Papa Francisco: um “bom ateu” vai para o Céu

Isto aconteceu em Roma, no último domingo, 15 de abril, durante a visita papal à paróquia de São Paulo da Cruz, quando uma criança foi conduzida até ao Santo Padre.

O pai do menino está no Céu se acreditou em Deus, tendo abandonado portanto a sua condição de não-crente, de ateu, nem que fosse no último fôlego da sua vida terrena. Essa é a esperança à qual a criança deve agarrar-se e é nesse sentido que deve rezar ao longo de toda a sua vida. Para que, no grande mistério que é a Divina Providência, o seu pai tenha alcançado essa graça.

Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado. (Mc 16, 16)

Este episódio, conforme foi apresentado, irá naturalmente relançar o tema estéril da santidade dos “bons ateus” e alimentar o modernista sofisma da salvação de não-crentes.

Basto 4/2018

Ser salvo sem acreditar em Jesus Cristo…

Murillo 1675-82
Murillo, 1675-82, Conversão de São Paulo

Acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Messias de Israel, deixou de ser necessário para a salvação das almas, pelo menos na opinião da Comissão [do Vaticano] para as Relações Religiosas com o Judaísmo. Num documento oficial, publicado em dezembro do ano passado, aquela comissão papal estabeleceu que os nossos irmãos judeus não necessitam de acreditar que Jesus Cristo é o Redentor da Humanidade para poderem ser salvos. Ou seja, enganou-os!

Atendendo a esta nova doutrina delirante emanada da Santa Sé, ainda não deu para perceber muito bem qual é o atual estatuto dos judeus que se converteram ao Cristianismo, incluindo os grandes santos.

Com uma ousadia que não lembra nem ao diabo, o Vaticano ignorou versículos e versículos do Novo Testamento, em especial os do Evangelho de São João, para apostatar assim:

36. No entanto, da crença cristã, de que só pode haver um caminho de salvação, isso não quer dizer, de forma alguma, que os judeus são excluídos da salvação de Deus porque não acreditam em Jesus Cristo como Messias de Israel e Filho de Deus. […]

(Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, Vaticano, 10/12/2015)

Para os livres pensadores que escreveram a heresia acima transcrita, sugiro que meditem nas palavras de Jesus quando disse «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.» (Jo 14:6,7). Mas como eles não acreditam, e querem que também nós deixemos de acreditar, propõem que Igreja Católica deixe de pregar a conversão aos judeus. Assim:

40. […] A Igreja vê-se assim obrigada a considerar a evangelização em relação aos judeus, que acreditam em um só Deus, com parâmetros diferentes aos que adota para lidar com pessoas de outras religiões e concepções do mundo. Na prática, isso significa que a Igreja Católica não age nem mantém qualquer missão institucional específica destinada aos judeus.

(Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, Vaticano, 10/12/2015)

Pois, mas Jesus dissera o seguinte: «Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel.»(Mt 10:6). Portanto, aos olhos de Jesus, a conversão dos judeus é não só necessária, como também prioritária. Devemos rezar pela conversão de todos aqueles que ainda não acreditam que Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo, é o único caminho de Salvação.

Não se trata de racismo ou antissemitismo, o catolicismo é aberto a todas as raças e nacionalidades. Na nossa perspectiva cristã universal, respeitamos todos os judeus, sejam eles cristãos ou não cristãos, aliás, a nossa Igreja foi fundada por judeus. Os cristãos devem viver em paz com toda a gente, mas não podem deixar de anunciar a Verdade, acolhendo alegremente todos aqueles que se sentem chamados por Deus, venham eles de onde vierem.

A Igreja Católica é a Igreja Universal, fora da qual não há salvação, mas até o Papa não parece muito convencido.

São Caetano
Mensagem do Papa Francisco aos fiéis de São Caetano de Buenos Aires, agosto de 2013

Sim! Sim! Sim! Porque não, Santo Padre? Na Igreja Católica convivem diversas tradições, ritos, culturas, nações, raças, etnias e sensibilidades, mas a Fé é a mesma, a única verdadeira. Extra Ecclesiam nulla salus é uma verdade dogmática.  “El encuentro” pode ser politicamente muito bonito mas não salva. O encontro com o outro é o momento de afirmar ou reafirmar a Verdade, senão torna-se num encontro vazio, sem frutos.

As nossas raízes religiosas são judaicas, nós mantemos todo o Antigo Testamento, mas o Messias já chegou, foi morto e ressuscitou, e agora tem as chaves da morte. Com Jesus Cristo, estabeleceu-se uma nova aliança entre Deus e a Humanidade, ninguém vai ao Pai senão por Ele.

E já agora, terá valido a pena a conversão do judeu Saulo a caminho de Damasco? Gostava de conhecer a opinião daqueles teólogos loucos!

Basto 3/2016