Papa Francisco escreve ao Patriarca de Lisboa

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O Papa Francisco enviou uma carta ao Patriarca de Lisboa de agradecimento e encorajamento em relação à aplicação do polémico capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

carta

Amado Irmão Cardeal
D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente
Patriarca de Lisboa

 

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Esta sua aprofundada reflexão  encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério.

As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus.

Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas.

Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa. 

 

Vaticano, 26 de junho de 2018

Franciscus

 

(in sítio oficial do Patriarcado de Lisboa, 26/06/2018)

Esta carta causa alguma estranheza, tanta como a sua publicação na página oficial do Patriarcado de Lisboa, uma vez que parece um documento pessoal…

Nesta altura já ninguém tem dúvidas relativamente ao que o Santo Padre entende por “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. Resta saber como D. Manuel Clemente irá interpretar este encorajamento do Bispo de Roma, tendo em conta que o Patriarca de Lisboa, apesar de tudo, tem constituído a maior força visível de atrito no episcopado português relativamente à novíssima pastoral de abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”.

Basto 7/2018

A “Alegria do Amor” em Viseu

Como tínhamos aqui avançado anteriormente, o agora administrador apostólico da diocese de Viseu, D. Ilídio Leandro, acaba de publicar um “documento pastoral” que porá em prática os novos ensinamentos do Papa Francisco sobre o matrimónio e a família na sua diocese. O referido documento intitula-se “Acompanhar, discernir, integrar” e deverá contemplar a possibilidade de os divorciados “recasados” acederem aos sacramentos nos termos previstos pela controversa exortação Amoris Laetitia.

“Se a sua situação na comunidade cristã e a sua relação com todos os que foram importantes no seu primeiro casamento não mantém feridas por sarar”, então o caminho para a paz está a ser realizado com sucesso, lembrou D. Ilídio, como pressuposto para a possibilidade de uma integração tranquila na comunidade cristã, vivendo a plenitude dos sacramentos.

(in Página oficial da Diocese de Viseu, 28/06/2018)

Presume-se que seja um documento que irá ao encontro daqueles queparafraseando o Pe. Armando Esteves, Vigário Geral da Diocese de Viseu – foram levados a assumir um segundo matrimónio”.

Basto 7/2018

Abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos: “Cristo crucificado de novo?”

Pe. Santiago Martín põe em causa a intenção de alguns bispos alemães de abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos, sem deixar de mencionar a aprovação pessoal do Papa Francisco nesta questão. O famoso teólogo espanhol teme que este novo avanço pastoral produza um facilitismo semelhante ao que decorreu da aplicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

Basto 7/2018

Diocese de Leiria-Fátima abre Sagrada Comunhão aos adúlteros

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Como se esperava, chegou agora a vez de D. António Marto publicar o seu documento que lança a prática de Amoris Laetitia* na diocese de Leiria-Fátima nos termos desejados pelo Papa Francisco. Os adúlteros poderão agora aceder à Sagrada Comunhão também na diocese portuguesa onde a Mãe de Deus veio dizer-nos que “os pecados que levam mais almas para o Inferno são os da carne” e que “muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus”.

O método de “discernimento” proposto pelo futuro cardeal D. António Marto foi assumidamente inspirado na heresia bracarense, mas apresenta algumas nuances trágico-cómicas dignas de nota, particularmente no que se refere ao exercício experimental pelo qual deverá passar a pessoa adultera e que deverá produzir resultados ao fim de 15 dias!

A diocese propõe que o adúltero viva uma semana de acordo com o ensinamento constante da Igreja, sendo convidado a “não aceder aos sacramentos”, porém, a partir do oitavo dia, deverá “fazer o oposto” durante toda a semana para experimentar também a nova solução de misericórdia do Papa Francisco.

Numa fase posterior (3ª semana?), o adúltero terá de elaborar “uma lista de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos” (onde, eventualmente, ponderará determinados pormenores como o destino eterno da sua alma, entre outros aspetos)… Depois de observado esse procedimento, o adúltero estará então em condições de tomar uma decisão “racional”.

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Síntese dos “passos” necessários para os adúlteros poderem ter “acesso aos sacramentos” na diocese de Leiria-Fátima; baseado em “Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado” da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.

À semelhança do que prevê o método discernimental da diocese de Portalegre-Castelo Branco, para além das conclusões “sim” e “não”, disponibilizar-se-á ainda uma terceira via destinada a quem reconhecer que a sua relação adúltera ainda não atingiu suficiente maturidade espiritual.

No que diz respeito ao acesso aos sacramentos, propõem-se os dois passos seguintes:

1. Fazer um exercício de conclusão do discernimento, como se segue: durante uma semana, rezar e viver como se a decisão fosse não aceder aos sacramentos, tomar consciência do que se vai sentindo, dos sentimentos espirituais, do que há de paz ou inquietação; na semana seguinte, fazer o oposto… rezar e viver como se a decisão fosse aceder aos sacramentos, tomando nota dos movimentos espirituais sentidos. Assim, vai-se percebendo por onde Deus chama, o que dá mais paz, o que aproxima mais d’Ele, da vida cristã e dos outros.

2. Para confirmar, através de um processo racional e a partir de tudo o que se leu, rezou, partilhou e ouviu, faça-se uma lista, em duas colunas, de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos. Noutro tempo, faça-se o mesmo processo com a possibilidade de não aceder aos sacramentos. Depois de “selecionados” os ‘prós’ e os ‘contras’ de uma e de outra possibilidades, ver o que se revela mais evidente. Como afirmado no início, pode ser: 1) aceder aos sacramentos; 2) não aceder aos sacramentos; 3) para já não, há passos ainda a dar na nossa vida e o discernimento deve continuar.

(Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado; in Página Oficial da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.)

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Cartaz do musical “O Dia em que o Sol Bailou” encomendado pelo Santuário de Fátima para a celebração Centenário das Aparições; in página oficial do Santuário de Fátima.

* Voltamos aqui a repetir de forma clara para todos aqueles que ainda não puderam ou não quiseram compreender: A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério.

Que diriam os pastorinhos de todas estas modas loucas que chegaram a Fátima?

Basto 6/2018

Prática de Amoris Laetitia será implementada na diocese de Portalegre-Castelo Branco

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Sem surpreender, o bispo D. António Dias escreveu uma carta pastoral que lançará a prática de Amoris Laetitia na diocese de Portalegre-Castelo Branco. De acordo com a Rádio Renascença, através deste documento, D. António dá algumas orientações para ajudar os divorciados a viver em nova união…

O bispo da Diocese de Portalegre–Castelo Branco escreveu uma carta pastoral com o título “A Bem da Família”, na qual oferece algumas “orientações positivas” de ajuda aos divorciados a viver em nova união.

(in Renascença, 07/06/2018)

O método de “discernimento” proposto por D. António Dias, o qual poderá abrir a Sagrada Comunhão a um adúltero, se este assim o entender, passará por cinco fases, conforme se explica no jornal Reconquista. Chegando à fase 4, o adúltero deverá tomar uma decisão que pode ser “sim, não ou para já não” e na fase 5 será confirmado nessa decisão.

E assim, a nova misericórdia do Papa Francisco invade agora a Beira Baixa e o Alto Alentejo, encontrando menor resistência do que os espanhóis durante a Guerra das Laranjas…

Basto 6/2018

A imagem da “dimensão erótica do amor” em Florianópolis

A era da informação global tem destas coisas, sendo bastante provável que o clero local nem imagine que isto possa ter acontecido… Numa publicação do ano passado, a Arquidiocese de Florianópolis, do estado de Santa Catarina, Brasil, escolheu uma foto sugestiva para ilustrar um dos novíssimos ensinamentos da exortação apostólica Amoris Laetitia, porém essa imagem estava já associada a uma marca comercial.

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in Arquidiocese de Florianópolis, 01/08/2017

A marca em causa refere-se a um produto destinado a melhorar a performance sexual.

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FOREDI Gel, 13/08/2016

Este é um caso que tem mais de insólito do que de surpreendente, dada a conjuntura atual.

Basto 6/2018

Diocese de Viseu abrirá a Sagrada Comunhão a adúlteros já neste Verão

henriqueviii.jpgA “Alegria do Amor” chegou a Viseu. Sem qualquer surpresa, a Ecclesia acaba de informar que o bispo de Viseu anunciara a publicação, para o dia 1 de julho próximo, do tão desejado documento que regulamenta a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério, respondendo assim ao desejo do Papa Francisco. De acordo com a agência noticiosa da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Ilídio Leandro pede que “não se tenha uma atitude legalista” perante as (inovadoras) “propostas” do Santo Padre.

“O capítulo 8 (da Exortação Apostólica Amoris Laetitia) abriu às situações irregulares [*] a possibilidade dessas pessoas poderem reencontrar-se na Igreja mesmo em comunhão sacramental, no abeirar-se da reconciliação e na Eucaristia.”

(D. Ilídio Leandro in Ecclesia, 15/05/2018)

* Nota nossa: o termo “irregular” é um neologismo linguístico que corresponde, em termos objetivos, à tradicional noção católica de adultério na sua forma continuada.

Esta nova pastoral pode conduzir à erradicação do adultério (enquanto tal) em toda a região.

E lá se vai completando o mapa deste nosso triste fado

Basto 5/2018

Gaudete et Exsultate: Mesmo o que esperávamos

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Por Christopher A. Ferrara

A esta altura do pontificado do homem da Argentina, não é mesmo necessário ler a Gaudete et Exsultate para se saber o que contém: uma mistura de elementos de devoção, ataques a católicos ortodoxos e as novidades que este Papa tem avançado implacavelmente desde o momento da sua eleição. Isto é o que já vimos com a Evangelii Gaudium, com a Laudato si’ e, claro, com a desastrosa Amoris Laetitia que, inacreditavelmente, pretende abolir na prática o caráter sem exceções dos preceitos negativos da lei divina e natural, começando pelo Sexto Mandamento.

Ainda assim, só para ter a certeza, vi o documento. Relativamente curto, com um total de 20.000 palavras, corresponde precisamente ao que era expectável: algumas afirmações piedosas amarradas a apelos às mudanças radicais que Francisco exige em contradição com o ensinamento de todos os seus predecessores, juntamente com as denúncias do costume, apontadas ao clero e aos leigos ortodoxos que ousam opor-se às suas novidades.

Aqui está uma passagem chave que capta a essência daquilo a que Antonio Socci chamou, de forma tão apropriada, Bergoglianismo:

“A habituação seduz-nos e diz-nos que não tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situação, que sempre foi assim e todavia sobrevivemos. Pela habituação, já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas «continuem como estão» ou como alguns decidiram que estejam. Deixemos então que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.”

Repare-se na confusão enganosa entre o concordar com o mal, que envolve pecado, e o não “mudar as coisas” ou aceitar “o sempre foi assim” ou “como alguns decidiram que estejam”, e a confusão igualmente enganosa entre fazer o bem e “desafi[ar] a habituação […] para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.

Gaudete et Exsultate é, assim, uma tentativa velada de impor o enfraquecimento do Sexto Mandamento, inerente à Amoris Laetitia, sobre a Igreja, sob o disfarce de “discernimento” do que o Espírito Santo supostamente nos pede: a novidade. E sem deixar dúvidas sobre a sua intenção, o Papa Francisco deixa depois claro que exige adesão às suas novidades como sendo a voz de Deus através de si:

“Como é possível saber se algo vem do Espírito Santo ou se deriva do espírito do mundo e do espírito maligno? A única forma é o discernimento. Este não requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, é também um dom que é preciso pedir. Se o pedirmos com confiança ao Espírito Santo e, ao mesmo tempo, nos esforçarmos por cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual […].”

Até aqui, tudo bem. Mas a cápsula de veneno é administrada de imediato:

“Isto revela-se particularmente importante, quando aparece uma novidade na própria vida, sendo necessário então discernir se é o vinho novo que vem de Deus ou uma novidade enganadora do espírito do mundo ou do espírito maligno. Noutras ocasiões, sucede o contrário, porque as forças do mal induzem-nos a não mudar, a deixar as coisas como estão, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Espírito Santo […].”

Não há outra palavra para este texto par além de desonesto: o mal manifesta-se pelo “imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”, “mudar” no sentido que Francisco – sozinho entre todos os Papas até Pedro – exige em consonância com os “sinais dos tempos”.

Em sítio nenhum do grande Depósito da Fé encontramos qualquer ensinamento sobre o mal imaginário da imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”. Muito pelo contrário, a resistência à mudança é precisamente o que é exigido por uma defesa do ensino imutável do Evangelho, que é o Palavra Eterna:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. (Mt 5, 17-19)

Dando cumprimento à Lei de Deus, Nosso Senhor declarou que quem se divorcia e finge “casar-se de novo” comete adultério. Recorde-se a Sua repreensão aos fariseus, que recorreram a Moisés para defenderem a aprovação do divórcio: “Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim.” (Mt 19, 8)

No entanto, a Igreja é agora atormentada por um pontificado cujo tema é a tolerância do divórcio e do “recasamento” na Igreja e a admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão, ainda que mantenham as suas relações adúlteras, o que reverteria 2 000 anos de ensinamento da Igreja, arrastando-a toda de volta ao tempo de Moisés.

Com incomparável audácia, Francisco cita o Oitavo Mandamento quando invoca o inferno (cuja existência ele nega em conversas com Scalfari, de quem não nega os seus relatos) para demonizar os católicos que defendem os “outros mandamentos” – ou seja, o Sexto Mandamento que ele tem tentado subverter na prática ao longo dos últimos cinco anos:

“Mesmo nos meios de comunicação social católicos, os limites podem ser ultrapassados, a difamação e a calúnia podem tornar-se comuns e todos os padrões éticos e o respeito pelo bom nome dos outros podem ser abandonados… É surpreendente que, às vezes, ao afirmar defender os outros mandamentos, ignoram completamente o oitavo, que proíbe dar falso testemunho ou mentir, e vilificar implacavelmente os outros. Aqui vemos como a língua desprotegida, incendiada pelo inferno, incendeia todas as coisas (cf. Tg 3, 6)”.

Aparentemente, o Papa Francisco não vê “falso testemunho ou mentir” no seu discurso mais ou menos constante contra os católicos ortodoxos, nem percebe que “vilific[a] implacavelmente os outros” quando os denuncia, quase diariamente, como hipócritas rígidos. Como aconteceu com a flagrante adulteração feita pelo Vaticano da, agora infame, carta falsamente apresentada como o apoio de Bento XVI à “teologia do Papa Francisco”, Francisco evidentemente não se apercebe da trave à frente do seu próprio olho.

Podemos, no entanto, encontrar esperança no facto de que esta dura polémica papal não está a enganar ninguém que não queira ser enganado e que o número de fiéis que estão a despertar relativamente ao engano aumenta de dia para dia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 11 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 4/2018

Declaração Final da Conferência de Roma reafirma a doutrina católica e responde aos “dubia”

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Por Maike Hickson

Hoje, dia 7 de abril, teve lugar em Roma a tão aguardada conferência “Igreja Católica, para onde vais?”. A conferência foi inspirada pelo falecido Cardeal Carlo Caffarra – um dos quatro cardeais dos dubia – que morreu em setembro passado. No final da conferência, foi emitida uma Declaração Final em nome dos participantes, clérigos e leigos, que reafirma a infalível doutrina da Igreja a respeito de questões morais como o casamento e atos intrinsecamente maus, respondendo, deste modo, aos cinco dubia iniciais que, 18 meses depois de terem sido submetidos pela primeira vez ao Papa Francisco, nunca obtiveram resposta.

A importância da Declaração Final está no facto de ter sido divulgada na presença e com o apoio dos quatro principais prelados que levantaram as suas fortes vozes de resistência católica contra a confusão e o erro propagados pelo Papa Francisco, a saber: o Cardeal Walter Brandmüller , o cardeal Raymond Burke, o cardeal Joseph Zen e o bispo Athanasius Schneider. Foi também ali apresentada uma breve mensagem em vídeo do cardeal Carlo Caffarra. Nos próximos dias publicaremos um relatório mais extenso sobre o conteúdo de toda a conferência. Por hoje, apenas apresentamos aos nossos leitores esta histórica Declaração Final intitulada “Portanto, damos testemunho e confessamos…”, que é sucinta e clara.

A Declaração Final começa com a referência à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia e ao seu efeito de confusão sobre os fiéis. Assinala que nem o Apelo Filial de quase um milhão de signatários, nem a Correção Filial de 250 académicos, nem os dubia dos quatro cardeais receberam uma resposta do Papa Francisco. Portanto, dizem os autores, “nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica”. Assinala também “a importância de os leigos darem testemunho da fé”. De seguida, os autores reafirmam, em seis pontos, o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento, o adultério, a questão de uma consciência subjetiva defeituosa, as normas morais absolutas, a necessidade de uma forte intenção de mudar o modo de vida para receber uma absolvição sacramental válida e ainda o facto de que os divorciados “recasados” que não pretendem viver em continência não podem receber a Sagrada Comunhão.

Eis o texto completo da declaração:

“Portanto, damos testemunho e confessamos…”

Declaração final da conferência “Igreja Católica, para onde vais?”

Roma, 7 de abril de 2018

Devido a interpretações contraditórias da Exortação Apostólica Amoris laetitia, tem alastrado o descontentamento e a confusão entre os fiéis do mundo inteiro.

O pedido urgente de esclarecimento apresentado ao Santo Padre por cerca de um milhão de fiéis, mais de 250 académicos e vários cardeais, não obteve resposta.

No meio do grave perigo que se levantou para a fé e para a unidade da Igreja, nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica.

O Concílio Vaticano II nos autoriza e encoraja a fazê-lo, afirmando em Lumen Gentium n. 33: “Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7)”.

O beato John Henry Newman também nos encoraja a fazê-lo. No seu ensaio profético “On consulting the faithful in matters of doctrine [Sobre a consulta aos fiéis em assuntos de doutrina]”, de 1859, falou da importância dos leigos darem testemunho da fé.

Portanto, de acordo com a tradição autêntica da Igreja, damos testemunho e confessamos que:


1) Um casamento ratificado e consumado entre duas pessoas batizadas só pode ser dissolvido pela morte.

2) Por consequência, os cristãos unidos por um casamento válido que se juntam a outra pessoa enquanto o seu cônjuge continua vivo cometem o grave pecado do adultério.

3) Estamos convictos de que este é um mandamento moral absoluto que obriga sempre e sem exceção.

4) Estamos também convictos de que nenhum julgamento de consciência subjetivo pode fazer bom e lícito um ato intrinsecamente mau.

5) Estamos convictos de que o julgamento sobre a possibilidade de administrar a absolvição sacramental não se baseia na imputabilidade do pecado cometido, mas na intenção do penitente de abandonar um modo de vida que é contrário aos mandamentos divinos.

6) Estamos convictos de que as pessoas divorciadas e civilmente recasadas, que não estão dispostas a viver em continência, estão a viver numa situação objetivamente contrária à lei de Deus e, portanto, não podem receber a Comunhão Eucarística.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» (Jo 8, 31-32).

Com esta confiança, confessamos a nossa fé diante do supremo pastor e mestre da Igreja juntamente com os bispos e lhes pedimos que nos confirmem na fé.

(tradução livre a partir do texto publicado em inglês no 1P5)

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Cardeal Carlo Caffarra, em Roma, a 19 de maio de 2017:

Basto 4/2018

Cardeal Kasper: as uniões homossexuais são “análogas” ao casamento cristão

marx.kasper

Por Matthew Cullinan Hoffman

14 de março, 2018 (LifeSiteNews) – O cardeal Walter Kasper, cuja teologia parece ser a principal inspiração da doutrina do Papa Francisco para a abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em estado de adultério em segundos casamentos, parece agora afirmar que as uniões homossexuais possuem “elementos” do casamento cristão, sendo até mesmo “análogas” àquelas, no sentido em que são semelhantes à relação entre a Igreja Católica e as comunidades cristãs não-católicas.

Mais até, o cardeal atribui as suas reivindicações à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia, apesar de o documento contradizê-lo explicitamente.

“O papa não deixa margem para dúvidas em relação ao facto de que casamentos civis, uniões de facto, novos casamentos depois de um divórcio (Amoris Laetitia 291) e uniões entre pessoas homossexuais (Amoris Laetitia 250s) não correspondem à conceção cristã de casamento“, escreve Kasper num livro recentemente lançado sobre Amoris Laetitia.

“Ele diz, no entanto, que alguns desses parceiros podem perceber de forma parcial e análoga alguns elementos do casamento cristão (Amoris Laetitia 292)”, continua Kasper.

Kasper compara essas relações com a relação entre a Igreja Católica e os grupos cristãos não-católicos relativamente aos quais o Concílio Vaticano II afirma que contêm “elementos de santificação e verdade” da Igreja.

“Tal como fora da Igreja Católica existem elementos da Igreja verdadeira, nas uniões acima mencionadas podem existir elementos presentes no casamento cristão, embora não realizem completamente, ou ainda não realizam completamente, o ideal”, acrescenta Kasper .

As declarações aparecem no pequeno livro de Kasper, “A Mensagem da Amoris Laetitia: Uma Discussão Fraternal”, recentemente publicado, simultaneamente, em alemão e italiano.

Na mesma obra, Kasper também insinua que a Amoris Laetitia abre o caminho para permitir o uso da contraceção, uma prática universalmente condenada pelas Escrituras, pelos Pais da Igreja e pelo Magistério Papal, mais recentemente pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.

Kasper observa que, na Amoris Laetitia, o Papa apenas “incentiva o uso do método de observar os ciclos de fertilidade natural” e “não diz nada sobre outros métodos de planeamento familiar, evitando todas as definições casuísticas”. No contexto das passagens do livro sobre a comunhão para aqueles que cometem adultério em segundos “casamentos”, que usa linguagem semelhante, Kasper parece reivindicar que o Papa permite exceções à condenação que a Igreja faz sobre o controlo artificial da natalidade.

Kasper contradiz João Paulo II – e até mesmo a Amoris Laetitia

As palavras de Kasper sobre as uniões homossexuais parecem contrariar diretamente não apenas os ensinamentos de João Paulo II, mas até mesmo a Amoris Laetitia, o documento que ele pretende explicar.

Sob o pontificado de João Paulo II e a administração do cardeal Josef Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), a Congregação para a Doutrina da Fé expressou repúdio perante a ideia de que as uniões homossexuais possam ser consideradas “análogas” ao casamento. O documento foi emitido em 2003 e recebeu a aprovação de João Paulo II.

“Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família”, declarou a Congregação. “O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais «fecham, de facto, o ato sexual ao dom da vida».” Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar.

Os parágrafos da Amoris Laetitia citados por Kasper para justificar o tratamento das uniões homossexuais como “análogas” ao casamento não possuem uma referência clara às uniões homossexuais, referindo-se meramente aos “elementos construtivos nessas situações que ainda ou já não correspondem ao ensinamento sobre casamento“.

No entanto, a Amoris Laetitia afirma no parágrafo 251: “No decurso dos debates sobre a dignidade e a missão da família, os Padres Sinodais anotaram, quanto aos projetos de equiparação ao matrimónio das uniões entre pessoas homossexuais, que não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família.” Francisco e os Padres Sinodais citam o mesmo documento de 2003 da Congregação para a Doutrina da Fé acima mencionado.

Bispos alemães procuram legitimar uniões homossexuais

O aparente desejo do cardeal Kasper de legitimar as uniões homossexuais reflete o pensamento de vários bispos influentes na hierarquia alemã.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, bispo Franz-Josef Bode, disse recentemente que as uniões homossexuais incluem aspetos “positivos e bons” e propôs bênçãos para estas. Fez também comentários semelhantes em 2015.

O cardeal Reinhard Marx, membro do Conselho de Consultivo de Cardeais do Papa, no início deste ano, aparentemente apoiou a possibilidade de se abençoar as uniões homossexuais, mas depois parece ter retrocedido, após uma pesada crítica, afirmando que apenas queria dar a esses casais “encorajamento espiritual”.

Em junho de 2015, o bispo Heiner Koch, de Dresden-Meissen (agora arcebispo de Berlim), foi citado pelo jornal alemão Die Tagespost deste modo: “Qualquer vínculo que fortaleça e mantenha as pessoas, a meu ver, está bem; isso aplica-se também às relações homossexuais”.

A página dos bispos alemães Katholisch.de publicou um artigo em 2015 defendendo a noção de bênção das uniões homossexuais e atacando o bispo alemão Stefan Oster, que supervisiona a diocese de Passau, pela defesa do tradicional ensinamento moral da Igreja a respeito da sexualidade.

O próprio cardeal Kasper apoiou publicamente a aprovação irlandesa da legalização do “casamento” homossexual em 2015, dizendo: “Um Estado democrático tem o dever de respeitar a vontade do povo; e parece claro que, se a maioria das pessoas quer essas uniões homossexuais, o Estado tem o dever de reconhecer esses direitos”.

Não obstante, em fevereiro, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, antigo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou tais bênçãos, da mesma forma que alguns outros bispos alemães e austríacos.

“Se um padre abençoa um casal homossexual, isso é uma atrocidade num lugar sagrado, na verdade, para aprovar algo que Deus não aprova”, afirmou Müller.

Kasper está preocupado com a palavra “heresia” usada contra as doutrinas do Papa

Ao anunciar a publicação do livro, Kasper queixou-se de que as pessoas têm usado a palavra “heresia” para descrever o ensinamento de que a Sagrada Comunhão pode ser dada a pessoas em estado habitual de adultério, que parece ser o que Papa Francisco ensina na sua exortação apostólica Amoris Laetitia.

“Há um debate muito azedado [sobre o ensinamento do Papa], muito forte, com acusações de heresia”, disse Kasper numa entrevista recente ao Vatican News, serviço noticioso oficial da Santa Sé, sobre [o livro] “A Mensagem da Amoris Laetitia“.

No seu livro, Kasper protesta contra os teólogos que acusaram Francisco de heresia, escrevendo em nota de rodapé: “Quem, para além do Magistério, tem o direito de fazer uma acusação desse tipo? Já não tem validade o princípio de que até que alguém seja legitimamente condenado deve ser considerado dentro da ortodoxia da Igreja? “

Kasper também afirmou em entrevistas que a Amoris Laetitia é fácil de compreender.

“A linguagem deste documento é tão clara que qualquer cristão pode compreendê-la. Não é uma teologia complexa, incompreensível para as pessoas”, disse Kasper. “O povo de Deus está muito contente e feliz com este documento porque dá espaço à liberdade, mas também interpreta a substância da mensagem cristã numa linguagem compreensível. Então, o povo de Deus entende! O Papa tem uma ótima ligação ao Povo de Deus”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 14 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2018

 

Frases que nos fazem pensar: D. Manuel Linda

bispo.do.porto.jpg “Sei que há alguns casais recasados, que já tinham vivido em matrimónio canónico e que depois refizeram a sua vida e estão noutro casamento já não canónico, que por motivos de fé e da sua convicção interior e de consciência, de facto vivem em abstinência sexual. Mas temos de nos perguntar: isso é mesmo família? Estou convencido de que não é bem família.”

(D. Manuel Linda, Bispo do Porto)

Contexto da frase:

Entrevista concedida ao jornalista João Francisco Gomes a 15 de março de 2018, dia em que foi nomeado bispo do Porto (durante a qual se confessou fã do Papa Francisco “a 200%”); in Observador, 17 de março de 2018.

Basto 3/2018