Estado de Emergência: Terá o Papa negado (outra vez) a existência do Inferno?

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Inferno das Galinhas; in Fr. Z’s blog, 29/03/2018 (adaptado)

 

Por Christopher A. Ferrara

Em mais uma entrevista (a quinta) ao La Repubblica, com o amigo papal Eugenio Scalfari, fundador daquele jornal e um notório propagador ateísta da extrema esquerda em Itália, as seguintes palavras são atribuídas a Francisco:

[Scalfari:] Sua Santidade, no nosso encontro anterior, disse-me que a nossa espécie irá desaparecer num determinado momento e que Deus, sempre com a sua força criativa, irá criar novas espécies. Nunca me falou sobre as almas que morreram em pecado e irão para o Inferno sofrer por toda a eternidade. Falou-me, no entanto, das almas boas, admitidas na contemplação de Deus. Mas e as almas más? Onde são punidas?

[Francisco:] “Não são punidas, aquelas que se arrependem obtêm o perdão de Deus e entram no grupo das almas que o contemplam, mas aquelas que não se arrependem e não podem, portanto, ser perdoadas, desaparecem. Não há Inferno, há o desaparecimento das almas pecadoras.”

[Santità, nel nostro precedente incontro lei mi disse che la nostra specie ad un certo punto scomparirà e Dio sempre dal suo seme creativo creerà altre specie. Lei non mi ha mai parlato di anime che sono morte nel peccato e vanno all’inferno per scontarlo in eterno. Lei mi ha parlato invece di anime buone e ammesse alla contemplazione di Dio. Ma le anime cattive? Dove vengono punite?

“Non vengono punite, quelle che si pentono ottengono il perdono di Dio e vanno tra le fila delle anime che lo contemplano, ma quelle che non si pentono e non possono quindi essere perdonate scompaiono. Non esiste un inferno, esiste la scomparsa delle anime peccatrici”.]

(tradução livre a partir da versão em inglês publicada no Rorate Caeli)

Esta é a segunda vez que o Papa Francisco, segundo Scalfari, professa a heresia “aniquilacionista”, a primeira tinha sido na entrevista de 2015. Mesmo considerando a tendência de Scalfari, admitida pelo próprio, de publicar entrevistas com o Papa que são reconstruções e não transcrições ipsis verbis das suas palavras, a questão permanece: Será isto, em substância, o que o Papa disse?

A esta altura, apenas um tipo de negação será suficiente: uma afirmação inequívoca de que Francisco deseja que se saiba que as palavras que lhe foram atribuídas pelo seu amigo são uma completa invenção e que, de modo algum, Francisco professou que não existe Inferno e que as almas dos condenados são meramente aniquiladas depois da morte.

Mas essa é exatamente a negação que não recebemos. O porta-voz do Vaticano para a comunicação social, Greg Burke, em vez disso, ofereceu esta escorregadia ambiguidade (tradução nossa):

“O Santo Padre recebeu recentemente o fundador do jornal La Repubblica numa reunião privada por ocasião da Páscoa, sem, contudo, lhe conceder uma entrevista. O que é referido pelo autor do artigo de hoje é o fruto da sua reconstrução em que as palavras exatas proferidas pelo Papa não são citadas. Nenhuma citação no artigo mencionado deve, portanto, ser considerada como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre.”

Esta “negação” é essencialmente uma confirmação de que o Papa terá dito algo do género – a segunda vez que o fez – mesmo que a citação não seja exatamente textual. Não há uma negação cabal de que o Papa acredita no aniquilacionismo. Quanto à alegação de que Francisco não concedera uma entrevista a um jornalista que estava a fazer uma série de perguntas pela quinta vez, o que é pouco credível, isso é, no mínimo, uma admissão implícita de que Francisco terá dito algo em privado que não desejava que se tornasse público.

Do próprio Francisco, nem uma palavra de contradição em relação ao seu amigo Scalfari. Regressaremos a esta revelação impressionante depois do Tríduo Pascal. Nessa altura, teremos já visto se o Papa Francisco nega realmente a opinião herética que lhe fora atribuída.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 29 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 3/2018

Como pensam os comunistas?

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Pérez Esquivel, 1992 (Via Crucis Latinoamericano)

Eis o que diz o Santo Padre:

“São os comunistas que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade em que os pobres, os débeis e os excluídos é que decidem. Não os demagogos, os Barrabás, mas o povo, os pobres, tenham fé em Deus ou não, mas são eles que temos de ajudar a obter a igualdade e a liberdade.”

“[Espero portanto que os movimentos cívicos entrem na política] Não na politiquice, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na alta política, criativa e de grandes visões.”

“E para isso é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade de direitos.”

(Papa Francisco ao jornal italiano La Repubblica, in Expresso, 11/11/2016)

Basto 11/2016