Santa Margaret Clitherow, a “Pérola de York”

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Eu creio como a Igreja Católica crê e me ensina … e nisso viverei e morrerei.”

Santa Margaret Clitherow (frase traduzida de uma pagela local de oração pela intercessão de Santa Margaret Clitherow e dos Santos Mártires de York)

Margaret Clitherow, a “Pérola de York”, foi uma mãe de família, ex-anglicana convertida ao catolicismo, tendo sido responsável por muitas outras conversões de ingleses à Fé Católica. Fez de sua casa um lugar onde os fiéis católicos se reuniam para a celebração de missas na clandestinidade, a qual servia também de abrigo a padres católicos, numa época em que o catolicismo era proibido e perseguido em Inglaterra.

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Casa de Santa Margaret Clitherow, Rua The Shambles, York, Inglaterra

No dia 25 de março de 1586, Sexta-feira Santa, foi executada por esmagamento. A sua beatificação teve lugar em 1929, pelo Papa Pio XI, e a canonização em 1970, pelo Papa Paulo VI.

As suas virtudes parecem algo estranhas neste tempo de radicalismo “ecuménico”.

Basto 3/2018

Católicos expulsos de igreja em Paris

Mais um grupo de fiéis foi forçado a sair de uma igreja católica. Desta vez foi em França, na Igreja de Nossa Senhora dos Mantos Brancos de Paris, no passado dia 31 de outubro. Os jovens interromperam um serviço dito ecuménico através da recitação de um rosário de reparação enquanto uma sacerdotisa protestante performizava ritos estranhos em frente ao altar principal.

Basto 11/2017

O resultado do ecumenismo: apostasia

serviço dde homenagem a lutero
Bispos e bispas no serviço religioso luterano-católico de homenagem ao herege excomungado Martinho Lutero, em Lund (Suécia) a 31 de outubro de 2016, in ELCA, 31/10/2016

 

Por Christopher A. Ferrara

Como foi noticiado pela Gloria TV (citando a orf.at), o arquimodernista cardeal Walter Kasper, cuja falsa noção de “misericórdia” animou todo o projeto da Sagrada Comunhão para adúlteros públicos, acaba de declarar que “hoje em dia não há mais diferenças significativas entre cristãos protestantes e católicos…”

Compreensivelmente, essa observação provocou indignação entre os católicos ortodoxos, porém, após uma reflexão, reconhecer-se-á que é meramente uma afirmação do óbvio. Ou seja, hoje em dia, como mostram consistentemente os estudos de opinião, a generalidade dos católicos são efetivamente protestantes em termos de adesão ao ensino da Igreja sobre fé e moral, particularmente em questões relativas à moral sexual, incluindo a aceitação do aborto em “alguns casos“. Pior ainda, no que diz respeito ao casamento e à homossexualidade, hoje, o católico comum é ainda mais liberal do que os protestantes evangélicos mais conservadores, cuja Declaração de Nashville, que discuti no meu último artigo, certamente não receberia aprovação da maioria dos católicos. Por exemplo, como o Life Site News informa, “dois em cada três católicos – uns extraordinários 67% – responderam à Pew Poll Surveyors que agora apoiam o “casamento gay”.

Essa “conversão” de católicos, na prática, ao protestantismo liberal era eminentemente previsível. Foi, de facto, predita pelo Papa Pio XI na sua condenação ao “movimento ecuménico” de origem protestante na década de 1920. Ao proibir qualquer participação católica nesse movimento subversivo, Pio XI lançou este aviso na sua histórica encíclica Mortalium animos (1928):

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grémio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

O erro em questão é o de reduzir as diferenças entre católicos e protestantes a questões meramente discutíveis, que são postas de lado em favor do “diálogo ecuménico” baseado em verdades supostamente mais fundamentais. Como Pio XI explicou:

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conheçam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progressos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Por outras palavras, o “movimento ecuménico” levaria inexoravelmente à aceitação católica de uma forma de cristianismo de menor denominador comum, sendo o denominador determinado pelo implacável declínio moral e espiritual das seitas protestantes cujos adeptos não estão minimamente interessados em submeter-se à autoridade do Papa e do Magistério.

No entanto, ignorando o alerta previdente de Pio XI, as forças progressistas no Concílio Vaticano II conseguiram obter o aval do Concílio precisamente em relação ao “movimento ecuménico” por meio do documento conciliar Unitatis redintegratio, que aprova abruptamente a participação católica no próprio movimento que Pio XI tinha condenado apenas 25 anos antes. O que se seguiu foi a pletora de encontros “ecuménicos”, liturgias e outros gestos que colocaram a Igreja Católica em pé de igualdade com as seitas protestantes que surgiram para negar não só verdades reveladas mas até mesmo os preceitos da lei natural a respeito do casamento, da procriação e da santidade da vida humana em todas as suas fases.

E agora vemos o resultado final desse desastroso erro de julgamento prudencial, tal como foi previsto por Pio XI:

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

Ironia das ironias, hoje, os protestantes mais conservadores (como os do Sínodo Luterano do Missouri) não querem nada com a busca louca do “ecumenismo católico” do Vaticano com denominações protestantes de orientações completamente degeneradas, incluindo os apatetados anglicanos, precisamente porque esses protestantes mais conservadores rejeitam o indiferentismo religioso que o “ecumenismo” implica.

O resultado final do “ecumenismo” – e de facto toda a “abertura ao mundo” que se seguiu ao Vaticano II – foi descrita por João Paulo II na sua exortação apostólica sobre o estado da Fé na Europa, ainda ele nunca tenha admitido a culpa da própria liderança da Igreja na ruinosa adoção daquilo que Pio XI havia condenado. Citando João Paulo II: “A cultura europeia dá a impressão de uma «apostasia silenciosa» por parte do homem saciado, que vive como se Deus não existisse.” Mas poderia João Paulo II não ter conseguido reparar no papel dos próprios líderes da Igreja na renúncia programática à função divinamente designada da Igreja como única arca da salvação, encorajando os membros do seu próprio bando a abandonar o navio?

Quando é que os líderes da Igreja irão admitir que o último meio século de experimentação na novidade tem sido um desastre total, produzindo a pior crise na história da Igreja? Apenas quando o Imaculado Coração de Maria triunfar depois da Consagração da Rússia em obediência à ordem divina.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. As citações incluídas neste artigo estão apresentadas na tradução oficial do Vaticano. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 9/2017

Celebrar a desgraça

Autor desconhecido, 1524, destruição de estátuas de santos em Zurique (Alemanha)
Autor desconhecido, 1524 – Destruição de imagens de santos durante os tumultos da reforma protestante em Zurique, Suíça

Atenção, isto não é uma brincadeira de mau gosto, nem resultou de uma frase infeliz proferida involuntariamente a bordo de um avião. Isto é a sério, é oficial, e já está a ser preparado há bastante tempo. A Igreja Católica resolveu associar-se institucionalmente às Celebrações dos 500 anos da Reforma Protestante. Uma iniciativa paradoxal que deve surpreender até as mentes mais abertas do mundo protestante.

Muito poderia ser dito sobre o absurdo que esta festa, em si, representa, sendo única em 500 anos. Por agora, fiquemos apenas com a resposta do Cardeal Gerhard Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que, relativamente a este assunto, afirmou recentemente o seguinte:

“Objetivamente falando, nós, os Católicos não temos razões para celebrar o 31 de outubro de 1517, a data que é considerada o início da reforma que levaria à rutura da Cristandade Ocidental.”

Este comentário surgiu a respeito da notícia que informa que o Papa Francisco visitará a Suécia para a comemoração dos 500 Anos da Reforma Protestante adiantada, entre outros, pelo próprio “L’Osservatore Romano”.

reforma protestante
Agência noticiosa do Vaticano                          Sítio oficial da Santa Sé na Internet

O ano das celebrações conjuntas – de protestantes e católicos – dos cinco séculos da Reforma Protestante, coincide curiosamente com o da celebração dos 100 anos das aparições de Fátima. Com efeito, apesar do clima de festa que já se vive na Cova da Iria, em boa análise, o Santo Padre ainda não confirmou a sua presença para a celebração do 1º Centenário das Aparições. No entanto, o Vaticano tem vindo a preparar, com tempo, uma ambiciosa agenda celebrativa do 5º Centenário da Reforma Protestante. Esperemos que, até lá, não se lembrem de beatificar Martinho Lutero ou João Calvino porque – aqui entre nós – já pareceu mais impossível.

A Santa Sé vai, no fundo, participar na celebração do grande aniversário da maior revolta interna da Igreja Ocidental, que afastou nações inteiras da verdadeira Igreja fundada por Cristo, as quais ainda hoje continuam afastadas. Pior, as seitas protestantes estão hoje mais rebeldes, heterodoxas e heréticas do que nunca. Nós, os católicos romanos, estamos então oficialmente convidados a comemorar. Mas o que há então para comemorar? A nossa memória coletiva não transporta coisas propriamente dignas de comemoração, tais como:

  • a contestação ao Magistério da Igreja, à sua doutrina;
  • a rebelião contra a Autoridade Papal, contra a supremacia de Roma;
  • a descrença nos Sacramentos;
  • a abolição do sacrifício da Eucaristia e a descrença na transubstanciação;
  • a eliminação dos sacrários das igrejas;
  • a perseguição aos católicos;
  • a destruição da ordem hierárquica estabelecida;
  • o combate feroz à moral católica;
  • o combate aos dogmas católicos;
  • a abertura à interpretação subjetiva dos textos sagrados.
  • a desvalorização da Virgem Maria e a sua expulsão das igrejas;
  • a destruição de magníficos dos altares que honravam a realeza do nosso Deus;
  • a destruição das estátuas dos santos e mártires cristãos que foram queimadas;
  • a abolição do celibato sacerdotal;
  • o aparecimento de sacerdotisas e bispas;
  • a desvalorização da divindade de Jesus Cristo;
  • a aceitação da homossexualidade como uma virtude moral;
  • a legalização religiosa do divórcio;
  • o desaparecimento de ordens religiosas;
  • a secularização do clero;
  • a banalização do Sagrado;
  • a introdução da cultura Pop e Rock nas celebrações religiosas;
  • a revolução constante das práticas e crenças religiosas;
  • o modernismo contra a Tradição;
  • a aceitação da maçonaria;
  • revolta, revolução;
  • etc;
  • etc;
  • etc…

Mais do que uma desolação, isto parece loucura… É como se, de repente, um soldado, que tinha sido amputado em combate, se lembrasse de festejar, com os seus inimigos, a data em que lhe cortaram a perna, o braço e as orelhas. Está tudo doido!

 

Basto 4/2016