Casais divorciados já comungam em Fátima

Bispo de Fátima mostra como não é difícil chegar a cardeal na nova Igreja de Francisco. Basta promover ativamente a pratica de Amoris Laetitia*.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Pois, Jesus disse mas eles querem lá saber… E logo na diocese de Fátima!

Leiria-Fátima
In edição impressa do Correio da Manhã do dia 04/02/2029 (recorte obtido nas redes sociais).

Esta nova misericórdia inventada pelo Papa Francisco, para além de oposta à infalível doutrina da Igreja, parece demasiado fácil. Não implica arrependimento ou contrição, pelo contrário, confirma as pessoas no pecado como se este fosse uma virtude.

Estamos mesmo a viver os piores castigos anunciados em Fátima, em 1917. Que Deus nos ajude!

*A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, é um sacrilégio que consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar da obstinação no adultério.

Basto 02/2020

Inédito: bispo italiano dirige um pedido de desculpas por escrito aos adúlteros da sua diocese

adultery.jpgPartindo da novíssima doutrina do Papa Francisco a respeito do matrimónio, D. Renato Marangoni, bispo da diocese de Belluno-Feltre, em Itália, publica carta onde pede desculpa aos divorciados que resolveram “começar novas experiências de união”, pelo facto de a Igreja, no passado, ter condenado o adultério e impedido de comungar as pessoas que se encontravam em estado de pecado mortal.

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In página oficial da diocese de Belluno-Feltre, 22/11/2019.

E com esta carta de desculpas, convida todos os adúlteros da diocese a comparecerem no Centro [pastoral] Papa Luciani, no primeiro domingo de dezembro, onde uma equipa especializada os ajudará na iniciação da prática de Amoris Laetitia.

Basto 11/2019

A nova Igreja Amoris Laetitia: adultério como fonte de graça e caminho de santificação pessoal

Sabemos agora que a Paróquia de Santa Isabel, no Patriarcado de Lisboa, pôs em prática a nova doutrina do Papa Francisco sobre o Matrimónio anteriormente à publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. A informação é da agência de notícias da Conferência Episcopal Portuguesa.

Conceitos-chave: nova união fora do Sacramento do Matrimónio, nova Igreja, Igreja inteligente, Igreja […] a mudar… E ainda, como não podia deixar de ser, discernimento, [nova] misericórdia e Papa Francisco.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Basto 04/2019

Diocese de Leiria-Fátima abre Sagrada Comunhão aos adúlteros

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Como se esperava, chegou agora a vez de D. António Marto publicar o seu documento que lança a prática de Amoris Laetitia* na diocese de Leiria-Fátima nos termos desejados pelo Papa Francisco. Os adúlteros poderão agora aceder à Sagrada Comunhão também na diocese portuguesa onde a Mãe de Deus veio dizer-nos que “os pecados que levam mais almas para o Inferno são os da carne” e que “muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus”.

O método de “discernimento” proposto pelo futuro cardeal D. António Marto foi assumidamente inspirado na heresia bracarense, mas apresenta algumas nuances trágico-cómicas dignas de nota, particularmente no que se refere ao exercício experimental pelo qual deverá passar a pessoa adultera e que deverá produzir resultados ao fim de 15 dias!

A diocese propõe que o adúltero viva uma semana de acordo com o ensinamento constante da Igreja, sendo convidado a “não aceder aos sacramentos”, porém, a partir do oitavo dia, deverá “fazer o oposto” durante toda a semana para experimentar também a nova solução de misericórdia do Papa Francisco.

Numa fase posterior (3ª semana?), o adúltero terá de elaborar “uma lista de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos” (onde, eventualmente, ponderará determinados pormenores como o destino eterno da sua alma, entre outros aspetos)… Depois de observado esse procedimento, o adúltero estará então em condições de tomar uma decisão “racional”.

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Síntese dos “passos” necessários para os adúlteros poderem ter “acesso aos sacramentos” na diocese de Leiria-Fátima; baseado em “Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado” da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.

À semelhança do que prevê o método discernimental da diocese de Portalegre-Castelo Branco, para além das conclusões “sim” e “não”, disponibilizar-se-á ainda uma terceira via destinada a quem reconhecer que a sua relação adúltera ainda não atingiu suficiente maturidade espiritual.

No que diz respeito ao acesso aos sacramentos, propõem-se os dois passos seguintes:

1. Fazer um exercício de conclusão do discernimento, como se segue: durante uma semana, rezar e viver como se a decisão fosse não aceder aos sacramentos, tomar consciência do que se vai sentindo, dos sentimentos espirituais, do que há de paz ou inquietação; na semana seguinte, fazer o oposto… rezar e viver como se a decisão fosse aceder aos sacramentos, tomando nota dos movimentos espirituais sentidos. Assim, vai-se percebendo por onde Deus chama, o que dá mais paz, o que aproxima mais d’Ele, da vida cristã e dos outros.

2. Para confirmar, através de um processo racional e a partir de tudo o que se leu, rezou, partilhou e ouviu, faça-se uma lista, em duas colunas, de ‘prós’ e ‘contras’ de aceder aos sacramentos. Noutro tempo, faça-se o mesmo processo com a possibilidade de não aceder aos sacramentos. Depois de “selecionados” os ‘prós’ e os ‘contras’ de uma e de outra possibilidades, ver o que se revela mais evidente. Como afirmado no início, pode ser: 1) aceder aos sacramentos; 2) não aceder aos sacramentos; 3) para já não, há passos ainda a dar na nossa vida e o discernimento deve continuar.

(Guia Prático para o Percurso de Discernimento Acompanhado; in Página Oficial da Diocese de Leiria-Fátima, junho de 2018.)

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Cartaz do musical “O Dia em que o Sol Bailou” encomendado pelo Santuário de Fátima para a celebração Centenário das Aparições; in página oficial do Santuário de Fátima.

* Voltamos aqui a repetir de forma clara para todos aqueles que ainda não puderam ou não quiseram compreender: A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério.

Que diriam os pastorinhos de todas estas modas loucas que chegaram a Fátima?

Basto 6/2018

Um segundo bispo austríaco assinou a declaração que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

O vaticanista Edward Pentin informou no passado mês de fevereiro, através da sua conta Twitter, que D. Elmar Fischer, bispo emérito da diocese de Feldkirch, na Áustria, também assinou a “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental, depois de um outro bispo austríaco já o ter feito.

A declaração publicada pelos bispos do Cazaquistão afirma que a leitura que o Papa Francisco faz da sua própria exortação apostólica é “estranha” a toda a tradição e fé católicas, causa “crescente confusão” e fará alastrar a “chaga do divórcio”.

Com a subscrição de D. Elmar Fischer, subiu para dez o número de bispos signatários, sendo um deles cardeal.

Basto 3/2018

Porquê o silêncio da maioria silenciosa?

São João Fisher

Por Christopher A. Ferrara

À medida que o desastre deste pontificado continua, tornou-se comum, mesmo na imprensa católica “convencional”, reconhecer que o Papa Francisco é um grande problema para a Fé, em relação ao qual algo deve ser feito.

Assim, como agora se juntaram mais dois arcebispos aos três bispos do Cazaquistão para declarar que a tentativa de Francisco autorizar a Sagrada Comunhão aos adúlteros públicos é “ilícita” e “estranha a toda a Tradição da fé católica e apostólica”, até o Pe. Alexander Lucie-Smith, ao escrever no moderado Catholic Herald, afirmou que “a notícia de que cinco bispos fizeram uma declaração que sustenta os ensinamentos da Igreja sobre o casamento e os seus ensinamentos sobre o divórcio são notícias inéditas”.

Considerem-se as implicações: devemos considerar como “notícias inéditas” a intervenção de apenas cinco bispos contra a tentativa do Papa de deixar a falsa impressão de que a sua posição lhe permite revogar o constante ensinamento e disciplina da Igreja enraizados na própria lei divina.

O Pe. Lucie-Smith observa que “é deprimente que apenas cinco [até ao momento] tenham subscrito [a declaração]”, visto que “[o]s bispos não estão a dizer nada de novo, mas apenas a reafirmar o que a Igreja, sempre e em todos os lugares, acreditou”. Mas Francisco não está a reafirmar o que a Igreja sempre e em todos os lugares acreditou, razão pela qual ele está errado e deve ser oposto por todos os sucessores dos Apóstolos. No entanto, apenas cinco assumiram o desafio. Isto é, no mínimo, “desolador”.

Então, onde estão os restantes 5 100 bispos do mundo inteiro? Pe. Lucie-Smith escreve:

“Haverá muitos que não assinam mas que apoiarão de coração o que é dito, podendo eu pensar em vários. Basta recordar como poucos aprovaram as diretrizes dos bispos de Malta, por exemplo, e como a grande maioria dos bispos do mundo não disse abolutamente nada sobre o assunto. «Mas notaram que a maioria dos bispos em todo o mundo estão notavelmente silenciosos?», como perguntou o Pe. Thomas Weinandy. Esses bispos constituem a maioria silenciosa: seria ótimo se todos falassem, mas talvez se possa apreciar as suas razões para manter o silêncio”.

Mesmo? Porque se deveria “apreciar” as razões pelas quais a maioria silenciosa dos bispos mantém silêncio sobre um ataque direto aos fundamentos do edifício moral da Igreja e aos seus ensinamentos sobre a indissolubilidade do casamento e a infinita dignidade do Santíssimo Sacramento? Posso pensar apenas em uma das razões: medo de represálias de “O Papa Ditador”.

O Pe. Lucie-Smith observa, no entanto, que não teve medo de assinar “a carta dos quinhentos ou mais sacerdotes” de Inglaterra, durante o falso Sínodo, para declarar a sua “fidelidade inabalável às doutrinas tradicionais sobre o casamento e o verdadeiro significado da sexualidade humana, fundada na Palavra de Deus e ensinada pelo Magistério da Igreja durante dois milénios”.

Então, qual é a desculpa dos bispos? E – novamente – onde estão os cardeais Burke e Brandmuller, que há muito tempo prometeram uma correção formal do erro que o Papa Francisco está a tentar agora impor como “autêntico Magistério”? Parece que o medo de um homem pôde superar o temor de Deus e o Seu julgamento, deixando apenas, no mundo inteiro, cinco bispos, alguns sacerdotes e leigos corajosos para defender a verdade de Cristo.

Algo semelhante à situação criada em Inglaterra pelo rei Henrique VIII, em que apenas um bispo, São João Fisher, resistiu à exigência de divórcio, está agora incrivelmente a repetir-se por toda a componente humana da Igreja. Mais um sinal de que uma intervenção divina, como nenhuma outra na história da Igreja, será necessária para corrigir as coisas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 4 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte portanto da publicação original.

Basto 1/2018

Arquidiocese de Bombaim elogia o Santo Padre por “abrir a Comunhão” aos adúlteros

A Arquidiocese de Bombaim, na Índia, completamente imune a qualquer tipo de dubia, publicou um cartaz em que elogia o Papa Francisco por ter aberto a Sagrada Comunhão a católicos praticantes de adultério.

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O cartaz faz parte de um conjunto de quatro publicados pela arquidiocese indiana no facebook para felicitar o Santo Padre pelo seu aniversário (que completou 81 anos no dia 17 de dezembro) e para lhe agradecer “por ser uma inspiração e um instrumento do trabalho de Deus”.

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in página da Arquidiocese de Bombaim no facebook, 16/12/2017

O atual arcebispo de Bombaim, o cardeal D. Oswald Gracias, é um dos nove elementos do Conselho de Cardeais (o chamado “G9”, grupo permanente de cardeais criado pelo Papa Francisco para o aconselhar no governo da Igreja). As posições brandas e neomisericordiosas de D. Oswald Gracias em relação ao homossexualismo são bastante apreciadas pelos ativistas LGBT do mundo inteiro e, particular, pelo jesuíta radical pró-gay que é agora consultor do Vaticano, o Pe. James Martin.

Basto 12/2017

Papa Francisco promulga orientações dos bispos de Buenos Aires que oficializam a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados recasados

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlterosin Adelante La Fé, 13/06/2017

 

A Santa Sé publicou oficialmente no boletim Acta Apostolicae Sedis a carta dos bispos de Buenos Aires com os critérios – aprovados e elogiados pelo Papa Francisco – que abrem a Sagrada Comunhão aos divorciados civilmente recasados. Com esta publicação, o Papa Francisco eleva à categoria de magistério um documento herético que anula o constante ensinamento da Igreja, em particular o que fora anteriormente aprofundado pelos Papas João Paulo II e Bento XVI.

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1072

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1073

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1074

Para além de radicalmente novo e herético, agora é oficial! Terá andado a Igreja Católica equivocada durante 2000 anos até à eleição do Papa Francisco I? Seriam São João Paulo II e Bento XVI tão pouco misericordiosos como nos querem fazer crer?

Por mais esforços intelectuais que façam para tentar conciliar este novo ensinamento com a doutrina constante da Igreja Católica, não o conseguem porque não estamos perante uma abordagem pastoral ligeiramente diferente, como nos dizem. Isto é algo completamente novo, contraditório e escandaloso que anula o ensinamento anterior.

Devemos agora esperar por um novo conclave – como ironiza o nosso vizinho Joãopara conhecer as próximas tendências do magistério da Igreja?

 

Basto 12/2017

Alerta: a nova misericórdia ameaça Portugal

Um ano depois do aparecimento da Amoris Laetitia e da sua proliferação a nível mundial, não há ainda registos de casos confirmados desta perigosa prática pastoral em Portugal. Contudo, nos últimos dias, a imprensa católica portuguesa tem mostrado alguns indícios que fazem temer um surto de misericórdia atípica com a chegada da primavera e por causa da viagem do Papa Francisco a Fátima.

Neste momento, uma das regiões mais ameaçadas é a Península de Setúbal, por diversas razões:

Possivelmente, o risco português será maior em algumas regiões do que em outras, mas seria prudente se país tivesse um plano de contingência nacional para responder preventivamente ao risco do avanço da nova misericórdia. O grande problema é que os leigos, aqueles têm olhos e veem, estão à espera dos seus sacerdotes, que por sua vez estão à espera dos seus bispos, e estes do(s) seu(s) Papa(s). Até lá, a consagração ao Imaculado Coração de Maria e a prática da devoção dos Cinco Primeiros Sábados podem ser um eficaz remédio profilático contra o perigo tentador da nova misericórdia. No caso da Península de Setúbal, há ainda a Senhora da Atalaia.

Em caso de emergência, fujam para a Serra da Arrábida…

Basto 4/2017

Para quando será possível praticar “Amoris Laetitia” em Portugal

Cabeça de São João Batista
Autor espanhol desconhecido, século XVII

 

Vi ainda que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus.

Fiquei espantado, ao ver tão grande prodígio. (Ap 17, 6)

O que é Amoris Laetitia?

Deixemo-nos de eufemismos, falácias ou outras falsidades intelectuais e falemos verdade, em nome de Deus.

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Dois milénios depois de Cristo, chega uma doutrina nova e antagónica, que propõe uma pastoral contrária ao ensinamento de Jesus e da sua Igreja – não é que não estivéssemos avisados (1Tm 6, 3-4). Está aí, foi formalmente aprovada pela Igreja Católica e já está a ser universalmente praticada a uma escala crescente e difícil de quantificar. Um enorme sacrilégio, alegadamente inspirado pelas “surpresas do Espírito Santo”, como se as Pessoas da Santíssima Trindade pudessem entrar em contradição… Que disparate tão grande, que blasfémia tamanha!

O adultério é um pecado extremamente grave que nos afasta da Graça de Deus, portanto qualquer caminho penitencial terá de orientar-se sempre no sentido da conversão do pecador. Só o profundo arrependimento, a contrição e o propósito de mudança de vida poderão reaproximar da Graça de Deus aqueles que caíram ou permanecem no grave pecado do adultério. Todavia, o Papa insiste que os sacerdotes devem conceder a absolvição aos adúlteros não arrependidos e oferecer-lhes a Sagrada Comunhão, ainda que estes continuem obstinados na sua condição de pecado. Que Papa é este? O que pretende ele oferecer a tantas almas em risco de perdição eterna?

Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação. Por isso, há entre vós muitos débeis e enfermos e muitos morrem. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; mas, quando somos julgados pelo Senhor, Ele corrige-nos, para não sermos condenados com o mundo. (1Cor 11, 27-32)

A prática da Amoris Laetitia alastra-se de forma viral pelo mundo inteiro. Há cada vez mais dioceses e conferências episcopais que disponibilizam a nova misericórdia de Francisco a todos aqueles que recusam receber a misericórdia de Cristo. Isto é, em si, um ato de justiça divina de dimensão apocalítica. Até onde chegará este castigo? Até quando durará este flagelo? São necessárias muitas orações e penitência pelos pecadores que caíram nesta cilada de Satanás.

Quando rezardes o terço dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

(N.ª S.ª de Fátima aos pastorinhos em 1917)

Vivemos atualmente num tempo de profunda “desorientação diabólica”, um tempo em que, mais do que nunca, necessitamos de recorrer ao Imaculado Coração de Maria, o nosso “refúgio”, o caminho que nos “conduzirá até Deus” (nas palavras de Nossa Senhora de Fátima). Um tempo em que tantos dos pastores da nossa Igreja já não são capazes de desempenhar verdadeiramente as funções para as quais foram mandatados por Cristo. Um tempo de apostasia. Um tempo que, em termos escatológicos, faz parte dos últimos tempos.

Como é que nós rezamos hoje, se é que ainda rezamos? Pedimos ainda perdão pelos nossos pecados ou pedimos agora a Deus que aceite as nossas iniquidades? Que esperamos nós obter quando nos aproximamos do confessionário, o perdão dos nossos pecados ou a desvalorização da nossa culpa? Para que servem os nossos sacerdotes? Permita Deus que eles continuem a conduzir-nos pela única “porta estreita” (Mt 7, 13), ainda que nós não o mereçamos.

portas.abertas
Papa Francisco, 18/02/2016 in TV2000

De todas as portas que têm sido abertas, algumas propõem caminhos estranhamente fáceis e perigosos, avessos à vontade de Deus. Ainda assim, o cristão continua dono da sua liberdade, pois, apesar de tudo, ninguém lhe retirou ainda o direito de optar pela porta estreita, pelo caminho da cruz.

A prática da Amoris Laetitia, feita de acordo com a interpretação que o Papa Francisco deseja, representa a porta larga, a “entrada do sepulcro”, – recorrendo às palavras do ex-cardeal Bergoglio – mas, neste caso, do sepulcro eterno. Bergoglio é hoje Papa, supostamente a pedra que nos impede de cair no sepulcro eterno. Que Deus nos acuda!

Chegou a vez de Portugal?

Muitos fiéis portugueses continuam numa espécie de limbo, à espera das tais “portas” que autorizem a prática da Amoris Laetita também no nosso país. Faz lembrar os anos em que o aborto era ainda ilegal e mal visto em Portugal, quem o quisesse praticar teria de ser muito discreto ou então procurar uma alternativa para lá da fronteira. Hoje, infelizmente, o nosso país orgulha-se de possuir uma das políticas abortivas mais avançadas do mundo. Será que Portugal irá posicionar-se também na vanguarda desta loucura satânica de legitimar a conciliação entre o adultério e o “corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo”? Permitirá algum dia Nossa Senhora, rainha e padroeira do povo seu protegido, que a Igreja Portuguesa adote institucionalmente esta impostura sacrílega pseudo-misericordiosa?

O Semanário Ecclesia, propriedade da Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), na sua última edição, deu um enorme destaque editorial à controversa exortação apostólica do Papa Francisco, mostrando, em vários artigos, uma forte simpatia por esta nova pastoral obscena de simbiose entre o Santíssimo Sacramento e o adultério. Vejamos alguns excertos, por exemplo este (depois do minuto 18:00):

“A grande questão dos quatro cardeais que queriam que o Papa dissesse ‘sim’ ou ‘não’, mas isto não tem sim ou não, o princípio é exatamente não ficar num sim ou não, nos que podem ou não podem, os bons e os maus. Não, todos estão no caminho, nem sequer há bons, todos estamos no caminho.”

“A Comunhão tem muitos graus de pertença, de participação, mas a questão é também perceber que a Comunhão sacramental não é um bónus para os bons, é um remédio para os pecadores, um alimento para os pecadores.”

(Pe. Vasco Pinto Magalhães SJ, página 35)

Pois sr. Pe. Magalhães, mas foi precisamente Cristo que nos exortou a dizer claramente “sim, sim” e “não, não”, advertindo que “tudo o que for além disto procede do espírito do mal” (Mt 5, 37). Aliás sr. Padre, essa advertência, no capítulo 5 do Evangelho segundo São Mateus, surge apenas cinco versículos depois do esclarecimento taxativo de Jesus Cristo acerca do problema – que afinal é bem antigo – “dos divorciados recasados” (Mt 5, 32). E já agora, sr. Padre, talvez seja melhor voltar ler a carta dos 4 cardeais, desta vez com mais atenção, porque, se não estamos em erro, em nenhum ponto se sugere que os fiéis sejam distinguidos entre “os bons e os maus”. Nessa carta, apenas se pede, em tom de humildade, uma simples clarificação para evitar as evidentes interpretações abusivas que se multiplicam por todo o lado e que estão em absoluta contradição com o infalível magistério da Igreja. Interpretações que, de forma não assumida, contestam, por exemplo, aquilo que São João Paulo II pregou há poucos anos em Portugal… Como esse ensinamento não foi revogado, então Nossa Senhora nos dê boa memória.

Nossa Senhora da Boa Memória
Nossa Senhora da Boa Memória – Sé de Braga

Sobre o facto de a “Comunhão Sacramental” ser “um alimento para os pecadores”, falta acrescentar uma pequena palavra à sua frase: “arrependidos”. Faz toda a diferença!

Outra citação interessante é esta:

Sem dúvida, assim o têm pensado Conferências Episcopais, grupos de Bispos e dioceses que têm refletido e aceite as suas propostas e diretrizes, convertendo-as em linhas renovadoras da Pastoral Familiar.

Também entre nós, um grupo de Bispos decidiu aprofundar os ensinamentos da Exortação e propor caminhos para a concretização das suas orientações. O grupo dos Bispos das dioceses do Centro do País que, desde há muitos anos, se reúne mensalmente, estudou este Documento. Perante as dificuldades atuais com as quais as Famílias se debatem, tem encontrado e proposto caminhos que, concretizados em cada uma das Igrejas Particulares vão, certamente, dar frutos.

(“A Família da Amoris Laetitia“, página 38)

Esta notícia não é bem uma novidade, pois não? A vontade dos bispos da Região Centro – que Deus tenha misericórdia para com eles – parece que já existia bem antes da conclusão do chamado Sínodo da Família. Deve ser portanto anterior à publicação da controversa exortação apostólica que, de forma perversa e subtil, tem minado as bases da doutrina cristã, no que diz respeito ao matrimónio e à família. A única novidade aqui é a rigidez da cabeça da serpente, que talvez não tenha sido ainda completamente esmagada pela Conferência Episcopal Portuguesa.

Depois vem a opinião do sr. Pe. Miguel Almeida, outro jesuíta:

Compete à Igreja acompanhar, discernir e integrar estas situações incompletas para que se caminhe para a completude.

(Pe. Miguel Almeida SJ, Página 43)

Com o devido respeito sr. Padre, essa a filosofia contribui, acima de tudo, para a “completude” da ditadura relativista, atacando incisivamente o último reduto da razão humana que é a moral cristã e posicionando consequentemente a humanidade no caminho da “completude” do mistério da iniquidade, que “já está em ação” (2Ts 2, 7) há bastante tempo. Ao nível individual, a prática do sacrilégio proposto e incentivado pelo Papa Francisco conduz as almas à “completude” da perdição, que é a condenação eterna.

Outro excerto:

Reconhecemos que este caminho de conversão proposto pela Amoris Laetitia levará o seu tempo, pois estão causa pessoas com rotinas, hábitos, porventura desatualizadas e sobrecarregadas, mas importa não esquecer a linha de rumo da Exortação Apostólica, que passa, em primeiro lugar por uma nova leitura a fazer por muitos membros do clero, ocupados com tarefas secundárias relativamente à sua missão fundamental, delegando, de modo a libertarem tempo para acolher, perceber, integrar, fazer direção espiritual, preparar as homilias, colocar no centro o Senhor Ressuscitado, humanizar o serviço paroquial.

(Manuel Marques, Departamento Nacional da Pastoral Familiar, Página 46)

Observe-se como, de repente, a necessidade de “conversão” – e isto tem sido uma constante no pontificado de Francisco – deixou de ser um propósito para quem caiu em pecado, para se transformar num objetivo estratégico a atingir nos pastores da Igreja. Os pastores são quem terá agora de converter-se, mais precisamente à doutrina do Papa Francisco, para poderem aceitar misericordiosamente a permanência no pecado, ainda que este seja grave. O pecado que, também agora, deixou de ser considerado pecado para passar a ser apenas uma mera “situação irregular”, a qual acabará necessariamente por regularizar-se no final deste processo de “discernimento”, após a conversão dos pastores. Isto até daria para rir se não fosse tão trágico…

Não será isto uma inversão diabólica de toda a lógica da conversão? Não é isto algo profundamente iníquo e uma completa adulteração da essência do sacramento da reconciliação? De onde virá esta nova misericórdia, de Deus ou de Satanás?

Logo a seguir, no mesmo artigo da revista da Igreja Portuguesa, surge aquilo que parece ser alguns piedosos insultos, também eles característicos da nova pastoral, tais como: “pessoas (…) porventura desatualizadas” ou “membros do clero, ocupados com tarefas secundárias“… Mas a quem se referem eles afinal? Aos bispos e sacerdotes que ainda acreditam na Verdade Cristã a respeito do matrimónio e da família? Ao ainda vivo Santo Padre Bento XVI que nunca aceitou esta heresia? Ao Patriarca de Lisboa?

D. Manuel Clemente é um daqueles que, graças a Deus, tem repetidamente interpretado a exortação apostólica à luz do tradicional magistério da Igreja.

Se os piedosos insultos forem destinados também a ele, a situação torna-se paradoxal, uma vez que é ele quem preside à conferência dos bispos portugueses, a proprietária do semanário em análise…

insultar
Papa Francisco a 12/02/2017, vídeo RR V+

Vejamos apenas mais uma citação, esta referente ao período Pós-Alegria do Amor:

Também neste tempo foi evidente uma forte reação de alguns setores da Igreja que têm invadido os meios de comunicação social e a Internet com acusações ao Papa, desmentindo qualquer novidade desta exortação apostólica relativamente à «Familiaris Consortio» de São João Paulo II, publicada em 1981.

Argumentam que este Papa não pode desmentir ou contradizer o ensinamento de São João Paulo II – de que só os divorciados recasados que vivam continência sexual podem receber o sacramento da Eucaristia –  e questionam ou ignoram o percurso de discernimento sugerido pelo Papa, quando tal proposta resultou do relatório final do Sínodo Ordinário dos Bispos aprovado pelos padres sinodais por larga maioria em 24 de outubro de 2015, que nos seus pontos 84 a 86 o incentiva.

Esperemos que nos anos vindouros se avance mais nestes assuntos e que as conferências episcopais de mais países, inclusive a portuguesa, (até agora só da Argentina, Malta e Alemanha) publiquem orientações de como praticar a «Amoris Laetitia».

(«Amoris Laetitia», um ano depois!, Página 55)

Como podemos reparar no excerto acima transcrito, um órgão de comunicação social sob a tutela da Igreja Portuguesa acabou de publicar um texto onde não só se admite que é possível “desmentir ou contradizer o ensinamento de São João Paulo II” sobre o matrimónio, como até se assume que isso já aconteceu graças à exortação apostólica de Francisco. Estas afirmações são muito graves, como é grave tudo aquilo que tem vindo a acontecer na Igreja desde 2013 para cá, mas os portugueses continuam a assobiar para o lado como se isto não lhes dissesse respeito. Quem irá defender a Fé herdada dos nossos egrégios avós?

Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal das funestas intenções deste Papa!

Basto 4/2017

Cardeal Burke mantém a intenção de corrigir os erros resultantes da Amoris Laetitia

Em resposta à questão colocada por um sacerdote, enquanto discursava na igreja paroquial de São Raimundo de Peñafort, em Springfield, Virginia, nos EUA, o cardeal Burke desmentiu o rumor de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa no que concerne às interpretações erradas do capítulo 8 da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, nomeadamente no que se refere à abertura da Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos.

Pe. De Celles: Se não houver resposta [aos”dubia”], qual será a resposta dos quatro cardeais?

Cardeal Burke: Então deveremos simplesmente corrigir a situação, novamente de uma forma respeitosa, que é simplesmente isso: deduzir a resposta às perguntas com base no ensino constante da Igreja e torná-lo conhecido para o bem das almas.

(Tradução: Fratres in Unum, 27/03/2017)

A recente afirmação do cardeal Raymond Burke, um dos signatários do “Apelo ao Papa por Esclarecimento”, mais conhecido com a carta com os “dubia”, tem relevância precisamente no presente momento em que se generalizou o rumor, com origem no famoso blogue Anonimi della Croce, de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa.

O Papa Francisco continua, até ao momento, sem dar resposta às questões colocadas pelos quatro cardeais há cerca de meio ano, a respeito da interpretação da controversa exortação apostólica que, desde há um ano para cá, tem produzido uma grande disparidade de interpretações pelo mundo fora. A confusão está instalada e aumenta a cada dia que passa…

Basto 3/2017

A Alegria do Amor no Japão

O Japão, uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo, parece ter descoberto a “nova misericórdia”, aquela que prescinde de arrependimento e contrição, muitos anos antes do pontificado de Francisco. Num artigo publicado no jornal Periodista Digital, o jesuíta Juan Masiá mostra-nos que os bispos nipónicos, na carta pastoral publicada em 2001 já diziam o seguinte:

Quando, depois de lamentar um divórcio, se produz o encontro com um novo parceiro, a Igreja deve estar perto e acolhedora para apoiar os cônjuges que empreenderam um novo caminho para reconstruir suas vidas. A igreja, que os acompanhou com o coração de mãe durante o curso de preparação para o matrimónio, deseja continuar a acompanhá-los no novo caminho e estar próxima para consultar os seus sofrimentos e ansiedades. É missão da Igreja proporcionar nova luz e esperança, acolhendo qualquer pessoa, sem excluí-lo, seja qual for o seu passado “.

(in carta pastoral dos bispos japoneses, traduzido de Periodista Digital, 14/03/2017)

Teria porventura o país do sol nascente recebido as “surpresas do Espírito Santo” mais cedo do que os ocidentais? Duvidamos que sua majestade D. Henrique VIII pudesse concordar com tal hipótese!

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Periodista Digital, 14/03/2017

De acordo com o texto do citado jornal eletrónico espanhol, o episcopado japonês publicou, no início desta Quaresma de 2017, uma nova edição “corrigida, aumentada e atualizada” da sua carta pastoral de 2001, introduzindo agora referências aos documentos Laudato Si e Amoris Laetitia do Papa Francisco. Alegadamente, a carta intitulada “Olhar de Deus sobre a vida” cita o n.º 242 da Amoris Laetitia e corrobora os seus parágrafos dedicados ao “amor, matrimónio e divórcio”.

Juan Masiá S. J., que viveu mais de 25 anos no Japão, até vai mais mais longe quando afirma que, já no Sínodo sobre a Família de 1980, o cardeal Peter Shirayanagi (falecido em 2009) foi um dos poucos bispos que se “atreveu” a propor aberturas semelhantes a algumas daquelas que mais tarde seriam defendidas no Sínodo de 2015 e pelo Papa Francisco. No entanto, as suas propostas “tiveram um eco tímido e minimalista” na exortação Familiaris Consortio de João Paulo II, uma vez que este Papaargumenta o jesuítaera “obcecado com a questão da participação nos sacramentos (um pseudoprobema superado há muito pela prática pastoral e, hoje, finalmente superado na doutrina oficial da Igreja após o último Sínodo)”.

Temos de reconhecer, arrependendo-nos, que a Igreja se tem comportado, até há pouco tempo, mais como um juiz do que como uma mãe, no que se refere às pessoas que não puderam salvar o seu casamento.

(in carta pastoral dos bispos japoneses, traduzido de Periodista Digital, 14/03/2017)

Enfim, autênticos profetas da “nova misericórdia”…

Basto 3/2017

Adultério e Comunhão na Alemanha: o Papa recebeu os critérios com alegria

Os bispos alemães publicaram os seus critérios de aplicação da exortação apostólica Amoris Laetitia, permitindo o sacrilégio proposto pelo Papa Francisco de abrir o acesso à Sagrada Comunhão a quem pratica adultério.

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Catholic News Agency, 01/02/2017

O documento, divulgado em fevereiro, saiu do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Alemã, no Nº 104 da sua publicação periódica, com a data de 23 de janeiro, e intitula-se “A Alegria do Amor, que é vivida nas Famílias, é também a alegria da Igreja”.

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A Alegria do Amor, que é vivida nas Famílias, é também a Alegria da Igreja (diretrizes para aplicação da exortação Amoris Laetitia

Alguns dias mais tarde, no dia seis de março, em Bensberg (Alemanha), o Cardeal Reinhard Marx, atual arcebispo de Munique e Frisinga, homem muito próximo do Papa Francisco, revelou, durante a conferência de imprensa da Conferência Episcopal Alemã, que o Santo Padre ficou feliz por os bispos alemães terem redigido os critérios de aplicação da sua controversa exortação apostólica.

Eu dei ao Papa o texto que fizemos a partir da Amoris Laetitia e ele recebeu-o com alegria.

(Cardeal Marx a 3 de março in 1Peter5, 06/03/2017)

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Life Site News, 09/03/2017

O Cardeal Marx já tinha falado contra os dubia pois considera a exortação apostólica do Papa Francisco bastante clara e que permite, de facto, a abertura da Sagrada Comunhão aos recasados em determinados casos.

Basto 3/2017

Região de Campânia, na Itália, também já permite a comunhão a quem pratica adultério

A Conferência Episcopal Regional de Campânia, na Itália, publicou o primeiro texto oficial da Igreja Italiana com linhas orientadoras para a aplicação da controversa exortação Amoris Laetitia. Os bispos locais aprovaram, por unanimidade, os critérios que estabelecem que quem pratica adultério também pode aceder à Sagrada Comunhão.

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La Stampa, 07/03/2017

Com cerca de seis milhões de habitantes, a Campânia corresponde a uma das regiões de maior densidade populacional em Itália, cuja principal cidade é Nápoles. A Província Eclesiástica de Campânia é composta por duas dezenas e meia de dioceses e territórios eclesiásticos agrupados em três arquidioceses principais.

Punto Famiglia
Diretrizes para a Aplicação da Amoris LaetitiaPunto Famiglia, 04/03/2017

 

  1. c) Um “Serviço Diocesano” dirigido aos separados e divorciados que voltaram a casar para verificação de nulidade do casamento e para o eventual início de readmissão no caminho comunhão eucarística.

[…]

Na Carta aos Bispos de Buenos Aires, o Papa Francisco diz: “Eu considero urgente a formação em discernimento, pessoal e comunitário, nos nossos seminários e presbitérios.

(in Carta aos Presbíteros das Dioceses de Campânia, de 30 de janeiro de 2017)

A tradição local relativa à interpretação do “milagre de São Januário” confirma-se assim, mais uma vez! O sangue do santo não se liquefez a 16 de dezembro do ano passado, antecipando esta tragédia para os napolitanos.

Basto 3/2017

Como se explica a presença do cardeal D. Martínez Sistach na última reunião da Conferência Episcopal Portuguesa?

Esta foi a pergunta que quase ninguém fez… Martínez Sistach é arcebispo emérito de Barcelona, portanto espanhol, da Catalunha. A sua presença na 190ª sessão plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em novembro do ano passado, teria de ter um propósito.

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Livro do Cardeal Martínez Sistach

E refletiremos sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia e o melhor modo de a receber e aplicar entre nós, a bem do matrimónio e da família. Neste ponto contaremos com a preciosa contribuição do Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, reputado pastor e canonista.

(D. Manuel Clemente, Discurso de abertura da 190ª Assembleia Plenária da CEP, 07/11/2016)

Ou seja, o cardeal D. Martínez Sistach estava em missão. Era necessário explicar aos mais incrédulos bispos portugueses como é possível conciliar as “situações irregulares”, vulgo o adultério, com a Sagrada Comunhão. Conceituado canonista, adepto da nova misericórdia, ele era o homem indicado. Entende tanto daquilo que até publicou entretanto um livro, um manual para ajudar aqueles que têm mais dificuldade em aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco a partir das diretrizes da controversa exortação apostólica.

Se o interessado, em consciência e diante de Deus, constata haver alguma circunstância que faz com que à situação objetiva do pecado não lhe corresponde imputabilidade subjetiva grave, pode ter acesso aos sacramentos.

[…]

A Amoris Laetitia não admite os divorciados recasados aos sacramentos porque o Papa não fala de categorias mas sim de pessoas, de modo que precisa de ser feito, em cada caso, o processo de discernimento, para ver se pode, ou não pode, em cada caso.

(D. Martínez Sistach in Periodista Digital, 08/02/2017)

Como dizem os espanhóis: No cremos em brujas pero que las hay, las hay!

É incrível mas ainda nem quatro anos passaram desde que Francisco escandalizou, pela primeira vez, os fieis católicos com a sua obsessão papal de conciliar o adultério com a Sagrada Comunhão à escala global. A princípio, a incredulidade geral fez-nos pensar que não tínhamos entendido bem as suas tímidas e ambíguas declarações, os jornalistas estavam obviamente a exagerar, a desinterpretar as suas palavras. Depois seguiu-se a fase de adaptação das mentes católicas ao aberrante sacrilégio. Finalmente chegou a confirmação papal, já de forma aberta, descarada e por escrito, mas poucos foram aqueles que ficaram escandalizados. Acabaram por se adaptar rapidamente à “nova pastoral” e à respetiva doutrina, ou então andam a dormir!

Agora estamos já numa fase avançada da implementação do sacrilégio à escala universal. O adultério foi legitimado pela Igreja Católica em tantos países como Malta, Itália, Alemanha, Argentina, Filipinas, Espanha, entre outros… O Santo Padre até deu liberdade às Conferências Episcopais para adaptarem o sacrilégio aos gostos e às sensibilidades locais.

Para quem sente ainda dificuldades em aderir a esta nova pastoral, para quem tem ainda reminiscências doutrinais de outras épocas ou até mesmo pudor perante a aplicação desta loucura, começam agora a surgir os primeiros manuais, cuidadosamente elaborados, que facilmente ajudarão a ultrapassar essas e outras questões que “paralisam”…

Parece que o mundo, de repente, ficou ébrio com tanta misericórdia. Cuidado com a ressaca!

Regressando ao nosso país, durante esta semana, os bispos portugueses encontram-se no seu retiro quaresmal, em Fátima, e necessitam das orações dos portugueses para que o dogma da Fé sempre se conserve em Portugal.

Basto 3/2017

Papa Francisco condena lógica de casuística na questão do divórcio

Na homilia de 24 de fevereiro, na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco exortou os fiéis evitarem a lógica de casuística no juízo moral. Focando-se no tema do divórcio, tratado no evangelho do dia (Mc 10, 1-12), o Santo Padre condenou a hipocrisia dos fariseus que abordaram Jesus através de uma “lógica casuística” que é “um engano”.

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Rádio Vaticano, 24/02/2017

A abordagem casuística é um raciocínio moral feito caso a caso, que se baseia nas particularidades de casos concretos para justificar a licitude de algo moralmente ilícito.

O “caminho de Jesus”, de acordo com o Santo Padre, não é o “da casuística” mas sim o “da Verdade”, o “da misericórdia”. O caminho da misericórdia verdadeira, do arrependimento – acrescentamos nós…

A palavra de Deus é taxativa no que diz respeito ao Matrimónio, conforme atesta o texto do evangelho sobre o qual o Papa pronunciou a homilia aqui referida.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

O eufemismo “situação irregular”, utilizado frequentemente pela nova pastoral católica menos comprometida, equivale semanticamente ao termo “adultério” utilizado por Jesus Cristo no evangelho. Um pecado considerado grave, aliás mortal.

A Igreja deve ter todos os cuidados pastorais para com aqueles que mais necessitam, mas não pode, em caso algum, através da Sagrada Comunhão, oferecer a condenação eterna a quem não se encontra em condições de comungar (1Cor 11, 29).

Ao pretender-se atribuir legitimidade a uma relação adúltera, seguindo uma análise caso a caso, centrada na consciência individual e em outras particularidades, é entrar numa lógica de casuística, que dá aparência de verdadeiro juízo moral mas não passa de um sofisma, uma falsidade.

Agora só falta entender o que é o tal “discernimento”…

Será que o Santo Padre começou finalmente a perceber o sofisma doutrinal da heresia kasperiana, que ele mesmo tem promovido, de forma obstinada e incansável, desde a sua primeiríssima oração do Angelus?

Basto 3/2017

A ‘Alegria do Amor” na Papua-Nova Guiné

Em entrevista à Catholic News Agency, no dia 11 deste mês, o cardeal John Ribat explicou que a Papua-Nova Guiné tem um problema muito mais urgente do que o debate sobre a comunhão aberto pela controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Por agora, está mais preocupado com as alterações climáticas do que propriamente com a questão da compatibilidade entre a sagrada Comunhão e o adultério.

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Catholic News Agency, 17/02/2017

“Para nós, a Amoris Laetitia estará sempre lá” […] “há tempo para falar sobre isso.”

(Cardeal John Ribat, in CNA, 17/02/2017)

Para o cardeal, o maior problema com o qual o seu país deve preocupar-se neste momento, e não pode adiar, são as alterações climáticas que estão já afetar a população local.

“A nossa situação está na ordem do dia, ou vocês querem falar sobre isso ou verão essas pessoas acabadas… Não há um momento para isso. O momento é agora ou nunca.”

(Cardeal John Ribat, in CNA, 17/02/2017)

D. John Ribat, arcebispo de Port Moresby, na Papua Nova-Guiné, foi criado cardeal pelo Papa Francisco no consistório de 19 de novembro de 2016.

Basto 2/2017

Bispos portugueses discutem critérios comuns para a aplicação da “Amoris Laetitia”

Chegou a vez de Portugal. Os bispos da região Centro reuniram-se em Ílhavo, no passado dia 30 de janeiro, para discutirem critérios comuns de aplicação das inovações radicais da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

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Agência Ecclesia, 30/01/2017

A notícia da Agência Ecclesia não refere quais foram as dioceses representadas nesta reunião episcopal, mas convém lembrar que as inovações doutrinais/pastorais do Papa Francisco encontraram uma forte adesão nos bispos da região Centro, muito tempo antes da aprovação da revolucionária exortação apostólica. Foi precisamente um grupo de bispos da região Centro que, na assembleia plenária de 2015, de acordo com o semanário Sol, defendeu a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”. Segundo o mesmo jornal, os bispos defensores das ideias radicais do Papa Francisco eram então liderados pelo representante da diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto, que entretanto confessou uma grande satisfação pelas inovações introduzidas com a publicação da Amoris Laetitia.

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Agência Ecclesia, 12/04/2016

De “modo genial”? Esta solução é absolutamente espantosa… Mas como é que ninguém se lembrara antes de um truque – que afinal é – tão simples e pragmático? Um truque de “misericórdia” que, por exemplo, teria salvo as cabeças de João Batista, de Tomás Muro ou de João Fisher, entre outros. Seria por falta de misericórdia ou por temor a Deus?

À medida que se aproxima a visita papal a Portugal, agendada para os dias 12 e 13 de maio, pode crescer, no clero português, a vontade de agradar ao Santo Padre – o que é normal. Os portugueses sempre foram bons anfitriões, principalmente quando se trata do mais alto representante de Cristo na Terra. Contudo, neste momento concreto em que vivemos, a cordialidade e o amor fraternal para com o Santo Padre significa também, e acima de tudo, ajudá-lo na sua função primordial: confirmar os seus irmãos na Fé (Lc 22, 32), na Fé verdadeira de Jesus Cristo, sublime e imutável.

Há 100 anos, em Fátima, as aparições do Anjo de Portugal e de Nossa Senhora do Rosário atestaram a Verdade Católica sobre a Eucaristia, o Matrimónio, o pecado, a Reconciliação com Deus e a irrevogabilidade dos dogmas. Que essa mesma Verdade seja aqui, uma vez mais, confirmada durante o centenário das aparições, pois os fiéis do mundo inteiro olham para Fátima à procura de um sinal claro para este tempo de “desorientação diabólica” e de ataques constantes ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima necessita de Portugal e dos portugueses.

Basto 2/2017

Fiéis de Malta rejeitam o sacrilégio imposto pelos seus bispos

Grupo de fiéis de Malta publicou uma súplica aos bispos locais para revogarem as orientações que promovem a comunhão de adúlteros. A súplica ocupa uma página inteira no mais importante jornal nacional e foi paga pelos responsáveis como uma informação publicitária.

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Times of Malta, 25 de janeiro de 2017

A pagina assume o formato de carta aberta dirigida aos bispos de Malta, intitulando-se:  Uma Súplica pela Verdadeira Misericórdia e Arrependimento. O grupo de católicos responsáveis está ligado à organização internacional Veri Catholici.

A carta exorta os bispos a serem de facto os “sucessores do Apóstolo Paulo nas Ilhas de Malta” e apela a todos os bispos católicos do mundo para defenderem a Sagrada Eucaristia e a Fé Católica nos sacramentos do Matrimónio e da Reconciliação.

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Página oficial da Igreja Católica em Malta

Malta é um  microestado insular localizado no Mar Mediterrâneo, tem apenas duas dioceses. A adesão dos seus dois bispos a esta nova “misericórdia” do Papa Francisco, implica toda a hierarquia religiosa daquela nação. Todos os sacerdotes malteses estão agora institucionalmente obrigados, pela hierarquia local, a praticar o sacrilégio de dar a comunhão a adúlteros.

Basto 2/2017

A ‘Alegria do Amor’ na Sicília

Na arquidiocese de Palermo, na Sicília, Itália, uma comissão nomeada pelo Mons. Corrado Lorefice, arcebispo local, prepara o documento “Critérios Diocesanos para o discernimento eclesial dos casais divorciados ou em coabitação” para ser publicado na Páscoa.

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La Fede Quotidiana, 28/01/2017

Mons. Corrado Lorefice é o arcebispo metropolita de Palermo e primaz da Sicília desde 2015.

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AGI News, 27/01/2017

 

Basto 1/2017

“Sim” ou “Não”, para mim é tudo igual. Em Florença, a “Amoris Laetitia” funciona assim

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Por Sandro Magister

ROMA, 19 de janeiro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – As dos bispos de Malta são as mais recentes das instruções que alguns bispos têm dado nas suas dioceses sobre a forma de interpretar e implementar a Amoris Letitia.

Instruções que muitas vezes se contradizem, de modo que numa diocese a comunhão para os divorciados recasados que vivem more uxorio é permitida, enquanto noutra diocese, talvez até mesmo numa vizinha, não é.

Mas há mais. Acontece mesmo que em algumas dioceses o “sim” e o “não” são oficialmente permitidos, os dois juntos.

É o caso, por exemplo, da Arquidiocese de Florença.

Aqui o arcebispo, o cardeal Giuseppe Betori, iniciou um “perurso de formação diocesano” para instruir sacerdotes e fiéis sobre a interpretação correta da Amoris Laetitia.

Na primeira etapa da formação, no dia 8 de outubro passado, para uma introdução geral ao documento do Papa Francisco, Betori trouxe o cardeal Ennio Antonelli, seu predecessor como arcebispo de Florença e então presidente, de 2008 a 2012, do Pontifício Conselho para a Família, uma autoridade na matéria.

Antonelli estabeleceu instruções em perfeita continuidade com o magistério dos papas anteriores e, portanto, descartou a comunhão para os divorciados e recasados que vivem more uxorio. E manteve esta firme proibição apesar de, alguns dias antes, na diocese de Roma, o cardeal vigário Agostino Vallini ter dado o sinal verde para a comunhão com a aprovação de Francisco:

Em Roma sim, em Florença não. Eis como a Amoris Leritia está a dividir a Igreja

Depois disto, uma vez por mês, Betori traz outros oradores para explicar, um após o outro, os vários capítulos da Amoris Laetitia.

Mas a quem deverá ser confiada, a 25 de março, a tarefa de estabelecer as diretrizes para a interpretação do oitavo capítulo, o mais controverso?

Ao monsenhor Basílio Petrà, presidente dos teólogos moralistas italianos, que é um dos mais fervorosos defensores da abertura da comunhão aos divorciados recasados.

Num extenso comentário sobre a exortação sinodal publicada em abril passado na revista “Il Regno“, Petrà até declarou “desnecessário” consultar um sacerdote e o foro interno sacramental, ou seja, a confissão, para “discernir” se uma pessoa divorciada que voltou a casar pode receber a comunhão.

Escreveu o seguinte:

“De facto, é possível que uma pessoa não tenha a consciência moral adequada e/ou não tenha a liberdade de agir de forma diferente e que, apesar de fazer algo considerado objetivamente grave, pode não estar cometendo um pecado grave no sentido moral e, portanto, não tem o dever confessar-se para receber a Eucaristia. A Amoris Laetitia, no nº 301, alude claramente a esta doutrina.”

É como dizer: toda a gente é livre de agir por si mesmo, seja ele “iluminado” ou inconsciente.

O dia 25 de março está apenas a dois meses de distância. E até lá, por enquanto, tanto para os clérigos como para os fiéis, o que deve continuar a ser aplicado é o “não” ditado e fundamentado pelo cardeal Antonelli.

Mas depois de 25 de março, o “sim” terá também valor oficial. Na mesma diocese. E depois fica-se surpreendido quando surgem os “dubia” sobre a claridade da Amoris Laetitia?

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 19 de janeiro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2017

Apelo à oração pelo Papa para que defenda o Matrimónio

Neste dia 18 de janeiro, em que antigamente se celebrava a festa da Cátedra de São Pedro, três bispos do Cazaquistão laçam um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

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Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimónio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimónio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao carácter esponsal do próprio mistério eucarístico. O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação: «A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimónio cristão. Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excecionais – que divorciados assim chamados “recasados” possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a “veste nupcial”, a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimónio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar: «Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a certeza moral de que o primeiro matrimónio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial […] Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.»

As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

  • A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem exceção, sempre e em qualquer situação. Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excecionais ou que se fale em termos de um ideal mais pleno. São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).
  • As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus. Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.
  • Acreditar na indissolubilidade do matrimónio e contradizê-la com os próprios atos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos: «Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as ações não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exatamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial» (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).
  • A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível. Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna. Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.
  • Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça retamente, como a Igreja infalivelmente ensinou: «Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e «Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que batizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18). Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou: «A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja» (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e «Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimónio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).
  • O ato sexual fora de um matrimónio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objetivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus. São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um acto de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5). São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja: «Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns atos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer exceção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma ação proibida por uma regra universal, o único ato moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da ação que ela proíbe» (Encíclica Veritatis splendor, 67).
  • Uma união adúltera de divorciados “recasados” civilmente, “consolidada”, como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita “comprovada fidelidade” no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu ato de violação do vínculo sacramental do matrimónio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um ato intrinsecamente mau. Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter “compreensão” com atos intrinsecamente maus, como é o caso dos atos sexuais fora do matrimónio válido, uma vez que estes atos ofendem a Deus.
  • Uma admissão dos divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excecional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da “via caritatis”, o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia. São Tomás de Aquino disse: «por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere» (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).
  • Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimónio apenas num único caso ou em casos excecionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canónicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus. Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de carácter geral.
  • Sendo o matrimónio válido entre batizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de carácter público, um julgamento subjetivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimónio, por contraposição à respetiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um carácter público.
  • A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a retidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1). O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16). O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão. A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimónio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.
  • Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas “recasadas”, recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimónio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).
  • A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma rutura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um facto evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum. Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimónio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da “praga do divórcio”, sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).
  • A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a ação pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II: «A ação pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respetivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).
  • Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos atos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge. Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais atos no futuro. Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimónio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).
  • A prática pastoral da Igreja sobre o matrimónio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão. São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências. Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenómeno está em crescimento. Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão: “O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática” (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerónimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração. Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma ação cada vez mais unida: «Não raro, de facto, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma ação nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).

Considerando que a admissão dos divorciados ditos “recasados” aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da “via caritatis” ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares. Tal ato da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adotou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras: “Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um acto de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier. A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afeto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: “Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam“.

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Basto 1/2017

A ‘Alegria do Amor’ na Alemanha

O acesso à Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal já é permitido também na Alemanha. A justificação é, mais uma vez, a controversa exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco.

O bispo Karl-Heinz Wiesemann de Speyer, Alemanha, anunciou em entrevista, a 17 de dezembro, que iria publicar orientações sobre como os padres da sua diocese deviam acompanhar os católicos divorciados recasados que querem receber os sacramentos. Wiesemann disse que o Papa Francisco tornou isso possível em casos individuais, após o acompanhamento apropriado por um padre.

(in National Catholic Reporter, 21/12/2016)

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Church Militant em 22/12/2016

De acordo com o National Catholic Reporter, Speyer é já a segunda diocese alemã a pôr em prática a ‘Alegria do Amor’ depois de, no mês anterior, o arcebispo Stephan Burger, de Freiburg, ter dito que considerava a admissão de divorciados recasados aos sacramentos como uma das mensagens centrais da Amoris Laetitia.

 

Basto 1/2017

A ‘Alegria do Amor’ em Malta

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Manchete do Catholic Herald em 13/01/2017

Bispos de Malta dizem aos recasados: tomem a Comunhão se se sentem em paz com Deus

Os bispos dizem que evitar o sexo talvez seja ‘humanamente impossível’

(Manchete do Catholic Herald em 13/01/2017)

Ignorando a doutrina católica, os bispos de Malta acabam de publicar um documento intitulado ‘Normas para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia onde autorizam a comunhão a pessoas que vivem em adultério.

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Normas para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Arcebispo de Malta e Bispo de Gozo

Esta atitude radical da Igreja de Malta foi universalmente elogiada pelo Vaticano, quando lhe atribuiu destaque na sua publicação oficial, o L’Osservatore Romano (página 7).

Ainda esta semana, o Cardeal Burke, patrono da Ordem de Malta, preocupado com a proliferação deste tipo de leituras heréticas da exortação papal, tinha avisado que se algum dia a interpretação da diocese de San Diego se universalizar, “então acabou o ensinamento da Igreja sobre o matrimónio”. Felizmente ainda não se universalizou mas já chegou a Malta, e logo durante a Epifania.

Basto 1/2017

Cardeal Müller: “Não haverá nenhuma correção ao Papa sobre os divorciados recasados”

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TGcom24

Em entrevista ao canal de televisão italiano TGcom24, o Cardeal Gerhard Müller rejeitou categoricamente a possibilidade de uma correção ao Papa no caso dos “dubia” colocados pelos quatro cardeais. O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé defendeu a exortação apostólica Amoris Laetitia, considerando os seus ensinamentos “muito claros”…

“Todos, sobretudo os cardeais da Igreja Romana, têm o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei espantado por isso ter sido tornado público, quase obrigando o papa a dizer sim ou não.”

Estamos muito longe de uma correção e eu digo que é prejudicial para a Igreja discutir essas coisas publicamente. A Amoris Laetitia é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar (nela) toda a doutrina de Jesus sobre o casamento, toda a doutrina da Igreja em 2000 anos de história”.

Não vejo nenhuma oposição.“Por um lado temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro lado a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade.”

(Cardeal Müller à TGcom24 a 8/01/2017 in Catholic News Agency)

Para o Cardeal, esta discussão nunca deveria ter sido tornada pública, porém esquece-se que os quatro cardeais tentaram tratá-la com o Papa em privado e foram ignorados. Vendo bem as coisas, talvez isso até nem fosse necessário se a Congregação para a Doutrina da Fé, que aliás é presidida por ele próprio, tivesse cumprido as funções para as quais foi mandatada.

A questão da conciliação da Sagrada Comunhão com o adultério, essa grande obsessão do Papa Francisco, está longe de poder considerar-se ultrapassada. Esperemos que este problema seja apenas um grande elefante na sala que brevemente deixará de ser ignorado por todos porque, se assim não for, então podemos estar a chegar àquela fase prevista por São Paulo para os últimos tempos (1Tm 4, 1-4).

 

Basto 1/2017

Bispos portugueses debatem a Amoris Laetitia

Começou ontem, dia 7 de novembro, e estender-se-á até ao dia 10, a 190ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima. O ponto seis da ordem de trabalhos é a “reflexão sobre a Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco sobre a família Amoris Laetitia”.

Em 2015, a Igreja Portuguesa tremeu mas resistiu e disse “não” ao Papa Francisco relativamente à questão da abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em situação de adultério, que na linguagem atual passou a designar-se “situação irregular”.

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Manchete do Semanário Sol de 21 de julho de 2015

Desta vez, é previsível que o abalo sísmico seja mais violento porque, entretanto, o próprio Papa já assume abertamente o seu apoio à conciliação entre o adultério e a comunhão e, por outro lado, depois de  três anos e meio de pressão mediática, é já notória uma certa habituação gradual perante a proposta de sacrilégio introduzida pelo Santo Padre.

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Vaticano divulga a carta de aprovação e apreço papal pelos critérios dos bispos argentinos que prescrevem o acesso da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem objetivamente em situação de adultério permanente: “Não há outras interpretações.” (Papa Francisco)Radio Vaticano a 12/09/2016

No que se refere à Igreja Portuguesa, o semanário Sol informou que a luta foi renhida na assembleia plenária de abril de 2015, uma vez que os bispos estavam divididos, mas no fim prevaleceu a Verdade Cristã, graças à firmeza do patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, apoiado pelo bispo do Porto e pelo arcebispo de Braga. A proposta neomisericordiosa, de acordo com o mesmo jornal, foi defendida por D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, com apoio dos bispos das dioceses de Aveiro, Guarda, Coimbra, Viseu e Portalegre-Castelo Branco.

Um ano depois, a nova doutrina do Papa Francisco de conciliação entre a Sagrada Comunhão e o adultério contará com dois novos apoiantes de peso na assembleia dos bispos portugueses:

  1. O novo bispo D. José Ornelas, indigitado pelo Papa Francisco para a diocese de Setúbal em 2015. Este novo bispo defende abertamente o acesso à Sagrada Comunhão para pessoas em situação objetiva de adultério e já pregou a “Alegria do Amor” no Santuário Fátima.
  2. A presença, a título de convidado, do cardeal Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, cuja contribuição se prevê que seja no sentido de desvalorizar a doutrina católica a favor da nova misericórdia de Francisco. Sistach é o especialista em direito canónico que integrou o painel de apresentação do motu proprio do Papa Francisco que veio simplificar os processos de nulidade matrimonial. Era também tido como um dos proeminentes cardeais que, durante o processo sinodal, esperava que o Santo Padre abrisse a comunhão aos divorciados recasados pelo civil, portanto em situação de adultério à luz do infalível Magistério da Igreja.

Os bispos estão reunidos na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, e precisam das orações de todos os fieis portugueses. Muita gente que conhece a mensagem de Fátima por esse mundo fora está à espera de ver um sinal claro da Igreja Portuguesa na conservação do “dogma da Fé” que lhes possa servir de rumo neste tempo de “desorientação diabólica”.

O nome da casa onde estão reunidos não poderia ser mais inspirador, tendo em conta o tema tratado e o seu paralelismo com a mensagem de Fátima. Outro aspeto curioso é a calendarização desta assembleia, cuja sessão de abertura coincidiu precisamente com o 99º centenário da revolução comunista de outubro de 1917 (que teve início no dia 7 de novembro de 1917, no nosso calendário gregoriano).

Basto 11/2016