Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão

AnjodePortugal
Loca do Cabeço, Valinhos (Fátima) – imagem de Castinçal

Eminências e Excelências Reverendíssimas,

1. Após dois meses sem se ter podido estar presente na Santa Missa, ficámos a saber, através do comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) de 2 de Maio p. p., que, possivelmente no próximo dia 30 de Maio, véspera de Pentecostes, serão retomadas as celebrações com assistência da Santa Missa. Seis dias após esta notícia que tanto nos alegrou, considerando que, durante dois meses, fomos impedidos de aceder aos Sacramentos, principalmente aos da Eucaristia e da Penitência, foram publicadas as Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19, que, tendo merecido a nossa respeitosa atenção, nos causaram profunda mágoa e não pouca perplexidade.

2. Após atenta leitura e reflexão das referidas Orientações da CEP, causa-nos particular consternação  o seu número 27, segundo o qual se determina que «continua a não se ministrar a comunhão na boca» – à semelhança, de resto, do que tinha sido decidido no início da pandemia, tendo-se assistido a sacerdotes recusarem a Sagrada Comunhão a fiéis que, de forma lícita, pretendiam receber a Comunhão na boca, tal como prevê e permite a Santa Igreja e a sua lei universal, além de resultar da salutar reverência  suscitada pela fé na presença real de Nosso Senhor nas sagradas espécies e pelo primeiro mandamento da Lei de Deus.

3. Por várias vezes, e em conformidade com quanto se acaba de dizer,  a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos reafirmou e sublinhou aquilo que, a este respeito, diz a Instrução Redemptionis Sacramentum, de 25 de Março de 2004, no seu número 92 (remetendo para o n. 161 da Instrução Geral do Missal Romano): «Todo o fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a Sagrada Comunhão na boca», advertindo, no número precedente, que «não é lícito negar a Sagrada Comunhão a um fiel», exceptuando somente aqueles casos em que lhe tenha sido «proibido o direito de receber» a Sagrada Comunhão em geral (n. 91, remetendo para os cânones 843 §1 e 915). Torna-se claro que não é permitido, em circunstância alguma, negar-se a Sagrada Comunhão aos fiéis que a desejem receber na boca, nem mesmo em tempos de epidemia, à semelhança do que aconteceu com o H1N1, altura em que a referida Congregação para o Culto Divino o confirmou em resposta a múltiplas cartas que fiéis de todo o mundo lhe dirigiram. Bem se compreende que assim seja considerando o fundamento do reconhecimento de tal direito, que directamente se liga à fé da Igreja, à virtude da santa religião, com as respectivas implicações em matéria de culto, e, assim, ao primeiro mandamento.

4. A juntar-se a esta indicação eclesiástica, são muitos os acreditados profissionais de saúde que têm referido que não existe qualquer particular perigo de contágio ao administrar-se a Comunhão na boca do fiel.

5. Posto isto, nós, fiéis católicos subscritores deste Apelo, solicitamos a Vossas Eminências e Excelências Reverendíssimas que o ponto 27 das Orientações da CEP seja imediatamente revogado, permitindo-se que o fiel possa livremente escolher receber a Sagrada Comunhão na boca, caso contrário estar-se-á a cometer um gravíssimo atentado contra as normas universais da Santa Madre Igreja, as quais, em conformidade com a reverência devida ao augustíssimo Sacramento, lhes reconhecem um preciso direito.

Aproveitando a ocasião para assegurarmos as nossas orações a Vossas Excelências, somos, muito dedicados, em Jesus e Maria.

Este apelo pode ser subscrito, até ao dia 20 de maio, através de um formulário disponibilizado no blogue Dies Irae.

Basto 05/2020

Como se explica a presença do cardeal D. Martínez Sistach na última reunião da Conferência Episcopal Portuguesa?

Esta foi a pergunta que quase ninguém fez… Martínez Sistach é arcebispo emérito de Barcelona, portanto espanhol, da Catalunha. A sua presença na 190ª sessão plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em novembro do ano passado, teria de ter um propósito.

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Livro do Cardeal Martínez Sistach

E refletiremos sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia e o melhor modo de a receber e aplicar entre nós, a bem do matrimónio e da família. Neste ponto contaremos com a preciosa contribuição do Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, reputado pastor e canonista.

(D. Manuel Clemente, Discurso de abertura da 190ª Assembleia Plenária da CEP, 07/11/2016)

Ou seja, o cardeal D. Martínez Sistach estava em missão. Era necessário explicar aos mais incrédulos bispos portugueses como é possível conciliar as “situações irregulares”, vulgo o adultério, com a Sagrada Comunhão. Conceituado canonista, adepto da nova misericórdia, ele era o homem indicado. Entende tanto daquilo que até publicou entretanto um livro, um manual para ajudar aqueles que têm mais dificuldade em aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco a partir das diretrizes da controversa exortação apostólica.

Se o interessado, em consciência e diante de Deus, constata haver alguma circunstância que faz com que à situação objetiva do pecado não lhe corresponde imputabilidade subjetiva grave, pode ter acesso aos sacramentos.

[…]

A Amoris Laetitia não admite os divorciados recasados aos sacramentos porque o Papa não fala de categorias mas sim de pessoas, de modo que precisa de ser feito, em cada caso, o processo de discernimento, para ver se pode, ou não pode, em cada caso.

(D. Martínez Sistach in Periodista Digital, 08/02/2017)

Como dizem os espanhóis: No cremos em brujas pero que las hay, las hay!

É incrível mas ainda nem quatro anos passaram desde que Francisco escandalizou, pela primeira vez, os fieis católicos com a sua obsessão papal de conciliar o adultério com a Sagrada Comunhão à escala global. A princípio, a incredulidade geral fez-nos pensar que não tínhamos entendido bem as suas tímidas e ambíguas declarações, os jornalistas estavam obviamente a exagerar, a desinterpretar as suas palavras. Depois seguiu-se a fase de adaptação das mentes católicas ao aberrante sacrilégio. Finalmente chegou a confirmação papal, já de forma aberta, descarada e por escrito, mas poucos foram aqueles que ficaram escandalizados. Acabaram por se adaptar rapidamente à “nova pastoral” e à respetiva doutrina, ou então andam a dormir!

Agora estamos já numa fase avançada da implementação do sacrilégio à escala universal. O adultério foi legitimado pela Igreja Católica em tantos países como Malta, Itália, Alemanha, Argentina, Filipinas, Espanha, entre outros… O Santo Padre até deu liberdade às Conferências Episcopais para adaptarem o sacrilégio aos gostos e às sensibilidades locais.

Para quem sente ainda dificuldades em aderir a esta nova pastoral, para quem tem ainda reminiscências doutrinais de outras épocas ou até mesmo pudor perante a aplicação desta loucura, começam agora a surgir os primeiros manuais, cuidadosamente elaborados, que facilmente ajudarão a ultrapassar essas e outras questões que “paralisam”…

Parece que o mundo, de repente, ficou ébrio com tanta misericórdia. Cuidado com a ressaca!

Regressando ao nosso país, durante esta semana, os bispos portugueses encontram-se no seu retiro quaresmal, em Fátima, e necessitam das orações dos portugueses para que o dogma da Fé sempre se conserve em Portugal.

Basto 3/2017

Igreja Portuguesa disponível para integrar divorciados “recasados”

Mas terá de continuar a ser de acordo com a tradição evangélica e com o que Jesus Cristo ensinou sobre o Matrimónio.

“Estamos disponíveis para caminhar com o papa nesse sentido [da integração dos divorciados ‘recasados’], mas dentro da nossa tradição evangélica e daquilo que Jesus Cristo diz tão taxativamente acerca do matrimónio. […] Agora vamos ver até onde isto nos pode levar…”

(D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, no final da 190ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa,  10/11/2016)

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Palavras de Nª Sª de Fátima aos pastorinhos em 1917

A Igreja Portuguesa voltou a tremer mas continua de pé, é necessário que continuemos a orar para que o dogma da Fé sempre se conserve em Portugal.

 

Basto 11/2016

Bispos portugueses debatem a Amoris Laetitia

Começou ontem, dia 7 de novembro, e estender-se-á até ao dia 10, a 190ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima. O ponto seis da ordem de trabalhos é a “reflexão sobre a Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco sobre a família Amoris Laetitia”.

Em 2015, a Igreja Portuguesa tremeu mas resistiu e disse “não” ao Papa Francisco relativamente à questão da abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em situação de adultério, que na linguagem atual passou a designar-se “situação irregular”.

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Manchete do Semanário Sol de 21 de julho de 2015

Desta vez, é previsível que o abalo sísmico seja mais violento porque, entretanto, o próprio Papa já assume abertamente o seu apoio à conciliação entre o adultério e a comunhão e, por outro lado, depois de  três anos e meio de pressão mediática, é já notória uma certa habituação gradual perante a proposta de sacrilégio introduzida pelo Santo Padre.

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Vaticano divulga a carta de aprovação e apreço papal pelos critérios dos bispos argentinos que prescrevem o acesso da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem objetivamente em situação de adultério permanente: “Não há outras interpretações.” (Papa Francisco)Radio Vaticano a 12/09/2016

No que se refere à Igreja Portuguesa, o semanário Sol informou que a luta foi renhida na assembleia plenária de abril de 2015, uma vez que os bispos estavam divididos, mas no fim prevaleceu a Verdade Cristã, graças à firmeza do patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, apoiado pelo bispo do Porto e pelo arcebispo de Braga. A proposta neomisericordiosa, de acordo com o mesmo jornal, foi defendida por D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, com apoio dos bispos das dioceses de Aveiro, Guarda, Coimbra, Viseu e Portalegre-Castelo Branco.

Um ano depois, a nova doutrina do Papa Francisco de conciliação entre a Sagrada Comunhão e o adultério contará com dois novos apoiantes de peso na assembleia dos bispos portugueses:

  1. O novo bispo D. José Ornelas, indigitado pelo Papa Francisco para a diocese de Setúbal em 2015. Este novo bispo defende abertamente o acesso à Sagrada Comunhão para pessoas em situação objetiva de adultério e já pregou a “Alegria do Amor” no Santuário Fátima.
  2. A presença, a título de convidado, do cardeal Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, cuja contribuição se prevê que seja no sentido de desvalorizar a doutrina católica a favor da nova misericórdia de Francisco. Sistach é o especialista em direito canónico que integrou o painel de apresentação do motu proprio do Papa Francisco que veio simplificar os processos de nulidade matrimonial. Era também tido como um dos proeminentes cardeais que, durante o processo sinodal, esperava que o Santo Padre abrisse a comunhão aos divorciados recasados pelo civil, portanto em situação de adultério à luz do infalível Magistério da Igreja.

Os bispos estão reunidos na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, e precisam das orações de todos os fieis portugueses. Muita gente que conhece a mensagem de Fátima por esse mundo fora está à espera de ver um sinal claro da Igreja Portuguesa na conservação do “dogma da Fé” que lhes possa servir de rumo neste tempo de “desorientação diabólica”.

O nome da casa onde estão reunidos não poderia ser mais inspirador, tendo em conta o tema tratado e o seu paralelismo com a mensagem de Fátima. Outro aspeto curioso é a calendarização desta assembleia, cuja sessão de abertura coincidiu precisamente com o 99º centenário da revolução comunista de outubro de 1917 (que teve início no dia 7 de novembro de 1917, no nosso calendário gregoriano).

Basto 11/2016