Bergoglio para Bento XVI: aprenda a dizer adeus

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Por Christopher A. Ferrara

Ao longo dos últimos quatro anos, os fiéis católicos habituaram-se a um espetáculo contínuo e sem precedentes na história da Igreja: um Papa que, quase todos os dias, usa o seu púlpito para lançar um manancial, aparentemente inesgotável, de epítetos sobre os católicos ortodoxos que estão justamente perturbados com a orientação do seu pontificado: “rigoristas”, “rígidos”, “legalistas”, “fariseus”, “hipócritas”, “auto-absorvidos prometeanos neo-pelagianos” e assim por diante. Dia após dia, ano após ano, Papa Bergoglio não mostra sinais de cansaço na repetição do mesmo tema, continua como uma agulha de fonógrafo presa no mesmo sulco do mesmo velho disco.

Porém, em março, como observa Antonio Socci num artigo que não recebeu a devida atenção, o Papa Bergoglio apresentou um novo vilão du jour a partir do púlpito de Santa Marta: o pastor “que não sabe dizer adeus e pensa que é o centro da história, “o pastor que não sabe que “deve sair completamente, não a meio caminho… e sem se apropriar das ovelhas para si mesmo”.

A quem precisamente poderia o Papa Bergoglio estar aqui a referir-se? Temos uma boa ideia de quem possa ser, mas o Vatican Insider, ao qual Socci apelida de “o site ultrabergogliano”, não deixou qualquer espaço à imaginação. A sua reportagem sobre este sermão incluiu uma fotografia do Papa Bento XVI a sair do Vaticano de helicóptero, em direção a Castel Gandolfo, no dia em que a sua misteriosa “renúncia” ao “ministério de Bispo de Roma” entrou em vigor.

É óbvio que o Papa Bergoglio visava Bento XVI, uma vez que esta denúncia seguiu-se quase imediatamente à publicação do livro do Cardeal Sarah sobre o estado da liturgia, intitulado “O Poder do Silêncio: Contra a Ditadura do Ruído”, para o qual Bento XVI, como ” Papa Emérito “, escreveu um pós-escrito bastante devastador. Bento XVI declara que com Sarah à frente da Congregação para o Culto Divino, “a liturgia está em boas mãos”. No entanto, como sabemos, o Papa Bergoglio despediu todos os membros da Congregação exceto Sarah, substituindo-os por progressistas litúrgicos à sua volta, precisamente para deixar Sarah isolado e sem poder, de modo a que a incessante decadência da liturgia Novus Ordo possa continuar sem cessar.

Como mostra Socci, a aparição do pós-escrito de Bento XVI levou o líder da claque bergogliana, Andrea Grillo, a declarar que Bento “renunciou à sua renúncia” e estava agora a intrometer-se “nas decisões do seu sucessor” – referindo-se à decisão de neutralizar o Cardeal Sarah sem o demitir. Consequentemente, o Papa Bergoglio introduziu uma nova categoria de vilão voraz no caminho da sua “reforma irreversível” da Igreja que inclui a Sagrada Comunhão para adúlteros públicos: o pastor que não diz adeus.

Aqui, como de costume, temos a torção bergogliana das Escrituras para atender às necessidades retóricas do momento. No seu polémico sermão, o Papa Bergoglio cita o episódio de São Paulo quando parte de Éfeso, como um exemplo do pastor que sabe dizer adeus e não tenta levar as ovelhas com ele.

Mas ao citar o exemplo de São Paulo em Éfeso, observa Socci, o Papa Bergoglio marcou um golo espetacular na sua própria baliza, uma vez que São Paulo foi conduzido de Éfeso por um tumulto “orquestrado pelos ourives que lucravam com a manufatura de ídolos”, e São Paulo advertiu que, após a sua partida, “lobos raivosos” entrariam no seu rebanho, introduzindo “doutrinas perversas para atrair discípulos para si mesmos”.

É um convite à risada que o Papa Bergoglio, mais uma vez, aponte o dedo para si mesmo enquanto lança acusações sobre outros – desta vez sobre o seu próprio antecessor no cargo. Porém isso não é motivo de riso, mas sim outro sinal de que o pontificado bergogliano é provavelmente a fase terminal de uma crise eclesiástica cuja resolução terá de envolver uma intervenção divina do tipo mais dramático.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 6/2017