Espiritualidade maçónica celebrada em Nova Iorque com a presença de altos representantes da Igreja Católica

A “Festa da Fraternidade Humana”, celebrada no passado dia 20 de setembro, na Biblioteca Pública de Nova Iorque, contou com a entusiástica presença de altos representantes do Vaticano.

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Este é o primeiro evento público em que participam os membros do Alto Comité criado para implementar as disposições do Documento sobre a fraternidade humana, o histórico documento assinado em fevereiro passado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de al-Azhar, Ahmed el-Tayyeb, durante o Ano da Tolerância.

(In Vatican News, 12/09/2019)

E o presidente deste comité, criado para implementar uma doutrina sincretista alternativa à da Igreja Católica. é o cardeal espanhol D. Miguel Ayuso, atual presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

O momento serviu também para dar a conhecer a futura “Casa da Família Abraâmica”, um templo pós-cristão, que será edificado em Abu Dhabi, para promover cultos ao novo deus da coexistência multirreligiosa.

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Uma fraternidade humana ao estilo maçónico que evita as diferenças. O problema é que, neste caso, a diferença é Jesus Cristo e o seu Evangelho.

Basto 09/2019

Vaticano deseja um frutuoso mês de Ramadão aos maometanos

Numa mensagem assinada por D. Miguel Ángel Ayuso Guixot e intitulada “Cristãos e Muçulmanos: Promover a Fraternidade Humana“, a Santa Sé expressou os seus “melhores desejos de um frutuoso mês de Ramadão e um alegre ‘Id al-Fitr“.

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In Boletim do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, 10/05/2019.

Uma fraternidade humana que coloca Jesus Cristo ao nível das divindades pagãs.

“A liberdade de viver de acordo com as crenças nas esferas pública e privada. Deste modo, cristãos e muçulmanos – como irmãos e irmãs – podem trabalhar juntos para o bem comum.”

(In Ecclesia, 10/05/2019)

Basto 05/2019

Dervixe girador dança na Sé Episcopal da Arquidiocese de Madrid

A Catedral de Santa Maria a Real de Almudena, em Madrid, foi palco de um ritual religioso em que um dervixe dançante bailou ao som de um cântico tradicional do islamismo sufista.

O ritual teve lugar em frente ao altar da catedral madrilena, no passado dia 21 de março, no âmbito da “VI Edição do Concerto de Três Culturas“, um concerto patrocinado pela UNESCO.

La catedral de la Almudena acogerá la VI edición del concierto de Tres Culturas

Ao contrário de outras edições deste concerto, que se realizam anualmente no âmbito da Semana Mundial da Harmonia Inter-Religiosa declarada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, esta edição será celebrada de forma especial por três razões: a data, 21 de Março, marca o início da Primavera, a estação que simboliza um renascimento da natureza e de novos começos; o lugar, a Catedral de Almudena, um dos espaços arquitetónicos mais emblemáticos da cidade que oferece memória e aproximação ao transcendente; e, finalmente, a música, a linguagem universal através da qual os três grupos convidados demonstram, na continuação deste projeto fascinante, como a convivência, a harmonia e a concórdia são valores universais que não conhecem fronteiras.

(In página oficial da Arquidiocese de Madrid, 14/03/2019 – tradução livre)

Basto 03/2019

Heresia pública, não-correção privada

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Por Christopher A. Ferrara

Na sua Declaração Conjunta com o “Grão Imame de Al-Azhar”, Ahmed Al-Tayeb, no passado mês, em Abu Dhabi, o Papa Francisco e o “Grão Imame” declararam juntos: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.”

O significado ultrapassa qualquer discussão: a diversidade de religiões, que Deus não quer, mas apenas tolera como um mal, é colocada em paridade com as diferenças de raça, sexo e linguagem, que Deus realmente quer. A existência de religiões repletas de erros condenáveis contra a revelação divina é deste modo apresentada, sem a mínima ambiguidade, como um bem positivo – ou seja, “a liberdade de ser diferente”. Seria improvável que Al-Tayeb concordasse com uma afirmação que pudesse, de algum modo, ser lida com querendo dizer que a sua religião islâmica, criada pelo homem, é simplesmente um mal tolerado.

Como reporta o LifeSiteNews, “os bispos do Cazaquistão e Ásia Central, durante uma visita ad limina a Roma, levantaram uma série de preocupações, amplamente partilhadas pela Igreja nos últimos anos, relativamente às ambiguidades percebidas no magistério do Papa Francisco”.

D. Athanasius Schneider, em particular, Bispo Auxiliar de Astana, pressionou delicadamente Francisco em relação à sua afirmação descaradamente herética de que Deus quer a diversidade de religiões da mesma forma quer a diversidade de raças. Entrevistado pelo LifeSiteNews, o Bispo Schneider contou que Francisco “disse-nos: podem também dizer isso, que a diversidade de religiões é a vontade permissiva de Deus”.

Então Francisco diz agora em privado que outras pessoas podem dizer que ele quis apenas dizer que a diversidade de religiões é meramente tolerada por Deus. Mas quanto a ele, a sua declaração pública, assinada, manifestando o contrário, permanecerá sem qualquer correção pública.

Compreensivelmente insatisfeito, o Bispo Schneider diz o seguinte:

Tentei aprofundar a questão, pelo menos citando a frase que se lê no documento. A frase diz que tal como Deus quer a diversidade de sexos, cor, raça e língua, Deus também quer a diversidade de religiões. Há uma comparação evidente entre a diversidade de religiões e a diversidade de sexos.

Mencionei este ponto ao Santo Padre e ele reconheceu que, com esta comparação direta, a frase pode ser entendida erroneamente. Na minha resposta, sublinhei perante ele que a diversidade de sexos não é a vontade permissiva de Deus, mas é querida positivamente por Deus. E o Santo Padre reconheceu isso e concordou comigo em que a diversidade de sexos não é uma questão da vontade permissiva de Deus.

Porém, quando referimos ambas as proposições na mesma frase, então a diversidade de religiões é interpretada como positivamente querida por Deus, como a diversidade de sexos.

A frase, portanto, conduz a dúvidas e a interpretações erróneas e daí o meu desejo e o meu pedido para que o Santo Padre retificasse isso. Mas ele disse, a nós bispos: podem dizer que a frase em questão sobre a diversidade das religiões significa a vontade permissiva de Deus.

Em suma, Francisco emitiu uma declaração pública expressando uma heresia flagrante. Confrontado com o seu erro e com o escândalo que causou, e mesmo admitindo o seu erro, informa o Bispo Schneider que o bispo pode retificá-lo se quiser, ao mesmo tempo que não dirá nada em público para corrigir a sua própria heresia promulgada publicamente.

Por outras palavras, Francisco disse a Al-Tayeb o que aquele queria ouvir e depois disse ao Bispo Schneider o que este queria ouvir. Deu assim espaço para a negação plausível a ambas as partes. Este é um comportamento próprio de um político, não do Vigário de Cristo, encarregado de confirmar os seus irmãos na Fé. Mas depois de seis anos neste tipo de coisas podemos esperar outra coisa?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 8 de março de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original.

Basto 03/2019

Ícone de um desastroso pontificado

logo.pope.moroccoPor Christopher A. Ferrara

Eis o logótipo da próxima viagem inútil do Papa a Marrocos: a lua crescente, simbolizando a religião inventada por Maomé, envolve quase por completo uma cruz distorcida. Como este Papa promove obsessivamente a migração em massa de homens muçulmanos para as capitais da Europa Ocidental, incluindo até mesmo Roma, a imagem sugere que o corpo de fiéis cristãos, supostamente representados pela Cruz, não tem agora quase nenhuma possibilidade de escapar àquilo que o Papa Pio XI, numa época mais sã, chamou “a escuridão do Islão”, numa oração que os Católicos Romanos tradicionais ainda hoje recitam na tradicional Festa de Cristo Rei. Como essa oração do Ato de Consagração da Raça Humana ao Sagrado Coração de Jesus declara: “Sede o Rei de todos os que ainda estão envolvidos pela escuridão da idolatria ou do Islamismo e não deixeis de os atrair a todos para a Luz e Reino de Deus.”

Este logótipo absurdo e ofensivo tem camadas mais profundas de significado maligno. Como explica o Zenit, um obediente órgão de comunicação da linha partidária do Vaticano, a “cruz e um crescente […] representam o diálogo inter-religioso entre cristãos e muçulmanos”. Porém, o que é retratado não é um dia-logo, do grego dialogesthai, que significa uma conversa entre duas ou mais partes, mas sim dia – “através de” ou “entre” – uma distância que as separa, uma distância que nenhum diálogo entre a religião fundada por Deus e outra fundada por Maomé jamais eliminará. O que vemos então é uma das partes do “diálogo”, o Islão, cercando visualmente a outra: ou seja, o catolicismo, representado por uma cruz distorcida que, por sua vez, representa uma Igreja distorcida no meio da pior crise da sua história.

Mas há mais. Citando novamente o Zenit, o logótipo ostenta “as cores dos dois países: verde e vermelho de Marrocos, amarelo e branco (o fundo) do Vaticano”. Note-se que o verde de Marrocos é representado no traço horizontal da Cruz, enquanto que o vermelho de Marrocos é visto na lua crescente que a circunda quase por completo, formando um cerco em torno da Cruz.

No total, 99% dos marroquinos são muçulmanos, enquanto os poucos cristãos existentes naquele país são quase todos estrangeiros. Além disso, em Marrocos “é um crime possuir uma Bíblia cristã escrita em língua árabe, parte de uma lei mais ampla que proíbe proselitismo de muçulmanos para qualquer outra crença”, enquanto a Constituição Marroquina estabelece que o Islão é a única religião do Estado de Marrocos. Não há “diálogo” entre Cristianismo e Islão em Marrocos, apenas um monólogo que favorece o Islão com a força da lei. Se a colocação das cores no logótipo significa alguma coisa, então só pode ser o cerco do Cristianismo pelo Islão, até ao ponto de se tornar um elemento de uma cruz distorcida que representa a sujeição de Cristo a Maomé.

Finalmente, citando novamente o Zenit, o logótipo declara que o Papa Francisco é o “Servo da Esperança” – mais um contributo para a nuvem de slogans vazios que têm assolado a Igreja desde o Concílio Vaticano II, e tão significativo como “Servo do Otimismo” ou “Servo da Alegria”. Qual é exatamente a “esperança” que Francisco serve? Não fazemos a menor ideia. Sabemos bem, no entanto, qual é a esperança que Francisco não serve. A esperança expressa pela Mãe de Deus em Fátima: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo um tempo de paz.”

E por paz, Nossa Senhora queria dizer a coisa mais distante do programa que Francisco segue nesta fase final da crise pós-conciliar da Igreja. Citando Pio XI numa monumental encíclica que acabou enterrada e esquecida sob uma montanha tóxica de ruinosas novidades pós-conciliares: “Os homens devem procurar a paz de Cristo no Reino de Cristo”, cujo império “se estende não só sobre os povos católicos e sobre aqueles que, tendo recebido o batismo, pertencem por direito à Igreja, ainda que o erro os tenha extraviado ou o cisma os separe da caridade, mas também compreende a todos quantos não participam da fé cristã, de sorte que sob a potestade de Jesus se encontra todo o género humano”.

Só quando essa verdade da revelação tiver sido redescoberta e novamente proclamada pelo elemento humano desobediente da Igreja, sobretudo o homem que detém o cargo de Romano Pontífice, é que esta crise acabará finalmente.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 10 de janeiro de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 01/2019

Islão: a religião que mais cresce em todo o mundo

Enquanto a Igreja fundada por Jesus Cristo continua excessivamente preocupada com questões climáticas e políticas mundanas, trocando a sua tradicional vocação missionária por um conceito vazio de encuentro, a religião fundada por Maomé expande-se a um ritmo assombroso.

O Islamismo cresce mais rapidamente do que qualquer outra religião. De acordo com as projeções da Pew Research Center, o Islão terá ultrapassado o Cristianismo no ano 2070, tornando-se na maior religião a nível mundial.

  • Em 2010, a Indonésia tinha a maior população muçulmana em todo o mundo (205 milhões de crentes), mas, em 2050, a Índia terá mais (311 milhões), não deixando contudo de ser uma nação maioritariamente hindu.
  • A população cristã de países como o Reino Unido ou a França descerá abaixo dos 50%, prevendo-se que 10% da população europeia sejam maometanos no ano de 2050.
  • Quatro em cada 10 cristãos a nível mundial viverão na África Subsariana.
  • Nos Estados Unidos, uma em cada 50 pessoas será muçulmana por volta de 2050.

Fonte: British Broadcasting Corporation, 16/03/2017.

Basto 12/2018

O Papa, o Islão e Nª Sª de Balsamão

Balsamão
Nª Sª de Balsamão

No domingo de ontem, dia 22 de maio, celebrou-se a Solenidade da Santíssima Trindade. Neste dia, a Igreja convida os fiéis a refletirem sobre um dos mais profundos mistérios da nossa Fé, que é o Mistério de Deus, Uno e Trino. Motivo de escárnio para os infiéis, indiferença para os insensatos e único caminho de salvação para os Cristãos.

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Revelação do Mistério da Santíssima Trindade à Ir. Lúcia em Tui, Espanha, a 13 de junho de 1929

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos os Preciosíssimos Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

  (oração ensinada pelo Anjo de Fátima, II Memória da Ir. Lúcia, 1937)

Jesus Cristo, antes de partir para junto do Pai, enviou os seus discípulos a anunciar a Salvação a todas as nações e povos, batizando-os em nome da Santíssima Trindade.

Missão Universal da Igreja:

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» (Mt 28, 16-20)

O Papa Francisco e o Islão

O Papa Francisco voltou a dar uma entrevista controversa, e desta vez até foi fora do avião. Aconteceu no dia 19 de maio, com o jornal francês La Croix. A controvérsia partiu do facto de o Papa Francisco ter comparado o jihadismo islâmico à missão universal da Igreja. Precisamente o mesmo Papa que, sem apontar o dedo especificamente a alguém, não para de se queixar dos fundamentalistas existentes dentro da Igreja Católica.

La Croix: O medo de aceitar migrantes é parcialmente baseado no medo ao Islão. Na sua opinião, o receio de que esta religião se expanda na Europa é justificado?

Papa Francisco: Hoje em dia, não creio que exista um receio do Islão enquanto tal, mas antes do ISIS [organização terrorista islamita também conhecida como “Estado Islâmico”] e da sua guerra de conquista, em parte, proveniente do Islão. É verdade que a ideia de conquista é inerente à alma do Islão. Contudo, é também possível interpretar com a mesma ideia de conquista o objetivo do evangelho de Mateus, onde Jesus envia os seus discípulos a todas as nações.

(in La Croix, 19/05/2016)

Pormenores da Fé à parte, já que eles se tornaram menos relevantes para o papado nestes dias, o Santo Padre mostra-se muito otimista com o aumento do fluxo migratório em direção à Europa. Entre outras vantagens, vê nisso uma solução para aumentar a natalidade no velho continente e assim resolver o problema do envelhecimento demográfico. Apesar de parecer uma solução estranha, principalmente quando apresentada pelo líder da Igreja Católica, ela não é nova. Aliás, alguns clérigos islamitas mais radicais pregam, nas suas mesquitas, precisamente a sua disponibilidade para inverter os baixos índices de fecundidade europeus. Estamos portanto perante uma espécie de pragmatismo ecuménico, como dirão alguns…

Hoje em dia podemos falar de uma invasão árabe. É um facto social.

(Papa Francisco ao L’Osservatore Romano in TVI24, 05/03/2016)

Apesar da incompatibilidade entre o Cristianismo e o Maometismo registada ao longo de 14 séculos, traduzida muitas vezes em guerras violentas e choques civilizacionais, o Papa Francisco tem feito, desde o início do seu pontificado, todos os esforços para aproximar – para não dizer misturar – os dois mundos. Entre outras iniciativas, para além de ser um dos maiores impulsionadores do êxodo árabe em direção às praias europeias, aconselha vivamente a procura de esperança na leitura do Corão – ou na Bíblia, como se fosse tudo a mesma coisa -, visitou e orou em mesquitas, do mesmo modo que promoveu a oração islâmica dentro do próprio Vaticano.

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Rome Reports, 20/01/2014

Mas o maior de todos os esforços foi, sem margem de dúvida, a inclusão de muçulmanos e muçulmanas no ritual do Lava-pés da cerimónia da Quinta-feira Santa, a mais importante missa do ano onde se celebra a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Tradicionalmente, este ritual simbólico era restrito apenas a varões cristãos, constituindo, mais do que um gesto de humildade, a memória da instituição do sacerdócio ministerial. Com aquele gesto, Jesus Cristo ordenou os discípulos, entregando-lhes formalmente o legado de continuar a Sua própria missão pastoral.

Nesta altura, é ainda difícil de perceber completamente a reação do mundo islâmico a todos estes avanços do Bispo de Roma, no entanto, do lado tradicionalmente cristão, a avaliar pelos extraordinários índices de popularidade papal, tudo isto tem sido um enorme sucesso.

Imaculada Conceição de Balsamão

No domingo anterior, dia 15 de maio, celebrou-se discretamente, sem foguetes, sem bandas, sem carroceis e sem outras pimbalhadas, a festa em honra da Imaculada Conceição de Balsamão ou, como é localmente conhecida, Nª Sª de Balsamão. Estiveram presentes apenas as pessoas que queriam estar, mais aquelas que lá foram parar sem saber ao que iam. No final da Eucaristia, as pessoas encarreiraram-se em direção ao presbitério de onde o sr. Padre lhes aplicou o bálsamo na testa, em forma de cruz, conforme manda a tradição.

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Convento de Balsamão – Macedo de Cavaleiros

A capela em honra da Imaculada Conceição de Maria é o elemento central do Convento de Balsamão, localizado numa pequena elevação orográfica, junto à pequena localidade de Chacim, por trás da Serra de Bornes, no concelho transmontano de Macedo de Cavaleiros.

A definição dogmática da Imaculada Conceição de Maria é um facto histórico relativamente recente, contudo, a origem da devoção à Nª Sª de Balsamão perde-se no tempo. Provavelmente existiram outras estátuas da Virgem anteriores à atual.

Os seus devotos acreditam que, em tempos antigos, ela terá aparecido por ali com o “bálsamo na mão” – de onde deriva etimologicamente a sua designação – para curar as feridas dos cristãos que sofreram os horrores provocados pela invasão muçulmana, decorrente da expansão do Califado de Córdoba. De acordo com esta crença, Chacim corresponderia ao lugar onde ocorrera a “chacina”, algures entre os séc. IX e X da nossa era.

Esperemos não voltar a necessitar do bálsamo de Nossa Senhora para curar o mesmo tipo de feridas no território que hoje é Portugal.

O atual Convento de Balsamão pertence à Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. É na capela de Nª Sª de Balsamão que se encontra sepultado o venerável Frei Casimiro Wyszynki, principal responsável pela introdução, em 1754, desta ordem de origem polaca em Portugal.

Basto 5/2016