Réplica do Milagre do Sol na Nigéria?

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Benin, Nigéria, a 13 de outubro de 2017

A Conferência Episcopal da Nigéria informou, na sua página do facebook, que o Milagre do Sol repetiu-se na cidade de Benin, no dia 13 de outubro de 2017, precisamente 100 anos depois do acontecimento de Fátima. Este fenómeno terá ocorrido no dia em que os bispos nigerianos reconsagraram a nação ao Imaculado Coração de Maria, numa cerimónia que teve lugar em Benin.

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Benin, Nigéria, a 13 de outubro de 2017

Em Portugal, dois dias depois do centenário do grande milagre de Fátima, foi possível olhar o Sol sem recurso a qualquer tipo de filtro ou proteção ocular, mas desta vez por causa da imensa nuvem de fumo que cobre um país completamente a arder.

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Vista do Sol a olho nu em Portugal, na tarde do dia 15 de outubro de 2017.

O número de mortes provocadas pelos incêndios em Portugal, neste ano de 2017, é já superior a uma centena. Por coincidência, os acontecimentos mais dramáticos têm acorrido na Região Centro, muitos dos quais bem perto de Fátima, onde se celebra em clima de festa o centenário das aparições.

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“Adamastor”, a foto do incêndio florestal em Viera de Leiria, tirada no dia 15 de outubro às 15 horas, que acabou por tornar-se viral na internet. A foto é da autoria do bombeiro local Hélio Madeiras que a publicou na sua página do facebook .

Basto 10/2017

Missa gay em San Diego

A diocese de San Diego, nos EUA, é conhecida mundialmente pela sua aplicação radical da nova misericórdia que visa integrar o pecado. No passado dia 7 de outubro, o novo bispo auxiliar D. John Dolan celebrou uma missa especial, na igreja local de São João Evangelista, destinada à comunidade lésbica, gay, bissexual e transexual e respetivas famílias.

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“É importante porque os meus filhos têm dois pais gays e eu gostaria que eles compreendessem que esta igreja está aberta para todos”, disse o jovem de 46 anos, que afirmou ser um católico desde toda a sua vida. “Eu quero que eles entendam como se tratar igualmente”.

(depoimento de um dos participantes, in The San Diego Union-Tribune, 07/10/2017 – tradução livre)

Basto 10/2017

Papa Francisco e arcebispo Paglia não acreditam na existência do Inferno?

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Na nossa reportagem de 9 de outubro sobre os recentes comentários feitos pelo confidente papal Pe. Antonio Spadaro acerca da lei moral, adicionamos uma atualização pós-publicação sobre uma nova conversa entre o Papa Francisco e Eugenio Scalfari. Scalfari, que se tornou um entrevistador favorito do Papa Francisco, é o fundador ateu do jornal italiano La Repubblica, conhecido pelo seu método não convencional de reconstruir entrevistas a partir da memória, em vez de usar citações diretas. (Embora o relato de Scalfari sobre as palavras mais polémicas do Papa tenha sido frequentemente descredibilizado por membros da imprensa católica como pouco fiável, a insistência do Papa em continuar a procurar Scalfari para entrevistas abertas e conversas para publicação deve por de parte qualquer reivindicação de que ele foi desinterpretado.)

Na última ocasião, ao rever o novo livro do arcebispo Vincenzo Paglia, Scalfari cita o Papa dizendo que entre os bispos da Igreja Católica há muito relativismo. Scalfari cita Francisco assim*:

Nós, os crentes e, claro, sobretudo sacerdotes e bispos, acreditamos no Absoluto, mas cada um à sua própria maneira porque cada um tem a sua própria cabeça e pensamento. Portanto, a nossa verdade absoluta, compartilhada por todos nós, é diferente de pessoa para pessoa. Não evitamos discussões nos casos em que os nossos diferentes pensamentos entram em conflito. Portanto, também existe um tipo de relativismo entre nós. [ênfase adicionada]

Scalfari acrescenta então os seus próprios pensamentos à ideia do Papa e do Arcebispo Paglia de que o inferno está vazio:

O Papa Francisco, precedido nisto [nesta ideia] por João XXIII e Paulo VI, mas com uma força mais revolucionária em relação à teologia eclesial, aboliu os lugares para onde as almas devem ir depois da morte: Inferno, Purgatório, Paraíso. Dois mil anos de teologia basearam-se nesse tipo de vida futura que até mesmo os Evangelhos confirmam. Dando atenção, contudo, ao tema da Graça – em parte, devido às cartas de São Paulo (aos Coríntios e aos Romanos) e, ainda mais, a Agostinho de Hipona. Todas as almas são dotadas de Graça, portanto nascem perfeitamente inocentes e assim permanecem, a menos que sigam o caminho do mal. Se elas estiverem conscientes disso e não se arrependerem, ainda que seja no momento da morte, serão condenadas. O Papa Francisco – repito – aboliu os lugares da habitação eterna na vida futura das almas. A tese que ele defende é que as almas dominadas pelo mal e que não se arrependem deixarão de existir, enquanto aquelas que são redimidas do mal serão assumidas no êxtase da contemplação de Deus. Esta é a tese de Francisco e também de Paglia. [ênfase adicionada]

Como já havia reportado o vaticanista Sandro Magister, Scalfari citou anteriormente o Papa Francisco deste modo: “Dentro de um milénio ou mais, a nossa espécie humana será extinta e as almas se fundir-se-ão com Deus”.

E em 2015, o Papa Francisco foi outra vez citado por Scalfari: “O que acontece a essa alma perdida? Será punida? E como? A resposta de Francisco é clara e inequívoca: não haverá punição, mas aniquilação dessa alma.”

Estas declarações bastante heréticas atribuídas ao próprio Papa Francisco – e que ele ainda não negou publicamente – são também atribuídas ao novo chefe da Pontifícia Academia para a Vida e grão-chanceler do reestruturado  Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família. O seu novo livro, portanto, deve ser cuidadosamente estudado e analisado.

Neste contexto – sob a premissa de que não mais haverá castigos eternos para o pecado – esta nova era bergogliana passou agora a fazer muito mais sentido. Se não devemos ter medo do Inferno, que impedimento haverá que nos faça evitar seguir na direção do relativismo moral e do relaxamento doutrinal?

Torna-se assim mais importante para os católicos fiéis, determinados a permanecer leais ao ensino tradicional da Igreja Católica, que continuem a resistir, nas suas próprias organizações e publicações, a tais violações da verdade de Deus que estão a produzir já graves efeitos no comportamento moral dos Católicos ao nível da contraceção, do aborto e do adultério. O professor Josef Seifert colocou o dedo na ferida do ensinamento do Papa Francisco, nomeadamente: que agora parece não haver nenhum ato intrinsecamente mau.

* Traduzido para do Italiano para Inglês por Andrew Guernsey.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 11 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2017

Testemunho de José Maria de Proença de Almeida Garrett

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– 18/12/1917 –

Vou relatar de uma maneira breve e concisa, sem frases que velem a verdade, o que vi em Fátima no dia 13 de outubro de 1917.

As horas a que me referi são as que nessa época marcavam oficialmente o tempo, segundo a determinação do governo que unificara a nossa hora com a dos países beligerantes.

Faço isto para maior verdade, pois me não era fácil designar com precisão o momento em que o sol alcançou o zénite.

Cheguei ao meio-dia. A chuva que desde manhã caía miúda e persistente, tocada de um vento agreste, prosseguira irritante, na ameaça de querer tudo liquefazer.

O céu baixo e pesado tinha uma cor pardacenta prenhe de água prenúncio de chuva abundante e de longa duração.

Quede-me na estrada ao abrigo da capota do automóvel e um pouco sobranceiro ao local que diziam ser o da aparição, não ousando meter-me no lamaçal barrento e pegajoso do campo frescamente lavrado.

Estaria a pouco mais de cem metros dos elevados postes, que uma tosca cruz encimava, com os guarda-chuvas abertos parecia um vasto sobrado de broquéis.

Pouco depois da uma hora, chegaram as crianças a quem a Virgem (garantiam elas) marcara lugar, dia e hora da aparição. Ouviam-se os cânticos entoados pelo povo que as cercava.

Numa determinada altura, esta larga massa, confusa e compacta, fechou os guarda-chuvas e descobriu-se num gesto que devia ser de humildade ou respeito, mas que me deixou admirado, porque a chuva, numa continuidade cega, molhava agora as cabeças, encharcava e ensopava.

Disseram-me depois que esta gente, que acabou por ajoelhar na lama, tinha obedecido à voz de uma criança.

Devia ser uma e meia (treze e meia) quando se ergueu no local preciso onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, delgada, ténue e azulada que subiu direita até dois metros, talvez, acima das cabeças para nesta altura se esvair.

Durou este fenómeno, perfeitamente visível a olho nu, alguns segundos. Não tendo marcado o tempo de duração, não posso afirmar se mais ou menos de um minuto. Dissipou-se bruscamente o fumo e, passado algum tempo, voltou a repetir-se o fenómeno uma segunda e uma terceira vez.

Das três vezes, e sobretudo da última, destacaram-se nitidamente os fustes esguios na atmosfera cinzenta.

Dirigi para lá o binóculo. Nada consegui ver para além das colunas de fumo, mas convencido fiquei de que eram produzidas por algum turíbulo, não agitado, em que queimava incenso.

Depois, pessoas dignas de fé afirmaram-me que era de uso produzir-se o acontecimento no dia 13 dos cinco meses anteriores e que nesses dias, como neste, nunca ali se queimara nada nem se fizera fogo.

Continuando a olhar o lugar da aparição, numa expectativa serena e fria e com uma curiosidade que ia amolecendo, porque o tempo decorrera longo e vagaroso sem que nada activasse a minha atenção, ouvi o bruaá de milhares de vozes e vi aquela multidão espraiada pelo largo campo que se estendia a meus pés, ou concentrada em vagas compactas, em redor dos madeiros erguidos, ou sobre os baixos socalcos que retinham as terras, voltar as costas ao ponto que até então convergira os desejos e ânsias, e olhar o céu do lado oposto.

Eram quase duas horas.

O sol momentos antes tinha rompido ovante, a densa camada de nuvens que o tivera escondido, para brilhar clara e intensamente.

Voltei-me para este íman que atraía todos os olhares e pude vê-lo semelhante a um disco de bordo nítido e aresta viva, luminoso e luzente, mas sem magoar.

Não me pareceu bem a comparação, que ainda em Fátima ouvi fazer, de um disco de prata fosca. Era uma cor mais clara, activa e rica, e com cambiantes, tendo como que o oriente de uma pérola.

Em nada se assemelhava à lua em noite transparente e pura porque se via e sentia-se ser um astro vivo. Não era como a lua esférica e não tinha a mesma tonalidade nem os claros-escuros.

Parecia uma rodela brunida cortada no nácar de uma concha. Isto não é uma comparação banal de poesia barata. Os meus olhos viram assim.

Também não se confundia com o sol encarado através de nevoeiro (que aliás não havia àquele tempo), porque não era opaco, difuso e velado.

Em Fátima tinha luz e calor e desenhava-se nítido e com a borda cortada em aresta como uma tábula de jogo.

A abóbada celeste estava enevoada de cirros leves, tendo frestas de azul aqui e acolá, mas o sol algumas vezes se destacou em rasgões de céu limpo.

As nuvens que corriam ligeiras de poente para oriente não empanavam a luz (que não feria) do sol, dando a impressão facilmente compreensível e explicável de passar por detrás, mas por vezes, esses flocos, que vinham brancos, pareciam tomar, deslizando ante o sol, uma tonalidade rosa ou azul diáfano.

Maravilhoso é que, durante longo tempo, se pudesse fixar o astro, labareda de luz e brasa de calor, sem uma dor nos olhos e sem um deslumbramento na retina que cegasse.

Este fenómeno com duas breves interrupções em que o sol bravio arremessou os seus raios mais coruscantes e refulgentes, e que obrigaram a desviar o olhar, devia ter durado cerca de dez minutos.

Este disco nacarado tinha a vertigem do movimento. Não era a cintilação de um astro em plena vida. Girava sobre si mesmo numa velocidade arrebatada.

De repente ouve-se um clamor, como que um grito de angústia de todo aquele povo. O sol conservando a celeridade da sua rotação, destaca-se do firmamento e sanguíneo avança sobre a terra ameaçando esmagar-nos com o peso da sua ígnea e ingente mó. São segundos de impressão terrífica.

Durante o acidente solar, que detalhadamente tenho vindo a descrever, houve na atmosfera coloridos cambiantes. Não posso precisar bem a ocasião, porque já lá vão dois meses passados, e eu não tomei notas. Lembro-me que não foi logo no princípio e antes creio que foi para o fim.

Estando a fixar o sol, notei que tudo escurecia à minha volta. Olhei o que estava perto e alonguei a vista para o largo até ao extremo horizonte, e vi tudo cor de ametista.

Os objectos, o céu e a camada atmosférica tinham a mesma cor. Uma carvalheira arroxeada, que se erguia na minha frente, lançava sobre a terra uma sombra carregada. Receando ter sofrido uma afecção da retina, hipótese pouco provável, porque, dado este caso, não devia ver as coisa em roxo, voltei-me, cerrei as pálpebras e retive-as com as mãos para interceptar toda a luz.

Ainda de costas, abri os olhos e reconheci que, como antes, a paisagem e o ar continuavam da mesma cor roxa.

A impressão que se tinha não era de eclipse. Vi o eclipse do sol que, em Viseu, onde estava, foi total.

À medida que a lua marcha a esconder o sol, a luz vai-se acinzentando até que tudo se torna baço e negro.

A vista alcança um pequeno círculo para lá do qual os objectos se vão tornando cada vez mais confusos até que se perdem no negrume.

Baixa a temperatura consideravelmente, e dir-se-á que a vida na terra morreu. Em Fátima, a atmosfera, embora roxa, permaneceu transparente, até ao confim do horizonte que se destinge e vê claramente, e eu não tive a sensação de uma paragem da energia universal.

Continuando a olhar o sol, reparei que o ambiente tinha aclarado. Logo depois ouvi um campónio, que cerca de mim estava, dizer com voz de pasmo: esta senhora está amarela.

De facto tudo agora mudara, perto e distante, tomando a cor de velhos damascos amarelos. As pessoas pareciam doentias e com icterícia. Sorri-me de as achar francamente feias e desairosas. Ouviram-se risos. A minha mão tinha o mesmo tom amarelo.

Dias depois, fiz a experiência de fixar o sol uns breves instantes. Retirada a vista, vi, após alguns momentos, manchas amarelas irregulares na forma. Não se vê tudo de uma cor uniforme, como se no ar se tivesse volatilizado um topázio, mas nódoas ou malhas que com o  movimento do olhar se deslocam.

Todos estes fenómenos que citei e descrevi, observei-os eu sossegada e serenamente sem uma emoção ou sobressalto.

A outros cumpre explicá-los ou interpretá-los.

Para terminar, devo fazer a afirmação, que nunca, nem antes nem depois do dia 13 de outubro, vi iguais fenómenos solares ou atmosféricos.

José Maria de Proença de Almeida Garrett [*]

(in Novos Documentos de Fátima, 1984, p. 60-63)

*Antigo docente da Universidade de Coimbra.

Basto 10/2017

Papa Francisco volta a condenar os “rígidos”

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Na homilia do dia 10 de outubro, em Santa Marta, o Papa Francisco condenou mais uma vez os “rígidos”, os “teimosos de alma”, porque “não entendem o que é a misericórdia de Deus”.

Quem são esses “teimosos”?

Basto 10/2017

Francisco: a Igreja deve aderir à “revolução cultural”

A “revolução cultural” está a caminho e, de acordo com o Santo Padre, a Igreja tem de acompanhar a onda na linha da frente.

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Santo Padre discursa ao lado do novo presidente da Pontifícia Academia para a Vida, D. Vincenzo Paglia, o arcebispo que encomendou um mural homoerótico para a sua catedral.

O discurso foi proferido pelo Papa Francisco no Vaticano, no dia 5 de outubro, quando recebeu em audiência os participantes na Assembleia Geral dos Membros da Pontifícia Academia para a Vida.

É uma verdadeira revolução cultural que se vê no horizonte histórico atual. E a Igreja é a primeira que deve fazer a sua parte. Nessa perspetiva, primeiro tem de reconhecer honestamente atrasos e erros. As formas de subordinação que tristemente marcaram a história das mulheres devem ser definitivamente abandonadas. É preciso escrever um novo começo no modo de ser dos povos, e isso pode ser feito por uma renovada cultura da identidade e diferença.

(Papa Francisco in Rome Reports, 05/10/2017 – tradução livre)

Basto 10/2017

Os “frutos” do ecumenismo = protestantismo

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Estátua do herege Martinho Lutero homenageada no Vaticano no dia 13 de outubro de 2016

 

Por Christopher A. Ferrara

O importante blogue de Sandro Magister fornece-nos algumas informações relevantes acerca dos efeitos inteiramente previsíveis dos cinquenta anos de “ecumenismo” e “diálogo ecuménico”: os católicos tornaram-se protestantes de facto, enquanto os protestantes não só permaneceram exatamente onde estavam como até estão mais liberais do que nunca.

Como conta Magister: “Está a acontecer cada vez mais que as crianças protestantes do norte da Europa que visitam Roma são levadas pelos seus professores a participar numa Missa católica para verem como é e para receberem tranquilamente a comunhão”. E ninguém está disposto a detê-los porque isso não seria “ecuménico”.

Magister observa que a crescente prática de intercomunhão sacrílega é “o efeito de uma corrida crescente entre as duas religiões em direção ao fundo na mentalidade de muitos protestantes e católicos da Europa e da América…” Ele cita os dados fornecidos pelo Pew Research Center da Universidade de Georgetown, os quais fornecem confirmação empírica da protestantização virtual de católicos que, como como protestantes liberais que efetivamente se tornaram – pelo menos nas suas atitudes -, já não aceitam qualquer ensinamento da Igreja que não vá ao encontro da sua aprovação pessoal.

Assim, o Pew Center relata: “Nos Estados Unidos, 65% dos católicos e 57% dos protestantes dizem que estão convencidos de que as semelhanças superam as diferenças entre as respetivas religiões”. Esse é um estado de coisas absurdo, dado o afastamento radical da moral, mesmo básica, nas principais denominações protestantes, que toleram não só o divórcio e a contraceção, mas também o aborto, o “casamento gay” e a “ordenação” de mulheres.

Do mesmo modo, “na Europa ocidental também, mais de metade dos protestantes e católicos pensam da mesma maneira. Com picos de 78% entre os protestantes da Alemanha, de 67% entre os católicos da Holanda e de 64% entre os católicos da Áustria. Mas mesmo entre os católicos da Itália, são mais aqueles para quem as semelhanças prevalecem: 47% contra 41%.”

O que está a acontecer pode ser comparado à tendência para o equilíbrio térmico que ocorre quando um espaço quente e protegido se abre ao frio exterior. O espaço protegido assume gradualmente a temperatura externa ou, pelo menos, aproxima-se. Assim, a venerada “abertura ao mundo” no Concílio Vaticano II produziu um arrefecimento do zelo apostólico entre os fiéis, a maioria dos quais, é seguro dizê-lo, agora acredita que não há nada fortemente errado com o protestantismo nem nada fortemente urgente em ser um membro da Igreja Católica.

Curiosamente, no entanto, os dados mostram também uma espécie de mistura de efeitos “térmicos” numa bolsa atitudinal dos espaços católico e protestante. Como observa Magister, “naquilo que foi durante séculos um dos fatores mais fortes da divisão, a convicção protestante de que a salvação é obtida sola fide [somente pela fé], enquanto que para a fé católica deve ser acompanhada de obras, o pêndulo balançou a favor da última. Quase em todo o lado, ou seja, mesmo entre os protestantes, a maioria pensa que a fé e as obras são ambas necessárias”.

Então, escreve Magister, depois de meio século de diálogo “ecuménico”, “o sola fide luterano encontra também um significativo número de apoiantes entre os católicos: na Itália e na Alemanha, um quarto dos católicos defendem-no, enquanto no Reino Unido, na França e na Suíça são um terço.” Por outras palavras, se os dados são precisos, um número substancial de católicos são agora mais protestantes na sua crença quanto à necessidade de boas obras para a salvação do que a maioria dos protestantes.

Este desenvolvimento foi certamente encorajado pelo Papa Francisco que, durante uma das suas descomprometidas conferências de imprensa aeronáuticas, opinou que “hoje luteranos e católicos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação. Sobre este ponto, que é muito importante, ele [Lutero] não errou.” Mas é claro que Lutero errou e sua heresia sola fide foi anatematizada pelo Concílio de Trento. E é claro que a Igreja Católica não “concorda” com Lutero sobre a justificação apenas pela fé, mesmo que muitas pessoas católicas o façam graças aos efeitos negativos do “ecumenismo”.

Mais uma vez, vemos precisamente porque Pio XI proibiu qualquer participação católica no “movimento ecuménico” que surgiu das seitas protestantes na década de 1920. Ele previu, naquela altura, o que hoje vemos diante de nós: que o “ecumenismo” é apenas um “afago” enganoso que esconde um plano segundo o qual a Igreja Católica seria induzida a aceitar os protestantes, tal como são, ao mesmo tempo que suaviza e até suprime a sua própria doutrina durante o “diálogo ecuménico” para não ofender os “parceiros de diálogo” protestantes, incluindo os apatetados anglicanos que agora ordenam mulheres “sacerdotisas” e “bispas” e celebram “casamentos gay”.

Tal é o estado de coisas do qual Nossa Senhora de Fátima irá inevitavelmente livrar a Igreja, logo que os seus líderes obedeçam aos seus pedidos, desencadeando um milagre de graça divina pelo qual a Igreja será restaurada, tal como foi restaurada depois de cada uma das crises na sua história.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 6 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

Basto 10/2017

Correcção filial ao Pe. Gonçalo Portocarrero

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Por João Silveira e Pedro Froes

Como declaração de interesses começamos por dizer que o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada é alguém por quem nutrimos uma grande amizade e admiração, pelo que tem escrito desde há longos anos, de tal maneira que já publicámos neste blogue [Senza Pagare] quase uma centena de textos da sua autoria.

O Pe. Gonçalo Portocarrero escreveu um texto intitulado «Os católicos ‘protestantes’» no qual tece várias críticas aos autores da Correcção Filial ao Papa Francisco. O texto foi bastante difundido nas redes sociais, até por quem menos se esperava. Vivemos de facto tempos curiosos. Pessoas que durante décadas se referiam ao Opus Dei de modo violento, sempre recorrendo a adjectivos agressivos e injustos (mostrando total desconhecimento da Obra), partilham agora com todo o vigor um texto de um sacerdote numerário do Opus Dei. É uma situação análoga à dos que sempre atacaram a doutrina católica e os pronunciamentos infalíveis do Papa (como por exemplo a encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI) e agora envolvem numa aura de infalibilidade qualquer coisa que diga ou faça o Papa Francisco. É o chamado passar dos 8 para os 80.

O Pe. Gonçalo começa por defender que os autores da Correcção, quando escrevem “propagação de heresias produzida pela Exortação Apostólica Amoris Laetita“, acusam directamente o Papa Francisco de heresia. Isto porque é impossível que uma heresia provenha de um texto que não seja explicitamente herético (negue uma verdade de fé que deve ser crida). Mas isto não é verdade. Se um texto for dúbio – tiver mais do que uma interpretação possível – pode propagar uma heresia (um erro) sem que o erro se encontre no texto. Por isso mesmo quem tem na Igreja o dever de ensinar sempre se esforçou para que os seus pronunciamentos, especialmente os que versam verdades tão importantes, fossem o mais claros possível, de modo que só pudessem ser interpretados do modo correcto. Não é isso que se passa com a Amoris Laetitia, que deixa espaço para diferentes interpretações. Daí a propagação de heresias proveniente do texto.

O Pe. Gonçalo avança depois para a afirmação que nenhum Papa pode ser deposto. Porém, não existe uma única linha na Correcção que verse a possibilidade de depor um Papa ou sobre a deposição do Papa Francisco (basta procurar no documento palavras como “destituir” ou “deposto” e ver que o resultado é zero). Essa intenção não está material nem formalmente expressa no documento, pelo que não se entende esta deriva no texto do Pe. Gonçalo.

De seguida o Pe. Gonçalo invoca o cân. 1404, que diz que a primeira Sé (isto é o Papa) não pode ser julgada por nenhuma autoridade humana. Mas os autores da Correcção Filial não têm como objectivo a instauração de um processo canónico contra o Papa. Não o querem julgar num tribunal, mas tão só que corrija de algum modo a sua conduta de forma que as heresias e a confusão que vagueiam livremente dentro da Igreja hoje em dia deixem de existir. Canonicamente um Papa é inatacável mas moralmente não. Ao longo dos séculos existiram Papas com condutas morais no mínimo duvidosas e nem a Igreja nem o Papado acabaram por causa disso. E seria absurdo vir justificar aquelas práticas pelo simples facto de terem sido feitas por um Papa. É querer a quadratura do círculo.

De seguida encontra-se a frase mais infeliz de todo o texto, que passamos a citar:

«Como não há qualquer hipótese legal de destituir o Papa Francisco, os subscritores desta carta apelam à “dúvida” quanto à “validade da renúncia do papa emérito Bento XVI ao papado”.»

Em primeiro lugar, como já dissemos, os subscritores não querem, com este documento, destituir o Papa Francisco. Em segundo lugar, os subscritores não fizeram esta iniciativa por via jurídica mas por via filial, endereçada directamente ao Papa e não a qualquer tribunal. Em terceiro lugar, os subscritores não apelam à dúvida quanto à validade da renúncia do Papa Bento. Isto é mentira! O documento apenas constata o facto de, perante a confusão instalada, algumas pessoas porem em causa a validade dessa renúncia. Mas não a advoga como sendo provável. Na verdade, os autores expressaram a sua preocupação por essa ideia, rejeitando-a implícita e explicitamente ao referir-se, por diversas vezes ao longo do texto, inclusive nesse parágrafo, ao Papa Francisco como Sua Santidade. De mais a mais, no parágrafo seguinte àquele em que falam da renúncia de Bento XVI, os subscritores afirmam, sem margem para dúvidas, o seu distanciamento em relação à possibilidade do Papa Francisco não ser Papa:

“Acreditamos, porém, que Sua Santidade possui o carisma da infalibilidade e o direito à jurisdição universal sobre os fiéis a Cristo, no sentido definido pela Igreja.”

Sendo isto tão claro parece-nos inconcebível como é que o Pe. Gonçalo faz uma leitura completamente contrária ao que está escrito? É-nos francamente difícil entender como pôde isto acontecer.

Diz depois o Pe. Gonçalo que os autores da Correcção se esqueceram que a Amoris Laetitia «não pretende ser um texto dogmático, nem normativo, mas pastoral e, por isso, a sua exegese deve ser feita em sintonia com o magistério e a tradição da Igreja e não contradizendo-os.» A questão que se coloca é: Pode um texto pastoral apresentar contradições em relação à doutrina? Pode um texto pastoral deixar em aberto possíveis interpretações contra o que o Magistério sempre ensinou e contra a praxis seguida na pastoral da Igreja ao longo de 2000 anos?

Usando a Amoris Laetitia como fonte de autoridade existem hoje em dia conferências episcopais inteiras que defendem publicamente, e na prática, disciplinas contrárias ao que a Igreja sempre defendeu e condenadas explicitamente, ainda há poucos anos, em documentos do Papa João Paulo II e do Papa Bento XVI. Como constatou o Cardeal Caffarra na carta que escreveu ao Papa Francisco em Abril deste ano: “O que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta.” Poderíamos ainda acrescentar que existem diferentes doutrinas dentro de outras conferências episcopais: por ex. em Roma, diocese do Papa, a interpretação que se encontra no site do Vicariato de Roma é de mudança depois da Amoris Laetitia, enquanto que em Florença a interpretação é a de que nada mudou. Quem tem razão afinal? Um acto que sempre foi considerado intrinsecamente mau depende agora da geografia? Pode ser pecado aqui mas já não ser acolá? Onde está a unidade da fé que é a causa da unidade da Igreja?

O Pe. Gonçalo explica depois, dando o exemplo da samaritana junto ao poço e dos seus 5 maridos, que também no Evangelho existem “expressões que não são susceptíveis de uma exegese literal”. Tem toda a razão. Por isso mesmo a Igreja sempre disse que deveria ser o Magistério a explicar o sentido das Sagradas Escrituras e não cada um por si, como fazem os protestantes. Foi para evitar o problema de “cada cabeça sua sentença” que a Igreja sempre esclareceu o significado das Escrituras e sempre o fez de maneira clara, sem margem para dúvidas de fé e moral.

Segue depois o Pe. Gonçalo para o exemplo de São João que apesar de ter sido o primeiro a chegar ao sepulcro vazio esperou por São Pedro para entrar, confirmando a autoridade deste em relação aos Apóstolos, mesmo tendo negado Jesus 3 vezes. Mais uma vez tem razão. Mas ocorre dizer que Pedro se arrependeu dessa negação cobarde chorando amargamente (Lc 22, 62) e, mais tarde, corrigiu a sua tríplice negação com uma tríplice confissão da fé, diante do Divino Mestre (Jo 21, 15-17).

Os autores da Correcção Filial não se consideram uma autoridade acima do Papa, antes têm a perfeita noção que é o Papa que tem a jurisdição sobre eles e sobre toda a Igreja. Por isso mesmo dirigem-se ao Santo Padre enquanto filhos e reconhecendo a sua autoridade, como está bem explícito no documento. E se o que escrevem tem alguma autoridade é a autoridade que vem da Revelação de Deus e de 2000 anos de Magistério ininterrupto da Igreja em relação à doutrina do matrimónio e às condições necessárias para receber os sacramentos.

Não existe qualquer infidelidade ao Papa nesta iniciativa, existe exactamente o contrário: uma fidelidade acompanhada duma preocupação pela salvação das almas. Infidelidade ao Papa, e a Nosso Senhor, seria enfiar a cabeça na areia sem se preocupar com a confusão reinante neste momento na nossa querida Igreja.

O Pe. Gonçalo tem uma boa intenção aparente: defender o Papa. Mas o que faz na prática é colocar o Papa num pedestal juntando-lhe super-poderes de infalibilidade em tudo o que diz e faz. Isto não é doutrina católica, é uma papolatria que deturpa o que a Igreja Católica sempre disse sobre o papado. O Papa é infalível em certos pronunciamentos e em determinadas situações, não é infalível em toda a sua conduta. O Papa Paulo IV explica isso de forma bastante clara na Bula ‘Cum ex apostolatus officio’:

“O Romano Pontífice, que é o representante na terra do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, que detém a totalidade do poder sobre povos e reinos, que pode a todos julgar e por nenhum ser julgado neste mundo, pode, no entanto, ser contradito, se se verificar que se desviou da fé.”

O mesmo clarifica o insuspeito Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI):

“Doutra parte, é possível e até necessário criticar os pronunciamentos do Papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade [de um pronunciamento papal].” (Das Neue Volk Gottes – Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus , São Paulo: Paulinas, 1974, p. 140)

São Paulo corrigiu São Pedro:

“Mas, quando Cefas (Pedro) veio para Antioquia, opus-me frontalmente a ele, porque estava a comportar-se de modo condenável.” (Gal 2, 11)

São Paulo, que era apenas um Bispo, corrigiu o Papa. São Tomás de Aquino resolve esta questão em Summa Theologiae, IIa, IIae, Q. 33, A.4. Será que Paulo julgou Pedro? Não. “Prima sedes a nemine iudicatur.” Paulo corrigiu Pedro filialmente, tal como o Cardeal Jacques Fournier e outros bons homens fizeram ao Papa João XXII, que, felizmente, no seu leito de morte se retractou e converteu.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, corrigiu o Papa exortando-o com bastante veemência para que deixasse Avinhão e voltasse para Roma.

Durante o cisma do Ocidente (1378-1417) quando existiam dois Papas (na prática só um podia ser legítimo) reclamando ambos o título de Sucessor de Pedro havia santos a apoiar cada um deles. Como é possível que um santo tenha estado contra e em desobediência ao Papa verdadeiro?

A história da Igreja ajuda a desmontar o romance e a utopia que envolvem hoje em dia o papado, transformando o Papa no que não é nem pode ser. A constituição dogmática Pastor Aeternus, sobre o primado e infalibilidade do Papa, promulgada pelo Concílio Vaticano I ajuda a perceber melhor e a purificar-nos destas ideias de infalibilidade absoluta do Papa em tudo o que diz e faz, que são um absurdo olhando para o passado e um perigo para o futuro se forem tidas como verdadeiras.

O Santo Padre é o garante da unidade da Igreja porque é seu dever confirmar os seus irmãos na fé. A unidade da Igreja é a unidade da fé. A obediência ao Papa é obrigatória sempre que essa obediência não implique uma desobediência aos mandamentos de Deus. A figura do Sucessor de Pedro é tão importante para a Igreja que qualquer crítica que seja feita ao seu governo deve ser justificada por motivos gravíssimos e feita com o maior respeito possível. Quer-nos parecer que a Correcção Filial goza desses dois pressupostos.

O Pe. Gonçalo é um homem inteligentíssimo, brilhante jurista, grande orador e escreve muitíssimo bem. Custa-nos que tenha perdido esta oportunidade para fazer uma crítica ao documento em questão, especialmente nas partes em que o mesmo pudesse ter-se afastado da doutrina católica. Poderia também ter demonstrado que de facto aquelas 7 heresias não são hoje ditas abertamente por vários membros da hierarquia da Igreja com o silêncio conivente da Santa Sé. Se o tivesse feito esta iniciativa teria perdido todo o seu sentido. Infelizmente o Pe. Gonçalo desperdiçou energias com investidas contra o que o documento não diz, nem quer dizer (a célebre falácia do espantalho) e a defender o Papa de ataques que não lhe foram de modo algum dirigidos. Agindo deste modo não prestou um bom serviço à verdade nem à salvação das almas.

Rezemos pelo Papa Francisco e pela unidade da Igreja em torno das verdades reveladas por Deus, que são imutáveis, tal como nos garantiu Nosso Senhor: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar.” (Mt 24, 35)

Este texto foi publicado originalmente no blogue Senza Pagare no dia 2 de outubro de 2017.

Nota da edição: o texto acima é da inteira responsabilidade dos seus autores, a presente edição destina-se apenas à sua divulgação. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazem parte da publicação original.

 

Nosso comentário

Subscrevemos na íntegra o artigo acima. O Pe. Portocarrero tem sido realmente uma referência nacional, quer pela sua fidelidade ao magistério da Igreja, quer pelo seu brilhantismo intelectual. É precisamente por isso que o seu artigo «Os católicos ‘protestantes’» acaba por ter tanto de surpreendente quanto de desolador.

Se a exortação Amoris Laetitia é um documento “pastoral para ser interpretado à luz do magistério e da tradição da Igreja”, a verdade é que, na sua ambiguidade literária, serve de justificação para práticas pseudo-pastorais diametralmente opostas ao ensinamento da Igreja. Aliás, é o próprio Santo Padre quem tem promovido tais interpretações, enquanto condena publicamente aqueles que persistem na doutrina imutável da Igreja.

aqui tínhamos clarificado e voltamos a fazê-lo: a prática de Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado. O resto são eufemismos e outros malabarismos de linguagem utilizados por aqueles que aprovam aquilo que o próprio Cristo condenou.

A habilidosa argumentação daqueles que sustentam que a nova pseudo-pastoral não põe em causa a doutrina não passa de um grande sofisma, mas só engana quem quer ser enganado.

Entre “católicos protestantes” e protestantes católicos, pode ser que algum dia apareça um teólogo capaz de explicar tudo isto à luz daquela invulgar meditação sobre o “Cristo que se fez diabo“.

Basto 10/2017

Joseph Ratzinger: “A crítica aos pronunciamentos papais é possível e até mesmo necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo”

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Por

Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, Fede, ragione, verità e amore, de 2009. Tais observações, que agora publicamos abaixo traduzidas, são particularmente relevantes à luz da correção filial ao Papa Francisco da semana passada:

“Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objetivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu caráter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado).

Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade”.

Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144.
Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina:

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.”

Papa Bento XVI, 2005:

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.”

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 1 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. As citações de 1998 e de 2005 estão apresentadas nas suas traduções oficiais.

Basto 10/2017

D. António Marto agradece a visita do Santo Padre a Portugal

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No passado dia 30 de setembro, o bispo de Leiria-Fátima deslocou-se ao Vaticano para agradecer pessoalmente ao Santo Padre a sua presença no Santuário de Fátima. O Papa Francisco esteve em Fátima nos dias 12 e 13 de maio para a participação nas celebrações do centenário das aparições.

“Sempre conseguiste levar-me a Fátima”, disse o Papa a D. António Marto, mal o recebeu com um “grande abraço”.

(in Ecclesia, 30/09/2017)

De acordo com a Ecclesia, o Papa pediu ao bispo para agradecer aos peregrinos o “acolhimento caloroso dispensado em Portugal” e, como de costume, para “que não se esquecessem de rezar por ele”.

Basto 10/2017