Santo Padre explica como a aprovação do adultério faz parte da “grande tradição moral da Igreja”

Num encontro que teve com um grupo de jesuítas asiáticos, durante a sua recente viagem apostólica à Tailândia e Japão, o Papa Francisco foi questionado sobre o procedimento a ter para com aqueles católicos que se casaram pela Igreja e posteriormente divorciaram-se e uniram-se civilmente as outras pessoas, ou seja, que se encontram em situação de adultério permanente. A resposta do Santo Padre foi clara, deve ser-lhes aplicada a solução prevista no Capítulo VIII da controversa exortação Amoris Laetitia.

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In Vatican News, 05/12/2019.

De acordo com essa novíssima solução, inédita em 2000 anos de Civilização Cristã, após um processo de “discernimento”, os adúlteros que se encontrarem firmemente obstinados na sua atual situação de adultério poderão obter absolvição sacramental e receber a Sagrada Comunhão “segundo o Magistério da Igreja”, recorrendo às palavras do Santo Padre.

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María Clemencia Rodríguez de Santos agradece ao Santo Padre a bênção dada, em 2017, à sua relação adúltera com o Juan Manuel Santos, na altura, Presidente da Colômbia.

A prudência, de acordo com o Papa Francisco, pode ser uma coisa daqueles que têm “São Pilatos” como “padroeiro”.

Basto 01/2020

Abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos: “Cristo crucificado de novo?”

Pe. Santiago Martín põe em causa a intenção de alguns bispos alemães de abertura da Sagrada Comunhão aos luteranos, sem deixar de mencionar a aprovação pessoal do Papa Francisco nesta questão. O famoso teólogo espanhol teme que este novo avanço pastoral produza um facilitismo semelhante ao que decorreu da aplicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

Basto 7/2018

Portugal adere gradualmente à conciliação entre adultério e Sagrada Comunhão

Durante o passado fim-de-semana decorreram as XXVIII Jornadas Nacionais de Pastoral Familiar, nas instalações do Seminário do Verbo Divino, em Fátima. Os órgãos de comunicação social reportam uma participação recorde e fazem perceber uma grande abertura dos participantes face às inovações doutrinais introduzidas pelo Papa Francisco através da exortação apostólica Amoris Laetitia.

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Programa das Jornadas – www.leigos.pt

Uma abertura doutrinal (ou pastoral) que é visível nos leigos:

Embora para alguns a ideia de integração seja difícil, há já exemplos positivos. É o caso de Alexandra Silva. Casada durante 13 anos, divorciou-se e, há cerca de três anos, apostou num segundo casamento. Para esta ex-catequista, o acompanhamento que o pároco lhe proporcionou foi determinante para que continuasse ligada à Igreja. Convidada a dar o seu testemunho nas jornadas da pastoral familiar, Alexandra Silva contou à Renascença que nunca teve “essa sensação do apontar o dedo, das pessoas me olharem, de comentarem”. Porque os divorciados não podiam, na altura, comungar, a jovem deixou de o fazer por uma questão de respeito. No entanto, retomou e atualmente, com o marido Manuel Alves, “colocamo-nos na fila e vamos, nunca nos foi recusado”. Para essa mudança de atitude foi determinante “o apoio que o pároco nos tem dado”. Atualmente faz parte da equipa da pastoral da saúde e do grupo de Casais, da paróquia de Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia.

(in Rádio Renascença, 23/10/2016)

Mas também nos clérigos presentes, como o cónego Arnaldo Pinto, um dos oradores convidados:

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Programa das Jornadas – www.leigos.pt

Um exemplo da integração que o Papa Francisco preconiza na exortação “A Alegria do Amor”. Um documento que manifesta um progresso doutrinal ao abrir a possibilidade aos recasados de participarem nos sacramentos, salienta o cónego Arnaldo de Pinho. O diretor do Centro de Estudos do Pensamento Português, da Universidade Católica, diz que se trata de uma exortação sinodal “que não põe limites à integração, por exemplo, no acesso aos sacramentos, ao passo que a Familiaris Consortio taxativamente dizia que não podiam ser integradas na comunhão”. Para Arnaldo de Pinho, “em linguagem técnica, é um progresso doutrinal”.

(in Rádio Renascença, 23/10/2016)

No mesmo sentido, o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto voltou a falar da “necessidade de conversão”:

Outro aspecto que o Papa salienta na encíclica é, acrescenta o bispo, “acolher, acompanhar, discernir e integrar” o que “exige um novo modo de ser Igreja e um novo modo de ser pastor”. Um pastor que “acolhe a todos, que não deixa as pessoas sós”, uma Igreja “do discernimento, que responsabiliza as pessoas num caminho de discernimento de consciência, de discernimento espiritual e pastoral”.

[…]

É uma mudança de mentalidades que leva tempo, admitiu D. António Marto, e que vai ser alvo de reflexão na próxima assembleia plenária dos bispos a realizar em Novembro.

(in Rádio Renascença, 22/10/2016)

Trinta e quatro anos depois de terem gritado “vivas” ao Papa João Paulo II, no Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, quando este pregou a Verdade sobre o matrimónio e a família, parece que agora os portugueses preparam-se para aplaudir uma nova doutrina diametralmente contraditória, por ocasião do centenário das aparições de Fátima.

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IV Memória da Ir. Lúcia dos Santos, vidente de Fátima, 1941

Nossa Senhora de Fátima, salvai-nos e salvai Portugal nesta hora difícil!

Basto 10/2016

A alegria do amor em Granada

Arquidiocese de Granada autoriza a comunhão a divorciados ‘recasados’, adotando os critérios dos bispos de Buenos Aires depois de estes terem obtido o assentimento e apreço do Papa Francisco.

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Periodista Digital em 18/10/2016

Hoje, através desta minha nota, assumo como próprios e “promulgo”, por este meio, os critérios dos Bispos da Região de Buenos Aires para todos os fiéis católicos da Diocese de Granada, e estabeleço também que, com a minha ajuda e todas as outras que sejam necessárias, seja a Delegação da Família e Vida a encarregar-se desta tarefa de divulgar e explicar tais critérios, assim com ajudar a colocá-los em prática.

(D. Javier Martínez, arcebispo de Granada, em 16/09/2016)

A apostasia generaliza-se dentro da Igreja Católica a partir das mais altas patentes eclesiásticas. Quem poderá salvar-se?

Basto 10/2016

Sagrada Comunhão para pessoas em situação de adultério público e permanente

Bispo de Leiria-Fátima reconhece a necessidade de “conversão”…

Um texto publicado no sítio da Diocese de Leiria-Fátima resume a intervenção de D. António Marto na abertura do novo ano da escola diocesana Razões da Esperança, na passada terça-feira, 27 de setembro. De acordo com o texto, o bispo de Leiria-Fátima reconheceu a necessidade de conversão…

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

(Oração do Anjo de Portugal, o Anjo da Eucaristia, exatamente há 100 anos)

A mensagem de Fátima é um sério e urgente apelo de Nossa Senhora à conversão, mas conversão de quem? Quem são os pecadores?

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[…]  O que o Papa Francisco deseja, no entender do bispo de Leiria-Fátima, é que, perante a realidade atual de crise do matrimónio e da família, a Igreja não fique na lamentação mas aceite o desafio de anunciar com criatividade pastoral  a boa nova do amor e da família. “O matrimónio é uma vocação divina e não um mero arranjo de vida”, lembrou.

[…] Sobre os casais em união de facto ou casamento civil, indicou que devem ser acolhidos e acompanhados no seu caminho.

Por fim, focou a situação dos divorciados em nova união, que não estão excomungados da Igreja. O Papa Francisco propõe um caminho dinâmico feito de atenção, misericórdia, diálogo e discernimento, em ordem à sua integração nas comunidades cristãs. Referiu que o método proposto na exortação pontifícia requer uma conversão dos pastores e das comunidades para admitirem a diversidade de situações. Já no diálogo, D. António admitiu que o discernimento dos casos particulares venha a ser confiado a alguns sacerdotes bem preparados para essa missão.

(in Diocese de Leiria-Fátima, 28/09/2016)

Esta posição de D. António Marto não é propriamente uma novidade, vai ao encontro de outras notícias da primavera deste ano de 2016 e também do verão do ano passado.

“O Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família.”

(D. António Marto ao jornal Presente Leiria-Fátima in Ecclesia, 12/04/2016)

Se algum dia aparecesse um “génio” na Região Demarcada do Douro, a mais antiga do mundo, com um novo método de fabrico do genuíno Vinho do Porto que dispensasse o árduo cultivo das vinhas, a população desconfiaria, ainda que essa pessoa fosse a própria Dona Antónia. Do mesmo modo, uma nova misericórdia barata e fácil, que “santifica” a longevidade e a estabilidade de uma relação adúltera, e também a fidelidade ao adultério, é algo muito novo e exótico dentro da Igreja Católica. Dá para desconfiar, ainda que quem a promova seja o próprio Papa.

Analisando bem a questão, tal exotismo pastoral é mesmo um grande sacrilégio. Portanto, senhores bispos e padres de Portugal, tenham muito cuidado em relação a esta questão, porque permitir a comunhão a pessoas aprisionadas pelo pecado do adultério pode representar um passaporte para a perdição definitiva dessas almas. Ninguém gostaria de apresentar-se perante Deus com essa responsabilidade.

 “Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.”

(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa)

Será por isso que o Santo Padre decidiu vir a Fátima?

O Papa Francisco decidiu finalmente confirmar a viagem a Portugal, mas, para já, só a Fátima, depois logo se vê. Estará ele à espera de ver mais bispos portugueses a aceitar publicamente a sua “misericórdia”? Se esse for o sinal de que precisa, então é melhor não visitar outras dioceses portuguesas.

Quando chegar a Portugal, que toda a Igreja Católica Portuguesa lhe dê um sinal claro e inequívoco de que “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé” para que, a partir daqui, Fátima sirva de Farol para a salvação do mundo.

 

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Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal!

Basto 10/2016

A alegria do amor na Irlanda

A manchete da última edição do semanário católico irlandês The Irish Catholic foi assim:

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Manchete do dia 15 de setembro de 2016

Divorciados/recasados católicos podem agora receber a comunhão

Papa dá luz verde em determinadas circunstâncias

(The Irish Catholic, 15/09/2016)

A edição digital foi semelhante:

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irishcatholic.ie

A opção editorial do jornal irlandês é uma consequência direta do escândalo papal da semana passada, que entretanto foi ratificado pelo Vaticano e publicado em várias línguas através dos órgãos de comunicação social oficiais.

É natural que mais casos como este surjam nos próximos dias… Mas não é isso mesmo que se pretende? Não há indignações, não há desmentidos, não há correções e, acima de tudo, não há temor a Deus.

Basto 9/2016

Os documentos são autênticos!

Os escandalosos documentos publicados nos últimos dias, relativos à correspondência entre os bispos argentinos e o Papa Francisco, são autênticos e ganharam agora uma dimensão global, uma vez que foram ontem divulgados, em várias línguas, pelos órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano.

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

 

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

Portanto, não vale a pena perder mais tempo e paciência na elaboração de outras interpretações do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia. Sagrada Comunhão para adúlteros não arrependidos? Sim, o Papa recomenda!

Na Rádio Vaticano:

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Cidade do Vaticano (RV) – É a caridade pastoral que impele a “sair para encontrar os afastados e, uma vez encontrados, a iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial”. Esta é a premissa básica em torno da qual gira o conteúdo  da carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento “Critérios fundamentais para a aplicação do Capítulo VIII da Amoris laetitia”, reporta o L’Osservatore Romano.

Exprimindo seu apreço pelo texto elaborado pelos prelados, o Pontífice sublinhou na mensagem enviada a Dom Sergio Alfredo Fenoy,  como este manifesta na sua plenitude o sentido do Capítulo VIII da Exortação Apostólica – o que trata de “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” – esclarecendo que “não existem outras interpretações”. O documento dos bispos – assegurou o Pontífice – “fará muito bem”, sobretudo para aquela “caridade pastoral” que o permeia inteiramente.

(in Rádio Vaticano, 13/09/2016)

No L’Osservatore Romano e na Rede Oficial do Vaticano:

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Neste momento, desapareceu aquela voluntariosa margem de dúvidas hermenêuticas da Amoris Laetitia. Apesar de toda a sua ambiguidade literária, a exortação apostólica propõe de facto que as pessoas em situação de adultério público e permanente tenham acesso à Sagrada Comunhão. Isto representa uma rutura estrondosa e sem precedentes no edifício doutrinal da Igreja Católica cujas consequências serão agora inimagináveis.

A comunhão de adúlteros, ou seja divorciados “recasados”, é, desde o início do seu pontificado, a grande causa do Papa Francisco, que a defendeu de uma forma acanhada e dissimulada mas persistente. Aliás, assumiu-a publicamente na sua primeiríssima oração do Angelus, em Roma. Na prossecução desta sua grande causa, colocou clérigos heréticos em lugares de destaque, afastou outros que defendiam a Verdade Cristã e convocou um controverso sínodo. Não conseguindo obter o apoio dos padres sinodais, elaborou uma exortação apostólica longa e confusa, cuja interpretação, sabemos agora, é oposta à maioria das opiniões dos padres sinodais e contrária à Verdade Cristã.

Perante a falta de coragem para assumir de forma clara este ataque direto e incisivo do Santo Padre a um dos principais pilares da Santa Igreja Católica, nomeadamente, a Verdade cristã sobre a família e o matrimónio, o Vaticano escolheu este estratagema subtil e diabólico para, no 99º aniversário da 5ª aparição de Fátima, promover um sacrilégio à escala global.

Depois disto e de todos os outros escândalos recentes que atingiram a Igreja Católica, dá vontade de perguntar se, a poucos meses da celebração do centenário das aparições de Fátima, alguém ainda tem dúvidas sobre qual seria o núcleo central do Segredo de Fátima?

O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

(Palavras de Nossa Senhora a Lúcia dos Santos, vidente de Fátima)

Talvez Roma não seja o lugar mais indicado para procurar abrigo espiritual durante a presente tempestade… Apertemos o cinto de segurança porque nos aproximamos rapidamente do centro do ‘furacão’ anunciado em 1917.

Atenção irmãos, eles até podem abrir as portas do Inferno, se Deus o permitir, mas não obrigam ninguém a entrar.

Basto 9/2016

Francisco: “Não há outras interpretações.”

Mas o que diz afinal a exortação apostólica Amoris Laetitia?

A questão da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão é um dos principais temas que caracterizam o pontificado de Francisco. Foi ele quem o colocou em lugar de destaque na agenda da Igreja, no entanto, se alguém o questiona diretamente sobre o assunto, ele evita responder de forma clara e objetiva.

Sagrada Comunhão a adúlteros, sim ou não Santo Padre?

Não dá para entender. Conhecemos a posição clara e categórica de Cristo e da sua Igreja face a este tema, mas não podemos dizer o mesmo em relação ao Papa, o que não deixa de ser completamente absurdo!

Na atual situação de limbo hermenêutico criada pelo Papa Francisco, alguns continuam a esforçar-se por tentar interpretar a exortação apostólica Amoris Laetitia à luz do tradicional magistério da Igreja – por vezes parecendo até que contradizem o próprio Papa – enquanto outros, apoiados numa interpretação completamente avessa à doutrina cristã, precipitam-se numa “pastoral” verdadeiramente diabólica.

Para não incorrem no risco de uma má interpretação, os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires, que se preparavam para dar instruções aos seus sacerdotes no sentido de admitirem pessoas em situação de adultério à Sagrada Comunhão, pediram o parecer ao Santo Padre. Estaria eles a interpretar corretamente o polémico capítulo oitavo?

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 1

 

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 2

Resposta papal: “Não há outras interpretações.”

Bem, afinal parece que sim, os bispos interpretaram corretamente as intenções da exortação papal. Os adúlteros deverão mesmo ser admitidos à Sagrada Comunhão sem terem necessidade de corrigir a situação de pecado grave em que se encontram. Bastará que se sujeitem a um processo de “acompanhamento” e “discernimento”, no final do qual permanecerão na mesma situação de adultério inicial…

Qualquer outra interpretação da exortação apostólica que não preveja essa hipótese sacrílega está portanto, à partida, excluída, de acordo com o próprio Santo Padre.

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 1

 

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 2

A documentação acima evidenciada, aparentemente oficial, foi originalmente publicada pela Infocatólica e entretanto retirada, apresentando-se assinada e datada. A confirmar-se a autenticidade dos documentos, configura-se um facto grave de mais para ser ignorado pela Igreja. Um acontecimento inédito na história do Papado e da Igreja cujos contornos são de natureza apocalítica.

O Papa Francisco deve esclarecer imediatamente, de forma clara e objetiva, o caso do alegado aval concedido aos bispos argentinos, do mesmo modo, deve esclarecer, de uma vez por todas, o que pretende de facto com a Amoris Laetitia. Neste caso não basta um daqueles risíveis desmentidos lombardianos. A própria Congregação para a Doutrina da Fé tem de tomar uma atitude firme na resolução desta ambivalência doutrinal que está a dilacerar a Igreja.

O adultério é um pecado grave que leva à condenação eterna. Ninguém deve receber a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal, sob pena de estar a receber a sua própria condenação. Não será essa nova “pastoral” um passaporte para o Inferno?

Basto 9/2016

O Cardeal-Patriarca de Lisboa reafirma a sua interpretação da exortação apostólica

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Num momento em que grande parte da Igreja Católica viu na Amoris Laetitia uma abertura da comunhão eucarística às pessoas divorciadas ‘recasadas’, aceitando-a já com naturalidade, o líder da Igreja Portuguesa continua a interpretar exortação apostólica à luz do magistério tradicional da Igreja. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, repetiu ontem, na homilia proferida na Festa da Vida e da Família, em Santo Antão do Tojal, aquilo que já tinha dito há um mês atrás.

Consequentemente, o Papa Francisco dá-nos indicações claras e precisas para a vida da Igreja, na sua relação com as famílias. Na esteira dos seus predecessores, insiste na integração eclesial de todos os batizados, inclusive dos divorciados recasados, dizendo em relação a estes que «a sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas» (AL, 299). Ainda que não inclua nesta série de exclusões a superar as de ordem sacramental, não dispensa estes irmãos e irmãs da ascensão para Deus, com tudo o que possa e deva ser.

(D. Manuel Clemente in sítio do Patriarcado de Lisboa, 08/05/2016)

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www.patriarcado-lisboa.pt

O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa mostrou, deste modo, todo o seu apoio à catequese do Papa Francisco sobre a família, no mesmo dia em que apresentou dois livros do Santo Padre publicados em Portugal, no entanto, a sua interpretação continua bem diferente daquela que fez recentemente o Vice-presidente.

Basto 5/2016

A Alegria do Amor em Espanha

No passado dia 14 de abril, a Conferência Episcopal Espanhola apresentou publicamente a exortação apostólica Amoris Laetitia. O painel de apresentadores era composto por seis grandes personalidades, representantes da hierarquia religiosa espanhola e também académicos, liderados por D. Carlos Osoro Sierra, arcebispo de Madrid e vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola.

No que concerne ao tema quente da exortação apostólica, a comunhão a divorciados “recasados”, é possível deduzir, partir das declarações dos presentes, uma aceitação natural dos avanços heréticos da hermenêutica kasperiana. Este facto confirma-se na resposta à primeira questão levantada pelos jornalistas (a partir do minuto 54:58) que foi, justamente, sobre a “ambiguidade” do texto que poderia permitir o seguinte paradoxo:

Pode acontecer que numa paróquia se dá a comunhão a um divorciado “recasado” […] enquanto na paróquia ou diocese ao lado não, […] como se vai resolver esta situação no dia-a-dia?

A questão criou algum desconforto nos presentes – pelo menos aparentemente – cuja reação fez lembrar uma batata quente, de mão em mão, que acabaria inevitavelmente no fim da mesa. Coube ao jesuita Pablo Guerrero, professor de Teologia Pastoral na Universidade Pontifícia de Comillas, apresentar uma resposta, a qual não foi contestada pelos restantes elementos que compunham o painel:

Isso é como sugerir que seria em função do critério do padre e não é. O Papa, num claro exercício da sinodalidade e comunhão com todo o corpo de bispos da Igreja, o que propõe ao pastor de cada diocese é formar os seus sacerdotes num conjunto de critérios comuns para evitar tal arbitrariedade. Nenhum sacerdote se deve sentir dono da Palavra de Deus .

Ou seja, depreende-se das suas palavras, que sim, só faltaria definir os critérios de elegibilidade dos divorciados “recasados” que poderão aceder à comunhão.

Num registo diferente, ainda esta semana, também em Espanha, no Seminário Metropolitano de Oviedo, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé contestou categoricamente essa possibilidade. O Cardeal Gerhard Müller reafirmou, mais uma vez, o magistério tradicional da Igreja neste domínio, fazendo questão de diferenciar o que é “excomunhão canónica” e “excomunhão sacramental” para refutar a tese kasperiana desta forma:

Eles [os divorciados “recasados”] não estão excomungados canonicamente, no entanto não poderão comungar sem antes regularizarem a sua vida e receberem o sacramento da Penitência.

[Tem havido alguma confusão, no entanto] a Igreja não é dona da Graça, apenas administra os sacramentos, estando vinculada e obrigada a caminhar nessa linha. A Igreja não tem autoridade para alterar este caminho dos sacramentos.

A “nova pastoral da família” promovida pelo Papa Francisco começou a gerar controvérsia em Espanha ainda antes da publicação da exortação apostólica, por exemplo,  nas dioceses de Alcalá y Getafe.

Já aqui se falou antes no trabalho ingrato da brigada de limpeza da Amoris Laetitia, cujas esfregonas se gastam intensivamente desde o dia 8 de abril, mas vale ainda a pena ouvir os sinceros esforços do excelente teólogo Pe. Santiago Martin na Magnificat TV.

 

Basto 5/2016

A Alegria do Amor em Milão

A exortação apostólica Amoris Laetitia “começou a mudar as atitudes relativamente à comunhão, na Arquidiocese de Milão”. A informação partiu de um artigo publicado pelo Mons. Fausto Gelardi no sítio da Internet da referida diocese (pode ler-se em Inglês aqui). Este prelado é o alto responsável pela Confissão na Catedral de Milão.

O referido texto sugere que alguém, entre os sacerdotes, talvez um pouco “precipitado e procurando eficiência”, terá aberto uma “janela” de consultas, dando a ideia de que “pode conceder rapidamente exceções”.

O artigo termina com a seguinte frase:

Os fiéis têm experimentado a ânsia de pastores que não são chamados para impor uma norma, mas para levantar o valor expresso por aquela norma, transportando em sentido real o “cheiro das ovelhas”.

 

Basto 4/2016

Memorando para a brigada de limpeza da “Amoris Laetitia”. Agora já podem parar.

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Por Christopher A. Ferrara

Será que a Amoris Laetitia alcança aquele que foi, obviamente, o objetivo do Papa Francisco durante este tempo todo: a admissão de reconhecidos adúlteros – divorciados e “recasados” – à Sagrada Comunhão em “certos casos” (que significa, em última instância, todos os casos)? É claro que sim.

Como revelou a alegria manifestada, em conferência de imprensa, pelo co-apresentador escolhido a dedo por Francisco para apresentar este documento “catastrófico” ao mundo, o Cardeal Christoph Schönborn, conhecido pela sua orientação “pró-gay” e pró-divórcio: “A minha grande alegria, resultante deste documento, reside no facto de que ele coerentemente supera aquela clara divisão artificial, superficial, entre ‘regular’ e ‘irregular'” – ou seja, “superficial” distinção entre as uniões sexuais lícitas e as imorais, entre o casamento cristão e as relações que envolvem adultério e fornicação.

Especificamente na questão da Sagrada Comunhão para adúlteros, Schönborn disse aquilo que já era evidente a partir da linguagem da fatídica nota de rodapé 351:

E o Papa Francisco recorda a necessidade de discernir bem as situações, seguindo a linha da Familiaris consortio (n. 84) de São João Paulo II (AL 298). “O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus” (AL 305)…

No sentido desta via caritatis (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351), que se pode dar também a ajuda dos sacramentos “em certos casos”. Mas para este propósito ele não nos oferece uma casuística de receitas, mas simplesmente nos recorda duas de suas famosas frases: “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (EG 44) e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos” (EG 44).

Observe-se a frase “de acordo com a Familiaris Consortio (84) de São João Paulo II.” Então, a velha fraude continua, pois Francisco e Schönborn escondem o facto de, na referida secção da exortação apostólica de João Paulo II, se rejeitar especificamente qualquer possibilidade de um “discernimento” que permita a reconhecidos adúlteros receber o Santíssimo Sacramento – em “certos casos” ou em qualquer caso. Mas isso foi quando as coisas eram “preto no branco”, agora, com Francisco, elas tornaram-se acinzentadas.

E agora ficámos a conhecer, pelo próprio Papa, que Francisco contradiz categoricamente o seu antecessor e toda a Tradição. Durante a conferência de imprensa a bordo do seu voo de regresso da Grécia, ele foi questionado se, ao contrário daqueles que dizem que “nada mudou”, a Amoris Laetitia autoriza “novas possibilidades concretas para os divorciados que voltaram a casar, que não existiam antes da publicação esta exortação”. Com a mão apontada e acenando com a cabeça para dar ênfase, Francisco respondera: “Eu posso dizer que sim, ponto final.” (” Io posso dire sì. Punto.”).

Por incrível que pareça, ele recomendou ainda a leitura da apresentação de Schönborn, na qual “essa questão encontra a resposta”. Eu digo incrível porque a resposta de Schönborn foi: “O Papa afirma, de forma humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada “em certos casos”.” Ou seja, Francisco – ao jeito de um político astuto – fez-nos um finta, enquanto passava a bola: leia o que o meu assistente Schönborn disse, a fim de saber o que eu disse no meu próprio documento!

Será isto real? Na verdade, é. E agora um pequeno conselho, não solicitado, para todos os “normalistas” que ainda tentam desesperadamente limpar este documento catastrófico (sobre o qual muito mais será escrito, mais tarde, nestas páginas): Guardem as vossas vassouras. Isto não dá para limpar. Francisco está a fazer-vos passar por idiotas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de abril de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2016