Papa Francisco: Amoris Laetitia é a moral de São Tomás de Aquino

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Imagem de Catholic Conclave, via En.news

Durante um encontro com jesuítas na Colômbia, o Papa Francisco afirmou que a controversa exortação Amoris Laetitia é “a moral do grande [São] Tomás [de Aquino]”. As declarações de Francisco foram publicadas no Catholic Herald e reproduzidas na La Civiltà Cattolica, revista jesuíta dirigida pelo insuspeito Pe. Antonio Sapadaro.

Para aqueles que sustentam que a moral subjacente ao documento não é “uma moral católica” ou uma moral que pode ser certa ou segura: “Quero repetir claramente que a moral da Amoris Laetitia é tomista”, ou seja, construída a partir da filosofia moral de Santo Tomás de Aquino, afirmou.

[…]

“Eu quero dizer isto para que possam ajudar aqueles que acreditam que a moral é puramente casuística”, afirmou, referindo-se a uma moral que muda de acordo com casos e circunstâncias particulares, em vez de uma que determina uma abordagem geral que guie a atividade pastoral da igreja .

Um dos melhores e “mais maduros” teólogos de hoje que pode explicar o documento é o cardeal austríaco Christoph Schönborn de Viena, disse ele.

(Papa Francisco, in Catholic Herald, 29/09/2017 – tradução livre)

A Gloria TV News relembra que, desde 2016, ano em que foi publicada a controversa exortação apostólica, vários académicos, entre eles Michael Pakaluk da Universidade Católica da América, têm mostrado como Tomás de Aquino (1225 – 1274) é mal citado e desinterpretado no texto da Amoris Laetitia.

Um exemplo é o número 301. Insinua que [São] Tomás apoia a ideia de que as pessoas possam tornar-se santas e, ao mesmo tempo, contrariar algumas virtudes. Na realidade, Tomás fala sobre pessoas que se arrependeram dos pecados passados e mantêm a lei moral, mas fazem isso com alguma dificuldade.

(in Gloria TV News, 29/09/2017 – tradução livre)

Quando Francisco recomenda o cardeal Christoph Schönborn para explicar a moral da Amoris Laetitia, dá vontade de responder ao Santo Padre, à boa maneira portuguesa: quem não o conhecer que o compre! O relativista cardeal de Viena é mais conhecido pela sua pastoral pro-gay, pro-aceitação do adultério e pró-balões e hard rock na Missa do que propriamente por sólidas competências nos campo da moral cristã. É portanto alguém que o Santo Padre deveria recomendar como aprendiz e não como mestre.

Basto 9/2017

Criticou os cardeais dos dubia e foi recebido pelo Papa em audiência

Os três cardeais dos dubia – eram quatro, mas entretanto um deles acabou por falecer neste compasso de espera – que solicitaram formalmente uma audiência ao Papa, destinada ao esclarecimento das dúvidas de interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, ainda não conseguiram ser recebidos. O mesmo não aconteceu a Stephen Walford, um semi-desconhecido autor britânico, que recentemente foi recebido, juntamente com toda a sua família, numa longa audiência privada com o Santo Padre que terá durado aproximadamente 45 minutos.

Este acontecimento foi dado a conhecer pelo próprio Stephen Walford que publicou várias fotos nas suas páginas do Twitter e do Facebook, aproveitando o momento para promover o seu livro.

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in LifeSiteNews, 31/08/2017

O nome de Stephen Walford tornou-se mundialmente conhecido nos media católicos quando, no passado mês de junho, publicou uma carta aberta muito crítica dirigida aos cardeais dos dubia.

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in La Stampa, 27/06/2017

Nessa carta, o auto-esclarecido autor, professor e pianista, passou um forte raspanete não só aos quatro cardeais mas também a todos os católicos tradicionais que partilham das mesmas preocupações dos signatários dos dubia, “inclusive daqueles que têm páginas na internet e blogues” a quem acusou de “abuso” e de serem motivados por “algo de satânico”.

Da nossa parte, o sr. Stephen Walford, a quem agradecemos a preocupação, pode contar com a nossa persistência na defesa da imutável Verdade Cristã e na denúncia das situações em que Ela é posta em causa. Há de facto “algo de satânico” em todo este enredo, que é obviamente esta insistente tentativa de conciliar a Sagrada Comunhão com o pecado.

Mas voltando à audiência, não foi esta atitude do Santo Padre mais uma resposta clara e enviesada ao problema dos dubia?

Basto 9/2017

Cardeais voltam a escrever ao Papa e pedem audiência

Depois de mais de meio ano sem resposta e depois dos constantes atropelos à doutrina católica, depois de tantos sacrilégios cometidos contra a Sagrada Eucaristia baseados nas interpretações erradas da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, os cardeais signatários da carta dos dubia enviam nova carta ao Papa Francisco pedindo-lhe para serem recebidos em audiência.

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“A nossa consciência força-nos…”

Beatíssimo Padre,

é com uma certa trepidação que me dirijo a Vossa Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome dos Em.mos Senhores Cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Desejamos antes de mais renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicionado à Cátedra de Pedro e à Vossa augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vicário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Sta. Catarina de Sena. Não é a nossa em absoluto aquela posição de quantos consideram vacante a Sede de Pedro, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).

A 19 de Setembro de 2016, entregámos a Vossa Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, rogando-Lhe que dirimisse incertezas e fizesse clareza sobre alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia”.

Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Vossa Santidade, chegámos a decisão de, respeitosa e humildemente, pedir-Lhe Audiência, conjunta, se assim Lhe aprouver. Juntamos, como é praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Vossa Santidade.

Beatíssimo Padre,

passou já um ano desde a publicação de “Amoris Laetitia”. Neste período foram dadas em público interpretações de alguns passos objectivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objectiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.

Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são solidamente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Vossa Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que respeita aos três sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia. Aliás, nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os Continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com grande assistência, e que deu pelo título significativo de: “Fazer clareza”.

Diante de tão grave situação, em que muitas comunidades cristãs se estão a dividir, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência força-nos a pedir humilde e respeitosamente Audiência.

Apraza a Vossa Santidade recordar-se de nós nas Vossas orações, como nós Vos asseguramos que o faremos nas nossas; e pedimos o dom da Vossa Bênção Apostólica.

Carlo Card. Caffarra

Roma, 25 de Abril de 2017

Festa de São Marcos Evangelista

*
FOLHA DE AUDIÊNCIA
1. Pedido de clarificação dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.
2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, “in primis” os párocos.

Esta nova carta foi divulgada no passado dia 19 de junho no blogue Settimo Cielo do conhecido vaticanista Sandro Magister.

Basto 6/2017

Cardeal Burke mantém a intenção de corrigir os erros resultantes da Amoris Laetitia

Em resposta à questão colocada por um sacerdote, enquanto discursava na igreja paroquial de São Raimundo de Peñafort, em Springfield, Virginia, nos EUA, o cardeal Burke desmentiu o rumor de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa no que concerne às interpretações erradas do capítulo 8 da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, nomeadamente no que se refere à abertura da Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos.

Pe. De Celles: Se não houver resposta [aos”dubia”], qual será a resposta dos quatro cardeais?

Cardeal Burke: Então deveremos simplesmente corrigir a situação, novamente de uma forma respeitosa, que é simplesmente isso: deduzir a resposta às perguntas com base no ensino constante da Igreja e torná-lo conhecido para o bem das almas.

(Tradução: Fratres in Unum, 27/03/2017)

A recente afirmação do cardeal Raymond Burke, um dos signatários do “Apelo ao Papa por Esclarecimento”, mais conhecido com a carta com os “dubia”, tem relevância precisamente no presente momento em que se generalizou o rumor, com origem no famoso blogue Anonimi della Croce, de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa.

O Papa Francisco continua, até ao momento, sem dar resposta às questões colocadas pelos quatro cardeais há cerca de meio ano, a respeito da interpretação da controversa exortação apostólica que, desde há um ano para cá, tem produzido uma grande disparidade de interpretações pelo mundo fora. A confusão está instalada e aumenta a cada dia que passa…

Basto 3/2017

Começou a perseguição aos 4 cardeais

Monsenhor Pio Vito Pinto, Decano do Tribunal da Rota Romana (autoridade máxima da Igreja em processos de nulidade matrimonial), enquanto discursava na Universidade Eclesiástica de São Dâmaso, de Madrid, lançou uma forte ameaça aos quatro cardeais signatários da carta dos “dubia” dirigida ao Santo Padre. De acordo com o jornal online “Réligion Confidencial”, este prelado católico declarou, de “modo enérgico e empregando um tom forte”, que os quatro cardeais, ao publicarem a carta, incorreram em grave escândalo pelo qual podiam perder a sua dignidade cardinalícia.

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Pio Vito Pinto – Réligion Confidencial

“Que Igreja defendem esses cardeais? O Papa é fiel à doutrina de Cristo. O que eles fizeram é um escândalo muito grave que poderia até mesmo levar o Santo Padre a retirar-lhes o barrete cardinalício, como já aconteceu em outros momentos da Igreja.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Quando questionado, de forma absolutamente absurda, pelo supracitado jornal, se não seria melhor “conceder a nulidade matrimonial” aos divorciados ‘recasados’ civilmente “para que possam casar-se pela Igreja e assim receber a Eucaristia”, o Decano da Rota respondeu de forma ainda mais absurda:

“A reforma do processo matrimonial do Papa Francisco quer chegar a mais gente. A percentagem de pessoas que procuram anulação do casamento é muito pequena. O Papa disse que a comunhão não é apenas para os bons católicos. Francisco diz: como podemos alcançar as pessoas mais excluídas? Com a reforma do Papa, muitas pessoas poderão alcançar a nulidade [matrimonial], mas outras não.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Como justificação da sua posição heterodoxa, este prelado radical citou a “Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia” para dizer que, “nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade”, descontextualizando assim, e de forma abusiva, uma frase proferida pelo Papa João XXIII na abertura do Concílio Vaticano II. Como se a Esposa de Cristo pretendesse agora rebelar-se contra o seu próprio Esposo e Senhor para impor uma nova doutrina dentro de Sua casa. Há pessoas que levam a rivalidade de géneros longe de mais…

Será esta intolerância radical contra os quatro corajosos cardeais um sinal de que já começou o martírio, ainda que “seco”, para quem defende a Fé Católica? É que se assim for, depressa chegaremos à fase “molhada” em que será derramado o sangue dos santos…

 

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Os Mártires Católicos de Inglaterra e Gales – Daphane Pollen (1904-86)

 

Convém referir ainda que o nome do Mons. Pio Vito Pinto era um dos que constava de uma lista de influentes membros do clero católico que, alegadamente, pertenciam à maçonaria. Essa lista fora publicada em julho de 1976, no Nº 12 do “Bulletin de l’Occident Chrétien”.

 

Basto 11/2016