Deus quer ou apenas permite a diversidade de religiões? Eis a síntese de Francisco…

Entre o herético “quer” – “desígnio divino”, nos termos da versão em português da Declaração Conjunta – pronunciado por Francisco e a correção “permite” recomendada por Schneider, o Santo Padre conseguiu elaborar uma síntese habilidosa para corrigir aqueles que o corrigiram: Deus “quis permitir” a diversidade de religiões!

Caminhar juntos na vida“?

Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. (Jo 14, 6)

Não é Jesus Cristo maior do que Abrarão?

Ninguém pôs em causa a vontade do Papa de encontrar-se com os muçulmanos, as questões que se levantaram estão relacionadas somente com a mensagem que este lhes foi levar. Os “esforços de fraternidade” não podem contrariar a Verdade Salvífica que é Jesus Cristo, de quem o Santo Padre é o mais alto representante na Terra.

Basto 04/2019

Bispo Schneider: Eis como permanecemos fiéis a Pedro quando Pedro parece trair Cristo

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Por Claire Chretien

ROMA, Itália, 17 de maio, 2018 (LifeSiteNews) – “A Igreja é maior do que o Papa” e o Papa tem os mesmos deveres de qualquer católico: renunciar a Satanás e professar a fé católica, afirmou hoje o bispo D. Athanasius Schneider no Fórum da Vida 2018, em Roma. Os leigos devem ajudar, não atacar, o Papa se ele não fizer isso de forma clara.

“Como membros da Igreja militante, desejamos defender os ensinamentos morais e teológicos da Igreja de todos os que os atacam”, começava assim uma questão submetida ao bispo, que ele leu e respondeu. “No entanto, esses ataques [agora] parecem vir do topo. Como um bispo me dissera uma vez: «Como nos mantemos fiéis a Pedro quando Pedro não é fiel a Cristo?» Então, como nos comportamos como membros da Igreja militante, tendo em conta a atual situação em Roma?

“Em primeiro lugar, gostaria de dizer que temos sempre de manter a visão sobrenatural”, disse Schneider, o bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, e um dos maiores defensores mundiais da ortodoxia católica. “A Igreja é sobrenatural. Não é uma instituição humana. E depois, em segundo lugar, temos de estar conscientes de que somos um só corpo. Nós somos o corpo místico, um corpo”.

“Até mesmo o Papa é um membro da Igreja. Não é o fundador da Igreja. Ele é apenas vigário – representante – e a verdadeira cabeça da Igreja é Cristo ”, explicou. O Papa é um “sinal visível” como chefe da Igreja, mas também é um dos seus membros.

“A Igreja é maior que o Papa. O papa não está acima da Igreja; o Papa está dentro da Igreja ”, explicou Schneider. “E o Papa tem os mesmos deveres de um simples católico… Ele fez os mesmos votos batismais quando foi batizado para renunciar a Satanás, para professar a fé católica. Então, ele tem de cumprir [esses deveres]”.

“E quando parece, em alguns momentos históricos, não apenas nos nossos tempos, que o sucessor de Pedro não estava a cumprir a sua tarefa de forma clara” ou estava mesmo a “fracassar”, então, “toda a Igreja tem de vir ajudá-lo, afirmou Schneider.

Em vez de terem uma “atitude de antagonismo” em relação ao Papa, os fiéis devem ajudá-lo e encorajá-lo, através de “petições reverentes”, a cumprir o seu dever de fortalecê-los na verdade da fé católica. Os fiéis devem também oferecer orações e sacrifícios, afirmou o bispo.

“Não devemos ter uma atitude de antagonismo contra o Papa, mesmo quando ele não está a cumprir corretamente ou de maneira perfeita o seu principal dever, que é fortalecer os fiéis e os bispos na fé”, disse Schneider. “Este é o seu dever principal. Então temos de vir para ajudá-lo a expressar [a fé], com petições reverentes, porque somos uma família.”

As famílias não são ditaduras, continuou o bispo, onde as pessoas são forçadas a permanecer em silêncio para não serem punidas pelo “chefe”.

“Não estamos numa ditadura na Igreja”, disse ele. “Nos somos uma família. Nós somos o corpo místico de Cristo”. Assim, com “respeito reverente”, os católicos deveriam pedir: “por favor, Santo Padre, fortaleça-nos”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 17 de maio de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2018

Bispo suíço assina a declaração que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

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Apenas três dias depois de D. Athanasius Schneider ter feito um apelo público a todos os prelados católicos para que subscrevam a Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental, surge a assinatura de mais um bispo, nomeadamente, D. Marian Eleganti OSB. Tem 62 anos de idade e é bispo auxiliar da diocese de Chur, na Suiça.

Além de reconhecido teólogo, D. Marian Elegantiu é um frade da abadia dos Missionários Beneditinos de St. Otmarsberg, em Uznach, no cantão suíço de St. Gallen, tendo sido ordenado sacerdote em junho de 1995. Em dezembro de 2009, foi apontado por Bento XVI para bispo titular de Lamdia e auxiliar de Chur, a sua ordenação episcopal aconteceria no mês seguinte.

Com a sua subscrição da “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental” publicada pelos bispos do Cazaquistão, são agora nove os bispos signatários, um dos quais é cardeal.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surgiu como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão. Nessa declaração, os bispos afirmam que a leitura em causa está a causar “crescente confusão”, fará alastrar a “chaga do divórcio” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

Basto 2/2018

Bispos do Cazaquistão publicam “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”

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Praticamente um ano depois de terem lançado um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio, os bispos do Cazaquistão publicam agora uma “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”. Em causa está, ainda, toda a confusão resultante da publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Os bispos signatários consideram que a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação “amoris laetitia” é “alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica”.

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.

As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “a confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

  • “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer”(Pio IX, Bula dogmática Ineffabilis Deus).
  • “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).
  • “A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou”(Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).
  • “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas”(Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 29).
  • “As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas”(João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).
  • “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade”(João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

  • As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.
  • Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).
  • A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.
  • Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).
  • A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.
  • As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).
  • O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: Senza Pagare, 02/01/2018.

Basto 1/2018

Presente de Natal do bispo Schneider: uma lista de “o que fazer” para salvar a fé

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Por John-Henry Westen

22 de dezembro, 2017 (LifeSiteNews) – O bispo do Cazaquistão D. Athanasius Schneider é um pensador muito prático, assim como um grande teólogo, um poliglota e um dos prelados mais corajosos da Igreja Católica. No ano passado, ele ofereceu 12 passos para sobrevivência da família católica numa terra de lixo herético. Agora, numa nova entrevista, ele oferece uma lista de “o que fazer” para os tempos em que vivemos hoje.

Na entrevista, à Polonia Christiana, da Polónia, o bispo Schneider faz uma fascinante comparação dos tempos da heresia ariana com a atual crise da Igreja.

“Durante a grande crise ariana do séc. IV, os defensores da Divindade do Filho de Deus foram rotulados como “intransigentes” e também como “tradicionalistas”, afirmou. “Santo Atanásio foi até excomungado pelo Papa Liberius, tendo o Pontífice justificado isso com o argumento de que Atanásio não estava em comunhão com os bispos orientais, os quais eram, na sua maioria, hereges ou semi-hereges”.

E agora, sem mais demoras:

A lista de tarefas do bispo Schneider para salvar hoje a fé

1. Temos de encorajar os católicos comuns a serem fiéis ao Catecismo que aprenderam, a serem fiéis às palavras claras de Cristo no Evangelho, para serem fiéis à fé que receberam de seus pais e antepassados.

2. Temos de organizar círculos de estudo e conferências sobre o ensino constante da Igreja em relação à questão do casamento e da castidade, convidando especialmente os jovens e os casados.

3. Temos que mostrar a beleza de uma vida em castidade, a beleza do casamento e da família cristã, o grande valor da cruz e do sacrifício nas nossas vidas.

4. Temos de apresentar cada vez mais os exemplos dos santos e de pessoas exemplares que demonstraram que, apesar de terem sofrido as mesmas tentações da carne e a mesma hostilidade e escárnio do mundo pagão, levaram, ainda assim, com a graça de Cristo, uma vida feliz em castidade, num casamento cristão e em família.

5. Temos de fundar e promover grupos de jovens de coração puro, grupos de famílias, grupos de casais católicos que se comprometam com a fidelidade dos seus votos matrimoniais.

6. Temos de organizar grupos para ajudar as famílias mortal e materialmente quebradas e as mães solteiras; grupos para assistir com oração e bons conselhos os casais separados;  grupos e pessoas para ajudar os “divorciados recasados” a iniciar um processo sério de conversão, isto é, reconhecendo com humildade a sua situação pecaminosa e abandonando, com a graça de Deus, os pecados que violam o mandamento de Deus e a santidade do sacramento do matrimónio.

7. Temos de criar grupos para ajudar cuidadosamente as pessoas com tendências homossexuais a entrar no caminho da conversão cristã, o caminho feliz e belo de uma vida casta, oferecendo-lhes eventualmente, de forma discreta, uma cura psicológica.

8. Temos de mostrar e pregar aos nossos contemporâneos do mundo neopagão a Boa Nova libertadora ensinada por Cristo, que os mandamentos de Deus – mesmo o sexto mandamento é sábio – são belos: “A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria ao homem simples. Os mandamentos do Senhor são retos, alegram o coração; os preceitos do Senhor são claros, iluminam os olhos (Sl 19, [18]: 7-8).”

9. Cardeais, bispos, sacerdotes, famílias católicas e jovens católicos têm de dizer a si mesmos: recuso conformar-me com o espírito neopagão deste mundo, mesmo quando esse espírito é propagado por alguns bispos e cardeais; não aceito que façam uso falacioso e perverso da misericórdia, que é santa e divina, e do “novo Pentecostes”; recuso lançar incenso diante da estátua do ídolo da ideologia do género, do ídolo dos segundos casamentos e do concubinato, mesmo que o meu bispo o faça, eu não o farei; com a graça de Deus, eu prefiro sofrer do que trair toda a verdade de Cristo sobre a sexualidade humana e o casamento.

A entrevista completa com o bispo Schneider encontra-se aqui [em inglês].

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de dezembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 12/2017

D. Athanasius Schneider explica em que consiste o “discernimento” proposto pelo Papa Francisco

Neste tempo de grande apostasia, principalmente de uma apostasia feita de silêncios e de “correção política”, ainda há quem diga a Verdade em nome de Deus!

O bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão) deu esta resposta durante uma conferência organizada pela Tradição, Família e Propriedade, na Polónia, no final do passado mês de agosto.

Basto 9/2017

Athanasius Schneider: a interpretação do 3.º Segredo não é infalível

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No final da palestra proferida por D. Athanasius Schneider, há cerca de um mês, em Fátima, intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima”, proporcionou-se um pequeno momento de perguntas colocadas pela assistência. Alguém questionou o bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana (Cazaquistão) sobre a sua opinião a respeito da interpretação dada pelo Vaticano ao “bispo vestido de branco”, figura central do 3º Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.

D. Athanasius Schneider, com toda a clareza que o caracteriza, foi muito direto e pragmático na sua resposta: “não é uma interpretação ex cathedra“, então “não é infalível”. E esclareceu que o 3º Segredo diz que o Santo Padre foi assassinado, portanto não pode referir-se a João Paulo II, uma vez que este sobreviveu ao atentado.

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Fátima, 14 de julho de 2017

A referida palestra teve lugar no passado dia 14 de julho, em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, tendo sido organizada pelo Adelante la Fe. Para já, o texto do discurso de D. Athanasius Schneider está disponível apenas em castelhano no sítio da conhecida publicação católica espanhola.

Basto 8/2017

Entrevista de D. Athanasius Schneider à Rádio Renascença

Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão) e membro da Ordem de Santa Cruz de Coimbra, foi o convidado desta semana na entrevista radiofónica da jornalista Aura Miguel na Renascença.

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D. Athanasius Schneider celebra a Santa Missa no Santuário de Fátima (na Capela da Ressurreição), seguindo a forma extraordinária do Rito Latino, na manhã do passado dia 14 de julho

D. Atanasius Schneider passou recentemente por Portugal onde participou em vários eventos.

Basto 7/2017

Bispo Scheneider: a consagração da Rússia conduzirá “à plenitude da conversão”

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Por John-Henry Westen

ROMA, 30 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – Depois de o cardeal Raymond Burke ter feito o seu apelo histórico à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, no Fórum da Vida, em Roma, na semana passada, um dos seus apoiantes mais entusiastas foi o Bispo Athanasius Schneider, que também esteve presente no Fórum.

O bispo Schneider foi um dos primeiros signatários do apelo à consagração e explicou ao LifeSiteNews os seus pensamentos a esse respeito.

O bispo Schneider diz que considera que a iniciativa do cardeal Burke de pedir ao Santo Padre para “consagrar” explicitamente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria “é muito importante”. Será, segundo ele, “o cumprimento mais completo e perfeito do desejo de Nossa Senhora de Fátima.

A noção de consagração surge da mais famosa e aceite aparição da Mãe de Jesus, que foi declarada autêntica pela Igreja Católica e citada por numerosos Papas nos últimos 100 anos. Foi também autenticada pelo mais maravilhoso e documentado milagre de todos os tempos – a “dança do sol”, testemunhada por 70 mil pessoas e registada pela imprensa secular.

Nossa Senhora disse em Fátima que Cristo desejava que o Papa, em união com os bispos do mundo, consagrasse a Rússia ao seu Imaculado Coração. Ela prometeu que, quando isso acontecesse, a Rússia converter-se-ia e um período de paz seria dado ao mundo. Caso contrário, advertiu Nossa Senhora de Fátima, a Rússia “espalhará seus erros pelo mundo, causando guerras e perseguições à Igreja”. E acrescentou: “Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

O Papa São João Paulo II confiou o mundo ao Imaculado Coração em 1984, mas, por ter sido aconselhado, optou por não mencionar a Rússia, mesmo que quisesse fazê-lo. Os seus conselheiros disseram-lhe que isso seria demasiado ofensivo para a Igreja Ortodoxa Russa e ele cedeu às suas exigências, de acordo com o testemunho recentemente revelado pelo cardeal Paul Josef Cordes.

O bispo Schneider disse que acredita que uma consagração explícita da Rússia pelo Papa em união com os bispos “nos trará abundantes graças para Igreja” e também para a “Rússia e para a Igreja Russa”.

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”, prometeu Nossa Senhora de Fátima. “O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e um período de paz será concedido ao mundo”.

O bispo Schneider explicou que a Rússia ainda não chegou “à plenitude da conversão, que é tornarem-se católicos, unidos à Santa Sé”. Isto, disse ele, “trará muitas graças” que “Nossa Senhora prometeu para o nosso tempo, para o triunfo de Seu Imaculado Coração”.

Até agora, a conversão da Rússia e a paz continuam a ser ilusórias. Houve mais guerras, massacres, mártires e abortos no último meio século do que nunca na história. A Rússia, onde o aborto foi legalizado pela primeira vez em 1920, possui ainda a maior taxa de aborto per capita do mundo. Com uma população de 143 milhões, tem 1,2 milhões de abortos por ano.

A Ir. Lucia, a mais velha dos videntes de Fátima, e também a que viveu mais tempo, escreveu ao cardeal Carlo Caffarra, há mais de trinta anos, dizendo-lhe que “chegará um momento em que a batalha decisiva entre o reino de Cristo e Satanás será sobre o casamento e a família”. No seu discurso no Fórum da Vida, em Roma, o Cardeal Caffarra disse que chegou o tempo que ela lhe anunciou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 30 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

D. Athanasius Scheneider estará em Fátima no dia 14 de julho.

Programa do encontro:

  • Santa Missa às 10:00h na Capela da Ressurreição do Santuário de Fátima.
  • Às 11:30h, palestra intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima” no Hotel de Santo Amaro.
  • Almoço às 13:00h no Hotel de Santo Amaro; o preço do prato são 15€, pagos no local, sendo necessário reservar lugar através do envio de um email para fatima@adelantelafe.com com o nome e o número de acompanhantes.

Basto 7/2017

Quatro graves consequências da comunhão na mão

O que disse realmente o Santo Padre Paulo VI?

63. Nem devemos esquecer que antigamente os fiéis, quer se encontrassem sujeitos à violência da perseguição, quer vivessem no ermo por amor da vida monástica, costumavam alimentar-se mesmo diariamente da Eucaristia, tomando a sagrada comunhão com as próprias mãos, no caso de faltar um sacerdote ou diácono.

64. Isto não o dizemos para que se altere, seja no que for, o modo de conservar a Eucaristia ou de receber a sagrada comunhão, segundo foi estabelecido mais tarde pelas leis eclesiásticas ainda em vigor, mas somente para todos juntos nos alegrarmos por ser sempre a mesma a fé da Igreja.

(Papa Paulo VI, Carta Encíclica Mysterium Fidei, 03/09/ 1965)

O vídeo acima é um excerto de uma conversa entre D. Athanasius Schneider e o Pe. Mitch transmitida ao vivo no canal católico americano EWTN, no dia 9 de janeiro de 2013. A nossa vénia ao Tradutor Católico.

Basto 3/2017

Mons. Scheneider em entrevista

D. Athanasius Scheneider fala sobre o estado atual da Igreja, com clareza e humildade, numa entrevista conduzida por Sonia Vásquez. Esta entrevista foi publicada pelo Adelante La Fe no passado dia 4 de janeiro.

Felizmente – para nós – D. Athanasius fala bem melhor português do que castelhano…

 

Basto 1/2017

Schneider: “um certo tipo de cisma já existe na Igreja”

D. Athanasius Schneider deu recentemente uma entrevista ao canal francês TVLibertés onde se referiu ao estado atual da Igreja Católica.

 

TVL: O senhor mostrou preocupações relativamente à exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, também publicou uma declaração de fidelidade ao infalível ensinamento da Igreja e, mais recentemente, deu a conhecer o seu apoio aos “dubia” apresentados ao Papa pelos cardeais Burke, Brandmüller, Caffarra e Meisner. Qual é o valor magisterial da exortação apostólica desta exortação apostólica?

AS: O valor magisterial da exortação apostólica Amoris Laetitia é determinado pela intenção do seu autor, o Papa Francisco, que o expressou através de declarações claras, como por exemplo na que vou citar. O Papa disse: “Gostaria de esclarecer que nem todos os debates doutrinais, morais ou pastorais necessitam de ser resolvidos por intervenções de natureza magisterial.” “Eu achei oportuno redigir uma Exortação Apostólica que possa orientar a reflexão, o diálogo ou práxis pastoral.” – Estas são as palavras do Papa.

A função de um ato magisterial, de acordo com o Concílio Vaticano II, consiste em – passo a citar – “O Magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente”, isto é uma citação da Dei Verbum.

Atendendo às palavras do Papa Francisco, ele deixou claro que não tinha a intenção de promover o seu próprio ensinamento magisterial. De acordo com o Papa Francisco, o objetivo da Amoris Laetitia era o de criar uma situação de debate doutrinal, moral ou pastoral, e que esse debate não necessita de ser resolvido por intervenções de natureza magisterial.”

TVL: Então, qual é a natureza das suas questões relativamente a esse texto?

AS: As minhas interrogações sobre a Amoris Laetitia prendem-se, sobretudo, com a questão muito concreta da admissão de divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão. De facto, durante os dois últimos sínodos da família e depois da publicação da Amoris Laetitia, existiu, continuando a existir até hoje, uma luta árdua e tumultuosa em torno desta questão concreta. Todos aqueles clérigos que desejam outro evangelho – ou seja, um evangelho do direito ao divórcio, um evangelho da liberdade sexual, em suma, um evangelho sem o sexto mandamento de Deus -, esses clérigos utilizam todos os meios maléficos, tais como, astúcia, enganos, linguagem e retórica magistrais e até mesmo táticas da intimidação e violência moral, de modo a atingirem o seu objetivo de admitir os divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão sem cumprirem a condição de viver em perfeita continência, uma condição imposta pela Lei Divina. Uma vez atingido esse objetivo, ainda que limitado aos ditos “casos excecionais” de “discernimento”, a porta fica aberta à introdução do evangelho do divórcio, do evangelho sem o sexto mandamento. Isso não seria mais o Evangelho de Jesus mas um anti-evangelho, o evangelho segundo este mundo, ainda que esse evangelho apareça cosmeticamente enfeitado com palavras como “misericórdia”, “solicitude maternal” ou “acompanhamento”.

Neste contexto, devemos relembrar  uma exortação apostólica de São Paulo que advertia:

Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema. (Gl 1, 8)

TVL: Mas, Sua Excelência, já alguma vez um evento deste tipo aconteceu na Igreja?

AS: No que concerne à doutrina e práxis relativas ao Sacramento do Matrimónio e à validade perene da lei moral, nós estamos a testemunhar hoje a uma ambiguidade de âmbito tal, apenas comparável à confusão geral da crise Ariana do séc. IV.

TVL: O que poderá acontecer se os “dubia” dos quadro cardeais continuarem por responder?

AS: A função primordial do Papa foi divinamente definida por Nosso Senhor, que é confirmar os seus irmãos na Fé. Confirmar na Fé significa afastar dúvidas e esclarecer. Somente o serviço de esclarecimento da Fé produz verdadeira unidade na Igreja. Esta é a primeira e inevitável função do Papa. Se o Papa não cumprir a sua função nas presentes circunstâncias, os bispos terão de ensinar indefetivelmente o Evangelho imutável da divina doutrina moral e perene disciplina do casamento, ajudando fraternalmente, deste modo, o mesmo Papa, porque o Papa não é um ditador. De facto, Cristo disse:

«Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.» (Mt 20, 25-27)

Além disso, a Igreja inteira deve rezar pelo Papa, para que ele encontre o conhecimento e a coragem para cumprir a sua função primordial. Quando o primeiro Papa, São Pedro, foi encarcerado, toda a Igreja orou continuamente por ele e Deus libertou-o das suas correntes.

TVL: Mas não haverá eventualmente, se este problema persistir, um risco de cisma?

AS: Não há apenas um risco de cisma, mas um certo tipo de cisma já existe na Igreja. Cisma significa, em grego, separar-se da totalidade do corpo. Cristo é a totalidade do corpo da Verdade Divina e a unidade no Seu corpo sobrenatural é também visível. Contudo, nós assistimos hoje a uma forma bizarra de cisma. Externamente, muitos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, por vezes pelas suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria mas, ao mesmo tempo, quebraram os laços com Cristo, que é a Verdade e verdadeira cabeça da Igreja. Por outro lado, há clérigos que têm sido acusados de cismáticos, apesar de viverem canonicamente em paz com o Papa e permanecerem fiéis a Cristo, a Verdade, promovendo assiduamente o Seu Evangelho da Verdade.

É evidente que aqueles que são internamente os verdadeiros cismáticos, em relação a Cristo, recorrem à calúnia com o único objetivo de silenciar a voz da Verdade, ao projetarem absurdamente o seu próprio estado de cisma interno naqueles clérigos que, independentemente dos louvores ou das repreensões, defendem a Verdades Divina.

De facto, como diz a Sagrada Escritura, a palavra da Divina Verdade “não pode ser acorrentada” (2Tm 2, 9). Mesmo se um grande número de responsáveis de elevado estatuto dentro da Igreja hoje obscurecerem temporariamente a verdade da doutrina do casamento e a sua perene disciplina, essa doutrina e essa disciplina permanecerão sempre imutáveis na Igreja porque a Igreja não é uma fundação humana, mas divina.

TVL: Obrigado, Sua Excelência, por essas palavras cheias de Fé, esperança e caridade.

Tradução: odogmadafe.wordpress.com

 

Basto 12/2016