Ainda sobre a medonha cruz de Vedele

Há mais de quatro anos, tínhamos aqui alertado para o problema da invasão do mundo católico por estas sinistras medalhas cruciformes, as quais, desde 2013, têm vindo a substituir os piedosos crucifixos no peito dos nossos sacerdotes, bispos e cardeais, assim como nos terços e em outros objetos religiosos. A sua popularidade começou em março de 2013, com a eleição do Papa Francisco, que a usa, como cruz peitoral, pelo menos desde a época em que foi cardeal.

Pouco se sabe sobre esta obscura peça de joalharia, cheia de motivos enigmáticos e ambiguidades semânticas, a não ser que terá sido elaborada pelo artesão italiano Giuseppe Albrrizzi, a partir de um modelo desenhado pelo seu mestre Antonio Vedele, falecido em 1997, cuja chancela se encontra grafada no verso.

Recentemente, Barnhardt, uma católica dos EUA, dedicou algum do seu tempo a investigar a sinistra peça ornamental, tendo chegado a algumas conclusões interessantes… Para além de ter encontrado – muito provavelmente através do nosso blogue – a dissimulada coruja e o invertido rosto sorridente no centro de algo semelhante a chamas de fogo, ela reparou também que uma das pernas do “pastor” parece virada ao contrário e que uma das “ovelhas” tem a forma de um porco. Convém no entanto lembrar que, atualmente, há uma grande variedade destas cruzes e tais elementos não são percetíveis em todas elas.

O que Barnhardt traz porém de verdadeiramente novo, para nós que há muito nos escandalizamos com esse ornamento papal, é o facto de a sinistra medalha ter sido também usada como cruz peitoral de uma outra destacada e controversa figura da hierarquia católica, desta feita, o cardeal D. Joseph Bernardin (1928-1996).

O antigo titular da Arquidiocese de Chicago, nos EUA, hoje entregue ao ultramisericordista D. Blase Cupich, foi uma destacada figura da hierarquia católica do seu tempo. A sua fama, todavia, ainda hoje, estende-se muito para além do seu ministério pastoral, aparecendo frequentemente associada a acusações de prática de homossexualismo, abuso sexual de menores, as duas anteriores em simultâneo e – ainda que pareça impossível – até bem pior que isso, embora nunca tenha sido formalmente julgado ou condenado.

Numa investigação póstuma recentemente empreendida pelo Church Militant, o canal católico americano de informação concluiu que Bernadin violou, de facto, menores de idade em contextos rituais, enquanto praticante de cultos satânicos, sendo também uma das principais figuras chave da máfia gay da Igreja Católica dos EUA.

A ação de Bernardin, enquanto peça-chave, na engrenagem da rede de homossexualismo clerical dos EUA foi detalhadamente descrita por Randy Engel. A autora americana dedicou-lhe um capítulo inteiro da sua densa obra The Rite of Sodomy (em português, O Rito da Sodomia), que já vai em cinco volumes redigidos com o resultado da sua investigação ao grave problema do homossexualismo clerical. Mas há mais casos e mais fontes…

O caso da vítima “Agnes”, acima mencionado, tirando um pequeno desajuste cronográfico, parece corresponder ipsis verbis ao caso pormenorizadamente narrado por Malachi Martin no seu livro Windswept House (em português, A Casa Varrida pelos Ventos), de 1996. De acordo com o ex-jesuíta, no dia 29 de junho de 1963, ter-se-á celebrado, na Capela Paulina, no Vaticano, e simultaneamente numa capela de Charleston, na Carolina do Sul, EUA, uma cerimónia de entronização de Lucifer na Igreja Católica, que incluiu a violação de uma menina, apresentada no seu livro como “Agnes”.

Verdades ou mentiras, o tempo acabará por dizer… Uma coisa é certa, esse “crucifixo” é uma coisa sinistra, independentemente de quem o possa usar.

Basto 02/2021

PETIÇÃO: Travem as redes homossexuais na Igreja Católica

petiçãoO problema das redes homossexuais na Igreja Católica provocou o sofrimento das suas vítimas e deu origem a uma crise na Igreja.

Os escândalos de abuso sexual reacenderam no verão passado depois da traição do cardeal McCarrick ter sido divulgada e depois da publicação do relatório do Grande Jurado da Pensilvânia. Posteriormente, o testemunho do Arcebispo Viganò atingiu o Vaticano como uma bomba.

Que mostraram todas essas revelações?

Mostram que o escândalo dos abusos sexuais na Igreja Católica é principalmente um escândalo de predação homossexual perpetrado pelo clero adulto (e por vezes sénior) contra rapazes pós-pubescentes.

Mais chocante ainda é o facto de alguns bispos terem protegido ou encoberto clérigos culpados, transferindo-os de paróquia para paróquia, acabando por deixar um rasto de devastação e lágrimas nos seus percursos destrutivos.

Diante de um colapso interno e reagindo ao criticismo dos média, o Papa Francisco convocou bispos, inclusive muitos cardeais, do mundo inteiro para irem a Roma entre os dias 21 e 24 de fevereiro para discutirem e tomarem medidas no que concerne à questão da proteção de menores.

Esta petição, num espírito de crítica filial, pede aos prelados de todo o mundo que tomem agora medidas drásticas para enfrentar com firmeza e erradicar as redes homossexuais que se enraizaram na Igreja.

Em poucas palavras, esta petição pede aos bispos medidas concretas para remediar esta criseque passem pela suspensão, vergonha pública e difamação de qualquer clérigo (sacerdote, bispo, cardeal, etc.) que seja culpado de uma ofensa ao Sexto Mandamento com um menor, de sodomia ou de adultério com um adulto.

Os promotores desta petição, que conta com um amplo apoio em todo o mundo católico, são a Pro Ecclesia (Suíça) e o LifeSifeNews (EUA/Canadá).

E os seguintes dignitários também assinaram a petição:

John Smeaton, CEO da The Society for the Protection of Unborn Children (Reino Unido)

Dr. Markus Büning (Alemanha)

Riccardo Cascioli, Editor da La Nuova Bussola Quotidiana (Itália)

Christian Spaemann, MD (Alemanha)

Pedro L. Llera (Espanha)

Prof. Anna Silvas (Austrália)

Prof. em. Hubert Windisch (Alemanha)

Gabriele Kuby (Alemanha)

Infovaticana (Espanha)

Aktion Kinder in Gefahr (DVCK e.V.) (Alemanha)

Donna F. Bethell, J.D. (EUA)

Peter A. Kwasniewski, PhD (EUA)

Agora, por favor, acrescente seu nome à lista de fiéis católicos e cristãos preocupados, que pedem aos bispos para fazerem o que está certo e travarem as redes homossexuais na Igreja Católica.

Obrigado por assinar e partilhar!

Fonte: lifepetitions.com (página acedida no dia 5 de janeiro de 2019)
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Basto 02/2019

Papa Francisco, o problema

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Por Kenneth J. Wolfe

Na edição impressa de hoje do USA Today, aqui disponível online, está um triste comentário de Melinda Henneberger, uma ex-correspondente do Vaticano para o New York Times, onde ela confessa a sua apostasia.

Henneberger, que é conhecida por ser de centro-esquerda (dissidente, por exemplo, da Humanae Vitae, mas simpatizante, até certo ponto, de causas pró-vida) pelos seus muitos anos de escrita, atribuiu a responsabilidade pela sua decisão de apostatar a “esses homens” e aos “homens que administram a igreja”, evitando atribuir qualquer responsabilidade ao homem que dirige a Igreja.

Quem dirige a Igreja? Quem é o Sumo Pontífice? Quem impediu, esta semana, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA de avançar com um plano para tratar a sério a crise dos abusos sexuais? Até mesmo Tom Reese SJ (considerado demasiado liberal para a revista America) considerou o desenvolvimento desta semana um “desastre” que resultará em “terríveis prejuízos para a imagem do Papa”.

O Papa Francisco é o líder. O Papa Francisco toma as decisões. Não basta responsabilizar “o Vaticano” ou, como o atual dissidente dos média John Gehring fez esta semana, misturar Francisco numa amálgama maior: “O Vaticano, incluindo o Papa Francisco, também não fez o suficiente.”

Um edifício, ou uma cidade-estado independente, ou uma burocracia sem rosto não são os responsáveis. O Papa Francisco é o responsável. É ele quem toma as decisões. É ele quem deve enfrentar as consequências de uma decisão como dizer aos bispos dos EUA que eles não devem tratar de medidas relativas ao abuso de menores.

Está na hora de parar de encobrir o Papa Francisco. Ele é o problema.

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 16 de novembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2018

Combate aos abusos sexuais de clérigos nos EUA adiado por ordem do Vaticano

O Vaticano ordenou à Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos um adiamento na aprovação de novas medidas para combater o problema dos abusos sexuais de membros do clero. A última assembleia geral da conferência episcopal americana decorreu entre os dias 12 e 14 de novembro, em Baltimore, no Estado de Maryland.

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Revista America, 12/11/2018.

A incompreensível atitude do Vaticano não foi bem recebida por muitos católicos americanos, uma vez que o problema dos abusos sexuais por parte de elementos do clero atingiu nos EUA uma proporção escandalosa e preocupante, necessitando de uma intervenção urgente da hierarquia da Igreja.

Os bispos americanos deverão agora esperar até a conclusão do encontro especial do Papa Francisco com todos os presidentes das conferências episcopais do mundo, convocado para fevereiro de 2019, para tratar deste problema à escala global.

Basto 11/2018

Santo Padre quer banir as perversões do clero

Enquanto os fiéis católicos se escandalizam diariamente com as constantes notícias de homossexualismo e pedofilia no clero católico, no dia 15 deste mês, em Palermo, o Santo Padre pediu ao clero da Sicília para erradicar “a perversão mais difícil de eliminar” na Igreja.

“O clericalismo é a perversão mais difícil de eliminar: a Igreja não está acima do mundo, mas dentro do mundo, para fermentar, como fermento na massa, e por isso, queridos irmãos, toda a forma de clericalismo deve ser banida.”

(Papa Francisco, in Tv2000it, 15/09/2018 – tradução livre)

E nada sobre a perversão do homoclericalismo…

Basto 9/2018

Papa Francisco adverte que aqueles que se queixam poderão ser “punidos por serpentes”

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Por Doug Mainwaring

ROMA, 14 de setembro de 2018 (LifeSiteNews) – Numa homilia realizada na Festa da Exaltação da Santa Cruz, o Papa Francisco, pela terceira vez esta semana, retornou curiosamente ao tema de Satanás como o “Grande Acusador”.

Mais uma vez, o pontífice parecia estar a alertar os fiéis contra as criticas aos seus prelados e talvez também ao modo como ele mesmo tem lidado com a avalanche de escândalos sexuais do clero que se abateu sobre o Vaticano nas últimas semanas.

De acordo com a reportagem do Vatican News, o Papa Francisco, comentando a 1ª Leitura de hoje, disse que as pessoas que se queixaram “foram punidas por serpentes”, acrescentando que isso se refere à serpente antiga, Satanás, o “Grande Acusador”.

“Jesus foi elevado e Satanás destruído”, no entanto – afirmou o Papa Francisco – “a antiga serpente destruída ainda late, ainda ameaça, mas, como diziam os Padres da Igreja, é um cão acorrentado”.

Advertiu ainda: “Não vos aproximeis dele e ele não vos morderá; mas se tentardes acariciá-lo porque vos sentis atraídos por ele, como se fosse um cachorrinho, preparem-se, ele destruir-vos-á”.

O Papa Francisco parece estar a reiterar a sua advertência da sua homilia ontem, implicando que aqueles que criticam a hierarquia estão a ser inconscientemente tentados a dedicar-se ao trabalho do diabo, como se fossem atraídos para acariciar um cachorrinho fofo.

Deste modo, o Papa descarta o pensamento crítico dos leigos, padres e bispos que expressaram indignação pelos escândalos sexuais do clero e pelos alegados encobrimentos.

Ao advertir contra o trabalho do “Grande Acusador”, o próprio Papa aponta um dedo acusador.

A edição original deste texto foi publicada no Life Site News a 14 de setembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, o artigo deve ser lido na sua edição original. A presente edição destina-se meramente à sua divulgação.

Basto 9/2018

Frases que nos fazem pensar: Arcebispo D. Georg Gänswein

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“A Igreja Católica está a olhar, cheia de desânimo, para o seu próprio 11 de setembro.”

(D. Georg Gänswein, arcebispo alemão titular da diocese italiana de Urbisaglia e Prefeito da Casa Pontífica)

Contexto da frase:

Comentário alusivo à crise de abusos de menores por parte de elementos do clero católico proferido durante a apresentação do livro “A opção Bento” de Rod Dreher, que decorreu no Parlamento Italiano, na data aniversária dos atentados terroristas às Torres Gémeas de Nova Iorque; in The Caholic Register, 11/09/2018 – tradução livre.

Basto 9/2018

“Silêncio e oração” enquanto a casa se desmorona

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Por Nikko Lane

Esta segunda-feira, como resposta às críticas dirigidas ao Vaticano, o Papa Francisco incitou a Igreja de Cristo a lutar com “silêncio e oração” contra aqueles que causam divisão.

Silêncio e oração. Vejamos o que o Papa Francisco poderia ganhar com silêncio e oração.

Em primeiro lugar, ele pede silêncio. Porquê? De facto, há momentos destinados ao silêncio. Perante o Santíssimo Sacramento. Quando alguém se senta na beleza do silêncio no mistério em que se oferece o Senhor Jesus Cristo durante a Santa Missa, o silêncio em solene lembrança de um ente querido que faleceu na esperança do abraço da Paz de Nosso Senhor.

Mas será o silêncio realmente necessário neste momento em que a Igreja está em crise? Enquanto os membros da Igreja não conseguirem perceber o que se tem passado durante último mês do pontificado do Papa Francisco, a maioria dos católicos de todo o mundo quer respostas. Santo Padre, o senhor está a dizer a verdade? Santo Padre, Viganò está a dizer a verdade? O Santo Padre sabia alguma coisa daquilo?

Até agora, a resposta do Papa às vítimas do escândalo de abuso sexual por parte de elementos do clero dos Estados Unidos incluiu (parafraseando):

  1. Somos todos os culpados e, como leigos, devemos todos trabalhar para melhorar as coisas na nossa Igreja.
  2. Se leram a carta de Carlo Maria Viganò que me acusa e às pessoas a quem sou leal, decidam por vocês  mesmos.

Foram feitas acusações graves e estão em jogo grandes implicações. No entanto, o sucessor de São Pedro não faz mais do que permanecer em silêncio e em oração.

O Papa Francisco pede silêncio. Aqueles que acreditam nele dizem que a causa deste escândalo de abuso sexual, o encobrimento e a crise que dele resulta é uma questão de clericalismo (a “cortina de fumo” mais comum do Papa e das pessoas que lhe são próximas). Eu diria que o Santo Padre nem sequer se referiu ao assunto em concreto.

Pede silêncio, mas porquê? A carta de Viganò implica o Papa Francisco em crimes graves contra o seu povo. O silêncio seria apropriado. A ironia é que, se há divisão na Igreja, é somente porque o Papa Francisco, culpado ou inocente, não tratou do assunto em questão. De todas as vezes que Francisco coloca o ónus deste escândalo nos leigos da Igreja, em vez de o colocar em si mesmo (e nos bispos e arcebispos que ele conscientemente designou, apesar dos conselhos que lhe propunha melhores candidatos), ele prejudica ainda mais as pessoas que realmente sofrem: as crianças, os estudantes, jovens adultos e seminaristas que foram abusados física e sexualmente pelos McCarricks e clérigos dos Estados Unidos. Ele causa sofrimento e volta a causar, institucionalmente, pelas suas ações ou pela falta delas.

Porque faz ele isto?  E continuamente?

Isto leva-nos à sua próxima proposta para combater a “divisão”: a oração. João Vianney disse: “A oração é o banho interior de amor no qual a alma mergulha”. A oração do Papa Francisco tem sido pública e em frente das câmaras, no Instagram e no Twitter, desde o primeiro dia do seu pontificado. Aqui está uma observação importante: o Papa Francisco faz questão de ser visto pelos média. Ele faz com que se conheça bem o facto de que ele não permanece nas instalações a que, como Papa, tem direito. Ele vive uma vida de “pobreza visual”, tentando ser como o grande Francisco de Assis, seu homónimo. Mas Francisco de Assis mantinha uma pobreza espiritual e interior. Ele abandonou os seus bens materiais para ser pobre, sim, mas a sua espiritualidade de negação de si mesmo na exultação do Senhor era a missão desse querido santo. São Francisco nunca subverteria a doutrina católica sobre o casamento, a santidade da vida, a sexualidade, a Santa Eucaristia e, mais importante, o papel da família no plano de Deus como o Papa Francisco tem subvertido. O Papa Francisco reescreveu a doutrina da Igreja quando subverteu o ensinamento sobre a atração pelo mesmo sexo; permitiu que pessoas que viviam em adultério recebam a comunhão; e ridicularizou as famílias católicas por serem muito “parecidas com coelhos” na procriação de filhos.

Por que razão sugeriria ele oração? Evidentemente, poderia pedir-nos a todos para orar pela paz e pelo fim do sofrimento. Ou poderia pedir para enterramos as nossas cabeças na areia, tapar as nossas bocas e esquecer tudo o que D. Carlo Maria Viganò acusara a ele e aos seus colaboradores. Será que ele quer afastar a atenção de si mesmo, dos McCarricks, dos Wuerls e dos Tobins, enquanto nós, o rebanho, estamos em silêncio e oração?

Silêncio é o que o Papa agora nos pede. Silêncio e oração.

Continuarei a orar pela Santa Sé e pela Igreja que São Pedro recebeu do próprio Jesus Cristo para liderá-la. Orarei pelas inúmeras vítimas de abusos do clero e pelas suas famílias e ainda para que elas encontrem a cura no divino amor de Deus. Também orarei pelos maravilhosos sacerdotes que se têm manifestado, chocados com este escândalo e com a falta de resposta do Papa, para que eles continuem a ter coragem apesar da covardia do seu líder. E, por último, continuarei a orar pelos leigos fiéis, que, segundo todos os relatos, têm fortalecido a sua fé, apesar da falta de honestidade e de liderança nos mais altos postos da hierarquia da nossa Igreja.

Mas eu não permanecerei em silêncio. O silêncio apenas implica a culpa do Papa. Não me calarei enquanto a Igreja de Cristo necessitar que os líderes chamem a heresia e a injustiça pelo nome. Continuarei a falar. Irei dizer a verdade. Irei proclamar a Boa Nova. A Palavra da Vida Eterna sobreviveu no passado a muitos papas corruptos e a muita adversidade e continuará muito para além do seu silêncio, Papa Francisco.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de setembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2018

Athanasius Schneider: Não há razões para duvidar das revelações do Arcebispo Viganò sobre o Papa

schneider.rome.life.forum.2018

Por John-Henry Westen

27 de agosto, 2018 (LifeSiteNews) – O bispo D. Athanasius Schneider, de Astana, Cazaquistão, um dos bispos que mais fala abertamente sobre a crise de fé que vive a Igreja Católica com Papa Francisco, escreveu um documento em resposta ao testemunho do arcebispo D. Carlo Maria Viganò.

Schneider afirma que “não há motivo razoável e plausível para duvidar da veracidade do conteúdo do documento do arcebispo Carlo Maria Viganò”.

O arcebispo D. Carlo Viganò, que foi núncio apostólico em Washington DC de 2011 a 2016, na semana passada expôs detalhadamente numa carta de 11 páginas que o Papa Francisco encobriu os abusos do ex-cardeal McCarrick.

Schneider reconhece que é extremamente grave e raro que um bispo acuse publicamente um papa reinante, mas ressalta que “o arcebispo Viganò confirmou a sua declaração por meio de um juramento sacro invocando o nome de Deus.”.

O documento de D. Athanasius Schneider é abaixo publicado na íntegra.

***

Reflexão sobre o “Testemunho” do Arcebispo Carlo Maria Viganò, de 22 de agosto de 2018

É um facto raro e extremamente grave, na história da Igreja, que um bispo acuse pública e especificamente o Papa reinante. Num documento recentemente publicado (de 22 de Agosto de 2018), o Arcebispo Carlo Maria Viganò testemunha que, desde há cinco anos, o Papa Francisco tem conhecimento de dois factos: que o Cardeal Theodor McCarrick cometeu violações sexuais contra seminaristas e contra subordinados seus, e que havia sanções que o Papa Bento XVI lhe tinha imposto. Ademais, D. Viganò confirmou a sua declaração por meio de um juramento sacro invocando o nome de Deus. Não há, portanto, motivo razoável e plausível para duvidar da veracidade do conteúdo do documento do Arcebispo Carlo Maria Viganò.

Católicos por todo o mundo, simples fiéis, os “pequenos”, estão profundamente chocados e escandalizados com os graves casos recentemente divulgados, nos quais autoridades da Igreja encobriram e protegeram clérigos que cometeram abusos sexuais contra menores e contra seus próprios subordinados. Tal situação histórica, que a Igreja vive em nossos dias, requer absoluta transparência em todos os níveis da hierarquia da Igreja e, em primeiro lugar, evidentemente, do próprio Papa.

É completamente insuficiente e nada convincente que as autoridades da Igreja continuem a formular apelos genéricos de tolerância zero em casos de abusos sexuais por parte de clérigos e pelo fim do encobrimento desses casos. Igualmente insuficientes são os apelos estereotipados de perdão em nome das autoridades da Igreja. Esses apelos à tolerância zero e pedidos de perdão só se tornarão credíveis se as autoridades da Cúria Romana lançarem as cartas à mesa, dando o nome e sobrenome de todos aqueles na Cúria Romana – independentemente da sua posição e título – que encobriram os casos de abusos sexuais de menores e de subordinados.

A partir do documento de D. Carlo Viganò pode retirar-se as seguintes conclusões:

  1. Que a Santa Sé e o próprio Papa começarão a expurgar da Cúria Romana e do episcopado, sem compromissos,  os grupos e redes homossexuais.
  2. Que o Papa proclamará de maneira inequívoca a doutrina Divina sobre o caráter gravemente pecaminoso dos atos homossexuais.
  3. Que serão publicadas normas peremptórias e detalhadas que impedirão a ordenação de homens com tendência homossexual.
  4. Que o Papa restaurará a pureza e a inequivocidade de toda a doutrina Católica no ensinamento e na pregação.
  5. Que será restaurada na Igreja, pelo ensinamento pontifício e episcopal e por normas práticas, a sempre válida ascese Cristã: os exercícios do jejum, da penitência corporal, da abnegação.
  6. Que serão restaurados na Igreja o espírito e a praxe de reparação e expiação pelos pecados cometidos.
  7. Que haverá na Igreja um processo seletivo, garantido seguramente, de candidatos ao episcopado, que sejam comprovadamente homens de Deus; e que seria melhor deixar as dioceses vários anos sem um bispo do que nomear um candidato que não fosse um verdadeiro homem de Deus na oração, na doutrina e na vida moral.
  8. Que se iniciará na Igreja um movimento, especialmente entre cardeais, bispos e padres, de renúncia a qualquer compromisso e namorico com o mundo.

Não causaria surpresa se a oligarquia dos meios de comunicação social dominantes a nível internacional, que promove a homossexualidade e a depravação moral, começasse a denegrir a pessoa do Arcebispo Viganò e deixasse o núcleo do assunto do seu documento cair no esquecimento.

No meio da difusão da heresia de Lutero e da profunda crise moral de uma parte considerável do clero e especialmente da Cúria Romana, o Papa Adriano VI escreveu as seguintes surpreendentes e francas palavras, dirigidas à Dieta Imperial de Nuremberg, em 1522: “Sabemos que, por algum tempo, muitas abominações, abusos em assuntos eclesiais e violações de direitos ocorreram na Santa Sé; e que tudo foi corrompido para pior. A corrupção passou da cabeça para os membros, do Papa para os prelados: todos nós nos desviamos; não houve um que agisse bem, não, nem um”.

Firmeza e transparência em constatar e confessar os males na vida da Igreja ajudarão a iniciar um eficiente processo de purificação e renovação espiritual e moral. Antes de condenar os outros, todo o detentor de cargo eclesiástico na Igreja, independentemente da posição e título, deve questionar-se, na presença de Deus, se ele próprio encobriu de alguma forma abusos sexuais. Descobrindo-se culpado, deveria confessá-lo publicamente, pois a Palavra de Deus o admoesta: “Não te envergonhes de reconhecer a tua culpa” (Ecl. 4:26). Pois, como São Pedro, o primeiro Papa, escreveu: “chegou o tempo do juízo, a começar pela Casa (Igreja) de Deus” (1 Pedro 4:17).

† Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 27 de agosto de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2018