Athanasius Schneider: a interpretação do 3.º Segredo não é infalível

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No final da palestra proferida por D. Athanasius Schneider, há cerca de um mês, em Fátima, intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima”, proporcionou-se um pequeno momento de perguntas colocadas pela assistência. Alguém questionou o bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria Santíssima de Astana (Cazaquistão) sobre a sua opinião a respeito da interpretação dada pelo Vaticano ao “bispo vestido de branco”, figura central do 3º Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.

D. Athanasius Schneider, com toda a clareza que o caracteriza, foi muito direto e pragmático na sua resposta: “não é uma interpretação ex cathedra“, então “não é infalível”. E esclareceu que o 3º Segredo diz que o Santo Padre foi assassinado, portanto não pode referir-se a João Paulo II, uma vez que este sobreviveu ao atentado.

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Fátima, 14 de julho de 2017

A referida palestra teve lugar no passado dia 14 de julho, em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, tendo sido organizada pelo Adelante la Fe. Para já, o texto do discurso de D. Athanasius Schneider está disponível apenas em castelhano no sítio da conhecida publicação católica espanhola.

Basto 8/2017

As “revelações surpreendentes” da Irmã Lúcia na reportagem da SIC

Muitos de nós ainda se lembram de, na década de noventa do século passado, a então recém-criada estação portuguesa de televisão privada SIC ter aberto um telejornal com a notícia de alegadas “revelações surpreendentes” da Ir. Lúcia a respeito da mensagem de Fátima. Desde então, várias gravações editadas dessa reportagem têm corrido o mundo para justificar diversas interpretações da mensagem de Fátima, umas mais otimistas do que outras.

Uma observação mais atenta da referida reportagem suscita alguma prudência na sua utilização como prova material de algumas das alegadas “revelações surpreendentes” da vidente de Fátima.

Todos nós desejamos que as “revelações” anunciadas na referida reportagem estejam completamente corretas e que as fontes aí citadas não tenham, de forma involuntária,  interpretado mal a vidente de Fátima, uma vez que elas são bem mais favoráveis do que a realidade parece evidenciar… Mas a verdade é que, se tais “revelações” eram de facto “surpreendentes” na altura da sua publicação, principalmente quando confrontadas com outras declarações da mesma vidente, elas tornam-se ainda mais surpreendentes à medida que o tempo passa e avaliamos, à luz da mensagem de Fátima, o estado a que chegou o mundo (Rússia incluída) e principalmente a Igreja. Não deve ser por acaso que esta reportagem é hoje utilizada para justificar a normalidade do momento insólito que a Igreja vive desde 2013 para cá…

Esperemos que, num futuro próximo, publiquem os vídeos integrais da entrevista e, de preferência, com algum tipo de correção técnica, dada a má qualidade das gravações apresentadas, para que não restem a mínima dúvida em relação à informação em causa.

Basto 8/2017

A prova final da Igreja segundo Fátima e o Catecismo

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Por Pedro Sinde

Vive-se, hoje, uma certa euforia na Igreja (curiosamente, talvez até mais fora do que dentro dela!); convém recordar, no entanto, para evitar cair em precipitação, que nada menos do que o próprio Catecismo nos ensina que a “Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes” (Catecismo, § 675). Veremos brevemente como os avisos que nos chegam de Fátima estão em espantosa consonância com a doutrina da Igreja.

Abalo da fé

São palavras tremendas, as que a Igreja diz de si mesma sobre os últimos tempos: a “Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição” (idem, § 677). Ora, seja qual for a natureza da prova final, ficámos a saber no Catecismo que ela abalará a fé de numerosos crentes; isto não espantará, naturalmente, nenhum católico que se lembre destas tremendas palavras de Cristo: “Quando porém o Filho do Homem voltar, encontrará porventura fé sobre a terra?” (Lc, 18, 8). Neste ponto, podemos recordar que a mensagem de Fátima avisa justamente para esta questão da perda de fé, ao dizer que “em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Os melhores intérpretes têm apontado que esta referência parece pressupor a ideia de que noutros lugares o dogma da fé não se conservará. No entanto, temos de atender ao facto de que isto não significa nem que apenas em Portugal se mantenha, nem que fora de Portugal não se mantenha. No entanto, temos a promessa, em palavras da própria Virgem de que em Portugal se manterá. Já alguns têm afirmado que ser em Portugal não quer necessariamente dizer que seja com os portugueses… Portugal pode aparecer nas palavras da Virgem como um lugar, como uma arca de Noé que contivesse os elementos fundamentais da fé intactos para a transição neste processo de morte e ressurreição da Igreja; se não como semente, pelo menos como terreno fértil para a semente. Regressemos agora ao Catecismo no sentido de antever um pouco qual a natureza deste evento tremendo. No mesmo parágrafo citado acima (§ 675), referem-se alguns pontos essenciais, que nos podem ajudar a conhecer a natureza desta prova: “Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado.”

Podemos, assim, reconhecer os principais elementos da prova final:

– ocorrerá uma perseguição: e a quem poderia ser, senão a quantos se mantiverem fieis à Igreja?;

– esta perseguição “porá a descoberto o «mistério da iniquidade»: sob a forma de uma impostura religiosa”;

– esta impostura religiosa – que enganará os crentes (e de que modo, senão emergindo mesmo do interior do Catolicismo?) – caracterizar-se-á por apresentar “aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade”;

– o modo pelo qual se realizará esta impostura será o de um “pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado”.

Numa importante nota (nota 643), o Catecismo descreve especificamente um “falso misticismo” que é a “simulação da redenção dos humildes”. Esta questão dos humildes ou dos pobres aparece, pois, como uma ‘pedra de toque’ ou uma ‘pedra de tropeço’ e deve ser vista à luz meridional dos Evangelhos e não à luz de qualquer ideologia: – Judas, esse que O havia de trair, exclama, escandalizado por ver Maria a ungir os pés do Messias com um caro perfume: “Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?” E a surpreendente resposta de Jesus é esta: “Pobres sempre os tereis entre vós, mas a Mim nem sempre me tereis” (Jo, 12, 8). – Mas talvez ainda mais importante é a seguinte afirmação: “É mais fácil passar um camelo no buraco da agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mt, 19, 24; Lc, 18, 25). Desta perspectiva, que é a de Deus (!), não está o pobre em vantagem em relação ao rico? Diz a erudita Irmã Jeanne d’Arc que “buraco da agulha” era o nome de uma rua de Jerusalém muito estreita e praticamente impossível de passar com o camelo carregado. Isto nos mostra que ao rico não é impossível entrar no reino de Deus, mas apenas que é mais difícil (sobretudo se quiser passar carregado com as suas riquezas). A nobreza da pobreza evangélica opõe-se ao modo meramente materialista e bélico das ideologias de qualquer tipo.

Abalo cósmico

E o abalo da fé, referido acima, parece ter como consequência um abalo cósmico. No § 677, diz-se ainda que o “triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo Final, após o último abalo cósmico.” Fixemos esta impressionante expressão e recordemos a seguinte visão da Irmã Lúcia (tal como narrada em Um Caminho sob o Olhar de Maria, p. 267):

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Vista parcial do manuscrito da Ir. Lúcia publicado no livro “Um Caminho sob o Olhar de Maria: Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado”, 2013

(Depois de dificultosamente escrever a terceira parte do segredo, anota): “E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, – A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, – Ela estremece, montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultadas. – O mar, os rios e as nuvens, saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que se não pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. – O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!” (3-1-1944).

Impressionante descrição! Aquela “ponta da lança como chama que se desprende” e que “toca o eixo da terra”, fazendo-a estremecer, não será verdadeiramente aquele “abalo cósmico” a que se refere o próprio Catecismo? O abalo da fé, implícito na mensagem de Fátima, não será, como no Catecismo, a causa do abalo cósmico? E não diz a Irmã Lúcia, numa carta ao Cardeal Carlo Caffarra, que a coluna que sustenta a criação é a família e que, por isso, o último ataque de Satanás será sobre a família e a santidade do matrimónio? Se não devemos deixar-nos derrotar pelos eventos previstos, por muito difíceis que se nos afigurem os tempos, também não devemos deixar que as vagas das modas ideológicas deste mundo nos levem embalados e afastem da barca firme. Temos, de resto, a promessa da Virgem, ela mesma, em Fátima, e em palavras inequívocas: “por fim o meu Imaculado Coração triunfará”!

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 25 de maio de 2016.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho, a presente edição visa apenas a sua divulgação. As imagens foram adicionadas na presente edição, não fazem parte da publicação original.

Basto 7/2017

A hora do testemunho público

padre gobbi

Fulda, Alemanha, 8 de setembro de 1985

(Festa da Natividade da Virgem Santa Maria)

314. A hora do testemunho público

[…]

O que é que ofusca hoje a beleza e o esplendor da Igreja?

É o fumo dos erros que Satanás fez entrar nela; estes são cada vez mais difundidos, levando muitíssimas almas à perda da Fé. A causa desta tão vasta difusão dos erros e desta grande apostasia são os pastores infiéis. Estes fazem silêncio, quando devem falar com coragem para condenar o erro e defender a Verdade. Não intervêm quando devem desmascarar os lobos vorazes que se introduziram no rebanho de Cristo, vestidos de cordeiros. São cães mudos que deixam devorar o seu rebanho.

Vós, ao contrário, deveis falar com força e coragem para condenar o erro e difundir só a Verdade. Chegou a hora do vosso testemunho público e corajoso.

[…]

Tudo o que o meu Papa disse neste lugar corresponde à verdade.

Estais próximos do maior castigo; então Eu digo-vos: entregai-vos a Mim e lembrai-vos que a arma que deveis usar nestes terríveis momentos é o santo Terço. Deste modo formareis o meu exército que conduzo, nestes tempos, à sua maior vitória.

(Excerto da locução Nº 314 do Pe. Srefano Gobbi in Aos Sacerdotes Filhos Prediletos de Nossa Senhora, Edição de 2006 atualizada, p. 557, 558)

O Padre Gobbi foi o fundador do Movimento Sacerdotal Mariano.

Basto 7/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017

Francisco volta a assumir-se como o “Santo Padre” do Segredo

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Papa Francisco no Santuário de Fátima, 13/05/2017 – The Vatican

O Papa Francisco, na homilia proferida durante a Missa de Canonização dos Pastorinhos, no Santuário de Fátima, voltou a assumir-se como a figura central do Segredo de Fátima.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes!

(Excerto da homilia do Papa Francisco de 13/05/2017, in Acidigital)

O trecho das Memórias da Ir. Lúcia citado na homilia do Papa Francisco refere-se ao “Santo Padre” do Segredo de Fátima, conforme confirmam as linhas seguintes do diálogo de onde foi retirado.

Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre em uma Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com Ele?
Passados alguns dias, perguntou-me:
– Posso dizer que vi o Santo Padre e toda aquela gente?
– Não. Não vês que isso faz parte do segredo? Que por aí logo
se descobria?
– Está bem; então não digo nada.

Estes recentes desenvolvimentos, somados à celebração do Centenário das Aparições e à onda de apostasia que afeta neste momento a Igreja Católica, indicam que podemos estar realmente muito próximos do culminar das profecias de Fátima.

Basto 5/2017

Francisco diz que ele é o “Bispo Vestido de Branco”

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Por Christopher A. Ferrara

Amanhã, em Fátima, o Papa Francisco canonizará a Jacinta e o Francisco, valorizando ainda mais o evento de Fátima na vida da Igreja ao elevar dois dos três videntes aos altares. Sem embargo, em ainda mais uma volta contorcida para o mistério labiríntico do Terceiro Segredo, a oração que ele recitará no santuário de Fátima contém esta declaração surpreendente:

Salve Mãe de Misericórdia, Senhora da veste branca! Neste lugar onde há cem anos a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus, olho a tua veste de luz e, como bispo vestido de branco, lembro todos os que, vestidos da alvura batismal, querem viver em Deus e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.

A auto-descrição do Papa Bergoglio como um “bispo vestido de branco” evoca claramente a visão do Terceiro Segredo, publicada em 26 de junho de 2000, cuja descrição textual, registada pela Irmã Lúcia, inclui o seguinte: «E vimos numa luz imensa que é Deus “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.»

Certamente isto não é coincidência, mas antes uma alusão propositada. A referência do Papa Bergoglio às vestes brancas batismais não é particularmente relevante para a ocasião de amanhã. Pelo contrário, parece projetada para estabelecer uma referência a si mesmo como um bispo vestido de branco.

Isto levanta uma curiosa questão sobre o que a Irmã Lúcia registou. Porque terá escrito ela sobre o misterioso “bispo vestido de branco” que “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”? Porquê apenas um “pressentimento”? Não terá Nossa Senhora informado os videntes com exatidão sobre quem era o bispo vestido de branco? Afinal, Ela foi perfeitamente clara sobre todos os outros detalhes da Mensagem de Fátima, incluindo o próprio nome do Papa (Pio XI) que reinaria no início da II Guerra Mundial. Porque razão identificaria, Nossa Senhora, pelo nome o Papa que reinaria no início da II Guerra Mundial mas não identificou o bispo vestido de branco, executado por um grupo de soldados fora da cidade devastada, deixando os videntes apenas com um “pressentimento” de que é o Santo Padre?

Ou é o Santo Padre? O bispo branco e o Santo Padre são a mesma pessoa ou são duas pessoas diferentes? Convém não esquecer que, pela primeira vez na história da Igreja, existem de facto dois “bispos vestidos de branco” a viver no enclave do Vaticano, ambos conhecidos por nomes papais, um dos quais se refere a si mesmo, sendo também referido pelo Papa Bergoglio, como “Papa Emérito”.

Como devemos entender o facto de o Papa Bergoglio aparentemente se ter colocado no cenário pós-apocalíptico retratado na visão, não havendo nenhuma outra explicação plausível para o porquê de, precisamente em Fátima, ele se descrever com a frase exata utilizada na visão do Terceiro Segredo? Além disso, se o Papa Bergoglio se vê a si mesmo como o “bispo vestido de branco”, será que, contrariamente ao Papa Bento XVI, ele descarta a ridícula “interpretação” do Cardeal Sodano de que o bispo vestido de branco executado por soldados é João Paulo II a não ser executado por um assassino solitário? Será que ele tem razão para acreditar que é ele o bispo vestido de branco que encontra a morte numa das colinas fora da devastada cidade de Roma?

Mais uma vez vemos por que tem de haver um texto no qual a própria Virgem explica o sentido e o significado de cada detalhe da visão enigmática, tal como o fez com o resto da Mensagem de Fátima. Entre outras coisas, Ela teria naturalmente esclarecido o “pressentimento” de que o bispo executado na visão é o Papa.

No estado a que as coisas chegaram, o “Terceiro Segredo” que o Vaticano apresentou ao mundo – a visão por si só – não produziu mais do que interpretações contraditórias, em vez da orientação certa que a Mãe de Deus seguramente queria fornecer à Igreja e ao mundo. Não, alguma coisa falta. E mais cedo ou mais tarde será revelada.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 12 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2017

Papa Francisco assume em Fátima a personificação do “bispo vestido de branco”

E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.

(Excerto do 3º Segredo de Fátima in Sítio Oficial do Vaticano)

Bispo vestido de branco
Cena do filme “O 13º Dia: Um Milagre em Fátima”, 2009
O Vaticano publicou antecipadamente um livreto com todas a orações das celebrações que serão presididas pelo Papa Francisco no Santuário de Fátima. Numa das orações do rito introdutório, o Papa assume-se, na primeira pessoa, como “bispo vestido de branco”, numa alusão clara à figura central do 3.º Segredo de Fátima.
Orações presididas pelo Papa Francisco
Orações do Papa Francisco para os dias 12 e 13 em Fátima – Sítio Oficial do Vaticano
Il Santo Padre:
Salve Mãe de Misericórdia,
Senhora da veste branca!
Neste lugar onde há cem anos
a todos mostraste
os desígnios da misericórdia do nosso Deus,
olho a tua veste de luz
e, como bispo vestido de branco,
lembro todos os que,
vestidos da alvura batismal,
querem viver em Deus
e rezam os mistérios de Cristo
para alcançar a paz.
(Orações do Papa Francisco para os dias 12 e 13 in Sítio Oficial do Vaticano)

Que “desígnios de misericórdia” eram esses? Estaria Nossa Senhora a referir-se a esta nova misericórdia do Papa Francisco que prescinde da contrição e nada condena, a não ser o catolicismo? Teria a Igreja demorado 100 anos para perceber finalmente a mensagem de conversão de Fátima? É difícil aceitar que os sacrifícios dos pastorinhos se destinassem à obtenção da “conversão” dos pastores de modo a aceitarem as relações adúlteras, práticas homossexuais e outras exclusões que impediam a acesso à Sagrada Comunhão. Isso não faz sentido!

Mas voltando ao “bispo vestido de branco” do 3.º Segredo, admitindo que ele seja mesmo o Papa Francisco, e dado que a profecia não se concretizou ainda nos papas anteriores, quem serão os outros personagens que, com ele, sobem a mesma “escabrosa montanha” da santidade e do martírio?

«Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca.»

«Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições.»

(Excertos do 3.º Segredo de Fátima in Sítio Oficial do Vaticano)

Quem são essas pessoas que, tal como o Santo Padre, se encontram no difícil caminho da “grande cruz de tronco tosco”? Quem serão esses futuros santos?

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Excerto do 3.º Segredo de Fátima publicado no ano 2000 Sítio Oficial do Vaticano

O tema da identidade do “bispo vestido de branco” do Segredo de Fátima é bastante pertinente e inconclusivo, foi bom que o Santo Padre o tivesse relançado. Os próprios pastorinhos não estavam completamente certos da sua identidade no momento inicial da visão que Nossa Senhora lhes proporcionou. Eles tiveram o “pressentimento” de que seria o Santo Padre, mas porquê apenas o “pressentimento”? Nenhum outro elemento da Igreja Católica ou da sociedade civil se veste de forma tão distinta e singular como o Vigário de Cristo na Terra. Ou será que o Segredo de Fátima profetiza um momento histórico de uma obscuridade tal que até a figura do Santo Padre se torna difícil de identificar?

Basto 5/2017

O Papa de Fátima ainda não morreu!

Essa foi a conclusão objetiva do jornalista João Céu e Silva quando tomou contacto com os documentos de Fátima na elaboração de mais uma monografia histórica para a Porto Editora. Uma conclusão óbvia que, apesar de tão evidente, passa normalmente ao lado de grande parte dos autores que escrevem sobre Fátima, sendo talvez o motivo pelo qual este livro tem obtido um grande destaque na imprensa nacional.

A profecia
capa do livro – Porto Editora

Se no ano 2000 os milhares de crentes frustrados com o teor da terceira parte do Segredo tivessem elaborado sobre o que realmente ouviram o cardeal Sodano afirmar em nome de João Paulo II, atitude questionadora sempre demasiado ausente no Santuário, poderiam ter-se perguntado: quem é realmente o papa visado pela profecia de Lúcia, uma tragédia que a vidente tão longamente guardou, primeiro na sua mente e depois num envelope selado e proibido de ser aberto antes de 1960?

(João Céu e Silva in Diário de Notícias, 26/03/2017)

Mal os papas deixaram de estar fechados no Vaticano, vieram a Portugal prestar vassalagem a Nossa Senhora. Não vêm por acaso. Vêm por causa do terceiro segredo, por terem algum receio de serem eles os visados. A primeira coisa que o Papa João Paulo II faz, logo que acorda na clínica Gemelli após o atentado, é mandar vir o segredo. Ratzinger faz o comentário, e Francisco consagra o seu pontificado a Nossa Senhora de Fátima, uma semana depois de ser eleito. E pede para a imagem de Nossa Senhora ir ao Vaticano.

(João Céu e Silva in Expresso, 16/04/2017)

O próprio Papa Bento XVI admite que as profecias de Fátima continuam em aberto, apesar de a interpretação oficial – ou pretendida – do Vaticano apontar para acontecimentos passados em que João Paulo II surge como protagonista.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída.

(Bento XVI em Fátima a 13/05/2010)

De facto, o 3.º Segredo publicado no ano 2000 não descreve uma tentativa de assassinato levada a cabo por um homicida, mas antes a consumação efetiva do assassinato de um Papa que “foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas”. Deste modo, a interpretação oficial do Vaticano, publicada juntamente com o segredo, não corresponde à descrição da Ir. Lúcia.

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Vista parcial da 4.ª página do “3.º Segredo de Fátima” – Sítio oficial do Vaticano

Se quisermos ser mais precisos, o texto da Ir. Lúcia não refere o termo “Papa” mas sim “Santo Padre”. É apenas mais um pormenor, mas não deixa de ser relevante.

Há outra profecia de Fátima sobre qual poucos gostam de falar: “várias nações serão aniquiladas”. Esta profecia também ainda não se concretizou, pelo menos no campo material.

Basto 4/2017

O segredo de Fulda

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Durante a sua viagem pastoral à Alemanha, de 17 a 18 de novembro de 1980, o Papa João Paulo II terá conversado com um grupo de católicos locais. Esse diálogo seria reproduzido na publicação de outubro do ano seguinte da revista alemã Stimme des Glaubens. De acordo com o texto da revista alemã, entretanto traduzido, o Santo Padre terá respondido a duas questões que lhe foram colocadas sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

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Bênção papal de João Paulo II em Fulda, Alemanha, em novembro de 1980 – Bispado de Fulda

O Terceiro Segredo de Fátima não devia já ter sido publicado por volta de 1960?

Dada a gravidade do seu conteúdo, os meus antecessores na cadeira de Pedro preferiram diplomaticamente adiar a publicação, para não encorajar o poder mundial do Comunismo a  tomar certas atitudes. Por outro lado, é suficiente todos os Cristãos saberem isto: se há uma mensagem em que está escrito que os oceanos inundarão vastas áreas da Terra, e que, de um momento para outro, milhões de pessoas morrerão, certamente a publicação de uma tal mensagem já não é algo muito desejável. Muita gente quer saber apenas por curiosidade e por gosto do sensacional, mas esquecem-se de que o conhecimento também implica responsabilidade. Só procuram satisfazer a sua curiosidade, e isso é perigoso se, ao mesmo tempo, não estão dispostos a fazer alguma coisa, e se estão convencidos de que é impossível fazer qualquer coisa contra o mal. Aqui [mostrando o terço que segurava na mão] está o remédio contra esse mal. Rezem, rezem e não peçam mais nada. Deixem tudo o resto à Mãe de Deus.
(João Paulo II em novembro de 1980 in Fatima Center)

O que irá acontecer à Igreja?

Devemos preparar-nos para sofrer grandes provações dentro de não muito tempo, provações tais que exigirão de nós uma disposição para dar até as nossas vidas, e uma dedicação total a Cristo e por Cristo… Com as vossas e as minhas orações, é possível mitigar esta tribulação, mas já não é possível evitá-la, porque só assim pode a Igreja ser efetivamente renovada. Quantas vezes a renovação da Igreja proveio do sangue! Desta vez, também não será de outra maneira. Devemos ser fortes e estar preparados, e confiar em Cristo e na Sua Mãe, e rezar o Rosário com muita, muita assiduidade.
(João Paulo II em novembro de 1980 in The Fatima Center)

O conteúdo deste diálogo, se for verdadeiro, converge com outras referências conhecidas ao mesmo segredo proferidas por diferentes pessoas que, comprovadamente, também tiveram acesso ao documento. O diálogo terá acontecido vários meses antes do atentado sofrido por João Paulo II em maio de 1981 e vários anos antes do colapso da União Soviética. Alguns pormenores importantes deste diálogo põem em causa a tese oficial de que o Segredo de Fátima fora integralmente publicado no ano 2000.

Hoje, 36 anos depois, o Segredo de Fátima é um mero acontecimento do passado, sobre a qual devemos festejar, ou continua ainda em aberto, constituindo motivo de receio e reflexão? Para respondermos a esta questão temos de comparar o estado da Igreja e do mundo de hoje com o de 1960, ano em que o envelope – ou os envelopes – do Segredo, “por ordem expressa de Nossa Senhora”, deveria ser aberto e o seu conteúdo conhecido.

Basto 11/2016

Castigos de Fátima referidos por João Paulo II

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João Paulo II, em Roma, a 25 de Março de 1984

Logo após a tentativa de assassinato sofrida a 13 de maio de 1981, o Santo Padre João Paulo II, gravemente ferido e em convalescença, requisitou o texto do Segredo de Fátima. O atentado ocorreu precisamente na data de aniversário da primeira aparição de Fátima, às 17:19 horas locais, uma hora que pode também ser interpretada como uma referência a 1917 em forma de anagrama.

Ao ler o texto, sentiu a urgência de consagrar o Mundo ao Imaculado Coração de Maria, tendo-o feito logo alguns dias depois, a 7 de junho de 1981, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Esta consagração seria renovada no ano seguinte, em Fátima, a 13 de maio de 1982, aquando da visita de João Paulo II a Portugal. Dois anos depois, o mesmo Santo Padre quis ainda realizar uma nova consagração colegial do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, que teve lugar a 25 de março de 1984, na Praça de São Pedro.

Para a última das três consagrações solenes em que tentou corresponder aos apelos da Virgem de Fátima, o Papa elaborou uma oração composta por um elenco de preces muito específicas, onde pedia ao Imaculado Coração de Maria que nos livrasse de um conjunto perigos bastante concretos que fez questão de precisar.

Se a consagração solene ao Imaculado Coração de Maria visava corresponder aos apelos da Virgem de Fátima, então os perigos (ou castigos) mencionados por João Paulo II na oração de consagração de 1984 teriam de estar de acordo com o manuscrito da Ir. Lúcia.

[…]

Oh Imaculado Coração! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal, que se enraíza tão facilmente nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro!

Da fome e da guerra, livrai-nos!

Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável, e de toda a espécie de guerra, livrai-nos!

Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!

Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!

De todo o género de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!

Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!

Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos!

Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos!

Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!

[…]

(João Paulo II – ato de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria a 25 de março de 1984)

Alguns do perigos então mencionados na Praça de São Pedro são de natureza material, enquanto outros são espirituais. Esta constatação converge com informações de outros alegados conhecedores do texto integral da mensagem de Fátima.

Quem está atento ao que se passa no mundo e na Igreja apercebe-se facilmente de que alguns dos perigos aos quais se referia João Paulo II em 1984, infelizmente, já se abateram sobre nós e estão a conduzir numerosas almas à perdição. checklist

Quase 33 anos depois da súplica de João Paulo II, e face a cada uma das preces aí proferidas, talvez este seja o momento para começarmos a verificar quais são os castigos que ainda não se concretizaram, para podermos estar preparados. Certamente que virão a caminho, a não ser que a humanidade acorde de repente e suplique pela verdadeira Misericórdia de Deus.

[…]

Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração Divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação.

[…]

Que se revele uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica infinita da Redenção: a força do Amor misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no vosso Imaculado Coração, a luz da Esperança!

(João Paulo II – ato de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria a 25 de março de 1984)

O perdão, a verdadeira misericórdia, alcança-se com o nosso arrependimento, conversão e reconciliação com Deus e nunca através do propósito de permanecer no pecado, a pretexto de um nova e falsa misericórdia barata. Qualquer perigo material, incluindo a fome ou um eventual holocausto nuclear, será sempre um mal menor quando comparado com a “perda da consciência do bem e do mal”.

Basto 10/2016