Quem é esta “seita”?

um grupo de pessoas, na sua maioria clérigos, cardeais, bispos e padres que, de repente, parece que mandam ou pretendem mandar nos destinos da Igreja. Surgem diariamente na comunicação social como os arautos da nova misericórdia e, aparentemente, têm uma grande influência sobre o Papa Francisco, que os recomenda e coloca em posições chave. As suas exóticas opiniões são vistas por muitos como as opiniões do próprio Santo Padre.

O único problema é que grande parte dessas ideias pregadas são heréticas e imorais face ao santo e infalível magistério da Igreja. São doutrinas diabólicas, defendidas abertamente e que se encontram em avançado estado de institucionalização, em alguns casos, já praticadas em larga escala. Pura apostasia que tende a generalizar-se.

Não defendem nada de novo. As suas heresias, que cheiram mais a cabra do que a ovelha, são ensinadas há vários séculos por igrejas protestantes cismáticas, e as imoralidades pastorais que nos querem impor já são postas em prática, desde há várias décadas, por inúmeras seitas pseudo-cristãs.

Seguindo uma postura de humildade que tanto cultivam, podiam simplesmente abandonar a Igreja Católica e, discretamente, aderir a um desses cultos e aí praticar a nova “misericórdia” a tempo inteiro e sem qualquer impedimento institucional. Mas não, o que eles querem mesmo é transformar a Santa Igreja Católica Apostólica Romana aos seus gostos pessoais.

Isto é uma espécie de assalto à Barca de Pedro.

seita
Entre outros…

São nomes como Kasper, Marx, Nichols, O’Malley, Dom “Tucho”, Bruno Forte, Spadaro, Baldisseri, Schonborn, entre outros. Uma curta pesquisa na  Internet permite ter uma boa noção da Igreja que eles defendem e desejam criar. Os pilares que pretendem “reformar” – a palavra certa é revolucionar – estão relacionados com temas como a família, casamento/divórcio, homossexualidade, transexualidade, acesso à comunhão, dogmas, ritos, tradições, etc…

Têm uma agenda própria e não olham a meios para tentar impô-la a mais de um bilião de católicos no mundo inteiro. São influentes e poderosos, mas chegarão apenas até onde Deus permitir. Não é justo, contudo, esperar sentados que Deus venha fazer alguma coisa pela Sua Igreja, enquanto nós nos limitamos a olhar para as nuvens. Deus está vivo em nós, portanto jamais poderemos aceitar esta loucura.

Que Deus abra os olhos ao Santo Padre e lhe permita ver por quem está cercado. Há muita gente santa e competente dentro Igreja Católica disponível para trabalhar na vinha do Senhor e produzir néctar de qualidade, bem diferente deste vinho-a-martelo que nos querem obrigar a beber.

Um “caminho penitencial”, acompanhado do “discernimento” adequado que os conduza à “integração” num convento remoto, se calhar não seria uma má solução pastoral para estes senhores. A misericórdia deve chegar a todos, principalmente aos mais necessitados.

Basto 7/2016

Misericórdia – a boa e a má moeda

A lei de Gresham é um princípio económico que diz que “a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda”. Que Deus nos perdoe pela utilização desta analogia, mas ela faz-nos lembrar a confusão que se vive hoje, na Igreja Católica, em relação à verdadeira Misericórdia de Deus, onde as ideias erradas se espalham e tendem a substituir a Verdade.

Deus é infinitamente misericordioso, mas também é infinitamente justo. Estas duas características de Deus estão intimamente ligadas, pelo que é impossível isolar uma da outra. Acreditar que a Misericórdia do Pai elimina a sua própria Justiça é, não só, um erro doutrinal, como também um condenável ato de orgulho humano, uma iniquidade. Assim, pensar que não há necessidade de corrigir a nossa condição de pecadores porque Deus perdoará sempre, não é mais do que tentar a paciência do próprio Deus. É não temer a Deus e pecar contra o Espírito Santo, sendo este o único tipo de pecado para o qual não há Perdão.

O Ano Santo da Misericórdia, que teve início a 8 de dezembro de 2015 e se estenderá até ao dia 20 de novembro deste ano, é uma iniciativa louvável, um momento único para nos reconciliarmos com Deus. Mas para podermos beneficiar das abundantes graças de Deus durante este ano jubilar, é necessário, antes de mais, percebermos em que consiste o Sacramento da Reconciliação.

A Reconciliação com Deus implica que a pessoa esteja arrependida dos seus pecados, que sinta a dor espiritual, vergonha por O ter ofendido. Nestas condições, deve dirigir-se a um padre, a um ministro de Deus, para fazer a remissão desses pecados através de uma confissão, após a qual, o padre confessor, se assim o entender, decreta a absolvição desses pecados e a respetiva penitência. Dentro desta penitência, o mais importante é a necessidade de reparação e a intenção de não voltar a pecar. Deste modo, se não há arrependimento na pessoa, ou se não existe um propósito de correcção de uma condição pecaminosa em que aquela vive, então não há lugar ao Perdão de Deus. E não é porque Deus não seja infinitamente misericordioso, mas antes porque a pessoa não quis verdadeiramente aceder à sua Misericórdia. Tal situação significa que a pessoa ainda não estava em condições para  se reconciliar com Deus, ou então, pior, ela não teme a Sua Justiça. Em qualquer dos casos, os pecados não ficam absolvidos, podendo inclusivamente incorrer numa situação de pecado ainda mais grave, admitindo o segundo caso. A Misericórdia de Deus é abundante mas apenas sobre aqueles que temem a Sua Justiça.

Não deve ter sido por acaso que este Ano Santo da Misericórdia começou no dia em que os católicos festejam a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Maria é Mãe de Misericórdia.

A minha alma glorifica o Senhor
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração
Sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais,
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio,
Agora e sempre. Amen.

(Lucas 1:46-55)

Não existe Misericórdia sem Justiça, não nos deixemos enganar.

 

Basto 3/2016