Vaticano prepara visita do Papa Francisco à Rússia

A poucos dias da visita do cardeal Pietro Parolin a Moscovo, o Secretário de Estado do Vaticano admite o seu empenho na preparação de uma possível visita do Papa Francisco à Rússia. O número dois da hierarquia do Vaticano estará na Rússia de 20 a 24 de agosto, tendo agendado encontros com o presidente Vladimir Putin e com o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa.

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in The Local, 09/08/2017

Numa recente entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, Pietro Parolin foi questionado se será possível uma visita de Francisco à Rússia e se esta sua viagem se relaciona de algum modo com a sua preparação.

O cardeal respondeu nestes termos:

Os propósitos da minha visita estão além da preparação de uma eventual viagem do Santo Padre Francisco à Rússia. Espero, no entanto, que ela, com a ajuda de Deus, possa oferecer alguma contribuição também nessa direção.

(Cardeal Pietro Parolin, in Corriere Della Sera, 08/08/2017 – tradução)

Do lado russo, nunca antes houve tanta abertura e benevolência para com a Igreja Católica e o Sumo Pontífice. Ainda há poucos dias, o patriarca de Moscovo voltou a confirmar a recente aproximação entre as duas igrejas.

Devo dizer que, desde aquela a reunião [cimeira cubana, de 12 de fevereiro de 2016], as nossas relações bilaterais tornaram-se mais intensas.

Não estamos inclinados a minimizar as diferenças existentes, mas também entendemos que os cristãos, especialmente na América Latina, têm o potencial para uma cooperação que seja capaz de galvanizar as forças cristãs para enfrentar as muitas questões que preocupam a humanidade hoje.

(Patriarca Kirill, in Interfax, 08/06/2017 – tradução)

Será isto uma evidência do “triunfo” do Imaculado Coração de Maria? Porque é que Vladimir Putin e o patriarca Kirill não vêm até Fátima, durante este centenário, para celebrar a conversão da Rússia por intermédio do Imaculado Coração do Maria.

Na verdade, apesar de as relações entre a Federação Russa e o Vaticano estarem normalizadas desde há vários anos, o relacionamento entre as duas Igrejas continuou muito difícil até à eleição de Francisco I. Havia várias razões para isso, das quais já aqui tínhamos destacado três principais.

Este é um assunto que suscita o maior interesse, sobretudo neste ano em que se celebra o centenário das aparições da Cova da Iria, dada a centralidade da palavra “Rússia” na mensagem de Fátima. A Santíssima Virgem prometera, precisamente há 100 anos, a conversão da Rússia através do Seu Imaculado Coração, que a levará “por fim” a aceitar a Fé Católica. Não obstante todo o otimismo reinante no catolicismo ocidental no que concerne aos resultados obtidos na “conversão da Rússia”, por vezes parece mais que foi a Igreja Católica quem se converteu naquilo que a Rússia sempre quis.

Mas já que estamos numa onda de otimismo, caso o Santo Padre realize mesmo essa viagem, pode ser que alguma “surpresa do Espírito Santo” faça com que ele leve consigo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e lhe consagre a Rússia a partir de Moscovo. Um ato solene que certamente atrairia todas as graças necessárias para a plena conversão da Rússia à Fé Católica. Mas será alguém põe as mãos no fogo por essa possibilidade? Não, não, não…

Basto 8/2017

O Cardeal Parolin vende para Pequim

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Por Christopher A. Ferrara

Já há muito tempo que a figura do Secretário de Estado do Vaticano, elevada a uma proeminência sem precedentes através das reformas pós-Vaticano II conduzidas pelo Cardeal Villot, tem colocado em perigo a integridade da Fé, a fim de servir as regras mundanas da diplomacia do Vaticano. Assim aconteceu com a Mensagem de Fátima e o Terceiro Segredo em particular, que ninguém menos que o Secretário de Estado do Vaticano (Cardeal Sodano e seu sucessor Cardeal Bertone) reduziu a uma genérica prescrição para oração e penitência, amputando a Consagração da Rússia e reduzindo o segredo a uma mera descrição de eventos do séc. XX.

E assim acontece com o destino dos católicos da Igreja clandestina na China, que recusam aliar-se à “Associação Patriótica Católica (APC),” a pseudoigreja criada pelo regime vermelho chinês na década de 1950 em Pequim, como a Igreja Católica “oficial”, a fim de impor o controlo governamental sobre a seleção e consagração de bispos chineses, iniciando, deste modo, uma hierarquia chinesa descaradamente cismática.

Agora ouvimos o atual Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, afirmar que não existe realmente diferença entre os bispos clandestinos e fiéis que recusam aderir à cismática APC, sofrendo por causa disso uma perseguição implacável, e os militantes da APC, clérigos e leigos, que obedecem a homens e não a Deus pois professam um culto religioso condicionado às diretrizes de um regime comunista ateu que obriga as mulheres a abortar seus próprios filhos.

Como o Cardeal Parolin declarou numa recente entrevista ao Avvenire, o jornal da conferência episcopal italiana: “A alegação de que existem duas Igrejas diferentes na China não corresponde à realidade histórica, nem vida de fé dos católicos chineses. Existem, de facto, duas comunidades, ambas ansiosas por viverem em plena comunhão com o Sucessor de Pedro. Cada uma delas acarreta a bagagem histórica de momentos de grande testemunho e sofrimento, que nos dizem algo sobre a complexidade e as contradições que existem dentro deste vasto país.”

Lixo, absolutamente, e, ao mesmo tempo, uma traição total à Igreja Católica Chinesa Clandestina. Em primeiro lugar, os fiéis católicos que se recusam a submeter à APC não estão “ansiosos por viver em plena comunhão com o Sucessor de Pedro”, pelo contrário, estão em plena comunhão com ele, como sempre estiveram desde o momento em que recusaram submeter-se a Pequim, obedecendo a Deus e não a homens.

Em segundo lugar, a APC não é “uma comunidade… ansiosa para viver em plena comunhão com o Sucessor de Pedro”, mas antes uma criação maléfica dos ditadores comunistas que feriu o Corpo Místico de Cristo com uma hedionda invenção humana que pretende ser a “Igreja oficial “.

Em terceiro lugar, não há qualquer equivalência moral entre a Igreja subterrânea em união com Roma e a maléfica e cismática APC. Sugerir que estas “duas comunidades” deve ser “reconciliados, abraçando-se mutuamente, é algo de monstruoso…” Os fiéis católicos perseguidos na China jamais poderão “abraçar” uma organização que jura fidelidade a uma ditadura comunista.

A situação na China só tem uma solução: a APC tem ser abolida e todos os católicos chineses devem ser autorizados a professar a religião abertamente, em união com Roma e sem interferência governamental.

Mas agora os rumores abundam, e Sandro Magister confirma que Roma está prestes a concordar em permitir que o regime comunista chinês em Pequim selecione bispos para a aprovação do Vaticano – um grotesco regresso ao mal do Cesaropapismo, segundo a qual, o soberano civil é o chefe da Igreja no seu território e pode designar bispos. Mas, infinitamente pior, neste caso, é que o soberano civil não seria um rei católico mas antes um ditador comunista.

A cada dia que passa, a crise da Igreja, que perdura há meio século, acelera em direção ao que só pode ser uma conclusão calamitosa. O Terceiro Segredo de Fátima desenrola-se diante dos nossos olhos, enquanto os guias cegos da hierarquia superior da Igreja se encaminham rapidamente para caírem numa vala. Não podemos segui-los. Podemos apenas rezar pela intervenção final do Céu e o fim desta crise com o triunfo do Imaculado Coração de Maria – seguindo, finalmente, a Consagração da Rússia que, como se pode ver, continua no centro de acontecimentos mundiais potencialmente explosivos.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 29 de agosto de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 8/2016