Grupo de personalidades católicas acusa o Papa Francisco de heresia

heresia2.jpgUm grupo de reconhecidos clérigos e académicos publicou uma carta aberta dirigida aos bispos da Igreja Católica (disponível aqui em espanhol) onde lhes é pedido um procedimento judicial perante as heresias do Papa Francisco. A carta foi firmada na semana de Páscoa e tornada pública no dia de Santa Catarina de Sena, uma santa que aconselhou vários Papas do seu tempo.

O referido documento parte da Correctio Filialis, de 2017, onde 62 académicos censuraram “sete proposições falsas e heréticas” de Francisco a respeito do casamento, da moral e do acesso aos sacramentos, especialmente à luz de sua controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Como as “proposições heréticas” não foram ainda corrigidas, antes pelo contrário, os autores da carta aberta pedem agora que o Santo Padre seja julgado por essas e por outras posições heréticas que são do conhecimento comum e estão amplamente documentadas. Alegam que agora se tornou claro que o Papa Francisco está ciente das suas próprias posições contrárias à fé e que chegou a hora de dar um “passo em frente” e declarar que o Papa Francisco é “culpado do crime de heresia”.

Aos 19 subscritores iniciais do documento têm vindo a juntar-se outras personalidades do mundo católico, numa lista que ainda não parou de crescer, como tem dado conta a publicação de origem canadiana LifeSiteNews. Por outro lado, uma petição online, que pede aos bispos católicos uma “investigação ao Papa Francisco por heresia”, reunindo deste modo apoio popular à carta aberta, já recolheu milhares de assinaturas.

Basto 05/2019

Joseph Ratzinger: “A crítica aos pronunciamentos papais é possível e até mesmo necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo”

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Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, Fede, ragione, verità e amore, de 2009. Tais observações, que agora publicamos abaixo traduzidas, são particularmente relevantes à luz da correção filial ao Papa Francisco da semana passada:

“Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objetivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu caráter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado).

Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade”.

Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144.
Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina:

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.”

Papa Bento XVI, 2005:

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.”

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 1 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. As citações de 1998 e de 2005 estão apresentadas nas suas traduções oficiais.

Basto 10/2017

Papa Francisco: Amoris Laetitia é a moral de São Tomás de Aquino

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Imagem de Catholic Conclave, via En.news

Durante um encontro com jesuítas na Colômbia, o Papa Francisco afirmou que a controversa exortação Amoris Laetitia é “a moral do grande [São] Tomás [de Aquino]”. As declarações de Francisco foram publicadas no Catholic Herald e reproduzidas na La Civiltà Cattolica, revista jesuíta dirigida pelo insuspeito Pe. Antonio Sapadaro.

Para aqueles que sustentam que a moral subjacente ao documento não é “uma moral católica” ou uma moral que pode ser certa ou segura: “Quero repetir claramente que a moral da Amoris Laetitia é tomista”, ou seja, construída a partir da filosofia moral de Santo Tomás de Aquino, afirmou.

[…]

“Eu quero dizer isto para que possam ajudar aqueles que acreditam que a moral é puramente casuística”, afirmou, referindo-se a uma moral que muda de acordo com casos e circunstâncias particulares, em vez de uma que determina uma abordagem geral que guie a atividade pastoral da igreja .

Um dos melhores e “mais maduros” teólogos de hoje que pode explicar o documento é o cardeal austríaco Christoph Schönborn de Viena, disse ele.

(Papa Francisco, in Catholic Herald, 29/09/2017 – tradução livre)

A Gloria TV News relembra que, desde 2016, ano em que foi publicada a controversa exortação apostólica, vários académicos, entre eles Michael Pakaluk da Universidade Católica da América, têm mostrado como Tomás de Aquino (1225 – 1274) é mal citado e desinterpretado no texto da Amoris Laetitia.

Um exemplo é o número 301. Insinua que [São] Tomás apoia a ideia de que as pessoas possam tornar-se santas e, ao mesmo tempo, contrariar algumas virtudes. Na realidade, Tomás fala sobre pessoas que se arrependeram dos pecados passados e mantêm a lei moral, mas fazem isso com alguma dificuldade.

(in Gloria TV News, 29/09/2017 – tradução livre)

Quando Francisco recomenda o cardeal Christoph Schönborn para explicar a moral da Amoris Laetitia, dá vontade de responder ao Santo Padre, à boa maneira portuguesa: quem não o conhecer que o compre! O relativista cardeal de Viena é mais conhecido pela sua pastoral pro-gay, pro-aceitação do adultério e pró-balões e hard rock na Missa do que propriamente por sólidas competências nos campo da moral cristã. É portanto alguém que o Santo Padre deveria recomendar como aprendiz e não como mestre.

Basto 9/2017