Ele, que era ela: “¡Gracias, amigo mío!”

O transexual Diego Neria que, de acordo com o Santo Padre,  já é “homem” e “casado”, mais precisamente “ele – que ela era, mas é ele”, agradece agora as palavras que Sua Santidade lhe dedicara durante a última entrevista a bordo de um avião.

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in Periodista Digital, 04/10/2016

A frase acima publicada pelo Periodista Digital foi transcrita do perfil de Lejárraga numa rede social. Este jornal digital tem dado uma grande cobertura ao transexual espanhol desde a sua viagem a Roma.

“O Papa é um ser humano brutal, que te faz feliz e muito forte espiritualmente”. E não só a ele, mas também a “tantos outros que continuam a sofrer as suas dúvidas e os seus medos”.

(Transexual Diego Neria in Periodista Digital, 04/10/2016)

Confirma-se também o acompanhamento pastoral daquele “grande bispo” a quem o Papa se referiu, neste caso, D. Amadeo Rodríguez.

Mas quem será o “velho sacerdote, o velho pároco” misericordioso a quem Sua Santidade também fez questão de se referir e até citar?

Seria ele o sr. Pe. Ángel?

“A sua forma de fazer caminho é a que eu quero seguir: as portas da Casa do Pai abertas a todos, sem “mas”, sem classes, apenas o amor como condição.”

(Transexual Diego Neria in Periodista Digital, 19/09/2016)

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Pe. Ángel – Periodista Digital

O sr. Pe. Ángel, profundo admirador do Papa Francisco, cuja doutrina tem procurado pôr em prática de forma determinada, está à frente daquela que é considerada a igreja mais “cool”, ou seja mais “fixe”, do mundo.

Ele é também considerado, por muitos, como um valente guerrilheiro que luta pela implementação da nova misericórdia, cujas conquistas são publicamente conhecidas.

Nos últimos meses, quinze casais homossexuais batizaram os seus filhos, graças à valentia eclesiástica do Padre Ángel. A Igreja de San Antón, no bairro madrileno de Chueca, é o único lugar no mundo onde todas as crianças são batizadas como filhos de Deus, independentemente da sua origem familiar.

(in El Español, 24/09/2016)

Sobre o cumprimento do Direito Canónico, o sr. Pe. Ángel não é nada “fundamentalista” pois até entende que “os textos estão feitos para serem adaptados”.

Pode ser ele o tal piedoso “velho pároco” de quem falava o Santo Padre, assim como pode ser outro qualquer. Não devem faltar padres idosos em Espanha, nem sequer é muito relevante que seja este ou aquele. O que há aqui, mais uma vez, a assinalar é a mensagem que todo este escandaloso caso lança para o mundo bem como as suas previsíveis consequências.

A tempestade piora de dia para dia.

Basto 10/2016

O erro de Lejárraga

O transexual espanhol Diego Neria Lejárraga, autor do livro “O Erro de Deus”, deu recentemente uma reveladora entrevista ao jornal Periodista Digital.

Lejárraga, que se submeteu a um conjunto de tratamentos com a intenção de se livrar da sua condição feminina, tornou-se mundialmente famoso por ter sido recebido em Roma, juntamente com a sua companheira, pelo Santo Padre.

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Santo Padre acompanhado pelo casal lésbico em Roma in Religión Digital

O encontro entre os três foi privado, no entanto, não deixou de constituir uma forte mensagem pública para o mundo que ainda hoje não cessou de ecoar, antes pelo contrário!

Agora que já se fala abertamente da distribuição da Sagrada Comunhão a pessoas cuja condição, até há pouco mais de três anos e durante cerca de 2000, não o permitia, também Lejárraga decidiu partilhar publicamente a sua própria experiência de “discernimento” através nesta entrevista ao jornal digital espanhol.

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in Periodista Digital, 26/09/2016

Diego Neria: “Depois de ver o Papa, saí de cabeça bem erguida. Ouço missa e comungo. Leiam nas entrelinhas…”

(Título da entrevista publicada no separador Religión Digital a 26/09/2016)

Como as conversas privadas são de natureza privada, não devemos perguntar pormenores, mas antes “ler nas entrelinhas”:

(a partir do minuto 3′:10”)

Se alguém errou nesta história toda, Deus não foi, com certeza.

Basto 9/2016

“O erro de Deus”

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O Santo Padre com o casal lésbico, em 2015, em Roma: a autora do livro (à direita) e a sua noiva Macarena (à esquerda).

Foi apresentado, no final do mês de março, o livro do conhecido transexual Diego Neria Lejárraga intitulado “El Despiste de Dios”. Uma senhora espanhola que, desde cedo não se sentiu bem no corpo de mulher, tendo decidido, em 2007, aos 40 anos de idade, submeter-se a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar num homem.

Assumindo-se católico(a) praticante, sentia-se injustiçada pelos representantes locais da Igreja Católica que lhe reprovavam a opção de mutação de género, apontando-lhe o erro que ela cometia. Infeliz com a situação, escreveu um dia ao Papa Francisco e, para sua surpresa, Sua Santidade sensibilizou-se com o seu caso…

A 8 de dezembro de 2014, data em que os católicos do mundo inteiro celebravam a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, em honra da nova mulher concebida sem pecado original, o Santo Padre toma o telefone e liga ao novo homem Diego Neria Lejárraga. A senhora Diego foi convidada para ir a Roma, juntamente com a sua noiva, sendo assegurada de que não precisaria de se preocupar com as despesas, pois a Santa Sé assumiria todos os encargos da viajem. Até aqui tudo bem…

De regresso desta peregrinação a Roma, e depois de uma conversa “privada” a três, em espanhol fluente, entre o casal lésbico e o Santo Padre,  a senhora Diego perdeu qualquer sentimento de culpa, tendo agora a certeza de que o caminho por si escolhido é correto aos olhos de Deus (?) e um exemplo para o mundo. A viagem a Roma mudou a sua vida.

Para além de confessar uma grande admiração pelo Papa Francisco e por todos os seus esforços no sentido de mudar a Igreja, esta senhora considera que a sua história de vida, bem como o seu discernimento espiritual, devem ser imitados por outros católicos transexuais e casais homossexuais. Foi por isso que decidiu, desde logo, escrever um livro autobiográfico, tendo como mote de partida a sua viagem a Roma. O livro, entretanto concluído, foi publicado pela Tropo Editores e até conta com uma edição especial, com uma encadernação nobre, para ser oferecida ao Santo Padre.

Partindo dos comentários em relação à obra, deve ser uma leitura enquadrada num determinado entendimento contemporâneo da Misericórdia de Deus, que abdica do arrependimento e do propósito de correção de vida. Uma nova misericórdia light recentemente descoberta por muitos pastores católicos, mas que de facto é mais típica de uma nova era pós-cristianismo. Um conceito de misericórdia defendido pelos mesmos prelados que acham que a Igreja não foi misericordiosa durante os últimos 20 séculos e, então, pretendem ser eles, agora, os verdadeiros misericordiosos, mais até do que o próprio Cristo e os seus santos  – que grande loucura!

Já agora, e para que se saiba, Deus jamais errou ou errará!

Basto 4/2016