Bispo Schneider: Eis como permanecemos fiéis a Pedro quando Pedro parece trair Cristo

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Por Claire Chretien

ROMA, Itália, 17 de maio, 2018 (LifeSiteNews) – “A Igreja é maior do que o Papa” e o Papa tem os mesmos deveres de qualquer católico: renunciar a Satanás e professar a fé católica, afirmou hoje o bispo D. Athanasius Schneider no Fórum da Vida 2018, em Roma. Os leigos devem ajudar, não atacar, o Papa se ele não fizer isso de forma clara.

“Como membros da Igreja militante, desejamos defender os ensinamentos morais e teológicos da Igreja de todos os que os atacam”, começava assim uma questão submetida ao bispo, que ele leu e respondeu. “No entanto, esses ataques [agora] parecem vir do topo. Como um bispo me dissera uma vez: «Como nos mantemos fiéis a Pedro quando Pedro não é fiel a Cristo?» Então, como nos comportamos como membros da Igreja militante, tendo em conta a atual situação em Roma?

“Em primeiro lugar, gostaria de dizer que temos sempre de manter a visão sobrenatural”, disse Schneider, o bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, e um dos maiores defensores mundiais da ortodoxia católica. “A Igreja é sobrenatural. Não é uma instituição humana. E depois, em segundo lugar, temos de estar conscientes de que somos um só corpo. Nós somos o corpo místico, um corpo”.

“Até mesmo o Papa é um membro da Igreja. Não é o fundador da Igreja. Ele é apenas vigário – representante – e a verdadeira cabeça da Igreja é Cristo ”, explicou. O Papa é um “sinal visível” como chefe da Igreja, mas também é um dos seus membros.

“A Igreja é maior que o Papa. O papa não está acima da Igreja; o Papa está dentro da Igreja ”, explicou Schneider. “E o Papa tem os mesmos deveres de um simples católico… Ele fez os mesmos votos batismais quando foi batizado para renunciar a Satanás, para professar a fé católica. Então, ele tem de cumprir [esses deveres]”.

“E quando parece, em alguns momentos históricos, não apenas nos nossos tempos, que o sucessor de Pedro não estava a cumprir a sua tarefa de forma clara” ou estava mesmo a “fracassar”, então, “toda a Igreja tem de vir ajudá-lo, afirmou Schneider.

Em vez de terem uma “atitude de antagonismo” em relação ao Papa, os fiéis devem ajudá-lo e encorajá-lo, através de “petições reverentes”, a cumprir o seu dever de fortalecê-los na verdade da fé católica. Os fiéis devem também oferecer orações e sacrifícios, afirmou o bispo.

“Não devemos ter uma atitude de antagonismo contra o Papa, mesmo quando ele não está a cumprir corretamente ou de maneira perfeita o seu principal dever, que é fortalecer os fiéis e os bispos na fé”, disse Schneider. “Este é o seu dever principal. Então temos de vir para ajudá-lo a expressar [a fé], com petições reverentes, porque somos uma família.”

As famílias não são ditaduras, continuou o bispo, onde as pessoas são forçadas a permanecer em silêncio para não serem punidas pelo “chefe”.

“Não estamos numa ditadura na Igreja”, disse ele. “Nos somos uma família. Nós somos o corpo místico de Cristo”. Assim, com “respeito reverente”, os católicos deveriam pedir: “por favor, Santo Padre, fortaleça-nos”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 17 de maio de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2018

Cardeal Kasper: as uniões homossexuais são “análogas” ao casamento cristão

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Por Matthew Cullinan Hoffman

14 de março, 2018 (LifeSiteNews) – O cardeal Walter Kasper, cuja teologia parece ser a principal inspiração da doutrina do Papa Francisco para a abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em estado de adultério em segundos casamentos, parece agora afirmar que as uniões homossexuais possuem “elementos” do casamento cristão, sendo até mesmo “análogas” àquelas, no sentido em que são semelhantes à relação entre a Igreja Católica e as comunidades cristãs não-católicas.

Mais até, o cardeal atribui as suas reivindicações à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia, apesar de o documento contradizê-lo explicitamente.

“O papa não deixa margem para dúvidas em relação ao facto de que casamentos civis, uniões de facto, novos casamentos depois de um divórcio (Amoris Laetitia 291) e uniões entre pessoas homossexuais (Amoris Laetitia 250s) não correspondem à conceção cristã de casamento“, escreve Kasper num livro recentemente lançado sobre Amoris Laetitia.

“Ele diz, no entanto, que alguns desses parceiros podem perceber de forma parcial e análoga alguns elementos do casamento cristão (Amoris Laetitia 292)”, continua Kasper.

Kasper compara essas relações com a relação entre a Igreja Católica e os grupos cristãos não-católicos relativamente aos quais o Concílio Vaticano II afirma que contêm “elementos de santificação e verdade” da Igreja.

“Tal como fora da Igreja Católica existem elementos da Igreja verdadeira, nas uniões acima mencionadas podem existir elementos presentes no casamento cristão, embora não realizem completamente, ou ainda não realizam completamente, o ideal”, acrescenta Kasper .

As declarações aparecem no pequeno livro de Kasper, “A Mensagem da Amoris Laetitia: Uma Discussão Fraternal”, recentemente publicado, simultaneamente, em alemão e italiano.

Na mesma obra, Kasper também insinua que a Amoris Laetitia abre o caminho para permitir o uso da contraceção, uma prática universalmente condenada pelas Escrituras, pelos Pais da Igreja e pelo Magistério Papal, mais recentemente pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.

Kasper observa que, na Amoris Laetitia, o Papa apenas “incentiva o uso do método de observar os ciclos de fertilidade natural” e “não diz nada sobre outros métodos de planeamento familiar, evitando todas as definições casuísticas”. No contexto das passagens do livro sobre a comunhão para aqueles que cometem adultério em segundos “casamentos”, que usa linguagem semelhante, Kasper parece reivindicar que o Papa permite exceções à condenação que a Igreja faz sobre o controlo artificial da natalidade.

Kasper contradiz João Paulo II – e até mesmo a Amoris Laetitia

As palavras de Kasper sobre as uniões homossexuais parecem contrariar diretamente não apenas os ensinamentos de João Paulo II, mas até mesmo a Amoris Laetitia, o documento que ele pretende explicar.

Sob o pontificado de João Paulo II e a administração do cardeal Josef Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), a Congregação para a Doutrina da Fé expressou repúdio perante a ideia de que as uniões homossexuais possam ser consideradas “análogas” ao casamento. O documento foi emitido em 2003 e recebeu a aprovação de João Paulo II.

“Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família”, declarou a Congregação. “O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais «fecham, de facto, o ato sexual ao dom da vida».” Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar.

Os parágrafos da Amoris Laetitia citados por Kasper para justificar o tratamento das uniões homossexuais como “análogas” ao casamento não possuem uma referência clara às uniões homossexuais, referindo-se meramente aos “elementos construtivos nessas situações que ainda ou já não correspondem ao ensinamento sobre casamento“.

No entanto, a Amoris Laetitia afirma no parágrafo 251: “No decurso dos debates sobre a dignidade e a missão da família, os Padres Sinodais anotaram, quanto aos projetos de equiparação ao matrimónio das uniões entre pessoas homossexuais, que não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família.” Francisco e os Padres Sinodais citam o mesmo documento de 2003 da Congregação para a Doutrina da Fé acima mencionado.

Bispos alemães procuram legitimar uniões homossexuais

O aparente desejo do cardeal Kasper de legitimar as uniões homossexuais reflete o pensamento de vários bispos influentes na hierarquia alemã.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, bispo Franz-Josef Bode, disse recentemente que as uniões homossexuais incluem aspetos “positivos e bons” e propôs bênçãos para estas. Fez também comentários semelhantes em 2015.

O cardeal Reinhard Marx, membro do Conselho de Consultivo de Cardeais do Papa, no início deste ano, aparentemente apoiou a possibilidade de se abençoar as uniões homossexuais, mas depois parece ter retrocedido, após uma pesada crítica, afirmando que apenas queria dar a esses casais “encorajamento espiritual”.

Em junho de 2015, o bispo Heiner Koch, de Dresden-Meissen (agora arcebispo de Berlim), foi citado pelo jornal alemão Die Tagespost deste modo: “Qualquer vínculo que fortaleça e mantenha as pessoas, a meu ver, está bem; isso aplica-se também às relações homossexuais”.

A página dos bispos alemães Katholisch.de publicou um artigo em 2015 defendendo a noção de bênção das uniões homossexuais e atacando o bispo alemão Stefan Oster, que supervisiona a diocese de Passau, pela defesa do tradicional ensinamento moral da Igreja a respeito da sexualidade.

O próprio cardeal Kasper apoiou publicamente a aprovação irlandesa da legalização do “casamento” homossexual em 2015, dizendo: “Um Estado democrático tem o dever de respeitar a vontade do povo; e parece claro que, se a maioria das pessoas quer essas uniões homossexuais, o Estado tem o dever de reconhecer esses direitos”.

Não obstante, em fevereiro, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, antigo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou tais bênçãos, da mesma forma que alguns outros bispos alemães e austríacos.

“Se um padre abençoa um casal homossexual, isso é uma atrocidade num lugar sagrado, na verdade, para aprovar algo que Deus não aprova”, afirmou Müller.

Kasper está preocupado com a palavra “heresia” usada contra as doutrinas do Papa

Ao anunciar a publicação do livro, Kasper queixou-se de que as pessoas têm usado a palavra “heresia” para descrever o ensinamento de que a Sagrada Comunhão pode ser dada a pessoas em estado habitual de adultério, que parece ser o que Papa Francisco ensina na sua exortação apostólica Amoris Laetitia.

“Há um debate muito azedado [sobre o ensinamento do Papa], muito forte, com acusações de heresia”, disse Kasper numa entrevista recente ao Vatican News, serviço noticioso oficial da Santa Sé, sobre [o livro] “A Mensagem da Amoris Laetitia“.

No seu livro, Kasper protesta contra os teólogos que acusaram Francisco de heresia, escrevendo em nota de rodapé: “Quem, para além do Magistério, tem o direito de fazer uma acusação desse tipo? Já não tem validade o princípio de que até que alguém seja legitimamente condenado deve ser considerado dentro da ortodoxia da Igreja? “

Kasper também afirmou em entrevistas que a Amoris Laetitia é fácil de compreender.

“A linguagem deste documento é tão clara que qualquer cristão pode compreendê-la. Não é uma teologia complexa, incompreensível para as pessoas”, disse Kasper. “O povo de Deus está muito contente e feliz com este documento porque dá espaço à liberdade, mas também interpreta a substância da mensagem cristã numa linguagem compreensível. Então, o povo de Deus entende! O Papa tem uma ótima ligação ao Povo de Deus”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 14 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2018

 

Cardeal holandês: o Papa deve “criar claridade”, os adúlteros não podem receber Comunhão

Wim Eijk.jpgPor Jeanne Smits

PAÍSES BAIXOS, 26 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal Wim Eijk, arcebispo de Utrecht, nos Países Baixos, pediu ao Papa Francisco que traga “clareza” às “dúvidas” semeadas pela exortação papal de 2016, Amoris Laetitia, no que concerne à questão da Sagrada Comunhão para os casais divorciados e civilmente recasados que vivem em adultério habitual.

O cardeal deixa claro na entrevista – publicada na sexta-feira, 26 de janeiro, no jornal holandês Trouw – que, na sua opinião, o Papa “nunca e em lado nenhum” disse que tais casais podem confessar-se e receber a absolvição ou a Sagrada Comunhão. As preocupações suscitadas, no entanto, são uma reminiscência dos repetidos apelos de vários bispos, académicos, teólogos e também dos quatro cardeais que apresentaram os seus “Dubia” ao Papa e não receberam resposta.

Eijk disse que entraram “dúvidas” na Igreja com a publicação da exortação papal após os dois sínodos da família.

“No seguimento dos dois Sínodos da Família, foi escrito um documento pelo Papa, a Amoris Laetitia. Então as dúvidas foram semeadas. Podem os divorciados “recasados” receber agora a Comunhão ou não? O que se verifica um pouco é que uma conferência de bispos está a lidar com isso de uma maneira, enquanto a outra está a lidar de outra. Mas então, o que é verdadeiro na localidade ‘A’ não pode, de repente, ser falso na localidade ‘B.’ Até certo ponto, ficaríamos felizes se houvesse clareza.”

“Gostaria que houvesse clareza?”, perguntou o entrevistador Stijn Fens.

“Sim, eu apreciaria muito isso. As pessoas estão confusas e isso não é bom “, respondeu o cardeal.

Quando questionado sobre o que espera do Papa Francisco, Eijk respondeu: “Eu diria: simplesmente crie clareza. Em relação a esse assunto. Remova essa dúvida. Na forma de um documento, por exemplo,” respondeu.

O cardeal Eijk também deixou bem claro o que deveria ser incluído nesse documento: “Temos aqui, obviamente, as palavras do próprio Cristo: que o casamento é um e indissolúvel. Isso é o que defendemos no arcebispado. Quando um casamento foi declarado nulo por um tribunal eclesiástico, isso constitui uma confirmação oficial de que nunca se casaram. Só então estão livres para se casar e receber confissão e comunhão.”

O cardeal levantou preocupações sobre a exortação papal, alguns meses depois de ter sido publicada.

“Não se pode mudar a doutrina com notas de rodapé ou com uma declaração solta numa entrevista num avião. Gostaria que [a Amoris Laetitia] fosse esclarecida”, disse ele.

“A falta de clareza prolongada pode resultar no aparecimento de práticas indesejáveis”, acrescentou.

O cardeal Wim Eijk é conhecido pela sua abordagem fielmente católica nas questões do matrimónio e da vida humana. Um especialista no seu direito, ele é considerado um perito em bioética, tendo mantido sempre uma posição fortemente tradicional a respeito da indissolubilidade do casamento. No final dos dois Sínodos da Família em 2015, ele deixou claro que a Igreja Católica Romana deveria manter o seu ensinamento na recusa da Comunhão aos divorciados “recasados”.

O cardeal Eijk recebeu formação sacerdotal no seminário tradicional de Rolduc, na província meridional de Limburg, e foi nomeado bispo da diocese de Groningen por São João Paulo II em 1999 , antes de ser designado para uma sé mais importante, Utrecht, em 2007, pelo Papa Bento XVI, e tornar-se arcebispo em 2008. Foi criado cardeal em fevereiro de 2012. A sua adesão fiel aos ensinamentos da Igreja criou-lhe muitos inimigos, mesmo entre seus irmãos bispos neerlandeses.

Os comentários do cardeal surgem cerca de três semanas depois de três bispos se pronunciarem contra a interpretação da Amoris Laetitiado feita pelo próprio Papa Francisco, alegadamente porque esta, de facto, permite que alguns divorciados recasados acedam à Sagrada Comunhão. Os bispos disseram que essa leitura está a causar “confusão crescente”, é “estranha” à fé católica e fará alastrar a “chaga do divórcio” na Igreja.

O sucessor do cardeal Eijk na diocese de Groningen-Leeuwarden, o bispo recém-consagrado Ron van den Hout, permite que a Sagrada Comunhão seja dada aos católicos “recasados”.

O bispo Ron van den Hout afirmou numa entrevista recente que a pergunta sobre a Sagrada Comunhão para os católicos “recasados” não era “um item muito importante”.

“Nunca recusei qualquer comunhão a ninguém e não farei isso nos próximos tempos”, disse o bispo Van den Hout depois de pressionado sobre o assunto.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 26 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Bispo austríaco assina declaração que diz que a leitura feita pelo Papa à Amoris Laetitia é “estranha” à fé católica

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Por Diane Montagna

6 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O bispo D. Andreas Laun, auxiliar emérito de Salzburgo, na Áustria, assinou hoje a “Profissão de Verdades Imutáveis ​​em relação ao Matrimónio Sacramental”, elevando o número de signatários para seis bispos e um cardeal.

Na segunda-feira,os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

O bispo D. Laun é membro dos Oblatos de São Francisco de Sales. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1967 e nomeado bispo auxiliar de Salzburgo, Áustria, a 25 de março de 1995. Laun foi ainda professor de teologia moral na Faculdade de Filosofia e Teologia de Heiligenkreuz, na Áustria.

Em dezembro de 2016, o bispo Laun disse, numa entrevista, que compartilhava as preocupações dos quatro cardeais dos “dubia” relativamente a certas passagens da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, a Amoris Laetitia. “Eu li as preocupações dos quatro cardeais e concordo com eles”, afirmou. “Além disso, conheço pessoalmente os cardeais Meisner e Caffarra e sei como eles são competentes. Com eles, estou na melhor companhia.”

O bispo D. Laun completou 75 anos no dia 13 de outubro do ano passado. O Papa Francisco aceitou a sua resignação nesse mesmo dia devido à sua idade.

A sua adesão à profissão eleva para sete o número total de signatários. O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo metropolita emérito de Riga, Letónia, assinou o documento na passada sexta-feira. O ex-núncio apostólico dos Estados Unidos, D. Carlo Maria Viganò, e o arcebispo emérito D. Luigi Negri, juntaram-se à profissão de “verdades imutáveis ​​sobre o casamento sacramental” na passada quinta-feira.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 6 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Cardeal subscreve a declaração que afirma que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

Janis Pujats

Por Diane Montagna

ROMA, 5 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal D. Janis Pujats, arcebispo emérito metropolita de Riga, na Letónia, juntou-se aos três bispos do Cazaquistão e aos dois arcebispos italianos, assinando a “Profissão de Verdades Imutáveis em relação ao Matrimónio Sacramental”, confirmou o LifeSiteNews.

A adição da assinatura do cardeal Janis Pujats eleva para seis o número de signatários.

No início desta semana, os bispos do Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, auxiliar de Astana, D. Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana e D. Jan Pawel Lenga, arcebispo de Karaganda, emitiram uma “profissão pública e inequívoca da verdade” sobre os ensinamentos da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento, apresentando-a como um “serviço de caridade verdadeira” prestado à Igreja de hoje e ao Papa.

A declaração dos bispos do Cazaquistão surge como resposta à interpretação dada pelo Papa Francisco e por alguns bispos à exortação Amoris Laetitia, a qual permite que alguns divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) tenham acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão.

Os bispos afirmaram que tal leitura está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” a toda a tradição e fé católicas.

A adesão do cardeal letão à profissão segue-se à do ex-núncio dos EUA, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, e do arcebispo emérito D. Luigi Negri, de Ferrara-Comacchio, no Norte da Itália.

Pujats ingressou no Seminário Teológico de Riga, na Letónia, tendo aí permanecido até este ter sido encerrado pela União Soviética em 1951. Dois meses depois, numa cerimónia secreta, seria ordenado sacerdote pelo arcebispo Antonijs Springovičs. Em 1991, foi nomeado arcebispo de Riga. Em 21 de fevereiro de 1998, foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II. O seu cardinalato foi tornado público no consistório em 21 de fevereiro de 2001. O cardeal Pujats foi um dos cardeais eleitores que participaram no conclave de 2005 para eleger o Papa Bento XVI. Fala russo, polaco, lituano, alemão e latim, para além do seu letão nativo.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Ex-núncio dos EUA junta-se aos bispos do Cazaquistão, considerando que a leitura que o Papa faz da Amoris Laetitia é “estranha” à Fé Católica

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ROMA, 2 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) – Dois arcebispos italianos juntaram-se aos três bispos do Cazaquistão na profissão das “verdades imutáveis ​​sobre o matrimónio sacramental”.

Tal como os bispos do Cazaquistão, o Arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, e Sua Excelência Luigi Negri, arcebispo emérito de Ferrara-Comacchio, criticaram a interpretação oficial do Papa Francisco sobre a Amoris Laetitia, que permite a alguns divorciados “recasados” receberem a Sagrada Comunhão.

No mês passado, o Papa Francisco decidiu declarar formalmente a interpretação dos bispos de Buenos Aires da Amoris Laetitia “autêntico magistério”.

Na profissão publicada a 2 de janeiro, os bispos do Cazaquistão, incluindo D. Athanasius Schneider, de Astana, afirmam que a interpretação oficial do Papa, assim como as de outras conferências episcopais, como a da Alemanha ou de Malta, está a causar “crescente confusão“, fará alastrar a “chaga do divórcio ” e é “estranha” para toda a Tradição e fé católicas.

Por causa da “crescente confusão” que se tem espalhado entre clérigos e leigos, os bispos reafirmam o ensinamento constante da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento e argumentam que a admissão de divorciados “recasados” (que não obtiveram nulidade matrimonial e não vivem em continência sexual) aos sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão equivale a “uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja”.

Os bispos sublinham a sua “grave responsabilidade” e “dever diante dos fiéis”, que esperam deles uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio”.

“Por esta razão, não nos é possível calar”, acrescentam.

O arcebispo Carlo Maria Viganò foi ordenado sacerdote a 24 de março de 1968. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé em 1973 e trabalhou em missões diplomáticas papais no Iraque e na Grã-Bretanha. Foi nomeado Enviado Especial e Observador Permanente da Santa Sé no Conselho da Europa, em 1989, em Estrasburgo, e Núncio Apostólico na Nigéria, pelo Papa João Paulo II, em 1992. No final da sua missão na Nigéria, Viganò foi designado funcionário da Secretaria de Estado. Posteriormente, em 2009, foi nomeado Secretário-Geral do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, cargo que desempenhou até à sua nomeação, em 2011, como Núncio Apostólico para os Estados Unidos. O seu irmão Lorenzo é um sacerdote jesuíta.

O arcebispo Luigi Negri foi ordenado sacerdote a 28 de junho de 1972 e nomeado bispo de San Marino-Montefeltro, pelo Papa João Paulo II, a 17 de março de 2005. Em dezembro de 2012, tornou-se arcebispo de Ferrara-Commacchio, um ofício que realizou até 3 de fevereiro de 2017.

“O arcebispo Negri é conhecido como enérgico pastor, teólogo e filósofo; o bispo Viganò é considerado um diplomata e excelente administrador”, informou a agência de notícias italiana Corrispondenza Romana em comunicado divulgado no início desta noite em Roma.

Ambos os arcebispos participaram numa conferência no âmbito da aproximação do 50º aniversário da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. A conferência, intitulada Humanae Vitae aos 50: Estabelecendo do Contexto, teve lugar na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, em outubro passado, e contou com as palestras do cardeal alemão Walter Brandmüller, do historiador italiano Prof. Roberto de Mattei e do filósofo austríaco Prof. Joseph Seifert. Pretendia oferecer aos participantes a oportunidade de estudar a Humanae Vitae no contexto do seu tempo, bem como o seu lugar na continuidade do ensino perene da Igreja e na vida dos católicos de hoje.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 2 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Presente de Natal do bispo Schneider: uma lista de “o que fazer” para salvar a fé

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Por John-Henry Westen

22 de dezembro, 2017 (LifeSiteNews) – O bispo do Cazaquistão D. Athanasius Schneider é um pensador muito prático, assim como um grande teólogo, um poliglota e um dos prelados mais corajosos da Igreja Católica. No ano passado, ele ofereceu 12 passos para sobrevivência da família católica numa terra de lixo herético. Agora, numa nova entrevista, ele oferece uma lista de “o que fazer” para os tempos em que vivemos hoje.

Na entrevista, à Polonia Christiana, da Polónia, o bispo Schneider faz uma fascinante comparação dos tempos da heresia ariana com a atual crise da Igreja.

“Durante a grande crise ariana do séc. IV, os defensores da Divindade do Filho de Deus foram rotulados como “intransigentes” e também como “tradicionalistas”, afirmou. “Santo Atanásio foi até excomungado pelo Papa Liberius, tendo o Pontífice justificado isso com o argumento de que Atanásio não estava em comunhão com os bispos orientais, os quais eram, na sua maioria, hereges ou semi-hereges”.

E agora, sem mais demoras:

A lista de tarefas do bispo Schneider para salvar hoje a fé

1. Temos de encorajar os católicos comuns a serem fiéis ao Catecismo que aprenderam, a serem fiéis às palavras claras de Cristo no Evangelho, para serem fiéis à fé que receberam de seus pais e antepassados.

2. Temos de organizar círculos de estudo e conferências sobre o ensino constante da Igreja em relação à questão do casamento e da castidade, convidando especialmente os jovens e os casados.

3. Temos que mostrar a beleza de uma vida em castidade, a beleza do casamento e da família cristã, o grande valor da cruz e do sacrifício nas nossas vidas.

4. Temos de apresentar cada vez mais os exemplos dos santos e de pessoas exemplares que demonstraram que, apesar de terem sofrido as mesmas tentações da carne e a mesma hostilidade e escárnio do mundo pagão, levaram, ainda assim, com a graça de Cristo, uma vida feliz em castidade, num casamento cristão e em família.

5. Temos de fundar e promover grupos de jovens de coração puro, grupos de famílias, grupos de casais católicos que se comprometam com a fidelidade dos seus votos matrimoniais.

6. Temos de organizar grupos para ajudar as famílias mortal e materialmente quebradas e as mães solteiras; grupos para assistir com oração e bons conselhos os casais separados;  grupos e pessoas para ajudar os “divorciados recasados” a iniciar um processo sério de conversão, isto é, reconhecendo com humildade a sua situação pecaminosa e abandonando, com a graça de Deus, os pecados que violam o mandamento de Deus e a santidade do sacramento do matrimónio.

7. Temos de criar grupos para ajudar cuidadosamente as pessoas com tendências homossexuais a entrar no caminho da conversão cristã, o caminho feliz e belo de uma vida casta, oferecendo-lhes eventualmente, de forma discreta, uma cura psicológica.

8. Temos de mostrar e pregar aos nossos contemporâneos do mundo neopagão a Boa Nova libertadora ensinada por Cristo, que os mandamentos de Deus – mesmo o sexto mandamento é sábio – são belos: “A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria ao homem simples. Os mandamentos do Senhor são retos, alegram o coração; os preceitos do Senhor são claros, iluminam os olhos (Sl 19, [18]: 7-8).”

9. Cardeais, bispos, sacerdotes, famílias católicas e jovens católicos têm de dizer a si mesmos: recuso conformar-me com o espírito neopagão deste mundo, mesmo quando esse espírito é propagado por alguns bispos e cardeais; não aceito que façam uso falacioso e perverso da misericórdia, que é santa e divina, e do “novo Pentecostes”; recuso lançar incenso diante da estátua do ídolo da ideologia do género, do ídolo dos segundos casamentos e do concubinato, mesmo que o meu bispo o faça, eu não o farei; com a graça de Deus, eu prefiro sofrer do que trair toda a verdade de Cristo sobre a sexualidade humana e o casamento.

A entrevista completa com o bispo Schneider encontra-se aqui [em inglês].

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de dezembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 12/2017

Presépio “sexualmente sugestivo” do Vaticano tem preocupantes ligações aos ativistas LGBT da Itália

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Por Diane Montagna

ROMA, 20 de dezembro, 2017 (LifeSiteNews) —A cena do presépio do Vaticano com um homem nu, um cadáver e nenhuma ovelha ou boi é oferta artística de uma abadia que é o foco das atenções dos ativistas LGBT italianos, como se constatou.

Investigações realizadas pelo LifeSiteNews revelaram que a Abadia de Montevergine, que doou o inovador “Presépio da Misericórdia”, abriga a imagem mariana que foi adotada como padroeira pelos ativistas LGBT italianos. O santuário da abadia é o destino anual de uma espécie de peregrinação sagrada e profana “ancestral do orgulho gay” que, segundo um ativista LGBT, nos últimos anos ganhou a “participação política ativa da comunidade LGBT”.

Um funcionário do governo do Vaticano disse ao LifeSiteNews que a abadia de Montevergine propôs inicialmente a ideia original para o “Presépio da Misericórdia”. O Vaticano discutiu e desenvolveu um projeto mais detalhado com a abadia, apresentando os planos finais ao Secretário de Estado e ao Papa Francisco para aprovação, a qual fora devidamente concedida.

“A presença da cena do Presépio do Vaticano é para nós uma razão para estarmos ainda mais felizes este ano”, afirmou Antonello Sannini, presidente do grupo de ativistas homossexuais Arcigay de Nápoles, ao LifeSiteNews, na terça-feira. “Para a comunidade homossexual e transexual em Nápoles, é um importante símbolo de inclusão e integração”.

Fúria em relação ao Presépio

A fúria sobre o Presépio Natalício explodiu no Twitter, na semana passada, quando as fotos de uma figura masculina quase completamente nua, representando a obra de misericórdia corporal “vestir os nus”, correram as redes sociais, originando controvérsia e duras críticas.

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Presépio do Vaticano: homem nu representando a obra de misericórdia corporal “vestir os nus”.

Os espectadores lamentaram a “localização proeminente e a pose lânguida” da figura, de acordo com o [portal de notícias] Breitbart, que informou que a pose da figura “levou muitos, nas redes sociais, a sugerir que existe um tom vagamente homoerótico na cena”.

O Facebook, acrescentando à fúria, rejeitou a foto, alegando a sua política contra imagens “sexualmente sugestivas ou provocativas”.

Um observador referiu, realtivamente ao pobre homem que precisa de roupas: “Eu trabalhei com um treinador pessoal. Esse tipo tem passado duas horas por dia, seis dias por semana no ginásio .”

“Esta horrível exposição, um atentado sacrílego, altamente enganoso e malévolo, que tenta transformar, na Praça de São Pedro, a santa inocência da manjedoura numa ferramenta de lobby do movimento dos direitos homossexuais, é apenas o último ato diabólico, mas é sintomático deste pontificado”, disse ao LifeSiteNews uma fonte próxima do Vaticano.

Entretanto, Antonio Cantone, o artista napolitano que criou o presépio, pareceu sugerir que pretendia que fosse provocativo.

“Não é um presépio efeminado; é particular e faz-nos pensar”, disse ele. “Não deixa ninguém indiferente; existem provocações”.

Entra um ícone mariano

O Presépio de Natal deste ano apresenta também uma reprodução do belo e antigo ícone de Nossa Senhora de Montevergine. O ícone original, alojado numa capela do santuário da montanha, mede [cerca de] 4 metros de altura por dois de largura, ilustrando a Santíssima Virgem sentada num trono com o divino Menino Jesus sentado no colo.

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Reprodução do ícone de Nossa Senhora de Montevergine colocada no lado esquerdo do Presépio do Vaticano.

A imagem mariana é escura, portanto o ícone é muitas vezes referido como uma das “Virgens Negras”. Entre a população local italiana, a sua aparência escura fez com que acreditassem que ela fazia parte da classe dos servos e então tornou-se carinhosamente conhecida pelos fiéis como a “Mamma Schiavano” ou “Mãe Escrava”.

Todos os anos, Nossa Senhora de Montevergine é homenageada por duas peregrinações ao seu santuário da montanha: uma a 2 de fevereiro, na festa da Purificação da Santíssima Virgem Maria, ou Candelária; e a outra a 12 de setembro, na festa do Santíssimo Nome de Maria, que é precedida por uma celebração de três dias.

Na noite anterior à festa, os peregrinos ficam alojados em Ospedaletto d’Alpinolo, a vila mais próxima da abadia, antes de fazerem a “sagliuta” ou “juta” (do italiano “salire“, que quer dizer subir) a pé ao santuário de Nossa Senhora de Montevergine no início da manhã seguinte. A celebração de três dias mistura o sagrado e o profano, incluindo danças e músicas acompanhadas por grandes pandeiros.

A “juta dei femminielli”

Nossa Senhora de Montevergine tem um significado particular para os homossexuais e transgéneros de Itália. Nossa Senhora de Montevergine salvou dois homossexuais da morte no inverno de 1256. O casal havia sido espancado, conduzido de noite pela cidade e levado para a montanha onde foram atados a uma árvore e abandonados para morrerem ao frio ou serem comidos por lobos. De acordo com a lenda, Nossa Senhora de Montevergine teve pena deles e libertou-os “miraculosamente”. Em 2017, o La Repubblica chamou-lhe “o milagre progressivo de uma Senhora amiga dos gays“.

Mais frequentemente, ela é conhecida como a mãe “que concede tudo e perdoa tudo”.

A “juta dei femminielli” (subida dos femminielli) é, portanto, realizada anualmente no dia da Candelária, para recordar a lenda através da música e da dança. Femminielli é um termo usado, na cultura napolitana tradicional, para referir uma população de homossexuais masculinos com expressão marcadamente feminina.

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O anjo do Presépio do Vaticano deste ano.

A comunidade LGBT olha para Nossa Senhora de Montevergine também porque ela se senta no antigo templo onde a deusa pagã Cibele foi adorada. Num artigo de 2014, intitulado “a procissão dos femminielli“, o La Repubblica observou que os sacerdotes eunucos de Cibele castravam-se ritualmente “para oferecer o seu sexo como um presente à sua deusa, para renascerem com uma nova identidade”.

Antonello Sannino, presidente da Arcigay de Nápoles, explicou ao LifeSiteNews que a “juta dei femminielli” envolve uma “mistura de sagrado e profano”. Ao admitir a sua própria distância em relação à Igreja, Sannino disse que “existe uma forte devoção popular entre os crentes”, mas para outros representa uma consagração pessoal a uma divindade não-cristã.

A peregrinação anual da Candelária é uma espécie de “orgulho gay ancestral”, explicou ele, e tem sido uma “maneira de acolher na cultura da cidade [de Nápoles] a figura do femminiello, que é perturbadora numa sociedade binária de “masculino-feminino”.

Montevergine politizada

Em 2002, a peregrinação chegou aos jornais quando o então abade de Montevergine, Tarcisio Nazzaro, expressou o seu descontentamento com a presença dos “femminielli” napolitanos.

De acordo com o La Repubblica, Nazzaro disse-lhes durante a Santa Missa, : “As vossas orações não são orações, mas um clamor com o qual Nossa Senhora não fica satisfeita e, portanto, não são bem-vindas. Vocês são como os comerciantes que encheram o templo até que Jesus os expulsou.” Alegadamente, ele terá confiado mais tarde ao Sacristão: “Eu não tenho nada contra ninguém, não quis ofender ninguém e muito menos esses fiéis. Mas o que é demais é demais. Precisamos de um pouco de respeito pelo lugar sagrado e a dignidade do santuário tem de ser preservada”.

O Catecismo da Igreja Católica afirma nos parágrafos 2358 e 2359 que, embora as inclinações homossexuais sejam “objetivamente desordenadas”, os homens e mulheres que sofrem essa provação “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza” e “todo o sinal de discriminação injusta para com eles deve ser evitado”, mas, como todos os cristãos, eles são “chamados à castidade” e à perfeição cristã.

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Um corpo a ser empurrado para o local de sepultamento, no Presépio do Vaticano deste ano, representando a obra de misericórdia corporal “enterrar os mortos”.

Sannino não repreendeu o abade, mas achou que a presença na abadia, em 2002, de Vladimir Luxuria, o primeiro deputado transexual em Itália, precipitou a controvérsia. “Em 2002 foi muito político”, disse ele.

Esse incidente galvanizou o movimento LGBT, afirmou Ottavia Voza, presidente da Arcigay de Salerno, ao LifeSiteNews. Outro incidente menor ocorreu em 2010, mas a “participação ativa e política da comunidade LGBT” começou após a controvérsia de 2002.

Um novo abade e uma nova abordagem

Em setembro de 2014, sob o pontificado de Francisco, foi eleito um novo abade de Montevergine, Dom Riccardo Luca Guariglia. No início desse ano, Luxuria escreveu uma carta ao Papa Francisco, em nome da comunidade LGBT, e apresentou-a publicamente no Santuário de Montevergine, na peregrinação da Candelária. Ninguém sabe porém se essa carta obteve resposta. Uma tradução em inglês pode ser lida aqui.

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O homem nu domina a cena a partir deste ângulo.

Em 2017, os líderes da comunidade LGBT conheceram o abade Guariglia. Voza disse que as relações são agora “excelentes” e que, este ano, “tiveram a oportunidade de dialogar com o abade”. Voza contou ao LifeSiteNews que Vladimir Luxuria estava lá e que o abade “parou para falar connosco”. Não foi uma reunião privada mas, “em essência, ele deu-nos sua bênção”, continuou Voza, acrescentando que o incidente de 2002 “foi completamente superado”.

“Ele recebeu-nos”, disse Voza, “e entendeu a importância da presença da comunidade”.

As questões intensificaram-se politicamente também em 2017, quando ativistas LGBT inauguraram em Ospedaletto d’Alpinolo a primeira casa de banho “sem género” de Itália, durante a peregrinação de 2 de fevereiro, e autoridades civis locais ofereceram cidadania honorária a um par de homossexuais “casados”. Em conjunto com os ativistas LGBT, as autoridades civis também inauguraram uma placa, na entrada da cidade, onde se lê “Ospedaletto d’Alpinolo é contra a homotransfobia e a violência de género”.

Na cerimónia, Vladimir Luxuria declarou que a pequena cidade de Ospedaletto d’Alpinolo deveria servir de modelo para o resto da Itália.

O abade Guariglia foi entrevistado sobre a “juta dei femminielli” em 2017, tendo dito: “São Bento diz-nos que os convidados têm de ser recebidos como o próprio Cristo” e a abadia tem “esta peculiaridade, a de acolher todos os tipos de peregrinos que chegam ao santuário, em primeiro lugar, para prestar homenagem ou confiar-se à Mãe de Deus e depois, também, para celebrar os sacramentos”.

Regresso ao neopaganismo

Sannino acolheu a cena do Presépio do Vaticano dizendo que acredita que é um “símbolo importante da inclusão e integração”, no entanto, se isso significa uma maior abertura da Igreja, isso depende do “quão conscientes” estavam os funcionários do Vaticano relativamente à ligação aos ativistas LGBT na tomada de decisão. Sannino acrestentou: “Esperamos que a Igreja desenvolva finalmente um verdadeiro sentido de abertura no seguimento das palavras do Papa”, referindo-se ao comentário de Francisco “Quem sou eu para julgar?”. “A Igreja é extremamente lenta nas suas transformações”, acredita ele, estando bastante confiante que “isso também acontecerá”.

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Menino Jesus, coberto até ao Natal, cercado por aquilo que parecem ser querubins.

As pessoas em Roma, no entanto, questionam-se como será a resposta do Papa Francisco. Como em anos anteriores, espera-se que o Papa Francisco passe algum tempo em frente do Presépio, a orar em silêncio, no dia 31 de dezembro, depois das Vésperas e do canto da oração Te Deum de ação de graças na Basílica de São Pedro. A preocupação é se a imagem da sua oração silenciosa, em frente do ícone de Montevergine e do homem nu, posicionados em ambos os lados do Presépio, providenciará um sinal ou será usada para empurrar a agenda política de alguns elementos da comunidade LGBT.

Oficialmente, o Vaticano não tem feito comentários sobre o assunto, portanto não é claro o grau de consciência de quem tomou as decisões, no que concerne às ligações do Presépio à abadia de Montevergine, assim como as suas relações com os ativistas LGBT italianos. O LifeSiteNews contactou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, mas este recusou responder.

O italiano Roberto de Mattei, historiador da Igreja, da Fundação Lepanto, vê isto como a última tentativa de “paganizar a Itália e a Europa” através de meios indiretos, naquilo a que chama “neopaganização suave”.

Isto envolve a escolha de lugares do culto cristão “para devolvê-los às suas origens pagãs”, explicou De Mattei, enviando o cristianismo de volta à era das catacumbas, onde foi perseguido pelos pagãos. O movimento LGBT não é apenas político ou cultural, mas também um “movimento religioso” de características pagãs, acrescentou. “Isso não nos deve surpreender porque o sexo estava também no centro de muitos cultos pagãos”, disse De Mattei. “Isto, portanto, anuncia uma nova perseguição neopagã daqueles que permanecem fiéis ao catolicismo”.

De Mattei observou que no próximo ano completam-se 50 anos da revolução cultural ou sexual de 1968 e acredita que esta está a ser agora “transformada numa revolução religiosa”, onde o sexo, estando ainda no centro, está agora a ser “transformado numa divindade destinada a substituir o cristianismo”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 20 de dezembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade dos seus autores, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 12/2017

Bombástico: Livro afirma que Papa Francisco esperava a abdicação de Bento XVI

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Por Dorothy Cummings McLean

6 de dezembro, 2017 (LifeSiteNews) – Um novo e explosivo livro afirma não só que o Papa Francisco é um ditador manipulador com sede de poder, mas também que ele celebrou a abdicação de Bento XVI.

O Papa Ditador, escrito por um autor de pseudónimo Marcantonio Colonna, afirma mostrar como é o Papa Francisco quando o seu público de adoradores não está a observá-lo: “arrogante, sem consideração pelas pessoas, pródigo em linguagem vulgar e notório pelas furiosas explosões de temperamento, que são conhecidas por todos, desde os cardeais aos motoristas.”

Apesar da identidade oculta do autor, o livro chegou à lista dos best-sellers e recebeu o louvor dos experientes observadores do Vaticano.

De acordo com o livro, Francisco é um mestre da manipulação e estava plenamente consciente das duas tentativas para o eleger como Papa. Aquando do conclave de 2005 que elegeu o cardeal Ratzinger, o anteriormente conservador cardeal Bergoglio adotou uma nova posição progressista em consonância com a teologia dos seus patrocinadores. E parece que estava informado do ressurgimento dos seus planos no momento Bento XVI abreviou o seu próprio pontificado. De acordo com Colonna:

Em meados de 2012, alguns insiders da Cúria sabiam que o Papa Bento XVI estava a considerar a abdicação; ele havia confiado a sua intenção a dois dos seus associados mais próximos, ao Secretário de Estado, cardeal Bertone, e ao secretário papal, o arcebispo Ganswein, e tinha definido a data exata: 28 de fevereiro de 2013.

As comunicações do cardeal Bergoglio com Roma aumentaram abruptamente a partir dessa época, subindo para níveis agitados à medida que a data se aproximava. Como é certo, a 11 de fevereiro de 2013, o Papa Bento XVI fez o seu anúncio público aos cardeais e apanhou de surpresa quase o mundo inteiro; porém não Bergoglio e os seus associados, como descobriram testemunhas oculares.

No dia do anúncio em si, o reitor da catedral de Buenos Aires visitou o seu cardeal e encontrou-o exultante. Durante o seu encontro, o telefone não parou de tocar com as chamadas internacionais dos aliados de Bergoglio e eram todas chamadas de felicitação pessoal. Um amigo argentino, no entanto, menos informado do que os outros, ligou para perguntar sobre a notícia extraordinária e Bergoglio disse-lhe: “Não sabes o que isto significa.”

O reconhecido jornalista italiano e vaticanista Marco Tosatti, que escreve para o jornal italiano La Stampa, considerou O Papa do Ditador como “uma visão panorâmica” e “importante” dos eventos históricos do papado bergogliano até ao presente momento. Robert Royal, editor-chefe do The Catholic Thing e observador papal da EWTN, caracteriza O Papa Ditador como “muito mais minucioso e detalhado do que qualquer coisa que já apareceu” sobre o pontificado de Francisco.

Royal adverte que o livro “por vezes força a evidência”, mas acrescenta: “a enorme quantidade de evidência fornecida é impressionante. Cerca de 90% da qual é simplesmente irrefutável e não pode deixar de esclarecer quem é Francisco e como ele é”.

O semanário católico mais popular do Reino Unido comenta que O Papa Ditador é “por vezes duro”, mas elogia-o dizendo que “se baseia numa ampla gama de materiais, incluindo fontes confidenciais dentro do Vaticano”.

O livro online foi disponibilizado em inglês no dia 4 de dezembro. A partir de uma perspetiva interna, também aprofunda artigos e livros publicados sobre Francisco – alguns dos quais desapareceram das livrarias argentinas – para explicar o lado sombrio do pontificado de Bergoglio.

O “Jorge Bergoglio manipulador ” apresentado em O Papa Ditador contrasta surpreendentemente com o “Papa Francisco humilde” vendido ao público pelos média mundiais desde a data da sua eleição. Que efeito terá o primeiro sobre o segundo, será interessante descobrir.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 6 de dezembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 12/2017

Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Cardeal Burke: “urgência” em resolver os dubia “pesa bastante no meu coração”

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Por Claire Chretien

PARRAMATTA, Austrália, 22 de setembro, 2017 (LifeSiteNews) – Morreram dois dos quatro cardeais dos dubia que buscavam clareza moral junto do Papa Francisco a respeito dos seus controversos ensinamentos sobre o casamento e a família. Isso, contudo, não impedirá os restantes dois cardeais de continuarem o “importante trabalho de resolução dos dubia“, afirmou o cardeal Raymond Burke, um dos signatários dos dubia, em nova entrevista.

Numa ampla entrevista ao Catholic Outlook da diocese católica de Parramatta, Burke disse que “a urgência de uma resposta aos dubia deriva do dano causado às almas pela confusão e pelo erro que se produz enquanto as questões fundamentais levantadas não são respondidas de acordo com o constante ensino e prática da Igreja”.

Essa urgência “pesa muito no meu coração”, afirmou.

A confusão acerca da Amoris Laetitia levou as pessoas a “sentir que a Igreja não é um ponto de referência seguro”, disse Burke.

“Não há clareza sobre esses assuntos”, disse ele. “Essas pessoas estão numa situação muito complicada. É demonstrável, é um facto que temos conferências episcopais que se contradizem a respeito da Amoris Laetitia, os Bispos contradizem-se; temos fiéis leigos que discutem uns com os outros sobre isso; e tantos sacerdotes sofrem particularmente porque os fiéis chegam até eles à espera de certas coisas que não são possíveis, isto porque receberam uma dessas interpretações erróneas da Amoris Laetitia. Como resultado, deixam de entender o ensinamento da Igreja”.

“Sabemos que na Igreja temos apenas um guia, o Magistério, o ensinamento da Igreja, mas agora parecemos estar divididos entre os chamados campos políticos”, explicou Burke. “Além disso, mesmo a linguagem utilizada é muito mundana e isso preocupa-me muito.”

Burke, um dos mais firmes defensores da ortodoxia católica, disse que a Igreja pode dar “rumo” e conduzir à transformação cultural “em termos de respeito pela vida humana, respeito pela integridade da família e respeito pela liberdade religiosa”.

Burke sente a perda dos irmãos cardeais

Ele expressou ainda a sua tristeza pela perda de dois dos quatro signatários dos dubia, nomeadamente os cardeais Joachim Meisner e Carlo Caffarra. Dos quatro, apenas ele e o cardeal Walter Brandmüller continuam vivos.

Contou que Caffarra “sofreu profundamente” porque “a confusão e o erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

“Ao longo dos anos fui abençoado pela amizade do cardeal Carlo Caffarra, um excelente sacerdote e um académico em teologia do casamento e da vida familiar altamente conceituado”, afirmou Burke. “Durante os últimos três anos, trabalhei muito de perto com ele na defesa do casamento e da vida familiar face a uma crescente confusão e até mesmo erro, os quais entraram também na Igreja”.

“Em todos os encontros com o cardeal Caffarra fiquei impressionado com sua pureza de coração e com seu caráter totalmente sacerdotal”, continuou Burke. “Ele amava Cristo e o Seu Corpo Místico, a Igreja, com todo o seu coração. Por essa razão, sofreu profundamente pelo facto de que a atual situação de “confusão e erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

No entanto, Caffarra “nunca questionou a presença de Nosso Senhor connosco, de acordo com a Sua promessa aos discípulos, e nunca questionou a intercessão maternal da Virgem Mãe de Nosso Senhor”.

“Enquanto estamos tristes por perder a colaboração terrena desses dois grandes pastores e prelados, estamos certos de que eles continuarão a ajudar-nos com as suas orações inspiradas na sua caridade pastoral duradoura”, assegurou Burke.

Os liberais da Igreja “fazem ataques pessoais” enquanto apelam ao “diálogo”

Burke explicou que é muitas vezes mal retratado pelos média que o apresentam fundamentalmente em oposição ao Papa.

“Retratam o Papa Francisco como uma pessoa maravilhosa e aberta e não há nada de errado com isso, mas descrevem-me como o oposto”, disse Burke. “Eu acredito que qualquer pessoa que tenha tido alguma experiência comigo enquanto sacerdote ou bispo diria que sou muito pastoral e, de facto, não vejo nenhuma contradição entre ser pastoral e ser fiel no anúncio dos ensinamentos da Igreja e no cumprimento das leis da Igreja.”

“Eles fazem uma caricatura de alguém que pede clareza sobre certos assuntos, dizem “bem, ele é o inimigo do Papa” e está a tentar construir uma oposição ao Papa, o que, de todo, não é o caso, como é evidente“, disse Burke.

Burke criticou a tendência dos progressistas da Igreja que atacam pessoalmente qualquer pessoa que discorde deles enquanto fingem que são a favor do “diálogo”.

“Aquilo que me apercebo constantemente é que os ditos liberais, as pessoas que incitam à revolução na Igreja e tudo o mais, são liberais e querem diálogo mas só enquanto concordamos com eles”, disse Burke. “A partir do momento em que colocamos uma questão, eles tornam-se muito arrogantes, fazem ataques pessoais, aquilo a que chamamos argumentos de ad hominem, entre outras coisas. Isso realmente não é útil. Estamos a falar de verdades, estamos a falar de factos e devemos evitar esses tipos de ataques”.

“É um modo muito mundano de tratar as coisas, o qual não deve existir na Igreja, mas é aí que estamos neste momento”, disse ele. “As pessoas até fazem comentários depreciativos sobre outras pessoas quando não concordam com elas”.

“Bem, refiro-me a: «O que é que eu dise que não é verdade?» E eu respondo a isso”, continuou o cardeal. “Se me acusarem simplesmente de estar «fora de tom», «fora de contacto», ou seja o que for, «medieval», ou iludido, não há resposta para isso”.

Burke disse que reza pelos cardeais e outros na Igreja que o atacam.

“Eles são cardeais da Igreja” e em “posições de enorme responsabilidade”, afirmou. “Tenho também uma certa fraternidade com eles como membros do mesmo Colégio, o Colégio dos Cardeais, portanto nem é preciso dizer” que rezo por eles.

Esperança em Nosso Senhor

Burke encorajou os católicos a nunca desistirem da esperança, “independentemente de qualquer confusão ou mesmo divisões que entrem na Igreja”.

“Devemo-nos agarrar de forma mais fiel ao que a Igreja sempre ensinou e praticou”, disse o cardeal. “E assim iremos realmente salvar as nossas próprias almas, com a ajuda da graça de Deus, da qual, obviamente, nos devemos sempre aproximar.”

“Nosso Senhor está sempre connosco na Igreja”, continuou ele. “Ele é o nosso principal sacerdote e guia, portanto devemos ter confiança em seguir uma vida cristã. Devemos ter esperança Nele”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

Correção Formal ao Papa Francisco: 12 factos que é preciso conhecer

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Por Dorothy Cummings McLean

ROMA, Itália, 18 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Em entrevista ao The Wanderer, no dia 14 de agosto, o cardeal Leo Burke afirmou ser “necessária” uma “correção” formal de alguns dos ensinamentos do Papa Francisco a respeito do casamento e da família.

Aqui estão 12 factos sobre a correção proposta:

1) A correção será uma tentativa de eliminar a confusão e sanar as divisões na Igreja Católica causadas por divergentes interpretações da exortação pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

2) A correção seguirá os cinco dubia (perguntas) sobre as implicações doutrinais dos parágrafos 300 a 305 da Amoris Laetitia enviados ao Papa Francisco e ao Cardeal Gerhard Müller, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 19 de setembro de 2016.

3) Os dubia, assim como a carta anexa, foram assinados pelos cardeais Walter Brandmüller, Carlo Caffarra, Joachim Meisner (agora falecido) e Raymond Burke.

4) O Papa Francisco optou por não responder aos dubia e, por conseguinte, a confusão e a divisão a respeito da Amoris Laetitia mantêm-se dentro da Igreja Católica, necessitando de uma correção.

5) Como evidência desta divisão, afirmou o cardeal Burke ao The Wanderer, “Os bispos contam-me que, quando insistem no verdadeiro ensinamento da Igreja a respeito das uniões matrimoniais irregulares, as pessoas simplesmente rejeitam os seus ensinamentos. Dizem que outro bispo ensina de modo diferente e eles preferem segui-lo”.

6) Como evidência adicional da divisão, o cardeal Burke citou o arcebispo de Malta, que declarou que os bispos malteses “seguem o ensinamento do Papa Francisco e não o de outros Papas”, uma afirmação que o cardeal Burke considera “chocante”.

7) Apesar de não ter acontecido durante séculos uma correção formal a um Pontífice reinante em questões doutrinárias, já houve correções a Papas anteriores em várias questões, incluindo assuntos administrativos.

8) A correção proposta afirmará o ensino claro da Igreja Católica a respeito do casamento, família, atos intrinsecamente maus e outros assuntos postos em causa pela Amoris Laetitia, confrontando-os com o que tem sido “de facto ensinado” pelo Papa Francisco.

9) Se houver uma correção, ela chamará o Papa Francisco a corrigir os seus ensinamentos em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja.

10) A correção constituirá uma declaração formal à qual o Papa Francisco será, na opinião do cardeal Burke, “obrigado” a responder.

11) O cardeal Burke afirmou que o Pontífice Romano é o princípio da unidade entre todos os bispos, tendo portanto a responsabilidade de pôr termo à atual divisão entre os bispos através de um pronunciamento claro do ensinamento da Igreja.

12) Rejeitando qualquer tipo de cisma formal, o cardeal Burke acredita que existe atualmente apostasia dentro da Igreja, conforme fora previsto por Nossa Senhora de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18  de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017