Adeus Wojtyla e Caffarra. Com Francisco muda-se a família

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Por Sandro Magister

ROMA, 19 de setembro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – O terramoto que mudou o rosto da Pontifícia Academia para a Vida atingiu também o instituto para estudos sobre matrimónio e família criado por João Paulo II e inicialmente liderado pelo teólogo e depois cardeal Carlo Caffarra.

A partir de hoje, esse histórico instituto foi extinto e substituído por outro com um nome diferente.

Como se estabelece de facto no artigo 1 do motu proprio Summa Familiae Cura, publicado esta manhã, com o qual o Papa Francisco “colocou a sua assinatura” na transformação:

“Com o presente motu proprio crio o Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, que, associado com a Pontifícia Universidade Lateranense, sucede, substituindo-o, o Pontifício Instituto de Estudos sobre Casamento e Família estabelecido pela constituição apostólica Magnum Matrimonii Sacramentum, o qual cessa portanto as suas funções.”

E no artigo 4:

“O Pontifício Instituto Teológico, assim renovado, irá adaptar as suas estruturas e fornecer as ferramentas necessárias – cátedras, professores, programas, pessoal administrativo – para realizar a missão científica e eclesial que lhe é atribuída”.

Por consequência, todos os professores do extinto instituto foram dispensados, enquanto o atual grão-chanceler Vincenzo Paglia e o presidente Pierangelo Sequeri mantêm-se no cargo cuja nomeação, há um ano, pelo Papa Francisco, seria o prelúdio para o atual cataclismo.

Os dois acompanham a publicação do motu proprio com uma nota que realça o “envolvimento direto” do Papa, o qual – dizem eles – “confia a tarefa de modelar as regras, estruturas e operacionalidade do novo instituto teológico” às mesmas “autoridades académicas do histórico Instituto João Paulo II”, ou seja, precisamente a esses dois e mais ninguém.

Ao descreverem o “horizonte mais amplo” no qual o instituto terá agora de se mover, Paglia e Sequeri referem-se, naturalmente, à Amoris Laetitia, mas também à Laudato Si’ e ao “cuidado da criação”.

Falta agora conhecer quem serão os docentes do novo curso, quem será reconduzido e quem não será, tanto em Roma como nas outras dependências espalhadas pelo mundo.

Falta também conhecer o que será feito com as últimas publicações do extinto instituto, especialmente aquele “vademécum” sobre a interpretação correta da Amoris Laetitia, que é visto como a praga pelos paladinos da comunhão aos divorciados recasados, ​e do qual o motu proprio Summa Familiae Cura parece afastar-se quando escreve que não será permitido “que se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado”.

A edição original deste texto foi publicada no Settimo Cielo a 19 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017