Cardeal Sarah: “Sem Deus e sem silêncio nós estamos perdidos”

No dia 12 de março de 2018, o cardeal D. Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, visitou a Universidade de Toronto, no Canadá. À noite, na Catedral de São Miguel, falou aos presentes sobre a importância do silêncio para o desenvolvimento de uma vida interior e um relacionamento com Deus.

Fonte: University of St. Michael’s College, Toronto University, 09/05/2018.

Tradução e legendagem: O Tradutor Católico, 18/06/2018.

Basto 6/2018

A bofetada de Francisco ao cardeal Sarah. Nos bastidores

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Por Sandro Magister

ROMA, 26 de outubro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – A carta com que Francisco corrigiu e humilhou recentemente o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, é a enésima prova de como este Papa exerce o seu magistério.

Quando Francisco quer introduzir uma inovação, nunca o faz através de palavras claras e compreensíveis. Ele prefere abrir discussões, pôr “processos” em andamento, nos quais as inovações são afirmadas gradualmente.

O exemplo mais evidente é a Amoris Laetitia, em relação à qual são dadas interpretações e aplicações contrastantes, com episcopados inteiros que se alinham de um ou do outro lado.

E quando lhe pedem esclarecimentos, ele recusa. Como no caso dos cinco dubia que lhe foram submetidos por quatro cardeais aos quais não se dignou a responder.

Mas quando um cardeal como Sarah, com a autoridade do cargo e competência, intervém, em relação a um motu proprio papal que diz respeito à liturgia, para dar a única interpretação que considera correta e que, portanto, é a única que deve seguir a congregação de que é prefeito, Francisco não permanece em silêncio, mas reage com dureza, em defesa dessas passagens do motu prorio – efetivamente nada claras – que contêm as liberalizações que lhe são queridas.

É exatamente isto o que aconteceu nos últimos dias.

Recapitulemos. No dia 9 de setembro, Francisco publica o motu proprio Magnum Principium sobre as adaptações e traduções para as línguas vernaculares dos textos litúrgicos da Igreja Latina.

Ao definir o papel da congregação para o culto divino no que diz respeito a adaptações e traduções dos textos litúrgicos preparados pelas conferências episcopais nacionais e submetidos à aprovação da Santa Sé, o motu proprio distingue entre “recognitio” e “confirmatio”, entre revisão e confirmação.

Mas esta distinção não está explicada de forma clara. E, na verdade, formaram-se imediatamente duas frentes entre os especialistas.

Há quem considere que o “recognitio”, que significa a revisão antecipada de Roma, diz respeito somente às adaptações, enquanto que, para as traduções, a Santa Sé precisa simplesmente dar uma “confirmatio”, ou seja, a sua aprovação.

E por outro lado, há quem mantenha isso também nas traduções, que Roma deve realizar uma revisão cuidadosa, antes de aprová-las.

Efetivamente, isso é o que era feito anteriormente e é por isso que várias novas traduções dos missais tiveram uma vida problemática – como as dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Irlanda – ou ainda estão à espera de aprovação de Roma, como as de França, Itália e Alemanha.

Em particular, a nova tradução do missal para alemão foi criticada pelo próprio Bento XVI, que em 2012 escreveu uma carta aos bispos, seus compatriotas, para convencê-los a traduzir de modo mais fiel as palavras de Jesus na última ceia, no momento da consagração:

> Diário do Vaticano / “Por muitos” ou “por todos”? A resposta certa é a primeira

Voltando ao motu proprio “Magnum Principium”, deve notar-se que foi redigido sem que o cardeal Sarah, prefeito de um dicastério cuja administração intermédia há muito remava contra si, tivesse conhecimento.

Em 30 de setembro, Sarah escreveu ao Papa Francisco uma carta de agradecimento acompanhada de um detalhado Commentaire, cuja finalidade era uma correta interpretação e aplicação do motu proprio, bem mais restritiva quanto às suas formulações polivalentes.

Segundo Sarah, “recognitio” e “confirmatio” são, na realidade, “sinónimos” ou, em qualquer caso, “intercambiáveis ​​ao nível da responsabilidade da Santa Sé”, cuja obrigação de rever as traduções antes de aprová-las continua intacta.

Doze dias depois, o “Commentaire” do cardeal apareceu em várias páginas da internet, levando à conclusão – dada função do autor do “Commentaire” – que em Roma a congregação para o culto divino atuaria de acordo com as suas diretrizes.

Isto irritou muito o Papa Francisco que, no dia 15 de outubro, assinou uma carta muito dura para desmentir o Cardeal Sarah.

Uma carta na qual o Papa atribui às conferências episcopais nacionais a liberdade e a autoridade para decidir sobre as próprias traduções, sob a única condição da “confirmatio” final da congregação do Vaticano.

E em qualquer caso – escreve o Papa – sem nenhum “espírito de «imposição» sobre as conferências episcopais de uma determinada tradução feita pelo dicastério” romano, também para “textos litúrgicos” significativos como as “fórmulas sacramentais, o Credo, o Pater noster.”

A conclusão da carta do Papa ao cardeal é venenosa:

Observando que a nota “Commentaire” foi publicada por alguns sites da internet e erroneamente atribuída à sua pessoa, eu peço gentilmente que o senhor providencie para que esta minha resposta seja divulgada nos mesmos sites, além de enviar a mesma a todas as Conferências Episcopais, aos membros e consultores do Dicastério.

Há um abismo entre esta carta de Francisco e as calorosas palavras de estima expressadas por escrito ao cardeal Sarah, há alguns meses, pelo “Papa emérito” Bento XVI. Que dizia que tinha a certeza de que com Sarah “a liturgia está em boas mãos” e, portanto, “devemos estar gratos ao Papa Francisco por ter nomeado um mestre espiritual à frente da Congregação que é responsável pela celebração da liturgia na Igreja”.

Escusado será dizer que o objeto do choque entre Francisco e Cardeal Sarah não é marginal, mas toca os alicerces da vida da Igreja, de acordo com a máxima antiga: “Lex orandi, lex credendi”.

Porque o “processo” que Francisco quer pôr em andamento é precisamente o de mudar – através de uma descentralização que devolve as traduções e as adaptações litúrgicas às Igrejas nacionais – toda a estrutura da Igreja Católica, transformando-a numa federação de Igrejas nacionais dotadas de extensa autonomia,”incluindo alguma autêntica autoridade doutrinal”.

Estas últimas palavras são da Evangelii gaudium, o texto programático do pontificado de Francisco.

Essas palavras eram enigmáticas quando foram publicadas em 2013. Hoje não são tanto.

A edição original deste texto foi publicada no Settimo Cielo a 26 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2017

Cardeal Robert Sarah foi a Fátima

Sua Eminência o cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, esteve hoje em Fátima. Rezou o terço ontem à noite e celebrou Missa hoje de manhã na Capelinha das Aparições. Foi uma celebração simples e discreta, proferida em Francês.

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Cardeal Robert Sarah, Fátima, 19/10/2016

O cardeal Robert Sarah foi, desde o início do Sínodo da Família, uma das vozes mais ativas e destemidas na defesa da família católica e da Eucaristia, opondo-se frontalmente às heresias e sacrilégios que aí tentaram impor-se através dos influentes prelados próximos do Papa Francisco.

Não enganem as pessoas com a palavra “misericórdia”, Deus perdoa os nossos pecados apenas se nos arrependemos deles.

Se a Eucaristia for considerada [simplesmente] uma ceia que nós partilhamos e da qual ninguém pode ser excluído, então o sentido de Mistério é perdido.

(Cardeal Sarah, 30/05/2015 in Rorate Caeli)

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Cardeal Robert Sarah, Fátima, 19/10/2016

 

A Igreja inteira sempre sustentou firmemente que ninguém pode receber a comunhão sabendo que se encontra em estado de pecado mortal, um princípio relembrado como definitivo por João Paulo II na sua encíclica de 2003 “Ecclesia de Eucharistia”, baseado naquilo que foi decretado pelo Concílio de Trento.

Nem mesmo um papa pode dispensar tal lei divina.

(Cardeal Sarah, 30/05/2015 in chiesa.espressonline.it)

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Cardeal Robert Sarah, Fátima, 19/10/2016

 

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Cardeal Robert Sarah, Fátima, 19/10/2016

Robert Sarah é um grande defensor da Sagrada Eucaristia, tendo já proposto aos sacerdotes, em diversas ocasiões, que retornem à celebração ad orientem e encoraja os fiéis a receberem a comunhão na língua e de joelhos.

A Europa (Roma incluída), assolada por uma crise de Fé, tem a honra de receber lições de doutrina de um piedoso cardeal proveniente da África Subsariana. Tenhamos a humildade para escutar as verdadeiras “periferias da Igreja”.

A sua visão sobre a Igreja e mundo de hoje foi publicada recentemente na obra “Deus ou Nada”, um livro que resultou de uma entrevista ao cardeal guineense.

 

Basto 10/2016