Profecia de São Francisco sobre um futuro falso papa que destruirá a Igreja

Saint Francis of Assisi in Ecstasy
São Francisco de Assis em Êxtase – Antoon van Dyck (1627-1632); in banco de imagens do Museu do Prado.

A predição de “grandes cismas e tribulações na Igreja” é a 13ª profecia do capítulo “Algumas profecias de São Francisco” de um livro, com imprimatur do sec. XVIII, intitulado “Obras do Seráfico Pai São Francisco de Assis”. São Francisco terá revelado esta profecia aos membros da sua Ordem pouco tempo antes de morrer, portanto no primeiro quartel no séc. XIII.

O Santo profetiza grandes cismas e tribulações na Igreja

Pouco tempo antes da morte do santo Pai, ele reuniu os seus Filhos e alertou-os sobre as tribulações que haveriam de vir:

Meus Irmãos, ajam com bravura; tenham coragem e confiem no Senhor. Aproxima-se rapidamente o tempo em que haverá grandes provas e aflições, abundarão as perplexidades e discórdias, tanto espirituais como temporais, a caridade de muitos esfriará e a maldade dos ímpios aumentará.

Os demónios terão um poder invulgar. A pureza imaculada da nossa Ordem, assim como a de outras, estará tão obscurecida que haverá pouquíssimos cristãos a obedecer ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana com corações leais e caridade perfeita. Nos tempos dessa tribulação, um homem não canonicamente eleito será elevado ao Pontificado, que, com sua astúcia, empenhar-se-á em levar muitos ao erro e à morte.

Então os escândalos multiplicar-se-ão, a nossa Ordem será dividida e muitas outras serão completamente destruídas porque tolerarão o erro em vez de o combater.

Haverá tal diversidade de opiniões e cismas entre o povo, os religiosos e o clero, que, se aqueles dias não fossem abreviados, segundo as palavras do Evangelho, até os eleitos seriam levados ao erro, não fossem eles guiados, no meio de tão grande confusão, pela imensa misericórdia de Deus.

Então a nossa Regra e o nosso modo de vida serão violentamente combatidos por alguns e, sobre nós, cairão provas terríveis. Os que permanecerem fiéis receberão a coroa da vida, mas ai daqueles que, confiando apenas na sua Ordem, caírem na tibieza, pois esses não serão capazes de suportar as tentações permitidas como provação para os eleitos. Os que conservarem o seu fervor e mantiverem a sua virtude com amor e zelo pela verdade sofrerão injúrias e perseguições como se fossem rebeldes e cismáticos, uma vez que os seus perseguidores, instigados por espíritos malignos, dirão que prestam um grande serviço a Deus eliminando aqueles homens nocivos da face da Terra. Mas o Senhor será o refúgio dos aflitos e salvará todos os que em Ele confiam. E a fim de serem como o seu Mestre, estes, os eleitos, atuarão com confiança e, com a sua morte, obterão a vida eterna. Escolhendo obedecer a Deus em vez de obedecer aos homens, eles não terão medo de nada e preferirão morrer do que aprovar a falsidade e a traição.

Alguns pregadores manterão silêncio sobre a verdade, enquanto outros irão pisoteá-la e negá-la. A santidade de vida será desprezada até pelos que exteriormente a professam, pois, nesses dias, Nosso Senhor Jesus Cristo enviar-lhes-á não um pastor verdadeiro mas um destruidor.

(Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi, Washbourne, London, 1882, pp. 248-250, Imprimatur of the Bishop of Birmingham, William Bernard – tradução livre)

Fonte: saintsbooks.net (página acedida em 04/03/2019)
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

A esta distância temporal torna-se, obviamente, difícil provar ou negar a autenticidade desta profecia, no entanto, o seu conteúdo acaba por ser um forte motivo de reflexão e oração, atendendo à conjuntura por que atravessa a Igreja Católica atualmente.

Basto 03/2019

O Anticristo de Signorelli

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Este fascinante fresco foi pintado pelo artista renascentista Luca Signorelli, entre 1499 e 1502, na capela da Madona de San Brizio, Catedral italiana de Orvieto. O nome pelo qual esta obra é internacionalmente conhecida pode traduzir-se para qualquer coisa como: “sermão e façanhas do anticristo”. Muitos críticos de arte consideram que esta deve ter sido, na perspetiva do autor, a obra mais importante da sua carreira, pelo facto se ter incluído  também a ele próprio nesta pintura mural, retratando-se como observador.

No interior da capela de San Brizio, Luca Signorelli interpreta várias cenas interessantes do Apocalipse de São João, seguindo uma hermenêutica mais ou menos tradicional na tradição cristã. A riqueza artística desta obra é tal que precisaríamos de várias horas de observação, de cima de uma escada móvel, para tentarmos descodificar todos os seus pormenores aí representados. Por agora, centremo-nos apenas nas cenas principais.

 

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Mapa das principais cenas representadas.

 

1. O Anticristo

É um falso Cristo que, de cima de um pedestal, pregas as palavras ditadas pelo demónio. A sua falsa doutrina atraiu a maior parte da humanidade, homens e mulheres de várias raças, idades e classes sociais. No grande grupo de seguidores do anticristo, está também incluída a Igreja institucional, representada pela mulher (6) e pelo frade que se encontra junto dela, indiferentes aos cristãos que estão a ser martirizados mesmo junto de si (5B).

O Anticristo tem todo o ouro a seus pés, ele é dono das riquezas mundanas, o centro gravitação dos fluxos do tesouro.

A sua falsa doutrina disseminou-se por todo o lado, as pessoas da multidão que se encontram debaixo da sua influência não estão todas a olhar para o mesmo ponto, eles interagem virados em várias direções mas, ao mesmo tempo, mantêm-se ligados a uma matriz comum cujo núcleo é o Anticristo. Por outro lado, a presença física do Anticristo não se cinge apenas a um único lugar ou a instituição. Num primeiro plano do quadro, ele apresenta-se como o homem bondoso, aprazível, sedutor, a quem as pessoas seguem de livre vontade (1), mas depois aparece noutro plano, à frente do Templo para ser adorado, decretando a morte daqueles que recusaram segui-lo (5A).

 

2. O Falso Profeta

O Falso Profeta cai do alto sobre aqueles que o esperavam. Luca Signorelli representou-o como sendo o grande castigo lançado pela espada do Anjo de Deus sobre a humanidade, trazendo a desgraça e a morte consigo. Quando a humanidade, insatisfeita com a Verdade revelada, impenitente e orgulhosa, ousa pedir a Deus uma nova doutrina que vá ao encontro dos seus desejos e prazeres mundanos, que pior castigo poderia cair sobre eles senão pastores que predicam o que essas pessoas querem ouvir? É um castigo espiritual, acompanhado de violento sofrimento físico, visível nas expressões dos atormentados.

 

3. O Templo sitiado

O Templo foi invadido e tomado por homens aramados, num contexto de tumultos e violência, próprios de uma invasão ou revolução de larga escala com mais soldados a caminho.

É difícil impedir que esta imagem nos traga à memória a fachada principal e a balaustrada da Basílica de São Pedro, apesar de a sua construção ter sido concluída apenas em 1626, mais de um século depois da obra de Signorelli.

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Basílica de São Pedro, vista de Santo Ângelo

 

4. A Igreja verdadeira

O que resta da verdadeira Igreja de Cristo é um pequeno grupo coeso, que se mantém agarrado aos livros, às escrituras, à tradição. Rejeitaram os ensinamentos do Anticristo para se posicionarem junto de um pastor que predica a Verdade de sempre.

 

5. Martírio

Muitos cristãos verdadeiros, por não aderirem à falsa doutrina (5B) nem prestarem culto à besta (5A), são martirizados.

 

6. A mulher adultera

A Igreja institucional, representada pela mulher, que deveria ser a esposa fiel de Cristo, atraiçoa-O. O artista representou-a como alguém que se vende, que se prostitui, aceitando moedas de um mercador. Ela também aderiu ao sermão do Anticristo, encontrado-se debaixo do seu domínio.

 

7. Falsos milagres

As pessoas ficam maravilhadas com o milagre aparentemente realizado.

 

8. Luca Signorelli e Fra Angelico

Crê-se que estas duas figuras sejam Luca Signorelli e o monge dominicano Fra Angelico. O primeiro é o autor da obra, e o segundo é um dos artistas que o precederam nas pinturas murais da Capela da Madona de San Brizio. Fra Angelico, também conhecido por Beato Angelico, é considerado padroeiro dos artistas, tendo sido beatificado, em 1982, durante o pontificado de João Paulo II.

Esta obra de Signorelli insere-se num conjunto de vários frescos da capela da Madona de San Brizio que interpretam cenas do Apocalipse e do Juízo Final.

 

 

Basto 3/2016