Dia 8 de abril de 2016: a bomba-relógio foi acionada

O grito
Munch, 1893 – vista parcial da obra “O Grito”

O mundo inteiro espera ansiosamente a publicação da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, como se de um engenho explosivo se tratasse. A linguagem do Santo Padre, por vezes ambígua, associada a algumas das suas atitudes mais surpreendentes e confusas, ao longo dos últimos três anos, criou falsas expectativas a algumas pessoas e receios a outras, que antevêem a possibilidade de uma rutura no tradicional magistério da Igreja relativamente a algumas questões morais, particularmente em relação ao Matrimónio.

O documento já está concluído desde o dia 19 de março, intitula-se “A Alegria do Amor” e a sua publicação foi agendada para o dia 8 de abril. A ser uma bomba, esperemos que acerte no alvo em cheio e o aniquile de vez, nomeadamente as doutrinas diabólicas que, nos últimos tempos, têm tenazmente tentado contaminar a doutrina católica com imoralidades.

O Matrimónio é um sacramento cristão e é indissolúvel. Isto é uma Verdade inquestionável. O adultério é um pecado mortal, logo conduz à condenação eterna. Quem se encontra em situação de pecado grave não deve aceder à comunhão eucarística a não ser que se tenha arrependido profundamente e se proponha a corrigir a situação pecaminosa em que se encontra. Caso contrário, a administração da comunhão a quem se encontra em situação objetiva de pecado grave é uma ajuda à sua condenação.

 “O Papa vai dizer o que a Igreja sempre disse porque o Evangelho é bem claro neste aspecto. Tudo o resto é anular a palavra de Jesus, implica rasgar páginas da Bíblia”,  a teoria de Kasper uma “heresia”.

(Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

A Verdade Cristã é sublime e imutável porque é de Deus. Ninguém a pode alterar, nem mesmo o Papa.

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

(Bento XVI, a 7 de maio de 2005)

Com efeito, dos três cenários possíveis para a próxima sexta-feira, veiculados pelos órgãos de comunicação social, só devemos esperar o primeiro:

  1. A exortação apostólica reafirma os valores morais tradicionais sobre o casamento, o amor conjugal e a família, convidando à conversão daqueles que se encontram em situação objetiva de pecado grave.
  2. O Santo Padre propõe diretamente alterações à pastoral e à doutrina da Igreja, o que é impensável.
  3. O Santo Padre inibe-se de pronunciar-se diretamente sobre essas questões morais, através utilização de uma linguagem ambígua que deixa lugar a interpretações subjetivas, ou remetendo a avaliação dessas questões para escalas regionais ou locais, o que também é impensável.

O primeiro cenário seria uma lufada de ar fresco para limpar a fumaça de Satanás que paira na atmosfera da Igreja. O segundo cenário pressupõe uma falsificação da doutrina e seria fraturante, conduzindo de imediato a uma separação entre a verdadeira Igreja de Cristo e a falsa. Muito provavelmente originaria um cisma. O terceiro cenário, porventura o mais temível, levaria à confusão total, à multiplicidade doutrinária dentro da própria Igreja através da abolição do dogma por parte da Igreja Institucional, embora de forma não assumida. Seria uma contaminação viral que, de forma cínica e subtil, levaria à desagregação da Instituição Católica desde os seus alicerces.

Os piores cenários, apesar de inaceitáveis e improváveis, são bastante temidos por uns e ansiosamente esperados por outros. Esperemos que o Santo Padre esteja à altura das suas responsabilidades.

Ao “dar o microfone” a Walter Kasper para falar aos cardeais sobre a família, o Papa cometeu uma “imprudência” e “ateou um fogo” difícil de apagar.

 (Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Para piorar o receios, os órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano continuam a dar muita relevância ao herético Cardeal Kasper, ao seu conceito errado de misericórdia e às suas expectativas revolucionárias. São notícias que parecem tambores de guerra dentro da Igreja, já bastante audíveis ainda antes de se conhecer o teor da exortação apostólica. O pior pode ainda estar por vir.

[…] “já não vai ser possível solucionar esta questão de forma pacífica. Qualquer que seja a posição do Papa haverá sempre vencedores e perdedores”.

(Pe. Portocarrero de Almada, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Nós estamos, agora mesmo, debaixo de centro barométrico da tempestade de “desorientação diabólica” prevista em Fátima, em 1917, é necessário ter os pés bem assentes em terra para não sermos levados pela corrente. A porta é estreita e o caminho é único, o mesmo de sempre.

O mau agouro que paira no ar, desde há alguns meses, não ficou agora melhor quando sabemos que os dois cardeais escolhidos para dirigirem a conferência de imprensa da apresentação da exortação apostólica serão dois conhecidos progressistas, que contribuíram fortemente, com as suas ideias heterodoxas, para a crise moral e doutrinária que se vive hoje dentro da Igreja Católica. O Cardeal Baldisseri, Secretário do Sínodo da Família, é mundialmente conhecido por acreditar no evolucionismo dos dogmas católicos e por ter ideias exóticas sobre o Matrimónio. O Cardeal Schoenborn, Arcebispo de Viena, é famoso pelas suas ideias loucas acerca da homossexualidade.

O engenho explosivo – se assim quisermos entender – foi acionado, a conferência de imprensa terá lugar às 11:30′, hora de Roma. Que seja como que Deus quiser.

Basto 4/2016

Walter Kasper – um herético na ribalta

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Capa de um dos livros do Cardeal Walter Kasper

Walter Kasper é um proeminente cardeal alemão, que tem ocupado funções de destaque na Santa Sé, mas é mais conhecido pelas ideias heréticas que defende abertamente, nos seus livros e declarações públicas, do que propriamente pela santidade da sua doutrina. Tem ideias muito heterodoxas, ou mesmo revolucionárias, acerca do casamento, da família, do divórcio, das relações homossexuais e outros temas afins. A sua proposta mais conhecida e controversa é a de se poder administrar a comunhão eucarística aos divorciados recasados. Noutros tempos seria certamente excomungado ou, indo ainda mais atrás, talvez até queimado numa fogueira…

É evidente que ninguém deseja mal a esta criatura, que podia simplesmente abandonar a Igreja – já que não concorda com a sua doutrina – e entrar numa das denominações religiosas protestantes que há muito ensinam e praticam heresias semelhantes à sua. Mas não, ele não faz isso, falta-lhe humildade para tal. Ele pretende ficar orgulhosamente dentro da Igreja, modificar a doutrina tradicional e levar os fieis atrás das suas heresias e, se possível, até o Papa.

Foi aliás o próprio Papa Francisco quem colocou este cardeal na ribalta, pois enalteceu as ideias contidas num dos seus livros, logo no seu primeiro Angelus, em Roma.

Posteriormente, o Santo Padre colocou os fieis do mundo inteiro a dialogar sobre os problemas da família, nas paróquias, nas dioceses, nas conferências episcopais e, finalmente, no Sínodo da Família. Os pontos de vista heréticos do Cardeal Kasper foram considerados, debatidos e rejeitados pela maioria dos Padres Sinodais – como se a Verdade estivesse dependente de um voto maioritário! Mais uma vez, o destaque que teve este cardeal, bem como as suas ideias imorais, deveu-se à influência Santo Padre, o que em si não seria necessariamente mau.

Por vezes, a melhor forma de contrariar uma ideia errada é dar-lhe inicialmente o destaque necessário, tornando-a bem conhecida nas suas incongruências e debilidades, para depois ser cabalmente desmontada – neste caso à luz da Fé – e finalmente destruída a título definitivo. Uma espécie de maiêutica socrática. No entanto, não foi bem esse método que vimos o Santo Padre utilizar.

Até podemos aceitar que a leitura destas heresias possa ser benéfica para o sono e portanto recomendável para quem sofre de insónias, pois sempre é melhor do que os medicamentos. Agora, para isto ser uma “teologia profunda” ou “serena”, primeiro teria de ser teologia, mas não passa de heresia. Depois, para “fazer teologia de joelhos”, o Cardeal Kasper deverá primeiro ganhar a humildade necessária para aceitar submeter-se ao Magistério da Igreja.

A Verdade não muda ao sabor dos tempos ou das modas, uma vez que é sublime e eterna. E no caso de alguns dos temas que este cardeal pretende modificar na doutrina da Igreja Católica, a Verdade foi selada com a firmeza e o sangue de vários santos e mártires, entre os quais, João Batista, Thomas More e John Fisher, entre outros.

Enquanto o Sínodo da Família não termina verdadeiramente, com a publicação da Exortação Apostólica do Papa Francisco, muitos católicos andam apreensivos e temem que o pior possa acontecer. Para agravar estes temores, o próprio Cardeal Kasper já anda a anunciar uma revolução. Será que estes receios têm algum fundamento? De uma maneira ou de outra, a Verdade prevalecerá, não tenhamos dúvidas. O Papa tem o dever de servir a Verdade, mais do que qualquer outro fiel. Que Deus o ajude a fazê-lo e bem, sem ambiguidades, de forma clara e objetiva, pois disso depende a salvação de muitas almas.

No momento atual, mais preocupante do que a improvável eventualidade de um Papa poder vir a alterar institucionalmente a Verdade sobre o Matrimónio, é a indiferença de muitos cristãos face a essa possibilidade. Pior ainda, muitos desejam mesmo isso. E ainda muito pior, há quem reze a Deus para que isso aconteça. Que pior castigo pode Deus fazer cair sobre a humanidade do que deixar isso acontecer para que ela se condene na sua própria iniquidade? Só se enganam aqueles que querem ser enganados!

Deus é justo e sempre deu a cada geração os Papas merecidos. Façamos por merecer um Papa santo, um Santo Padre.

Basto 3/2016