Quando o governo laico de uma nação em apuros pisca o olho a outro demónio

Enquanto milhões de ucranianos, desesperados, se viram para Deus, para que os livre da figura demoníaca de Vladimir Putin, o governo laico da Ucrânia pisca olho a outro demónio, o do homossexualismo. Em resposta a uma petição pública com mais de 28 000 assinaturas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy pediu ao seu governo para estudar a possibilidade de legalização do casamento homossexual, à semelhança do que já existe na maioria das democracias ocidentias pós-cristãs.

Marcha do Orgulho Gay de Berlim, no dia 23 de julho de 2022. Fonte: birdinflight.com.

É neste dilema existencial, entre o aberracionismo pseudodemocrático ocidental e a atitude desafiadora da ditadura criminosa russa, que se prendem as raízes do novo tradicionalismo “Z” de alguns setores católicos que, de forma mais ou menos assumida, idolatram o assassino Vladimir Putin, como se um cristão tivesse a obrigação de escolher entre o melhor de dois demónios…

Mariupol ao fim de dois meses de “operação especial” putinista

Esta é a cidade ucraniana cujo nome é uma homenagem a Nossa Senhora. Há apenas dois meses, era uma cidade pacífica e aprazível, onde centenas de milhares de pessoas eram felizes. Bastaram algumas semanas de “desnazificação” e ficou com este aspeto desolador.

Mercenários putinistas chechenos festejam a “libertação” de Mariupol com um “Allahu Akbar“:

Esta “operação” ou o que lhe quiserem chamar é claramente uma obra do Diabo.

Arcebispo ucraniano adverte contra o apaziguamento dos separatistas apoiados pela Rússia quando os combates se intensificam

sviatoslav

Por Catholic News Service

Com a intensificação dos combates no leste da Ucrânia, o Arcebispo-mor da Igreja Católica Ucraniana advertiu contra as atitudes de “apaziguar o agressor” na guerra contra os separatistas apoiados pelos russos, que já dura há cinco anos.

“Por mais que tentemos curar as feridas da guerra, não disso terá um efeito definitivo até que o agressor pare de infligir essas feridas.”

Assim explicou o Arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, de Kiev-Halic, acrescentando:

“Paz não pode significar capitulação e submissão – isso seria uma imitação de paz com consequências piores do que a própria guerra. […] Seria apenas uma mudança na maneira como as pessoas são feridas.”

O arcebispo prestou estas declarações à agência de notícias ucraniana Censor.net, no dia 14 de agosto, na mesma altura em que as agências internacionais davam conta de novas mobilizações e bombardeamentos de forças apoiadas pela Rússia no leste da Ucrânia, inclusive em torno do porto sitiado de Mariupol, no Mar de Azov.

Afirmou ainda que o conflito nas auto-proclamadas “repúblicas populares” de Donetsk e Luhansk “abriu uma cicatriz viva” na sua Igreja, deixando 11 paróquias sob controlo separatista e impossibilitando o bispo local de regressar à região ao longo dos últimos cinco anos.

Outras cinco paróquias católicas na Crimeia, anexadas à força pela Rússia em 2014, têm funcionando agora sob “o cuidado pessoal” do Vaticano, disse o arcebispo Shevchuk.

“Eu tentei dar voz àqueles que sofrem com esta guerra e transmitir o que deve ser uma verdadeira paz.”

O líder dos católicos ucranianos disse ainda:

“Nós sabemos, da história, que apaziguar o agressor apenas alimenta seu apetite. É muito importante falar sobre a dor que o nosso povo sofre e lembrar, quando negociamos com um agressor destes, os olhos de uma mãe que perdeu o seu filho na guerra. Nós devemos ser a voz dessas pessoas afetadas. Até que sejam honradas e compensadas ​​pelo mal que lhes fizeram, que justiça poderão elas esperar?”

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que pelo menos 13.000 soldados e civis foram mortos e 30.000 feridos durante o conflito no leste da Ucrânia, onde 60.000 tropas ucranianas se mantêm ao longo de uma linha de 400 quilómetros, frente a 35.000 separatistas, mercenários estrangeiros e militares russos.

Nos dias 14 e 15 de agosto, o Ministério da Defesa da Ucrânia denunciou 25 violações do cessar-fogo de 21 de julho.

Uma missão especial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) denunciou que desaparecera um drone de reconhecimento sobre Obozne, uma localidade ocupada pelos separatistas a norte de Luhansk, e que havia documentado a mobilização de tanques, obuses e armas antitanque para além das linhas de retirada estabelecidas, violando os acordos assinados em Minsk, Bielorrússia, em 2014 e 2015.

Na sua entrevista ao Censor.net, o arcebispo Shevchuk disse estar satisfeito por o presidente Volodymyr Zelenskiy, um ex-ator e humorista eleito em maio, encarar a guerra como “o seu desafio mais importante” e estar pronto para escutar a posição dos católicos ucranianos através de conversas e partilha.

“A Ucrânia está a sofrer porque um agressor deseja destruir nosso Estado – um Estado que é um bem comum, não apenas para os ucranianos na Ucrânia, mas para todas as pessoas, independentemente da pertença religiosa ou nacional.”

As igrejas católicas orientais e latinas da Ucrânia, juntamente com 50 associações religiosas e organizações de direitos humanos, subscreveram uma petição de 25 de julho dirigida à ONU, à União Europeia e a outras organizações internacionais, instando a Rússia a libertar os reféns e prisioneiros de guerra, a acabar com a “perseguição política” na Crimeia e no leste da Ucrânia e ainda a permitir a liberdade religiosa e o acesso irrestrito a observadores internacionais.

A edição original deste texto encontra-se publicada no Crux com a data de 16/08/2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original. A imagem não faz parte da publicação original.

Basto 08/2019