Documento Preparatório do Sínodo Amazónico impregnado de Teologia da Libertação

Declara a Eucaristia “simbólica”, elogia a “teologia feminista e ecológica”.

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Por Stephen Wynne

BOGOTÁ, Colômbia (ChurchMilitant.com) – O impacto da teologia da libertação no próximo Sínodo da Amazónia está a tornar-se cada vez mais evidente.

As preocupações em torno do Instrumentum Laboris do Sínodo da Amazónia agravam-se por causa de um documento preparatório anterior intitulado “Rumo ao Sínodo Pan-Amazónico: Desafios e Contribuições da América Latina e das Caraíbas“.

Revelado durante uma recente investigação do LifeSiteNews, o trabalho de 136 páginas é fruto de uma reunião realizada em abril, em Bogotá, Colômbia, coorganizada pela REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazónica) e pela Ameríndia, duas grandes promotoras da teologia da libertação.

O Instrumentum Laboris confirma o significado da reunião, referindo-se a esta como parte importante do processo preparatório do Sínodo.

Com declarações heréticas, o documento de Bogotá saúda o ex-sacerdote Leonardo Boff, um importante defensor da teologia da libertação censurado pelo Vaticano por causa dos seus ataques à doutrina católica.

O documento despreza a missão salvífica da Igreja Católica, afirmando que não há uma fé verdadeira, que todas as religiões são capazes de trazer salvação aos seus seguidores.

“Não é justo afirmar que só uma religião é verdadeira e que as outras são decadência, porque todas elas revelam o mistério de Deus e revelam os muitos caminhos pelos quais caminhamos na fidelidade e no amor a Deus”, diz o documento.

E acrescenta que a Igreja Católica deve passar “de um exclusivismo intolerante a uma atitude de respeito que aceite que o cristianismo não tem um monopólio histórico sobre a salvação” e que “o pluralismo e a diversidade das religiões são expressões de uma sábia vontade divina”.

A obra não menciona a Eucaristia como corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo. Pelo contrário, reduz a Eucaristia a uma expressão “simbólica” da experiência “comunitária” – uma flagrante heresia modernista condenada pelo Papa Pio X na sua encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 1907.

“Na liturgia, a Igreja expressa a sua fé de maneira simbólica e comunitária”, diz o documento de Bogotá.

Referindo-se ao ensinamento de que a Eucaristia é fonte e ápice da vida cristã, declara:

A liturgia é o “cume”, porque ao pé da mesa se apresenta a experiência das pessoas, o caminho da comunidade e o contexto sócio-cultural em que se insere. “Fonte”, porque da memória viva do amor de Cristo e do encontro com irmãs e irmãos nasce o desejo e a capacidade de um discipulado mais coerente e de um testemunho mais eficaz.

O documento de Bogotá, ainda que fale de fidelidade ao Magistério, descreve o sacerdócio masculino não como um dogma de base, mas como uma “posição” maleável e favorável ao espírito da época:

Recomendamos […] que os teólogos, respeitando de modo reverente os dados da fé e em profunda comunhão com o Magistério, continuem com total liberdade a reflexão sobre a ordenação sacerdotal das mulheres, enriquecendo a sua análise com recursos provenientes da psicologia, sociologia, antropologia, história, filosofia e hermenêutica, para poder discernir a presença do Espírito naquele sinal dos tempos que é […] a presença da mulher na vida pública.

Apelando ao fim da “perspetiva patriarcal” da Igreja, o documento de Bogotá defende uma “teologia feminista e ecológica” completa com sacerdotisas.

Elogia também as tradições indígenas pagãs, apelando à compreensão e ao reconhecimento “das virtudes, conhecimentos e cosmovisões existentes entre os grupos étnicos ancestrais, que ainda conservam a capacidade de ler e conceber a natureza como a verdadeira mãe”.

Continuando a elogiar as tradições indígenas, o documento descreve Deus como um “Criador-Criadora” masculino-feminino:

Eles têm as suas histórias sagradas, línguas, conhecimentos, tradições, espiritualidades e teologias. Todos procuram construir um “bom viver” e a comunhão das pessoas entre si, com o mundo, com os seres vivos e com o Criador-Criadora. Sentem que estão a viver bem na “casa” que o Criador-Criadora lhes deu na Terra.

Dos 28 colaboradores do documento de Bogotá, quatro desempenharam papéis fundamentais na construção do sínodo e dois são os principais autores do Instrumentum Laboris.

Como confirma o conteúdo de ambas as obras, estes arquitetos do Sínodo da Amazónia, de 6 a 27 de outubro são portadores de tochas da teologia da libertação. Através da oração e do jejum, os fiéis católicos estão a preparar-se para o seu impacto sobre a Igreja.

A edição original deste texto foi publicada em Church Militant a 26 de setembro de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 09/2019

Francisco reabilita um dos principais rostos da teologia da libertação

O Papa Francisco levantou as sanções canónicas anteriormente impostas a Ernesto Cardenal. O sacerdote e poeta nicaraguense, que fora repreendido publicamente pelo Papa João Paulo II, encontrava-se há mais de 30 anos suspenso a divinis por causa da sua militância marxista sandinista.

Basto 02/2019

Na Nicarágua celebrou-se uma missa em honra do ditador comunista Fidel Castro

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Altar improvisado para a imagem do déspota comunista latino-americano; in Viva Nicaragua, 26/11/2018.

Foi na Igreja de Nossa Senhora das Mercedes, em Manágua, que se juntaram “fiéis” e diplomatas à Juventude Sandinista para a celebração de uma missa em honra de Fidel Castro, o falecido líder revolucionário marxista e chefe máximo do regime comunista cubano.

Basto 12/2018

Para 2017, mais do mesmo: política de esquerda embrulhada em linguagem de piedade católica

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Por Christopher A. Ferrara

Enquanto católicos do mundo inteiro, desde cardeais até aos simples fiéis nos bancos das igrejas, olham para este pontificado com crescente alarme e consternação, não há sinal algum de que Francisco vire uma nova página com o início do novo ano.

Como parte do seu programa de tentar refazer a Igreja à sua própria imagem, Francisco nunca perde uma oportunidade de condenar os católicos ortodoxos nas suas declarações, sermões e observações casuais, os quais, incansavelmente, promovem itens da agenda política e social que nenhum democrata consideraria ofensiva. Tais itens são geralmente transmitidos no contexto de piedosas referências a Nosso Senhor e Sua Mãe.

A véspera de Ano Novo de 2016 não foi exceção. A homilia de Francisco nas Vésperas e Te Deum começa de forma promissora, num tom de boa piedade católica, com uma citação da Sagrada Escritura: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl 4, 4-5).

Mas já sabemos o que vem a seguir, depois de quase quatro anos de experiência nessa mistura latino-americana de piedade populista e política de esquerda conhecida como Bergoglianismo: o Evangelho será transformado num manifesto de justiça social e os fiéis católicos que defendem a ortodoxia serão novamente caricaturados. Pois o homem é incansável na busca da sua “visão” da Igreja. Deste modo, lemos nos seguintes parágrafos:

“Em Cristo, Deus não Se mascarou de homem, fez-Se homem e partilhou em tudo a nossa condição. Longe de se encerrar num estado de ideia ou essência abstrata, quis estar perto de todos aqueles que se sentem perdidos, mortificados, feridos, desanimados, abatidos e amedrontados; perto de todos aqueles que, na sua carne, carregam o peso do afastamento e da solidão, para que o pecado, a vergonha, as feridas, o desconforto, a exclusão não tenham a última palavra na vida dos seus filhos.

O presépio convida-nos a assumir esta lógica divina: não uma lógica centrada no privilégio, em favores, no compadrio; mas a lógica do encontro, da aproximação e da proximidade. O presépio convida-nos a abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros. O próprio Deus veio quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão, que faz resplandecer em cada pessoa a dignidade para que foi criada. Um menino envolto em panos mostra-nos a força de Deus que interpela como dom, como oferta, como fermento e oportunidade para criar uma cultura do encontro.”

Observe-se a transformação subtil do Cristo Redentor, que se tornou homem para libertar a humanidade caída pelo peso do pecado, da vergonha e do desespero, como lemos no primeiro parágrafo, no Cristo ativista social do segundo parágrafo, que veio para “abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros“, para “quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão” e para criar “uma cultura do encontro”.

Não, Cristo não veio para abolir privilégios, condenar a “exclusão” ou promover a “inclusão” e uma “cultura do encontro”. A sua missão não envolveu nenhum desses slogans de esquerda. Esse é o falso cristo da Teologia da Libertação. O Cristo verdadeiro recusou tal missão de justiça social em favor da Sua vocação divina: redimir, através do Seu sacrifício de valor infinito, o homem caído. Com esse sacrifício, Ele conquistou para os homens a graça de obedecer aos Seus mandamentos para que, conforme São Paulo alertou aos Filipenses, eles pudessem “com temor e tremor trabalhar pela [sua] salvação.” (Fl 2, 12)

Conforme o próprio Nosso Senhor disse aos discípulos que murmuravam contra a mulher que havia gasto um caro perfume nos Seus pés sagrados em vez de vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres: “Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura (Mt 26, 10-13).”

É claro que os cristãos têm o dever de ajudar os pobres e aliviar o seu sofrimento; e a Igreja sempre ensinou que os bens desta terra têm um destino universal e não pertencem exclusiva e absolutamente a seus possuidores imediatos. Mas Cristo não veio para extinguir a pobreza – que é inextinguível – para redistribuir a riqueza, ou para promover a “inclusão” – tal como as fronteiras abertas e a sociedade plurirreligiosa que Francisco exige para sua “cultura do encontro”.

Depois, inevitavelmente, vem uma condenação dos católicos ortodoxos, que Francisco agora parece incluir em praticamente todas as declarações sobre qualquer assunto – as quais, de alguma forma, sempre regressam ao mesmo assunto. Diz Francisco:

“Quando chega ao fim mais um ano, paremos diante do presépio para agradecer todos os sinais da generosidade divina na nossa vida e na nossa história, que se manifestou de inúmeras maneiras no testemunho de tantos rostos que anonimamente souberam arriscar. Agradecimento esse, que não quer ser nostalgia estéril nem vã recordação do passado idealizado e desencarnado, mas memória viva que ajude a suscitar a criatividade pessoal e comunitária, pois sabemos que Deus está connosco. Deus está connosco!”

Nostalgia estéril e recordações vazias de um passado idealizado e desencarnado – é assim que Francisco caracteriza incessantemente os defensores da ortodoxia católica e a tradicional disciplina que protege a verdade salvadora de Cristo perante os compromissos que condenam almas. E quem serão aqueles que “anonimamente souberam arriscar” para promover a “criatividade comunitária”, os quais, segundo Francisco, são aqueles cujo “testemunho” é verdadeiramente cristão? Como se nós não soubéssemos: são aqueles que, com ele, aceitam que adúlteros públicos em “segundos casamentos” recebam a Sagrada Comunhão – a grande obsessão deste bizarro pontificado.

Virando-se para os jovens, Francisco conclui com mais do “Evangelho social” que ignora o bem-estar eterno das almas:

“Criamos uma cultura que por um lado idolatra a juventude procurando torná-la eterna, mas por outro, paradoxalmente, condenamos os nossos jovens a não possuir um espaço de real inserção, porque lentamente os fomos marginalizando da vida pública, obrigando-os a emigrar ou a mendigar ocupação que não existe ou que não lhes permite projetar o amanhã. Privilegiamos a especulação em vez de trabalhos dignos e genuínos que lhes permitam ser protagonistas ativos na vida da nossa sociedade. Esperamos deles e exigimos que sejam fermento de futuro, mas discriminamo-los e «condenamo-los» a bater a portas que, na maioria delas, permanecem fechadas.”

Esta é então  a esperança de Francisco para os jovens durante o próximo ano: não que sejam libertados, pela graça de Deus, de uma cultura corrompida e voltem as costas ao pecado, olhando para o seu destino eterno, mas antes que encontrem bons empregos. Cristo não estabeleceu a Sua Igreja sob a liderança terrena do Vigário de Cristo para que o Papa pudesse exigir o pleno emprego dos jovens, a “inclusão” e a “cultura do encontro”. O ofício petrino é a pedra sobre a qual a fé e a moral assentam e através da qual são preservados – como tem sido transmitido através dos séculos – para a salvação das almas. Mas Francisco – e isto deve ser dito – não parece muito interessado nos atributos desse ofício.

E parece que podemos esperar mais da mesma propaganda vazia de justiça social em 2017. A não ser que aconteça uma milagrosa mudança de coração, Francisco continuará a empregar a linguagem da piedade católica e os nomes de Cristo e de Sua Santíssima Mãe para promover os mesmos objetivos sociopolíticos que seriam agradáveis a Hillary Clinton, enquanto condena os católicos que procuram perseverar na fé integral dos seus antepassados.

É arriscado fazer previsões, contudo, mesmo a partir de uma perspetiva humana falível, este absurdo não pode continuar por muito mais tempo sem uma correção dramática proveniente do alto. O Ano de Nosso Senhor 2017 promete ser preenchido com esse tipo de drama.

Nossa Senhora de Fátima, defendei a Vossa Igreja!

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 3 de janeiro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com (citações na tradução oficial do Vaticano)

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 1/2017