Arcebispo Viganò: o 3.º Segredo continua por publicar.

berg_viasacra_2020
Imagem que marca a Quaresma de 2020, no 7º ano do sinistro pontificado de Francisco. O Papa destacado e iluminado, acima de uma imagem ténue e sombria de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado. Fonte: Vatican News, 10/04/2020.

Numa entrevista publicada, no passado dia 21 de abril, no blogue Dies Irae, a qual merece ser lida na íntegra, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò afirma que o 3º Segredo de Fátima continua até hoje por publicar. O ex-núncio apostólico nos EUA lembra que aqueles que tiveram a oportunidade de ler o manuscrito da Ir. Lúcia disseram que o segredo de Nossa Senhora referia-se à futura apostasia na Igreja.

“A terceira parte da mensagem que Nossa Senhora confiou aos pastorinhos de Fátima, para que eles a entregassem ao Santo Padre, permanece em segredo até hoje. Nossa Senhora pediu para ser revelada em 1960, mas João XXIII publicou, a 8 de Fevereiro daquele ano, um comunicado em que afirmava que a Igreja «não quer assumir a responsabilidade de garantir a veracidade das palavras que os três pastorinhos dizem que a Virgem Maria lhes dirigiu». Com este afastamento da mensagem da Rainha do Céu, deu-se início a uma operação de encobrimento, evidentemente porque o conteúdo da mensagem revelaria a terrível conspiração dos seus inimigos contra a Igreja de Cristo. Até há algumas décadas, pareceria inacreditável que pudéssemos ter chegado ao ponto de amordaçar também a Virgem Maria, mas nestes últimos anos temos também assistido a tentativas de censurar o próprio Evangelho, que é a Palavra do Seu divino Filho.

Em 2000, durante o Pontificado de João Paulo II, o Secretário de Estado, Cardeal Sodano, apresentou como Terceiro Segredo uma versão sua que, em relação a alguns elementos, apareceu claramente incompleta. Não admira que o novo Secretário de Estado, Cardeal Bertone, tenha procurado desviar a atenção sobre um evento do passado, a fim de fazer crer ao povo de Deus que as palavras da Virgem não tivessem nada que ver com a crise da Igreja e com o conluio entre modernistas e maçonaria realizado nos bastidores do Vaticano II. Antonio Socci, que investigou exaustivamente sobre o Terceiro Segredo, desmascarou este comportamento malicioso da parte do Cardeal Bertone. Por outro lado, foi o próprio Bertone a desacreditar fortemente e a censurar Nossa Senhora das Lágrimas de Civitavecchia, cuja mensagem concorda perfeitamente com o que Ela disse em Fátima.”

viganò

“Quem leu o Terceiro Segredo disse claramente que o seu conteúdo diz respeito à apostasia da Igreja, iniciada precisamente no princípio dos anos sessenta e que, hoje, chegou a uma fase tão evidente que pode ser reconhecida por observadores seculares. Esta insistência quase obsessiva sobre questões que a Igreja condenou sempre, como o relativismo e a indiferença religiosa, um falso ecumenismo, o ecologismo malthusiano, a homoeresia e o imigracionismo, encontrou na Declaração de Abu Dhabi o cumprimento de um plano concebido pelas seitas secretas desde há mais de dois séculos.”

O texto do Segredo de Fátima devia ter sido conhecido “por ordem expressa de Nossa Senhora”, em 1960, no início da década em que, à boleia de interpretações erráticas do Concílio Vaticano II, uma grande parte da hierarquia católica iniciou um caminho de afastamento da Verdade Cristã. Essa deriva herética atingiu o seu apogeu no pontificado de Francisco, um papa que, não obstante o seu epíteto de “o humilde”, não aceita a Verdade Cristã conforme a recebeu, querendo, a todo o custo, aperfeiçoá-la de acordo com os seus gostos e inclinações pessoais.

envelope
Momento em que o cardeal D. Tarcisio Bertone mostra um dos dois envelopes do 3º Segredo de Fátima, no programa “Porta a Porta” do canal italiano de televisão Rai Uno, em 2010.

D. Carlo Maria Viganò, cujo paradeiro, por razões de segurança pessoal, continua desconhecido, desde que denunciou o Vaticano pelo encobrimento dos abusos homossexuais do ex-cardeal Theodore Edgar McCarrick, faz, nesta entrevista, um forte apelo dirigido ao povo português:

“Sois um povo com uma grande responsabilidade.”

Na verdade, as únicas palavras de Nossa Senhora no 3º Segredo até agora publicadas referem-se especificamente a Portugal. Não as ignoremos…

Fotof-tr

Basto 04/2020

“O último Papa estará sob o controlo de Satanás” – Seria isto parte do Segredo?

Isto, em si, seria uma razão suficiente para nenhum Papa o querer publicar. De qualquer modo, o manuscrito não era dirigido aos Papas, pelo menos diretamente. Os envelopes do Segredo deveriam ser abertos em 1960, “por expressa ordem de Nossa Senhora“, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

Basto 11/2018

O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima

schneider.fatima

A atualidade de Fátima consiste em preparar a Igreja do nosso tempo para uma impávida confissão da Fé Católica e até mesmo um martírio, como podemos perceber na terceira parte do Segredo de Fátima. No entanto, Fátima permanece um verdadeiro sinal profético de esperança porque Nossa Senhora prometeu um tempo de paz e o triunfo do Seu Coração Imaculado.

(D. Athanasius Schneider, in “O Significado Profético Extraordinário da Mensagem de Fátima”, Fátima, 14/07/2017)

O vídeo acima reproduz o discurso proferido em português pelo bispo D. Athanasius Schneider em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, no dia 14 de julho de 2017, num encontro organizado pela publicação espanhola Adelante la Fe.

Fonte: Adelante la Fe, 27/01/2018.

Basto 6/2018

Athanasius Schneider: a interpretação do 3.º Segredo não é infalível

Schneider.jpg

 

No final da palestra proferida por D. Athanasius Schneider, há cerca de um mês, em Fátima, intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima”, proporcionou-se um pequeno momento de perguntas colocadas pela assistência. Alguém questionou o bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana (Cazaquistão) sobre a sua opinião a respeito da interpretação dada pelo Vaticano ao “bispo vestido de branco”, figura central do 3º Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.

D. Athanasius Schneider, com toda a clareza que o caracteriza, foi muito direto e pragmático na sua resposta: “não é uma interpretação ex cathedra“, então “não é infalível”. E esclareceu que o 3º Segredo diz que o Santo Padre foi assassinado, portanto não pode referir-se a João Paulo II, uma vez que este sobreviveu ao atentado.

Schneider2
Fátima, 14 de julho de 2017

A referida palestra teve lugar no passado dia 14 de julho, em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, tendo sido organizada pelo Adelante la Fe. Para já, o texto do discurso de D. Athanasius Schneider está disponível apenas em castelhano no sítio da conhecida publicação católica espanhola.

Basto 8/2017

As “revelações surpreendentes” da Irmã Lúcia na reportagem da SIC

Muitos de nós ainda se lembram de, na década de noventa do século passado, a então recém-criada estação portuguesa de televisão privada SIC ter aberto um telejornal com a notícia de alegadas “revelações surpreendentes” da Ir. Lúcia a respeito da mensagem de Fátima. Desde então, várias gravações editadas dessa reportagem têm corrido o mundo para justificar diversas interpretações da mensagem de Fátima, umas mais otimistas do que outras.

Uma observação mais atenta da referida reportagem suscita alguma prudência na sua utilização como prova material de algumas das alegadas “revelações surpreendentes” da vidente de Fátima.

Todos nós desejamos que as “revelações” anunciadas na referida reportagem estejam completamente corretas e que as fontes aí citadas não tenham, de forma involuntária,  interpretado mal a vidente de Fátima, uma vez que elas são bem mais favoráveis do que a realidade parece evidenciar… Mas a verdade é que, se tais “revelações” eram de facto “surpreendentes” na altura da sua publicação, principalmente quando confrontadas com outras declarações da mesma vidente, elas tornam-se ainda mais surpreendentes à medida que o tempo passa e avaliamos, à luz da mensagem de Fátima, o estado a que chegou o mundo (Rússia incluída) e principalmente a Igreja. Não deve ser por acaso que esta reportagem é hoje utilizada para justificar a normalidade do momento insólito que a Igreja vive desde 2013 para cá…

Esperemos que, num futuro próximo, publiquem os vídeos integrais da entrevista e, de preferência, com algum tipo de correção técnica, dada a má qualidade das gravações apresentadas, para que não restem a mínima dúvida em relação à informação em causa.

Basto 8/2017

A prova final da Igreja segundo Fátima e o Catecismo

axis1

 

Por Pedro Sinde

Vive-se, hoje, uma certa euforia na Igreja (curiosamente, talvez até mais fora do que dentro dela!); convém recordar, no entanto, para evitar cair em precipitação, que nada menos do que o próprio Catecismo nos ensina que a “Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes” (Catecismo, § 675). Veremos brevemente como os avisos que nos chegam de Fátima estão em espantosa consonância com a doutrina da Igreja.

Abalo da fé

São palavras tremendas, as que a Igreja diz de si mesma sobre os últimos tempos: a “Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição” (idem, § 677). Ora, seja qual for a natureza da prova final, ficámos a saber no Catecismo que ela abalará a fé de numerosos crentes; isto não espantará, naturalmente, nenhum católico que se lembre destas tremendas palavras de Cristo: “Quando porém o Filho do Homem voltar, encontrará porventura fé sobre a terra?” (Lc, 18, 8). Neste ponto, podemos recordar que a mensagem de Fátima avisa justamente para esta questão da perda de fé, ao dizer que “em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Os melhores intérpretes têm apontado que esta referência parece pressupor a ideia de que noutros lugares o dogma da fé não se conservará. No entanto, temos de atender ao facto de que isto não significa nem que apenas em Portugal se mantenha, nem que fora de Portugal não se mantenha. No entanto, temos a promessa, em palavras da própria Virgem de que em Portugal se manterá. Já alguns têm afirmado que ser em Portugal não quer necessariamente dizer que seja com os portugueses… Portugal pode aparecer nas palavras da Virgem como um lugar, como uma arca de Noé que contivesse os elementos fundamentais da fé intactos para a transição neste processo de morte e ressurreição da Igreja; se não como semente, pelo menos como terreno fértil para a semente. Regressemos agora ao Catecismo no sentido de antever um pouco qual a natureza deste evento tremendo. No mesmo parágrafo citado acima (§ 675), referem-se alguns pontos essenciais, que nos podem ajudar a conhecer a natureza desta prova: “Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado.”

Podemos, assim, reconhecer os principais elementos da prova final:

– ocorrerá uma perseguição: e a quem poderia ser, senão a quantos se mantiverem fieis à Igreja?;

– esta perseguição “porá a descoberto o «mistério da iniquidade»: sob a forma de uma impostura religiosa”;

– esta impostura religiosa – que enganará os crentes (e de que modo, senão emergindo mesmo do interior do Catolicismo?) – caracterizar-se-á por apresentar “aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade”;

– o modo pelo qual se realizará esta impostura será o de um “pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado”.

Numa importante nota (nota 643), o Catecismo descreve especificamente um “falso misticismo” que é a “simulação da redenção dos humildes”. Esta questão dos humildes ou dos pobres aparece, pois, como uma ‘pedra de toque’ ou uma ‘pedra de tropeço’ e deve ser vista à luz meridional dos Evangelhos e não à luz de qualquer ideologia: – Judas, esse que O havia de trair, exclama, escandalizado por ver Maria a ungir os pés do Messias com um caro perfume: “Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?” E a surpreendente resposta de Jesus é esta: “Pobres sempre os tereis entre vós, mas a Mim nem sempre me tereis” (Jo, 12, 8). – Mas talvez ainda mais importante é a seguinte afirmação: “É mais fácil passar um camelo no buraco da agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mt, 19, 24; Lc, 18, 25). Desta perspectiva, que é a de Deus (!), não está o pobre em vantagem em relação ao rico? Diz a erudita Irmã Jeanne d’Arc que “buraco da agulha” era o nome de uma rua de Jerusalém muito estreita e praticamente impossível de passar com o camelo carregado. Isto nos mostra que ao rico não é impossível entrar no reino de Deus, mas apenas que é mais difícil (sobretudo se quiser passar carregado com as suas riquezas). A nobreza da pobreza evangélica opõe-se ao modo meramente materialista e bélico das ideologias de qualquer tipo.

Abalo cósmico

E o abalo da fé, referido acima, parece ter como consequência um abalo cósmico. No § 677, diz-se ainda que o “triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo Final, após o último abalo cósmico.” Fixemos esta impressionante expressão e recordemos a seguinte visão da Irmã Lúcia (tal como narrada em Um Caminho sob o Olhar de Maria, p. 267):

manuscrito.lúcia.um.caminho.sob.o.olhar.de.maria.jpg
Vista parcial do manuscrito da Ir. Lúcia publicado no livro “Um Caminho sob o Olhar de Maria: Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado”, 2013

(Depois de dificultosamente escrever a terceira parte do segredo, anota): “E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, – A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, – Ela estremece, montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultadas. – O mar, os rios e as nuvens, saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que se não pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. – O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!” (3-1-1944).

Impressionante descrição! Aquela “ponta da lança como chama que se desprende” e que “toca o eixo da terra”, fazendo-a estremecer, não será verdadeiramente aquele “abalo cósmico” a que se refere o próprio Catecismo? O abalo da fé, implícito na mensagem de Fátima, não será, como no Catecismo, a causa do abalo cósmico? E não diz a Irmã Lúcia, numa carta ao Cardeal Carlo Caffarra, que a coluna que sustenta a criação é a família e que, por isso, o último ataque de Satanás será sobre a família e a santidade do matrimónio? Se não devemos deixar-nos derrotar pelos eventos previstos, por muito difíceis que se nos afigurem os tempos, também não devemos deixar que as vagas das modas ideológicas deste mundo nos levem embalados e afastem da barca firme. Temos, de resto, a promessa da Virgem, ela mesma, em Fátima, e em palavras inequívocas: “por fim o meu Imaculado Coração triunfará”!

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 25 de maio de 2016.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho, a presente edição visa apenas a sua divulgação. As imagens foram adicionadas na presente edição, não fazem parte da publicação original.

Basto 7/2017

A hora do testemunho público

padre gobbi

Fulda, Alemanha, 8 de setembro de 1985

(Festa da Natividade da Virgem Santa Maria)

314. A hora do testemunho público

[…]

O que é que ofusca hoje a beleza e o esplendor da Igreja?

É o fumo dos erros que Satanás fez entrar nela; estes são cada vez mais difundidos, levando muitíssimas almas à perda da Fé. A causa desta tão vasta difusão dos erros e desta grande apostasia são os pastores infiéis. Estes fazem silêncio, quando devem falar com coragem para condenar o erro e defender a Verdade. Não intervêm quando devem desmascarar os lobos vorazes que se introduziram no rebanho de Cristo, vestidos de cordeiros. São cães mudos que deixam devorar o seu rebanho.

Vós, ao contrário, deveis falar com força e coragem para condenar o erro e difundir só a Verdade. Chegou a hora do vosso testemunho público e corajoso.

[…]

Tudo o que o meu Papa disse neste lugar corresponde à verdade.

Estais próximos do maior castigo; então Eu digo-vos: entregai-vos a Mim e lembrai-vos que a arma que deveis usar nestes terríveis momentos é o santo Terço. Deste modo formareis o meu exército que conduzo, nestes tempos, à sua maior vitória.

(Excerto da locução Nº 314 do Pe. Srefano Gobbi in Aos Sacerdotes Filhos Prediletos de Nossa Senhora, Edição de 2006 atualizada, p. 557, 558)

O Padre Gobbi foi o fundador do Movimento Sacerdotal Mariano.

Basto 7/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

Burke.russia.jpg
Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017