Politécnico de Leiria homenageia Cardeal D. António Marto “pelo seu progressismo”

António.Marto.4.jpgO bispo de Leira-Fátima tem-se mostrado amigo do mundo e mundo retribui-lhe na mesma medida, exaltando-o. D. António Marto recebeu do Instituto Politécnico de Leiria o título honorífico de Professor honoris causa. Um reconhecimento “pelo seu progressismo, dinamismo e espírito de serviço em prol da sociedade, e pelo seu contributo para o prestígio da região de Leiria”.

O “seu progressismo” pastoral converge com os interesses da sociedade civil, em particular no que se refere à despenalização do adultério de longa duração. Uma atitude também apreciada pelo Papa Francisco, que já o elevou às honras cardinalícias e, mais recentemente, lhe atribuiu um cargo no dicastério da família, a partir do qual poderá fazer chegar a Alegria do Amor a muitos mais “fiéis que vivem em nova união” fora dos seus matrimónios.

É uma área onde me sinto bastante à vontade. Porventura, o Papa sabia isso, pelas conversas que tive com ele sobre a questão da família, sobre a exortação apostólica sobre a alegria do amor e a propósito da situação dos fiéis que vivem em nova união. Talvez tenha sido por isso que me escolheu para este dicastério, que é uma espécie de ministério do governo da Igreja.

(D. António Marto; in Jornal de Leiria, 25/10/2018)

D. António Marto, que deseja ser “parceiro do Papa Francisco no processo de reforma da Igreja” e trabalhar com ele na “purificação” da mesma, exercerá agora funções na Cúria Romana, no dicastério atribuído ao arcebispo pró-gay D. Kevin Farrell.

Basto 11/2018

Thomas Weinandy: “um teólogo para todas as estações”

O The Remnant Newspaper publicou mais um excelente cartoon alusivo ao drama da atual situação que se vive na Igreja Católica. Desta vez, fez um paralelismo entre o caso da recente resignação forçada do teólogo americano Thomas Weinandy e o martírio de São Tomás Moro (Thomas More).

Thomas Weinandy é um frade da ordem dos Capuchinhos, membro da Comissão Teológica Internacional, tendo sido também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA, cargo que teve de abandonar no momento em que questionou os estranhos ensinamentos e intenções do Papa Francisco.

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Título do cartoon: Um Teólogo para Todas as Estações – No balão de diálogo: “Morro como fiel servidor do Papa, mas Deus primeiro.” in The Remnant Newspaper, 08/11/2017

O cartunista fez uma alusão direta ao filme biográfico de 1966 sobre São Tomás Moro, A Man for All Seasons“, que quer dizer “Um Homem para Todas as Estações”, apesar de ter saído em Portugal e no Brasil com títulos que não correspondem à tradução literal do original.

A famosa frase de Tomás Moro “Morro como bom servo do rei, mas Deus primeiro.” terá sido pronunciada no seu próprio julgamento, em 1535. Sendo, à época, um homem influente e próximo do monarca inglês, Tomás Moro recusou, por razões de fé, reconhecer legitimidade à relação adúltera de Henrique VIII com Ana Bolena.

Tomás Moro foi executado no dia 6 de julho de 1535. Em 1886 foi beatificado pelo Papa Leão XIII e, em 1935, canonizado pelo Papa Pio XI.

Não tendo obtido, do Papa Clemente VII, a pretendida anulação do seu casamento com Catarina de Aragão para se recasar com Ana Bolena, o rei Henrique VIII acabaria por fundar, em 1534, a Igreja Anglicana, que continua, até hoje, separada de Roma.

Basto 11/2017

Papa Francisco condena lógica de casuística na questão do divórcio

Na homilia de 24 de fevereiro, na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco exortou os fiéis evitarem a lógica de casuística no juízo moral. Focando-se no tema do divórcio, tratado no evangelho do dia (Mc 10, 1-12), o Santo Padre condenou a hipocrisia dos fariseus que abordaram Jesus através de uma “lógica casuística” que é “um engano”.

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Rádio Vaticano, 24/02/2017

A abordagem casuística é um raciocínio moral feito caso a caso, que se baseia nas particularidades de casos concretos para justificar a licitude de algo moralmente ilícito.

O “caminho de Jesus”, de acordo com o Santo Padre, não é o “da casuística” mas sim o “da Verdade”, o “da misericórdia”. O caminho da misericórdia verdadeira, do arrependimento – acrescentamos nós…

A palavra de Deus é taxativa no que diz respeito ao Matrimónio, conforme atesta o texto do evangelho sobre o qual o Papa pronunciou a homilia aqui referida.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

O eufemismo “situação irregular”, utilizado frequentemente pela nova pastoral católica menos comprometida, equivale semanticamente ao termo “adultério” utilizado por Jesus Cristo no evangelho. Um pecado considerado grave, aliás mortal.

A Igreja deve ter todos os cuidados pastorais para com aqueles que mais necessitam, mas não pode, em caso algum, através da Sagrada Comunhão, oferecer a condenação eterna a quem não se encontra em condições de comungar (1Cor 11, 29).

Ao pretender-se atribuir legitimidade a uma relação adúltera, seguindo uma análise caso a caso, centrada na consciência individual e em outras particularidades, é entrar numa lógica de casuística, que dá aparência de verdadeiro juízo moral mas não passa de um sofisma, uma falsidade.

Agora só falta entender o que é o tal “discernimento”…

Será que o Santo Padre começou finalmente a perceber o sofisma doutrinal da heresia kasperiana, que ele mesmo tem promovido, de forma obstinada e incansável, desde a sua primeiríssima oração do Angelus?

Basto 3/2017

Francisco: “Não há outras interpretações.”

Mas o que diz afinal a exortação apostólica Amoris Laetitia?

A questão da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão é um dos principais temas que caracterizam o pontificado de Francisco. Foi ele quem o colocou em lugar de destaque na agenda da Igreja, no entanto, se alguém o questiona diretamente sobre o assunto, ele evita responder de forma clara e objetiva.

Sagrada Comunhão a adúlteros, sim ou não Santo Padre?

Não dá para entender. Conhecemos a posição clara e categórica de Cristo e da sua Igreja face a este tema, mas não podemos dizer o mesmo em relação ao Papa, o que não deixa de ser completamente absurdo!

Na atual situação de limbo hermenêutico criada pelo Papa Francisco, alguns continuam a esforçar-se por tentar interpretar a exortação apostólica Amoris Laetitia à luz do tradicional magistério da Igreja – por vezes parecendo até que contradizem o próprio Papa – enquanto outros, apoiados numa interpretação completamente avessa à doutrina cristã, precipitam-se numa “pastoral” verdadeiramente diabólica.

Para não incorrem no risco de uma má interpretação, os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires, que se preparavam para dar instruções aos seus sacerdotes no sentido de admitirem pessoas em situação de adultério à Sagrada Comunhão, pediram o parecer ao Santo Padre. Estaria eles a interpretar corretamente o polémico capítulo oitavo?

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 1

 

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 2

Resposta papal: “Não há outras interpretações.”

Bem, afinal parece que sim, os bispos interpretaram corretamente as intenções da exortação papal. Os adúlteros deverão mesmo ser admitidos à Sagrada Comunhão sem terem necessidade de corrigir a situação de pecado grave em que se encontram. Bastará que se sujeitem a um processo de “acompanhamento” e “discernimento”, no final do qual permanecerão na mesma situação de adultério inicial…

Qualquer outra interpretação da exortação apostólica que não preveja essa hipótese sacrílega está portanto, à partida, excluída, de acordo com o próprio Santo Padre.

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 1

 

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 2

A documentação acima evidenciada, aparentemente oficial, foi originalmente publicada pela Infocatólica e entretanto retirada, apresentando-se assinada e datada. A confirmar-se a autenticidade dos documentos, configura-se um facto grave de mais para ser ignorado pela Igreja. Um acontecimento inédito na história do Papado e da Igreja cujos contornos são de natureza apocalítica.

O Papa Francisco deve esclarecer imediatamente, de forma clara e objetiva, o caso do alegado aval concedido aos bispos argentinos, do mesmo modo, deve esclarecer, de uma vez por todas, o que pretende de facto com a Amoris Laetitia. Neste caso não basta um daqueles risíveis desmentidos lombardianos. A própria Congregação para a Doutrina da Fé tem de tomar uma atitude firme na resolução desta ambivalência doutrinal que está a dilacerar a Igreja.

O adultério é um pecado grave que leva à condenação eterna. Ninguém deve receber a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal, sob pena de estar a receber a sua própria condenação. Não será essa nova “pastoral” um passaporte para o Inferno?

Basto 9/2016

A Alegria do Amor em Espanha

No passado dia 14 de abril, a Conferência Episcopal Espanhola apresentou publicamente a exortação apostólica Amoris Laetitia. O painel de apresentadores era composto por seis grandes personalidades, representantes da hierarquia religiosa espanhola e também académicos, liderados por D. Carlos Osoro Sierra, arcebispo de Madrid e vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola.

No que concerne ao tema quente da exortação apostólica, a comunhão a divorciados “recasados”, é possível deduzir, partir das declarações dos presentes, uma aceitação natural dos avanços heréticos da hermenêutica kasperiana. Este facto confirma-se na resposta à primeira questão levantada pelos jornalistas (a partir do minuto 54:58) que foi, justamente, sobre a “ambiguidade” do texto que poderia permitir o seguinte paradoxo:

Pode acontecer que numa paróquia se dá a comunhão a um divorciado “recasado” […] enquanto na paróquia ou diocese ao lado não, […] como se vai resolver esta situação no dia-a-dia?

A questão criou algum desconforto nos presentes – pelo menos aparentemente – cuja reação fez lembrar uma batata quente, de mão em mão, que acabaria inevitavelmente no fim da mesa. Coube ao jesuita Pablo Guerrero, professor de Teologia Pastoral na Universidade Pontifícia de Comillas, apresentar uma resposta, a qual não foi contestada pelos restantes elementos que compunham o painel:

Isso é como sugerir que seria em função do critério do padre e não é. O Papa, num claro exercício da sinodalidade e comunhão com todo o corpo de bispos da Igreja, o que propõe ao pastor de cada diocese é formar os seus sacerdotes num conjunto de critérios comuns para evitar tal arbitrariedade. Nenhum sacerdote se deve sentir dono da Palavra de Deus .

Ou seja, depreende-se das suas palavras, que sim, só faltaria definir os critérios de elegibilidade dos divorciados “recasados” que poderão aceder à comunhão.

Num registo diferente, ainda esta semana, também em Espanha, no Seminário Metropolitano de Oviedo, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé contestou categoricamente essa possibilidade. O Cardeal Gerhard Müller reafirmou, mais uma vez, o magistério tradicional da Igreja neste domínio, fazendo questão de diferenciar o que é “excomunhão canónica” e “excomunhão sacramental” para refutar a tese kasperiana desta forma:

Eles [os divorciados “recasados”] não estão excomungados canonicamente, no entanto não poderão comungar sem antes regularizarem a sua vida e receberem o sacramento da Penitência.

[Tem havido alguma confusão, no entanto] a Igreja não é dona da Graça, apenas administra os sacramentos, estando vinculada e obrigada a caminhar nessa linha. A Igreja não tem autoridade para alterar este caminho dos sacramentos.

A “nova pastoral da família” promovida pelo Papa Francisco começou a gerar controvérsia em Espanha ainda antes da publicação da exortação apostólica, por exemplo,  nas dioceses de Alcalá y Getafe.

Já aqui se falou antes no trabalho ingrato da brigada de limpeza da Amoris Laetitia, cujas esfregonas se gastam intensivamente desde o dia 8 de abril, mas vale ainda a pena ouvir os sinceros esforços do excelente teólogo Pe. Santiago Martin na Magnificat TV.

 

Basto 5/2016

A Alegria do Amor em Milão

A exortação apostólica Amoris Laetitia “começou a mudar as atitudes relativamente à comunhão, na Arquidiocese de Milão”. A informação partiu de um artigo publicado pelo Mons. Fausto Gelardi no sítio da Internet da referida diocese (pode ler-se em Inglês aqui). Este prelado é o alto responsável pela Confissão na Catedral de Milão.

O referido texto sugere que alguém, entre os sacerdotes, talvez um pouco “precipitado e procurando eficiência”, terá aberto uma “janela” de consultas, dando a ideia de que “pode conceder rapidamente exceções”.

O artigo termina com a seguinte frase:

Os fiéis têm experimentado a ânsia de pastores que não são chamados para impor uma norma, mas para levantar o valor expresso por aquela norma, transportando em sentido real o “cheiro das ovelhas”.

 

Basto 4/2016

Memorando para a brigada de limpeza da “Amoris Laetitia”. Agora já podem parar.

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Por Christopher A. Ferrara

Será que a Amoris Laetitia alcança aquele que foi, obviamente, o objetivo do Papa Francisco durante este tempo todo: a admissão de reconhecidos adúlteros – divorciados e “recasados” – à Sagrada Comunhão em “certos casos” (que significa, em última instância, todos os casos)? É claro que sim.

Como revelou a alegria manifestada, em conferência de imprensa, pelo co-apresentador escolhido a dedo por Francisco para apresentar este documento “catastrófico” ao mundo, o Cardeal Christoph Schönborn, conhecido pela sua orientação “pró-gay” e pró-divórcio: “A minha grande alegria, resultante deste documento, reside no facto de que ele coerentemente supera aquela clara divisão artificial, superficial, entre ‘regular’ e ‘irregular'” – ou seja, “superficial” distinção entre as uniões sexuais lícitas e as imorais, entre o casamento cristão e as relações que envolvem adultério e fornicação.

Especificamente na questão da Sagrada Comunhão para adúlteros, Schönborn disse aquilo que já era evidente a partir da linguagem da fatídica nota de rodapé 351:

E o Papa Francisco recorda a necessidade de discernir bem as situações, seguindo a linha da Familiaris consortio (n. 84) de São João Paulo II (AL 298). “O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus” (AL 305)…

No sentido desta via caritatis (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351), que se pode dar também a ajuda dos sacramentos “em certos casos”. Mas para este propósito ele não nos oferece uma casuística de receitas, mas simplesmente nos recorda duas de suas famosas frases: “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (EG 44) e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos” (EG 44).

Observe-se a frase “de acordo com a Familiaris Consortio (84) de São João Paulo II.” Então, a velha fraude continua, pois Francisco e Schönborn escondem o facto de, na referida secção da exortação apostólica de João Paulo II, se rejeitar especificamente qualquer possibilidade de um “discernimento” que permita a reconhecidos adúlteros receber o Santíssimo Sacramento – em “certos casos” ou em qualquer caso. Mas isso foi quando as coisas eram “preto no branco”, agora, com Francisco, elas tornaram-se acinzentadas.

E agora ficámos a conhecer, pelo próprio Papa, que Francisco contradiz categoricamente o seu antecessor e toda a Tradição. Durante a conferência de imprensa a bordo do seu voo de regresso da Grécia, ele foi questionado se, ao contrário daqueles que dizem que “nada mudou”, a Amoris Laetitia autoriza “novas possibilidades concretas para os divorciados que voltaram a casar, que não existiam antes da publicação esta exortação”. Com a mão apontada e acenando com a cabeça para dar ênfase, Francisco respondera: “Eu posso dizer que sim, ponto final.” (” Io posso dire sì. Punto.”).

Por incrível que pareça, ele recomendou ainda a leitura da apresentação de Schönborn, na qual “essa questão encontra a resposta”. Eu digo incrível porque a resposta de Schönborn foi: “O Papa afirma, de forma humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada “em certos casos”.” Ou seja, Francisco – ao jeito de um político astuto – fez-nos um finta, enquanto passava a bola: leia o que o meu assistente Schönborn disse, a fim de saber o que eu disse no meu próprio documento!

Será isto real? Na verdade, é. E agora um pequeno conselho, não solicitado, para todos os “normalistas” que ainda tentam desesperadamente limpar este documento catastrófico (sobre o qual muito mais será escrito, mais tarde, nestas páginas): Guardem as vossas vassouras. Isto não dá para limpar. Francisco está a fazer-vos passar por idiotas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de abril de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor a bordo do avião papal

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Irmãos Wright, 1903

Como o tema da abertura da sagrada comunhão eucarística a pessoas em situação de adultério está ainda longe de ser encerrado, os fieis continuam a levantar questões ao Santo Padre. Desta vez, foi a bordo do avião papal, na viagem de regresso de Lesbos, que Sua Santidade foi abordada por um jornalista.

Frank Rocca (jornalista do Wall Street Journal): Gostaria de fazer uma pergunta sobre a exortaçãoAmoris Laetitia”. Como sabe, tem havido muitas discussões sobre um dos pontos: alguns argumentam que nada mudou para o acesso aos sacramentos aos divorciados novamente casados, outros argumentam que muita coisa mudou e que há tantas novas aberturas. Existem novas possibilidades concretas ou não?

Papa Francisco: Posso dizer que sim. Mas seria uma resposta muito curta. Eu recomendo a leitura da apresentação do documento feita pelo Cardeal Schonborn, um grande teólogo que trabalhou na Congregação para a Doutrina da Fé.

(Entrevista a bordo do Avião, dia 16 de abril de 2016)

O autor da notícia da Agência Ecclesia a respeito desta questão até é mais preciso, ao referir que a resposta do Papa foi: “Posso dizer que sim, ponto final.”, traduzido de “punto” (minuto 21′:42″).

Sua Santidade, admitindo que o “sim” era “uma resposta muito curta”, pelo que nos remeteu para as explicações do Cardeal Schonborn, o conhecido defensor da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão, ou o mesmo que defende que a Igreja deve valorizar os “elementos positivos” das “uniões homossexuais”.

Valha-nos Deus!

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor nas Filipinas

A Conferência de Bispos Católicos das Filipinas, tendo feito a sua própria interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, deu um passo em frente, ordenando a distribuição da sagrada comunhão a pessoas que se encontram divorciadas e com relações irregulares. Não esperaram, portanto, pelas orientações pastorais da Santa Sé e avançaram, desde já, com esta nova ideia de misericórdia da moda, que passa por dar comunhão eucarística a quem se encontra objetivamente em situação de pecado grave, como é o adultério.

“…há sempre um lugar à mesa dos pecadores, na qual o Senhor se oferece a si mesmo como comida para os miseráveis.”

“Esta é uma disposição de misericórdia, uma abertura de coração e de espírito que não precisa de lei, nem espera nenhuma diretriz, nem espera para avançar. Ela pode e deve acontecer imediatamente.”

Arcebispo Socrates Villegas, Presidente da CBCF (9 de abril de 2016)

Convém lembrar que o Magistério da Igreja não mudou neste domínio, nem pode mudar. Deste modo, dar a comunhão pode significar oferecer a condenação.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Roma


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Caravaggio, 1607

A partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”

Um pouco por todo mundo, os católicos ainda tentam interpretar as ambíguas palavras da exortação apostólica, Amoris Laetitia, mas a partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”. Enquanto isso acontece, a maior parte dos católicos continuam a fazer como a Salomé, virando a cara para o lado…

O Pe. Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta aprovada pela Santa Sé, explica claramente, na última edição desta revista, as inovações doutrinais/pastorais previstas na exortação apostólica “A Alegria do Amor”. Para comprovar que não se trata de um mal-entendido, ou de um abuso editorial do Pe. Spadaro, as suas explicações são posteriormente reproduzidas, também pela Radio Vaticano, em diversas línguas.

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Rádio Vaticano, 12/04/2016

ENTREVISTADOR: Isto não significa que exista uma verdade, mas depois, na prática se pode fazer rasgos na regra?

SPADARO: “Uma vez o Papa disse, escandalizando um pouco, que a verdade é relativa. O que ele quis dizer? Não que a verdade não seja absoluta, mas que é relativa às pessoas, ou seja, se não existe o ser humano, a verdade evangélica permanece sozinha, isolada, inútil. Portanto, o discernimento consiste em compreender, como a verdade evangélica se encarna concretamente na minha existência, na minha pessoa”.

ENTREVISTADOR: Sobre a situação das famílias feridas, aquelas situações consideradas “irregulares”, como diz o Papa Francisco, o documento sublinha a importância de não colocar limites à integração….

SPADARO: “O Papa sempre insistiu sobre a necessidade de integrar também aqueles que não estão em grau de viver na plenitude da vida cristã. E a Igreja mãe, a Igreja misericordiosa, é exatamente isto: uma Igreja que acolhe os seus filhos. Isto significa que uma norma canónica não pode ser aplicada sempre, contudo, em todos os casos, em qualquer situação, precisamente porque existe a consciência. Portanto, às vezes se está em uma situação de pecado objetivo – diríamos – onde, porém, não existe uma consciência objetiva. Assim, um juízo objetivo sobre uma situação subjetiva, não implica um juízo sobre a consciência da pessoa envolvida. Esta é uma passagem muito importante porque salienta a consciência e porque não coloca mais um limite à integração, nem mesmo à sacramental”.

(in Radio Vaticano, 12/04/2016)

Ou seja, a Verdade é relativa. Existe uma Verdade, que nos foi revelada através da Sagrada Escritura e da Tradição, mas o mais importante é mesmo a consciência individual… O que cada um pensa ou deixa de pensar, num determinado momento da sua vida, sobrepõe-se à Verdade de Deus.

É caso para dizer que alguém perdeu a cabeça…

Basto 4/2016

Resposta a todas as dúvidas do momento – simples e pragmática

O Magistério da Igreja Católica, em matérias de matrimónio, família e amor conjugal, foi sujeito a uma avaliação, durante todo o processo sinodal que agora se encerra. Desde as paróquias, passando pelas dioceses e pelas conferências episcopais, até às duas assembleias sinodais, todos os fieis foram chamados a pronunciar-se sobre várias questões relacionadas com o tema da família. Foram levantadas e debatidas várias questões controversas, algumas por iniciativa do próprio Santo Padre, as quais colocaram em causa a continuidade da hermenêutica tradicional do Magistério da Igreja.

Finalmente, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica, Amoris Laetitia, e todas as questões levantadas deveriam estar agora esclarecidas, mas as dúvidas persistem, dada a variedade de interpretações a que o documento se presta.

Neste momento, um pouco por todo o lado, pergunta-se o seguinte:

  • O adultério é ainda um pecado mortal?
  • E a prática de relações homossexuais?
  • O pecado mortal ainda conduz ao inferno?
  • Será que o inferno existe mesmo?
  • Deve-se comungar quando se vive objetivamente em situação de pecado mortal?
  • Os chamados “percursos de discernimento pessoal e pastoral” são também para os “recasados” pela 2ª e 3ª vez? Qual é o número máximo de “recasamentos” admissível nesta solução pastoral?
  • Os pecados podem ser absolvidos a quem não se arrepende ou não tenciona corrigir a situação pecaminosa em que se encontra?
  • São João Batista teve um coração duro em relação a Herodes e Herodíade?
  • Henrique VIII e Ana Bolena não receberam misericórdia de São Tomás Moro? Nem o acolhimento de São João Fisher?

A “teóloga” Vicky Pollard ajuda-nos, de uma forma simples e pragmática, a perceber a nova resposta para todas estas e outras questões semelhantes.

Tradução: Sim, mas não, mas sim, mas não, mas sim, mas não, mas…

Ou em alternativa, de forma não menos simples nem menos pragmática, podemos seguir o tradicional Magistério da Igreja, nestas e noutras questões morais, doutrinais ou pastorais, cuja resposta foi sempre bem clara e segura.

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Portugal

Henrique VIII e Ana Bolena
Henrique VIII e Ana Bolena (Friedrich Pecht, 1900)

Afinal de contas, o que disse o Santo Padre?

Presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) fizeram, aparentemente, leituras diferentes da exortação apostólica Amoris Laetitia, no que concerne ao tema fraturante da possibilidade de admitir os divorciados “recasados” à comunhão sacramental.

Não é que não estivéssemos já à espera que algo semelhante a isto pudesse vir acontecer, dada a natureza do texto, mas agora está à vista. Até parece que chegaram duas exortações apostólicas diferentes a Portugal. Mas o que se passa no nosso país não deve ser muito diferente do que está a acontecer por esse mundo fora, nestes dias.

Já aqui tínhamos referido que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidente da CEP, não encontrou no texto qualquer abertura à comunhão para os divorciados “recasados”. Mas foi mais além, ao notar que, no âmbito das possibilidades pastorais sugeridas pela exortação apostólica para melhorar a integração dessas pessoas,  não consta a prática “sacramental”, mas apenas práticas do âmbito “litúrgico, pastoral, educativo e institucional”. Na sua opinião, essa possibilidade foi omitida no texto propositadamente por não ser considerada.

Todavia, D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima e vice-presidente da CEP, mostrou-se “agradavelmente surpreendido” com as mudanças que o Santo Padre promove com a exortação apostólica. Este bispo entendeu, a partir da leitura do documento, que o “Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família” na qual, no caso dos divorciados “recasados”, “abre mesmo uma janela para a possibilidade da ‘ajuda dos sacramentos’ da Reconciliação e da Eucaristia em certos casos”. Não estabelece uma  “regra geral”, mas propõe “percursos personalizados de discernimento pessoal e pastoral, com vários momentos, para a melhor integração na vida da comunidade com a ajuda da Igreja”. Mas isso não seria a aplicação da ‘via kasperiana’, amplamente rejeitada pelos Padres Sinodais?

Convém salvaguardar que as notícias acima referidas são curtas e produzidas em contextos específicos, carecendo de informação adicional, e portanto devem ser avaliadas com alguma prudência. No entanto, atendendo às notícias do ano passado, bem como aos seus protagonistas, assim à primeira vista, parece-nos que o Santo Padre não apagou o lume que ele próprio acendeu na Igreja Portuguesa e no mundo católico em geral. Continua arder e ninguém percebeu ainda muito bem até onde é que este brasume pode alastrar, e que consequências terá.

Se Papa Francisco tivesse pedido a colaboração do Papa Emérito na redação do texto da exortação apostólica, a sua imagem de humildade, que o mundo lhe atribui, sairia grandemente beneficiada. Tenho a certeza de que Bento XVI daria o melhor de si para o ajudar e todos teríamos ficado a ganhar.

Basto 4/2016