Francisco defende obediência à ONU

Francisco, o líder da maior e mais importante instituição universal, fundada pelo próprio Cristo, defende o dever de obediência às instituições internacionais da Nova Ordem Mundial, cujos princípios maçónicos chocam diretamente com a Lei de Deus.

Basto 09/2019

Um Papa Anticatólico?

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Por Christopher A. Ferrara

Por esta altura, já estamos habituados aos resultados chocantes da insistência de Francisco em dizer coisas sem sentido aos jornalistas durante os voos de e para os destinos das inúteis viagens papais, que se tornaram uma atividade essencial do papado pós-Vaticano II. No meio de todas essas coisas absurdas, há também, todavia, observações, inadvertidamente reveladoras, que mostram a amplitude da crise-dentro-a-crise que é o pontificado bergogliano.

O exemplo mais recente foi a conferência de imprensa a bordo, no regresso a Roma, da viagem papal à Arménia. Uma observação muito esclarecedora surgiu no contexto da pergunta de um repórter sobre a recente declaração do importante assessor papal, o Cardeal Reinhard Marx, de que a Igreja deveria pedir desculpa aos “gays” pela forma como os tratou. Os “gays” foram adicionadas à lista daqueles a quem a Igreja deve pedir desculpas e “suplicar perdão” – o mea culpa sem fim que João Paulo II iniciou e agora parece ser perpétuo; estamos ainda longe de ouvir um único pedido de desculpas dos poderes deste mundo pelas suas ofensas contra os cristãos, incluindo pelas perseguições de estado e pelo genocídio de dezenas de milhões.

Francisco implicou-se por responder que a Igreja “não só deve pedir desculpas… a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir perdão aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho”. Pelo menos, e apesar de tudo, esclareceu que quando disse “a Igreja” queria dizer “cristãos. A igreja é santa. Nós somos os pecadores.”

Contudo, logo a seguir, fez outra observação muito reveladora: “Lembro-me, quando criança, da cultura católica fechada em Buenos Aires: não se podia entrar em casa de um casal divorciado. Estou a falar de há 80 anos atrás. A cultura mudou, graças a Deus.”

Em apenas uma frase elucidativa, Francisco revelou a profundidade da ameaça que o seu pontificado representa para a Igreja: “cultura católica fechada”. Francisco agradece a Deus porque “a cultura mudou”, no sentido de que divórcio e “recasamento” não é mais visto como uma forma de adultério que os católicos não toleravam através socialização nas casas de pessoas que coabitam em situação de adultério. Ele agradece a Deus por essa “cultura católica fechada” ter dado lugar a uma cultura onde divórcio e “recasamento” é aceite, na verdade, amplamente praticada pelos católicos.

No entanto, este é o mesmo Papa que organizou o “Sínodo da Família” destinado a refletir sobre “uma crise na família” resultante da mudança cultural pela qual Francisco agradece a Deus. Sendo assim, o Falso Sínodo foi, portanto, a tentativa de intimidar a Igreja a aceitar institucionalmente – ao que Francisco chama “integração” – do que o próprio Nosso Senhor denunciou como adultério.

Temos então um Papa que, levianamente, acumula desprezo por uma cultura na qual existe aversão instintiva pelo pecado público entre os simples fiéis, a qual condiciona a confraternização com as pessoas que ignoram os seus votos de casamento e se envolvem com outros parceiros para viver em pecado. Francisco dá graças a Deus por a cultura, no fundo, não ser mais católica.

Este é o Vigário de Cristo? Nunca em 2000 anos, nunca, mesmo durante os pontificados de Papas pessoalmente corruptos, vimos um homem como este na Cátedra de Pedro. Isto não é sequer uma questão de falsidade ou astúcia. Temos claramente, em Francisco, um Papa que, por incrível que pareça, não dá grande valor ao catolicismo, não se inibe de o dizer e parece alegremente inconsciente do paradoxo bem apocalíptico de um Papa anticatólico. Um Papa que, na sua profunda confusão, chama santa à Igreja, mas agradece a Deus por os católicos aceitarem agora uniões sexuais imorais.

Mais informações sobre esta perturbadora conferência de imprensa bergogliana (uma redundância, eu sei) na próxima coluna.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 30 de junho de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2016

Um papa, dois papas, três…

dois papas

 

De cada vez que o Papa Francisco entra num avião para regressar a Roma parece que a Terra treme, é como se as forças celestes que regem o universo fossem momentaneamente abaladas a partir do interior de um avião da Alitalia. As suas excêntricas entrevistas aeronáuticas fazem abanar a “nave petrina” que, depois, lá acaba sempre por aterrar em segurança, com maior ou menor dificuldade. Um vez no chão, o staff é logo chamado a entrar para limpar alguma eventual sujidade e reparar possíveis danos na engrenagem do aparelho como, de resto, acontece com todos os aviões, em qualquer aeroporto.

Logo de seguida, retoma-se a festa na cidade eterna!

É difícil ter uma noção do real impacto deste tráfego aéreo em todo o universo católico, nomeadamente, nas paróquias, conventos, universidades, casas episcopais, nas famílias, nas almas… Já não é de todo absurdo imaginar piedosos anciãos, nas aldeias mais remotas do Portugal profundo, queimarem um pequeno ramo de oliveira benzida, do Domingo de Ramos, antes do Santo Padre passar pelo Check-in do aeroporto e dizerem: “Que Deus o acompanhe!”.

Os dias, os meses e os anos que se seguem às aterragens papais são – e desta vez não será exceção – marcados pela impressão de milhares de páginas de jornais, cartazes, guarda-chuvas ou camisolas, tanto no mundo católico como no profano, citando as “piedosas” respostas e afirmações improvisadas a bordo. Quase toda a gente gosta! A principal característica do atual discurso papal é a de servir a quase todos os gostos.

Nos meandros doutrinários mais profundos, teólogos e filósofos, com a ajuda dos filólogos, têm com que se entreter durante muito tempo, refletindo sobre o que se disse, o que não se disse e o que se queria dizer, para depois se analisar se tais conclusões pertencem, ou não, ao magistério eclesial. No final, os resultados nunca são conclusivos mas, pelo menos, ajudam-nos a estudar e a meditar sobre a verdadeira doutrina de Cristo, o que já não é mau de todo.

Há outros aspetos merecedores de atenção na última entrevista papal, porém, por agora, centremo-nos apenas num deles.

 

Um tigre, dois tigres, três tigres

Se é difícil de dizer em relação aos felinos, mais difícil se torna com os Papas…

Quantos são afinal, hoje, os Papas da Igreja Católica?

Há quem diga dois, há quem diga um e ainda há aqueles que dizem nenhum.

Bento XVI resignou no dia 11 de fevereiro de 2013. Nesse mesmo dia, caiu um poderoso raio sobre a cúpula da Basílica de São Pedro, um sinal no céu. Para uns, a alegria de Deus pelo gesto humilde do 265º Vigário de Cristo na Terra, para outros, o sinal da Ira Divina pela situação que a humanidade acabara de provocar e, ainda para outros, pura meteorologia.

No dia 13 de março de 2013, é eleito o atual pontífice romano, Francisco I, que, desde cedo, se viria a revelar, para a maior parte da humanidade (e não apenas os católicos), como o “Santo Padre” esperado e ansiado durante tanto tempo. Não obstante, eleito o novo Bispo de Roma, o anterior continua vivo, não abandonou a Santa Sé, não abdicou do título petrino e não guardou a indumentária papal. Bento XVI continua à frente da Igreja, orando e sofrendo, ainda que, por vezes, o barulho do circo nos faça esquecer a realidade. Esta situação criou um paradoxo histórico, e também canónico, inédito em dois milénios de cristianismo, que consiste na coexistência de dois Papas em simultâneo. O paradoxo é tanto maior quanto verificamos que os seus perfis, práticas e ensinamentos são radicalmente diferentes.

O Arcebispo Dom Georg Ganswein, Prefeito da Casa Pontifícia, é quem melhor entende como funciona este novo figurino do Papado Romano, uma vez que trabalha simultaneamente com os dois Papas e, como tal, deve entender, melhor do que ninguém, como é que tudo isto funciona. Há poucos dias, saiu-se com estas polémicas afirmações durante um discurso proferido na Pontifícia Universidade Gregoriana:

“Desde a eleição de seu sucessor, Papa Francisco – no dia 13 de março de 2013 -, não há, portanto, dois Papas, mas na verdade um ministério expandido com um membro ativo e um outro contemplativo. Por este motivo, Bento não renunciou nem ao seu nome e nem à sua batina branca. Por isso, o título próprio pelo qual devemos nos dirigir a ele ainda é “santidade”. Além disso, ele não se retirou para um mosteiro isolado, mas continua dentro do Vaticano, como se tivesse apenas se afastado de lado para dar espaço para seu sucessor e para uma nova etapa na história do Papado que ele, com esse passo, enriqueceu com a centralidade da oração e da compaixão feitas nos jardins do Vaticano.”

(Cardeal Georg Ganswein, 20/05/2016)

Perante uma tentativa do arcebispo de explicar um incoerente conceito de bicefalia papal, Francisco contesta categoricamente essa ideia descabida, durante a sua última entrevista aeronáutica, referindo-se a si próprio, deste modo:

“Existe apenas um Papa!”

(Papa Francisco, 26/06/2016)

O Papa Francisco explicou que Bento XVI não passa de um simples “Papa Emérito” que, no seu entendimento, quer dizer apenas “um avô sábio”, mas não “Papa”. Lembrou ainda que Bento XVI lhe prometeu “obediência e cumpriu”.

“Então ouvi, mas não sei se é verdade – insisto, talvez sejam boatos, mas combinam com o seu carácter – que alguns foram vê-lo e lamentar-se deste novo Papa. E ele despachou-os, com o melhor estilo bávaro, educado, mas despachou-os”.

(Papa Francisco, 26/06/2016)

Esta questão está ainda longe de ser definitivamente esclarecia e talvez só venha a resolver-se completamente após um sinal claro da Divina Providência.

Em relação a nós, os últimos elos desta hierarquia que começa lá em cima, no Céu, temos apenas de seguir humildemente a nossa viagem, mantendo-nos na faixa de rodagem mais segura, a da doutrina de sempre, e avançando com prudência porque os sinais indicam perigo na viagem que temos pela frente. Com um ou com dois Papas ao volante, o mesmo Jesus Cristo de ontem, de hoje e de sempre, continuará a ser o nosso único destino.

 

Basto 6/2016

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