Vídeo do Papa com as intenções para outubro

O Santo Padre propõe, neste mês, a recitação diária do terço e a invocação do Arcanjo São Miguel para “repelir os ataques do Diabo que quer dividir a Igreja”.

E quem é esse “Diabo que quer dividir a Igreja”?

Por estes dias, o Diabo, diz Santo Padre, é o “Grande Acusador“, numa aparente alusão ao arcebispo D. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, depois de este o ter acusado de encobrir os abusos sexuais do cardeal D. Theodore Edgar McCarrick.

O vídeo com as intenções de oração do Santo Padre para o mês de outubro parece dirigir-se a um nicho religioso muito específico, nomeadamente àquelas pessoas que ainda mantém uma certa “tradição religiosa” – a Fé Cristã – cada vez mais “minoritária” em todo o mundo. Outros provavelmente preferirão, também neste mês, trocar o rosário por três varetas de incenso exótico ou por uma pagela dedicada ao Yin-yang, pelos quais o Santo Padre pediu que orássemos em janeiro.

Estamos a falar concretamente daqueles irmãos e irmãs que, como diz o Santo Padre, “procuram a Deus ou encontram Deus de muitos modos”, como se todos modos fossem verdadeiros.

A compreensão do fio condutor do argumento desta série, que, não sendo embora a Coronation Street, vai já no 10º episódio da 3ª temporada, exige algum acompanhamento da parte do telespectador.

Nós, portanto, que pertencemos a esse grupo que ainda acredita que Jesus Cristo é o único Deus encarnado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, aceitamos o apelo do Santo Padre à recitação diária do terço e invocaremos o líder da Milícia Celeste para “repelir os ataques do Diabo que quer dividir a Igreja” através da apostasia de muitos dos seus pastores.

Basto 10/2018

Querem que eu lidere um grupo contra o Papa, mas eu permanecerei com ele. No entanto, aqueles que se queixam deveriam ser ouvidos

c.muller

Excertos de uma entrevista conduzida por Massimo Franco do Corriere della Sera:

“Há uma frente de grupos tradicionalistas, tal como existe com os progressistas, que gostariam de me ver como líder de um movimento contra o Papa. Mas eu jamais farei isso. Servi a Igreja com amor durante 40 anos como sacerdote, 16 anos como professor universitário de teologia dogmática e 10 anos como bispo diocesano. Acredito na unidade da Igreja e não permitirei que ninguém explore as minhas experiências negativas dos últimos meses. As autoridades da Igreja, por outro lado, precisam de ouvir aqueles que têm sérias dúvidas ou justificadas reclamações; não os ignorando, ou pior, humilhando-os. Caso contrário, pode aumentar involuntariamente o risco de uma separação lenta, que pode levar a um cisma, de uma parte desorientada e desiludida do mundo católico. A história do Cisma Protestante de Martinho Lutero, de há 500 anos atrás, deveria ensinar-nos, acima de tudo, quais erros evitar.”

“O Papa confessou-me isto: «Disseram-me anonimamente que você é meu inimigo» sem explicar em que sentido” contou ele insatisfeito. “Depois de 40 anos ao serviço da Igreja, eu tive que ouvir isto: um absurdo criado por intriguistas que, em vez de incutirem preocupação no Papa, fariam melhor se visitassem um” psiquiatra”. Um bispo católico e cardeal da Igreja Romana está, por natureza, com o Santo Padre. Mas acredito, como disse Melchoir Cano, teólogo do séc. XVI, que os verdadeiros amigos não são aqueles que lisonjeiam o Papa, mas aqueles que o ajudam com a verdade e com a competência teológica e humana. “Em todas as organizações do mundo, delatores deste tipo servem-se apenas a eles próprios.”

“As tensões na Igreja surgem do contraste entre uma frente tradicionalista extremista presente em alguns sítios da internet e uma frente progressiva, igualmente exagerada, que hoje procura ganhar crédito como super-papista”.

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 27 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o artigo acima foi traduzido do texto publicado em inglês pelo Rorate Caeli, o qual, por sua vez, foi extraído e traduzido de uma entrevista publicada em italiano, no passado dia 26 de novembro, no Corriere della Sera. Toda a responsabilidade do texto pertence, portanto, ao seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017