Bispo ucraniano diz que seria um “desastre” se o Papa visitasse Moscovo antes de Kiev

Fumo a sair de um prédio destruído após um ataque aéreo militar russo em Lysychansk, Ucrânia, 17 de junho de 2022. (Crédito: foto CNS/Oleksandr Ratushniak, Reuters.)

Por Inês San Martin

ROMA – Não seria apenas um “desastre” se o Papa Francisco visitar a Rússia antes de ir à Ucrânia, como o pontífice disse que gostaria de fazer, mas se isso acontecer, as fronteiras ucranianas poderão ser fechadas ao Papa, de acordo com o arcebispo latino de Lviv.

“Não só os fiéis greco-católicos, mas também nós, não concordamos com todos os gestos do Santo Padre em relação à Rússia; mas talvez não entendamos bem suas intenções e políticas”, afirmou o arcebispo D. Mieczysław Mokrzycki, que lidera a comunidade de 1,5 milhões de fiéis de rito latino na Ucrânia.

“Vamos torcer para que o Papa tenha boas intenções e, com sua maneira de agir, em breve traga paz à Ucrânia”, disse Mokrzycki.

Mesmo antes da invasão da Ucrânia ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin em 24 de fevereiro, Francisco já falava sobre uma possível viagem à “Ucrânia martirizada”. Ultimamente, porém, ele expressou o desejo de ir primeiro a Moscovo, para ajudar no processo de diálogo.

Em declarações ao semanário alemão Die Tagespost , Mokrzycki afirmou que “os nossos fiéis dizem que é preciso primeiro dirigir-se à vítima, a quem está em sofrimento, e só depois a quem o causou”.

O prelado também disse que, embora os ucranianos estejam muito gratos ao Papa “por ter estado próximo do povo desde o início com suas orações e muitos apelos”, eles não esqueceram que, até agora, Francisco nunca disse claramente que a Rússia está a levar a cabo uma invasão da Ucrânia.

Mokrzycki disse que os fiéis da Igreja Greco-Católica Ucraniana e outros ucranianos estão intrigados com o que consideram uma atitude ambígua do Papa e as suas ações destinadas a manter abertas as portas do diálogo com a Rússia.

Em março passado, o Papa Francisco revelou em entrevista ao jornal Corriere della Sera que pediu para viajar a Moscovo para encontrar-se com Putin, para pedir-lhe que parasse a guerra na Ucrânia, no entanto, ainda não recebeu resposta.

No entanto, falando à Reuters este mês, Francisco revelou que o Kremlin havia fechado a porta a essa possibilidade, quando a Santa Sé a propôs pela primeira vez há alguns meses, mas agora algo pode ter mudado.

“Eu gostaria de ir (à Ucrânia) e queria ir para Moscovo primeiro”, disse ele. “Trocamos mensagens sobre isso, porque pensei que se o presidente russo me desse uma pequena janela para servir a causa da paz” [vale a pena tentar].

“Agora é possível, depois de voltar do Canadá, é possível que eu vá à Ucrânia”, disse ele. “A primeira coisa é ir à Rússia para tentar ajudar de alguma forma, mas gostaria de ir às duas capitais.”

Francisco estará no Canadá de 24 a 29 de julho.

O arcebispo D. Paul Gallagher, ministro das Relações Exteriores do Vaticano, disse numa entrevista recente que a deslocação de Francisco à Ucrânia pode estar iminente, não descartando uma viagem em setembro.

“O Papa Francisco definitivamente irá à Ucrânia”, disse ele, acrescentando que o Papa está “muito convencido” de que tal visita pode ter resultados positivos.

Além do Canadá, a única viagem papal na programação oficial é o Cazaquistão, de 14 a 15 de setembro. O Papa irá para participar de um encontro inter-religioso. Embora o Vaticano ainda não tenha anunciado oficialmente, Francisco disse à emissora de notícias mexicana Televisa que espera encontrar-se com o patriarca ortodoxo russo Kirill durante esta visita.

Apesar das suas reservas quanto à ida do Papa Francisco a Moscovo, Mokrzycki afirmou que o pontífice é bem-vindo na Ucrânia e que os bispos locais – dos ritos latino e greco-católico – o convidam para uma visita há vários anos.

“Com o início da guerra, este convite tornou-se ainda mais ardente, porque acreditamos que Pedro do nosso tempo tem um dom e uma bênção especial que recebeu de Deus”, disse o presidente dos bispos católicos romanos ucranianos, em comunicado publicado no página da Arquidiocese de Lviv durante o fim de semana.

“Se ele veio à Ucrânia, se ele entrou na terra deste mártir ensanguentado e a abençoou, o Senhor nos concederá graça e fará um milagre, e a paz chegará à nossa pátria”, disse Mokrzycki. “Estamos felizes que o Santo Padre já expressou a sua vontade de vir à Ucrânia”.

Andrii Yurash, principal diplomata da Ucrânia no Vaticano, disse que seu governo está atualmente a trabalhar para tornar realidade o sinal de apoio do Papa, o que seria amplamente apreciado.

Ele disse recentemente ao Crux:  “Tenho muitas dúvidas de que isso [vá] acontecer em agosto. Talvez em setembro… no entanto, tudo depende da vontade de Deus.”

“Não é apenas um gesto formal, é um verdadeiro gesto de apoio”, disse ele. “É um verdadeiro gesto de compreensão.”

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Fonte: cruxnow.com em 19 de julho de 2022 (tradução nossa).

Texto do ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

Fonte: vaticannews.va/pt/

Bispos portugueses associam-se à consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Consagração da Ucrânia e da Rússia ao imaculado Coração de Maria

Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa

A Conferência Episcopal Portuguesa está em plena sintonia com o Santo Padre, que vai consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria a 25 de março, durante a Celebração da Penitência às 16h00 na Basílica de São Pedro. O Papa Francisco enviará a Fátima, como Legado Pontifício, o Cardeal Konrad Krajewski, Esmoler Apostólico, o qual fará o ato de consagração na Capelinha das Aparições, também às 16h00, durante a oração do Rosário. Em profunda comunhão com o Santo Padre, os Bispos portugueses procurarão estar presentes nesta celebração em Fátima.

Pede-se que todas as paróquias, comunidades, institutos de vida consagrada e outras instituições eclesiais assumam esta intenção de consagração nas celebrações desse dia, nomeadamente nas Vias-Sacras, nas Eucaristias, na Oração do Rosário e no itinerário “24 horas para o Senhor” que se inicia na tarde desse dia.

Por intercessão do Imaculado Coração de Maria, Rainha da Paz, continuemos a rezar pelo povo ucraniano, perseguido na sua terra e disperso pelo mundo, para que o Senhor atenda as nossas preces e os esforços das pessoas de boa vontade, e lhe conceda a paz e o regresso a suas casas.

Lisboa, 18 de março de 2022
Secretariado Geral da CEP

Fonte: conferenciaepiscopal.pt

Papa Francisco vai consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

A informação foi adiantada hoje, em italiano e inglês, na página do Gabinete de Imprensa da Santa Sé. De acordo com o comunicado oficial, o ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria ocorrerá no dia 25 de março, às 17 horas, durante um serviço de penitência que terá lugar na Basílica de São Pedro. O mesmo ato de consagração será realizado, em simultâneo, no Santuário de Fátima, por Sua Eminência o Cardeal D. Krajewski, como enviado do Santo Padre.

Comunicado do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, em 15 de março de 2022.

Pelo que nos foi dado a conhecer até este momento, isto ainda não corresponde exatamente ao que Nossa Senhora pediu…

Papa Francisco interrompe celebração da missa, no México, com uma chamada telefónica trivial

O que é que um padre faz com o telemóvel no bolso enquanto celebra a missa? E será legítimo atender o telefone a meio de uma homilia?

Não há respeito por nada… Por acaso, era o Papa, mas podia ser o padeiro ou o homem do gás e até com um assunto mais urgente!

Basto 05/2020

Uma ressurreição totalmente política. Mensagem de Páscoa de Francisco aos “movimentos populares”.

movimentos populares

Por Sandro Magister

Na noite de 12 de abril, domingo de Páscoa, os principais meios de comunicação católicos divulgaram a carta enviada pelo papa Francisco, nesse mesmo dia, aos “movimentos populares” do mundo inteiro, os mesmos que ele tinha convocado e com os quais reunira pela primeira vez, em Roma, em 2014, depois em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em 2015, e novamente em Roma, em 2016.

Os “movimentos populares”, como eles próprios se definem, representam a massa de “excluídos dos benefícios da globalização”. São “vendedores ambulantes, coletores de lixo, carrosséis, pequenos agricultores”, em suma, todos os descartados por quem detém o poder. No entanto, para Jorge Mario Bergoglio, eles são a vanguarda da nova humanidade, são os “verdadeiros ‘poetas sociais’ que, dos subúrbios esquecidos, criam soluções dignas para os problemas mais ardentes dos excluídos”.

É para esta multidão que Francisco recomendou repetidamente um futuro feito de terra, lar, trabalho para todos. Graças a um processo de ascensão ao poder que “transcende os procedimentos lógicos da democracia formal” e que na última carta chega a reivindicar “uma forma de remuneração básica universal”.

Nesta carta, a visão política completa de Bergoglio brilha a uma escala planetária, já analisada em profundidade, há alguns meses, nesta outra página do Settimo Cielo:

> Um papa com o “mito” do povo

Aqui está o texto completo da carta agora tornada pública. Uma estranha mensagem de Páscoa de um papa, por uma ressurreição completamente e apenas política.

*

Aos irmãos e irmãs dos movimentos e organizações populares.

Queridos amigos,

Lembro-me com frequência dos nossos encontros: dois no Vaticano e um em Santa Cruz de la Sierra e confesso que essa “memória” me faz bem, me aproxima de vós, me faz repensar em tantos diálogos durante esses encontros e em tantas esperanças que ali nasceram e cresceram e muitas delas se tornaram realidade. Agora, no meio desta pandemia, eu lembro-me de vós de uma maneira especial e quero estar perto de vós.

Nestes dias de tanta angústia e dificuldade, muitos referiram-se à pandemia que sofremos com metáforas bélicas. Se a luta contra o COVID-19 é uma guerra, vocês são um verdadeiro exército invisível que luta nas trincheiras mais perigosas. Um exército sem outra arma senão a solidariedade, a esperança e o sentido da comunidade que reverdecem nos dias de hoje em que ninguém se salva sozinho. Vocês são para mim, como lhes disse nas nossas reuniões, verdadeiros poetas sociais, que desde as periferias esquecidas criam soluções dignas para os problemas mais prementes dos excluídos.

Eu sei que muitas vezes vocês não são reconhecidos adequadamente porque, para este sistema, são verdadeiramente invisíveis. As soluções do mercado não chegam às periferias e a presença protetora do Estado é escassa. Nem vocês têm os recursos para realizar as funções próprias do Estado. Vocês são vistos com suspeição por superarem a mera filantropia por meio da organização comunitária ou por reivindicarem seus direitos, em vez de ficarem resignados à espera de ver se alguma migalha cai daqueles que detêm o poder económico. Muitas vezes mastigam raiva e impotência quando veem as desigualdades que persistem mesmo quando terminam todas as desculpas para sustentar privilégios. No entanto, vocês não se encerram na denúncia: arregaçam as mangas e continuam a trabalhar para suas famílias, seus bairros, para o bem comum. Essa vossa atitude ajuda-me, questiona-me e ensina-me muito.

Penso nas pessoas, especialmente mulheres, que multiplicam o pão nos refeitórios comunitários, cozinhando com duas cebolas e um pacote de arroz um delicioso guisado para centenas de crianças, penso nos doentes, penso nos idosos. Elas nunca aparecem nos média convencionais. Tampouco os camponeses e os pequenos agricultores, que continuam a trabalhar para produzir alimentos saudáveis, sem destruir a natureza, sem monopolizá-los ou especular com a necessidade do povo. Quero que saibam que nosso Pai Celestial olha para vocês, valoriza-vos, reconhece e fortalece na sua escolha. Quão difícil é ficar em casa para quem mora numa pequena casa precária ou para quem de facto não tem teto. Quão difícil é para os migrantes, as pessoas privadas de liberdade ou para aqueles que realizam um processo de cura para as dependências. Vocês estão lá, colocando o vosso corpo ao lado deles, para tornar as coisas menos difíceis, menos dolorosas. Congratulo-vos e agradeço-vos do fundo do meu coração. Espero que os governos entendam que os paradigmas tecnocráticos (sejam centrados no estado, sejam centrados no mercado) não são suficientes para enfrentar esta crise e nem os outros problemas importantes da humanidade. Agora, mais do que nunca, são as pessoas, as comunidades, os povos que devem estar no centro, unidos para curar, cuidar, compartilhar.

Eu sei que vocês foram excluídos dos benefícios da globalização. Não desfrutam daqueles prazeres superficiais que anestesiam tantas consciências. Apesar disso, vocês sempre sofrem os danos dessa globalização. Os males que afligem a todos, a vocês atingem duplamente. Muitos de vocês vivem o dia a dia sem nenhum tipo de garantias legais que vos protejam. Os vendedores ambulantes, os coletores de lixo, os feirantes, os pequenos agricultores, os pedreiros, as costureiras, os que realizam diferentes tarefas de cuidado. Vocês, trabalhadores informais, independentes ou da economia popular, não têm um salário estável para resistir a este momento … e as quarentenas são insuportáveis para vós. Talvez seja a hora de pensar num salário universal que reconheça e dignifique as tarefas nobres e insubstituíveis que vocês realizam; capaz de garantir e tornar realidade esse slogan tão humano e cristão: nenhum trabalhador sem direitos.

Também gostaria de convidá-los a pensar no “depois”, porque esta tempestade vai acabar e as suas sérias consequências já estão a ser sentidas. Vocês não são uns improvisados, têm a cultura, a metodologia, mas principalmente a sabedoria que é amassada com o fermento de sentir a dor do outro como sua. Quero que pensemos no projeto de desenvolvimento humano integral que ansiamos, focado no protagonismo dos Povos em toda a sua diversidade e no acesso universal aos três T que vocês defendem: terra e comida, teto e trabalho. Espero que esse momento de perigo nos tire do piloto automático, sacuda as nossas consciências adormecidas e permita uma conversão humanística e ecológica que termine com a idolatria do dinheiro e coloque a dignidade e a vida no centro. A nossa civilização, tão competitiva e individualista, com as suas taxas frenéticas de produção e consumo, os seus luxos excessivos e lucros desmedidos para poucos, precisa de mudar, de se repensar, de se regenerar. Vocês são construtores indispensáveis dessa mudança urgente; além disso, vocês possuem uma voz autorizada para testemunhar que isso é possível. Vocês conhecem crises e privações … que com modéstia, dignidade, compromisso, esforço e solidariedade, conseguem transformar numa promessa de vida para vossas famílias e comunidades.

Mantenham vossa luta e cuidem-se como irmãos. Oro por vocês, oro com vocês e quero pedir ao nosso Deus Pai que vos abençoe, vos encha com o Seu amor e vos defenda ao longo do caminho, dando-vos a força que nos mantém vivos e não desaponta: a esperança. Por favor, orem por mim que eu também preciso.

Fraternalmente,

Cidade do Vaticano, 12 de abril de 2020,

Domingo de Páscoa.

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 14 de abril de 2020.
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação.

Basto 04/2020

“Jesus responde ao Diabo com a Palavra de Deus, não com a Sua Palavra”, afirma Francisco

Num momento catequético sobre as tentações do deserto, durante a oração do Angelus do primeiro dia deste mês de março, o Santo Padre esquece-se que Jesus Cristo é Deus e que a Palavra procede do Pai e do Filho.

Basto 03/2020

Frases que nos fazem pensar: Papa Francisco (3)

angry.pope.jpg “Tantas vezes perdemos a paciência; também eu, e peço desculpas pelo mau exemplo de ontem.”

 

(Francisco I, Papa reinante da Santa Igreja Católica Apostólica Romana desde o dia 13 de março de 2013)

Contexto da frase:

Frase proferida momentos antes da oração do Angelus do dia 1 de janeiro de 2020, reportando-se ao incidente da noite anterior na Praça de São Pedro.

Basto 01/2020

Filósofo ateu censura o Papa Francisco

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Por Jules Gomes

ROMA (ChurchMilitant.com) – O notável filósofo italiano e amigo pessoal de Bento XVI critica o Papa Francisco por “ir contra a tradição, a doutrina e introduzir inovações, comportamentos e gestos inexplicáveis”.

O professor Marcello Pera, ateu e opositor assumido do pós-modernismo e relativismo cultural, classificou o pontificado de Francisco como “um escândalo no sentido bíblico”, pois “confunde e faz cair o fiel, não dá frutos e, pelo contrário, diminui-os.”

De acordo com o ex-presidente do Senado Italiano, em comentários à La Fede Quotidiana na última quinta-feira, as vocações e a participação nas missas caíram, a recolha de fundos está sempre baixa e o público no Angelus, na Praça de São Pedro, diminuiu consideravelmente sob o pontificado de Francisco, como mostram as imagens desses eventos papais.

“Quanto aos fundamentos da fé católica, este pontificado é um ultraje à razão”, lamentou o ex-professor de filosofia da Universidade de Pisa. “Mas ninguém, fiel ou bispo, diz alguma coisa, ninguém tem coragem de protestar, mas muitos duvidam [das realizações deste pontificado]”.

“Digamos claramente que o que está a acontecer é muito sério. Por esta altura, uma grande parte dos católicos está resignada, não tem consciência e não tem entusiasmo, não reage com a determinação que seria necessária”, comentou Pera, falando em italiano.

Referindo-se à crise que a cultura ocidental enfrenta e ao precário futuro da Europa, o influente intelectual apontou o dedo aos líderes e os média católicos, como estão “silenciosos ou falam suavemente” enquanto o catolicismo está a ser atacado, mas como teriam “defendido ardentemente muçulmanos e judeus”.

“Isso não é tolerância, mas render-se”, afirmou, “baixar as calças perante o secularismo e o relativismo”.

“O catolicismo há muito se degradou; está a perder a sua batalha cultural e religiosa”, continuou. “As autoridades católicas têm medo e são uma triste visão. O espelho fiel dessa situação está no topo”.

O senador Pera, que admite ser “um admirador dos escritos do Papa Bento XVI”, foi co-autor do livro Without Roots: Europe, Relativism, Christianity, Islam [Sem Raízes: Europa, Relativismo, Cristanismo, Islão] em 2004, com o então cardeal D. Joseph Ratzinger.

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Encontro de Marcello Pera com Bento XVI.

Considerando o ex-pontífice “um profundo teólogo e um pensador original”, Pera previu a islamização da Europa, caso “prosseguisse com a sua cultura relativista, com a rejeição da sua tradição, com as suas baixas taxas de natalidade e com a imigração indiscriminada”.

“Talvez já tenhamos dado um golpe no coração e não percebemos. O que o Papa Ratzinger diz em Without Roots vem à mente: A impressão hoje é que a Europa se assemelha ao Império Romano no seu outono”, enfatizou.

“O problema é que a Igreja está reduzida a uma espécie de ONG, cuida sobretudo do social, transformou Greta [Thunberg] num ídolo, corre atrás de solidariedade, visões políticas e sociais em favor do bem-estar, mas os pastores muitas vezes esquecem a salvação das almas, que é sua principal tarefa”, reclamou o ateu.

Amigo íntimo do Papa Emérito, Pera disse que não conversa com Bento XVI há algum tempo, mas pode “especular que está arrependido e alarmado”. No entanto, Bento XVI não quis e não pôde intervir, pois “ele escolheu o silêncio e mantém corretamente o seu compromisso”.

Por outro lado, o Papa Francisco parece não ter problemas com a crise que envolve a Europa: “Ele é alguém que quer agradar, gosta de pessoas que gostam dele, segue o politicamente correto”, afirmou Pera.

Ele transformou o catolicismo “numa igreja tão em saída que não pode mais ser encontrada em lugar algum”, acrescentou.

O filósofo, que repetidamente alertara contra o avanço do Islão no Ocidente, reiterou a sua crença de que “o Islão não é um credo de paz e misericórdia, como eles querem que acreditemos, mas exige opressão”.

“Com essa crença, o diálogo torna-se problemático, sem que antes se esclareçam os conceitos fundamentais de respeito mútuo e de obediência às leis do estado e dos valores ocidentais”, explicou.

Numa entrevista de 2017 ao Il Mattino , Pera criticou fortemente a política de fronteiras abertas de Francisco:

Francamente, não entendo este Papa, o que ele diz está para além de qualquer entendimento racional. Eu questiono-me: porque diz ele isso? Qual é a verdadeira finalidade das suas palavras? Porque não tem ele um mínimo de realismo, aquele mínimo que é exigido a alguém? A resposta que posso me dar é apenas uma: o Papa faz isso porque odeia o Ocidente, aspira a destruí-lo e faz todo o possível para alcançar esse objetivo. E ele aspira a destruir a tradição cristã, o cristianismo como se realizou historicamente.

E concluiu: “Bergoglio só quer fazer política, o evangelho não importa.”

O Gabinete de Imprensa da Santa Sé não respondeu à entrevista.

A edição original deste texto foi publicada pelo Church Militant a 28 de dezembro de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original.

Basto 12/2019

Santo Padre assina camisola para ativista LGBT anglicana

Francisco recebeu, no dia 14 de novembro, Jayne Ozanne, uma conhecida lésbica anglicana, que se notabilizou internacionalmente pelo seu ativismo na luta contra as terapias de conversão de homossexuais, através de uma organização homossexualista designada Ozanne Foundation.

Ozanne ofereceu ao Santo Padre um “estudo da fé e sexualidade em 2018” e um exemplar autografado do livro de memórias pessoais Just Love, onde descreve o seu discernimento vocacional na descoberta das virtudes do homossexualismo cristão.

Em retribuição, Francisco ofereceu-lhe um autógrafo numa tshirt e algumas palavras simpáticas.

Depois disso, Ozanne foi a correr dizer aos paroquianos e à sacerdotisa da sua igreja local em Littlemore, Inglaterra, que o Santo Padre tinha assinado uma camisola para eles.

O encontro com o Santo Padre foi visto por Jayne Ozanne e pelos média mundiais como uma confirmação da lésbica britânica no homossexualismo e um apoio ao ativismo LGBT, tendo acontecido na mesma altura em que Francisco comparou as declarações dos governantes que condenam as práticas homossexuais com os “discursos de Hitler em 1934”.

Basto 11/2019