Primeiro encontro de casais adúlteros na diocese de Goya, Argentina

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in Corrientes Hoy, 22/08/2007

Os bispos da Argentina têm sido dos mais avançados do mundo na aplicação da nova pastoral do discernimento e integração do adultério proposta pelo Papa Francisco. Na verdade, foram eles os que levaram menos tempo a compreender o que se pretendia realmente com a Amoris Laetitia, no fundo, aquilo que o Santo Padre tem vindo a pedir, de forma subtil mas insistente, logo desde o início do seu pontificado.

Na verdade – e só não vê que não quer mesmo ver – os critérios dos bispos argentinos foram aprovados e elogiados por Francisco e, posteriormente, divulgados pelos órgãos de informação do Vaticano para servirem de exemplo para outras comunidades católicas.

Depois da celebração de uma missa solene, na arquidiocese de Santa Fé, para dar a Comunhão a pessoas que vivem relações adúlteras já aprovadas por “discernimento”, chegou agora vez da diocese de Goya oferecer as estas pessoas um caminho alternativo ao tradicional arrependimento e contrição.

“é uma questão de integrar todos, é preciso ajudar cada um a encontrar o seu próprio modo de participar na comunidade eclesial, para que ele se sinta objeto de uma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita»” 

“ninguém pode ser condenado para sempre”, porque “não é a lógica de Evangelho. Não me refiro somente aos divorciados em uma nova união, mas a todos, em qualquer situação em que se encontrem, é sempre o caminho de Jesus, o da misericórdia e da integração. O caminho da Igreja não é o de condenar ninguém”

(Mons. Adolfo Canecin, bispo coadjutor da diocese de Goya, in Corrientes Hoy, 22/08/2007 – tradução)

Basto 8/2017

Correção Formal ao Papa Francisco: 12 factos que é preciso conhecer

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Por Dorothy Cummings McLean

ROMA, Itália, 18 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Em entrevista ao The Wanderer, no dia 14 de agosto, o cardeal Leo Burke afirmou ser “necessária” uma “correção” formal de alguns dos ensinamentos do Papa Francisco a respeito do casamento e da família.

Aqui estão 12 factos sobre a correção proposta:

1) A correção será uma tentativa de eliminar a confusão e sanar as divisões na Igreja Católica causadas por divergentes interpretações da exortação pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

2) A correção seguirá os cinco dubia (perguntas) sobre as implicações doutrinais dos parágrafos 300 a 305 da Amoris Laetitia enviados ao Papa Francisco e ao Cardeal Gerhard Müller, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 19 de setembro de 2016.

3) Os dubia, assim como a carta anexa, foram assinados pelos cardeais Walter Brandmüller, Carlo Caffarra, Joachim Meisner (agora falecido) e Raymond Burke.

4) O Papa Francisco optou por não responder aos dubia e, por conseguinte, a confusão e a divisão a respeito da Amoris Laetitia mantêm-se dentro da Igreja Católica, necessitando de uma correção.

5) Como evidência desta divisão, afirmou o cardeal Burke ao The Wanderer, “Os bispos contam-me que, quando insistem no verdadeiro ensinamento da Igreja a respeito das uniões matrimoniais irregulares, as pessoas simplesmente rejeitam os seus ensinamentos. Dizem que outro bispo ensina de modo diferente e eles preferem segui-lo”.

6) Como evidência adicional da divisão, o cardeal Burke citou o arcebispo de Malta, que declarou que os bispos malteses “seguem o ensinamento do Papa Francisco e não o de outros Papas”, uma afirmação que o cardeal Burke considera “chocante”.

7) Apesar de não ter acontecido durante séculos uma correção formal a um Pontífice reinante em questões doutrinárias, já houve correções a Papas anteriores em várias questões, incluindo assuntos administrativos.

8) A correção proposta afirmará o ensino claro da Igreja Católica a respeito do casamento, família, atos intrinsecamente maus e outros assuntos postos em causa pela Amoris Laetitia, confrontando-os com o que tem sido “de facto ensinado” pelo Papa Francisco.

9) Se houver uma correção, ela chamará o Papa Francisco a corrigir os seus ensinamentos em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja.

10) A correção constituirá uma declaração formal à qual o Papa Francisco será, na opinião do cardeal Burke, “obrigado” a responder.

11) O cardeal Burke afirmou que o Pontífice Romano é o princípio da unidade entre todos os bispos, tendo portanto a responsabilidade de pôr termo à atual divisão entre os bispos através de um pronunciamento claro do ensinamento da Igreja.

12) Rejeitando qualquer tipo de cisma formal, o cardeal Burke acredita que existe atualmente apostasia dentro da Igreja, conforme fora previsto por Nossa Senhora de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18  de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Igrejas do Leste, um espinho no flanco do Papa

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Por Sandro Magister

ROMA, 3 de agosto, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – A Europa do Leste é um espinho no flanco do pontificado de Francisco e são muitos e variados os elementos que o comprovam.

No duplo sínodo da família, os bispos da Europa Oriental estiveram entre os mais decididos defensores da tradição, começando pelo relator geral da primeira sessão, o cardeal húngaro Péter Erdõ, autor de, entre outras coisas, uma clamorosa condenação pública das violações cometidas pela fação reformista, que era claramente apoiada pelo Papa.

Depois do sínodo, a Europa do Leste voltou a ser, mais uma vez, a fonte das interpretações mais restritivas do documento papal Amoris Laetitia. Os bispos da Polónia foram particularmente unânimes em pedir uma aplicação do documento em perfeita continuidade com o antigo ensinamento que a Igreja desde a sua origem até João Paulo II e Bento XVI.

Os bispos da Ucrânia – onde 10 por cento da população são católicos – também estão entre os mais dedicados na oposição a ruturas no que concerne à tradição nas áreas do casamento, penitência e Eucaristia. Mas, para além disso, não se abstiveram de criticar fortemente as posições pró-russas do Papa Francisco e da Santa Sé em relação à guerra em curso no seu país, uma guerra que eles sentem como a agressão de mais ninguém a não ser a da Rússia de Vladimir Putin.

O abraço entre o Papa e o patriarca Kirill de Moscovo, no aeroporto de Havana, em 12 de fevereiro de 2016, com o documento associado assinado por ambos, foi também um poderoso elemento de fricção entre Jorge Mario Bergoglio e a Igreja Católica Ucraniana, que se vê injustamente sacrificada no altar desta reconciliação entre Roma e Moscovo.

A morte, no passado dia 31 de maio, do cardeal Lubomyr Husar, o anterior arcebispo-maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, voltou a dirigir a atenção para esta personalidade de elevadíssimo perfil, capaz de reconstruir espiritualmente uma Igreja que emergiu de décadas de perseguição sem qualquer tipo de concessão perante os cálculos diplomáticos – em função de Moscovo e do seu patriarcado – que, ao invés, durante o pontificado de Francisco voltaram a prevalecer.

O sucessor de Husar, o jovem Sviatoslav Shevchuck, é bem conhecido de Bergoglio pela sua anterior atividade pastoral na Argentina. Mas ele também é uma dos críticos mais diretos às tendências do atual pontificado, tanto no campo político como no doutrinal e pastoral.

E “certamente não foi por acaso”, escreveu há três semanas o Papa Emérito Bento XVI aquando da morte do seu amigo o cardeal Joachim Meisner, o indomável arcebispo de Berlim durante o regime comunista, “que a última visita da sua vida foi a um confessor da fé”, o bispo da Lituânia cuja beatificação estava a ser celebrada, um dos inúmeros mártires do comunismo na Europa do Leste que hoje corre o risco de cair no esquecimento.

*

Neste contexto emerge naturalmente a questão: nesta região da Europa, qual é o estado de saúde do catolicismo que se sabe estar em sério declínio em outras partes do mundo e particularmente na vizinha Europa Ocidental?

Esta questão recebeu uma resposta exaustiva – ainda que em termos puramente sociológicos – numa pesquisa abrangente realizada pelo Pew Research Center em Washington, que é talvez o barómetro mais confiável do mundo no que diz respeito à presença de religião na cena pública:

> Crença Religiosa e Pertença Nacional na Europa Central e do Leste:

O estudo incidiu precisamente sobre os países da Europa Oriental, quase todos submetidos no passado a regimes comunistas ateístas. E o primeiro facto impressionante neles constatado é o renascimento, em quase todos os lugares, de um sentimento forte e generalizado de pertença religiosa, que para os ortodoxos – uma reconhecida maioria em toda a área – coexiste com uma rara participação nas liturgias dominicais, enquanto que para os católicos é acompanhada de uma participação semanal bastante significativa na Missa: enquanto, por exemplo, na Polónia, 45% dos batizados e, na Ucrânia, 43% marcam presença na liturgia dominical, na Rússia, apenas comparecem 6% dos fiéis da confissão ortodoxa.

A República Checa suportou o peso do ateísmo de Estado, que adicionado a uma hostilidade anti-católica antiga que remonta ao protestantismo “hussita” e a uma posterior recatolicização imposta pelos Habsburgos, fez com que, neste país, 72% da população declare não ser afiliada em qualquer tipo de fé religiosa. Mas também aqui, entre os católicos que representam um quinto da população, a frequência dominical é, mesmo assim, de 22%, mais ou menos tanto como na Itália e muito mais do que na Alemanha, na França ou na Espanha, sem mencionar a Bélgica e a Holanda.

E o mesmo vale para a Bósnia, onde há poucos católicos, apenas 8%, mas o seu comparecimento dominical atinge um robusto valor de 54%.

Vale a pena ler todo o estudo do Pew Research Center  pela riqueza da informação que fornece. Mas aqui basta destacar que os católicos da Europa do Leste se distinguem dos ortodoxos, não apenas pelos seus muito mais elevados índices de prática religiosa, mas também por uma visão geopolítica antagónica.

Enquanto a Rússia ortodoxa é vista como o bastião natural contra o Ocidente, recebendo a aprovação de grandes maiorias, entre os católicos existe uma muito maior frieza para com a Rússia, em especial na Ucrânia e na Polónia, que se inclinam muito mais para uma aliança com os Estados Unidos e o Ocidente.

Uma divergência adicional pode ser ainda encontrada no campo ortodoxo entre aqueles que, como na Rússia, reconhecem o patriarca de Moscovo como a mais alta autoridade hierárquica da ortodoxia e aqueles que optam mais pelo patriarca de Constantinopla do que pelo de Moscovo, como acontece na Ucrânia, com 46% dos ortodoxos pelo primeiro e apenas 17% pelo segundo.

Sobre o casamento, a família, a homossexualidade e temas afins, pelo menos metade dos católicos apoiam as posições tradicionais da Igreja. E uma grande maioria da população total – com a única exceção na República Checa – é contra o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Mas, agrupando os dados por faixas etárias, é fácil constatar que os jovens adotam cada vez mais a mentalidade permissiva que, na Europa Ocidental – incluindo na Igreja Católica – é já desenfreada.

Uma mentalidade que certamente não encontra qualquer resistência no pontificado de Francisco.

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 3 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Clero é o “principal obstáculo” à agenda do Papa Francisco: jornal do Vaticano

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Por Pete Baklinski

ROMA, 27 de julho, 2017 (LifeSiteNews) – O “principal obstáculo” que o Papa Francisco encontra na implementação da sua agenda para a Igreja vem da “falta de abertura, se não mesmo hostilidade” de “uma boa parte do clero, tanto nos altos níveis como nos baixos”, dizia um artigo do jornal semi-oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, no fim de semana.

Giulio Cirignano, um padre italiano e especialista em Escritura, da Faculdade Teológica da Itália Central, acusou todos os níveis do clero – padres, bispos e cardeais – de se oporem à agenda do Papa porque estão ligados a formas tradicionais de pensamento e de práticas.

“O principal obstáculo que se coloca no caminho de conversão que o Papa Francisco quer trazer para a Igreja é constituído, até certo ponto, pela atitude de uma boa parte do clero, nos altos e nos baixos níveis… uma atitude, por vezes, de não abertura se não hostilidade”, afirmou.

Cirignano defende que, em geral, são os fiéis, e não o clero, os únicos que reconhecem que agora é o “momento favorável” para a “conversão” da Igreja defendida pelo Papa Francisco.

“A maioria dos fiéis tem compreendido, apesar de tudo, o momento favorável, o Kairos, que o Senhor está a oferecer à sua comunidade. A maior parte está a comemorar”, afirmou.

“Mesmo assim, a parte [da comunidade] mais próxima de pastores pouco iluminados mantém-se atrás de um velho horizonte, o horizonte das práticas habituais, da linguagem fora de moda, do pensamento repetitivo vazio de vitalidade”, acrescentou.

Cirignano apontou vários fatores para explicar porque é que grande parte do clero não apoia a agenda do Papa para a Igreja. Isso inclui, explicou, o facto de muitos possuírem um “modesto nível cultural”, uma imagem inaceitável do que significa ser sacerdote e ainda confusão teológica a respeito de Deus e da religião.

Muitos clérigos que se opõem ao Papa Francisco, continuou, atuam a partir de uma velha teologia, associada à Contra-Reforma. Tal teologia, disse ele, é “sem alma.” Ela é responsável por transformar a “apaixonante e misteriosa aventura de acreditar” em “religião” que não atinge o nível de uma “fé” verdadeira.

Cirignano explicou que tal “religião” produz um “deus hipotético” que é, “para a maior parte, projeção humana da sua mente.”

“A religião surge a partir do medo e das necessidades humanas… Tem no entanto esta grande limitação: o Deus da religião é, para a maior parte, a projeção humana da sua mente, dos seus medos, das suas necessidades. É um deus hipotético.”

“Quando o sacerdote é muito marcado por uma mentalidade religiosa e muito pouco por uma fé límpida, então tudo se torna mais complicado”, disse ele, acrescentando: “Arrisca-se a ser a vítima de muitas coisas inventadas pelo homem a respeito de Deus e da Sua vontade.

A palavra “religião” vem de uma palavra latina que significa “vincular”. Através da religião, os católicos vinculam-se às verdades da fé, principalmente como foi expresso pelos primeiros credos da Igreja (o dos Apóstolos e o de Niceia) que ainda hoje são recitados. O Catecismo da Igreja Católica ensina a necessidade de tais declarações formais na religião católica, uma vez que elas ajudam quem as professa a “alcançar e aprofundar a fé de todos os tempos.”

Desde a sua eleição em 2013, o Papa Francisco tem impulsionado uma visão da Igreja onde as práticas pastorais entram por vezes em conflito com o constante ensinamento católico e onde casos complicados se tornam a exceção à regra.

Os seus ensinamentos ambíguos, especialmente os da sua controversa exortação Amoris Laetitia, de 2016, levaram bispos e cardeais a interpretar as suas palavras de formas que conduziram a práticas pastorais contraditórias.

Aqueles que têm pedido clarificação ao Papa, como os quatro cardeais (um dos quais já faleceu), bem como numerosos teólogos católicos e académicos, têm sido ignorados.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 27 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Paglia para os adúlteros públicos: Sigam em frente e recebam a Sagrada Comunhão

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Por Christopher A. Ferrara

Ninguém, nem mesmo um Papa, pode alterar o constante ensinamento da Igreja e a sua disciplina integralmente relacionada sobre a “impossibilidade intrínseca” da absolvição e da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos em “segundos casamentos” que tencionam manter as suas relações adúlteras.

Recorde-se o que disse o Papa Bento XVI, a respeito da função do papado, no seu primeiro sermão enquanto Pontífice Romano recém-eleito:

O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

Considere-se a palavra de Deus a respeito do divórcio: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.” (Lc 16, 18)

Baseados na Palavra de Deus, bem como no ensinamento constante e na disciplina da Igreja em sua obediência durante 2000 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI – agindo como um Papa deve agir – reafirmaram o ensino bimilenar da Igreja de que adúlteros públicos, precisamente devido ao facto do seu estado de vida, não podem participar no Santíssimo Sacramento.

Contudo agora, graças exclusivamente à Amoris Laetitia (AL), é-nos dito, pelo próprio prelado que o Papa Francisco colocou à frente do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, que este ensinamento foi, na prática, derrubado. O Arcebispo Vincenzo Paglia (da obscena infâmia mural) declara abertamente, numa entrevista recente, que aqueles que vivem em uniõesirregulares” podem agora ser “integrados” na vida eclesial, tal como estão, sem antes mudarem de vida:

Aqueles que vivem em situações irregulares, se eles aceitarem ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã (especialmente se o processo for promovido e conduzido pelo bispo), terão possibilidade de encontrar várias e graduais formas de integração, não excluindo integração sacramental.

O palavreado vazio de significado – “ser acompanhados numa jornada partilhada de fé na comunidade cristã… graduais formas de integração” – é simplesmente uma folha de figueira que esconde uma permissão nua para aqueles que vivem em vários estados de adultério habitual e público receberem a Sagrada Comunhão sem antes mudarem de vida. Isso é exatamente o que os bispos da Alemanha, Sicília, Malta e outros lugares têm autorizado, enquanto os bispos de outros países, como a Polónia, continuam a defender o ensino e a disciplina bimilenar da Igreja, tal como fizeram os dois antecessores imediatos de Francisco na Cátedra de Pedro.

A manchete do LifeSiteNews diz tudo: “Arcebispo do Vaticano: Papa Francisco abriu Comunhão a adúlteros”. E este é o prelado que foi nomeado chefe do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família!

Somos testemunhas de uma catástrofe crescente. Cegueira voluntária perante os factos não é aqui uma opção. Tudo o que podemos fazer diante desta realidade é precisamente o que Nossa Senhora de Fátima pediu a todos os católicos, que inclui orar pelo Papa. Orar também pela resolução divina que certamente irá seguir-se à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima intercedei por nós.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 31 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 8/2017

Isso é uma piada? O Papa terá perguntado ao Cardeal pró-“gay” (“Missa de Balões”) Schönborn: A “Amoris Laetitia” é ortodoxa? Ignoradas as correções do Cardeal Müller.

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Oh sim, Sua Santidade! Perfeitamente ortodoxa.

Por Christopher A. Ferrara

O biógrafo liberal do Papa Bergoglio, Austin Ivereigh, refere que, durante uma sessão de perguntas e respostas sobre a Amoris Laetitia (AL), na Irlanda Ocidental, o Cardeal Christoph Schönborn fez a revelação assombrosa de que o Papa Bergoglio perguntou se a AL é ortodoxa e que Schönborn respondeu exatamente ao seu chefe aquilo que ele queria ouvir:

[Q]uando ele [Schönborn] encontrou o Papa logo após a apresentação da Amoris, Francisco agradeceu-lhe e perguntou-lhe se o documento era ortodoxo.

“Eu respondi, «Santo Padre, é totalmente ortodoxo»”, Schönborn disse-nos que tinha dito ao Papa, acrescentando que, alguns dias mais tarde, recebeu de Francisco uma pequena nota que dizia: «Obrigado por essa palavra. Isso deu-me conforto.»

Então, se este episódio for verdadeiro, temos um Papa que questiona a ortodoxia do seu próprio ensinamento depois de o publicar! Mas o mesmo Papa ignorou simplesmente a recomendação pré-publicação, com cerca de 20 páginas de correções à AL, do próprio prelado cuja função é examinar documentos papais na sua ortodoxia: o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), a quem o Papa Bergoglio despediu brutalmente através de uma curta nota. Como Edward Pentin informou, nenhuma dessas correções foi aceite.

Confiar em Schönborn para confirmar se um documento que trata de moral sexual é ortodoxo é como confiar num ladrão para confirmar a segurança dos objetos de valor no cofre do quarto. Não foi outro senão Schönborn que, ignorando o ensinamento perentório da Igreja sobre o dever dos católicos de se oporem e recusarem a implementação de qualquer forma de reconhecimento legal das “uniões homossexuais”, declarou alegremente que elas são perfeitamente aceitáveis, desde que não sejam formalmente denominadas casamento: “Pode e deve respeitar-se a decisão de criar uma união com uma pessoa do mesmo sexo, para encontrar instrumentos legais que protejam a sua vida em conjunto e a sua situação com leis que garantam essa proteção.”

A confiança do Papa Bergoglio em Schönborn para dizer o que ele queria ouvir sobre AL data desde o momento em que a desastrosa exortação foi promulgada. Durante uma das suas conferências de imprensa aéreas, o Papa designou Schönborn como intérprete oficial da AL. Referindo-se a ele como “um grande teólogo”, citou a apresentação de Schönborn sobre a AL em resposta à questão de saber se os divorciados “recasados” poderiam ser admitidos à Sagrada Comunhão sem cessar o adultério – a resposta obviamente queria dizer “Sim”, como os eventos subsequentes tornaram claro. Mas Schönborn, nessa apresentação, apenas remeteu para o Papa Bergoglio, citando a AL:

«Ao pensar que tudo é preto e branco, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento, e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus» (AL 205). Ele [Francisco] também nos lembra uma frase importante da Evangelii gaudium, 44: «Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correcta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades»(AL 304).

No sentido desta «via caritatis» (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada «em certos casos». Mas para esse propósito, ele não nos oferece casos de estudos ou receitas, mas simplesmente faz-nos lembrar duas das suas famosas frases: «Quero lembrar aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas sim um encontro com a misericórdia do Senhor» (EG 44), e a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um poderoso remédio e alimento para os fracos» (EG 47) “.

Então, o Papa Bergoglio consulta Schönborn, que por sua vez consulta o Papa Bergoglio, e assegura ao outro que não há nada mal com a AL. No entanto, 20 páginas de correções da CDF são lançadas no lixo e o autor dessas correções é sumariamente destituído do cargo.

Isto é uma piada. Mas a piada é muito instrutiva. Que melhor exemplo poderíamos ter para os estritos limites da infalibilidade papal tal como foi definida – infalivelmente – pelo Concílio Vaticano I? Se não for mais nada, o pontificado bergogliano serviu para quebrar o mito de que o Papa é uma espécie de oráculo divino, cujas expressões são ortodoxas pelo simples facto de um papa as ter proferido.

Como o concílio deixou claro, o Papa ensina infalivelmente somente quando define formalmente como dogma aquilo que a Igreja sempre ensinou em questões de fé e moral; o mesmo ensino constante que também é infalível devido à sua imutabilidade, e não devido ao simples facto de um papa ter feito alguma declaração de doutrina em determinado momento. Fora dessa esfera limitada, o erro papal não é apenas possível, mas, como vemos aqui, é inevitável se um Papa atua imprudentemente e só ouve o que quer ouvir de pessoas de ortodoxia questionável.

À medida que esta farsa caminha para a sua inevitável conclusão, devemos ter em atenção um documento de 1986, especificamente aprovado pelo Papa João Paulo II, onde a mesma CDF, rejeitada pelo Papa Bergoglio porque não lhe diz o que ele quer ouvir, alertou “aos Bispos que sejam particularmente vigilantes em relação aos programas que, de facto, tentam exercer pressão sobre a Igreja a fim de que ela mude a sua doutrina, embora, às vezes, verbalmente neguem que seja assim. Um estudo atento das declarações públicas neles contidas e das atividades que promovem revela uma calculada ambiguidade, através da qual procuram desviar pastores e fiéis.”

Quem poderia ter previsto que o mesmo aviso se aplicaria algum dia a um Papa e aos seus colaboradores? Resposta: a Mãe de Deus, cuja profecia no Terceiro Segredo de Fátima está agora a concretizar-se.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlteros

Por Adelante la Fe

No domingo passado, na Igreja Paroquial de São Roque, em Reconquista, Santa Fé (Argentina), o bispo local, Mons. Macín, nomeado pelo Papa Francisco em 2013, protagonizou um monumental e sacrílego escândalo que revela claramente o que está por trás da Amoris Laetitia.

Organizou, na dita igreja, uma missa solene na qual informou publicamente que, de acordo com as regras enviadas pelo Papa Francisco numa carta há mais de seis meses e no âmbito da integração dos cristãos “marginalizados” por causa sua condição irregular de divorciados que voltaram a casar ou em situação irregular (divorciados que contraíram uma nova união), após a realização de um período de seis meses  de encontros semanais denominado ” período de discernimento”, foi determinado, de acordo com o que se expôs anteriormente (por ordem do Papa), INCLUÍ-LOS EM COMUNHÃO PLENA E SACRAMENTAL, o que aconteceria nessa cerimónia. Em nenhum momento se mencionou que essas pessoas tinham feito qualquer voto de castidade ou de viver “como irmãos”.

Na mesma cerimónia, foi dada a comunhão a todos esses casais (cerca de 30), acompanhados de seus familiares que tiraram fotos em clima festivo. Em nenhum momento se fez qualquer referência às escrituras que condenam o adultério, em alternativa, foram referidos os chavões da Amoris Laetitia onde se diz que os divorciados que voltaram a casar devem ser incluídos em plena comunhão.

Este bispo, assim como todos os que seguem essas indicações e ações, são simplesmente apóstatas, lobos vestidos de ovelhas que não só enviam almas para o inferno, como também profanam a Eucaristia, pelo que prestarão contas diante de Deus.

Esta notícia foi confirmada pelo Adelante la Fe e por testemunhas oculares, mas se ainda restarem dúvidas, pode ser confirmada nos meios de comunicação locais.

A edição original deste texto foi publicada pelo Adelante la Fe a 13 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

As palavras taxativas de Jesus Cristo

E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» (Mc 4, 9)

A humildade, a cordialidade e a obediência na vocação não são sinónimos de apostasia, antes pelo contrário. Isto é válido para todos, para aqueles que promovem a apostasia, mas também para aqueles que pretendem combatê-la.

Esta frase de D. Manuel Clemente, embora proferida num outro contexto, é muito feliz:

Seguir o Senhor é vocação de todos os batizados, tomando a cruz de cada dia. Só assim ganharemos a eternidade que é do tamanho da entrega, do tamanho da cruz.

(D. Manuel Clemente, in Rádio Renascença, 02/07/2017)

Basto 7/2017

Conferência Episcopal dos EUA recusa responder sobre o acesso dos casais homossexuais à Sagrada Comunhão

Durante uma conferência de imprensa dada pela Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), na cidade de Indianápolis, Claire Chretien, do LifeSiteNews, colocou uma questão sobre a possibilidade de pessoas envolvidas em relacionamentos homossexuais poderem aceder à Sagrada Comunhão. Perante a questão colocada (tão simples de responder como remeter para os números 2357, 2358, 2359 e 2396 do Catecismo), D. Christopher Coyne, bispo da diocese de Burlington e chefe do Comité para as Comunicações da USCCB, visivelmente incomodado, terá dado instruções imediatas à diretora do departamento de relações públicas da USCCB para boicotar a questão da jornalista, não permitindo ao painel dar qualquer resposta.

 

A pertinência da questão prende-se com alguns escândalos registados recentemente nos EUA, relacionados com interpretações radicais da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, entre estes destacam-se os “misericordiosos” avanços do bispo D. Robert McElroy na diocese de San Diego e as posições exóticas publicamente assumidas por alguns dos novos cardeais americanos nomeados pelo Santo Padre, nomeadamente, D. Joseph Tobin, D. Kevin Farrell e D. Blase Cupich.

Neste momento crítico em que a mentira teima em sobrepor-se à Verdade revelada, a atitude de D. Christopher Coyne, em substância, é equivalente à de todos os outros membros da Igreja Católica, desde bispos, padres e fiéis, que fazem de conta que não veem o que está a acontecer. Nem todos pertencem a esse grupo, muitos não conseguem mesmo ver e portanto estão isentos de culpa.

Basto 6/2017

Bispos da Sicília cumprem promessa e fazem a vontade ao Santo Padre

Como tinham prometido no início do ano, os bispos sicilianos abriram agora o acesso à Sagrada Comunhão aos divorciados recasados, apesar do que a Igreja sempre ensinou a respeito do matrimónio e do adultério.

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in la Repubblica, 15/06/2017

O recém-publicado documento da Conferência Episcopal Siciliana intitula-se “Orientações Pastorais, acompanhar – discernir – integrar a fragilidade segundo as indicações do cap. VIII da Amoris Laetitia. As novas orientações pastorais vão ao encontro dos desejos de Francisco I na promoção da sua “Alegria do Amor”, libertando assim, até certo ponto, os fiéis sicilianos do “problema” da “rigidez dos mandamentos” que, apesar de “seguros”, de acordo com o mesmo Santo Padre, não “nos dão alegria” porque nos retiram a liberdade.

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Orientações pastorais dos bispos da Sicília

Seguindo as orientações pastorais disponibilizadas no sítio da Arquidiocese de Palermo, a partir de agora, os pastores sicilianos devem convidar os adúlteros a discernir pelas suas próprias consciências se preferem o arrependimento ou a continuidade no prática do adultério para então, depois, poderem receber o Corpo e o Sangue do Senhor, independentemente de terem optado por um ou pelo outro caminho.

Basto 6/2017

Misericórdia atípica ameaça a diocese de Portalegre-Castelo Branco

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“Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal” de Francisco Xavier Lobo, 1753 – Igreja de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide

Chegou a hora de Portugal!

Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas. (Tg 1, 16-18)

Depois de quatro anos e tal de incubação da heresia da nova misericórdia que prescinde de arrependimento, e depois da submissão das massas a um processo gradual e planeado de reeducação que visa a substituição dos tradicionais conceitos cristãos de matrimónio e família por uma ideologia relativista e hedonista, a nação portuguesa é agora chamada a tomar posição. Chegamos ao auge desta assumida “revolução” cultural. Este é o derradeiro momento em que a hierarquia católica portuguesa se coloca perante a forte tentação populista de aderir ou não à nova corrente ideológica dominante. O povo tem de redobrar a oração e a penitência, mas antes de tudo, deve estar muito atento!

Até ao momento, ainda nenhuma diocese portuguesa promulgou qualquer documento com orientações no sentido da aprovação pastoral do adultério, como já aconteceu em vários países. No entanto, alguns bispos portugueses, apesar de não contestarem teoricamente a doutrina católica sobre o matrimónio, têm mostrado disponibilidade para fazer a vontade ao Papa, ou seja, dar absolvição sacramental e a Sagrada Eucaristia a “alguns” adúlteros que, após um processo de “discernimento”, optem por permanecer definitivamente em adultério. “Alguns”, numa perspetiva otimista, pode significar mesmo todos, dependendo do sucesso da aplicação desta nova prática pastoral e também da consciência de cada um.

A primeira diocese portuguesa a prometer a publicação de um documento orientador da prática de Amoris Laetitia foi a de Portalegre-Castelo Branco. O anúncio surgiu num comunicado do Conselho Diocesano de Pastoral que reuniu recentemente em Castelo de Vide.

Abordou-se por largo tempo, o capítulo VIII da Exortação Apostólica Post-sinodal “Amoris Laetitia”, conforme agendado divagou-se serenamente e com muito proveito, sobre o “acolher”, “discernir” e “integrar”, tarefa pastoral exigente e delicada mas com necessidade de ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério. O Bispo Diocesano informou estar a pensar, para breve, na publicação de algumas orientações já em preparação.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 03/06/2017)

Por um lado, a diocese diz que esta tarefa pastoral tem de “ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério“, mas por outro, também diz que “deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco“…

Mais uma vez, o Capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia forneceu o conteúdo para um alargado debate sobre a implementação pastoral do “acolher”, “discernir” e “integrar” os cristãos que, embora não estejam em conformidade com a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, sofrem por tal situação e desejam fazer um caminho de integração e discernimento em Igreja. É uma pastoral delicada, necessária e urgente, e que deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco no documento em causa.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, junho de 2017)

Em que é que ficamos afinal? Já toda a gente sabe neste momento, e sem qualquer margem para dúvidas, qual é a interpretação que o Papa Francisco pretende para o capítulo VIII da sua controversa exortação apostólica! Todos sabem também, desde sempre, que sua interpretação contradiz o magistério da Igreja, conforme atestou o próprio Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Se o adultério continua portanto a ser um pecado mortal que exclui o acesso à Sagrada Comunhão para o bem das almas, a diocese está agora perante um dilema complicado…

Sem querermos arriscar na direção para a qual tenderão “as orientações já em preparação”, convém lembrar que, de acordo com o jornal Sol, D. António Dias, bispo da diocese em análise, era um dos seis bispos portugueses que, já em 2015, queriam abrir o acesso à Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério.

Perante a urgência da situação atual, os portugueses devem dizer se aceitam ou não que este sacrilégio contra a Sagrada Eucaristia seja praticado no nosso país, antes que seja tarde de mais. O nosso silêncio é também uma resposta que tem consequências e pela qual prestaremos contas diante de Deus.

Basto 6/2017