Gloriosa Assunção de Nossa Senhora ao Céu

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Catedral de Parma, Itália (fresco de Antonio da Correggio, 1530)

44. “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”

45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

(Papa Pio XII in Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1 de novembro de 1950)

Basto 8/2017

Nossa Senhora da Oliveira

A sua imagem é venerada na Igreja da Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira em Guimarães. Foi a padroeira do Reino até ao ano de 1646.

Senhora da Oliveira2
Imagem de Nossa Senhora da Oliveira, Guimarães, 2016

D. João I tinha sido aclamado Rei de Portugal a 6 de Abril de 1385 na conclusão do período de anarquia que avassalou o país durante um interregno de mais de dois anos. Logo depois, a 14 de Agosto do mesmo ano, as tropas portuguesas, em inferioridade numérica, lideradas pelo seu monarca e pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira – hoje São Nuno de Santa Maria -, tiveram de travar a Batalha de Aljubarrota, onde estava em causa a independência nacional face ao Reino de Castela (Espanha). O rei, em desespero de causa, orou pela vitória das tropas portuguesas à Nossa Senhora da Oliveira.

D. João I - Senhora da Oliveira
Voto de D. João a Nª Sª da Oliveira na Batalha de Aljubarrota – pintura de Francisco da Silva, séc. XVII

Após a vitória portuguesa, D. João I deslocou-se a Guimarães para agradecer à Virgem a protecção e ajuda concedidas e, para além de importantes doações, mandou reedificar a Igreja, a cuja sagração assistiram os reis e os príncipes. Para agradecer esta vitória a Santa Maria, D. João I mandou ainda edificar o sumptuoso Mosteiro de Santa Maria da Vitória no sítio onde teve lugar essa batalha, o qual fica, curiosamente, a apenas escassos quilómetros de Fátima.

Batalha de Aljubarrota
Batalha de Aljubarrota – Gravura integrada num manuscrito pertencente à British Library

Na noite de ontem, 14 de agosto, como é costume todos os anos, a imagem percorreu algumas ruas da cidade de Guimarães em procissão. Partiu do Largo da Oliveira, subiu a Rua de Santa Maria até ao Largo Martins Sarmento, para depois fazer o Caminho do Castelo até à Igreja de São Miguel. Hoje, dia 15 de agosto, coincidindo com a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, realizou-se a procissão em sentido inverso até ao lugar habitual da imagem na Igreja da Colegiada.

Senhora da Oliveira
Andor de Nª Sª da Oliveira preparado para a procissão, Guimarães, 2016

 

Rua de Santa Maria
Rua de Santa Maria, Guimarães, 2016

 

Rua de Santa Maria2
Elaboração da passadeira na Rua de Santa Maria, Guimarães, 2016

Este é apenas um dos vários exemplos históricos da forte devoção da nação portuguesa à Virgem Santa Maria, ainda hoje vivo ali mesmo onde nasceu Portugal. É também mais uma prova de que a forte devoção a Nossa Senhora faz parte da essência de Portugal e da Portugalidade espalhada pelo mundo.

Os vimaranenses estão de parabéns por, mais uma vez, em missa solene, terem honrado a Rainha de Portugal.

Basto 8/2016