Facebook censura foto do presépio do Vaticano

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Foto censurada pela rede social Facebook

A razão apresentada pela rede social é a seguinte: “não é permitido adicionar imagens sexualmente sugestivas ou provocativas”.

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Mensagem interna da rede social Facebook aos utilizadores.

A imagem em questão retrata supostamente uma cena alusiva às “sete obras de misericórdia corporais”, nomeadamente, “vestir os nus”. Não obstante, a crítica social não gostou de ver, no presépio do Vaticano, a opção artística por um homem musculado completamente nu e com uma expressão que parece lasciva. A controvérsia aumenta quando este elemento, que mais parece de arte homoerótica, foi posicionado mesmo ao lado da principal cena do presépio, onde está representada a Sagrada Família de Belém.

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1. Cena da Sagrada Família; 2. Cena que tem gerado a polémica; in Catholic Sat

Basto 12/2017

Será o Papa mesmo infalível?

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Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.» (Mt 16, 18-19)

É claro que o Papa é infalível. É infalível quando fala ex cathedra, a partir da Cadeira de São Pedro, em nome de Deus.

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São Pedro – Vasco Fernandes, 1506

A infalibilidade papal é um dogma da Igreja Católica, portanto incontestável e irrevogável, uma verdade de Fé da qual depende a nossa salvação. A infalibilidade papal foi declarada dogma através da constituição dogmática Pastor Aeternus, promulgada pelo Papa Pio IX, a 18 de julho de 1870, durante o Concílio Vaticano I.

Definição dogmática da Infalibilidade Papal:

O Romano Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse a sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isto, ditas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis.

(in constituição dogmática Pastor Aeternus)

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Concílio Vaticano I – (gravura atribuída a Karl Benzinger, 1873)

O dogma atesta então que o Papa é de facto infalível mediante determinadas condições, a saber: (1) quando fala ex cathedra, ou seja, a partir da Cadeira de Pedro, em ato formal e solene dirigido a todos os cristãos do mundo inteiro, (2) para definir, ou seja, clarificar e deliberar (3) em matéria de Fé ou de moral (costumes).

As condições estipuladas pelo dogma apenas são reunidas em simultâneo em momentos muito raros e extraordinários da história da Igreja como, por exemplo, para a proclamação de um dogma. Reunindo estas condições, o Papa é infalível, não erra porque beneficia da garantia de assistência plena do Espírito Santo. A última vez que um Papa falou ex cathedra foi em 1950, quando Pio XII definiu o dogma da Assunção da Virgem Maria.

Fora destes momentos solenes e singulares da história da Igreja, o Papa não é infalível, portanto pode errar. Neste sentido, o Papa não é infalível quando telefona a alguém ou envia uma carta com opiniões pessoais; quando dá uma entrevista a bordo de um avião; quando escreve uma controversa nota de rodapé num documento oficial da Igreja; quando fala de outras matérias que não dizem respeito à Fé ou à moral; quando age em tantos e variados contextos. E em caso de erro, deve ser fraternalmente corrigido.

Para além do Papa, o conjunto de todos os bispos do mundo reunidos em concílio ecuménico, em união com o Papa (o primeiro dos bispos), também goza de infalibilidade.

Fora dos concílios ecuménicos, os pastores da Igreja, incluindo o próprio Papa, gozam de infalibilidade apenas quando ensinam e promovem uma verdade de fé ou de costumes já professada e sustentada por toda a Igreja Católica, ou seja, quando o seu ensinamento se enquadra no magistério da Igreja, o qual, por si só, é infalível.

O magistério da Igreja é formado pelo conjunto de ensinamentos de Fé e de costumes unanimemente professados por toda a Igreja Católica ao longo do tempo, de forma clara e inequívoca.

Os Papas devem ser amados e respeitados por toda a Igreja, porém, as suas palavras, gestos ou atitudes não podem servir de referência para os cristãos quando constituem erros doutrinais ou pastorais. Os erros devem ser corrigidos, o próprio São Paulo corrigiu os erros do São Pedro, o primeiro Papa (Gl 2, 11-16). “Corrigir os que erram” é uma das 14 Obras de Misericórdia, a terceira do grupo das espirituais.

Hoje, dia 22 de fevereiro, no nosso calendário litúrgico é o dia da Cátedra de São Pedro.

Oremus pro Pontifice nostro.

Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

Basto 2/2017

Beatos Francisco e Jacinta, obreiros da misericórdia de Deus

A festa litúrgica dos beatos Francisco e Jacinta Marto celebra-se a 20 de fevereiro, coincidindo com o aniversário da morte da Jacinta.

As três crianças de Fátima ofereceram-se pela conversão dos pecadores, orando e sacrificando-se por eles até ao limite das suas possibilidades. Não o faziam de forma estoica, pelo contrário, uniam o seu sofrimento ao sofrimento redentor de Cristo, em sigilo, em silêncio, sem qualquer tipo de publicidade, com profundo amor.

Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

(Anjo aos pastorinhos em 1916, II Memória da Ir. Lúcia redigida em 1937)

A Quaresma, que começa na próxima semana, é um tempo propício às obras de misericórdia, de misericórdia verdadeira, como fizeram os pastorinhos.

Basto 2/2017

A Igreja Católica e os objetivos da Nova Ordem Mundial

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Shakira interpreta o tema “Imagine” (Imagina) de John Lennon no mesmo dia em que o Papa Francisco discursou perante a Assembleia Geral das Nações Unidas

 

“Agora é um tempo não apenas para imaginar mas para fazer!”

(Shakira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, 25/09/2016 – palavras proferidas antes de interpretar o tema de John Lennon cuja letra convida os ouvintes a sonharem com um novo mundo de paz, sem países, sem religiões, sem a crença no Céu e no Inferno)

O que tem a Igreja Católica a ver com a Nova Ordem Mundial vazia de Verdade Cristã?

O que tem a missão salvífica da Igreja Católica a ver com os objetivos mundanos da Organização das Nações Unidas (ONU)?

Para quem trabalham os pastores da Igreja, para o Nosso Senhor Jesus Cristo ou para os senhores que governam este mundo?

Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência consegue perceber as razões pelas quais o conceito de “desenvolvimento” (sustentável; humano; integrado; etc) preconizado pela ONU é, na sua essência, incompatível com a doutrina cristã. A Verdade Cristã é inconciliável com uma noção de desenvolvimento humano inspirada em ideais franco-maçónicos.

Ainda assim, a hierarquia católica contemporânea insiste em empenhar-se institucionalmente no iníquo projeto da Nova Ordem Mundial, mesmo sabendo, desde sempre, que a tentativa de compromisso com os senhores deste mundo está condenada ao fracasso. Uma certeza garantida pelo próprio Deus!

É como quando duas massas de ar com características diferentes se encontram na atmosfera. Se o ar quente pudesse misturar-se suavemente com o ar frio formar-se-ia uma massa de ar morno, mas, na realidade, o que acontece é que a massa de ar quente sobrepõe-se, sobe ao longo do ar frio para dar origem a uma tempestade. São as leis da física.

Quanta falta de humildade necessita o género humano para ousar conciliar os seus preceitos relativos e temporais com a pura, sublime e imutável Verdade de Deus? Quanta arrogância necessita uma criatura para se propor a apresentar um projeto alternativo ao do seu próprio Criador?

A Igreja Católica regozija-se agora, de forma oficial e solene, por constatar que “todas as nações da Terra adotaram os objetivos de desenvolvimento” laicos definidos pelos senhores que governam este mundo.

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO:

[…] A proteção da casa comum requer um consenso político crescente. Neste sentido, é motivo de satisfação o facto de que, em setembro de 2015, as nações da terra adotaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, em dezembro de 2015, aprovaram o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que se propõe o difícil mas fundamental objetivo de conter a subida da temperatura global. Agora, os governos têm o dever de respeitar os compromissos que assumiram, enquanto as empresas devem responsavelmente cumprir a sua parte, e cabe aos cidadãos exigir que isto aconteça e também se aponte para objetivos cada vez mais ambiciosos. […]

(Papa Francisco, 1 de setembro de 2016, in sítio oficial do Vaticano)

Longe de Mais?

Não estará a Instituição Católica a caminhar para além do que devia? Seria isto o triunfo do Imaculado Coração de Maria anunciado em 1917? Ou terá sequer alguma coisa a ver com isso? Talvez não.

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Os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU são incompatíveis com a Lei de Deus. Em caso de desconhecimento, aconselha-se uma breve leitura e reflexão sobre o que alguns desses objetivos realmente preconizam para a humanidade:

No Objetivo 3:

Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar, informação e educação, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.

 No Objetivo 4:

Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de género, promoção de uma cultura de paz e da não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável.

 No Objetivo 5:

Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, económica e pública.

Assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos, em conformidade com o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e com a Plataforma de Ação de Pequim e os documentos resultantes de suas conferências de revisão.

(Nota importante: este objetivo remete para documentos que defendem a utilização de práticas abortivas!)

 No objetivo 10:

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Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, económica e política de todos, independentemente da idade, género, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição económica ou outra.

(in UNRIC, Centro Regional de Informação das Nações Unidas)

Os objetivos do Acordo de Paris são, como a própria ONU confirma, semelhantes e, portanto, também eles isentos de Verdade Cristã.

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A Agenda de Ação Lima-Paris, que produziu centenas de novos compromissos e iniciativas, demonstrou que as ações necessárias para combater as alterações climáticas são as mesmas da Agenda de Desenvolvimento Sustentável.

(in UNRIC, Centro Regional de Informação das Nações Unidas)

Há vários outros documentos semelhantes ou convergentes, produzidos noutras iniciativas ou por outras instituições globalistas, mas vão todos dar ao mesmo, tendo em comum a ausência de Verdade Cristã.

 

Ainda mais longe!

A Instituição Católica não se limitou a apoiar os objetivos de desenvolvimento da ONU, foi bem mais longe. Por estes dias, o Papa Francisco também instituiu, por Motu Proprio, um novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e, seguindo aquela mesma linha ideológica do desenvolvimento sustentável, propôs que se alargassem as tradicionais 14 Obras de Misericórdia com o “cuidado da casa comum”.

Conversão ecológica:

“Depois de um sério exame de consciência e habitados por tal arrependimento, podemos confessar os nossos pecados contra o Criador, contra a criação, contra os nossos irmãos e irmãs”.

“O exame de consciência, o arrependimento e a confissão ao Pai, rico em misericórdia, levam-nos a um propósito firme de mudar de vida”.

“Utilizar com critérios o plástico e o papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com zelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas”.

(Papa Francisco, in Radio Vaticano, 01/09/2016)

Afinal o Santo Padre acredita mesmo na necessidade de arrependimento dos pecadores e no propósito de mudar de vida quando buscam a misericórdia de Deus.

Depois disto, muitos gays, transsexuais, adúlteros públicos, padres, bispos e cardeais que dão e promovem comunhões sacrílegas, pessoas que as recebem, ateus e pessoas que acreditam em falsas divindades de outras religiões, provavelmente sentirão agora um grande peso na consciência e a necessidade de reconciliação com Deus depois de perceberem que andaram vários anos a beber água em garrafas de plástico e que o seu automóvel gastava muito combustível.

Alguns pecados são mais graves do que outros!

Basto 9/2016

Obras de Misericórdia

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Pieter Brueghel de Jonge, sec. XVI ou XVII

As Obras de Misericórdia são um conjunto ações que os cristãos devem fazer ao serviço dos mais necessitados, quer em termos materiais, quer em termos espirituais. Sendo catorze na totalidade, elas dividem-se tradicionalmente em duas categorias de natureza diferente, sete Corporais e sete Espirituais. A Igreja apela à realização destas obras, como atos de penitência e caridade, principalmente durante a Quaresma.

Obras de Misericórdia Corporais:

1ª) Dar de comer a quem tem fome.

2ª) Dar de beber a quem tem sede.

3ª) Vestir os nus.

4ª) Dar pousada aos peregrinos.

5ª) Assistir aos enfermos.

6ª) Visitar os presos.

7ª) Enterrar os mortos.

Obras de Misericórdia Espirituais:

1ª) Dar bom conselho.

2ª) Ensinar os ignorantes.

3ª) Corrigir os que erram.

4ª) Consolar os tristes.

5ª) Perdoar as injúrias.

6ª) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo.

7ª) Rogar a Deus por vivos e defuntos.

 

Apontamentos Catequéticos:

Mensagens quaresmais de Sua Eminência Reverendíssima, D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa.

1ª mensagem quaresmal

2ª mensagem quaresmal

3ª mensagem quaresmal

4ª mensagem quaresmal

5ª mensagem quaresmal

6ª mensagem quaresmal

As Obras de Misericórdia ganham um significado especial durante este Ano Jubilar da Misericórdia. Se queremos aceder à misericórdia divina temos também de ser misericordiosos como o Pai. No entanto, nestes tempos de “confusão diabólica”, são necessários alguns cuidados pois há uma tendência para se confundir a misericórdia de Deus com a aceitação do pecado, o que está errado. O verdadeiro arrependimento e o propósito de corrigir o pecado, ou seja, a Reconciliação, são as condições necessárias para recebermos a misericórdia de Deus.

 

Basto 2/2016