Aborto e homossexualidade mostram que chegou a “batalha final” entre Deus e Satanás – Cardeal Caffarra

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Por Dorothy Cummings McLean e Pete Baklinski

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – A profecia da Irmã Lúcia, vidente de Fátima, de que a batalha final entre Deus e Satanás será sobre o casamento e a família está a ser hoje cumprida, afirmou um cardeal discursando numa conferência católica em Roma.

“O que disse a Irmã Lúcia naqueles dias está a cumprir-se nestes nossos dias”, disse o Cardeal Carlo Caffarra, um dos signatários dos dubia que é arcebispo emérito de Bolonha e ex-membro do Conselho Pontifício para a Família, numa sessão de perguntas e respostas posterior ao seu discurso.

Caffarra fez os seus comentários no IV Fórum anual da Vida em Roma. Depois da sua apresentação, o cardeal Raymond Burke, outro signatário dos dubia, pediu para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Caffarra, que é o presidente fundador do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimónio e a Família, fez os seus comentários a respeito da “batalha final” em alusão a uma carta que escreveu à Ir. Lúcia, no início dos anos 80, para pedir as suas orações, quando iniciou a sua nova tarefa de fundar o instituto. Ele nunca esperara uma resposta.

Porém, para sua surpresa, Caffarra recebeu uma longa carta assinada pela Ir. Lucia, na qual falava sobre a “batalha final” que chegaria no fim dos tempos.

A vidente de Fátima escreveu que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimónio e da Família. Não temam, acrescentou, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimónio e da Família será sempre combatida e enfrentada de todas as formas, porque este é o ponto decisivo. Depois concluiu: entretanto, Nossa Senhora já esmagou sua cabeça’”.

A carta está agora nos arquivos do Instituto Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimónio e a Família.

A batalha

Caffarra explicou, durante a sua apresentação, que existem duas forças que se opõem uma à outra na batalha. Uma é o “Coração ferido do Crucificado-Ressuscitado”, que chama a todos os homens para si mesmo. A outra é o “poder de Satanás, que não quer ser expulso do seu reino”.

O cardeal disse que o lugar onde esta batalha acontece é o coração humano.

“Jesus, a Revelação do Pai, exerce forte atração para Si mesmo. Satanás trabalha contra isso, para neutralizar a força atrativa do Crucificado-Ressuscitado. A força da verdade que nos torna livres atua no coração do homem. A força satânica da mentira é a que faz de nós escravos”, disse ele.

As duas forças de atração dão origem a duas culturas, afirmou, a “cultura da verdade e a cultura da mentira”.

“Há um livro na Sagrada Escritura, o último, o Apocalipse, que descreve o confronto final entre os dois reinos. Nesse livro, a atração de Cristo toma a forma de triunfo sobre os poderes inimigos comandados por Satanás. É um triunfo que surge depois de um longo combate. Os primeiros frutos da vitória são os mártires”, disse ele.

Caffarra disse ainda que o aborto legalizado provém da “cultura da mentira”, onde o “crime” de assassinar um ser humano é visto como um “bem”.

O aborto é um “ato sacrílego”, disse ele, acrescentando que é a “negação mais profunda da verdade do homem”.

“A razão pela qual o homem não deve derramar o sangue do homem é porque o homem é a imagem de Deus. Através do homem, Deus habita na Sua criação. Essa criação é o templo do Senhor porque o homem habita nela. Violar a intangibilidade da pessoa humana é um ato sacrílego contra a Santidade de Deus. É a tentativa satânica de gerar uma anti-criação. Ao enobrecer a matança de seres humanos, Satanás lançou as bases para sua criação: remover da criação a imagem de Deus, obscurecer Sua presença nela”, disse ele .

O cardeal explicou que o “casamento” homossexual também provém da “cultura da mentira”, uma vez que “nega completamente a verdade do casamento” conforme procede da “mente de Deus, o Criador”.

“A Divina Revelação disse-nos como Deus entende o casamento: a união legal de um homem e uma mulher, a fonte da vida. Na mente de Deus, o casamento tem uma estrutura permanente, baseada na dualidade do modo humano de ser: feminilidade e masculinidade. Não dois polos opostos, mas um com e para o outro”, disse ele.

“A união entre um homem e uma mulher, que se tornam uma só carne, é cooperação humana no ato criador de Deus”, acrescentou.

Satanás, ao impulsionar as mentiras do aborto e da homossexualidade, está a tentar destruir os dois pilares mais importantes da criação, a “pessoa humana” criada à imagem de Deus e a “união conjugal” entre um homem e uma mulher.

“A elevação axiológica do aborto a direito subjetivo é a demolição do primeiro pilar. O enobrecimento de uma relação homossexual, equiparando-a ao casamento, é a destruição do segundo pilar “, afirmou Caffarra.

O objetivo final de Satanás é “construir uma anti-criação real”, uma “criação alternativa”, onde Deus e todos os sinais da sua beleza e bondade foram apagados.

“Este é o último e terrível desafio que Satanás está a lançar contra Deus”, acrescentou o Cardeal.

Ser um fiel seguidor de Cristo nestes tempos significa “testemunhar… aberta e publicamente” a verdade da criação de Deus a respeito da dignidade da pessoa humana e do casamento.

“Alguém que não testemunha desta maneira é como um soldado que foge no momento decisivo da batalha. Já não somos testemunhas mas desertores, se não falarmos aberta e publicamente”, disse ele.

Caffarra elogiou os eventos pró-vida da Marcha pela Vida que acontecem em todo o mundo como um “grande testemunho” da verdade a respeito do valor de cada pessoa.

Ele comparou os cristãos que defrontam o pecado aos médicos que combatem a doença, explicando à audiência que tal como perante a doença não pode haver acordo de paz, o mesmo acontece com o pecado.

“Seria um médico terrível aquele que adotasse uma atitude irenista (voltada para a paz) perante a doença”, disse ele. O significado do ditado de Santo Agostinho “Amar o pecador, odiar o pecado”, explicou o cardeal, significa “caçar o pecado”. Persegui-lo nos lugares escondidos das suas mentiras e condená-lo, trazendo à luz a sua insubstancialidade”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2017

Resposta a todas as dúvidas do momento – simples e pragmática

O Magistério da Igreja Católica, em matérias de matrimónio, família e amor conjugal, foi sujeito a uma avaliação, durante todo o processo sinodal que agora se encerra. Desde as paróquias, passando pelas dioceses e pelas conferências episcopais, até às duas assembleias sinodais, todos os fieis foram chamados a pronunciar-se sobre várias questões relacionadas com o tema da família. Foram levantadas e debatidas várias questões controversas, algumas por iniciativa do próprio Santo Padre, as quais colocaram em causa a continuidade da hermenêutica tradicional do Magistério da Igreja.

Finalmente, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica, Amoris Laetitia, e todas as questões levantadas deveriam estar agora esclarecidas, mas as dúvidas persistem, dada a variedade de interpretações a que o documento se presta.

Neste momento, um pouco por todo o lado, pergunta-se o seguinte:

  • O adultério é ainda um pecado mortal?
  • E a prática de relações homossexuais?
  • O pecado mortal ainda conduz ao inferno?
  • Será que o inferno existe mesmo?
  • Deve-se comungar quando se vive objetivamente em situação de pecado mortal?
  • Os chamados “percursos de discernimento pessoal e pastoral” são também para os “recasados” pela 2ª e 3ª vez? Qual é o número máximo de “recasamentos” admissível nesta solução pastoral?
  • Os pecados podem ser absolvidos a quem não se arrepende ou não tenciona corrigir a situação pecaminosa em que se encontra?
  • São João Batista teve um coração duro em relação a Herodes e Herodíade?
  • Henrique VIII e Ana Bolena não receberam misericórdia de São Tomás Moro? Nem o acolhimento de São João Fisher?

A “teóloga” Vicky Pollard ajuda-nos, de uma forma simples e pragmática, a perceber a nova resposta para todas estas e outras questões semelhantes.

Tradução: Sim, mas não, mas sim, mas não, mas sim, mas não, mas…

Ou em alternativa, de forma não menos simples nem menos pragmática, podemos seguir o tradicional Magistério da Igreja, nestas e noutras questões morais, doutrinais ou pastorais, cuja resposta foi sempre bem clara e segura.

 

Basto 4/2016

Exortação Apostólica – os sinais de um desastre anunciado

A apenas algumas horas da publicação da exortação apostólica pós-sinodal, “A Alegria do Amor”, marcada para amanhã, dia 8 de abril, pelas 11:30 (hora de Roma), os sinais são todos preocupantes. Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude nesta hora derradeira.

 

1. Os apresentadores

Apesar de a esmagadora maioria dos Padres Sinodais, nas duas sessões realizadas, ter-se expressado inequívocamente no sentido da preservação do tradicional entendimento católico sobre família e o casamento, não constam entre os apresentadores da exortação apostólica algum defensor da integridade da doutrina tradicional da Igreja. Deste modo, quem estará presente na apresentação da Amoris Laetitia será, respetivamente, o Cardeal Baldisseri, o Cardeal Schonborn e um casal de leigos formado por Francesco Miano e Giuseppina de Simone.

apresentadores

a) O Cardeal Baldisseri tornou-se conhecido pela forte manipulação do Sínodo de 2014 em favor da herética e minoritária fação kaspariana, facto que daria origem à revolta do Cardeal Pell. Baldisseri terá sido também, pelo que se diz por aí, o responsável pelo desaparecimento dos livros “Permanecer na Verdade de Cristo” que defendiam a doutrina católica sobre a família e se destinavam aos Padres Sinodais.

b) O Cardeal Schonborn defende abertamente a admissão de adúlteros à Sagrada Comunhão. Terá sido também ele que, alegadamente, esteve por trás da manobra para reconhecer “elementos positivos” nas “uniões homossexuais”.

c) O casal Francesco Miano e Giuseppina de Simone é composto por dois académicos italianos. Ele é um filósofo especializado em ética e moral, e ela é uma moderna teóloga. Não são garantia de defesa dos valores tradicionais da Igreja.

2. “A Aliança Perdida”

O Papa recebeu, durante a audiência geral desta semana, na Praça de São Pedro, um grupo de elementos da associação “L’Anello Perduto”, apenas a dois dias da publicação da exortação apostólica sobre a família. Trata-se de uma associação de apoio a divorciados civilmente recasados, da diocese italiana de Fossano.

3. O otimismo kasperiano

O herético Cardeal Kasper, considerado por muitos como o teólogo do Papa, tem-se mostrado certo de que o Santo Padre irá introduzir as suas heresias na exortação apostólica, apesar destas terem sido veemente rejeitadas pelos Padres Sinodais.

 

4. O manual de instruções

Numa carta enviada a todos os bispos do mundo, o Vaticano pretende preparar os fiéis de todas as dioceses para o conteúdo da exortação apostólica. Isto faz temer, à partida, algum conteúdo de difícil digestão, caso contrário, por que razão haveria necessidade de dar aos bispos pistas para interpretação da exortação apostólica? A secretaria-geral do Sínodo pede aos bispos que, nas suas dioceses, apresentem publicamente a exortação do Papa, informando que esta “não pretende mudar”, mas sim “recontextualizar” (?) a doutrina do Evangelho sobre o matrimónio e a família…

 

5. Os ausentes

Para já, e que se saiba, não estará presente algum dos cardeais que defenderam publicamente a doutrina tradicional da Igreja sobre moral e casamento durante os trabalhos do Sínodo da Família. Mas entre os grandes ausentes, destaca-se o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O mesmo que, pelo que se sabe, apresentou uma proposta de cerca de 40 páginas com sugestões de revisão ao documento.

 

6. As indicações inconclusivas do Santo Padre

Ao longo dos últimos tempos, o Santo Padre tem dado a entender que algumas questões devem ser descentralizadas e resolvidas a nível local, pelas conferências episcopais ou pelos bispos individualmente. Tem dito também que deve haver um “caminho” de “integração” dos divorciados recasados – podemos presumir que seja – em direção à comunhão eucarística, contudo, nunca refere a necessidade de conversão dessas pessoas, a necessidade de verdadeira reconciliação com Deus que só pode ser através da rejeição do adultério.

 

Conclusão

Ninguém espera um apelo do Papa Francisco à mudança doutrinária  sobre a moral familiar ou o Matrimónio. No entanto, muitos temem que a adulteração doutrinária possa vir a acontecer, na prática, através de uma transferência da autoridade moral para esferas regionais ou locais. Ou (e) ainda pela via pastoral, admitindo, na prática, que esta seja diferente da doutrina, o que seria aberrante e desolador.

Se a doutrina moral se descentralizar, a Igreja acabará por ruir. A moral e os dogmas não podem ser modificados localmente. O que é pecado num lugar, não deixa de o ser no outro, e o acesso à comunhão não pode ser feito quando alguém se encontra objetivamente e situação de pecado grave, como é o caso do adultério. Por outro lado, essa situação daria origem à criação de offshores onde o pecado passaria a ser considerado lícito, dependendo da abundância de misericórdia episcopal locais… Uma loucura, o caos!

Pregar uma coisa e admitir outra, contrária à que se ensina, também não faz sentido nenhum. A pastoral tem de ser o reflexo da doutrina, sempre assim foi e será.

A aprovação da possibilidade de dar a comunhão a divorciados “recasados”, ainda que remetida para a categoria de eventualidade, e para depois de um longo “percurso penitencial”, por exemplo, encerraria completamente o caminho da verdadeira conversão. Ou seja, eliminaria qualquer esperança de regularização do status matrimonial das pessoas que vivem em adultério, afastá-las-ia da reconciliação, conduzindo-as, em última análise, à condenação eterna.

 

O que fazer a partir de amanhã?

a) No melhor dos cenários, o mais provável apesar de todos os sinais negativos que vemos no horizonte, aliamos-nos ao Santo Padre na defesa da doutrina tradicional da Igreja, do matrimónio e dos valores morais cristãos.

b) Se o pior acontecer, o que apesar de tudo é ainda bastante improvável, a partir de amanhã, não haverá dúvidas de que esse desastre estava previsto no Segredo de Fátima desde 1917. Um cenário que obrigará a Igreja Militante a resistir com todas as forças e a rezar para que o Espírito Santo guie o Santo Padre pelo caminho de Deus. O mesmo caminho que nos foi revelado através das Sagradas Escrituras e dos cerca de 2000 anos de Tradição da Santa Igreja Católica e Apostólica.

Neste cenário, as orações e a penitência terão de ser também conduzidas, de forma prioritária, para todos aqueles que cairão nas malhas diabólicas da falsa doutrina ou – se quisermos – da falsa pastoral.

Como Sugere o Pe. John Hunwicke (ex-padre anglicano que agora é padre católico):

Nós, na Igreja Anglicana, vimos o que aconteceu quando a “Autonomia Provincial” foi autorizada a passar por cima da Doutrina, da Tradição, da Bíblia… e até mesmo do Dominical Imperativo da Unidade. É uma experiência muito desagradável e miserável. Qualquer tentativa de introdução de algo remotamente semelhante a isto, ou qualquer coisa que possa funcionar como um primeiro passo para algo remotamente semelhante a isto, na Igreja Católica, deve ser rejeitada por qualquer e todos os meios de resistência que os católicos ortodoxos têm ou podem conceber.

Como ex-anglicano, eu aviso: décadas de guerras internas, no seio da Igreja, em torno deste assunto, é exatamente o que a Igreja Militante pode prescindir. Esta questão pairou como uma sobra escura sobre a minha cabeça, para a maior parte do meu ministério sacerdotal na Igreja Anglicana. Qualquer tentativa de qualquer pessoa [ênfase no original] de infligir uma ferida semelhante nos méritos da Igreja Católica, como o Cardeal Burke propôs, Resistência com recurso as todas as formas necessárias, e com tanto vigor como a Graça de Deus nos dá.

Fiquemos sempre do lado da Verdade, e com confiança, porque já sabemos que neste “confronto final entre Deus e Satanás [que] será sobre a família e a vida”, a Verdade acabará por prevalecer.

“18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.”

(Mateus, 16)

 

Basto 4/2016