Resposta ao Pe. Anselmo Borges

Anselmo Borges

Por Pedro Sinde

As afirmações do Pe. Anselmo Borges são contrárias à doutrina católica. Decorrem de uma conceção como que desencarnada de catolicismo.

Para os cristãos, o mundo sensível é uma manifestação da bondade de Deus; no Génesis diz-se, depois de cada gesto criador de Deus: Deus viu que era bom. Justamente porque a criação é a expressão gloriosa de um Pai.

O catolicismo é a coroa desta conceção, a assunção plena do mundo sensível, da corporeidade. Assim, Deus encarnou, assumiu um corpo sensível – deixando-nos entrever que a criação é não apenas boa, mas que tem tal dignidade que Deus pode encarnar e viver sensivelmente. Por isso, talvez a maior glória do catolicismo seja a magnífica coerência entre interior e exterior, entre espírito, alma e corpo.

Não assim num artigo do Pe. Anselmo Borges (Missas ‘virtuais’: não juntos, mas unidos, 4.4.2020).

De forma explícita, devemos dizer que as afirmações do Pe. Anselmo Borges são contrárias à doutrina católica. Decorrem de uma conceção como que desencarnada de catolicismo, isto é, de uma conceção em que a religião aparece como uma ‘espiritualidade’ sem esqueleto, em que o Espírito não penetra irradiantemente a carne, numa glorificação heroica, transfigurante do mundo sensível; em que os Evangelhos ficam sem o sentido literal, para expressarem um sentido vagamente simbólico ou alegórico, como uma alma sem corpo. Retira a literalidade dos Evangelhos, retira a substancialidade da Eucaristia.

Não podemos neste espaço rebater ponto por ponto a argumentação do Pe. Anselmo. Por isso, vamos aonde trata da Eucaristia, coração do catolicismo, pois aí vem a desaguar o percurso do seu texto, como lança de Longino.

O Pe. Anselmo rejeita que a hóstia consagrada seja realmente Corpo de Deus, afirmando que Jesus, na Última Ceia, quis apenas dizer «isto sou eu, a minha pessoa, a minha vida entregue por vós», explicando que é esse o significado em hebraico da expressão «este é o meu corpo, este é o meu sangue». No entanto, se assim fosse, como poderiam os discípulos ter ficado chocados ao ponto de abandonarem o Mestre ao ouvi-Lo afirmar expressamente (Jo, VI, 22.69): «Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós», «a Minha carne é, em verdade, uma comida e o Meu sangue é, em verdade, uma bebida». Explica o Evangelista que, depois disto, os discípulos comentavam: «Como pode Ele dar-nos a comer da Sua carne?», «Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?» Este episódio não se entende, a não ser que as palavras de Cristo sejam o que são de facto, e não uma vaga alegoria que os judeus teriam achado natural… Até porque só aquelas palavras cumprem a promessa de Jesus de que ficaria connosco até ao fim dos tempos plenamente, pois está connosco em cada sacrário, em cada Eucaristia, em toda a Sua Realidade inseparável de Corpo, Sangue, Alma e Divindade, porque não foi sem corpo que Jesus ascendeu aos Céus, mas em Seu corpo glorioso, em Sua carne glorificada, transfigurada. Assim, no pão e no vinho consagrados, Jesus permanece exatamente o mesmo que nasceu num pobre casebre de Belém, viveu humildemente em Nazaré, anunciou o Reino de Deus, foi condenado, morreu e ressuscitou. Nunca nos abandonou em Sua plena realidade, embora escondido na aparência das espécies.

Dou a palavra ao Papa S. Paulo VI e ao Papa Francisco para refutarem eles mesmos aquela falsa conceção de Eucaristia:

«Esta presença chama-se ‘real’ […] por antonomásia, porque é substancial, quer dizer, por ela, está presente, de facto, Cristo completo, Deus e homem. Erro seria, portanto, explicar esta maneira de presença […], reduzindo a presença a puro simbolismo» (Mysterium Fidei, 41).

Por sua vez, o Papa Francisco, no início do seu pontificado, explicou a um grupo de crianças que ia receber a primeira comunhão: «Com a comunhão, [Jesus] dá-nos a força», «Ele vem a nós. Mas um pedaço de pão dá-nos tanta força?». «Nãaao», responderam as crianças, negando que se trate de um simples pedaço de pão: «É o Corpo de Cristo». O Papa Francisco explicou depois que o que está sobre o altar parece «pão, mas não é propriamente pão, é o Corpo de Jesus» (Paróquia Santa Isabel e São Zacarias, 26 de maio de 2013). Isto é fácil de ensinar aos ‘pequeninos’, mas muito difícil de ensinar aos ‘sábios’, a menos que, como ensina o Senhor, nos façamos crianças. E, então, como será depois da pandemia? Um católico que ame o Senhor realmente, como uma criança, correrá ao Sacrário, à Eucaristia, e não ficará em casa a assistir virtualmente ou a concelebrar de forma fantasiosa, pois:

Como o Veado suspira pelas
correntes das águas,
assim a minha alma suspira
por Vós, ó meu Deus.
A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo.
Quando poderei eu chegar, para contemplar a Face de Deus?

Salmos, 42(41), 2-3

Este texto foi publicado no jornal Sol, no dia 12 de abril de 2020.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação. A imagem não faz parte da publicação original.

Basto 04/2020

Vaticano censura imagens televisivas do Papa Francisco durante transmissão da celebração da Missa do Domingo de Páscoa

O facto de Francisco repetidamente evitar ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento, ou sequer fazer uma breve genuflexão, parece estar a causar algum embaraço, no Vaticano, aos responsáveis pela gestão da imagem papal. Durante a transmissão televisiva da Missa do Domingo de Páscoa, a equipa de produção do Vaticano cortou, por duas vezes, as imagens da câmara que filmava o Santo Padre em grande plano, precisamente nos momentos em que, de acordo com a Instrução Geral do Missal Romano, o celebrante deve fazer uma genuflexão diante das espécies consagradas.

Como se constata no vídeo acima, a transmissão televisiva da imagem papal foi interrompida nos instantes que se seguem à elevação da Hóstia Consagrada e imediatamente depois da elevação do cálice com o Sangue do Senhor.

O mesmo embaraço foi também percetível nos critérios de edição de imagem das transmissões televisivas das celebrações da Missa Crismal e da Vigília Pascal.

Basto 04/2019

Ave Stella Maris

O quadrante é um instrumento básico de navegação usado pelos homens do mar, pelo menos desde o séc. XIII. Simples e rudimentar, permite a orientação a partir da constatação da altura de um astro até à linha do horizonte visual do navegador. Para se orientar, o navegador deve encontrar o astro de referência, permanecer firme no seu lugar, e apontar o quadrante para perceber precisamente a altura a que o astro se encontra no firmamento.

Dali 1
Salvador Dali, 1951

 

Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo que há-de vir. Ámen.
(Credo Niceno-Constantinopolitano)

 

visão de Tuy
Visão da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, na aparição de 13 de junho de 1929, em Tuy, Espanha (de acordo com a descrição da Ir. Lúcia).

 

1ª Oração do Anjo de Fátima:

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.

Peco-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

 

1ª Oração do Anjo de Fátima:

Santíssima Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da Terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

NASA -Península Ibérica 04.12.2011
Península Ibérica em dezembro de 2011 – Earth Observatory, NASA

Durante a noite, se as nuvens da tempestade não deixam ver as estrelas, ou mesmo que 1/3 delas caia do Céu, há sempre uma que jamais perderá o seu brilho, a Estrela do Mar. O nosso quadrante é o rosário.

Amanhã será um novo dia.

Quando rezardes o terço dizei depois de cada dezena:

Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno.

Levai as alminhas todas para o Céu, socorrei principalmente as que mais precisarem.

(Nossa Senhora, em Fátima, a 13 de julho de 1917)

Basto 6/2016

Outro mau sinal: um Papa que não se ajoelha perante o Senhor Eucarístico

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Por Christopher A. Ferrara

No dia 26 de maio, teve lugar uma procissão eucarística, presidida por Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Diante do Santíssimo Sacramento exposto no altar, havia um genuflexório de veludo para uso papal. Francisco recusou ajoelhar-se sobre ele. Manteve-se de pé, à frente do Santíssimo Sacramento exposto, enquanto padres e acólitos à sua volta se ajoelharam em reverência.

De facto, Francisco tem recusado, de forma consistente, ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento – o Senhor Jesus Eucarístico – em qualquer contexto. Até quando é ele próprio quem preside à consagração eucarística no altar; até mesmo durante a sua primeira missa enquanto Papa na Capela Sistina. No entanto, ajoelha-se prontamente para receber a “bênção” dos carismáticos enquanto balbuciam, ou para lavar e beijar os pés de não católicos, incluindo mulheres muçulmanas, durante o ridículo ritual do lava-pés com o qual substituiu o tradicional mandatum da Quinta-feira Santa.

Citando o predecessor de Francisco, num dos seus escritos de quando era o então cardeal Ratzinger, o corajoso Antonio Socci coloca abertamente a pergunta para a qual os católicos de todo o mundo gostariam de obter uma resposta honesta: “Padre Bergoglio [como Francisco se chama a si mesmo], tem algum problema com a Sagrada Eucaristia? Não sabe que, na espiritualidade cristã, «a incapacidade de ajoelhar-se é vista como a real essência do diabólico»?” (A este respeito, Ratzinger observou um detalhe curioso em todas as representações do diabo: a ausência de joelhos para se prostrar.)

Socci lembra, a este respeito, “as afirmações inquietantes em relação à Eucaristia na sua visita [de Francisco] aos luteranos em Roma.” Nessa ocasião, Francisco sugeriu a uma mulher luterana que o dogma católico da transubstanciação seria uma mera “interpretação ou explicação” distinta da visão luterana, e que ela devia “falar com o Senhor” para saber se podia receber a Sagrada Comunhão numa igreja católica juntamente com o seu marido católico.

Depois ainda, como Socci repara, existe o ataque direto à integridade do Santíssimo Sacramento, sob o disfarce de “misericórdia”, através da sugestão prevista na Amoris Laetitia de, em “certos casos”, os divorciados “recasados”, vivendo em condição de adultério, condenada por Nosso Senhor, poderem ser admitidos à Santa Comunhão, autorizando, assim, um sacrilégio flagrante em escala maciça.

A este respeito, importa lembrar a resposta que Francisco deu a uma argentina “casada” com um homem divorciado, segundo a qual, ela devia ignorar o conselho do seu pároco e deslocar-se a outra paróquia para receber a Sagrada Comunhão, porque “um pouco de pão e vinho não faz mal” – uma informação que nem Francisco nem o Vaticano negaram. (A “resposta” ambígua e evasiva do Pe. Lombardi, apresentada como se fosse uma negação – uma técnica na qual o Gabinete de Imprensa do Vaticano se especializou – foi efetivamente uma confirmação.)

Como podemos nós agir perante um Papa que simplesmente se recusa a fazer aquilo que qualquer crente católico faz instintivamente: ajoelhar-se em humilde submissão diante do Senhor Jesus Eucarístico? Estamos aqui confrontados com mais um sinal de um papado como nenhum outro anterior, o que significa uma nova etapa, e talvez terminal na crise da Igreja, precedendo a sua dramática resolução – um drama que não deixará de ter consequências calamitosas na Igreja e no mundo.

Devemos então, juntamente com Socci, expressar a urgência de “intensificação de orações pelo Papa Bergoglio: para que ele decida finalmente ajoelhar-se, com os joelhos e com o coração, diante do Senhor. Para o bem da sua alma e para o bem da Igreja”.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 21 de maio de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 06/2016