Frases que nos fazem pensar: Papa Bento XVI (2)

“O Papa é um só, Francisco.”m.bento.xvi

 

(Bento XVI, 265º Pontífice da Santa Igreja Católica Apostólica Romana e 1º Papa Emérito em toda a história do cristianismo)

Contexto da frase:

Clarificação de Bento XVI ao diário italiano Corriere della Sera numa entrevista, publicada esta semana, onde foram abordados temas como as “lutas internas” da Igreja e “cismas”; in Vatican News, 27/06/2019.

Basto 06/2019

 

Pós-texto (em 16/07/2019):

De acordo com a publicação LifeSiteNews, que traduziu a entrevista de italiano para inglês, não há qualquer evidência de que o Papa Bento XVI tenha proferido essa frase.

As fontes referidas são as seguintes:

  • Revista “Sette [7]”, suplemento de domingo do jornal “Corriere della Sera“, do dia 30 de junho de 2019 (aqui disponível em pdf).
  • Versão online, disponível na página web do “Corriere della Sera“, desde o dia 28 de junho de 2019.

Profecia de São Francisco sobre um futuro falso papa que destruirá a Igreja

Saint Francis of Assisi in Ecstasy
São Francisco de Assis em Êxtase – Antoon van Dyck (1627-1632); in banco de imagens do Museu do Prado.

A predição de “grandes cismas e tribulações na Igreja” é a 13ª profecia do capítulo “Algumas profecias de São Francisco” de um livro, com imprimatur do sec. XVIII, intitulado “Obras do Seráfico Pai São Francisco de Assis”. São Francisco terá revelado esta profecia aos membros da sua Ordem pouco tempo antes de morrer, portanto no primeiro quartel no séc. XIII.

O Santo profetiza grandes cismas e tribulações na Igreja

Pouco tempo antes da morte do santo Pai, ele reuniu os seus Filhos e alertou-os sobre as tribulações que haveriam de vir:

Meus Irmãos, ajam com bravura; tenham coragem e confiem no Senhor. Aproxima-se rapidamente o tempo em que haverá grandes provas e aflições, abundarão as perplexidades e discórdias, tanto espirituais como temporais, a caridade de muitos esfriará e a maldade dos ímpios aumentará.

Os demónios terão um poder invulgar. A pureza imaculada da nossa Ordem, assim como a de outras, estará tão obscurecida que haverá pouquíssimos cristãos a obedecer ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana com corações leais e caridade perfeita. Nos tempos dessa tribulação, um homem não canonicamente eleito será elevado ao Pontificado, que, com sua astúcia, empenhar-se-á em levar muitos ao erro e à morte.

Então os escândalos multiplicar-se-ão, a nossa Ordem será dividida e muitas outras serão completamente destruídas porque tolerarão o erro em vez de o combater.

Haverá tal diversidade de opiniões e cismas entre o povo, os religiosos e o clero, que, se aqueles dias não fossem abreviados, segundo as palavras do Evangelho, até os eleitos seriam levados ao erro, não fossem eles guiados, no meio de tão grande confusão, pela imensa misericórdia de Deus.

Então a nossa Regra e o nosso modo de vida serão violentamente combatidos por alguns e, sobre nós, cairão provas terríveis. Os que permanecerem fiéis receberão a coroa da vida, mas ai daqueles que, confiando apenas na sua Ordem, caírem na tibieza, pois esses não serão capazes de suportar as tentações permitidas como provação para os eleitos. Os que conservarem o seu fervor e mantiverem a sua virtude com amor e zelo pela verdade sofrerão injúrias e perseguições como se fossem rebeldes e cismáticos, uma vez que os seus perseguidores, instigados por espíritos malignos, dirão que prestam um grande serviço a Deus eliminando aqueles homens nocivos da face da Terra. Mas o Senhor será o refúgio dos aflitos e salvará todos os que em Ele confiam. E a fim de serem como o seu Mestre, estes, os eleitos, atuarão com confiança e, com a sua morte, obterão a vida eterna. Escolhendo obedecer a Deus em vez de obedecer aos homens, eles não terão medo de nada e preferirão morrer do que aprovar a falsidade e a traição.

Alguns pregadores manterão silêncio sobre a verdade, enquanto outros irão pisoteá-la e negá-la. A santidade de vida será desprezada até pelos que exteriormente a professam, pois, nesses dias, Nosso Senhor Jesus Cristo enviar-lhes-á não um pastor verdadeiro mas um destruidor.

(Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi, Washbourne, London, 1882, pp. 248-250, Imprimatur of the Bishop of Birmingham, William Bernard – tradução livre)

Fonte: saintsbooks.net (página acedida em 04/03/2019)
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

A esta distância temporal torna-se, obviamente, difícil provar ou negar a autenticidade desta profecia, no entanto, o seu conteúdo acaba por ser um forte motivo de reflexão e oração, atendendo à conjuntura por que atravessa a Igreja Católica atualmente.

Basto 03/2019

Querem que eu lidere um grupo contra o Papa, mas eu permanecerei com ele. No entanto, aqueles que se queixam deveriam ser ouvidos

c.muller

Excertos de uma entrevista conduzida por Massimo Franco do Corriere della Sera:

“Há uma frente de grupos tradicionalistas, tal como existe com os progressistas, que gostariam de me ver como líder de um movimento contra o Papa. Mas eu jamais farei isso. Servi a Igreja com amor durante 40 anos como sacerdote, 16 anos como professor universitário de teologia dogmática e 10 anos como bispo diocesano. Acredito na unidade da Igreja e não permitirei que ninguém explore as minhas experiências negativas dos últimos meses. As autoridades da Igreja, por outro lado, precisam de ouvir aqueles que têm sérias dúvidas ou justificadas reclamações; não os ignorando, ou pior, humilhando-os. Caso contrário, pode aumentar involuntariamente o risco de uma separação lenta, que pode levar a um cisma, de uma parte desorientada e desiludida do mundo católico. A história do Cisma Protestante de Martinho Lutero, de há 500 anos atrás, deveria ensinar-nos, acima de tudo, quais erros evitar.”

“O Papa confessou-me isto: «Disseram-me anonimamente que você é meu inimigo» sem explicar em que sentido” contou ele insatisfeito. “Depois de 40 anos ao serviço da Igreja, eu tive que ouvir isto: um absurdo criado por intriguistas que, em vez de incutirem preocupação no Papa, fariam melhor se visitassem um” psiquiatra”. Um bispo católico e cardeal da Igreja Romana está, por natureza, com o Santo Padre. Mas acredito, como disse Melchoir Cano, teólogo do séc. XVI, que os verdadeiros amigos não são aqueles que lisonjeiam o Papa, mas aqueles que o ajudam com a verdade e com a competência teológica e humana. “Em todas as organizações do mundo, delatores deste tipo servem-se apenas a eles próprios.”

“As tensões na Igreja surgem do contraste entre uma frente tradicionalista extremista presente em alguns sítios da internet e uma frente progressiva, igualmente exagerada, que hoje procura ganhar crédito como super-papista”.

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 27 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o artigo acima foi traduzido do texto publicado em inglês pelo Rorate Caeli, o qual, por sua vez, foi extraído e traduzido de uma entrevista publicada em italiano, no passado dia 26 de novembro, no Corriere della Sera. Toda a responsabilidade do texto pertence, portanto, ao seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017