Roma negoceia novos bispos com a República Popular da China

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Periodista Digital em 21/10/2016

 

A informação partiu da agência de notícias Reuters que adiantou um provável compromisso antes do final de 2016. Em causa estão dois novos bispos propostos pela China que, segundo as fontes da Reuters, serão aprovados pela Santa Sé.

Ou seja, se a notícia for verdadeira, a ordenação dos novos bispos será resultado de uma negociação entre o Partido Comunista Chinês e o Vaticano, em que o primeiro propõe os nomes e o segundo aprova. Que pensará Deus desta alegada negociata?

Uma possível e “desejada união entre as igrejas” só pode ter lugar através da conversão. Os elementos da Igreja Católica ilegítima – a denominada Associação Patriótica Católica Chinesa, instituída pelo Partido Comunista local – devem converter-se à única Igreja Católica verdadeira que, na China, vive essencialmente na clandestinidade devido à opressão do regime.

Basto 10/2016

Negócio da China

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Bandeira da República Popular da China

O jornal South China Morning Post, de Hong Kong, noticiou esta semana que Pequim e a Santa Sé terão chegado a um acordo inicial sobre a questão da ordenação de bispos. O jornal cita o Cardeal John Tong Hon, bispo de Hong Kong, para explicar em que consiste esse acordo.

A Sé Apostólica tem o direito de escolher, a partir da lista recomendada, os candidatos que considera como mais adequados e o direito de rejeitar os candidatos recomendados por uma conferência de bispos da China e pelos bispos das províncias sob a sua administração.


(in SCMP, 05/08/2016)

Isto não dá para entender ainda muito bem o que se passa, mas parece um verdadeiro negócio da China. Se não estivermos enganados na nossa interpretação – mas oxalá que sim – o Vaticano está disposto a aceitar escolher os bispos a partir de um catálogo de candidatos propostos ou aprovados pela ditadura marxista chinesa? Esta questão da ordenação dos bispos foi sempre um dos principais pontos de desentendimento entre a República Popular da China e a Santa Sé.

A República Popular da China é um dos países onde a Igreja Católica é mais perseguida em todo o mundo. Exceptuam-se desta provação apenas as regiões administrativas de Macau e Hong-Kong, antigas colónias portuguesa e britânica respetivamente, cuja atual autonomia foi negociada antes da devolução da sua soberania à China. No restante território chinês, a Igreja Católica Romana vive na clandestinidade, os seus crentes são fortemente perseguidos pelo regime tirano comunista.

Para além da verdadeira Igreja, a clandestina, a existe também a igreja católica oficial. Esta encontra-se sob o controlo governamental da Associação Patriótica Católica Chinesa. Esta associação é um organismo do regime não reconhecido pela Santa Sé, pelo menos até agora.

O alerta face à notícia em epígrafe foi levantado pelo Cardeal Joseph Zen Ze-kiu, bispo emérito de Hong Kong.

Permitir oficialmente [o governo chinês] gerir a igreja? Isso significaria rendição.

A relação fica estabelecida, e depois? Quando o Papa visitar a China e o governo selecionar apenas as pessoas obedientes para se encontrarem com Papa, o que será daqueles que pertencem às igrejas clandestinas?

(in HKFP, 09/08/2016)

Este cardeal teme, já há algum tempo, um desfecho semelhante a este da atual diplomacia do Vaticano, receando agora que a Igreja Católica da China possa morrer às mãos do Santo Padre, depois de ter resistido tantos anos aos seus inimigos.

Que a Nossa Senhora Imperatriz da China proteja o seu povo.

 

Basto 8/2016