Casais divorciados já comungam em Fátima

Bispo de Fátima mostra como não é difícil chegar a cardeal na nova Igreja de Francisco. Basta promover ativamente a pratica de Amoris Laetitia*.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Pois, Jesus disse mas eles querem lá saber… E logo na diocese de Fátima!

Leiria-Fátima
In edição impressa do Correio da Manhã do dia 04/02/2029 (recorte obtido nas redes sociais).

Esta nova misericórdia inventada pelo Papa Francisco, para além de oposta à infalível doutrina da Igreja, parece demasiado fácil. Não implica arrependimento ou contrição, pelo contrário, confirma as pessoas no pecado como se este fosse uma virtude.

Estamos mesmo a viver os piores castigos anunciados em Fátima, em 1917. Que Deus nos ajude!

*A prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, é um sacrilégio que consiste em obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar da obstinação no adultério.

Basto 02/2020

Inédito: bispo italiano dirige um pedido de desculpas por escrito aos adúlteros da sua diocese

adultery.jpgPartindo da novíssima doutrina do Papa Francisco a respeito do matrimónio, D. Renato Marangoni, bispo da diocese de Belluno-Feltre, em Itália, publica carta onde pede desculpa aos divorciados que resolveram “começar novas experiências de união”, pelo facto de a Igreja, no passado, ter condenado o adultério e impedido de comungar as pessoas que se encontravam em estado de pecado mortal.

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In página oficial da diocese de Belluno-Feltre, 22/11/2019.

E com esta carta de desculpas, convida todos os adúlteros da diocese a comparecerem no Centro [pastoral] Papa Luciani, no primeiro domingo de dezembro, onde uma equipa especializada os ajudará na iniciação da prática de Amoris Laetitia.

Basto 11/2019

Bispo do Porto abre a Sagrada Comunhão a pessoas “recasadas” que continuam matrimonialmente unidas a outras

Em divergência total com a doutrina católica, sem causar no entanto a mínima surpresa, D. Manuel Linda, “fã do Papa Francisco a 200%“, acaba de publicar um documento com orientações pastorais que oficializam a abertura da Sagrada Comunhão a casais divorciados civilmente recasados, na diocese do Porto.

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(Nota Pastoral – Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto; in página oficial da Diocese do Porto, 06/03/2019)

Manuel Linda chega a citar abusivamente João Paulo II e Bento XVI para justificar a sua adesão precisamente ao ensinamento contrário do que estes papas defenderam na questão do acesso dos divorciados recasados à comunhão eucarística.

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Manchete da entrevista concedida por D. Manuel Linda ao Observador em 17 de março de 2018.

É o próprio D. Manuel Linda quem nos recomenda alguma prudência para com o disposto neste documento que considera “imperfeito” e “rudimentar”, alicerçado nos ensinamentos do Papa Francisco, que pede soluções, “mesmo sem vermos com toda a clareza”.

Este documento é imperfeito e chamado, pela sua própria natureza, a ser ultrapassado: nem pretende abarcar a imensidade dos aspetos da pastoral familiar, nem se concebe como aquisição dogmaticamente definitiva. Por isso, as suas características de rudimentar e provisório apenas pretendem vincar a complexidade da questão e a abertura a todas as Igrejas diocesanas e à Igreja universal, sabiamente conduzida pelo Papa Francisco, para que continuemos à procura de prevenções e soluções, ainda que sem vermos com toda a clareza.

(D. Manuel Linda, in Nota Pastoral – Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto, 6 de março de 2019)

Não obstante o seu forte cariz misericordista, o método discernimental da diocese do Porto apresenta-se bastante mais moroso do que o de Leiria-Fátima, onde três semanas de discernimento intensivo podem ser suficientes para colocar o adúltero em condições de comungar. A diocese do Porto exige um estágio não inferior a seis meses de discernimento até poder finalmente confirmar o adúltero no seu recasamento civil, oferecendo-lhe uma espécie de certificado formal. Não especifica, porém, a tramitação do processo no caso de uma eventual separação dos recasados e início de nova situação de fragilidade, numa nova união ilícita.

Da conclusão e decisão deste processo deve elaborar-se, em duplicado, um documento assinado pela pessoa e pelo sacerdote que a acompanhou. Este documento é entregue na secretaria episcopal, para obter a validação pelo Bispo Diocesano ou seu delegado. Depois disso, um exemplar é arquivado e o outro entregue à pessoa que fez a caminhada de discernimento.

(D. Manuel Linda, in Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto, 6 de março de 2019)

Merece ainda atenção a peculiaridade da escolha do “início desta quaresma” para a publicação das orientações pastorais desta nova doutrina do matrimónio para a diocese portuense. Com isto, o bispo do Porto expressa a sua intenção de uma verdadeira conversão interior – não dos pecadores mas – dos “pastores”, da sua “mentalidade” e da sua “pastoral”.

Entre nós, mais um forte candidato ao barrete cardinalício…

Basto 03/2019

O Erro Crasso de D. Jorge Ortiga

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Por João Silveira

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, revelou publicamente, à TSF, que os “primeiros recasados vão poder comungar após processo de discernimento“.

Este processo de discernimento, cujas directivas se encontram na carta pastoral “Construir a casa sobre a rocha”, visa descobrir (?) se um casal “recasado” está ou não em condições de comungar. Para tal, o dito casal é acompanhado por um grupo de padres jesuítas, um casal de leigos e um psicólogo.

1. Não se percebe como é que algum processo de discernimento tem a capacidade de descobrir que alguém que vive em estado objectivo de pecado (Cân. 915) pode continuar a viver dessa forma sem estar em pecado. Parece que tudo acontece por artes mágicas.

2. Distribuir a Sagrada Comunhão a uma pessoa que não está em condições de a receber -porque a sua vida apresenta uma contradição grave com os ensinamentos morais de Cristo  e da Igreja – não lhe vai fazer bem nenhum, só lhe vai fazer mal, como explicou São Paulo em 1Cor 11, 27-29. Isto é verdade para qualquer pessoa que tenha cometido um pecado mortal e não se tenha arrependido e confessado desse pecado a um sacerdote, com propósito de não o tornar a cometer.

3. Aquelas duas pessoas vivem como se estivessem casadas, com tudo o que isso implica, mas não estão casadas. Diz o Catecismo da Igreja Católica, no §2390: «O acto sexual deve ter lugar exclusivamente no matrimónio; fora dele constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental». Com que autoridade pode D. Jorge Ortiga desrespeitar o Catecismo da Igreja Católica?

4. Na Igreja não existe o estado de “recasado”. Aquelas duas pessoas não só não estão casadas entre si como estão ambas (ou pelo menos uma delas) casadas sacramentalmente com outras pessoas, daí que não se possam casar novamente enquanto o seu cônjuge estiver vivo. Foi a própria pessoa que prometeu fidelidade até que a morte os separasse. Isto aconteceu de livre vontade, caso contrário o consentimento não seria válido. A partir daquele momento foi contraído um vínculo que não pode ser dissolvido, nem por vontade dos cônjuges nem por vontade de D. Jorge Ortiga. Ver um Bispo, Sucessor dos Apóstolos, a apoiar publicamente o adultério – um pecado tão grave que São Tomás disse que não se poderia cometer nem que fosse para salvar o mundo inteiro – é sinal que a Igreja está numa crise gravíssima.

5. Este processo está completamente errado e é contra os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, mais que não fosse por prudência (humana), deveria ser feito com a maior discrição possível. Vir para os meios de comunicação social fazer um anúncio destes é causar um grave escândalo nos fiéis.

O que se está a passar é grave demais para passar incólume. Membros da hierarquia da Igreja estão a fomentar as comunhões sacrílegas, a enganar as almas (fazendo com que julguem estar em estado de graça enquanto vivem em pecado objectivo), a destruir a Instituição do Matrimónio e a fazer pouco da Lei da Igreja e do Catecismo. Tudo isto em nome duma suposta misericórdia que vai contra as próprias palavras de Jesus Cristo (Mc 10, 1-12), como se fossemos mais misericordiosos do que Ele.

Este texto foi originalmente publicado no blogue Senza Pagare a 28 de setembro de 2018.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

Basto 9/2018

Arcebispo de Braga anuncia os primeiros casos de recasamento aprovados em processos de “discernimento”

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Jules-Arsène Garnier (1876)

Em declarações à TSF, D. Jorge Ortiga anunciou que dois casos de recasamento que se submeteram às provas de “acompanhamento e discernimento” da Arquidiocese de Braga já estão em condições de aceder à Sagrada Comunhão.

Equipa de discernimento da Arquidiocese de Braga:

  • Um grupo de padres jesuítas
  • Um casal de leigos
  • Um psicólogo

(de acordo com a informação apresentada pela TSF)

Sem revelar pormenores particulares relativos aos casos de recasamento em questão, o arcebispo explica que o processo de “discernimento” passa por avaliar a estabilidade da nova relação iniciada pelo divorciado e “o seu compromisso na fé”.

É um processo de longa caminhada para poder fazer um discernimento e ver até que ponto aquela nova relação, após uma outra que não tinha corrido bem, está orientada para uma vida estável, com a exigência cristã e com o seu compromisso de fé.

(D. Jorge Ortiga; in TSF, 26/09/2018)

Estes deverão ser os dois primeiros casos de recasamento pastoralmente aprovados pela Igreja em toda a história de Portugal, todavia, de acordo com a informação prestada pelo arcebispo à referida estação de rádio, não deverão ser os únicos.

Basto 9/2018

Diocese do Porto acusa D. Carlo Maria Viganò de apostasia por não aderir à nova doutrina do Papa Francisco

Num curto comunicado publicado recentemente na sua página oficial, a diocese do Porto acusa o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, de infidelidade e apostasia por não aceitar a novíssima doutrina sobre o casamento e a família introduzida pelo Papa Francisco através da sua controversa exortação Amoris Laetitia que admite o divórcio e o recasamento. O comunicado, sem data e sem assinatura, intitula-se “Com Pedro e sob Pedro” – um título forte para este tempo de dois Pedros.

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In sítio oficial da diocese do Porto, sem data (imagem capturada no dia 05/09/2018).

Falando de apostasia, recordemos que, ainda há pouco tempo, o novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, um “fã do Papa Francisco a 200%“, foi notícia internacional depois de se manifestar publicamente a favor da prática sexual entre os recasados que desejam ser uma verdadeira família. Não admira, portanto, que a diocese sediada na urbe invicta venha agora “demonstrar a plena adesão ao magistério e à pessoa do Papa Francisco”.

Basto 9/2018

Papa Francisco escreve ao Patriarca de Lisboa

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O Papa Francisco enviou uma carta ao Patriarca de Lisboa de agradecimento e encorajamento em relação à aplicação do polémico capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

carta

Amado Irmão Cardeal
D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente
Patriarca de Lisboa

 

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Esta sua aprofundada reflexão  encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério.

As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus.

Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas.

Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa. 

 

Vaticano, 26 de junho de 2018

Franciscus

 

(in sítio oficial do Patriarcado de Lisboa, 26/06/2018)

Esta carta causa alguma estranheza, tanta como a sua publicação na página oficial do Patriarcado de Lisboa, uma vez que parece um documento pessoal…

Nesta altura já ninguém tem dúvidas relativamente ao que o Santo Padre entende por “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. Resta saber como D. Manuel Clemente irá interpretar este encorajamento do Bispo de Roma, tendo em conta que o Patriarca de Lisboa, apesar de tudo, tem constituído a maior força visível de atrito no episcopado português relativamente à novíssima pastoral de abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”.

Basto 7/2018

A “Alegria do Amor” em Viseu

Como tínhamos aqui avançado anteriormente, o agora administrador apostólico da diocese de Viseu, D. Ilídio Leandro, acaba de publicar um “documento pastoral” que porá em prática os novos ensinamentos do Papa Francisco sobre o matrimónio e a família na sua diocese. O referido documento intitula-se “Acompanhar, discernir, integrar” e deverá contemplar a possibilidade de os divorciados “recasados” acederem aos sacramentos nos termos previstos pela controversa exortação Amoris Laetitia.

“Se a sua situação na comunidade cristã e a sua relação com todos os que foram importantes no seu primeiro casamento não mantém feridas por sarar”, então o caminho para a paz está a ser realizado com sucesso, lembrou D. Ilídio, como pressuposto para a possibilidade de uma integração tranquila na comunidade cristã, vivendo a plenitude dos sacramentos.

(in Página oficial da Diocese de Viseu, 28/06/2018)

Presume-se que seja um documento que irá ao encontro daqueles queparafraseando o Pe. Armando Esteves, Vigário Geral da Diocese de Viseu – foram levados a assumir um segundo matrimónio”.

Basto 7/2018

Frases que nos fazem pensar: Paulo Mendes Pinto

paulo.mendes.pinto“O Papa ao elevar este bispo [D. António Marto] a cardeal está a tomar uma posição política muito clara. D. Manuel Clemente tem tido posições mais conservadoras e contrárias às do Papa. Esta nomeação é também um recado, uma reprimenda, a um certo clero português que não tem compreendido a sua linha.”

(Paulo Mendes Pinto, investigador e diretor da área de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona)

Contexto da frase:

Citação utilizada pela jornalista Rosa Ruela num artigo intitulado “A elevação de D. António Marto a cardeal é uma reprimenda”; in Visão, 23/05/2018.

Basto 6/2018

O Patriarca de Lisboa e as hienas

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Se há coisa de que ninguém pode acusar D. Manuel Clemente é de não ser diplomático, de não procurar consensos. Mas até onde pode ir a diplomacia? Será realmente possível conciliar o constante e infalível ensinamento da Igreja com esta nova “misericórdia” do Papa Francisco que prescinde de arrependimento e mudança de vida?

Há dias, D. Manuel Clemente surpreendeu toda a gente quando disse ao mundo que aplicaria, “com certeza, as indicações que os bispos de Buenos Aires elaboraram e que o Papa autenticou”, e que permitem, à luz do novo ensinamento da Amoris Laetitia, a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério prolongado. As suas palavras surgiram pouco tempo depois de, o mesmo Patriarca, ter afirmado que estaria disposto “a caminhar com o Papa nesse sentido mas, claro está, dentro da nossa tradição evangélica e daquilo que Jesus Cristo diz tão, tão, tão taxativamente acerca do matrimónio”.

Poucos dias depois, o Patriarcado de Lisboa publicava as suas próprias orientações, no entanto, a primeira coisa que propõe no processo de integração dos divorciados “recasados” que pretendem aceder aos sacramentos é “um compromisso em viver em continência [sexual]”. Um caminho à luz do magistério da Igreja, conforme tinha sido proposto pelos Papas São João Paulo II e Bento XVI. Um enorme balde de água fria em cima dos partidários da nova “misericórdia”, que pensavam que o cardeal português tinha anunciado a aprovação “pastoral” do adultério, à semelhança do que tem acontecido em outras partes do mundo católico.

As reações foram muitas e duras, principalmente da parte do clero português mais radical, sempre preocupado em agradar ao mundo. Entre outras:

“D. Manuel é bispo de Lisboa e as suas orientações não são para a Igreja em Portugal nem vinculam as outras dioceses.”

(Pe. Mário Tavares de Oliveira, assistente diocesano do departamento da pastoral da Família de Évora, in Público, 09/02/2018)

 

“Provavelmente essa proposta é um bocadinho irreal […].”

(Manuel Queirós da Costa, do secretariado diocesano da pastoral da família de Vila Real, in Público, 09/02/2018)

 

“Pessoalmente nunca proporia uma coisa dessas a alguém que vive em casal.”

(Cónego Miguel Abreu, in Público, 09/02/2018)

 

“Não competirá ao confessor nem ao guia espiritual, e creio que muito menos aos bispos, imiscuir-se nessa questão.”

(Pe. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, in Público, 09/02/2018)

 

“Não tenho o direito de proibir nada a ninguém. Tenho é de ajudar a refletir”

(Pe. Feytor Pinto, in Visão, 08/02/2018)

 

“[O documento é] exagerado e inoportuno.”

(Pe. Vítor Melícias, in Visão, 08/02/2018)

 

“É um ato da teologia das palavras cruzadas. Um delírio.”

(Frei Bento Domingues, in Expresso, 11/02/2018)

Na Ilha da Madeira, não chegaram a chamar “cubano” ao Patriarca de Lisboa, é verdade, mas um pouco mais piedade e de perseverança não ficaria mal ao sr. Pe. Rodrigues.

Para o teólogo Pe. Anselmo Borges, em oposição às orientações de D. Manuel Clemente, o caminho de integração deve passar pela prática sexual, apesar do adultério, “porque, se estão [re]casados, não é propriamente para viverem como irmãos”.

Tal como Nossa Senhora previra em Fátima, em 1917, muitos dos mais altos representantes da Igreja Católica pregam agora doutrinas verdadeiramente diabólicas com as quais hão de conduzir muitas almas à perdição. A Igreja Portuguesa não é exceção.

À reação do clero português mais radical e amigo do mundo, junta-se, como era de esperar, a hostilidade do próprio mundo, insatisfeito por não conseguir ainda mandar completamente na Igreja. E lá no seu azedume natural, os líderes de opinião perguntam-se, ainda que de forma inconsciente, para quando é que a Igreja de Cristo se submeterá completamente aos preceitos morais da Nova Ordem Mundial? Uma moralidade onde nada é intrinsecamente mau e quase tudo é permitido, à exceção de urinar no portão do vizinho e lançar carbono para a atmosfera.

A notícia da publicação das orientações do Patriarcado de Lisboa abre os telejornais e faz capa na imprensa. Mas que horror! Como é que ainda há bispos e padres tão atrasados em Portugal? Que gente tão fundamentalista, rigorista e anacrónica! Mas como é que alguém ainda acredita na verdadeira doutrina de Cristo e não permite a sua adaptação à época, à moda da estação e aos desejos pessoais?

É por isso que, entre tantos outros inteligentes, João Miguel Tavares tem agora pesadelos surrealistas, sinal de que ainda consegue dormir. David Dinis preocupa-se em demasia com os pecados, não dos adúlteros, mas do próprio Patriarca. Vítor Rainho teme o impacte que o caminho de continência sexual dos adúlteros possa vir a ter nas taxas de natalidade. E Joaquim Jorge, “perplexo“, arranjou mais um tema para pensar lá no clube. Mas há mais, muito mais!

Vivemos na verdade tempos absolutamente extraordinários e fascinantes. Isto, partindo de uma perspetiva meramente empírica…

Basto 2/2018

Reconhecido especialista em direito canónico corrige arcebispo de Braga

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“Por vezes um lado está simplesmente certo e o outro simplesmente errado.”

Este foi o título dado por Edward Peters ao artigo publicado no seu blogue para corrigir D. Jorge Ortiga relativamente ao recente projeto da Arquidiocese de Braga que possibilita a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério habitual e prolongado.

“Não importa quais as razões que possam ser oferecidas pela ilustre Arquidiocese de Braga para o seu plano de autorizar a administração da Sagrada Comunhão a católicos simplesmente divorciados e recasados. Se esse é […] o seu plano, estão errados. Manifesta e gravemente errados. Tal como os de Malta. E tal como os Alemanha. Assim como alguns outros […].

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Peters confessa que não espera, com o seu artigo, “convencer os lusitanos sobre esta matéria”, mas ainda assim, sem se preocupar em expor novamente todos os argumentos já apresentados sobre este assunto, assegura que “eles estão errados”, enquanto os que defendem o tradicional ensinamento da Igreja “estão certos”.

Segundo o Cânon 915 (lei de emissão papal, baseada em fundamentos de direito divino e, até a crise atual, incontestada pela tradição pastoral e canónica a este respeito), os ministros da Sagrada Comunhão não podem administrar esse Sacramento (surgem problemas semelhantes em relação à administração da absolvição na confissão, mas tratemos uma crise de cada vez) a católicos (que geralmente são os únicos elegíveis para a Sagrada Comunhão, em primeiro lugar, pelo C.844) que, tendo contraído um casamento que goza da presunção de validade (C.1060), depois civilmente divorciados (ou, por outras palavras, estão divorciados, independentemente de quem seja a “culpa” do divórcio) e, não tendo obtido (porque nunca solicitaram ou porque lhes fora recusada) uma declaração eclesiástica de nulidade (ou uma variante das dissoluções de casamento incomuns, como se discute principalmente aqui e aqui), pretendem contrair um novo casamento (civil, ou por algum outro mecanismo, mesmo um que parece religioso, mas que, enquanto o primeiro esposo estiver vivo, obviamente não é um casamento, mas chamamos-lhe de conveniência, e sim isso aplica-se também aos católicos solteiros que pretendem contrair casamentos com pessoas divorciadas nos termos acima descritos), mas recusam-se a viver como irmão e irmã (como se aplica a todas as pessoas que não são casadas, o que é necessário para se aproximarem da Sagrada Comunhão, de acordo com o Cânon 916) e, mesmo que vivam em abstinência (que Deus os abençoe), são, ainda assim, conhecidos (sempre se “na verdade” e habitualmente, ainda que “legalmente”) por estar divorciados e recasados fora da Igreja e portanto (não obstante a sua elegibilidade discutível para o sacramento em consciência) ocasionam escândalo objetivo à comunidade de fé (mesmo que ninguém se surpreenda com o divórcio e o recasamento nos dias de hoje e, por vezes, nem com escândalo produzido pelos ministros eclesiásticos que assim são tentados a desconsiderar certas obrigações suas no âmbito do Cânon 915).

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Edward Peters é professor de direito canónico no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, sendo também um conselheiro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, do Vaticano.

Basto 2/2018

Patriarca de Lisboa aprova critérios dos bispos de Buenos Aires

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D. Manuel Clemente confirmou hoje à Agência Ecclesia que aplicará os critérios dos bispos de Buenos Aires na interpretação do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia, uma vez que foram aprovados pelo Papa Francisco. Os referidos critérios possibilitam a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério.

Nós aplicaremos, com certeza, as indicações que os bispos de Buenos Aires elaboraram e que o Papa autenticou”.

(D. Manuel Clemente, in Ecclesia, 19/01/2018)

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlterosin Adelante La Fé, 13/06/2017

Recorde-se que a pré-aprovação “pastoral” do “recasamento” em Portugal só não aconteceu em 2015 porque um conjunto de bispos, liderados precisamente pelo Patriarca de Lisboa, se opôs firmemente à abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério. Bispos que ainda acreditavam “naquilo que Jesus Cristo diz tão taxativamente acerca do matrimónio”.

Recordemos o Cardeal Patriarca em 2016:

Agora porém prevalece aquilo que Francisco e Walter Kasper “tão taxativamente” desejam para os “recasados”.

Basto 1/2018

Agora é oficial: a Arquidiocese de Braga é a primeira a permitir a prática de Amoris Laetitia em Portugal

Isto na Arquidiocese de Braga faz lembrar as palavras do escritor Fernando Pessoa, em 1927, para se referir ao refresco americano…

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Quando, em 2015, o “refresco” chegou finalmente à Conferência Episcopal Portuguesa, ainda sem marca definida mas com a receita já bem conhecida do público, D. Jorge Ortiga foi um dos bispos que valentemente se opuseram à implementação desta prática sacrílega em Portugal.

Três anos depois, são já poucos os que ainda estranham de algum modo esta nova doutrina da misericórdia que prescinde de arrependimento e mudança de vida. Parece que quase toda a gente aderiu já à heresia kasperiana.

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JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018, página 7.

A controversa exortação apostólica do Papa Francisco tem cerca de 200 páginas de discurso lírico e citações muito bonitas e floreadas, mas em que consiste realmente a prática de Amoris Laetitia?

aqui o dissemos e voltamos a dizê-lo, em nome de Deus:

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Esta prática contradiz o Catecismo da Igreja Católica, em particular no que está estabelecido nos números 1650 e 1651, contrariando também o que todos os Papas anteriores a Francisco sempre defenderam (um dos quais é ainda vivo). Aliás, foi precisamente em Braga que o Papa João Paulo II relembrou o ensinamento constante da Igreja Católica em relação a esta matéria:

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

Chegamos a 2018, a Arquidiocese de Braga, possuindo agora um novo ensinamento, será a primeira diocese portuguesa a autorizar a prática de Amoris Laetitia no sentido pretendido por Francisco. Os casais interessados deverão agora dirigir-se ao Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família para fazerem um despiste em relação à possibilidade de nulidade matrimonial, após o qual, confirmando-se o adultério de facto, dar-se-à início ao tal “discernimento” que poderá confirmar os fiéis na relação adúltera e permitir que recebam a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal.

Se alguém for parar ao inferno por causa desta novidade doutrinal, ou pastoral como lhe chamam, o Sr. Bispo prestará contas diante de Deus.

Veremos que outros bispos e sacerdotes portugueses se deixarão seduzir também por esta doutrina diabólica de conciliação entre o adultério e a Sagrada Comunhão.

Basto 1/2018

Mais um bispo católico subscreve o documento que chama “estranha” à fé católica a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação Amoris Laetitia

Henry.Garcida
Imagem do Youtube (entrevista com Michael Voris do Church Militant, 21/12/2015)

D. René Henry Garcida, bispo emérito da diocese de Corpus Christi, no Texas, subscreveu a “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental emitida a 31 de dezembro por três bispos do Cazaquistão. O bispo americano anunciou a sua posição, numa nota publicada em letras maiúsculas no seu próprio blogue, no dia 8 de janeiro de 2018, seguida do texto do referido documento.

Perguntaram-me se apoio integralmente, ou não, a declaração emitida, no dia 31 de dezembro de 2017, como uma profissão de fé em relação às verdades imutáveis sobre o matrimónio sacramental. Que não restem dúvidas, eu apoio-a e recomendo-a.

† René Henry Garcida

(in Abyssus Abyssum Invocat, 08/01/2018 – tradução livre)

Gracida foi ordenado sacerdote a 23 de maio de 1959, com 36 anos de idade. Em 1971, foi nomeado bispo auxiliar de Miami, em 1972, bispo auxiliar de Masuccaba e, em 1975, bispo de Pensacola-Tallahassee. Em 1981 seria indigitado, pelo Papa João Paulo II, para a diocese de Corpus Christi.

Em setembro de 2017, D. René Garcida tornou pública a sua assinatura na “Correção Filial” ao Papa Francisco “por propagação de heresias”.

Com a sua subscrição da “Profissão das Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental” publicada pelos bispos do Cazaquistão, são agora oito os bispos signatários.

Basto 1/2018

Verdadeiro discernimento com São João Fisher

João Fisher (John Fisher), o bispo de Rochester, em Inglaterra, opôs-se, em 1527, à intenção do rei Henrique VIII de divorciar-se de Catarina de Aragão, de quem era confessor. Em 1534, tal como São Tomás Moro, recusou jurar obediência no “Ato de Supremacia” do monarca sobre Igreja em Inglaterra, pelo que seriam ambos presos na Torre de Londres.

Já em cativeiro, foi criado cardeal pelo Papa Paulo III, a 17 de Maio de 1535.

Foi julgado, acusado de traição e condenado à morte por decapitação, tendo sido executado no dia 22 de junho de 1535. Foi beatificado em 1886 pelo Papa Leão XIII e canonizado em 1935 pelo Papa Pio XI.

Henrique VIII fundou a sua própria igreja, a Igreja Anglicana, em 1534, a qual continua ainda hoje separada de Roma.

Basto 1/2018

Bento XVI: os recasados estão no coração da Igreja

Recuperemos aqui este belo momento de Bento XVI, em Milão (Itália), durante o VII Encontro Mundial das Famílias, em 2012:

Será que esta doutrina bimilenar passou de moda? Mas desde quando é que a Verdade de Cristo se submete ao espírito da época?

Realçamos:

Considero grande tarefa duma paróquia, duma comunidade católica, fazer todo o possível para que elas sintam que são amadas, acolhidas, que não estão «fora», apesar de não poderem receber a absolvição nem a Comunhão: devem ver que mesmo assim vivem plenamente na Igreja. Mesmo se não é possível a absolvição na Confissão, não deixa talvez de ser muito importante um contacto permanente com um sacerdote, com um director espiritual, para que possam ver que são acompanhadas, guiadas. Além disso, é muito importante também que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participam nela se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem a recepção «corporal» do Sacramento, podemos estar, espiritualmente, unidos a Cristo no seu Corpo. É importante fazer compreender isto.

(Bento XVI, 22/06/2012, in Vatican.va)

Apenas alguns meses depois:

Isto foi apenas o prelúdio. O resto da história já todos conhecemos porque estamos a vivê-la em tempo real. Uma história verdadeiramente inacreditável, principalmente pelo cenário de silêncio cúmplice em que tem vindo a desenrolar-se.

Basto 10/2017

O novo “spa” episcopal

spa episcopal

O caso das “rãs a ferver”, mais do que uma experiência científica, é uma conhecida alegoria alusiva ao comportamento humano. Estabelece que uma rã, quando confrontada com água a ferver, reage, afasta-se. Porém, se ela for introduzida num recipiente com água tépida, cuja temperatura vai aumentando lentamente até ao ponto de ebulição, a rã não reage, adapta-se gradualmente ao aumento de temperatura, ainda que se queime.

 

Nota da edição: esta gravura já tinha sido aqui publicada anteriormente, mas como agora se sente algum aroma a canja de rã também em terras lusitanas, vale a pena recuperá-la.

Basto 4/2017

Apelo à oração pelo Papa para que defenda o Matrimónio

Neste dia 18 de janeiro, em que antigamente se celebrava a festa da Cátedra de São Pedro, três bispos do Cazaquistão laçam um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

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Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimónio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimónio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao carácter esponsal do próprio mistério eucarístico. O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação: «A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimónio cristão. Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excecionais – que divorciados assim chamados “recasados” possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a “veste nupcial”, a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimónio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar: «Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a certeza moral de que o primeiro matrimónio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial […] Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.»

As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

  • A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem exceção, sempre e em qualquer situação. Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excecionais ou que se fale em termos de um ideal mais pleno. São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).
  • As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus. Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.
  • Acreditar na indissolubilidade do matrimónio e contradizê-la com os próprios atos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos: «Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as ações não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exatamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial» (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).
  • A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível. Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna. Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.
  • Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça retamente, como a Igreja infalivelmente ensinou: «Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e «Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que batizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18). Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou: «A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja» (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e «Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimónio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).
  • O ato sexual fora de um matrimónio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objetivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus. São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um acto de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5). São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja: «Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns atos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer exceção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma ação proibida por uma regra universal, o único ato moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da ação que ela proíbe» (Encíclica Veritatis splendor, 67).
  • Uma união adúltera de divorciados “recasados” civilmente, “consolidada”, como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita “comprovada fidelidade” no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu ato de violação do vínculo sacramental do matrimónio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um ato intrinsecamente mau. Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter “compreensão” com atos intrinsecamente maus, como é o caso dos atos sexuais fora do matrimónio válido, uma vez que estes atos ofendem a Deus.
  • Uma admissão dos divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excecional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da “via caritatis”, o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia. São Tomás de Aquino disse: «por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere» (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).
  • Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimónio apenas num único caso ou em casos excecionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canónicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus. Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de carácter geral.
  • Sendo o matrimónio válido entre batizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de carácter público, um julgamento subjetivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimónio, por contraposição à respetiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um carácter público.
  • A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a retidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1). O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16). O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão. A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimónio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.
  • Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas “recasadas”, recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimónio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).
  • A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma rutura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um facto evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum. Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimónio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da “praga do divórcio”, sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).
  • A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a ação pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II: «A ação pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respetivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).
  • Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos atos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge. Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais atos no futuro. Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimónio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).
  • A prática pastoral da Igreja sobre o matrimónio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão. São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências. Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenómeno está em crescimento. Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão: “O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática” (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerónimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração. Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma ação cada vez mais unida: «Não raro, de facto, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma ação nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).

Considerando que a admissão dos divorciados ditos “recasados” aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da “via caritatis” ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares. Tal ato da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adotou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras: “Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um acto de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier. A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afeto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: “Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam“.

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Basto 1/2017

A Alegria do Amor em San Diego

sandiego
Life Site News em 28/11/2016

Numa das interpretações mais radicais da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia até agora conhecidas, nos EUA, o bispo de San Diego, Robert McElroy, incentiva os padres da sua cidade a acolher “famílias LGBT” e a permitir que os católicos divorciados e recasados recebam a Comunhão em certos casos.

Esta notícia foi avançada pelo LifeSiteNews, que a confirmou em várias fontes e comprovou em alguns boletins paroquiais. O bispo terá encorajado os sacerdotes da sua diocese a difundir uma notícia que informasse que a Igreja irá ajudar “aqueles que se divorciaram e se casaram novamente e não podem receber uma anulação para utilizar o fórum interno da consciência, a fim de discernir se Deus chama a retornar à Eucaristia”.

A iniciativa do bispo visa dar seguimento às conclusões de um sínodo diocesano, localmente muito publicitado, que teve lugar em outubro naquela diocese da Califórnia.

O Sínodo propôs uma espiritualidade da vida familiar que é profundamente inclusiva” e abraça “famílias LBGT”, disse a declaração. “Durante os próximos meses, o bispo McElroy trabalhará com um comité de delegados do Sínodo que se concentrará na implementação desses objetivos”.

(in LifeSiteNews, 28/11/2016)

Sua Eminência D. Robert Walter McElroy é o bispo de San Diego apenas desde 2015.

Basto 12/2016

A alegria do amor em Granada

Arquidiocese de Granada autoriza a comunhão a divorciados ‘recasados’, adotando os critérios dos bispos de Buenos Aires depois de estes terem obtido o assentimento e apreço do Papa Francisco.

bispo-de-granada
Periodista Digital em 18/10/2016

Hoje, através desta minha nota, assumo como próprios e “promulgo”, por este meio, os critérios dos Bispos da Região de Buenos Aires para todos os fiéis católicos da Diocese de Granada, e estabeleço também que, com a minha ajuda e todas as outras que sejam necessárias, seja a Delegação da Família e Vida a encarregar-se desta tarefa de divulgar e explicar tais critérios, assim com ajudar a colocá-los em prática.

(D. Javier Martínez, arcebispo de Granada, em 16/09/2016)

A apostasia generaliza-se dentro da Igreja Católica a partir das mais altas patentes eclesiásticas. Quem poderá salvar-se?

Basto 10/2016

Perfil do novo cardeal D. Blase Cupich

Blase Cupich, Arcebispo de Chicago (EUA)

Sobre a necessidade de integração dos “marginalizados” pela Igreja:

“Em Chicago, visito regularmente pessoas que se sentem marginalizados: sejam elas os idosos, os divorciados recasados, os gays e lésbicas individualmente e também casais. Eu acho que precisamos realmente de conhecer como é a sua vida se vamos acompanhá-los “.

 

Sobre a possibilidade de os divorciados “recasados” receberem os sacramentos:

“Se as pessoas [divorciadas ‘recasadas’] chegarem a uma decisão em boa consciência, depois, o nosso trabalho é ajudá-los a avançar e que respeitar isso. A consciência é inviolável e temos de respeitar isso quando elas tomam decisões, e eu sempre fiz isso.”

 

Sobre a possibilidade de os gays receberem os sacramentos:

“Eu acho que os gays também são seres humanos e têm uma consciência. E o meu papel como pastor é ajudá-los a discernir qual é a vontade de Deus olhando para o ensino moral objetivo da Igreja e ainda, ao mesmo tempo, ajudá-los através de um período de discernimento para entenderem a que é que Deus os chama nesse ponto.”

“É para todos. Eu acho que nós temos de ter certeza de que não classificamos um grupo como se eles não fizessem parte da família humana, como se houvesse um conjunto diferente de regras para eles. Isso seria um grande erro.”

(Arcebispo D. Blase Cupich aos jornalistas, no sala de imprensa do Vaticano a 16 de outubro de 2015, durante o Sínodo da Família onde participou a convite pessoal do Papa Francisco, in Life Site News)

Especificamente sobre a proposta herética do Cardeal Kasper:

“Eu realmente vejo o seu entendimento daquilo que ele chama o Evangelho da família – foi publicado num livro, que aliás eu ofereci a todos os meus sacerdotes. Eu queria que eles lessem isso porque entendi que era teologicamente muito rico.”

“Penso que ele fundamentou bem esta proposta…”

(Arcebispo D. Blase Cupich aos jornalistas, no sala de imprensa do Vaticano a 16 de outubro de 2015, durante o Sínodo da Família onde participou a convite pessoal do Papa Francisco, in Life Site News)

A 9 de outubro de 2016, o Papa Francisco anunciou que D. Blase Cupich será criado cardeal no próximo consistório de 19 de novembro de 2016.

Basto 10/2016

Sagrada Comunhão para pessoas em situação de adultério público e permanente

Bispo de Leiria-Fátima reconhece a necessidade de “conversão”…

Um texto publicado no sítio da Diocese de Leiria-Fátima resume a intervenção de D. António Marto na abertura do novo ano da escola diocesana Razões da Esperança, na passada terça-feira, 27 de setembro. De acordo com o texto, o bispo de Leiria-Fátima reconheceu a necessidade de conversão…

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

(Oração do Anjo de Portugal, o Anjo da Eucaristia, exatamente há 100 anos)

A mensagem de Fátima é um sério e urgente apelo de Nossa Senhora à conversão, mas conversão de quem? Quem são os pecadores?

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[…]  O que o Papa Francisco deseja, no entender do bispo de Leiria-Fátima, é que, perante a realidade atual de crise do matrimónio e da família, a Igreja não fique na lamentação mas aceite o desafio de anunciar com criatividade pastoral  a boa nova do amor e da família. “O matrimónio é uma vocação divina e não um mero arranjo de vida”, lembrou.

[…] Sobre os casais em união de facto ou casamento civil, indicou que devem ser acolhidos e acompanhados no seu caminho.

Por fim, focou a situação dos divorciados em nova união, que não estão excomungados da Igreja. O Papa Francisco propõe um caminho dinâmico feito de atenção, misericórdia, diálogo e discernimento, em ordem à sua integração nas comunidades cristãs. Referiu que o método proposto na exortação pontifícia requer uma conversão dos pastores e das comunidades para admitirem a diversidade de situações. Já no diálogo, D. António admitiu que o discernimento dos casos particulares venha a ser confiado a alguns sacerdotes bem preparados para essa missão.

(in Diocese de Leiria-Fátima, 28/09/2016)

Esta posição de D. António Marto não é propriamente uma novidade, vai ao encontro de outras notícias da primavera deste ano de 2016 e também do verão do ano passado.

“O Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família.”

(D. António Marto ao jornal Presente Leiria-Fátima in Ecclesia, 12/04/2016)

Se algum dia aparecesse um “génio” na Região Demarcada do Douro, a mais antiga do mundo, com um novo método de fabrico do genuíno Vinho do Porto que dispensasse o árduo cultivo das vinhas, a população desconfiaria, ainda que essa pessoa fosse a própria Dona Antónia. Do mesmo modo, uma nova misericórdia barata e fácil, que “santifica” a longevidade e a estabilidade de uma relação adúltera, e também a fidelidade ao adultério, é algo muito novo e exótico dentro da Igreja Católica. Dá para desconfiar, ainda que quem a promova seja o próprio Papa.

Analisando bem a questão, tal exotismo pastoral é mesmo um grande sacrilégio. Portanto, senhores bispos e padres de Portugal, tenham muito cuidado em relação a esta questão, porque permitir a comunhão a pessoas aprisionadas pelo pecado do adultério pode representar um passaporte para a perdição definitiva dessas almas. Ninguém gostaria de apresentar-se perante Deus com essa responsabilidade.

 “Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.”

(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa)

Será por isso que o Santo Padre decidiu vir a Fátima?

O Papa Francisco decidiu finalmente confirmar a viagem a Portugal, mas, para já, só a Fátima, depois logo se vê. Estará ele à espera de ver mais bispos portugueses a aceitar publicamente a sua “misericórdia”? Se esse for o sinal de que precisa, então é melhor não visitar outras dioceses portuguesas.

Quando chegar a Portugal, que toda a Igreja Católica Portuguesa lhe dê um sinal claro e inequívoco de que “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé” para que, a partir daqui, Fátima sirva de Farol para a salvação do mundo.

 

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Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal!

Basto 10/2016

A alegria do amor na Irlanda

A manchete da última edição do semanário católico irlandês The Irish Catholic foi assim:

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Manchete do dia 15 de setembro de 2016

Divorciados/recasados católicos podem agora receber a comunhão

Papa dá luz verde em determinadas circunstâncias

(The Irish Catholic, 15/09/2016)

A edição digital foi semelhante:

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irishcatholic.ie

A opção editorial do jornal irlandês é uma consequência direta do escândalo papal da semana passada, que entretanto foi ratificado pelo Vaticano e publicado em várias línguas através dos órgãos de comunicação social oficiais.

É natural que mais casos como este surjam nos próximos dias… Mas não é isso mesmo que se pretende? Não há indignações, não há desmentidos, não há correções e, acima de tudo, não há temor a Deus.

Basto 9/2016

Os documentos são autênticos!

Os escandalosos documentos publicados nos últimos dias, relativos à correspondência entre os bispos argentinos e o Papa Francisco, são autênticos e ganharam agora uma dimensão global, uma vez que foram ontem divulgados, em várias línguas, pelos órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano.

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

 

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

Portanto, não vale a pena perder mais tempo e paciência na elaboração de outras interpretações do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia. Sagrada Comunhão para adúlteros não arrependidos? Sim, o Papa recomenda!

Na Rádio Vaticano:

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Cidade do Vaticano (RV) – É a caridade pastoral que impele a “sair para encontrar os afastados e, uma vez encontrados, a iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial”. Esta é a premissa básica em torno da qual gira o conteúdo  da carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento “Critérios fundamentais para a aplicação do Capítulo VIII da Amoris laetitia”, reporta o L’Osservatore Romano.

Exprimindo seu apreço pelo texto elaborado pelos prelados, o Pontífice sublinhou na mensagem enviada a Dom Sergio Alfredo Fenoy,  como este manifesta na sua plenitude o sentido do Capítulo VIII da Exortação Apostólica – o que trata de “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” – esclarecendo que “não existem outras interpretações”. O documento dos bispos – assegurou o Pontífice – “fará muito bem”, sobretudo para aquela “caridade pastoral” que o permeia inteiramente.

(in Rádio Vaticano, 13/09/2016)

No L’Osservatore Romano e na Rede Oficial do Vaticano:

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Neste momento, desapareceu aquela voluntariosa margem de dúvidas hermenêuticas da Amoris Laetitia. Apesar de toda a sua ambiguidade literária, a exortação apostólica propõe de facto que as pessoas em situação de adultério público e permanente tenham acesso à Sagrada Comunhão. Isto representa uma rutura estrondosa e sem precedentes no edifício doutrinal da Igreja Católica cujas consequências serão agora inimagináveis.

A comunhão de adúlteros, ou seja divorciados “recasados”, é, desde o início do seu pontificado, a grande causa do Papa Francisco, que a defendeu de uma forma acanhada e dissimulada mas persistente. Aliás, assumiu-a publicamente na sua primeiríssima oração do Angelus, em Roma. Na prossecução desta sua grande causa, colocou clérigos heréticos em lugares de destaque, afastou outros que defendiam a Verdade Cristã e convocou um controverso sínodo. Não conseguindo obter o apoio dos padres sinodais, elaborou uma exortação apostólica longa e confusa, cuja interpretação, sabemos agora, é oposta à maioria das opiniões dos padres sinodais e contrária à Verdade Cristã.

Perante a falta de coragem para assumir de forma clara este ataque direto e incisivo do Santo Padre a um dos principais pilares da Santa Igreja Católica, nomeadamente, a Verdade cristã sobre a família e o matrimónio, o Vaticano escolheu este estratagema subtil e diabólico para, no 99º aniversário da 5ª aparição de Fátima, promover um sacrilégio à escala global.

Depois disto e de todos os outros escândalos recentes que atingiram a Igreja Católica, dá vontade de perguntar se, a poucos meses da celebração do centenário das aparições de Fátima, alguém ainda tem dúvidas sobre qual seria o núcleo central do Segredo de Fátima?

O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

(Palavras de Nossa Senhora a Lúcia dos Santos, vidente de Fátima)

Talvez Roma não seja o lugar mais indicado para procurar abrigo espiritual durante a presente tempestade… Apertemos o cinto de segurança porque nos aproximamos rapidamente do centro do ‘furacão’ anunciado em 1917.

Atenção irmãos, eles até podem abrir as portas do Inferno, se Deus o permitir, mas não obrigam ninguém a entrar.

Basto 9/2016

A Alegria do Amor em Roma


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Caravaggio, 1607

A partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”

Um pouco por todo mundo, os católicos ainda tentam interpretar as ambíguas palavras da exortação apostólica, Amoris Laetitia, mas a partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”. Enquanto isso acontece, a maior parte dos católicos continuam a fazer como a Salomé, virando a cara para o lado…

O Pe. Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta aprovada pela Santa Sé, explica claramente, na última edição desta revista, as inovações doutrinais/pastorais previstas na exortação apostólica “A Alegria do Amor”. Para comprovar que não se trata de um mal-entendido, ou de um abuso editorial do Pe. Spadaro, as suas explicações são posteriormente reproduzidas, também pela Radio Vaticano, em diversas línguas.

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Rádio Vaticano, 12/04/2016

ENTREVISTADOR: Isto não significa que exista uma verdade, mas depois, na prática se pode fazer rasgos na regra?

SPADARO: “Uma vez o Papa disse, escandalizando um pouco, que a verdade é relativa. O que ele quis dizer? Não que a verdade não seja absoluta, mas que é relativa às pessoas, ou seja, se não existe o ser humano, a verdade evangélica permanece sozinha, isolada, inútil. Portanto, o discernimento consiste em compreender, como a verdade evangélica se encarna concretamente na minha existência, na minha pessoa”.

ENTREVISTADOR: Sobre a situação das famílias feridas, aquelas situações consideradas “irregulares”, como diz o Papa Francisco, o documento sublinha a importância de não colocar limites à integração….

SPADARO: “O Papa sempre insistiu sobre a necessidade de integrar também aqueles que não estão em grau de viver na plenitude da vida cristã. E a Igreja mãe, a Igreja misericordiosa, é exatamente isto: uma Igreja que acolhe os seus filhos. Isto significa que uma norma canónica não pode ser aplicada sempre, contudo, em todos os casos, em qualquer situação, precisamente porque existe a consciência. Portanto, às vezes se está em uma situação de pecado objetivo – diríamos – onde, porém, não existe uma consciência objetiva. Assim, um juízo objetivo sobre uma situação subjetiva, não implica um juízo sobre a consciência da pessoa envolvida. Esta é uma passagem muito importante porque salienta a consciência e porque não coloca mais um limite à integração, nem mesmo à sacramental”.

(in Radio Vaticano, 12/04/2016)

Ou seja, a Verdade é relativa. Existe uma Verdade, que nos foi revelada através da Sagrada Escritura e da Tradição, mas o mais importante é mesmo a consciência individual… O que cada um pensa ou deixa de pensar, num determinado momento da sua vida, sobrepõe-se à Verdade de Deus.

É caso para dizer que alguém perdeu a cabeça…

Basto 4/2016