“Momentos de espiritualidade amazónica” à porta do Vaticano

Enquanto dura o Sínodo da Amazónia, a Igreja de Santa Maria em Traspontina, em Roma, junto à entrada da Praça de São Pedro, celebra diariamente rituais tribais em honra da deusa Pachamama, num evento denominado Momentos de Espiritualidade Amazónica.

O evento pastoral, que inclui dança, rituais mágicos, idolatria e aparente loucura, é dinamizado pela “Amazónia Casa Comum”, um espaço da Rede Eclesial Pan-amazónica (REPAM) estabelecido temporariamente nesta paróquia administrada por carmelitas.

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Conversão ecológica integral, na Igreja de Santa Maria em Traspontina, Via della Conciliazione, outubro de 2019.

Basto 10/2019

A Igreja Católica e os objetivos da Nova Ordem Mundial

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Shakira interpreta o tema “Imagine” (Imagina) de John Lennon no mesmo dia em que o Papa Francisco discursou perante a Assembleia Geral das Nações Unidas

 

“Agora é um tempo não apenas para imaginar mas para fazer!”

(Shakira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, 25/09/2016 – palavras proferidas antes de interpretar o tema de John Lennon cuja letra convida os ouvintes a sonharem com um novo mundo de paz, sem países, sem religiões, sem a crença no Céu e no Inferno)

O que tem a Igreja Católica a ver com a Nova Ordem Mundial vazia de Verdade Cristã?

O que tem a missão salvífica da Igreja Católica a ver com os objetivos mundanos da Organização das Nações Unidas (ONU)?

Para quem trabalham os pastores da Igreja, para o Nosso Senhor Jesus Cristo ou para os senhores que governam este mundo?

Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência consegue perceber as razões pelas quais o conceito de “desenvolvimento” (sustentável; humano; integrado; etc) preconizado pela ONU é, na sua essência, incompatível com a doutrina cristã. A Verdade Cristã é inconciliável com uma noção de desenvolvimento humano inspirada em ideais franco-maçónicos.

Ainda assim, a hierarquia católica contemporânea insiste em empenhar-se institucionalmente no iníquo projeto da Nova Ordem Mundial, mesmo sabendo, desde sempre, que a tentativa de compromisso com os senhores deste mundo está condenada ao fracasso. Uma certeza garantida pelo próprio Deus!

É como quando duas massas de ar com características diferentes se encontram na atmosfera. Se o ar quente pudesse misturar-se suavemente com o ar frio formar-se-ia uma massa de ar morno, mas, na realidade, o que acontece é que a massa de ar quente sobrepõe-se, sobe ao longo do ar frio para dar origem a uma tempestade. São as leis da física.

Quanta falta de humildade necessita o género humano para ousar conciliar os seus preceitos relativos e temporais com a pura, sublime e imutável Verdade de Deus? Quanta arrogância necessita uma criatura para se propor a apresentar um projeto alternativo ao do seu próprio Criador?

A Igreja Católica regozija-se agora, de forma oficial e solene, por constatar que “todas as nações da Terra adotaram os objetivos de desenvolvimento” laicos definidos pelos senhores que governam este mundo.

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO:

[…] A proteção da casa comum requer um consenso político crescente. Neste sentido, é motivo de satisfação o facto de que, em setembro de 2015, as nações da terra adotaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, em dezembro de 2015, aprovaram o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que se propõe o difícil mas fundamental objetivo de conter a subida da temperatura global. Agora, os governos têm o dever de respeitar os compromissos que assumiram, enquanto as empresas devem responsavelmente cumprir a sua parte, e cabe aos cidadãos exigir que isto aconteça e também se aponte para objetivos cada vez mais ambiciosos. […]

(Papa Francisco, 1 de setembro de 2016, in sítio oficial do Vaticano)

Longe de Mais?

Não estará a Instituição Católica a caminhar para além do que devia? Seria isto o triunfo do Imaculado Coração de Maria anunciado em 1917? Ou terá sequer alguma coisa a ver com isso? Talvez não.

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Os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU são incompatíveis com a Lei de Deus. Em caso de desconhecimento, aconselha-se uma breve leitura e reflexão sobre o que alguns desses objetivos realmente preconizam para a humanidade:

No Objetivo 3:

Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar, informação e educação, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.

 No Objetivo 4:

Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de género, promoção de uma cultura de paz e da não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável.

 No Objetivo 5:

Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, económica e pública.

Assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos, em conformidade com o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e com a Plataforma de Ação de Pequim e os documentos resultantes de suas conferências de revisão.

(Nota importante: este objetivo remete para documentos que defendem a utilização de práticas abortivas!)

 No objetivo 10:

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Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, económica e política de todos, independentemente da idade, género, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição económica ou outra.

(in UNRIC, Centro Regional de Informação das Nações Unidas)

Os objetivos do Acordo de Paris são, como a própria ONU confirma, semelhantes e, portanto, também eles isentos de Verdade Cristã.

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A Agenda de Ação Lima-Paris, que produziu centenas de novos compromissos e iniciativas, demonstrou que as ações necessárias para combater as alterações climáticas são as mesmas da Agenda de Desenvolvimento Sustentável.

(in UNRIC, Centro Regional de Informação das Nações Unidas)

Há vários outros documentos semelhantes ou convergentes, produzidos noutras iniciativas ou por outras instituições globalistas, mas vão todos dar ao mesmo, tendo em comum a ausência de Verdade Cristã.

 

Ainda mais longe!

A Instituição Católica não se limitou a apoiar os objetivos de desenvolvimento da ONU, foi bem mais longe. Por estes dias, o Papa Francisco também instituiu, por Motu Proprio, um novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e, seguindo aquela mesma linha ideológica do desenvolvimento sustentável, propôs que se alargassem as tradicionais 14 Obras de Misericórdia com o “cuidado da casa comum”.

Conversão ecológica:

“Depois de um sério exame de consciência e habitados por tal arrependimento, podemos confessar os nossos pecados contra o Criador, contra a criação, contra os nossos irmãos e irmãs”.

“O exame de consciência, o arrependimento e a confissão ao Pai, rico em misericórdia, levam-nos a um propósito firme de mudar de vida”.

“Utilizar com critérios o plástico e o papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com zelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas”.

(Papa Francisco, in Radio Vaticano, 01/09/2016)

Afinal o Santo Padre acredita mesmo na necessidade de arrependimento dos pecadores e no propósito de mudar de vida quando buscam a misericórdia de Deus.

Depois disto, muitos gays, transsexuais, adúlteros públicos, padres, bispos e cardeais que dão e promovem comunhões sacrílegas, pessoas que as recebem, ateus e pessoas que acreditam em falsas divindades de outras religiões, provavelmente sentirão agora um grande peso na consciência e a necessidade de reconciliação com Deus depois de perceberem que andaram vários anos a beber água em garrafas de plástico e que o seu automóvel gastava muito combustível.

Alguns pecados são mais graves do que outros!

Basto 9/2016

O vídeo do Papa 2 – libertação do consumismo

Este vídeo apresenta uma mensagem importante em termos ecológicos, a necessidade de preservarmos o ambiente terrestre, um património universal. Todos os seres humanos, incluindo os que integram a Igreja Católica, devem respeitar a natureza, o nosso património coletivo, os bens da criação. No entanto, levanta-se uma questão, deverá ser esta a grande preocupação da nossa hierarquia religiosa?

Agora, quando olhamos para trás e revemos todos os alertas de Nossa Senhora para os nossos tempos, em aparições como La Salette, Fátima ou Akita, entre outras, assim como nas revelações privadas de santos e místicos, como Anne Catherine Emmerich, por exemplo, ou ainda os alertas de alguns dos últimos Papas, sobre os perigos que correria a Igreja no futuro, estariam todos eles a falar da poluição? Não. Esses alertas e profecias referiam-se à apostasia generalizada, à perda de fé, ao relativismo moral e religioso, ao laxismo dos leigos e clérigos dentro da Igreja Católica.

A preservação ambiental é muito importante, mas a principal principal preocupação dos pastores religiosos deve ser a salvação das almas. Conduzi-las pelo único e difícil caminho que é Jesus Cristo, o Caminho da Cruz. E, já agora, onde é que surge a palavra Jesus em todo o filme? Onde é que ele está representado? Parece que, em relação ao vídeo anterior, continuam a verificar-se os mesmos erros técnicos na edição de imagem.

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O texto fala na necessidade de “uma conversão [traduzido para mudança] que nos una a todos” mas, logo a seguir, em vez de se indicar o Caminho da Verdade para essa conversão, fica-se pela mera “libertação do consumismo”, o que é francamente pouco. A hierarquia eclesiástica deve preocupar-se, acima de tudo, com a verdadeira conversão que nos liberta do pecado, que é acreditar em Jesus Cristo.

Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.» (Jo 14, 6-7)

É necessário tomar algum cuidado editorial neste tipo de publicações oficiais porque podem induzir em erro. Muita gente pensa agora que isto, afinal, é tudo a mesma coisa, numa espécie de panteísmo naturalista onde todos devemos estar irmanados. Por exemplo, no passado mês de janeiro, o Cardeal Antonio Cañizares, arcebispo de Valência, presidiu a uma oração ecuménica pelo “cuidado da Mãe Terra”, inaugurando a “Catedral de la Natura”.

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in Periodista Digital, 21/01/2016

 

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in Periodista Digital, 21/01/2016

Basto 2/2016