesadelos surrealistas, sinal de que ainda consegue dormir. David Dinis preocupa-se em demasia com os pecados, não dos adúlteros, mas do próprio Patriarca. Vítor Rainho teme o impacte que o caminho de continência sexual dos adúlteros possa vir a ter nas taxas de natalidade. E Joaquim Jorge, “perplexo“, arranjou mais um tema para pensar lá no clube. Mas há mais, muito mais!

Vivemos na verdade tempos absolutamente extraordinários e fascinantes. Isto, partindo de uma perspetiva meramente empírica…

Basto 2/2018

Reconhecido especialista em direito canónico corrige arcebispo de Braga

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“Por vezes um lado está simplesmente certo e o outro simplesmente errado.”

Este foi o título dado por Edward Peters ao artigo publicado no seu blogue para corrigir D. Jorge Ortiga relativamente ao recente projeto da Arquidiocese de Braga que possibilita a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério habitual e prolongado.

“Não importa quais as razões que possam ser oferecidas pela ilustre Arquidiocese de Braga para o seu plano de autorizar a administração da Sagrada Comunhão a católicos simplesmente divorciados e recasados. Se esse é […] o seu plano, estão errados. Manifesta e gravemente errados. Tal como os de Malta. E tal como os Alemanha. Assim como alguns outros […].

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Peters confessa que não espera, com o seu artigo, “convencer os lusitanos sobre esta matéria”, mas ainda assim, sem se preocupar em expor novamente todos os argumentos já apresentados sobre este assunto, assegura que “eles estão errados”, enquanto os que defendem o tradicional ensinamento da Igreja “estão certos”.

Segundo o Cânon 915 (lei de emissão papal, baseada em fundamentos de direito divino e, até a crise atual, incontestada pela tradição pastoral e canónica a este respeito), os ministros da Sagrada Comunhão não podem administrar esse Sacramento (surgem problemas semelhantes em relação à administração da absolvição na confissão, mas tratemos uma crise de cada vez) a católicos (que geralmente são os únicos elegíveis para a Sagrada Comunhão, em primeiro lugar, pelo C.844) que, tendo contraído um casamento que goza da presunção de validade (C.1060), depois civilmente divorciados (ou, por outras palavras, estão divorciados, independentemente de quem seja a “culpa” do divórcio) e, não tendo obtido (porque nunca solicitaram ou porque lhes fora recusada) uma declaração eclesiástica de nulidade (ou uma variante das dissoluções de casamento incomuns, como se discute principalmente aqui e aqui), pretendem contrair um novo casamento (civil, ou por algum outro mecanismo, mesmo um que parece religioso, mas que, enquanto o primeiro esposo estiver vivo, obviamente não é um casamento, mas chamamos-lhe de conveniência, e sim isso aplica-se também aos católicos solteiros que pretendem contrair casamentos com pessoas divorciadas nos termos acima descritos), mas recusam-se a viver como irmão e irmã (como se aplica a todas as pessoas que não são casadas, o que é necessário para se aproximarem da Sagrada Comunhão, de acordo com o Cânon 916) e, mesmo que vivam em abstinência (que Deus os abençoe), são, ainda assim, conhecidos (sempre se “na verdade” e habitualmente, ainda que “legalmente”) por estar divorciados e recasados fora da Igreja e portanto (não obstante a sua elegibilidade discutível para o sacramento em consciência) ocasionam escândalo objetivo à comunidade de fé (mesmo que ninguém se surpreenda com o divórcio e o recasamento nos dias de hoje e, por vezes, nem com escândalo produzido pelos ministros eclesiásticos que assim são tentados a desconsiderar certas obrigações suas no âmbito do Cânon 915).

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Edward Peters é professor de direito canónico no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, sendo também um conselheiro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, do Vaticano.

Basto 2/2018

Cardeal holandês: o Papa deve “criar claridade”, os adúlteros não podem receber Comunhão

Wim Eijk.jpgPor Jeanne Smits

PAÍSES BAIXOS, 26 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal Wim Eijk, arcebispo de Utrecht, nos Países Baixos, pediu ao Papa Francisco que traga “clareza” às “dúvidas” semeadas pela exortação papal de 2016, Amoris Laetitia, no que concerne à questão da Sagrada Comunhão para os casais divorciados e civilmente recasados que vivem em adultério habitual.

O cardeal deixa claro na entrevista – publicada na sexta-feira, 26 de janeiro, no jornal holandês Trouw – que, na sua opinião, o Papa “nunca e em lado nenhum” disse que tais casais podem confessar-se e receber a absolvição ou a Sagrada Comunhão. As preocupações suscitadas, no entanto, são uma reminiscência dos repetidos apelos de vários bispos, académicos, teólogos e também dos quatro cardeais que apresentaram os seus “Dubia” ao Papa e não receberam resposta.

Eijk disse que entraram “dúvidas” na Igreja com a publicação da exortação papal após os dois sínodos da família.

“No seguimento dos dois Sínodos da Família, foi escrito um documento pelo Papa, a Amoris Laetitia. Então as dúvidas foram semeadas. Podem os divorciados “recasados” receber agora a Comunhão ou não? O que se verifica um pouco é que uma conferência de bispos está a lidar com isso de uma maneira, enquanto a outra está a lidar de outra. Mas então, o que é verdadeiro na localidade ‘A’ não pode, de repente, ser falso na localidade ‘B.’ Até certo ponto, ficaríamos felizes se houvesse clareza.”

“Gostaria que houvesse clareza?”, perguntou o entrevistador Stijn Fens.

“Sim, eu apreciaria muito isso. As pessoas estão confusas e isso não é bom “, respondeu o cardeal.

Quando questionado sobre o que espera do Papa Francisco, Eijk respondeu: “Eu diria: simplesmente crie clareza. Em relação a esse assunto. Remova essa dúvida. Na forma de um documento, por exemplo,” respondeu.

O cardeal Eijk também deixou bem claro o que deveria ser incluído nesse documento: “Temos aqui, obviamente, as palavras do próprio Cristo: que o casamento é um e indissolúvel. Isso é o que defendemos no arcebispado. Quando um casamento foi declarado nulo por um tribunal eclesiástico, isso constitui uma confirmação oficial de que nunca se casaram. Só então estão livres para se casar e receber confissão e comunhão.”

O cardeal levantou preocupações sobre a exortação papal, alguns meses depois de ter sido publicada.

“Não se pode mudar a doutrina com notas de rodapé ou com uma declaração solta numa entrevista num avião. Gostaria que [a Amoris Laetitia] fosse esclarecida”, disse ele.

“A falta de clareza prolongada pode resultar no aparecimento de práticas indesejáveis”, acrescentou.

O cardeal Wim Eijk é conhecido pela sua abordagem fielmente católica nas questões do matrimónio e da vida humana. Um especialista no seu direito, ele é considerado um perito em bioética, tendo mantido sempre uma posição fortemente tradicional a respeito da indissolubilidade do casamento. No final dos dois Sínodos da Família em 2015, ele deixou claro que a Igreja Católica Romana deveria manter o seu ensinamento na recusa da Comunhão aos divorciados “recasados”.

O cardeal Eijk recebeu formação sacerdotal no seminário tradicional de Rolduc, na província meridional de Limburg, e foi nomeado bispo da diocese de Groningen por São João Paulo II em 1999 , antes de ser designado para uma sé mais importante, Utrecht, em 2007, pelo Papa Bento XVI, e tornar-se arcebispo em 2008. Foi criado cardeal em fevereiro de 2012. A sua adesão fiel aos ensinamentos da Igreja criou-lhe muitos inimigos, mesmo entre seus irmãos bispos neerlandeses.

Os comentários do cardeal surgem cerca de três semanas depois de três bispos se pronunciarem contra a interpretação da Amoris Laetitiado feita pelo próprio Papa Francisco, alegadamente porque esta, de facto, permite que alguns divorciados recasados acedam à Sagrada Comunhão. Os bispos disseram que essa leitura está a causar “confusão crescente”, é “estranha” à fé católica e fará alastrar a “chaga do divórcio” na Igreja.

O sucessor do cardeal Eijk na diocese de Groningen-Leeuwarden, o bispo recém-consagrado Ron van den Hout, permite que a Sagrada Comunhão seja dada aos católicos “recasados”.

O bispo Ron van den Hout afirmou numa entrevista recente que a pergunta sobre a Sagrada Comunhão para os católicos “recasados” não era “um item muito importante”.

“Nunca recusei qualquer comunhão a ninguém e não farei isso nos próximos tempos”, disse o bispo Van den Hout depois de pressionado sobre o assunto.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 26 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Patriarca de Lisboa aprova critérios dos bispos de Buenos Aires

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D. Manuel Clemente confirmou hoje à Agência Ecclesia que aplicará os critérios dos bispos de Buenos Aires na interpretação do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia, uma vez que foram aprovados pelo Papa Francisco. Os referidos critérios possibilitam a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério.

Nós aplicaremos, com certeza, as indicações que os bispos de Buenos Aires elaboraram e que o Papa autenticou”.

(D. Manuel Clemente, in Ecclesia, 19/01/2018)

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlterosin Adelante La Fé, 13/06/2017

Recorde-se que a pré-aprovação “pastoral” do “recasamento” em Portugal só não aconteceu em 2015 porque um conjunto de bispos, liderados precisamente pelo Patriarca de Lisboa, se opôs firmemente à abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério. Bispos que ainda acreditavam “naquilo que Jesus Cristo diz tão taxativamente acerca do matrimónio”.

Recordemos o Cardeal Patriarca em 2016:

Agora porém prevalece aquilo que Francisco e Walter Kasper “tão taxativamente” desejam para os “recasados”.

Basto 1/2018

Agora é oficial: a Arquidiocese de Braga é a primeira a permitir a prática de Amoris Laetitia em Portugal

Isto na Arquidiocese de Braga faz lembrar as palavras do escritor Fernando Pessoa, em 1927, para se referir ao refresco americano…

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Quando, em 2015, o “refresco” chegou finalmente à Conferência Episcopal Portuguesa, ainda sem marca definida mas com a receita já bem conhecida do público, D. Jorge Ortiga foi um dos bispos que valentemente se opuseram à implementação desta prática sacrílega em Portugal.

Três anos depois, são já poucos os que ainda estranham de algum modo esta nova doutrina da misericórdia que prescinde de arrependimento e mudança de vida. Parece que quase toda a gente aderiu já à heresia kasperiana.

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JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018, página 7.

A controversa exortação apostólica do Papa Francisco tem cerca de 200 páginas de discurso lírico e citações muito bonitas e floreadas, mas em que consiste realmente a prática de Amoris Laetitia?

aqui o dissemos e voltamos a dizê-lo, em nome de Deus:

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Esta prática contradiz o Catecismo da Igreja Católica, em particular no que está estabelecido nos números 1650 e 1651, contrariando também o que todos os Papas anteriores a Francisco sempre defenderam (um dos quais é ainda vivo). Aliás, foi precisamente em Braga que o Papa João Paulo II relembrou o ensinamento constante da Igreja Católica em relação a esta matéria:

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

Chegamos a 2018, a Arquidiocese de Braga, possuindo agora um novo ensinamento, será a primeira diocese portuguesa a autorizar a prática de Amoris Laetitia no sentido pretendido por Francisco. Os casais interessados deverão agora dirigir-se ao Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família para fazerem um despiste em relação à possibilidade de nulidade matrimonial, após o qual, confirmando-se o adultério de facto, dar-se-à início ao tal “discernimento” que poderá confirmar os fiéis na relação adúltera e permitir que recebam a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal.

Se alguém for parar ao inferno por causa desta novidade doutrinal, ou pastoral como lhe chamam, o Sr. Bispo prestará contas diante de Deus.

Veremos que outros bispos e sacerdotes portugueses se deixarão seduzir também por esta doutrina diabólica de conciliação entre o adultério e a Sagrada Comunhão.

Basto 1/2018

Bispo austríaco assina declaração que diz que a leitura feita pelo Papa à Amoris Laetitia é “estranha” à fé católica

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Por Diane Montagna

6 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O bispo D. Andreas Laun, auxiliar emérito de Salzburgo, na Áustria, assinou hoje a “Profissão de Verdades Imutáveis ​​em relação ao Matrimónio Sacramental”, elevando o número de signatários para seis bispos e um cardeal.

Na segunda-feira,os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

O bispo D. Laun é membro dos Oblatos de São Francisco de Sales. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1967 e nomeado bispo auxiliar de Salzburgo, Áustria, a 25 de março de 1995. Laun foi ainda professor de teologia moral na Faculdade de Filosofia e Teologia de Heiligenkreuz, na Áustria.

Em dezembro de 2016, o bispo Laun disse, numa entrevista, que compartilhava as preocupações dos quatro cardeais dos “dubia” relativamente a certas passagens da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, a Amoris Laetitia. “Eu li as preocupações dos quatro cardeais e concordo com eles”, afirmou. “Além disso, conheço pessoalmente os cardeais Meisner e Caffarra e sei como eles são competentes. Com eles, estou na melhor companhia.”

O bispo D. Laun completou 75 anos no dia 13 de outubro do ano passado. O Papa Francisco aceitou a sua resignação nesse mesmo dia devido à sua idade.

A sua adesão à profissão eleva para sete o número total de signatários. O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo metropolita emérito de Riga, Letónia, assinou o documento na passada sexta-feira. O ex-núncio apostólico dos Estados Unidos, D. Carlo Maria Viganò, e o arcebispo emérito D. Luigi Negri, juntaram-se à profissão de “verdades imutáveis ​​sobre o casamento sacramental” na passada quinta-feira.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 6 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Cardeal subscreve a declaração que afirma que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

Janis Pujats

Por Diane Montagna

ROMA, 5 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo emérito metropolita de Riga, na Letónia, juntou-se aos três bispos do Cazaquistão e aos dois arcebispos italianos, assinando a “Profissão de Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental”, confirmou o LifeSiteNews.

A adição da assinatura do cardeal Janis Pujats eleva para seis o número de signatários.

No início desta semana, os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

A adesão do cardeal letão à profissão segue-se à do ex-núncio dos EUA, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, e do arcebispo emérito D. Luigi Negri, de Ferrara-Comacchio, no Norte da Itália.

Pujats ingressou no Seminário Teológico de Riga, na Letónia, tendo aí permanecido até este ter sido encerrado pela União Soviética em 1951. Dois meses depois, numa cerimónia secreta, seria ordenado sacerdote pelo arcebispo Antonijs Springovičs. Em 1991, foi nomeado arcebispo de Riga. Em 21 de fevereiro de 1998, foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II. O seu cardinalato foi tornado público no consistório em 21 de fevereiro de 2001. O cardeal Pujats foi um dos cardeais eleitores que participaram no conclave de 2005 para eleger o Papa Bento XVI. Fala russo, polaco, lituano, alemão e latim, para além do seu letão nativo.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Ex-núncio dos EUA junta-se aos bispos do Cazaquistão, considerando que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

montagna.lsn.jpgPor Diane Montagna

ROMA, 2 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) – Dois arcebispos italianos juntaram-se aos três bispos do Cazaquistão na profissão das “verdades imutáveis ​​sobre o matrimónio sacramental”.

Tal como os bispos do Cazaquistão, o Arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, e Sua Excelência Luigi Negri, arcebispo emérito de Ferrara-Comacchio, criticaram a interpretação oficial do Papa Francisco sobre a Amoris Laetitia, que permite a alguns divorciados “recasados” receberem a Sagrada Comunhão.

No mês passado, o Papa Francisco decidiu declarar formalmente a interpretação dos bispos de Buenos Aires da Amoris Laetitia “autêntico magistério”.

Na profissão publicada a 2 de janeiro, os bispos do Cazaquistão, incluindo D. Athanasius Schneider, de Astana, afirmam que a interpretação oficial do Papa, assim como as de outras conferências episcopais, como a da Alemanha ou de Malta, está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” para toda a Tradição e fé católicas.

Por causa da “crescente confusão” que se tem espalhado entre clérigos e leigos, os bispos reafirmam o ensinamento constante da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento e argumentam que a admissão de divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) aos sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão equivale a “uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja”.

Os bispos sublinham a sua “grave responsabilidade” e “dever diante dos fiéis”, que esperam deles uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio”.

“Por esta razão, não nos é possível calar”, acrescentam.

O arcebispo Carlo Maria Viganò foi ordenado sacerdote a 24 de março de 1968. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé em 1973 e trabalhou em missões diplomáticas papais no Iraque e na Grã-Bretanha. Foi nomeado Enviado Especial e Observador Permanente da Santa Sé no Conselho da Europa, em 1989, em Estrasburgo, e Núncio Apostólico na Nigéria, pelo Papa João Paulo II, em 1992. No final da sua missão na Nigéria, Viganò foi designado funcionário da Secretaria de Estado. Posteriormente, em 2009, foi nomeado Secretário-Geral do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, cargo que desempenhou até à sua nomeação, em 2011, como Núncio Apostólico para os Estados Unidos. O seu irmão Lorenzo é um sacerdote jesuíta.

O arcebispo Luigi Negri foi ordenado sacerdote a 28 de junho de 1972 e nomeado bispo de San Marino-Montefeltro, pelo Papa João Paulo II, a 17 de março de 2005. Em dezembro de 2012, tornou-se arcebispo de Ferrara-Commacchio, um ofício que realizou até 3 de fevereiro de 2017.

“O arcebispo Negri é conhecido como enérgico pastor, teólogo e filósofo; o bispo Viganò é considerado um diplomata e excelente administrador”, informou a agência de notícias italiana Corrispondenza Romana em comunicado divulgado no início desta noite em Roma.

Ambos os arcebispos participaram numa conferência no âmbito da aproximação do 50º aniversário da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. A conferência, intitulada Humanae Vitae aos 50: Estabelecendo do Contexto, teve lugar na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, em outubro passado, e contou com as palestras do cardeal alemão Walter Brandmüller, do historiador italiano Prof. Roberto de Mattei e do filósofo austríaco Prof. Joseph Seifert. Pretendia oferecer aos participantes a oportunidade de estudar a Humanae Vitae no contexto do seu tempo, bem como o seu lugar na continuidade do ensino perene da Igreja e na vida dos católicos de hoje.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 2 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Bispos do Cazaquistão publicam “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”

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Praticamente um ano depois de terem lançado um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio, os bispos do Cazaquistão publicam agora uma “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”. Em causa está, ainda, toda a confusão resultante da publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Os bispos signatários consideram que a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação “amoris laetitia” é “alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica”.

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.

As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “a confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

  • “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer”(Pio IX, Bula dogmática Ineffabilis Deus).
  • “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).
  • “A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou”(Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).
  • “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas”(Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 29).
  • “As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas”(João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).
  • “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade”(João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

  • As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.
  • Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).
  • A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.
  • Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).
  • A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.
  • As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).
  • O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: Senza Pagare, 02/01/2018.

Basto 1/2018

Arquidiocese de Bombaim elogia o Santo Padre por “abrir a Comunhão” aos adúlteros

A Arquidiocese de Bombaim, na Índia, completamente imune a qualquer tipo de dubia, publicou um cartaz em que elogia o Papa Francisco por ter aberto a Sagrada Comunhão a católicos praticantes de adultério.

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O cartaz faz parte de um conjunto de quatro publicados pela arquidiocese indiana no facebook para felicitar o Santo Padre pelo seu aniversário (que completou 81 anos no dia 17 de dezembro) e para lhe agradecer “por ser uma inspiração e um instrumento do trabalho de Deus”.

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in página da Arquidiocese de Bombaim no facebook, 16/12/2017

O atual arcebispo de Bombaim, o cardeal D. Oswald Gracias, é um dos nove elementos do Conselho de Cardeais (o chamado “G9”, grupo permanente de cardeais criado pelo Papa Francisco para o aconselhar no governo da Igreja). As posições brandas e neomisericordiosas de D. Oswald Gracias em relação ao homossexualismo são bastante apreciadas pelos ativistas LGBT do mundo inteiro e, particular, pelo jesuíta radical pró-gay que é agora consultor do Vaticano, o Pe. James Martin.

Basto 12/2017

Papa Francisco promulga orientações dos bispos de Buenos Aires que oficializam a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados recasados

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlterosin Adelante La Fé, 13/06/2017

 

A Santa Sé publicou oficialmente no boletim Acta Apostolicae Sedis a carta dos bispos de Buenos Aires com os critérios – aprovados e elogiados pelo Papa Francisco – que abrem a Sagrada Comunhão aos divorciados civilmente recasados. Com esta publicação, o Papa Francisco eleva à categoria de magistério um documento herético que anula o constante ensinamento da Igreja, em particular o que fora anteriormente aprofundado pelos Papas João Paulo II e Bento XVI.

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1072

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1073

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1074

Para além de radicalmente novo e herético, agora é oficial! Terá andado a Igreja Católica equivocada durante 2000 anos até à eleição do Papa Francisco I? Seriam São João Paulo II e Bento XVI tão pouco misericordiosos como nos querem fazer crer?

Por mais esforços intelectuais que façam para tentar conciliar este novo ensinamento com a doutrina constante da Igreja Católica, não o conseguem porque não estamos perante uma abordagem pastoral ligeiramente diferente, como nos dizem. Isto é algo completamente novo, contraditório e escandaloso que anula o ensinamento anterior.

Devemos agora esperar por um novo conclave – como ironiza o nosso vizinho Joãopara conhecer as próximas tendências do magistério da Igreja?

 

Basto 12/2017

Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Próximo passo dos restantes cardeais dos “dubia” em direção à correção formal

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Por Steve Skojec

Há um ano, neste dia, 14 de novembro de 2016, quatro cardeais deram o passo formal de publicar um conjunto de cinco dubia – perguntas sobre proposições teológicas duvidosas – que dirigiram diretamente ao Papa Francisco dois meses antes. Os dubia dizem respeito às diretrizes pastorais para os católicos divorciados “recasados ” que vivem more uxorio (envolvidos em relações sexuais), como delineado no magnum opus papal de 264 páginas e quase 60.000 palavras, a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia (AL). Hoje, depois de um ano de esforços sem uma única resposta ou audiência concedida – um ano em que dois dos quatro cardeais dos dubia morreram – o cardeal Burke referiu numa nova entrevista que o silêncio do Papa é uma resposta insuficiente à grave confusão e preocupação que a sua exortação causou.

Numa entrevista dada, a 14 de novembro, ao National Catholic Register, o Cardeal Burke fez um “último apelo” ao Papa Francisco, mencionando a “cada vez pior” situação que se seguiu posteriormente à exortação.

Burke diz que a preocupação dos cardeais dos dubia sempre foi a de “determinar com precisão o que o Papa queria ensinar como Sucessor de Pedro” e reiterou a sua análise inicial do documento, dizendo que “pela sua própria natureza, afirmações que não têm essa clareza não podem ser qualificadas como expressões do magistério”. Burke continua:

É evidente que algumas das indicações da Amoris Laetitia sobre aspetos essenciais da fé e da prática da vida cristã receberam várias interpretações divergentes e às vezes incompatíveis entre si. Este facto incontestável confirma que essas indicações são ambivalentes, permitindo uma variedade de leituras, muitas das quais estão em contradição com a doutrina católica. As questões que nós cardeais levantámos dizem respeito ao que o Santo Padre ensinou exatamente e como o seu ensino se harmoniza com o depósito da fé, dado que o magistério “não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado. “(Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, nº 10).

Referindo-se aparentemente à análise do professor Josef Seifert de que a consequência lógica da aplicação de certos princípios sugeridos na AL seria uma destruição de todo o edifício do ensinamento moral católico, Burke disse que “para entender o alcance dessas mudanças propostas, basta pensar no que aconteceria se esse raciocínio fosse aplicado a outros casos, como o de um médico que realizava abortos, de um político pertencente a uma rede de corrupção, de uma pessoa que sofre e decide pedir o suicídio assistido…”

Ao dizer que o “sentido da prática sacramental eclesial está cada vez mais em erosão na Igreja”, Burke admitiu que estava a fazer, como o entrevistador Edward Pentin lhe perguntou, um “apelo final” ao Papa, talvez dando a entender que o próximo passo não seria simplesmente outro aviso:

Sim, por estas graves razões, um ano depois de publicar os dubia, volto-me novamente para o Santo Padre e para toda a Igreja, enfatizando o quão urgente é que, no exercício do ministério que recebeu do Senhor, o Papa deva confirmar os seus irmãos na fé com uma expressão clara do ensinamento sobre a moral cristã e o significado da prática sacramental da Igreja.

Desde a sua publicação em abril de 2016, como uma reflexão dos dois sínodos sobre o casamento e a família realizados em 2014 e 2015, respetivamente, a AL provocou mais controvérsia entre teólogos, bispos e pastores do que qualquer outra ação papal existente na nossa memória.

Muitos marcos aconteceram desde que a AL se estreou publicamente no ano passado – são demais para contar. Entre os mais significativos, por ordem cronológica:

  • A 29 de junho de 2016, um grupo internacional de 45 teólogos, pastores e académicos católicos emitiu uma carta e uma análise teológica ao colégio de cardeais acerca da Amoris Laetitia. Os signatários descreveram 19 censuras teológicas – 11 das quais foram rotuladas como heréticas – com base numa “leitura natural” da AL. Em 26 de julho de 2016, o seu documento e a carta com suas assinaturas foram publicados depois de serem divulgados à imprensa, presumivelmente por um dos destinatários.
  • A 19 de setembro de 2016 – dez dias após a carta do Papa que apoiava a sacrílega interpretação da Amoris Laetitia dos bispos da região de Buenos Aires – quatro cardeais católicos – Walter Brandmüller, Raymond Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner – enviaram uma carta ao Papa referindo “a grave desorientação e a grande confusão de muitos fiéis em questões extremamente importantes para a vida da Igreja”. A carta incluiu cinco dubia – o procedimento formal pelo qual teólogos e prelados podem pedir a Roma esclarecimentos sobre questões relativas ao ensinamento da Igreja.
  • Em 14 de novembro de 2016, depois de não terem recebido resposta papal, os quatro “cardeais dos dubiapublicaram a sua carta, incluindo os cinco dubia referentes às várias proposições da Amoris Laetitia.
  • Em 7 de dezembro de 2016, o bispo Athanasius Schneider de Astana, Cazaquistão, – uma das vozes ortodoxas mais abertas na Igreja – afirmou numa entrevista a uma estação de televisão francesa que, se os dubia permanecessem sem resposta, haveria “não só um risco de cisma” mas que “existe já um certo tipo de cisma na Igreja”. “Estamos hoje a testemunhar”, afirmou o bispo Schneider, “uma forma bizarra de cisma. Externamente, numerosos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, às vezes pelo bem das suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria. Simultaneamente, quebraram laços com Cristo, a Verdade, e com Cristo, o verdadeiro Chefe da Igreja”.
  • Em 13 de dezembro de 2016, eu delineei as cinco respostas simples de uma palavra que poderiam pôr fim à controvérsia dos dubia de uma vez por todas.
  • Em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke – o cardeal dos dubia com maior destaque no mundo anglófono – disse numa entrevista com Lisa Bourne, do Life Site News, que os dubia “precisam de obter uma resposta porque têm a ver com os próprios fundamentos da vida moral e o ensinamento constante da Igreja em relação ao bem e ao mal”. Questionado sobre o calendário para uma eventual “correção formal” ao Papa na ausência de uma resposta aos dubia, Burke indicou que, se tal ação for necessária, provavelmente ocorreria algum tempo depois da Epifania, em 2017.
  • Também em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke explicou, numa entrevista ao Catholic World Report, que havia uma base bíblica para corrigir um Papa (Gal 2:11) e indicou que existiam mais prelados do que os quatro cardeais que apoiavam os dubia. Quando perguntado se era possível para o Papa “separar-se da comunhão com a Igreja” por “cisma ou heresia”, Burke respondeu: “Se um Papa professasse formalmente heresia, ele deixaria, por esse ato, de ser o Papa. É automático. Então isso poderia acontecer.”
  • Em 24 de dezembro de 2016, o importante jornal alemão Der Spiegel publicou um artigo em que se afirmava que, entre um “círculo muito pequeno” de pessoas próximas ao Papa, Francisco explicou que era possível ele “entrar na história como aquele que dividiu a Igreja Católica”.
  • Em 11 de janeiro de 2017, John F. Salza, coautor do livro “Verdadeiro ou Falso Papa”, delineou, num artigo para o The Remnant (mais tarde republicado no 1P5), o que poderia acontecer, juridicamente falando, se o Papa Francisco continuasse a recusar responder aos dubia.
  • Em 17 de janeiro de 2017, três dos bispos do Cazaqusitão – Tomash Peta, arcebispo metropolitano da arquidiocese de Santa Maria de Astana, Jan Pawel Lenga, arcebispo-bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana – emitiu uma declaração conjunta solicitando orações aos fiéis para que o Papa Francisco “confirmasse a práxis imutável da Igreja em relação à verdade sobre a indissolubilidade do casamento”. Os bispos deram exemplos específicos de como a Amoris Laetitia contém “diretrizes pastorais” que contradizem “na prática” certas “verdades e doutrinas que a Igreja Católica continuamente ensinou como sendo seguras”.
  • Em 25 de março de 2017, o Cardeal Burke deu uma palestra numa paróquia em Springfield, na Virgínia, na qual falou sobre a disseminação de uma “confusão muito prejudicial na Igreja” e a necessidade de resposta aos dubia. Questionado sobre o que aconteceria se o Papa não respondesse, o cardeal Burke respondeu: “simplesmente teremos que corrigir novamente a situação, de forma respeitosa […] traçar a resposta às questões [dubia] a partir dos ensinamentos constantes da Igreja e dá-las a conhecer para o bem das almas”.
  • Em 8 de junho de 2017, a Conferência Episcopal da Polónia completou a sua assembleia geral, depois da qual o seu porta-voz, Pawel Rytel-Andrianik, disse que “o ensinamento da Igreja em relação à Sagrada Comunhão para as pessoas que vivem em relações não sacramentais” não mudou “após o documento papal Amoris Laetitia“.
  • Em 19 de junho de 2017, o veterano vaticanista Sandro Magister publicou uma carta do cardeal dos dubia Carlo Caffarra, escrita em 25 de abril de 2017, na qual pedia “que fosse concedida uma audiência papal para que pudessem discutir os dubia que ainda não foram respondidos.” À data da publicação da carta já tinham passado dois meses sem, novamente, qualquer resposta do Papa ao pedido de audiência.
  • Em 5 de julho de 2017, o cardeal Joachim Meisner, um dos quatro cardeais dos dubia, faleceu durante as férias em Bad Füssing, na Alemanha, aos 83 anos. No momento da sua morte, ainda não havia resposta ao pedido de audiência solicitado. Numa mensagem lida no funeral de Meisner, o Papa Emérito Bento XVI lembrou aos que lamentavam o seu amigo que “O Senhor não abandona a Igreja”.
  • Em 31 de agosto de 2017, o eminente filósofo católico austríaco, o professor Josef Seifert, foi forçosamente “aposentado”, pelo seu arcebispo, da sua posição na cadeira de Dietrich von Hildebrand, da Academia Internacional de Filosofia de Granada, Espanha, em resposta à sua segunda crítica à Amoris Laetitia. Académicos católicos e até mesmo um bispo reagiram imediatamente à injustiça desta ação.
  • Em 6 de setembro de 2017, quase dois meses depois da morte do cardeal Meisner, o cardeal Carlo Caffarra, outro dos quatro cardeais dos dubia, faleceu aos 79 anos. Nenhuma mensagem do Papa Emérito foi lida no funeral de Caffarra.
  • Em 12 de setembro de 2017, Gabriel Ariza, da publicação de língua espanhola Infovaticana, revelou que o falecido Cardeal Caffarra havia confirmado, poucos meses antes de sua morte, que sabia que os cardeais dos dubia estavam a ser “vigiados” e que eles “tinham suas comunicações sob escuta” e que podiam “fazer pouco mais do que procurar alguma forma de comunicação mais segura”.
  • Em 27 de setembro de 2017, um grupo de clérigos católicos e académicos leigos tornaram pública uma “Correção Filial” que fora entregue primeiramente ao Papa no dia 11 de agosto, depois do que, também eles, não receberam resposta. A sua carta deu um passo sem precedentes ao usar a palavra “heresia” em referência não apenas a possíveis interpretações da exortação apostólica Amoris Laetitia, mas também a outras “palavras, ações e omissões” recentes do Papa. Desde a sua publicação, a lista de clérigos e académicos signatários cresceu para 250, enquanto duas petições (aqui e aqui) de apoio à Correção Filial obtiveram mais de 20 mil assinaturas adicionais de leigos.
  • Em 29 de setembro de 2017, o cardeal Gerhard Müller, antigo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou, numa entrevista com Edward Pentin, que “as pessoas que trabalham na Cúria vivem com grande medo: se eles proferem uma crítica pequena ou inofensiva, alguns espiões passarão os comentários diretamente ao Santo Padre e as pessoas, falsamente acusadas, não têm possibilidade de defesa.” Quando perguntado por Pentin sobre a expressão “reino de terror”, que havia sido usada por um respeitável elemento da Igreja, Müller respondeu: “Acontece o mesmo em algumas faculdades teológicas – se alguém tiver alguma observação ou pergunta sobre Amoris Laetitia, serão expulsos e outras coisas mais.”
  • No dia 1 de novembro, o Pe. Thomas Weinandy – um frade capuchinho que antes exercera como chefe de gabinete do Comité de Doutrina dos Bispos dos EUA, sendo também atualmente membro da Comissão Teológica Internacional no Vaticano, publicou uma carta que enviou ao Papa – que também não recebeu nenhuma resposta – descrevendo as preocupações que teve a respeito da “confusão crónica” que ele acredita que marca “este pontificado”. A primeira das suas cinco críticas foi dirigida à Amoris Laetitia, sobre a qual ele afirma que a orientação do Papa às vezes parece intencionalmente ambígua, convidando a uma interpretação tradicional do ensino católico sobre casamento e divórcio, bem como a uma que possa implicar uma mudança nesse ensinamento.” Ele falou mais tarde de um clima de medo na Igreja, dizendo que “muitos temem que se dizem o que pensam” no que concerne à preocupação sobre o que está a acontecer na Igreja, “eles serão marginalizados ou pior”. Após a publicação da sua carta,  ficou provado que o Pe. Weinandy estava correto quando foi convidado a renunciar à sua posição na Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos – um pedido com o qual ele cumpriu.

A ausência de uma correção formal em outubro – marcando o 100º aniversário da última aparição de Fátima – deixou muitos católicos a questionar se a ação será mesmo tomada. A revelação de hoje deixa, no entanto, claro que o esforço dos dubia – bem como a correção formal que necessariamente deverá dar-lhe seguimento – está no caminho e em andamento.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 14 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Arquidiocese de Braga em risco de cisma

O Norte poderá vir a ser a primeira região portuguesa a aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco para as situações de adultério. De acordo com a informação publicada ontem no sítio oficial da Arquidiocese de Braga, o Minho prepara-se para experimentar a Alegria do Amor.

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in Correio da Manhã, 08/11/2017

 

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual. A resolução foi aprovada ontem, por unanimidade, no Conselho Presbiteral, onde foram definidas orientações para a renovação da Pastoral Familiar.

O grupo que irá acompanhar os divorciados que vivem em nova união será composto por leigos e sacerdotes. Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas.

(in sítio oficial da Arquidiocese de Braga, 08/11/2017)

 

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página facebook da Arquidiocese de Braga

É uma pastoral herética que se afasta dos ensinamentos constantes da Igreja estabelecidos nos documentos magisteriais e que põe em causa as palavras proferidas pelo próprio Deus a este respeito. Esta informação, embora ainda vaga, posiciona a Arquidiocese de Braga em risco de cisma.

1650. Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

1651. Com respeito a cristãos que vivem nesta situação e que muitas vezes conservam a fé e desejam educar cristãmente os seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar provas duma solicitude atenta, para que eles não se sintam separados da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como baptizados que são:

«Serão convidados a ouvir a Palavra de Deus, a assistir ao sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a prestar o seu contributo às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em prol da justiça, a educar os seus filhos na fé cristã, a cultivar o espírito de penitência e a cumprir os actos respectivos, a fim de implorarem, dia após dia, a graça de Deus» (174).

(Catecismo da Igreja Católica in sítio oficial da Santa Sé)

Escusado será referir que a imutável doutrina da Igreja é bem “mais velha que a Sé de Braga”, assim como a sua práxis que jamais poderá ser contraditória. Ainda assim, para os casos de falta de memória, convém lembrar as palavras que São João Paulo II pronunciou precisamente em Braga.

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

 

Basto 11/2017

A intervenção de Weinandy: o que significa

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Por Christopher A. Ferrara

Os críticos daqueles que tornaram públicas as suas objeções ao caos que este pontificado está a engendrar afirmam que só as “petições privadas” a um Papa rebelde é que são permitidas e que qualquer recurso à publicação é “escandaloso”.

Absurdo. Como o direito canónico reconhece, os fiéis “têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores…” Não há nenhuma exceção que isente os Papas das críticas públicas. Pelo contrário, ninguém está mais sujeito às necessidades e preocupações dos fiéis do que ele.

Além disso, este Papa demonstrou que é imune a súplicas privadas, e que nem sequer irá ter a cortesia de manifestar a sua receção. Francisco simplesmente ignorou as petições privadas de 800 mil fiéis, de 45 teólogos, dos quatro “cardeais dos dubia” e os 60 assinantes da Correctio filialis, para não mencionar numerosas outras petições privadas, todas elas implorando para reafirmar o ensinamento constante da Igreja sobre a inadmissibilidade de pessoas divorciadas “recasadas” aos sacramentos e o carácter sem exceção dos preceitos negativos da lei natural – ensinamentos que Francisco está evidentemente empenhado em subverter através de ambiguidades e piscadelas de olho e acenos de cabeça subministeriais.

Agora, o teólogo talvez mais relevante até à data sentiu-se na obrigação de divulgar a sua própria súplica privada ao Papa que se recusa a responder. Sandro Magister publicou uma carta privada, enviada ao Papa no verão passado, por Thomas G. Weinandy, que foi nomeado membro da Comissão Teológica Internacional pelo próprio Papa Francisco. Ele foi também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA e ensinou em Oxford e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É portanto uma figura inequivocamente “convencional”[*].

Seguindo um sinal claro do Céu, aqui descrito, o Pe. Weinandy decidiu divulgar o conteúdo da sua carta ao Papa Francisco, onde lemos esta acusação a um Pontífice Romano assinada por um sujeito cuja lealdade ao ofício petrino é incontestável:

Sua Santidade, uma confusão crónica parece marcar o seu pontificado. A luz da fé, da esperança e do amor não está ausente, mas muitas vezes é obscurecida pela ambiguidade das suas palavras e ações. Isso promove entre os fiéis um crescente desconforto…

Em Amoris Laetitia, as suas indicações parecem às vezes intencionalmente ambíguas, convidando tanto a uma interpretação tradicional do ensinamento católico sobre o matrimónio e o divórcio, como também a uma interpretação que pode implicar uma mudança nesse ensinamento… Ensinar com uma tal falta de clareza aparentemente intencional incorre inevitavelmente no risco de pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da verdade. O Espírito Santo é dado à Igreja, e particularmente a si mesmo, para dissipar o erro e não para promovê-lo.

[Sua Santidade] parece censurar e até mesmo zombar daqueles que interpretam o Capítulo 8 da Amoris Laetitia de acordo com a tradição da Igreja, como se fossem fariseus que atiram pedras e que encarnam um rigorismo vazio de misericórdia. Esse tipo de calúnia é estranho à natureza do ministério petrino… Esse comportamento dá a impressão de que os seus pontos de vista não podem sobreviver ao escrutínio teológico e, portanto, devem ser sustentados pelos argumentos ad hominem.

[M]uitas vezes a suas formas parecem menosprezar a importância da doutrina da Igreja. Uma e outra vez, retrata a doutrina como uma coisa morta e livresca, longe das preocupações pastorais da vida quotidiana. Os seus críticos foram acusados – utilizando as suas próprias palavras – de fazer da doutrina uma ideologia. Mas é precisamente a doutrina cristã… que liberta as pessoas das ideologias mundanas e assegura que eles estão efetivamente a pregar e a ensinar o Evangelho autêntico e vivo. Aqueles que desvalorizam as doutrinas da Igreja separam-se de Jesus, o autor da verdade… O que eles possuem, sendo que só isso podem possuir, é uma ideologia – que se conforma com o mundo do pecado e da morte.

Os fiéis católicos só podem estar desconcertados pela sua escolha de alguns bispos, homens que parecem não apenas abertos a quem tem opiniões contrárias à fé cristã, mas que até os apoiam e defendem. O que escandaliza os crentes e até alguns bispos não é apenas que designe tais homens para serem pastores da Igreja, mas que permaneça em silêncio perante o seu ensinamento e pratica pastoral… Como resultado, muitos dos fiéis que incorporam o sensus fidelium estão a perder confiança no seu Pastor Supremo.

[A] Igreja é um corpo, o corpo místico de Cristo, e o Senhor encarregou-lhe a si a missão de promover e fortalecer a sua unidade. Mas as suas ações e palavras muitas vezes parecem motivadas a fazer o contrário….

O senhor fala muitas vezes da necessidade de transparência dentro da Igreja. Encorajou frequentemente… todas as pessoas, especialmente os bispos, a falarem abertamente e sem medo do que o Papa possa pensar. Mas… o que muitos [bispos] aprenderam durante o seu pontificado não é que o senhor está aberto a críticas, mas que fica ressentido… Muitos temem que se falarem abertamente serão marginalizados ou pior.

Muitas vezes me perguntei: “Porque deixou Jesus tudo isto acontecer?” A única resposta que vem à mente é que Jesus quer manifestar quão fraca é a fé de muitos dentro da Igreja, mesmo entre muitos dos seus bispos. Ironicamente, o seu pontificado deu a liberdade e a confiança àqueles que detêm visões teológicas e pastorais prejudiciais para que viessem à luz e mostrassem a sua escuridão anteriormente escondida…

Quando um teólogo “convencional” com esta relevância autoriza a publicação de acusações tão graves contra um Romano Pontífice, isso deve afastar, pelo menos para o observador razoável, a alegação de que a oposição ao que o Papa Francisco diz e faz está confinada a uma parte marginal da Igreja de mentalidade “cismática”. A intervenção de Weinandy, motivada por um sinal do céu, é nada menos que um marco na história da Igreja. Representa uma confirmação objetiva, se ainda fosse necessária, de que este pontificado representa um perigo claro e presente para a Fé e que os fiéis têm o dever de se opor às suas tendências absolutamente inéditas.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

ATUALIZAÇÃO: Imediatamente depois da publicação da carta, o Pe. Weinandy foi convidado a renunciar à sua atual posição como consultor para a Conferência de Bispos dos EUA [USCCB]. Ele assim o fez. Como o Catholic World Report, outra voz convencional de preocupação em relação a este pontificado, observou: “Ao fazer tal pedido, a USCCB, como parece, reforça precisamente o argumento de Weinandy sobre o medo e a falta de transparência.” Parece que, para o Papa Francisco, “misericórdia” significa a supressão imediata e implacável de qualquer relevante crítico ao seu assalto ao ensinamento dos seus predecessores, incluindo o próprio Papa que ele canonizou.

*O termo “convencional” foi traduzido de “mainstream”, que foi utilizado pelo autor deste artigo para exprimir a ideia de não associado a qualquer grupo ou tendência na Igreja.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 2 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A tradução integral da carta do Pe. ThomasWeinandy pode ser lida no blogue Fratres in Unum.

Basto 11/2017

Cardeal Brandmüller: defensores do adultério estão excomungados

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Por Maike Hickson

Um dos dois restantes cardeais dos dubia, o cardeal Walter Brandmüller, acaba de dar uma entrevista ao proeminente jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), que foi publicada hoje, 28 de outubro. Nessa longa entrevista, o prelado alemão de 88 anos explica mais uma vez o ensinamento fundamental da Igreja Católica a respeito do casamento no seu caráter sacramental e indissolúvel, tal como foi apresentado pelo próprio Jesus Cristo. O cardeal Brandmüller – que é conhecido pela sua corajosa franqueza – fez algumas observações que podem ser de especial interesse para os nossos leitores. Ou seja, ele deixou claro que esse ensinamento sobre o casamento não pode ser alterado:

Ou seja, aquele que afirma que alguém pode iniciar um novo relacionamento enquanto a própria esposa legítima ainda está viva está excomungado porque esse é um ensinamento erróneo, uma heresia. Quem faz essa afirmação [está excomungado]. E aquele que simplesmente o pratica [adultério] está a pecar gravemente. E então acrescenta-se que quem é consciente de um pecado grave só pode ir à comunhão se já fez penitência, confessou seus pecados e foi absolvido. Portanto, se alguém pensa que pode contrariar o dogma definido num Concílio Geral [Concílio de Trento], então isso é realmente bastante veemente. Isso é exatamente o que se chama heresia – o que significa exclusão da Igreja – porque se abandonou o fundamento comum da Fé. [ênfase adicionada]

Quando questionado relativamente a um teólogo progressista alemão – Magnus Striet – que recentemente afirmou que o documento papal Amoris Laetitia muda efetivamente o ensinamento da Igreja e não, como alguns afirmam, se limita a aprofundá-lo, o Cardeal Brandmüller confirma essa opinião e argumentação, dizendo:

Ele está certo, claro. De facto, ainda há pessoas que podem raciocinar. Tenho a grande preocupação de que algo vai explodir. As pessoas não são estúpidas. O facto, por si só, de que um pedido de esclarecimento dirigido ao Papa, com 870.000 assinaturas, [e também] de que 50 académicos de reputação internacional ficaram sem resposta, levanta realmente algumas questões. Isso é verdadeiramente difícil de entender.

Os jornalistas do Frankfurter Allgemeine Zeitung levantam também a questão da atmosfera alterada e um tanto de temor em Roma sob o Papado Francisco (como foi recentemente discutido pelo próprio Cardeal Gerhard Müller), incluindo a tensa atmosfera durante os “manipulados” sínodos da família . O próprio Cardeal Brandmüller também confirma indiretamente tais questões quando afirma: “Sim, essa crítica está a ser cada vez mais manifestada – até nos artigos de Ross Douthat no New York Times“. E o prelado alemão continua deste modo:

Há jornalistas que dizem que a atmosfera mudou totalmente no Vaticano. Só se fala com os amigos mais próximos. Se alguém fala ao telefone, prefere usar o telemóvel. Que posso eu dizer sobre isso?

O cardeal alemão é também, mais uma vez, chamado a explicar as principais preocupações dos dubia, dado que foram apresentadas ao Papa por ele próprio conjuntamente com os outros três cardeais dos dubia. Ele explica que, em caso de falta de clareza, colocar esses dubia é um processo normal dentro da Igreja Católica. O cardeal Brandmüller acrescenta algumas palavras específicas sobre os atuais dubia em relação à Amoris Laetitia:

Simplificando, é aqui que se coloca a questão: pode ser hoje bom algo que tenha sido ontem um pecado? Além disso, a questão está a ser colocada sobre se existem verdadeiramente – como diz o ensinamento constante – atos sempre e sob todas as circunstâncias moralmente reprováveis? Tal como no caso da morte de uma pessoa inocente – ou também do adultério, por exemplo? É para aí que isto se encaminha. Poderia a primeira questão ser agora efetivamente respondida com “sim” e a segunda com um “não”, então isso seria uma heresia e, consequentemente, um cisma. A divisão da Igreja. [ênfase adicionada]

Quando questionado se um cisma é agora realmente imaginável ou provável, o cardeal alemão responde: “Que Deus o proíba”.

Essas declarações penetrantes do Cardeal Brandmüller chegam até nós na sequência de outra entrevista alemã, na qual o teólogo protestante e secretário geral da Aliança Evangélica Mundial – Professor Thomas Schirrmacher – que é amigo do Papa Francisco, anunciou que o grupo de católicos que resiste às reformas papais “não é uma minoria”. Como Schirrmacher disse à publicação do jornal alemão Die Zeit, Christ & Welt, em 26 de outubro, sobre o papa Francisco:

Ele criou imensos inimigos no Vaticano e está a correr um grande risco. Vozes sonantes na sua Igreja estão já a negar que ele ainda é Papa. […] Hoje, há conversas abertas sobre quais os tipos de meios existentes de resistência contra o Papa. Para um protestante, isso deixou de soar muito católico. O Vaticano ainda faz de conta, como se essa fosse apenas uma pequena minoria que procura o confronto. Mas essa [resistência] deixou de ser uma minoria. [ênfase adicionada]

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 28 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Bispos da Irlanda querem famílias LGBT no Encontro Mundial das Famílias de 2018

Bispos da Irlanda querem a participação de casais homossexuais no IX Encontro Mundial das Famílias que decorrerá em Dublin em 2018. A Irlanda, tradicional bastião do catolicismo, foi o primeiro país do mundo a aprovar o “casamento gay” por voto popular, através da vitória esmagadora do “sim” no referendo de 2015.

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in The Irish Independent, 13/10/2017

 

“Estamos a viver em tempos de mudança e a família também está a mudar.”

“Tivemos o referendo sobre o casamento homossexual e muitas pessoas votaram nesse referendo e todos são igualmente bem-vindos para participar nesta celebração da família.

“A minha esperança para o evento do próximo ano é que seja para todas as famílias, para a família tradicional, pais solteiros, pessoas em segundas relações, pessoas divorciadas recasadas, pessoas de grande fé e sem fé, pessoas de outras religiões, pessoas que concordam com a Igreja e aqueles que discordam.”

(Bispo D. Brendan Leahy, de Limerick, in The Irish Independent, 13/10/2017)

No mesmo sentido, publicaram já um pequeno manual de 58 páginas com seis sessões de reflexão sobre a Amoris Laetitia para ser utilizado ao nível paroquial. Numa das suas páginas, que aparece ilustrada com uma foto promotora do lesbianismo, o referido documento refere-se aos ensinamentos do Papa Francisco para apoiar as uniões homossexuais.

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“Amoris – Let’s talk Family! Let’s be Family!” (Em português: “Amoris – Vamos Falar Família! Vamos ser Família!”), página 24, in Amoris.ie

Esta abertura radical dos bispos da Irlanda à nova misericórdia, que chocou até alguns anglicanos, foi de imediato acolhida pela comunidade gay.

Basto 10/2017

POSTERIORIS CCCLI: o paradoxo do latim na Igreja Católica

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O latim, língua oficial da Igreja Católica, é um símbolo da unidade universal da Igreja a partir de Roma, a cidade eterna, caput mundi, que quer dizer “capital da Terra” (e não apenas da Igreja). A Santa Sé escolhida por Deus. A sede do poder temporal e espiritual do Reino de Cristo neste mundo.

O latim é uma língua clássica e erudita, cuja utilização confere solenidade, grandeza e importância aos atos e documentos em que é empregada.

Embora bastante conhecido e sistematicamente estudado em todas as épocas, o latim deixou de ser aprendido de forma nativa como idioma materno, tendo desaparecido do uso vernacular quotidiano das pessoas. É por isso mesmo que é considerado uma língua morta, cuja evolução estacionou há várias centenas de anos atrás.

O latim, por não estar sujeito à evolução natural ou à variação geográfica dos termos e das expressões característica dos idiomas vivos, possui uma elevada precisão semântica. Esta particularidade filológica e linguística fez do latim, durante muitos séculos, um símbolo e uma custódia da integridade e da imutabilidade dos ensinamentos cristãos na Igreja Católica.

Os documentos magisteriais emanados da Santa Sé são redigidos em latim por forma a afirmar com exatidão e com solenidade os ensinamentos da Igreja em todos os lugares e preservar a sua clareza ao longo do tempo.

O magistério da Igreja é infalível quando afirma, de forma sincrónica e diacrónica, um determinado ensinamento de Fé ou de moral (costumes). Neste sentido, o latim é um instrumento ou um veículo que garante a clareza e a precisão dos ensinamentos da Igreja válidos para todos os lugares na mesma época e para todas as épocas.

A nova era do latim

Seguindo os procedimentos habituais da Igreja, a controversa exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco foi já traduzida para latim e publicada nos “Atos da Sé Apostólica” (boletim oficial da Santa Sé). Este procedimento, porém, cria um paradoxo inusitado e perigosíssimo para todo o edifício moral cristão edificado ao longo de dois mil anos, principalmente porque mina um dos principais pilares do Templo de Deus, o do matrimónio e da família cristã.

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Acta Apostolicae Sedis in sítio oficial do Vaticano

O ambíguo e polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia – na interpretação que o Papa Francisco pretende que lhe seja dadae, em particular, a sua nota de rodapé nº 351 contradizem diretamente o ensinamento moral do tradicional magistério da Igreja. Desta forma, a função do latim, neste caso, não será a de consolidar o infalível magistério da Igreja, mas, pelo contrário, relativizá-lo, abrindo uma brecha no edifício bimilenar, cujas consequências estão já à vista de todos e são de natureza apocalítica.

De facto, se um pecado tão grave quanto o adultério passa a poder, à revelia da doutrina, obter aprovação pastoral, em função da vontade ou da consciência do pecador, que outros pecados não poderão ser também agora, por analogia, relativizados e acolhidos pela nova misericórdia que prescinde do arrependimento?

Texto da nota de rodapé 351 em latim:

351. Quibusdam in casibus esse etiam potest subsidium Sacramentorum. Quapropter, «sacerdotibus memoramus confessionale esse non debere aulam tormenti, sed locum Dominicae misericordiae» (Adhort. Ap. Evangelii gaudium [24 Novembris 2013], 44:AAS 105 [2013], 1038). Dicimus pariter Eucharistiam «non esse praemium perfectorum, sed debilium munificum remedium et alimoniam» (ibid., 47: 1039).

(in Amoris Laetitia em latim, Acta Apostolicae Sedis, sítio oficial do Vaticano)

Tradução oficial para português:

[351] Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, «aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor» [Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 44: AAS 105 (2013), 1038]. E de igual modo assinalo que a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos» [ Ibid., 47: o. c., 1039].

(in Amoris Laetitia em português, sítio oficial do Vaticano)

As interpretações anti-doutrinais e, portanto, cismáticas desta nota de rodapé contradizem incisivamente todo o ensinamento da Igreja a respeito do matrimónio até ao pontificado de Francisco, em particular naquilo que fora reafirmado e clarificado nas exortações apostólicas Familiaris Consortio de São João Paulo II e Sacramentum Caritatis de Bento XVI, também elas registadas em latim, vários anos antes da Amoris Laeitia.

Na Igreja não há lugar a verdades subjetivas ou a relativismo moral. Das duas uma: as orientações pastorais de Francisco I alinham-se com os ensinamentos de São João Paulo II, de Bento de XVI e de toda a tradição católica ou, então, estão erradas e portanto não devem ser seguidas. Pelo contrário, devem ser corrigidas.

Nesta época que é de “desorientação diabólica” mas simultaneamente de misericórdia, Deus dá aos seus ministros e leigos, pelo menos por mais algum tempo, a liberdade de resistir à tentação fácil do “poderia” introduzido pela perigosíssima nota de rodapé nº 351 da exortação apostólica Amoris Laetitia. Talvez o verbo não tenha surgido no modo condicional por mero acaso do destino.

Basto 10/2017

Adeus Wojtyla e Caffarra. Com Francisco muda-se a família

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Por Sandro Magister

ROMA, 19 de setembro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – O terramoto que mudou o rosto da Pontifícia Academia para a Vida atingiu também o instituto para estudos sobre matrimónio e família criado por João Paulo II e inicialmente liderado pelo teólogo e depois cardeal Carlo Caffarra.

A partir de hoje, esse histórico instituto foi extinto e substituído por outro com um nome diferente.

Como se estabelece de facto no artigo 1 do motu proprio Summa Familiae Cura, publicado esta manhã, com o qual o Papa Francisco “colocou a sua assinatura” na transformação:

“Com o presente motu proprio crio o Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, que, associado com a Pontifícia Universidade Lateranense, sucede, substituindo-o, o Pontifício Instituto de Estudos sobre Casamento e Família estabelecido pela constituição apostólica Magnum Matrimonii Sacramentum, o qual cessa portanto as suas funções.”

E no artigo 4:

“O Pontifício Instituto Teológico, assim renovado, irá adaptar as suas estruturas e fornecer as ferramentas necessárias – cátedras, professores, programas, pessoal administrativo – para realizar a missão científica e eclesial que lhe é atribuída”.

Por consequência, todos os professores do extinto instituto foram dispensados, enquanto o atual grão-chanceler Vincenzo Paglia e o presidente Pierangelo Sequeri mantêm-se no cargo cuja nomeação, há um ano, pelo Papa Francisco, seria o prelúdio para o atual cataclismo.

Os dois acompanham a publicação do motu proprio com uma nota que realça o “envolvimento direto” do Papa, o qual – dizem eles – “confia a tarefa de modelar as regras, estruturas e operacionalidade do novo instituto teológico” às mesmas “autoridades académicas do histórico Instituto João Paulo II”, ou seja, precisamente a esses dois e mais ninguém.

Ao descreverem o “horizonte mais amplo” no qual o instituto terá agora de se mover, Paglia e Sequeri referem-se, naturalmente, à Amoris Laetitia, mas também à Laudato Si’ e ao “cuidado da criação”.

Falta agora conhecer quem serão os docentes do novo curso, quem será reconduzido e quem não será, tanto em Roma como nas outras dependências espalhadas pelo mundo.

Falta também conhecer o que será feito com as últimas publicações do extinto instituto, especialmente aquele “vademécum” sobre a interpretação correta da Amoris Laetitia, que é visto como a praga pelos paladinos da comunhão aos divorciados recasados, ​e do qual o motu proprio Summa Familiae Cura parece afastar-se quando escreve que não será permitido “que se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado”.

A edição original deste texto foi publicada no Settimo Cielo a 19 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

Instituto João Paulo II de defesa do matrimónio e da família dá lugar a organismo de promoção da Amoris Laetitia

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No dia em que se completava exatamente um ano desde o envio da carta dos dubia que pedia esclarecimentos ao Santo Padre sobre os ensinamentos ambíguos da Amoris Laetitia, Francisco I extinguiu oficialmente o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, substituindo-o por um organismo destinado à promoção da Alegria do Amor. O novo organismo fundado através da Carta Apostólica Summa familiae cura de Francisco denominar-se-á Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

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in Gabinete de Imprensa da Santa Sé, 19/09/2017

Por mais estranho que possa parecer, João Paulo II quis que o instituto fosse fundado precisamente para defender o matrimónio e a família de tendências ideológicas como as que têm sido introduzidas na Igreja através da exortação apostólica Amoris Laetitia, as quais se materializam em práticas pastorais contrárias à doutrina cristã.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

(in Radio Vaticano, 19/09/2017)

À data da publicação deste motu proprio do Papa Francisco, ou seja ontem, não tinham passado sequer duas semanas depois que o corpo do cardeal D. Carlo Caffarra foi a enterrar. Caffarra, presidente-fundador do agora extinto Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, era um dos quatro signatários da carta dos dubia e o autor da segunda carta dirigida ao Santo Padre.

Basto 9/2017