Coral de São Petersburgo homenageia as forças armadas russas com música sobre ataque nuclear aos EUA

Em homenagem às forças armadas russas, no Dia do Defensor da Pátria, que se celebra a 23 de fevereiro, o Coral de São Petersburgo deu um concerto na sumptuosa Catedral de Santo Isaque, onde se destacou um tema alusivo a um ataque nuclear sobre os EUA.

A música fala de “um pequeno submarino nuclear” que tem como missão destruir os EUA.

Num pequeno submarino nuclear com uma pequena plataforma de lançamento nuclear
Com algumas ogivas de cem megatoneladas, devo acrescentar
Atravessando o Atlântico, obedecendo ao que o oficial disse
“Vai em frente e aponta para Washington, camarada”

Tra-la-la-la, oi-hey-ho
O pagamento é baixo, o que você pode fazer
Olá, está na hora de ir
Admirável Mundo Novo do nosso inimigo

E no seu pequeno avião, meu amigo, meu pequeno Vlad
Está em uma abordagem rápida, com presentes que ele vai adicionar
Num pequeno submarino nuclear com uma pequena plataforma de lançamento nuclear
A tripulação vai cantar uma canção que ninguém vai chamar triste

Tra-la-la-la, oi-hey-ho
O pagamento é baixo, o que podes fazer
Arde, oh, Arde, agora aqui vais
Admirável Mundo Novo do nosso inimigo

Norfolk está a dormir docemente, o que mais pode fazer
Os brinquedos dormem profundamente e os negros também dormem
América, desculpem-nos agora por vos incomodar
Descobrir o vosso continente seria melhor desfazer

Tra-la-la-la, oi-hey-ho
O pagamento é baixo, o que podes fazer
Cortar em pedaços, deixar brilhar
Admirável Mundo Novo do nosso inimigo

Tradução livre a partir da edição Euromaidan Press; página acedida em 20/03/2019)

Doentio…

Basto 03/2019

Donald Trump quer denunciar acordo nuclear com a Rússia

trump.putin2O presidente Donald Trump anunciou que pretende denunciar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio celebrado, em 1987, entre os EUA e a União Soviética.

Também nesta semana, Vladimir Putin declarou que os russos estão prontos para partir rumo “ao paraíso como mártires” de uma eventual guerra nuclear.

“O agressor deve saber que a retribuição é inevitável, que será destruído. E nós, vítimas da agressão, iremos ao paraíso como mártires, enquanto eles simplesmente vão morrer, pois nem terão tempo para se arrependerem.”

(Vladimir Putin, in Sputinik News, 18/10/2018)

Basto 10/2018

Vladimir Putin apresenta novo míssil nuclear “invencível”

A pouco mais de duas semanas das eleições presidenciais na Rússia, Vladimir Putin apresentou, perante o Parlamento Russo, um conjunto de novas armas estratégicas, com destaque para um novo míssil nuclear alegadamente “invencível”.

Basto 3/2018

Líder da oposição é preso na Rússia

A polícia russa prendeu o ativista Alexei Navalny, líder da oposição ao regime de Vladimir Putin, juntamente com centenas de outros contestatários, em resultado das grandes manifestações populares que acusam os dirigentes russos de corrupção, em particular o atual primeiro-ministro Dmitri Medvedev.

A contestação nas ruas regressa à Rússia 100 depois das grandes manifestações que desencadearam a revolução comunista naquele país.

Basto 3/2017

Mais cinco perturbadores regressos ao passado soviético na Rússia de Putin

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A placa sobre a vedação russa diz: “A Sociedade Livre” (Political Cartoon: social media)

Por Paul Globe

Mesmo que Vladimir Putin afirme que a Rússia está destinada a ter um grande futuro, o líder do Kremlin tem feito pouco para acabar com o empobrecimento e a repressão dos russos de hoje e cada vez mais para restaurar muitas das piores características do negro passado soviético. Esta semana trouxe mais cinco exemplos dessa tendência retrógrada.

1. “Novilíngua” orwelliana na prática jurídica russa

A novilíngua orwelliana está a voltar à prática jurídica russa, a níveis alarmantes. Questionado pelo portal de notícias regionais 7 × 7 sobre a crescente utilização de termos pelos magistrados como “pseudo-religiosos”, “organizações destrutivas” e “grupos antissociais”, o diretor do Centro SOVA, Aleksandr Verkhovsky, afirmou que isso é extremamente perigoso.

“Não nenhuma definição legal” de tais termos e, consequentemente, eles representam uma tentativa de expansão por analogia uma tática privilegiada da prática soviética com termos que existem tais como “organizações extremistas.” E isso significa – afirma o ativista dos direitos – que “o magistrado pode escolher” como alvo “qualquer um que não encaixa no seu gosto.”

“Isso é a novilíngua“, diz Verkhovsky, usando o termo introduzido por George Orwell no seu romance “1984” sobre sistemas totalitários. E embora, ao nível das discussões informais, esses termos possam ter utilidade para apontar as áreas problemáticas, a sua utilização como categoria jurídica é “má e muitas vezes perigosa.”

2. As filas regressaram

Filas, a desgraça da existência dos russos na era soviética, estão de regresso à Rússia de Putin, mesmo que ninguém deva falar sobre isso. O bloguista russo Nikolay Yurenev afirma que “toda a gente diz que sob Putin não existem filas nas lojas”, mas todos sabem que não é verdade.

Não regressaram as filas como também aquilo que poderia ser chamado a cultura política das filas, com pessoas horas à espera, lamentando sua existência, mas que depois vão para casa e, ao assistirem à televisão de Moscovo, concluem que as coisas, mesmo se estão tão más, elas estão muito piores no odiado Ocidente, em relação ao qual lhes é dito para culparem pelos seus problemas.

Yurenev o seguinte exemplo: “Numa determinada cidade X com perto de um milhão de habitantes, uma fila numa loja de carne todas as segundas, quartas e sextas-feiras, quando a carne sai a menos de metade do preço habitual, e a fila diz eleestende-se em torno do quarteirão, desde o momento da abertura da loja até ao seu encerramento.

Mesmo antes da abertura da loja, a fila começa a formar-se com “patriotas desempregados e pensionistas que compõem uma boa metade da população dessa cidade X”, sendo o seu elemento predominante. E a fila inteira, apesar da espera e do frio, “apoia fraternalmente a sábia política do destacado líder político e governamental, o flamejante batalhador pela paz no mundo inteiro, Vladimir Vladimirovich Putin”.

Aqueles que estão na fila “expressam confiança ilimitada e profunda gratidão pela sua incessante preocupação com o bem-estar das pessoas e o florescimento da Grande Pátria” – prossegue Yurenev. Aqueles que conseguem chegar à dianteira da fila, de seguida, regressam a casa para prepararem o jantar e assistirem à televisão de Moscovo.

É então que sua participação na “grande política” se torna clara – continua o bloguista russo. Eles aprendem como a Ucrânia e o Ocidente são os culpados pelas suas baixas pensões e “como, nos EUA, os inimigos de Trump tentam desencaminhar a sua política amigável para com a Rússia e Putin”.

“Como é horrível viver nesse mundo estrangeiro louco, louco e louco”, dizem eles “nos seus corações”, e “como são belas as coisas na nossa Pátria”. Naquele mundo, as filas para carne barata não são problema algum: elas são apenas um indicador de como os bons russos as aceitam sob a sábia liderança de Putin.

3. Apoio fictício da população às ações governamentais

As autoridades russas justificam aquilo que querem fazer dizendo que a população exige tais ações, quer isso seja ou não verdade. A TASS, agência de notícias russa, é novamente chamada, como se fosse na era soviética, e relata que o ministério da cultura congratula-se com os apelos dos ativistas russos para criar um Dia do Patriotismo.

Na URSS, os altos funcionários declaravam frequentemente que tomavam esta ou aquela atitude porque “os trabalhadores e os camponeses” a exigiam. Agora, Moscovo usa a mesma tática, dizendo que a população deseja esse feriado, o qual estará cronometrado para coincidir com a imposição de sanções ou talvez contra-sanções, mesmo que estas impeçam os alimentos de chegar até eles.

4. Documentos públicos com assinaturas falsificadas

As autoridades russas têm afirmado que determinados documentos foram assinados por pessoas que nunca os assinaram ou sequer os viram, desde que seja o documento que o regime deseja. No início desta semana, os partidários da entrega da Catedral de Santo Isaac à Igreja Ortodoxa Russa entregaram o que eles classificaram como um apelo de 26 reitores de instituições de ensino superior que apoiam essa ação.

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Catedral de Santo Isaac em São Petersburgo, Rússia, 2017 (Imagem: Wikimedia)

Mas agora constatou-se que essa informação é uma “notícia falsa”, ou talvez  “um facto alternativo”, porque dois dos reitores cujas assinaturas constam do documento afirmam que não o assinaram e um deles disse que nem sequer tinha ouvido falar disso.

Na era soviética, os funcionários do partido comunista colocavam frequentemente os nomes das pessoas sem pedirem a respetiva permissão ou acordo, a fim de apoiar a linha oficial. A grande diferença, agora, é que alguns daqueles que são vítimas dessa prática queixam-se, ainda que isso possa ser demonstração de vontade de progressão nas suas carreiras.

5. O assassínio de importantes testemunhas dos crimes de guerra de Putin na Ucrânia

Quanto ao quinto e mais sinistro, Putin está a livrar-se das testemunhas dos seus próprios crimes na Ucrânia. Zoryan Shkiryak, conselheiro do ministro ucraniano do interior, afirma que o assassinato do líder miliciano pró-Moscovo, com o nome de guerra Givi, é apenas o último exemplo de algo que Kiev vem alertando desde há dois anos.

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A explosão que matou Givi destruiu completamente o quarto onde ele se encontrava (Imagem: captura de vídeo)

Ele acusa “Putin” de “estar constantemente a destruir testemunhas importantes dos seus próprios crimes militares” na Ucrânia, um programa que lançou após o derrube do avião de passageiros MH-17 da Malásia, mas que afetou os que participam nas suas ações “terroristas” em Mariupol, Volnovakha e também Debaltseve. No caso da “liquidação de Givi” – continua Shkiryak – é claro que Moscovo controla todos os participantes nesta ação e, com efeito, ninguém teria agido sem a bênção ou, mais provavelmente, sem a ordem direta das autoridades da capital russa. Essas coisas não são estranhas nem inovadoras – afirma. Elas “fazem parte das melhores tradições dos serviços especiais russos” e são efetivamente “todos os elos de uma única cadeia”.

A edição original deste artigo foi publicada pela Euromaiden Press no dia 10/02/2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do testo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Kirill: “Rússia jamais reconhecerá a independência religiosa da Igreja Ucraniana”

Na Ucrânia, berço da cristianização da Rússia, os cristãos repartem-se hoje por várias denominações religiosas, na sua esmagadora maioria, cristãs de tradição ortodoxa. As divisões entre os maiores grupos de obediência ortodoxa existentes na Ucrânia devem-se essencialmente à história recente daquele país, nomeadamente ao período pós-colapso da União Soviética e consequente independência nacional, mas também à longa coabitação de dois grandes grupos étnicos, os ucranianos (78%) e os russos (17%), naquele grande país do Leste Europeu.

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Fonte: Macro Economy Meter

O processo de independência da Ucrânia conduziu à emancipação da Igreja Ortodoxa Ucraniana, ou pelo menos parte dela, em relação ao Patriarcado de Moscovo. Atualmente, num momento em que se ouve falar bastante de unificação, a Igreja Ortodoxa Ucraniana ainda se encontra dividida em três grandes grupos: o mais representativo é a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kiev (50%), segue-se depois a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo (26%) e, por último, aparece a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala (7%). Para além dos referidos, merece também destaque o grupo dos ortodoxos em comunhão com Roma, a Igreja Uniata, oficialmente denominada Igreja Greco-católica Ucraniana (8%). Estes são a maior Igreja Católica Oriental e encontram-se em franca expansão dentro e fora do país, manifestando um dinamismo notável.

Os católicos de rito latino, naquele país, são um grupo pouco expressivo, representando apenas cerca de 2% dos crentes ucranianos.

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Fonte: Macro Economy Meter

O presente conflito entre Kiev e Moscovo é também – embora muita gente não queira ver – um conflito religioso. Se, por um lado, o sr. Vladimir Putin não aceita que a Ucrânia se afaste da esfera de influência política de Moscovo para se juntar à União Europeia e à Nato, por outro, o Patriarca Kirill não quer perder a influência religiosa sobre a Ucrânia que, desde a independência daquele país, tem vindo a tornar-se praticamente nula.

No dia 20 de novembro, na celebração do seu 70º aniversário, na catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, o Patriarca Kirill terá declarado que a Igreja Ortodoxa Russa jamais concordará com a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo.

Agradeço a Sua Beatitude Onufriy [líder local da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo] pela sua coragem e firmeza na defesa da santa ortodoxia e pela preservação da unidade canónica da Igreja. A nossa igreja jamais deixará os irmãos ucranianos em dificuldades e não os abandonará. Nunca concordaremos em mudar as sagradas fronteiras canónicas da Igreja, porque Kiev é o berço espiritual da Santa Rus, como Mtskheta para a Geórgia e Kosovo ou para a Sérvia. [aplausos]

[…]

A dolorosa ferida da divisão ucraniana inflige sofrimento em todo o corpo da igreja, e a sua dor pode ser sentida não só na Ucrânia, mas no território canónico de outras igrejas locais. O perigo de divisão na Igreja é claro para todos nós.

(Patriarca Kirill a 20/11/2016 in Religious Information Service of Ukraine)

A Igreja Ortodoxa Russa já mostrou por diversas vezes – como constatámos aqui, por exemplo – que tem uma agenda própria, independente das suas congéneres, que converge, de forma clara e assumida, com os desígnios programáticos e geopolíticos de Vladimir Putin. Existe uma parceria muito forte entre as atuais lideranças política e religiosa da Rússia.

Logo veremos até onde esta parceria nos levará!

Basto 11/2016

Regresso rápido da Rússia ao passado soviético – datas-chave sob Vladimir Putin

Военный парад на Красной площади 7 ноября 1990 года
Parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo, na celebração do aniversário da Revolução Comunista de Outubro, 07/11/1990 (Imagem: TASS)

Por Paul Globe

A recuperação de muitos aspetos da vida soviética levada a cabo por Vladimir Putin não é apenas óbvia mas cada vez mais rápida, como é claramente demonstrado no jornal “Perfil”, quando publicou uma tabela cronológica com algumas, mas longe de serem todas, das suas mais importantes decisões que restauraram símbolos soviéticos.

  • 25 de julho de 2000 – Restauração do hino soviético como hino nacional.
  • 4 de julho de 2003 – As estrelas vermelhas regressam aos estandartes das Forças Armadas Russas.
  • 19 de junho de 2007 – As bandeiras vermelhas de com a foice e o martelo são restabelecidas para presenças nas paradas históricas.
  • 9 de maio de 2008 – Paradas militares com tanques e artilharia pesada regressam à Praça Vermelha.
  • 25 de janeiro de 2012 – As estrelas vermelhas são novamente colocadas nos aviões militares.
  • 31 de janeiro de 2013 – A cidade de Volgogrado passa a chamar-se novamente “Stalinegrado” durante os feriados.
  • 29 de janeiro de 2013 – A condecoração “Herói do Trabalho” é restabelecida.
  • 24 de março de 2014 – A Organização Pronto para o Trabalho e para a Defesa (“GTO”) é restaurada.
  • 14 de maio de 2014 – O Centro Panrusso de Exposições recupera o seu antigo nome da era soviética (VDNKh)
  • 4 de junho de 2014 – São reintroduzidos os uniformes escolares.
  • 29 de outubro de 2015 – É criado o Movimento de Estudantes Russos como uma versão atualizada do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin.
19 мая - День пионерии, 1981 год
Marcha de um ramo local do Movimento dos Pioneiros de Vladimir Lenin numa das escolas de Moscovo (Imagem: TASS)
A edição original deste texto foi publicada pela Euromaiden Press no dia 14/11/2015. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2016