Um Papa Anticatólico?

Ferrara02

Por Christopher A. Ferrara

Por esta altura, já estamos habituados aos resultados chocantes da insistência de Francisco em dizer coisas sem sentido aos jornalistas durante os voos de e para os destinos das inúteis viagens papais, que se tornaram uma atividade essencial do papado pós-Vaticano II. No meio de todas essas coisas absurdas, há também, todavia, observações, inadvertidamente reveladoras, que mostram a amplitude da crise-dentro-a-crise que é o pontificado bergogliano.

O exemplo mais recente foi a conferência de imprensa a bordo, no regresso a Roma, da viagem papal à Arménia. Uma observação muito esclarecedora surgiu no contexto da pergunta de um repórter sobre a recente declaração do importante assessor papal, o Cardeal Reinhard Marx, de que a Igreja deveria pedir desculpa aos “gays” pela forma como os tratou. Os “gays” foram adicionadas à lista daqueles a quem a Igreja deve pedir desculpas e “suplicar perdão” – o mea culpa sem fim que João Paulo II iniciou e agora parece ser perpétuo; estamos ainda longe de ouvir um único pedido de desculpas dos poderes deste mundo pelas suas ofensas contra os cristãos, incluindo pelas perseguições de estado e pelo genocídio de dezenas de milhões.

Francisco implicou-se por responder que a Igreja “não só deve pedir desculpas… a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir perdão aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho”. Pelo menos, e apesar de tudo, esclareceu que quando disse “a Igreja” queria dizer “cristãos. A igreja é santa. Nós somos os pecadores.”

Contudo, logo a seguir, fez outra observação muito reveladora: “Lembro-me, quando criança, da cultura católica fechada em Buenos Aires: não se podia entrar em casa de um casal divorciado. Estou a falar de há 80 anos atrás. A cultura mudou, graças a Deus.”

Em apenas uma frase elucidativa, Francisco revelou a profundidade da ameaça que o seu pontificado representa para a Igreja: “cultura católica fechada”. Francisco agradece a Deus porque “a cultura mudou”, no sentido de que divórcio e “recasamento” não é mais visto como uma forma de adultério que os católicos não toleravam através socialização nas casas de pessoas que coabitam em situação de adultério. Ele agradece a Deus por essa “cultura católica fechada” ter dado lugar a uma cultura onde divórcio e “recasamento” é aceite, na verdade, amplamente praticada pelos católicos.

No entanto, este é o mesmo Papa que organizou o “Sínodo da Família” destinado a refletir sobre “uma crise na família” resultante da mudança cultural pela qual Francisco agradece a Deus. Sendo assim, o Falso Sínodo foi, portanto, a tentativa de intimidar a Igreja a aceitar institucionalmente – ao que Francisco chama “integração” – do que o próprio Nosso Senhor denunciou como adultério.

Temos então um Papa que, levianamente, acumula desprezo por uma cultura na qual existe aversão instintiva pelo pecado público entre os simples fiéis, a qual condiciona a confraternização com as pessoas que ignoram os seus votos de casamento e se envolvem com outros parceiros para viver em pecado. Francisco dá graças a Deus por a cultura, no fundo, não ser mais católica.

Este é o Vigário de Cristo? Nunca em 2000 anos, nunca, mesmo durante os pontificados de Papas pessoalmente corruptos, vimos um homem como este na Cátedra de Pedro. Isto não é sequer uma questão de falsidade ou astúcia. Temos claramente, em Francisco, um Papa que, por incrível que pareça, não dá grande valor ao catolicismo, não se inibe de o dizer e parece alegremente inconsciente do paradoxo bem apocalíptico de um Papa anticatólico. Um Papa que, na sua profunda confusão, chama santa à Igreja, mas agradece a Deus por os católicos aceitarem agora uniões sexuais imorais.

Mais informações sobre esta perturbadora conferência de imprensa bergogliana (uma redundância, eu sei) na próxima coluna.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 30 de junho de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2016

Se uma pessoa é gay, quem sou eu para julgá-la?

De todas as frases proferidas pelo Papa Francisco durante três anos e tal de pontificado, aquela que, provavelmente, teve mais consequências negativas foi esta, por várias razões.

Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?

(Papa Francisco in El País, 29/07/2013)

  1. Esta insidiosa frase, apesar de parecer cristã e verdadeira, não o é, antes pelo contrário. Para o ser, necessitaria de ser completada com algo semelhante a Vai e de agora em diante não tornes a pecar.” (Jo 8, 11). Uma meia verdade é uma meia mentira, uma meia mentira é uma mentira.
  2. Foi transformada em slogan gay, frequentemente utilizado para atacar a Igreja Católica, a sua infalível doutrina e a moral familiar instituída.
  3. A utilização do termo “gay”, em vez de “pessoa com tendências homossexuais”, pressupõe, à partida, um determinado modo de vida, uma ideologia, um lobby (o tal único pecado a evitar na homossexualidade).
  4. Serve para tudo, sendo frequentemente utilizada noutros contextos que não têm nada a ver, desde que seja para contestar o magistério da Igreja.
  5. A função de um padre nunca foi a de julgar alguém que se encontra em situação de pecado, mas antes a de indicar o caminho para que essa pessoa possa evitar ser julgamento final e a condenação. Nós não somos ninguém para julgar, mas a Palavra de Deus é soberana e julga por si só os nossos comportamentos.
  6. Como nunca chegou a haver uma correção, extensão ou melhoramento da frase, ela funcionou como um veneno diabólico presente na sociedade durante três anos. A partir dela, muitos homossexuais passaram a acreditar que não necessitam de corrigir o seu comportamento. A partir dela, grupos pseudocatólicos criaram movimentos pastorais com base nesse chavão ideológico.

Por exemplo, na diocese de Boston, nos EUA, hoje prega-se abertamente a homopastoral em várias igrejas sinalizadas, onde se celebra a dignity mass (missa de dignidade/missa LGBT). Nessa diocese, já não se estranha a presença de uma tenda de frades franciscanos da ordem Franciscan Friars of Holy Name Province, especialistas em “misericórdia” LGBT, fazendo propaganda à pastoral do Arco-íris.

Stanthonyshrine

franciscans gay parade
“Quem sou eu para julgar?” – Frades franciscanos na Marcha do Orgulho Gay de Boston, 2014 (in Church Militant)

 

E agora, chegados a 2016, o que mudou?

“A Igreja pede perdão aos gays e não apenas a eles”.

“Eu disse na minha primeira viagem e repito, aliás repito o Catecismo da Igreja Católica – disse o Papa -: os homossexuais não devem ser discriminados, devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente.  Pode-se condenar qualquer manifestação ofensiva aos outros, mas o problema é que, com uma pessoa com aquela condição, que tem boa vontade e que busca a Deus, quem somos nós para julgar? Devemos fazer um bom acompanhamento – acrescentou – é o que diz o Catecismo. Então, em alguns países e tradições, existe outra mentalidade, alguns que tem uma visão diferente sobre este problema”.

(Papa Francisco, in La Repubblica, 26/06/2016 – tradução Fratres in Unum)

Não terá o Santo Padre esquecido, outra vez, a parte mais importante? Aquela parte da necessidade de libertação do pecado para aceder à verdadeira Misericórdia de Deus.

Esta ideia de “pedir perdão aos gays” foi um apoio claro aos recentes avanços homopastorais do Cardeal Marx, outro influente clérigo próximo de Francisco e membro do G8.

Que Deus nos acuda!

Basto 6/2016

Guardar

Guardar