Arcebispo Viganò: o 3.º Segredo continua por publicar.

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Imagem que marca a Quaresma de 2020, no 7º ano do sinistro pontificado de Francisco. O Papa destacado e iluminado, acima de uma imagem ténue e sombria de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado. Fonte: Vatican News, 10/04/2020.

Numa entrevista publicada, no passado dia 21 de abril, no blogue Dies Irae, a qual merece ser lida na íntegra, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò afirma que o 3º Segredo de Fátima continua até hoje por publicar. O ex-núncio apostólico nos EUA lembra que aqueles que tiveram a oportunidade de ler o manuscrito da Ir. Lúcia disseram que o segredo de Nossa Senhora referia-se à futura apostasia na Igreja.

“A terceira parte da mensagem que Nossa Senhora confiou aos pastorinhos de Fátima, para que eles a entregassem ao Santo Padre, permanece em segredo até hoje. Nossa Senhora pediu para ser revelada em 1960, mas João XXIII publicou, a 8 de Fevereiro daquele ano, um comunicado em que afirmava que a Igreja «não quer assumir a responsabilidade de garantir a veracidade das palavras que os três pastorinhos dizem que a Virgem Maria lhes dirigiu». Com este afastamento da mensagem da Rainha do Céu, deu-se início a uma operação de encobrimento, evidentemente porque o conteúdo da mensagem revelaria a terrível conspiração dos seus inimigos contra a Igreja de Cristo. Até há algumas décadas, pareceria inacreditável que pudéssemos ter chegado ao ponto de amordaçar também a Virgem Maria, mas nestes últimos anos temos também assistido a tentativas de censurar o próprio Evangelho, que é a Palavra do Seu divino Filho.

Em 2000, durante o Pontificado de João Paulo II, o Secretário de Estado, Cardeal Sodano, apresentou como Terceiro Segredo uma versão sua que, em relação a alguns elementos, apareceu claramente incompleta. Não admira que o novo Secretário de Estado, Cardeal Bertone, tenha procurado desviar a atenção sobre um evento do passado, a fim de fazer crer ao povo de Deus que as palavras da Virgem não tivessem nada que ver com a crise da Igreja e com o conluio entre modernistas e maçonaria realizado nos bastidores do Vaticano II. Antonio Socci, que investigou exaustivamente sobre o Terceiro Segredo, desmascarou este comportamento malicioso da parte do Cardeal Bertone. Por outro lado, foi o próprio Bertone a desacreditar fortemente e a censurar Nossa Senhora das Lágrimas de Civitavecchia, cuja mensagem concorda perfeitamente com o que Ela disse em Fátima.”

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“Quem leu o Terceiro Segredo disse claramente que o seu conteúdo diz respeito à apostasia da Igreja, iniciada precisamente no princípio dos anos sessenta e que, hoje, chegou a uma fase tão evidente que pode ser reconhecida por observadores seculares. Esta insistência quase obsessiva sobre questões que a Igreja condenou sempre, como o relativismo e a indiferença religiosa, um falso ecumenismo, o ecologismo malthusiano, a homoeresia e o imigracionismo, encontrou na Declaração de Abu Dhabi o cumprimento de um plano concebido pelas seitas secretas desde há mais de dois séculos.”

O texto do Segredo de Fátima devia ter sido conhecido “por ordem expressa de Nossa Senhora”, em 1960, no início da década em que, à boleia de interpretações erráticas do Concílio Vaticano II, uma grande parte da hierarquia católica iniciou um caminho de afastamento da Verdade Cristã. Essa deriva herética atingiu o seu apogeu no pontificado de Francisco, um papa que, não obstante o seu epíteto de “o humilde”, não aceita a Verdade Cristã conforme a recebeu, querendo, a todo o custo, aperfeiçoá-la de acordo com os seus gostos e inclinações pessoais.

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Momento em que o cardeal D. Tarcisio Bertone mostra um dos dois envelopes do 3º Segredo de Fátima, no programa “Porta a Porta” do canal italiano de televisão Rai Uno, em 2010.

D. Carlo Maria Viganò, cujo paradeiro, por razões de segurança pessoal, continua desconhecido, desde que denunciou o Vaticano pelo encobrimento dos abusos homossexuais do ex-cardeal Theodore Edgar McCarrick, faz, nesta entrevista, um forte apelo dirigido ao povo português:

“Sois um povo com uma grande responsabilidade.”

Na verdade, as únicas palavras de Nossa Senhora no 3º Segredo até agora publicadas referem-se especificamente a Portugal. Não as ignoremos…

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Basto 04/2020

A “proibição de viajar” do Papa Francisco – Dica: Não se aplica a muçulmanos

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Por Christopher A. Ferrara

Marco Tosatti narra a notícia perturbadora, mas não surpreendente, de que tanto o cardeal D. Raymond Burke como o bispo D. Athanasius Schneider foram submetidos pelo Vaticano a proibições que limitam a sua capacidade de atender e fortalecer os fiéis, no meio daquilo a que um destes – nomeadamente o Dr. Douglas Farrow, tema do meu último artigo – apelida de “o problemático pontificado de Bergoglio”.

Como observa Tosatti, o Vaticano obrigou o Bispo Schneider a “reduzir a frequência das suas viagens ao exterior”. Não obstante, não existe uma ordem escrita ou qualquer outra diretriz escrita “com base na qual o bispo poderia tomar alguma iniciativa legal junto da Congregação para os Bispos ou do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica…” Em vez disso, Schneider recebeu apenas uma espécie de ordem sotto voce, desprovida de qualquer papel embaraçoso que pudesse servir de prova documental daquilo que é obviamente um plano para silenciar um dos principais motivos de aborrecimento para “O Papa Ditador”.

Ninguém me livrará desse bispo inconveniente?

Quanto ao Cardeal Burke, cuja liberdade de movimento não pode ser legitimamente restringida sem nenhum motivo definido para a punição, a ação do Vaticano é ainda mais perniciosa. Tosatti refere-se ao “conselho dado aos bispos americanos – sempre por via oral e através de um núncio – de não convidar para as suas dioceses pessoas como o Cardeal Burke e, se não for possível evitar a sua presença, não ir ao evento…”

Por outras palavras, o Vaticano “sugere”, num sussurro de bastidores, que a Igreja da América evite um Príncipe da Igreja que não cometeu qualquer ofensa a não ser incomodar o atual ocupante da Cadeira de Pedro ao observar verdades tão inconvenientes como esta: “O poder [do Papa] está a serviço da doutrina da fé. E portanto o Papa não tem o poder de mudar os ensinamentos, a doutrina”.

Ninguém me livrará desse cardeal inconveniente?

No entanto, como observa Tosatti, o ex-cardeal D. Theodore McCarrick, cuja inteira carreira eclesiástica foi marcada pela devassidão homossexual e pela predação de jovens em série, não só foi aliviado das restrições de viagem impostas sobre este criminoso durante o reinado de Bento XVI, como, ainda por cima, foi “enviado pelo Pontífice [Francisco] às Filipinas, à Arménia e atuou como elo de ligação a Cuba para preparar a visita do Papa”. Isso sem mencionar várias missões a Pequim, durante as quais, evidentemente, McCarrick ajudou na negociação da traição total de Francisco à Igreja Clandestina, que, como o Cardeal Zen adverte agora – uma advertência que Francisco naturalmente ignorará -, está em vias de extinção sob uma perseguição final. Uma perseguição na qual o próprio Francisco, efetivamente, emitiu o mandato quando reconheceu oficialmente a legitimidade da pseudoigreja do governo comunista chinês, a Associação Católica Patriótica.

Não admira que um clérigo tão importante como Mons. Nicola Bux, ex-consultor da Congregação para a Doutrina da Fé sob o Papa Bento XVI, tenha sido levado a declarar, durante uma entrevista, o seguinte: “Mais útil que uma correção fraternal [a Francisco] seria examinar a ‘validade jurídica’ da renúncia do Papa Bento XVI e ‘se é total ou parcial'”. Esta notícia aparece no blogue de Edward Pentin – curiosamente, sinalizado como “perigoso” e bloqueado pelo Google Chrome com uma banda vermelha de alerta. A reportagem de Pentin inclui a visão de Bux de que “esse estudo ‘aprofundado’ da renúncia […] poderia ajudar a ‘superar problemas que hoje parecem para nós insuperáveis’”. Querendo dizer, problemas decorrentes de um pontificado cujo programa parece ser, quase literalmente, atacar a Igreja.

Não faço comentários sobre a surpreendente sugestão de Bux exceto para notar que somente num pontificado como este – algo que a Igreja jamais conhecera – poderia um clérigo desta importância sentir-se compelido a publicar tais opiniões.

Só Deus sabe como a agudização da atual crise da Igreja representada pelo “problemático pontificado de Bergoglio” será resolvida. Uma coisa, contudo, podemos saber já com certeza: o que este Papa forjou em prejuízo da Igreja não prevalecerá. Será desfeito juntamente com todos os outros catastróficos afastamentos da Tradição a que o Cardeal D. Mario Luigi Ciappi referiu, à luz do Terceiro Segredo de Fátima, como uma apostasia que “parte do topo”.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 15 de novembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação, sempre que possível deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2018

Bono Vox e o seu “velho amigo cardeal McCarrick”…

Esta semana, Bono Vox, o famoso vocalista da banda rock irlandesa U2, teve direito a uma audiência privada com o Papa Francisco em Roma, onde discutiram questões relacionadas com a educação de crianças, os casos de pedofilia envolvendo elementos do clero e o seu alegado encobrimento.

Este mesmo artista, no ano passado, durante um concerto da sua banda em Washington DC, parece ter dedicado uma música ao seu “velho amigo cardeal McCarrick”… O agora ex-cardeal D. Theodore McCarrick tem sido um dos grandes protagonistas da imprensa mundial durante as últimas semanas, devido às graves acusações de pedofilia há muito conhecidas pela Igreja Católica dos EUA e em Roma, assim como pelo seu alegado encobrimento por parte do Papa Francisco.

O tema da música em causa, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For“, é também um interessante motivo de reflexão, tendo em conta a fama internacional do arcebispo emérito de Washington. Uma fama antiga, cujas fortes evidências levaram o Papa Bento XVI a obrigá-lo a “abandonar o seminário onde vivia“…

Ainda Não Encontrei Aquilo que Procuro

Eu escalei as montanhas mais altas
Corri através dos campos
Só para estar contigo

Eu corri, rastejei
Escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade
Só para estar contigo

Mas ainda não encontrei aquilo que procuro (2x)

Eu beijei lábios de mel
Senti a cura na ponta dos seus dedos
Queimava como fogo
Esse desejo ardente

Eu falei com a língua dos anjos
Segurei a mão do Diabo
Está quente à noite
Eu estava frio como uma pedra

Mas eu ainda não encontrei aquilo que procuro (2x)

Eu acredito na vinda do Reino
Então todas as cores
Irão sangrar-se em apenas uma
Mas sim, eu ainda corro

Tu quebraste os laços, soltaste as correntes
Carregaste a cruz
E a minha vergonha
Tu sabes que eu acredito nisso

Mas eu ainda não encontrei aquilo que procuro (4x)

(Tema I Still Haven’t Found What I’m Looking For do álbum The Joshua Tree, de 1987, da banda U2 – tradução livre)

Terão eles encontrado aquilo “que procuram”? Está seria uma boa questão para ser colocada ao Bono ou ao ex-cardeal MacCarrick.

Basto 9/2018

“Silêncio e oração” enquanto a casa se desmorona

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Por Nikko Lane

Esta segunda-feira, como resposta às críticas dirigidas ao Vaticano, o Papa Francisco incitou a Igreja de Cristo a lutar com “silêncio e oração” contra aqueles que causam divisão.

Silêncio e oração. Vejamos o que o Papa Francisco poderia ganhar com silêncio e oração.

Em primeiro lugar, ele pede silêncio. Porquê? De facto, há momentos destinados ao silêncio. Perante o Santíssimo Sacramento. Quando alguém se senta na beleza do silêncio no mistério em que se oferece o Senhor Jesus Cristo durante a Santa Missa, o silêncio em solene lembrança de um ente querido que faleceu na esperança do abraço da Paz de Nosso Senhor.

Mas será o silêncio realmente necessário neste momento em que a Igreja está em crise? Enquanto os membros da Igreja não conseguirem perceber o que se tem passado durante último mês do pontificado do Papa Francisco, a maioria dos católicos de todo o mundo quer respostas. Santo Padre, o senhor está a dizer a verdade? Santo Padre, Viganò está a dizer a verdade? O Santo Padre sabia alguma coisa daquilo?

Até agora, a resposta do Papa às vítimas do escândalo de abuso sexual por parte de elementos do clero dos Estados Unidos incluiu (parafraseando):

  1. Somos todos os culpados e, como leigos, devemos todos trabalhar para melhorar as coisas na nossa Igreja.
  2. Se leram a carta de Carlo Maria Viganò que me acusa e às pessoas a quem sou leal, decidam por vocês  mesmos.

Foram feitas acusações graves e estão em jogo grandes implicações. No entanto, o sucessor de São Pedro não faz mais do que permanecer em silêncio e em oração.

O Papa Francisco pede silêncio. Aqueles que acreditam nele dizem que a causa deste escândalo de abuso sexual, o encobrimento e a crise que dele resulta é uma questão de clericalismo (a “cortina de fumo” mais comum do Papa e das pessoas que lhe são próximas). Eu diria que o Santo Padre nem sequer se referiu ao assunto em concreto.

Pede silêncio, mas porquê? A carta de Viganò implica o Papa Francisco em crimes graves contra o seu povo. O silêncio seria apropriado. A ironia é que, se há divisão na Igreja, é somente porque o Papa Francisco, culpado ou inocente, não tratou do assunto em questão. De todas as vezes que Francisco coloca o ónus deste escândalo nos leigos da Igreja, em vez de o colocar em si mesmo (e nos bispos e arcebispos que ele conscientemente designou, apesar dos conselhos que lhe propunha melhores candidatos), ele prejudica ainda mais as pessoas que realmente sofrem: as crianças, os estudantes, jovens adultos e seminaristas que foram abusados física e sexualmente pelos McCarricks e clérigos dos Estados Unidos. Ele causa sofrimento e volta a causar, institucionalmente, pelas suas ações ou pela falta delas.

Porque faz ele isto?  E continuamente?

Isto leva-nos à sua próxima proposta para combater a “divisão”: a oração. João Vianney disse: “A oração é o banho interior de amor no qual a alma mergulha”. A oração do Papa Francisco tem sido pública e em frente das câmaras, no Instagram e no Twitter, desde o primeiro dia do seu pontificado. Aqui está uma observação importante: o Papa Francisco faz questão de ser visto pelos média. Ele faz com que se conheça bem o facto de que ele não permanece nas instalações a que, como Papa, tem direito. Ele vive uma vida de “pobreza visual”, tentando ser como o grande Francisco de Assis, seu homónimo. Mas Francisco de Assis mantinha uma pobreza espiritual e interior. Ele abandonou os seus bens materiais para ser pobre, sim, mas a sua espiritualidade de negação de si mesmo na exultação do Senhor era a missão desse querido santo. São Francisco nunca subverteria a doutrina católica sobre o casamento, a santidade da vida, a sexualidade, a Santa Eucaristia e, mais importante, o papel da família no plano de Deus como o Papa Francisco tem subvertido. O Papa Francisco reescreveu a doutrina da Igreja quando subverteu o ensinamento sobre a atração pelo mesmo sexo; permitiu que pessoas que viviam em adultério recebam a comunhão; e ridicularizou as famílias católicas por serem muito “parecidas com coelhos” na procriação de filhos.

Por que razão sugeriria ele oração? Evidentemente, poderia pedir-nos a todos para orar pela paz e pelo fim do sofrimento. Ou poderia pedir para enterramos as nossas cabeças na areia, tapar as nossas bocas e esquecer tudo o que D. Carlo Maria Viganò acusara a ele e aos seus colaboradores. Será que ele quer afastar a atenção de si mesmo, dos McCarricks, dos Wuerls e dos Tobins, enquanto nós, o rebanho, estamos em silêncio e oração?

Silêncio é o que o Papa agora nos pede. Silêncio e oração.

Continuarei a orar pela Santa Sé e pela Igreja que São Pedro recebeu do próprio Jesus Cristo para liderá-la. Orarei pelas inúmeras vítimas de abusos do clero e pelas suas famílias e ainda para que elas encontrem a cura no divino amor de Deus. Também orarei pelos maravilhosos sacerdotes que se têm manifestado, chocados com este escândalo e com a falta de resposta do Papa, para que eles continuem a ter coragem apesar da covardia do seu líder. E, por último, continuarei a orar pelos leigos fiéis, que, segundo todos os relatos, têm fortalecido a sua fé, apesar da falta de honestidade e de liderança nos mais altos postos da hierarquia da nossa Igreja.

Mas eu não permanecerei em silêncio. O silêncio apenas implica a culpa do Papa. Não me calarei enquanto a Igreja de Cristo necessitar que os líderes chamem a heresia e a injustiça pelo nome. Continuarei a falar. Irei dizer a verdade. Irei proclamar a Boa Nova. A Palavra da Vida Eterna sobreviveu no passado a muitos papas corruptos e a muita adversidade e continuará muito para além do seu silêncio, Papa Francisco.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de setembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2018

Athanasius Schneider: Não há razões para duvidar das revelações do Arcebispo Viganò sobre o Papa

schneider.rome.life.forum.2018

Por John-Henry Westen

27 de agosto, 2018 (LifeSiteNews) – O bispo D. Athanasius Schneider, de Astana, Cazaquistão, um dos bispos que mais fala abertamente sobre a crise de fé que vive a Igreja Católica com Papa Francisco, escreveu um documento em resposta ao testemunho do arcebispo D. Carlo Maria Viganò.

Schneider afirma que “não há motivo razoável e plausível para duvidar da veracidade do conteúdo do documento do arcebispo Carlo Maria Viganò”.

O arcebispo D. Carlo Viganò, que foi núncio apostólico em Washington DC de 2011 a 2016, na semana passada expôs detalhadamente numa carta de 11 páginas que o Papa Francisco encobriu os abusos do ex-cardeal McCarrick.

Schneider reconhece que é extremamente grave e raro que um bispo acuse publicamente um papa reinante, mas ressalta que “o arcebispo Viganò confirmou a sua declaração por meio de um juramento sacro invocando o nome de Deus.”.

O documento de D. Athanasius Schneider é abaixo publicado na íntegra.

***

Reflexão sobre o “Testemunho” do Arcebispo Carlo Maria Viganò, de 22 de agosto de 2018

É um facto raro e extremamente grave, na história da Igreja, que um bispo acuse pública e especificamente o Papa reinante. Num documento recentemente publicado (de 22 de Agosto de 2018), o Arcebispo Carlo Maria Viganò testemunha que, desde há cinco anos, o Papa Francisco tem conhecimento de dois factos: que o Cardeal Theodor McCarrick cometeu violações sexuais contra seminaristas e contra subordinados seus, e que havia sanções que o Papa Bento XVI lhe tinha imposto. Ademais, D. Viganò confirmou a sua declaração por meio de um juramento sacro invocando o nome de Deus. Não há, portanto, motivo razoável e plausível para duvidar da veracidade do conteúdo do documento do Arcebispo Carlo Maria Viganò.

Católicos por todo o mundo, simples fiéis, os “pequenos”, estão profundamente chocados e escandalizados com os graves casos recentemente divulgados, nos quais autoridades da Igreja encobriram e protegeram clérigos que cometeram abusos sexuais contra menores e contra seus próprios subordinados. Tal situação histórica, que a Igreja vive em nossos dias, requer absoluta transparência em todos os níveis da hierarquia da Igreja e, em primeiro lugar, evidentemente, do próprio Papa.

É completamente insuficiente e nada convincente que as autoridades da Igreja continuem a formular apelos genéricos de tolerância zero em casos de abusos sexuais por parte de clérigos e pelo fim do encobrimento desses casos. Igualmente insuficientes são os apelos estereotipados de perdão em nome das autoridades da Igreja. Esses apelos à tolerância zero e pedidos de perdão só se tornarão credíveis se as autoridades da Cúria Romana lançarem as cartas à mesa, dando o nome e sobrenome de todos aqueles na Cúria Romana – independentemente da sua posição e título – que encobriram os casos de abusos sexuais de menores e de subordinados.

A partir do documento de D. Carlo Viganò pode retirar-se as seguintes conclusões:

  1. Que a Santa Sé e o próprio Papa começarão a expurgar da Cúria Romana e do episcopado, sem compromissos,  os grupos e redes homossexuais.
  2. Que o Papa proclamará de maneira inequívoca a doutrina Divina sobre o caráter gravemente pecaminoso dos atos homossexuais.
  3. Que serão publicadas normas peremptórias e detalhadas que impedirão a ordenação de homens com tendência homossexual.
  4. Que o Papa restaurará a pureza e a inequivocidade de toda a doutrina Católica no ensinamento e na pregação.
  5. Que será restaurada na Igreja, pelo ensinamento pontifício e episcopal e por normas práticas, a sempre válida ascese Cristã: os exercícios do jejum, da penitência corporal, da abnegação.
  6. Que serão restaurados na Igreja o espírito e a praxe de reparação e expiação pelos pecados cometidos.
  7. Que haverá na Igreja um processo seletivo, garantido seguramente, de candidatos ao episcopado, que sejam comprovadamente homens de Deus; e que seria melhor deixar as dioceses vários anos sem um bispo do que nomear um candidato que não fosse um verdadeiro homem de Deus na oração, na doutrina e na vida moral.
  8. Que se iniciará na Igreja um movimento, especialmente entre cardeais, bispos e padres, de renúncia a qualquer compromisso e namorico com o mundo.

Não causaria surpresa se a oligarquia dos meios de comunicação social dominantes a nível internacional, que promove a homossexualidade e a depravação moral, começasse a denegrir a pessoa do Arcebispo Viganò e deixasse o núcleo do assunto do seu documento cair no esquecimento.

No meio da difusão da heresia de Lutero e da profunda crise moral de uma parte considerável do clero e especialmente da Cúria Romana, o Papa Adriano VI escreveu as seguintes surpreendentes e francas palavras, dirigidas à Dieta Imperial de Nuremberg, em 1522: “Sabemos que, por algum tempo, muitas abominações, abusos em assuntos eclesiais e violações de direitos ocorreram na Santa Sé; e que tudo foi corrompido para pior. A corrupção passou da cabeça para os membros, do Papa para os prelados: todos nós nos desviamos; não houve um que agisse bem, não, nem um”.

Firmeza e transparência em constatar e confessar os males na vida da Igreja ajudarão a iniciar um eficiente processo de purificação e renovação espiritual e moral. Antes de condenar os outros, todo o detentor de cargo eclesiástico na Igreja, independentemente da posição e título, deve questionar-se, na presença de Deus, se ele próprio encobriu de alguma forma abusos sexuais. Descobrindo-se culpado, deveria confessá-lo publicamente, pois a Palavra de Deus o admoesta: “Não te envergonhes de reconhecer a tua culpa” (Ecl. 4:26). Pois, como São Pedro, o primeiro Papa, escreveu: “chegou o tempo do juízo, a começar pela Casa (Igreja) de Deus” (1 Pedro 4:17).

† Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 27 de agosto de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2018

Arcebispo italiano acusa Francisco de encobrir casos de pedofilia e pede-lhe que renuncie

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Numa carta explosiva, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, acusa o Papa Francisco de ter encoberto os casos de pedofilia que envolviam o cardeal americano D. Theodore McCarrick e, portanto, pede-lhe que resigne. McCarrick perdera há poucos dias o título cardinalício por causa das escandalosas acusações de que tem sido alvo nos EUA.

A carta chegou à comunicação social durante a visita do Santo Padre à Irlanda para participar no Encontro Mundial das Famílias 2018, em Dublin, onde o abuso de menores por parte de elementos do clero católico foi um dos temas mais sonantes. Durante a visita, Francisco invocou o “perdão do Senhor”, falou de “sofrimento”, “vergonha” e criticou o “fracasso das autoridades eclesiásticas” em lidar adequadamente com estes “crimes desprezíveis”.

A carta foi publicada em italiano pelo vaticanista Edward Pentin (o Life Site News disponibilizou entretanto a tradução em inglês).

Viganò afirma que o Santo Padre tinha conhecimento, pelo menos desde há cinco anos, de que o cardeal McCarrick “era um predador em série”. Segundo ele, muita gente dentro do Vaticano sabia perfeitamente das razões pelas quais Bento XVI tinha imposto sanções sobre McCarrick, nomeadamente em alguns dos círculos mais próximos de Francisco e normalmente associados ao lobby gay eclesiástico.

No que diz respeito à Cúria Romana, por enquanto vou parar por aqui, mesmo que os nomes de outros prelados no Vaticano sejam bem conhecidos, mesmo alguns muito próximos do Papa Francisco, como o Cardeal Francesco Coccopalmerio e o Arcebispo Vincenzo Paglia, que pertencem à corrente homossexual que favorece a subversão da doutrina católica sobre a homossexualidade… Os cardeais Edwin Frederick O’Brien e Renato Raffaele Martino também pertencem à mesma corrente, embora com uma ideologia diferente. Outros que pertencem a esta corrente residem até mesmo na Domus Sanctae Marthae.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

O arcebispo dá a entender que a preocupação do Papa era meramente o jogo político…

Comecei a conversa, perguntando ao Papa o que queria ele dizer com as palavras que me dirigira quando o cumprimentei na sexta-feira anterior. E o Papa, num tom muito diferente, amistoso, quase afetuoso, disse-me: “Sim, os Bispos nos Estados Unidos não devem ser ideologizados, não devem ser de direita como o Arcebispo de Filadélfia (o Papa não me referiu o nome do arcebispo), devem ser pastores; e não devem ser de esquerda – e acrescentou, levantando ambos os braços – e quando eu digo de esquerda quero dizer homossexuais.” Claro, a lógica da correlação entre ser de esquerda e ser homossexual escapou-me, mas eu não acrescentei mais nada.

Imediatamente depois, o Papa perguntou-me de um modo enganoso: “Como é o Cardeal McCarrick?” Respondi-lhe com toda a franqueza e, diria mesmo, com grande ingenuidade: “Santo Padre, não sei se conhece o Cardeal McCarrick, mas, se perguntar à Congregação para os Bispos, existe um pesado dossiê sobre ele. Ele corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e o Papa Bento XVI ordenou que ele se retirasse para uma vida de oração e penitência.” O Papa não fez o menor comentário sobre aquelas gravíssimas palavras e não demonstrou qualquer expressão de surpresa no rosto, como se já soubesse do assunto há algum tempo, e mudou imediatamente de assunto. Mas então, qual era o propósito do Papa em fazer-me esta pergunta: “Como é o cardeal McCarrick?” Ele queria obviamente saber se eu era ou não um aliado de McCarrick.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

O arcebispo lança, deste modo, uma acusação formal grave sobre o Papa Francisco e convida-o a renunciar ao Papado.

Quero relembrar esta infalível verdade da santidade da Igreja a muitas pessoas que foram tão profundamente escandalizadas pelo comportamento abominável e sacrílego do ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick; pela grave, desconcertante e pecaminosa conduta do Papa Francisco e pela conspiração do silêncio de tantos pastores, e que são tentados a abandonar a Igreja, desfigurada por tantas ignomínias. No Angelus de domingo, 12 de agosto de 2018, o  Papa Francisco disse estas palavras: “Todos são culpados pelo bem que poderiam ter feito e não fizeram… Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos tacitamente. Temos de intervir onde o mal se está a espalhar; porque o mal espalha-se onde faltam cristãos ousados ​​que se opõem ao mal com o bem”. Se isto é corretamente considerado uma séria responsabilidade moral para todo crente, muito mais grave é para o supremo pastor da Igreja, que, no caso de McCarrick, não apenas não se opôs ao mal como também se envolveu pessoalmente ao fazer o mal com alguém que ele sabia ser profundamente corrupto. Seguiu o conselho de alguém que ele sabia bem que era um pervertido, multiplicando assim exponencialmente, com sua autoridade suprema, o mal feito por McCarrick. E quantos outros pastores maléficos continua Francisco que continua a manter na destruição ativa da Igreja!

Francisco está a abdicar do mandato que Cristo deu a Pedro para confirmar os irmãos. De facto, através da sua ação, ele dividiu-os, conduziu-os ao erro e encorajou os lobos a continuarem a afastar as ovelhas do rebanho de Cristo.

Neste momento extremamente dramático para a Igreja universal, deve reconhecer os seus erros e, seguindo o princípio proclamado de tolerância zero, o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar um bom exemplo aos cardeais e bispos que encobriram os abusos de McCarrick e demitir-se juntamente com todos eles.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

Abordado sobre o assunto no voo de regresso da Irlanda, nas suas habituais entrevistas a bordo do avião papal, Francisco escusou-se a comentar o assunto.

O momento pelo qual atravessa a Santa Igreja de Cristo é de facto muito grave e só não vê quem não quer mesmo ver!

Basto 8/2018