Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Cardeal Burke na cidade do Porto

O cardeal D. Raymond Burke terminou ontem a sua visita a Portugal na cidade do Porto, onde apresentou o seu mais recente livro “O Amor Divino Encarnado”.

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Cardeal D. Raymond Leo Burke no auditório do Hotel Ipanema Park, no Porto, 06/11/2017.

Independentemente das opiniões que cada um possa ter, este cardeal é uma figura da Igreja que dispensa qualquer tipo de apresentação, merecendo, portanto, todo o respeito fraternal e institucional. No entanto, a sua presença na segunda cidade mais importante do país parece que não conseguiu atrair um único representante do clero nortenho. A julgar pela indumentária dos presentes, o único sacerdote que ali se deslocara percorreu mais de uma centena de quilómetros para marcar presença.

A edição portuguesa deste livro encontra-se à venda na página da editora Caminhos Romanos.

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Neste livro, o Cardeal Raymond Burke analisa a beleza e o poder da Sagrada Eucaristia, à luz dos ensinamentos de São João Paulo II e Bento XVI.

(in contracapa do livro “O Amor Divino Encarnado”, do Cardeal Burke)

Por vezes parece que entramos num novo paradigma religioso.

Basto 11/2017

Cardeal Burke: “urgência” em resolver os dubia “pesa bastante no meu coração”

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Por Claire Chretien

PARRAMATTA, Austrália, 22 de setembro, 2017 (LifeSiteNews) – Morreram dois dos quatro cardeais dos dubia que buscavam clareza moral junto do Papa Francisco a respeito dos seus controversos ensinamentos sobre o casamento e a família. Isso, contudo, não impedirá os restantes dois cardeais de continuarem o “importante trabalho de resolução dos dubia“, afirmou o cardeal Raymond Burke, um dos signatários dos dubia, em nova entrevista.

Numa ampla entrevista ao Catholic Outlook da diocese católica de Parramatta, Burke disse que “a urgência de uma resposta aos dubia deriva do dano causado às almas pela confusão e pelo erro que se produz enquanto as questões fundamentais levantadas não são respondidas de acordo com o constante ensino e prática da Igreja”.

Essa urgência “pesa muito no meu coração”, afirmou.

A confusão acerca da Amoris Laetitia levou as pessoas a “sentir que a Igreja não é um ponto de referência seguro”, disse Burke.

“Não há clareza sobre esses assuntos”, disse ele. “Essas pessoas estão numa situação muito complicada. É demonstrável, é um facto que temos conferências episcopais que se contradizem a respeito da Amoris Laetitia, os Bispos contradizem-se; temos fiéis leigos que discutem uns com os outros sobre isso; e tantos sacerdotes sofrem particularmente porque os fiéis chegam até eles à espera de certas coisas que não são possíveis, isto porque receberam uma dessas interpretações erróneas da Amoris Laetitia. Como resultado, deixam de entender o ensinamento da Igreja”.

“Sabemos que na Igreja temos apenas um guia, o Magistério, o ensinamento da Igreja, mas agora parecemos estar divididos entre os chamados campos políticos”, explicou Burke. “Além disso, mesmo a linguagem utilizada é muito mundana e isso preocupa-me muito.”

Burke, um dos mais firmes defensores da ortodoxia católica, disse que a Igreja pode dar “rumo” e conduzir à transformação cultural “em termos de respeito pela vida humana, respeito pela integridade da família e respeito pela liberdade religiosa”.

Burke sente a perda dos irmãos cardeais

Ele expressou ainda a sua tristeza pela perda de dois dos quatro signatários dos dubia, nomeadamente os cardeais Joachim Meisner e Carlo Caffarra. Dos quatro, apenas ele e o cardeal Walter Brandmüller continuam vivos.

Contou que Caffarra “sofreu profundamente” porque “a confusão e o erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

“Ao longo dos anos fui abençoado pela amizade do cardeal Carlo Caffarra, um excelente sacerdote e um académico em teologia do casamento e da vida familiar altamente conceituado”, afirmou Burke. “Durante os últimos três anos, trabalhei muito de perto com ele na defesa do casamento e da vida familiar face a uma crescente confusão e até mesmo erro, os quais entraram também na Igreja”.

“Em todos os encontros com o cardeal Caffarra fiquei impressionado com sua pureza de coração e com seu caráter totalmente sacerdotal”, continuou Burke. “Ele amava Cristo e o Seu Corpo Místico, a Igreja, com todo o seu coração. Por essa razão, sofreu profundamente pelo facto de que a atual situação de “confusão e erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

No entanto, Caffarra “nunca questionou a presença de Nosso Senhor connosco, de acordo com a Sua promessa aos discípulos, e nunca questionou a intercessão maternal da Virgem Mãe de Nosso Senhor”.

“Enquanto estamos tristes por perder a colaboração terrena desses dois grandes pastores e prelados, estamos certos de que eles continuarão a ajudar-nos com as suas orações inspiradas na sua caridade pastoral duradoura”, assegurou Burke.

Os liberais da Igreja “fazem ataques pessoais” enquanto apelam ao “diálogo”

Burke explicou que é muitas vezes mal retratado pelos média que o apresentam fundamentalmente em oposição ao Papa.

“Retratam o Papa Francisco como uma pessoa maravilhosa e aberta e não há nada de errado com isso, mas descrevem-me como o oposto”, disse Burke. “Eu acredito que qualquer pessoa que tenha tido alguma experiência comigo enquanto sacerdote ou bispo diria que sou muito pastoral e, de facto, não vejo nenhuma contradição entre ser pastoral e ser fiel no anúncio dos ensinamentos da Igreja e no cumprimento das leis da Igreja.”

“Eles fazem uma caricatura de alguém que pede clareza sobre certos assuntos, dizem “bem, ele é o inimigo do Papa” e está a tentar construir uma oposição ao Papa, o que, de todo, não é o caso, como é evidente“, disse Burke.

Burke criticou a tendência dos progressistas da Igreja que atacam pessoalmente qualquer pessoa que discorde deles enquanto fingem que são a favor do “diálogo”.

“Aquilo que me apercebo constantemente é que os ditos liberais, as pessoas que incitam à revolução na Igreja e tudo o mais, são liberais e querem diálogo mas só enquanto concordamos com eles”, disse Burke. “A partir do momento em que colocamos uma questão, eles tornam-se muito arrogantes, fazem ataques pessoais, aquilo a que chamamos argumentos de ad hominem, entre outras coisas. Isso realmente não é útil. Estamos a falar de verdades, estamos a falar de factos e devemos evitar esses tipos de ataques”.

“É um modo muito mundano de tratar as coisas, o qual não deve existir na Igreja, mas é aí que estamos neste momento”, disse ele. “As pessoas até fazem comentários depreciativos sobre outras pessoas quando não concordam com elas”.

“Bem, refiro-me a: «O que é que eu dise que não é verdade?» E eu respondo a isso”, continuou o cardeal. “Se me acusarem simplesmente de estar «fora de tom», «fora de contacto», ou seja o que for, «medieval», ou iludido, não há resposta para isso”.

Burke disse que reza pelos cardeais e outros na Igreja que o atacam.

“Eles são cardeais da Igreja” e em “posições de enorme responsabilidade”, afirmou. “Tenho também uma certa fraternidade com eles como membros do mesmo Colégio, o Colégio dos Cardeais, portanto nem é preciso dizer” que rezo por eles.

Esperança em Nosso Senhor

Burke encorajou os católicos a nunca desistirem da esperança, “independentemente de qualquer confusão ou mesmo divisões que entrem na Igreja”.

“Devemo-nos agarrar de forma mais fiel ao que a Igreja sempre ensinou e praticou”, disse o cardeal. “E assim iremos realmente salvar as nossas próprias almas, com a ajuda da graça de Deus, da qual, obviamente, nos devemos sempre aproximar.”

“Nosso Senhor está sempre connosco na Igreja”, continuou ele. “Ele é o nosso principal sacerdote e guia, portanto devemos ter confiança em seguir uma vida cristã. Devemos ter esperança Nele”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

Correção Formal ao Papa Francisco: 12 factos que é preciso conhecer

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Por Dorothy Cummings McLean

ROMA, Itália, 18 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Em entrevista ao The Wanderer, no dia 14 de agosto, o cardeal Leo Burke afirmou ser “necessária” uma “correção” formal de alguns dos ensinamentos do Papa Francisco a respeito do casamento e da família.

Aqui estão 12 factos sobre a correção proposta:

1) A correção será uma tentativa de eliminar a confusão e sanar as divisões na Igreja Católica causadas por divergentes interpretações da exortação pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

2) A correção seguirá os cinco dubia (perguntas) sobre as implicações doutrinais dos parágrafos 300 a 305 da Amoris Laetitia enviados ao Papa Francisco e ao Cardeal Gerhard Müller, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 19 de setembro de 2016.

3) Os dubia, assim como a carta anexa, foram assinados pelos cardeais Walter Brandmüller, Carlo Caffarra, Joachim Meisner (agora falecido) e Raymond Burke.

4) O Papa Francisco optou por não responder aos dubia e, por conseguinte, a confusão e a divisão a respeito da Amoris Laetitia mantêm-se dentro da Igreja Católica, necessitando de uma correção.

5) Como evidência desta divisão, afirmou o cardeal Burke ao The Wanderer, “Os bispos contam-me que, quando insistem no verdadeiro ensinamento da Igreja a respeito das uniões matrimoniais irregulares, as pessoas simplesmente rejeitam os seus ensinamentos. Dizem que outro bispo ensina de modo diferente e eles preferem segui-lo”.

6) Como evidência adicional da divisão, o cardeal Burke citou o arcebispo de Malta, que declarou que os bispos malteses “seguem o ensinamento do Papa Francisco e não o de outros Papas”, uma afirmação que o cardeal Burke considera “chocante”.

7) Apesar de não ter acontecido durante séculos uma correção formal a um Pontífice reinante em questões doutrinárias, já houve correções a Papas anteriores em várias questões, incluindo assuntos administrativos.

8) A correção proposta afirmará o ensino claro da Igreja Católica a respeito do casamento, família, atos intrinsecamente maus e outros assuntos postos em causa pela Amoris Laetitia, confrontando-os com o que tem sido “de facto ensinado” pelo Papa Francisco.

9) Se houver uma correção, ela chamará o Papa Francisco a corrigir os seus ensinamentos em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja.

10) A correção constituirá uma declaração formal à qual o Papa Francisco será, na opinião do cardeal Burke, “obrigado” a responder.

11) O cardeal Burke afirmou que o Pontífice Romano é o princípio da unidade entre todos os bispos, tendo portanto a responsabilidade de pôr termo à atual divisão entre os bispos através de um pronunciamento claro do ensinamento da Igreja.

12) Rejeitando qualquer tipo de cisma formal, o cardeal Burke acredita que existe atualmente apostasia dentro da Igreja, conforme fora previsto por Nossa Senhora de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18  de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Cardeal Burke Repete: Rússia deve ser explicitamente consagrada ao Imaculado Coração

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Por Christopher A. Ferrara

Numa entrevista exclusiva ao The Wanderer, o Cardeal Raymond Burke apelou uma vez mais à consagração explícita da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo nome, como Nossa Senhora de Fátima pediu quase há um século atrás (1929) depois de prometer à Irmã Lucia de Fátima, há exatamente um século (1917), que voltaria para fazer esse pedido quando “chegou o momento.”

No decorrer da entrevista, na qual o cardeal também discutiu a “batalha final” sobre o casamento e a família agora em curso no seio da Igreja (graças ao falso sínodo), bem como na sociedade civil, o cardeal deparou-se com a seguinte questão sobre a alegação de que a Irmã Lúcia confirmou que a cerimónia realizada por João Paulo II em 25 de Março de 1984, na qual qualquer menção à Rússia fora deliberadamente omitida, satisfez de algum modo o pedido de consagração dessa mesma nação não mencionada:

Questão: De acordo com documentos de Fátima… A Ir. Lúcia escreveu, em 29 de agosto de 1989, que a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria feita pelo Papa São João Paulo II em 25 de março de 1984 cumpriu o pedido de Nossa Senhora. No Fórum da Vida em Roma, há cerca de três meses atrás, você exortou os fiéis católicos a “trabalharem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”. O que é que a consagração a que você apela implica; é mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita?

Primeiro que tudo, para a alegação de que a Lucia “escreveu” em 1989, que a cerimónia de 1984, que deliberadamente não mencionou a Rússia, era uma consagração da Rússia, o artigo “Cronologia de um encobrimento” de um encobrimento publicado pelo The Fatima Center, explica:

Em Setembro de 1985, numa entrevista à revista Sol de Fátima (publicada em Espanha pelo Exército Azul), a Irmã Lúcia confirmou que a consagração ainda não tinha sido feita porque a cerimónia de 1984 não mencionara a Rússia e os Bispos Católicos de todo o mundo não tinham participado. Ainda no mesmo ano, o Cardeal Édouard Gagnon reconheceu noutra entrevista que a consagração ainda não tinha sido feita conforme fora pedida. Mais tarde, protestou pelo facto de as suas observações terem sido publicadas, embora não desmentisse tê-las feito.

Durante muitos anos, uma prima da Irmã Lúcia, Maria do Fetal, referiu-se publicamente ao facto de a Irmã Lúcia dizer que a consagração não tinha sido feita. Maria do Fetal continuou a manter esta posição até meados de 1989, altura em que a alterou, de repente, de acordo com as “instruções” do Vaticano reveladas pelo Pe. Coelho.

Além disso, ninguém contesta que a Irmã Lúcia insistiu que a cerimónia conduzida por João Paulo II em 1982, que também acabou por não mencionar a Rússia nem envolver os bispos de todo o mundo, não cumprira o pedido de Nossa Senhora. Na verdade, nada menos que o L’Osservatore Romano publicou o seguinte testemunho do sacerdote amigo e confidente de Lúcia, Pe. Umberto Maria Pasquale, S.D.B., a 12 de maio de 1982, cerca de dois meses depois da cerimónia de 1982:

Eu queria esclarecer a questão da Consagração da Rússia, recorrendo à fonte. Em 5 de agosto de 1978, no Carmelo de Coimbra, tive uma longa entrevista com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia. A determinado momento disse-lhe: “Irmã, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Se você não puder responder-me, que assim seja! Mas se puder responder a isto, eu ficaria muito agradecido por me esclarecer um assunto que para muitas pessoas não parece claro… Alguma vez Nossa Senhora falou consigo sobre a consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração?” -“Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria, em 1917, Nossa Senhora prometeu: virei pedir a consagração da Rússia… para evitar a propagação de seus erros pelo mundo, guerras entre várias nações e perseguições contra a Igreja... Em 1929, em Tuy, tal como tinha prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que tinha chegado o momento de pedir ao Santo Padre pela consagração desse país (Rússia)”…

Então, o que mudou entre o momento da primeira cerimónia fracassada em 1982 e a segunda em 1984? Nada, exceto a abrupta e duvidosa mudança de posição atribuída à Irmã Lúcia, que nunca, nem uma única vez, foi autorizada a falar diretamente ao público sobre o assunto.

De qualquer forma, em resposta à pergunta do The Wanderer sobre se a consagração implica “mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita“, o Cardeal Burke deu esta esclarecedora explicação:

É exatamente isso; é tão simples como isso, ou seja, cumprir explicitamente o pedido de Nossa Senhora exatamente como ela o solicitou. Não há dúvidas de que o Papa São João Paulo II estava bem ciente da gravidade da situação, da necessidade de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Ele tencionou precisamente fazer isso em 25 de Março de 1984. Pela minha parte, eu acredito que ele tê-la-ia feito explicitamente, exceto que naquela ocasião alegou-se que, a fim de promover uma relação mais amigável com os países do Bloco do Leste, o nome da Rússia não deveria ser mencionado em particular.

Eu acredito que era intenção do Santo Padre – que ele fez, de facto – consagrar a Rússia. No entanto, também é minha convicção de que, dada a situação em que nos encontramos hoje, a consagração da Rússia deve ser feita explicitamente, exatamente como Nossa Senhora pediu (sem negar, de nenhum modo, a intenção de João Paulo II incluir a Rússia quando consagrou o mundo ao Seu Imaculado Coração). A minha intenção não é lançar acusações contra ninguém, mas antes responder ao tempo presente que é tão grave que impele a necessidade de realizar o que Nossa Senhora pediu exatamente conforme ela o pediu.

A repetição que eu peço desta consagração não é, de modo algum, para pôr em causa o que disse a Ir. Lúcia sobre o cumprimento de João Paulo II do que Nossa Senhora pediu. É simplesmente para responder mais uma vez a esse pedido e consagrar a Rússia de forma explícita. Ao mesmo tempo, é direito e dever dos fiéis pedir ao Papa Francisco para fazer essa consagração…

Com todo o respeito pelo cardeal, que confirma o que é óbvio – que a Consagração da Rússia precisa de mencionar a Rússia ao invés de não a mencionar deliberadamente – ele parece estar a tentar ter as duas coisas: que a intenção de João Pulo II de consagrar a Rússia bastou, concordando com a alegada observação da Irmã Lúcia (contrariada pelo seu próprio testemunho publicado), mas que a Rússia deverá, contudo, ser consagrada pelo nome. Isto é semelhante a declarar que a remoção de uma vesícula biliar é suficiente numa apendicectomia de emergência, porque a enfermeira disse que sim, mas, ainda assim, é melhor remover também o apêndice.

Pense-se na consagração da Rússia como o equivalente eclesial a uma apendicectomia de emergência, urgentemente necessária para prevenir e envenenamento fatal de todo o corpo da Igreja, que nenhum razoável observador do cenário eclesial pode negar que está sob ameaça neste exato momento. Que a Consagração vai finalmente ter lugar é certo, pois a Igreja é indestrutível e a vontade divina não pode ser frustrada, mas apenas (por vontade permissiva de Deus) impedida por um tempo pela perversidade humana. O que não é certo é quanta agonia a Igreja terá que sofrer antes que o remédio divino seja, finalmente, aplicado.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A petição dirigida ao Santo Padre pela consagração da Rússia pode ser assinada aqui.

Basto 8/2017

O mundo olha hoje para Portugal

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Neste dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que é também o dia do Anjo Custódio da nossa nação, o Anjo de Portugal, o mundo continua a olhar para nós…

Há 100 anos, Nossa Senhora confiou a Portugal a missão de conservar para sempre a Fé e o mundo sabe disso.

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Hoje, durante a atual crise de Fé que atravessa a cristandade, afetando principalmente os mais altos representantes da Igreja Católica, a humanidade olha ansiosamente para Portugal, à espera de um sinal claro da Terra de Santa Maria. O mundo necessita desse sinal anunciado em Fátima.

Basto 6/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017

Cardeal Burke mantém a intenção de corrigir os erros resultantes da Amoris Laetitia

Em resposta à questão colocada por um sacerdote, enquanto discursava na igreja paroquial de São Raimundo de Peñafort, em Springfield, Virginia, nos EUA, o cardeal Burke desmentiu o rumor de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa no que concerne às interpretações erradas do capítulo 8 da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, nomeadamente no que se refere à abertura da Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos.

Pe. De Celles: Se não houver resposta [aos”dubia”], qual será a resposta dos quatro cardeais?

Cardeal Burke: Então deveremos simplesmente corrigir a situação, novamente de uma forma respeitosa, que é simplesmente isso: deduzir a resposta às perguntas com base no ensino constante da Igreja e torná-lo conhecido para o bem das almas.

(Tradução: Fratres in Unum, 27/03/2017)

A recente afirmação do cardeal Raymond Burke, um dos signatários do “Apelo ao Papa por Esclarecimento”, mais conhecido com a carta com os “dubia”, tem relevância precisamente no presente momento em que se generalizou o rumor, com origem no famoso blogue Anonimi della Croce, de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa.

O Papa Francisco continua, até ao momento, sem dar resposta às questões colocadas pelos quatro cardeais há cerca de meio ano, a respeito da interpretação da controversa exortação apostólica que, desde há um ano para cá, tem produzido uma grande disparidade de interpretações pelo mundo fora. A confusão está instalada e aumenta a cada dia que passa…

Basto 3/2017

Papa Francisco à beira de dividir a Igreja

Em Espanhol:

Papa Francisco a punto de dividir la Iglesia

O vídeo acima, publicado no dia 23 de janeiro de 2017, é da responsabilidade do canal de televisão católico colombiano Tele Amiga, fazendo parte da série “Un Café con Galat”, produzida e dirigida pelo Dr. José Galat, presidente da Universidade La Gran Colombia.

 

In English:

Pope Francis about to divide the Catholic Church

The video shown above was aired on January 23rd 2017 by the Colombian Catholic television channel Tele Amiga as part of the series “A Coffee with Galat, produced and directed by Dr. José Galat, president of La Gran Colombia University.

Basto 1/2017