Igreja Ortodoxa Russa constrói megacatedral onde glorifica as vitórias do exército comunista soviético e a conquista da Crimeia à Ucrânia

O novo templo dedicado às forças armadas russas localiza-se nos  arredores de Moscovo e a sua inauguração estava programada para este mês de maio, para assinalar os 75 anos da vitória do Exército Vermelho na II Guerra Mundial. A sua decoração, aparentemente, mistura elementos cristãos da arte bizantina com um misto de nacionalismo russo, comunismo soviético e putinismo… Entre as várias gravuras murais, encontram-se dois mosaicos que glorificam, respetivamente, as figuras-chave do regime putinista envolvidas na ocupação ilegal da península ucraniana da Crimeia e o assassino em massa Josef Stalin, ao mesmo tempo que associam a Mãe de Deus às referidas barbaridades.

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O ícone da esquerda exibe faixas com os slogans “A CRIMEIA É NOSSA” e “PARA SEMPRE COM A RÚSSIA”, o da direita ostenta um cartaz do ditador comunista soviético e perseguidor dos cristãos russos, Josef Stalin.

Os símbolos do exército soviético, ainda hoje usados pelas forças armadas russas, decoram os vitrais e misturam-se com os símbolos cristãos.

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Símbolos do regime comunista soviético nos vitrais no teto da nova catedral da Igreja Ortodoxa Russa.

O elemento que gerou, porém, mais interesse mediático foi a intenção de se incluir, num desses murais de culto, a própria figura de Vladimir Putin, uma ideia que talvez já não chegue a concretizar-se

Como diz o admirado líder “cristão” Vladimir Putin, durante aqueles tempos de ditadura soviética, “uma nova religião era criada”, vendo no comunismo uma coisa mais ou menos semelhante ao cristianismo.

Basto 05/2020

Uma ressurreição totalmente política. Mensagem de Páscoa de Francisco aos “movimentos populares”.

movimentos populares

Por Sandro Magister

Na noite de 12 de abril, domingo de Páscoa, os principais meios de comunicação católicos divulgaram a carta enviada pelo papa Francisco, nesse mesmo dia, aos “movimentos populares” do mundo inteiro, os mesmos que ele tinha convocado e com os quais reunira pela primeira vez, em Roma, em 2014, depois em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em 2015, e novamente em Roma, em 2016.

Os “movimentos populares”, como eles próprios se definem, representam a massa de “excluídos dos benefícios da globalização”. São “vendedores ambulantes, coletores de lixo, carrosséis, pequenos agricultores”, em suma, todos os descartados por quem detém o poder. No entanto, para Jorge Mario Bergoglio, eles são a vanguarda da nova humanidade, são os “verdadeiros ‘poetas sociais’ que, dos subúrbios esquecidos, criam soluções dignas para os problemas mais ardentes dos excluídos”.

É para esta multidão que Francisco recomendou repetidamente um futuro feito de terra, lar, trabalho para todos. Graças a um processo de ascensão ao poder que “transcende os procedimentos lógicos da democracia formal” e que na última carta chega a reivindicar “uma forma de remuneração básica universal”.

Nesta carta, a visão política completa de Bergoglio brilha a uma escala planetária, já analisada em profundidade, há alguns meses, nesta outra página do Settimo Cielo:

> Um papa com o “mito” do povo

Aqui está o texto completo da carta agora tornada pública. Uma estranha mensagem de Páscoa de um papa, por uma ressurreição completamente e apenas política.

*

Aos irmãos e irmãs dos movimentos e organizações populares.

Queridos amigos,

Lembro-me com frequência dos nossos encontros: dois no Vaticano e um em Santa Cruz de la Sierra e confesso que essa “memória” me faz bem, me aproxima de vós, me faz repensar em tantos diálogos durante esses encontros e em tantas esperanças que ali nasceram e cresceram e muitas delas se tornaram realidade. Agora, no meio desta pandemia, eu lembro-me de vós de uma maneira especial e quero estar perto de vós.

Nestes dias de tanta angústia e dificuldade, muitos referiram-se à pandemia que sofremos com metáforas bélicas. Se a luta contra o COVID-19 é uma guerra, vocês são um verdadeiro exército invisível que luta nas trincheiras mais perigosas. Um exército sem outra arma senão a solidariedade, a esperança e o sentido da comunidade que reverdecem nos dias de hoje em que ninguém se salva sozinho. Vocês são para mim, como lhes disse nas nossas reuniões, verdadeiros poetas sociais, que desde as periferias esquecidas criam soluções dignas para os problemas mais prementes dos excluídos.

Eu sei que muitas vezes vocês não são reconhecidos adequadamente porque, para este sistema, são verdadeiramente invisíveis. As soluções do mercado não chegam às periferias e a presença protetora do Estado é escassa. Nem vocês têm os recursos para realizar as funções próprias do Estado. Vocês são vistos com suspeição por superarem a mera filantropia por meio da organização comunitária ou por reivindicarem seus direitos, em vez de ficarem resignados à espera de ver se alguma migalha cai daqueles que detêm o poder económico. Muitas vezes mastigam raiva e impotência quando veem as desigualdades que persistem mesmo quando terminam todas as desculpas para sustentar privilégios. No entanto, vocês não se encerram na denúncia: arregaçam as mangas e continuam a trabalhar para suas famílias, seus bairros, para o bem comum. Essa vossa atitude ajuda-me, questiona-me e ensina-me muito.

Penso nas pessoas, especialmente mulheres, que multiplicam o pão nos refeitórios comunitários, cozinhando com duas cebolas e um pacote de arroz um delicioso guisado para centenas de crianças, penso nos doentes, penso nos idosos. Elas nunca aparecem nos média convencionais. Tampouco os camponeses e os pequenos agricultores, que continuam a trabalhar para produzir alimentos saudáveis, sem destruir a natureza, sem monopolizá-los ou especular com a necessidade do povo. Quero que saibam que nosso Pai Celestial olha para vocês, valoriza-vos, reconhece e fortalece na sua escolha. Quão difícil é ficar em casa para quem mora numa pequena casa precária ou para quem de facto não tem teto. Quão difícil é para os migrantes, as pessoas privadas de liberdade ou para aqueles que realizam um processo de cura para as dependências. Vocês estão lá, colocando o vosso corpo ao lado deles, para tornar as coisas menos difíceis, menos dolorosas. Congratulo-vos e agradeço-vos do fundo do meu coração. Espero que os governos entendam que os paradigmas tecnocráticos (sejam centrados no estado, sejam centrados no mercado) não são suficientes para enfrentar esta crise e nem os outros problemas importantes da humanidade. Agora, mais do que nunca, são as pessoas, as comunidades, os povos que devem estar no centro, unidos para curar, cuidar, compartilhar.

Eu sei que vocês foram excluídos dos benefícios da globalização. Não desfrutam daqueles prazeres superficiais que anestesiam tantas consciências. Apesar disso, vocês sempre sofrem os danos dessa globalização. Os males que afligem a todos, a vocês atingem duplamente. Muitos de vocês vivem o dia a dia sem nenhum tipo de garantias legais que vos protejam. Os vendedores ambulantes, os coletores de lixo, os feirantes, os pequenos agricultores, os pedreiros, as costureiras, os que realizam diferentes tarefas de cuidado. Vocês, trabalhadores informais, independentes ou da economia popular, não têm um salário estável para resistir a este momento … e as quarentenas são insuportáveis para vós. Talvez seja a hora de pensar num salário universal que reconheça e dignifique as tarefas nobres e insubstituíveis que vocês realizam; capaz de garantir e tornar realidade esse slogan tão humano e cristão: nenhum trabalhador sem direitos.

Também gostaria de convidá-los a pensar no “depois”, porque esta tempestade vai acabar e as suas sérias consequências já estão a ser sentidas. Vocês não são uns improvisados, têm a cultura, a metodologia, mas principalmente a sabedoria que é amassada com o fermento de sentir a dor do outro como sua. Quero que pensemos no projeto de desenvolvimento humano integral que ansiamos, focado no protagonismo dos Povos em toda a sua diversidade e no acesso universal aos três T que vocês defendem: terra e comida, teto e trabalho. Espero que esse momento de perigo nos tire do piloto automático, sacuda as nossas consciências adormecidas e permita uma conversão humanística e ecológica que termine com a idolatria do dinheiro e coloque a dignidade e a vida no centro. A nossa civilização, tão competitiva e individualista, com as suas taxas frenéticas de produção e consumo, os seus luxos excessivos e lucros desmedidos para poucos, precisa de mudar, de se repensar, de se regenerar. Vocês são construtores indispensáveis dessa mudança urgente; além disso, vocês possuem uma voz autorizada para testemunhar que isso é possível. Vocês conhecem crises e privações … que com modéstia, dignidade, compromisso, esforço e solidariedade, conseguem transformar numa promessa de vida para vossas famílias e comunidades.

Mantenham vossa luta e cuidem-se como irmãos. Oro por vocês, oro com vocês e quero pedir ao nosso Deus Pai que vos abençoe, vos encha com o Seu amor e vos defenda ao longo do caminho, dando-vos a força que nos mantém vivos e não desaponta: a esperança. Por favor, orem por mim que eu também preciso.

Fraternalmente,

Cidade do Vaticano, 12 de abril de 2020,

Domingo de Páscoa.

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 14 de abril de 2020.
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação.

Basto 04/2020

“Novo Pacto Educativo Global”: o cristianismo dá lugar a um ambientalismo panreligioso, no quadro da Nova Ordem Mundial

O atual pontífice da Igreja Católica continua determinado em substituir o velho cristianismo por “uma compreensão mais ampla e mais profunda da realidade”, de acordo com o novo paradigma da coexistência das diversas religiões que, segundo a novíssima doutrina de Francisco, é desejado por Deus. O foco central deixa de ser Jesus Cristo e a salvação universal para passar a ser a preservação da “casa comum”. Neste sentido, Francisco irá celebrar um “Pacto Educativo Global“, em Roma, no dia 14 de maio de 2020.

Eis então a necessidade de construir uma «aldeia da educação», onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas. Para isso, antes de mais nada, o terreno deve ser bonificado das discriminações com uma injeção de fraternidade, como defende o Papa no Documento assinado com o Grande Imã de Al-Azhar.

(In Vatican News, 12/09/2019)

É a Igreja de Jesus Cristo transformada numa enorme ONG ao serviço da Nova Ordem Mundial. Ou será que alguém ainda acredita que o Papa Francisco irá aproveitar o facto de ser na semana das aparições de Fátima para convidar aquela gente toda a prostrar-se perante o Santíssimo Sacramento em adoração ou a rezar o terço pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria?

Basto 09/2019

Frases que nos fazem pensar: Jerónimo de Sousa

“Não há nenhuma maioria parlamentar, nem nenhum governo de esquerda ou de maioria de esquerda, nem tão pouco há governo apoiado pela CDU.”

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(Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do Partido Comunista Português e deputado na Assembleia da República eleito pela CDU)

Contexto da frase:

Discurso de Jerónimo de Sousa aos seus camaradas, no comício da CDU do dia 18 de agosto de 2019, em Alter do Chão, num momento em que se aproxima o termo do mandato do governo de António Costa, quatro anos depois de o Partido Socialista ter sido derrotado nas eleições legislativas de 2015 e da sua governação ter sido viabilizada por uma maioria parlamentar formada pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Ecologista Os Verdes; in RTP, 18/08/2019.

O discurso foi proferido num momento em que os comunistas portugueses ainda refletem sobre o mau resultado obtido nas eleições para o Parlamento Europeu, em que as mais fortes iniciativas de contestação social em Portugal têm sido convocadas por estruturas sindicais desalinhadas com o PCP e em que se assiste ao surgimento de dezenas de novos sindicatos fora da área de influência dos comunistas.

Basto 08/2019

Terminou ontem a greve do movimento feminista radical alemão contra a autoridade católica

maria.2.0.jpgFoi organizada pelo autodenominado movimento “Maria 2.0” e estendeu-se de 11 a 18 de março, contando com o apoio de um bispo local e de vários clérigos católicos alemães que se rebelaram contra o “não” do Papa às diaconisas. Exigem, entre várias outras reivindicações, “uma renovação radical da Igreja Católica e o acesso das mulheres a todos os ofícios eclesiásticos”.

Basto 05/2019

Bispo de Fátima teme pelo “futuro da casa comum europeia”

A poucos dias das eleições para o Parlamento Europeu – um oneroso organismo comunitário que, ao fim de quase 70 anos de funcionamento, ainda não é fácil perceber para que serve -, o cardeal D. António Marto teme pela estabilidade das democracias liberais que alicerçam o projeto de construção europeia. Um projeto que cresceu a partir de ideais maçónicos que levaram à erradicação dos valores cristãos e nacionais das nações europeias, abrindo as portas ao ensino laico, ao esvaziamento moral da sociedade, à pornografia generalizada, à prostituição das relações sociais, ao homossexualismo galopante, à promoção do aborto livre e gratuito, ao materialismo exacerbado, etc.

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In Agência Ecclesia, 12 de maio de 2019.
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Cardeal misericordista D. Luis Tagle com o Papa Francisco na viajem apostólica às Filipinas em janeiro de 2015.

Os temores do cardeal misericordista português prendem-se talvez com a emergência recente de alguns grupos minoritários no panorama político e social europeu que defendem, por exemplo, a regulação da imigração ilegal ou o fim do aborto livre e do casamento gay, entre outras obscenidades da esquerda globalista radical ditadas a partir de Bruxelas.

Há 70 anos, os bispos católicos, particularmente os portugueses, temiam o avanço do projeto da “casa comum” sobre a Europa a partir do Leste e rezavam a Nossa Senhora de Fátima para salvar a nação desse flagelo… O mundo dá cada volta!

Basto 05/2019

Francisco reabilita um dos principais rostos da teologia da libertação

O Papa Francisco levantou as sanções canónicas anteriormente impostas a Ernesto Cardenal. O sacerdote e poeta nicaraguense, que fora repreendido publicamente pelo Papa João Paulo II, encontrava-se há mais de 30 anos suspenso a divinis por causa da sua militância marxista sandinista.

Basto 02/2019

O negócio secreto torna-se evidente

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Por Christopher A. Ferrara

Sandro Magister fez uma análise devastadora dos sinais emergentes da profundidade da traição da Igreja Subterrânea na China no mês seguinte ao acordo secreto entre o Vaticano e os ditadores comunistas de Pequim.

Os pontos principais são estes:

  • Pequim enviou dois bispos da “Igreja oficial” da China ao Sínodo dos Jovens e do Blá, Blá, Blá, que todos sabem não passar de uma elaborada farsa que disfarça uma intenção preconcebida de injetar na Igreja a noção venenosa de que existe uma tal coisa chamada “católico LGBT”, que subverteria todo o ensinamento da Igreja sobre o mal da depravação sexual.
  • Se os dois bispos foram escolhidos por Pequim, isso significa que Roma dobra-se agora perante os senhores comunistas, mas se foi Francisco quem os escolheu, isso significa, ainda pior, que ele deliberadamente validou a falsa Igreja criada por Pequim na Associação Católica Patriótica (ACP).
  • O primeiro bispo fantoche de Pequim enviado ao Sínodo, João Batista Yang Xiaoting, o chamado “bispo de Yan’an-Yulin”, é membro da Assembleia Popular da província de Shanxi, um braço do Partido Comunista Chinês.
  • O segundo, José Guo Jincai, o chamado “bispo de Chengde”, é membro da Assembleia Nacional do Povo, que é o órgão parlamentar central do partido.
  • Ambos os ditos bispos são também oficiais do falso Conselho Episcopal criado por Pequim, o “Conselho dos Bispos Chineses”, do qual Yang Xiaoting é vice-presidente e Guo Jincai vice-presidente e secretário-geral.
  • Pior ainda, Francisco levantou a excomunhão de Guo Jincai por ter sido consagrado sem um mandato papal, um dos sete bispos fantoches chineses tão favorecidos. Como “bispo de Chengde”, ele agora administra uma “diocese” que Pequim criou por decreto mas que Francisco agora, evidentemente, reconhece como legítima.
  • Pequim nomeou ainda como “bispo de Lanzhou” o ex-bispo “subterrâneo” José Han Zhihai, que, tendo cedido à pressão do governo, é agora um funcionário local da ACP.
  • Enquanto isso, o ex-bispo “subterrâneo” Thaddeus Ma Daqin, que revogou a sua participação na ACP apenas para anular a sua revogação e voltar para o “rebanho” da ACP, continua preso por “apostatar” de uma pseudo-igreja comunista.
  • O padre missionário francês e especialista em assuntos da China Jean Charbonnier admite que sob o acordo secreto cujos contornos agora vêm à luz, “o Papa Francisco aceitou o processo ‘democrático’ que os chineses já implementaram repetidamente” sob o qual a ACP designa quem será o próximo bispo, enquanto Francisco nada poderá fazer mais do que vetar a sua escolha. Mas “no dia em que o acordo foi assinado, o Papa não exerceu esse direito de veto de modo algum, pelo contrário, ele praticamente o rejeitou. Porque ele disse ‘sim’ a sete bispos que haviam sido anteriormente impostos pelo regime sem o consentimento do Papa e até mesmo, no caso de alguns, apesar da sua rejeição explícita por parte de Roma.”
  • O que agora está à vista é a morte iminente da verdadeira Igreja Católica na China, cujos verdadeiros bispos não são membros da ACP ou do Conselho dos Bispos Chineses, “aquela falsa conferência episcopal que até recentemente não tinha sido reconhecida por Roma, mas que agora recebeu legitimação, visto que o Papa terá que levar em consideração os candidatos ao episcopado que ela lhe apresentará”.
  • Por incrível que pareça, como observa Charbonnier, isso significa que os bispos “clandestinos” tornaram-se “duplamente clandestinos, em relação a [ambos] ao Estado e à Igreja”. E dado que 7 dos 17 restantes bispos verdadeiros têm mais de 75 anos de idade, é apenas uma questão de tempo até que os únicos restantes “bispos” na China sejam os da ACP.
  • Enquanto isso, para completar o desastre, enquanto o anuário papal mostra 144 dioceses católicas na China, Pequim decretou, por meio da ACP, que haverá apenas 96 sob um plano de reorganização, incluindo a recém-inventada “diocese de Chengde”, e “Papa Francisco parece ter dado sinal verde para a operação.

Resumindo, Francisco autorizou secretamente uma sentença de morte para a Igreja Católica na China. Como afirma o Cardeal Burke, o que Francisco fez é “absolutamente inconcebível” e “uma traição a tantos confessores e mártires que sofreram durante anos e anos e foram condenados à morte”. É também mais um sinal de uma situação quase apocalíptica na Igreja cuja resolução terá de envolver a intervenção direta e mais dramática do Céu – uma em que Nossa Senhora de Fátima irá desempenhar o papel principal, como o Terceiro Segredo sem dúvida anuncia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 23 de outubro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2018

Frases que nos fazem pensar: D. Reinhard Marx

c.marx.jpg“Sem ele [Karl Marx] não haveria qualquer doutrina social da Igreja.”

(Cardeal D. Reinhard Marx, Arcebispo de Munique e Frisinga, Presidente da Conferência Episcopal Alemã e um dos principais assessores de Francisco)

Contexto da frase:

Frase proferida numa entrevista realizada por ocasião do 200º aniversário de nascimento de Karl Marx, em que o cardeal alemão alegadamente elogiou o legado histórico do pai do comunismo. A frase apareceu citada na página alemã domradio.de e em vários outros meios de comunicação social. Mais informação aqui, aqui e aqui.

Basto 5/2018

Frases que nos fazem pensar: D. Carlos Ozoro

carlos.ozoro“Eu compreendo, claro, [que as mulheres façam greve no dia 8 de março]. Devemos defender os seus direitos. Eu também o faria, de facto, a Santíssima Virgem Maria também.”

(D. Carlos Ozoro Sierra, cardeal espanhol, Arcebispo de Madrid e ordinário para os fiéis de rito oriental residentes em Espanha)

Contexto da frase:

Frase proferida em contexto de declarações à comunicação social durante a apresentação de um livro em Madrid; in El País, 02/03/2018 – tradução livre.

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Basto 3/2018

Frases que nos fazem pensar: D. Marcelo Sánchez Sorondo

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“Neste momento, os que melhor realizam a doutrina social da Igreja são os chineses.”

(D. Marcelo Sánchez Sorondo, Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências)

Contexto da frase:

“Chinos, quienes mejor realizan la doctrina social de la Iglesia” in Vatican Insider (edição em espanhol), 02/02/2018.

Basto 2/2018

A Imaculada Conceição, os erros e a conversão da Rússia

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Nossa Senhora de Ollignies – Coração Doloroso e Imaculado de Maria

 

Por Pedro Sinde

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Rússia e os erros

Os erros da Rússia, referidos pela Virgem em Fátima, na frase citada em epígrafe, são, tradicionalmente, identificados com o Comunismo. No entanto, mais importante do que a referência ao comunismo, em particular, seria referirmo-nos ao materialismo ateu, à recusa do sobrenatural e à anti-religiosidade (concretamente, o anticatolicismo), mesmo que oculta sob a forma de um diferente regime político (que pode ser capitalista ou outro); esta distinção é essencial para que se perceba que os “erros da Rússia” não terminaram com a queda do comunismo, mas que se continuam a disseminar, hoje mais ainda do que antes, porque camufladamente. No entanto, se pensarmos no contexto da mensagem de Fátima, isto não nos deve bastar. Temos de enfrentar esta revelação da Virgem e reconhecer que ela não se refere apenas aos erros da Rússia, mas também à conversão da Rússia.

Rússia e a conversão

Atentemos na sequência dos eventos referidos pela Virgem: (1) se respondermos aos seus pedidos, (2) seguir-se-á a conversão da Rússia (3) e teremos um período de paz no mundo. Devemos ter reparado que o termo médio, colocado entre a nossa resposta aos pedidos da  Virgem e a prevenção de que os erros da Rússia se espalhem, é a conversão da Rússia. Se esta condição não fosse considerada necessária pela economia divina, não seria mencionada. Devemos entender que a consagração da Rússia implicará a sua conversão, mas que é a conversão que será a causa imediata da libertação do jugo dos erros da Rússia. A conversão da Rússia é, pois, uma condição sine qua non. Dito de outro modo, a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria é a causa da sua conversão e sem esta última não haveria libertação do ateísmo, do materialismo, dos erros da Rússia que se espalharam pelo mundo.  Aqui, temos de pensar que, como os erros da Rússia se espalharam pelo mundo, esta conversão diz respeito a todo o mundo e muito particularmente à Igreja Católica tão devastadoramente infiltrada1. Nós também somos “Rússia”.

Lembremos que os ortodoxos estão em estado de cisma, separados de Roma, rejeitaram o papado e com isso, o dogma posterior da Imaculada Conceição; se é verdade que aos olhos de Roma mantêm a sucessão apostólica e a Missa é válida, isso não diminui a gravidade da questão da rejeição do papado. A sua posição de separação com Roma, quando perderam a cabeça, fez ainda com que se dividissem numa multiplicidade de igrejas nacionais, tantas vezes em conflito entre si.2

Portugal e a Imaculada Conceição

A importância do dogma da Imaculada Conceição para os portugueses, creio ser a chave para percebermos uma das razões mais fundas para que tenha sido Portugal o País escolhido para espalhar esta mensagem ao mundo. E não deixa de ser significativo que Portugal e Rússia se encontrem em extremos opostos geograficamente. Pensemos que Portugal é consagrado não apenas a Nossa Senhora, como outros países, mas, desde 1646, à Imaculada, sua Rainha; os nossos reis, desde esta consagração, deixaram de usar coroa; os três estados, nas Cortes, fizeram um juramento em defesa da prerrogativa da Imaculada Conceição, mesmo a custo da sua própria vida se fosse caso disso; as portas de todas as cidades, vilas e aldeias deveriam ter, segundo ordem do rei em 1654 (justamente dois séculos antes do decreto dogma), uma placa com um voto de fidelidade à Imaculada. Isto é bastante impressionante!… E o contexto para se entender Fátima, deve passar necessariamente por aqui: o nosso amor à Imaculada. Espanha deveria assumir Fátima como uma missão sua, a este propósito, tanto pelo seu fundo amor à Imaculada (recordemos, como sinal disso, a fundação da Ordem da Imaculada Conceição em Espanha pela portuguesa Santa Beatriz da Silva), como pelo facto de parte da mensagem de Fátima ter acontecido em Espanha e ainda porque a Ir. Lúcia recebeu várias mensagens que visavam este País. Teremos ainda de pensar que, apesar da superficial rivalidade, na verdade, Portugal e Espanha partilharam espantosamente a missão incrível da evangelização de todo o mundo. Ora, esta amor à Imaculada, de todo um povo, não fará contraponto à rejeição dos cristãos ortodoxo sobretudo desde a proclamação do dogma? Muitos dos teólogos orientais defendiam intensamente a Imaculada3; desde 1854, por contrastante tristeza, começaram a procurar, para mais se separarem de Roma, atacar este dogma. É uma triste, muito triste situação, até porque o povo tem uma magnífica espiritualidade, uma fé ígnea e nobre, dotado de uma tremenda devoção pela Virgem, mas vê-se, assim, impedido de crescer nessa fé, isto é, de chegar à plenitude da revelação.

Reparando o erro da Rússia

A Virgem pediu em Fátima a devoção dos Cinco Primeiros Sábados para reparar o coração ofendido da Virgem; quando a Irmã Lúcia perguntou a razão de serem em número de cinco os sábados, foi-lhe explicado que se trata de desagravar o Coração Imaculado de Maria em cinco aspectos: as ofensas à Maternidade divina, à sua Virgindade perpétua, à sua Imaculada Conceição, a educação das crianças contra a Virgem e as ofensas às suas santas imagens – o das ofensas à sua Maternidade divina e à sua Virgindade perpétua não abrangem os ortodoxos (mas sim directamente os protestantes) – , já a referência às ofensas dirigidas à sua Imaculada Conceição, claramente os inclui… O pobre povo russo, o nobre povo russo, saberá que a Virgem, que tanto amam, pede aos católicos que desagravem estas ofensas que eles mesmos (e tantos católicos, naturalmente…) provocam? Este é o erro dos erros, por assim dizer e, por essa razão, como vimos, é que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria trará, antes de tudo, o seu regresso à plenitude da revelação – quem sabe se a partir, justamente, do dogma da Imaculada Conceição, dado o profundo amor que esse povo tem à Theotokos? Só este regresso, como sua condição, é que terá como consequência natural a recusa dos erros materialistas.

Irmã Lúcia e a conversão da Rússia

O facto de este aspecto da mensagem de Fátima estar esquecido, por assim dizer, não nos deve condicionar. De resto, a própria Ir. Lúcia sempre pensou que a conversão da Rússia não é para entender como sendo limitada ao regresso do povo Russo à religião Cristã Ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista dos Sovietes, mas antes como uma total e perfeita conversão à única, verdadeira Igreja Romana Católica.” (Joaquín María Alonso, The Secret of Fatima: fact and legend. Cambridge: The Ravengate Press, 1982, p. 84). Para podermos medir todo o alcance destas palavras, devemos lembrar-nos que o Pe. Joaquín Alonso foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis, tendo sido convidado pelo Bispo de Leiria, Dom  Venâncio, em 1966, para preparar a edição crítica e definitiva sobre Fátima e a sua Mensagem; coisa que zelosamente fez, resultando em 24 (!) volumes intitulados: Fátima, textos e estudos críticos (quando se preparava para começar a publicar os volumes resultantes da sua investigação, já no prelo, o novo Bispo, Dom Alberto Cosme do Amaral, deu ordem para parar). Se, ainda assim, tivéssemos dúvidas sobre o tema da conversão da Rússia, bastaria que recordássemos as muito impressionantes palavras da Irmã Lúcia em Um Caminho sob o olhar de Maria (p. 267); pouco antes de registar a terceira parte do segredo, escreve (3.I.1944):

“E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi (…) «No tempo, uma só Fé, um só Baptismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica.»”

A conversão da Rússia será, Deo volente!, um acontecimento de uma força inimaginável e nós, católicos, muito precisamos do retorno dos cristãos do Oriente à catolicidade, para se reunirem ao remanescente que conservará o dogma da fé: na nova Arca de Noé, o Coração Imaculado de Maria!

Notas:

1. Bella Dodd, a conhecida agente comunista que, nos anos trinta e quarenta, ajudou a infiltrar cerca de mil jovens nos seminários americanos e que acabou por se converter pelo Bispo Fulton Sheen, afirma que o Catolicismo é considerado pelos comunistas como o seu único verdadeiro inimigo. Um outro testemunho da mesma época, confirmando a infiltração friamente calculada, é o de Douglas Hyde.

2. Embora em situação completamente diferente, a situação dos protestantes tem algo de semelhante, pois depois de se separarem de Roma tiveram o mesmo resultado, mas exponenciado (são vários milhares de denominações diferentes resultantes da cisão protestante…). Cada cabeça sua sentença.

3. Alguns exemplos: Proclo, secretário de S. João Cisóstomo, diz que a Virgem é formada de “barro limpo” (ou seja, barro, como todos os seres humanos, mas não sujo do pecado original, ao contrário de todos os seres humanos); diz S. João Damasceno que “em Maria não entrou a serpente”. A Igreja Oriental celebrava a festa da Imaculada Conceição já no século VII; na carta a Sérgio, aprovada pelo VI Concílio Ecuménico, diz Sofrónio sobre Maria: “Santa, imaculada de alma e corpo, livre de todo o contágio”.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 20 de setembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho.

Basto 10/2017

Entrevista de D. Athanasius Schneider à Rádio Renascença

Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão) e membro da Ordem de Santa Cruz de Coimbra, foi o convidado desta semana na entrevista radiofónica da jornalista Aura Miguel na Renascença.

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D. Athanasius Schneider celebra a Santa Missa no Santuário de Fátima (na Capela da Ressurreição), seguindo a forma extraordinária do Rito Latino, na manhã do passado dia 14 de julho

D. Atanasius Schneider passou recentemente por Portugal onde participou em vários eventos.

Basto 7/2017

Os estandartes do comunismo soviético são ainda os mais evidentes em Moscovo

Mais uma parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo, no Dia da Vitória. A Rússia assinala o 72.º aniversário da vitória militar sobre a Alemanha Nazi na II Guerra Mundial, mas celebra isolada face aos seus aliados de então. No centenário das Aparições de Fátima e da Revolução Russa, os símbolos comunistas soviéticos continuam a ser os que mais se destacam no colorido festivo, independentemente do que isso possa significar.

Basto 5/2018

Conversão da Rússia, a quê?

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Logotipo oficial das comemorações

A hermenêutica dominante – ou talvez imposta – na Igreja Católica acerca da mensagem de Fátima é a de que estamos perante um facto consumado que vale a pena recordar e celebrar.

Quase um século depois de Nossa Senhora ter profetizado a conversão da Rússia, na Cova da Iria, em Fátima, e dado o clima de festa que agora se vive em torno do centenário das aparições, talvez seja o momento para analisar o alcance dessa conversão.

A Rússia converteu-se a quê?

Já aqui se falou antes sobre este assunto, em particular sobre algumas consequências dessa anunciada conversão, ou da falta dela. Em síntese, o que nós podemos atualmente constatar é que as duas Igrejas, Católica e Ortodoxa Russa, continuam separadas, quer no campo institucional, quer no doutrinal. O paradoxo é tanto maior quanto mais reparamos que se alguma Igreja se converteu em algo radicalmente diferente daquilo que era em 1960 – data indicada por Nª Sª para a abertura do envelope do 3º Segredo de Fátima -, essa Igreja não foi a Ortodoxa Russa. Se a nação russa mudou alguma coisa ao nível religioso, as nações ocidentais, tradicionalmente católicas, parecem ter mudado muito mais…

Deixemos, por agora, a questão religiosa e centremo-nos na sucessão de paradigmas políticos e ideológicos nessa nação à qual se exigia a conversão.

Fátima, mesmo na hermenêutica oficial, visava derrotar o  comunismo, em especial na Rússia, tida como principal origem dessa onda revolucionária contrária à Fé. O comunismo, bem como outras ideologias que lhe eram associadas (socialismo, marxismo, ateísmo, materialismo, coletivismo, etc.), opunha-se à religião e à ordem social estabelecida, visando destruí-las, substituí-las.

Se fizermos uma análise social puramente dialética, os padrões da sociedade russa do início do séc. XX, intrinsecamente religiosa, seriam a tese que a revolução comunista, a antítese, visava destruir.

O comunismo na União Soviética foi, durante décadas, um regime hostil à religião, tentando aniquilá-la definitivamente. Proibiu o culto, fechou e destruiu igrejas, perseguiu os religiosos e promoveu o materialismo ateu. Durante as primeiras décadas da era Soviética, a culto religioso foi completamente interditado. No entanto, mais tarde, acabaria por ser legalizado, mas sempre fortemente condicionado e controlado pelo regime.

Toda a gente reconhece que, após o colapso da União Soviética, a religiosidade aumentou exponencialmente na Rússia. Abrem-se novas igrejas, reconstroem-se as que tinham sido devastadas pelo regime comunista e a religião vive novos dias naquele território. Mais do que isso, ao contrário das modernas democracias laicas ocidentais, na Rússia existe hoje uma ligação estreita entre o poder político e o clero. Chegou-se ao absurdo, impensável em 1960, de ser o líder político da Rússia quem dá lições de moral e religião aos líderes políticos ateístas dos países ocidentais…

Muitos cristãos tradicionais, no mundo ocidental, chegam mesmo a considerar Vladimir Putin como o último governante cristão, alimentando a crença num mítico “grande monarca” esperado para os últimos tempos bíblicos!

O que se sucedeu então? A Rússia abandonou o comunismo ateu e converteu-se ao cristianismo, enquanto que o Ocidente se converteu ao materialismo ateu? Talvez, mas algumas coisas continuam a não bater certo no meio disto tudo. Não seria de esperar, hoje, que uma Rússia convertida condenasse veemente o regime comunista sanguinário do passado soviético?

A Igreja Ortodoxa Russa elogia frequentemente o passado comunista

Por exemplo, a 22 de janeiro de 2015, época natalícia no calendário ortodoxo, o Patriarca Kirill, perante a Duma do Estado, afirmou o seguinte:

Quando se começa a falar dos tempos soviéticos, alguns idealizam-os, outros demonizam-os. Contudo, nessa época, havia algo que gerou esses tempos, e será que podemos aceitar isso claramente, incorporando-o na nossa filosofia de vida? Isso era: solidariedade.

E aqueles membros Komsomol (jovens comunistas) que uniram plantações, construíram a BAM (principal linha ferroviária Baikal – Amur) sem receberem qualquer recompensa ou privilégio em retorno? Isso é o sentido de trabalho em equipa, o sentido de  querer fazer algo de bom pelo país.

(Patriarca Kirill in RISU, 26/01/2015)

Apelou ainda, nesse mesmo discurso, a uma “cooperação entre as forças políticas” em prol de uma ideia de unidade e continuidade histórica, contra as tendenciosas desinterpretações do passado.

O líder da nação lamenta o colapso da URSS e reafirma-se comunista:

Por exemplo, no dia 25 de abril de 2005, perante a Assembleia Parlamentar Russa, no seu discurso anual dirigido à nação, transmitido em direto pela televisão, Vladimir Putin afirmou categoricamente o seguinte:

Deixem-me lembrá-los de como começou a história da Rússia moderna. Em primeiro lugar, deve ser reconhecido – e eu já disse isso antes – que o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século.

E, para o povo russo, isso tornou-se num verdadeiro drama. Dezenas de milhões de cidadãos nossos e companheiros russos viram-se fora da Federação Russa.

(Vladimir Putin in BBC Brasil, 25/01/2015)

Existem muitas outras intervenções sugestivas da parte dos atuais líderes políticos russos e, em particular, do presidente Putin. Entre outras, no dia 26 de janeiro de 2016, em Stavropol, o todo poderoso Vladimir Putin confessou descaradamente o seguinte:

Gostava e ainda gosto das ideias comunistas e socialistas. Se olharmos o “Código [Moral] do Construtor do Comunismo”, que circulou largamente pela União Soviética, ele é bastante similar à Bíblia.

Ao contrário de muitos funcionários – e eu não era um -, do ponto de vista do Partido, eu era um membro ativo, eu não deitei fora o meu cartão de membro partidário, não o queimei. O Partido Comunista da União Soviética colapsou, mas a minha identificação está lá em algum sítio.

(Vladimir Putin in Russia Beyond the Headlines, 25/01/2015)

O Código Moral do Construtor do Comunismo foi um compêndio de princípios morais aprovado pelo Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1961, amplamente difundido na propaganda do regime. Uma espécie de “catecismo” com os 12 “mandamentos” comunistas.

Para além de não ter nada de “bíblico” nem de cristão, este manual foi contemporâneo de uma das maiores campanhas de perseguição religiosa levadas a cabo em toda a era soviética, liderada por Nikita Khrushchev.

PRINCÍPIOS DO “CÓDIGO MORAL DO CONSTRUTOR DO COMUNISMO”

  1. Lealdade à causa comunista, amor à pátria socialista e aos países socialistas.
  2. Trabalho consciente para o benefício da sociedade. Quem não trabalha, não come.
  3. Todos têm o dever de se preocupar com a preservação e com o crescimento do domínio público.
  4. Elevado sentido de dever público, intolerância ao desinteresse público.
  5. Coletivismo e ajuda mútua. A camaradagem é: um por todos e todos por um.
  6. Respeito mútuo entre as pessoas: o homem é um amigo, companheiro e irmão para o homem.
  7. Honestidade, veracidade, pureza moral, simplicidade e modéstia na vida pública e privada.
  8. Respeito mútuo na família. Preocupação com a educação das crianças.
  9. Atitude intransigente perante a injustiça, o parasitismo, a desonestidade e a especulação.
  10. Amizade e irmandade entre todos os povos da URSS. Intolerância ao ódio nacional e racial.
  11. Intolerância com os inimigos do comunismo. Paz e liberdade das nações.
  12. Solidariedade fraterna com os trabalhadores de todos os países em todas as nações.

(in Wikipedia – tradução livre)

código moral do construtor do comunismo
Postais elucidativos de alguns dos princípios definidos no Código Moral do Construtor do Comunismo

Independentemente das opiniões que cada um possa ter, qualquer análise objetiva da evolução histórica e conjuntural da nação russa no último século deve ter sempre presente os princípios básicos que fundamentam o comunismo. Neste sentido, seria erróneo esperar que um eventual renascimento futuro do comunismo na Rússia, ou em qualquer outro lugar, viesse para hostilizar a religião. Numa ótica de entendimento dialético comunista, será mais lógico esperar que o eventual reaparecimento do comunismo resulte da síntese entre as duas teses antagónicas do passado. Um comunismo de cara lavada, de discurso aprazível, capaz de integrar a própria Igreja institucional na sua rede de influência, subjugando-a e servindo-se das suas enormes potencialidades.

A aproximação entre a doutrina cristã e o comunismo já foi experimentada anteriormente. No passado soviético mais tardio, muitos clérigos influentes da Igreja Ortodoxa, entretanto legalizada, eram membros do Partido Comunista. Na América Latina, a luta de classes é, desde há muito tempo, fomentada pelos padres e teólogos da Teologia da Libertação.

esquivel
Pérez Esquivel, 1992

Que esperar do comunismo moderno?

A cor vermelha foi muito estigmatizada no passado, se calhar é melhor optar por outra, ou por outras, quanto mais colorido melhor! Os arcos-íris estão na moda e o verde ecológico também.

Agora fala-se menos de luta armada, de ditadura do proletariado, de comités centrais, de Marx, de Lenin, ou de Mao, para se falar mais do ambiente, da Terra, dos agricultores, das mulheres, dos males do capitalismo e até de Jesus Cristo. A própria Igreja Católica, de forma mais ou menos inconsciente, acaba por entrar na onda e, quando nos damos conta, estamos todos a cantar a mesma música…

O comunismo, fortemente condenado por sucessivos Papas, é completamente incompatível com o cristianismo, qualquer tentativa de aproximação das duas coisas resulta na adulteração da Verdade cristã.

Basto 6/2016